sábado, 4 de março de 2017

Para que serve o rodízio de veículos?

O rodízio de restrição de uso do veículo motorizado, por dia da semana, segundo os algarismos finais da chapa - como implantado em São Paulo - é uma medida interessante e necessária para melhorar a mobilidade urbana.
Porém o seu objetivo principal não deve ser a redução da circulação de veículos em eixos ou áreas de maior fluxo. Esse objetivo se esvai em pouco tempo. Principalmente em tempos de aplicativos que facilitam o uso de um segundo carro, apenas para "driblar" o rodízio, sem necessidade de aquisição de um veículo adicional. Custa muito menos. 
Deve ter o objetivo de induzir a transferência do uso do carro (o modo individual de transporte) para o uso do transporte coletivo. Dentro desse objetivo, o rodizio só deveria ser aplicado em eixos bem servidos por transporte coletivo de média e alta capacidade e qualidade. Vale dizer, metrô, VLT e eventualmente o trem urbano e o BRT. Não o ônibus comum, mesmo em corredores não segregados ou faixas preferenciais. 
A experiência de São Paulo mostra que esses objetivos não são sustentáveis.

O rodízio deve estar inserido numa estratégia maior de redução dos deslocamentos, com a maior aproximação das funções urbanas, principalmente casa-trabalho e casa-escola. Os dois principais motivos de geração de viagens urbanas.

O segundo já vem sofrendo grande mudanças, parte favorável à mobilidade urbana e parte desfavorável. Nas viagens para as escolas de primeiro e segundo grau, a maior descentralização das escolas, fez com que o deslocamento a pé se tornasse o predominante. Já no ensino superior, a expansão das faculdades privadas, com cursos noturnos, para atender aos jovens que trabalham durante o dia, ampliou substancialmente o volume de deslocamentos motorizados, no final da tarde e ampliou os horários de maiores fluxos, gerando até um novo pico: o dos horário de saída dos cursos noturnos.

O maior impacto que o rodízio pode ter é o de gerar ou desenvolver novos polos urbanos, mais integrados nas funções urbanas, reduzindo os volumes relativos de deslocamento. Além de facilitar o uso de transporte não motorizado.

Para isso o rodízio funcionaria com o sentido de favorecer o desenvolvimento de áreas sem restrições. Mas para que não haja simplesmente a transferência dos congestionamentos de uma área para outra, é preciso planejar a longo prazo as condições para favorecer as mudanças.

(cont) 

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