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A falácia da baixa produtividade

Ontem, no Espaço Democrático, tive a oportunidade de ser submetido a questionamentos por um grupo seleto de economistas e cientistas políticos sobre um projeto nacional baseado em maiores exportações de produtos de maior valor agregado, principalmente alimentos prontos ou semiprontos para consumo.
Uma das objeções é a falta de competitividade do Brasil, em função da baixa produtividade.
A produção brasileira, no seu conjunto, apresenta, sem maiores dúvidas, baixa produtividade do seu trabalho humano.
Os índices são a média de uma produção altamente desigual, com alocação diferenciada de equipamentos e tecnologias. 
Quem exporta não é o Brasil, como um todo, pela sua média, mas as empresas e seus produtos.
De um lado há empresas e produtos com altíssima produtividade, ao lado de produtos, com baixa produtividade.
No setor agrícola, os grãos da grande agricultura empresarial tem altíssima produtividade, enquanto os grãos da agricultura familiar tem baixíssima produtividade. Como essa é extensiva no uso do trabalho humano e ainda representa um volume muito superior ao do agronegócio empresarial, puxa a produtividade média do trabalhador para baixo, nas estatísticas macroeconômicas.
O que é exportado são os produtos  do segmento de alta produtividade. 
Há produtos brasileiros com alta produtividade e, com isso, com ampla competitividade no mercado mundial. São esses que deverão "puxar" um novo projeto nacional. E não podem ficar presos ao peso de carregar os setores de baixa produtividade.
Esse é um problema mais social do que econômico. Envolve estratégias e ações específicas, principalmente de parte do Estado, para um incremento gradual da produtividade e maior inserção dos trabalhadores desses segmentos, no mercado de consumo. 

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