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sábado, 3 de outubro de 2020

O Novo Normal do Comércio

  O comércio já vinha processando mudanças, antes mesmo da pandemia, a qual ampliou e acelerou o processo.

A principal mudança foi a substituição das vendas presenciais, atendidas por vendedores em lojas, pelas vendas pela internet.

Na fase pré-pandemia, emergiram start-ups que viralizaram, com vendas pela internet, com amplo domínio de empresas asiáticas, oferecendo preços mais baixos.

Algumas rede de lojas montaram o seu próprio aplicativo, como meio alternativo às vendas presenciais, como o grupo controlador das Lojas Americanas que criou o B2W, incorporando o aplicativo Submarino. Foi a melhor sucedida em termos de expansão, embora amargasse prejuizos durante muito tempo.

Outras tentaram mas parte desistiu, congelando os projetos.

O modelo melhor sucedido, prévio à pandemia foi o market place das Magazine Luiza, oferecendo uma ampla gama de produtos, entregues por lojas menores. Outros seguiram o mesmo modelo, sem o mesmo sucesso operacional e de imagem.

A pandemia provocou diversas mudanças:

  • a ampliação das vendas pela internet das principais redes de supermercados, assim como de lojas de shopping center, substituindo a ida às lojas, pela escolha pela internet e entrega em casa;
  • a maior participação de fabricantes, no market-place, com a venda direta dos seus produtos ao consumidor.
A primeira mudança tende a refluir com a volta da "normalidade", com mais consumidores às lojas, convivendo com as vendas pela internet. 
O volume das vendas presenciais deverá cair, refletindo-se no nível de emprego de vendedores de lojas, assim como de caixas, as principais ocupações nas "linhas de frente". Os funcionários de escritório serão menos afetados pela redução da vendas presenciais, mas serão afetados para mais ou para menos, em função das tecnologias. Os repositores também serão afetados, mas com mudanças da forma de trabalho: não será mais do recebimento do produtor para as gôndolas, prateleiras ou "araras", mas as transferências para as caixas individuais dos compradores pela internet para o despacho. As operações de menor porte serão artesanais. As de maior porte, com ampla automação e suporte tecnológico.

Já as vendas diretas dos produtores aos consumidores tenderão a crescer, provocando grandes mudanças nos processos, com impacto sobre a qualidade e quantidade de empregos.

Os empregos tradicionais do comércio presencial, tenderão a diminuir, com o menor volume de pessoas nas lojas e nas transações. De outro, as estruturas comerciais dos produtores precisarão ser ampliadas, com trabalhadores com novas aptidões tecnológicas, para atender às vendas digitais.

Essas mudanças que conformarão o novo normal do comércio e dos comerciários ainda não estão nas agendas das empresas, com poucas exceções, assim como dos sindicatos dos comerciantes e dos comerciários. 

Qualquer política ou ações para revitalização do mercado de trabalho não poderá deixar de considerar as mudanças que estão ou irão ocorrer na cadeia produtiva com maior volume de contingente de trabalhadores formais. 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Novo modelo de negocio para o Brasil

Diante da ampliação da capacidade de atendimento dos doentes com a COVID-19, os Governos Estaduais e Municipais estão flexibilizando as restrições, assumindo os riscos de aumento da contaminação. Também das mortes, mas com menor grau de letalidade.
Perceberam a inviabilidade de manter os isolamentos mais amplos e rígidos, por muito tempo, assumindo as mortes como "danos colaterais" de uma guerra. 
A economia deverá voltar a funcionar mas não com o mesmo normal, anterior à pandemia.
Houve a aceleração nas mudanças que estavam em curso, principalmente o "home-office". Novas práticas de funcionamento de bares, restaurantes, cinemas, lojas, shopping centers serão permanentes. As indústrias, assim como estabelecimento de serviços terão que adotar medidas preventivas mais rígidas. 
Mas tudo dentro do mesmo modelo de negócio do Brasil, o que projeta uma evolução da economia baixa, com pequenas variações em torno da estagnação, ou seja, crescimento zero.
A principal mudança trazida ou promovida pela crise foi a "descoberta" pela sociedade organizada e pelas autoridades econômicas, da pobreza, como um fato real e não apenas estatístico, caracterizado como "informal".

Estariam fora do mercado e a sua inserção no mercado, através de renda transferida pelo Estado, ampliada pelo multiplicador de renda, poderia gerar um PIB adicional, promovendo uma revitalização do falido modelo econômico brasileiro.
As tentativas infrutíferas de Paulo Guedes, apesar do poder que lhe foi atribuido, em revitalizar a economia, mediante os padrões liberais, substituindo o papel promotor do Estado, tem sido sucessivamente anuladas pelas questões ambientais e outras. 
Paulo Guedes terá que repensar o modelo de negócio do Brasil e não apenas tentar revitalizar um modelo falido, com injeções de liberalismo.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Um possível efeito positivo inesperado

A crise econômica brasileira não é consequência do coronavirus que só agravou uma situação que já vem desde o segundo semestre de 2014, com o sucessivo enfraquecimento do consumo nacional das familias.
Essa demanda agregada é dominada pela renda formal, dos trabalhadores com carteira assinada ou em regime estatutário (o dos funcionários públicos), complementada pelo trabalho por conta própria, na maior parte, de informais. Isto é, relações de trabalho combinadas verbalmente que, perante os registros oficiais, não aparecem. É um mercado praticamente invisível e seus integrantes, igualmente sem visiibilidade pública e nas análises técnicas.
Uma parte passou a ser captada pela PNAD, que pela sua própria natureza (amostra domiciliar) não alcança os sem domicilio, como os sem teto.
Segundo os últimos dados disponíveis (trimestre terminado em fevereiro de 2020), de uma população total de 210  milhões de habitantes, a população na força de trabalho era de 106 milhões, dos quais 93 milhões estavam ocupados e 12 milhões estariam desocupados. Os trabalhadores por conta-própria seriam 24 milhões.
As estimativas do Governo em relação ao auxílio emergencial é que mais de 40 milhões venham a recebê-lo. Considerando esses números seriam 24 bilhões por mês e 72 bilhões na vigência por três meses.
São quantidades de beneficiários maiores do que a soma dos desocupados e dos trabalhadores por conta própria. Algumas estimativas indicam volumes ainda maiores.
De toda forma estamos considerandro um valor muito superior às liberações do FGTS para os formais.
Adotada como medida de política social terá efeitos relevantes na economia, dependendo de como e onde os beneficiários irão gastar os valores recebidos.
A maior parte não tem dívidas bancárias, até por não terem contas bancárias e terão que abrir uma conta na Caixa Econômica ou no Banco do Brasil, ambas entidades estatais, para receber o auxílio. Provavelmente sacarão tudo, para gastar em dinheiro, como sempre fizeram.
As eventuais dívidas são de postergação de pagamentos nos empórios, padarias e farmácias locais, ainda dentro do tradicional regime das cadernetas. 
Liquidarão o débito e começarão uma nova folha, ou cartão. Esse mecanismo tradicional assegura as compras locais e promoverá o enriquecimento dos comerciantes. Os quais transferirão grande parte da sua receita em compras de produtos de outras regiões, principalmente de São Paulo, o maior produtor industrial de bens para consumo interno.
A sua margem poderá ser aplicada na própria região ou ser exportada para outras, seja na forma de investimento financeiro, como eventuais viagens aos centros de consumo maiores, no país ou no exterior.
Essa injeção de recursos nas comunidades mais pobres irão movimentar a economia de forma inusitada, semelhante à ocorrida na implantação do bolsa família, mas agora de forma mais ampla e robusta. 
Foi estabelecida para compensar a perda de receita dos informais, em função da retração do mercado, mas o saldo deverá ser positivo.
Seguramente haverá um grande aumento da demanda de alimentos básicos: pão, leite, arroz, feijão e farinha. Em escala menor, carnes para a mistura, frutas e legumes. Esses poderão ser de produção loal. Serão todos encontráveis nos mercadinhos locais e os comerciantes aproveitarão para colocar alimentos industrializados, material de limpeza industrializados, produtos de higiene e beleza, esses comprados de centros maiores. Medicamentos, com a movimentação de farmácias serão a segunda grande movimentação, com a maioria oriunda de produtores de outros centros. A renda local será apenas da margem do farmacéutico e pagamento de eventuais empregados, com a maior parte da receita transferida para outros centros, uma parte no exterior, mediante importações.
Provavelmente uma grande parte dessa renda do auxílio emergencial será gasta com outros prestadores de serviços locais, como os serviços de beleza, outros, todos informais.
Diferentemente da distribuição do FGTS, os gastos dos beneficiários deverão movimentar mais a economia informal do que os empregos formais.
Por outro lado, a massa salarial do emprego formal poderá cair substancialmente, em função das demissões e dos cortes de salários. 

Duas questões afloram diante dessa situação:

  • o aumento da "massa de renda" dos informais, compensará a queda da massa salarial dos formais?
  • qual será o impacto final sobre o PIB?

Pode-se supor que o auxílio emergencial, além de aportar renda ao benefíciário, aumentará o mercado dos informais, pelos gastos dos demais beneficiários. Haverá um aumento do PIB da economia informal, com a multiplicação dos efeitos. Deverá ter impacto positivo sobre o PIB, porque essa economia informal não tem sido computada nos cálculos tradicionais do PIB e só  a sua formalização - ainda que parcial - refletirá contabilmente em aumento do PIB. 
Mas dado que o auxílio emergencial  é só para três meses, a economia informal terá condições de continuar se desenvolvendo com a massa de renda e a sua multiplicação, posteriormente ao periodo do benefício?
O que será necessário para sustentar o crescimento econômico continuado dessa economia informal?
Como será, em futuro próximo, a sua integração com a economia formal?






quinta-feira, 26 de março de 2020

Financiar diretamente o consumidor



O principal motor da economia brasileira é o consumo das famílias (segundo a nomenclatura das contas nacionais).
Esse consumo é feito – predominantemente – pelos trabalhadores que recebem os seus salários e o gastam em comida, em remédios, em roupas, em calçados e outros bens de consumo. Ainda pagam o plano de saúde, prestações da compra do automóvel, dos eletrodomésticos, telefone celular e outros bens duráveis. Pode estar pagando aluguel ou prestação da habitação em que moram. Na casa tem as contas de luz, água, gás e, para alguns, a TV paga, Netflix e outros.
Com filhos tem ainda encargos com as mensalidades, quando em escola privada, material escolar e transportes. Tem gastos com a condução, que quando empregados, pode ser parcial ou totalmente pagos pelo empregador.
Os que tem animal em casa, tem gastos com rações e com o pet-shop.
Gasta ainda, com vários serviços como a academia, a cabelereira e outros.
Acima de tudo, não está Deus, mas os impostos a pagar.
Numa eventual suspensão de recebimento de salários, podem postergar ou renegociar as dívidas, mas não podem deixar de gastar em comida, remédios e condução.
Quando estabelecida a quarentena, com o fechamento de lojas, exceto os essenciais, fica em casa, consome menos, embora vá ter aumento da conta da luz, da água, de telefone e gás. O seu salário pode durar um pouco mais. Mas ao deixar de comprar roupas, de ir à academia ou à cabelereira, reduz a receita desses estabelecimentos que podem ficar sem dinheiro para pagar os empregados. A primeira tendência do empregador é colocar em férias ou demitir.
Gera uma corrente de redução das atividades produtivas, sucedida por demissões, importando numa redução do consumo, provocando um circuito negativo. A sequência dos circuitos leva a um redução da demanda agregada, que vai se refletir no PIB, de forma negativa.
Para conter ou mudar o sentido do circuito negativo, em função das pressões empresariais, as medidas governamentais são orientadas para auxiliar as empresas, na suposição de que elas vão manter a produção, os empregos e continuar pagando os salários, com os auxílios governamentais. Isso ocorre, num primeiro momento, até porque a maioria dos empregados recebeu os salário do período anterior às restrições. Está gastando menos, porque confinado, exceto os amedrontados que fizeram compras mais que o necessário. Alguns estão guardando para voltar a comprar, assim que as coisas se normalizarem. Ou para aguentar um período sem receber.
Numa eventual continuidade de redução da produção, com maiores demissões, a redução da massa salarial e fonte de renda para consumo, o circuito negativo se encorpa. Sem perspectiva de demanda não adianta financiar as empresas produtoras, porque elas não vão produzir. Não é função, nem vocação da indústria de produzir para estoque. A menos que vejam perspectiva de demanda próxima e precisam fazer estoque para atender.
O maior obstáculo é Paulo Guedes e sua equipe que só pensam em atender as empresas e os investidores, desprezando inteiramente os trabalhadores aos quais debitam a responsabilidade pelas crises econômica. A visão das autoridades econômicas não é ajuda-los mas puní-los, como pretendeu fazer com a primeira Medida Provisória, com o pacote de ajuda.
Não basta a solução para os formais que representam um contingente da ordem de 45 milhões de trabalhadores. Quantidade igual é de informais e ainda existe um grande parte de desocupados.
EUA e Reino Unido já anunciaram um programa de apoio trabalhadores, tanto formais como os informais.  
Com as decisões do mestre Trump é possível que Jair Bolsonaro mande Paulo Guedes, seguir o mesmo caminho. Para isso poderá contar com a boa vontade do Congresso.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O apoio dos evangélicos

Entre os grupos de apoio de Bolsonaro  o mais importante - eleitoralmente - seria dos evangélicos pelo volume de eleitores.
Não há, no entanto, unanimidade entre eles nas preferências políticas. 
Algumas denominações (ou igrejas) estariam fechadas com Bolsonaro, em função da adesão dos seus líderes, mas outras - entre as maiores - mantém certa independência. Não há, por enquanto, evidências de alguma oposição.
As lideranças evangélicas se unem num ponto comum: não pagar impostos. Agora não querem nem pagar as conta de luz.
Ou seja, em 2022 os eleitores evangélicos poderão ou não votar a favor da reeleição de Jair Bolsonaro.
Uma parte seguirá as orientações dos pastores e líderes maiores, outra seguirá os sentimentos pessoais. Esses serão de gratidão ou de decepção.
De um lado estarão os que entendem que Jair Bolsonaro fez um governo a favor dos princípios defendidos pelos evangélicos, colocando Deus e a família em primeiro lugar. Colocou-se contra os desvios gerados pelo progressismo, como a união homoafetiva, o direito ao aborto e outros.
De outro lado estarão os que se sentirão traídos por Jair Bolsonaro que teria acedido aos acenos do diabo, aceitando regularizar os jogos de azar,  de não lutar pela preservação da vida, desde o primeiro momento, de ser condescendente com os LGTB e outros, considerados aberrações da natureza.

Como Jair Bolsonaro conduzirá a pauta evangélica em 2020 e anos subsequentes? 

Os resultados macroeconômicos serão importantes, em geral, mas não estão na pauta específica dos evangélicos. Já alguns impactos meso e microeconômicos terão maior importância.

Os desalentados e desocupados tendem a buscar nas igrejas evangélicas a acolhida, algum apoio material, mas principalmente o conforto espiritual e a esperança.
A partir da "teoria da prosperidade", segundo a qual Jesus premiará aqueles que se esforçarem para prosperar, sempre mantendo a crença no Senhor, a tendência é que os evangélicos apoiem mais o trabalho por conta própria e o empreendedorismo do que o emprego, com carteira.
Há e continuará havendo uma disputa da massa de trabalhadores, de menor qualificação, com os partidos de esquerda defendendo o aumento dos empregos formais, não se satisfazendo com as demais formas, consideradas precárias. 
Seguindo a trajetória atual do mercado de trabalho, em 2022, os candidatos de esquerda dirão que o Governo Bolsonaro não melhorou as condições dos trabalhadores, inchando com o trabalho informal e sem proteção social.
Já os evangélicos tenderão a creditar ao Governo a melhoria do mercado de trabalho, com o aumento maior do trabalho por conta própria.
Receberão desses o dízimo, tanto quanto dos celetistas. 

Ou seja, a principal oposição às bandeiras petistas poderão ser os evangélicos, não nas questões dos costumes, mas das modalidades de ocupação.
Os partidos de esquerda poderão conquistar os "corações, mentes e bolsos" dos celetistas, mas não os dos demais. A sua posição é de inaceitar essas modalidades, caracterizando-as como precárias, mas a pessoa que consegue uma renda, seja como microempresário ou com "bicos" ou "frila", a aceita, porque é melhor que ficar sem nada. 
A mensagem da esquerda "não aceite esmolas, mantenha-se no combate e lute pelo emprego" não teria tanta aceitação. 

Jair Bolsonaro, provavelmente, estará com os evangélicos, buscando capitalizar a melhoria geral do mercado de trabalho, sem a distinção do "formal" com o "informal". 



sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Black friday x natal


O resultado do CAGED de novembro é auspicioso, porque tradicionalmente em novembro começa uma trajetória de queda no estoque de empregos formais, alcançando o auge negativo em dezembro, por um movimento simples: as empresas demitem, pela queda da demanda e só voltam a contratar no início do ano.
Como a apuração é mensal, mesmo que haja maior contratação no comércio até a terceira semana, por conta das compras de Natal, assim que esse termina, há um grande volume de dispensas, refletindo-se no resultado negativo do mês. Há outros fatores, como a saída de imigrantes que voltam no período para o seu domicílio de origem. O setor agrícola está, na sua maior parte, na entressafra.
O resultado de novembro foi puxado pelo comércio varejista, com a antecipação das compras de final de ano, aproveitando as promoções do “black Friday”. Como já comentamos aqui, há uma mudança no comportamento do consumidor popular, guardando o dinheiro para aproveitar os descontos nas compras à vista no black Friday, o sentido inicial do modelo. Levou algum tempo no Brasil, mas afinal “emplacou”.
Antecipou as vendas no comércio, com uma grande diferença no valor médio (ticket médio). O do black Friday teria sido superior a R$ 1.000,00. O do Natal deverá ser muito menos, apesar da liberação do FGTS e da segunda parcela do 13º salário. Continuará sendo o Natal das Lembrancinhas.
O bom resultado do CAGED é sazonal e preciso entendê-lo como tal, para não gerar frustrações com os resultados dos meses subsequentes, principalmente de dezembro.
Dezembro deverá ter uma queda, mas igualmente sazonal. Em janeiro o agro deverá contribuir para um novo aumento, em função da colheita da safra da soja e outros.
Ajustados os efeitos sazonais, a tendência é de melhoria no mercado de trabalho formal em 2020, devendo ultrapassar a marca de um milhão de novos empregos, nas apurações do CAGED. Nada de excepcional, mas positivo.
A análise setorial mostra que o comércio deu um bom salto, criando 106.834 novos postos de trabalho, associado aos serviços, com 44.287 alcançando mais de 150.000 novos postos. Mas a indústria de transformação continuou perdendo, com uma redução de 25 mil postos.
A construção civil ainda perdeu postos, em novembro, mas menos do que do mesmo mês em 2018. Deverá ter uma queda maior em dezembro em função da chamada "férias do baiano". 
O ritmo só será fortalecido se a economia brasileira se voltar mais para o mercado externo com produtos de maior valor agregado, não ficando dependente dos surtos do final do ano.

sábado, 23 de novembro de 2019

Néo bolsonarismo

O bolsonarismo que emergiu como um tsunami em 2018, trazendo Jair Bolsonaro à Presidência da República está sendo parcialmente repaginado, na criação do seu partido: o Aliança para o Brasil, que já está sendo cunhado pela mídia como APB e não como ALIANÇA. Alguns lerão a sigla como "Acordão pró Bolsonaros".
A principal diferença está na perda de importância, quase sumiço do combate à corrupção.
Uma grande massa de eleitores que formou o conjunto de 57 milhões de votos para o Jair foi dos eleitores de menor renda, decepcionados com a "roubalheira" do PT. 
Bolsonaro se apresentou ao povo como um político que apesar de tradicional não havia se envolvido com a corrupção e prometeu acabar com ela. Mas não tem conseguido manter a imagem de "inteiramente limpo". 
Os "lava-jatistas" que tem saído às Avenidas, contra Ministros do STF e em defesa de Sérgio Moro, não tem mantido o apoio irrestrito a Jair Bolsonaro.
Sérgio Moro não cabe no APB e isso tem um impacto eleitoral significativo.
Em 2018, Jair Bolsonaro associou-se aos grupos antiambientalistas, principalmente desmatadores, madeireiros ilegais e grileiros, além dos empresários perseguidos pela indústria da multa ambiental. Os movimentos ambientalistas não deram atenção, não acreditando na possibilidade de Bolsonaro ser eleito. Muito menos que, eleito, iria por em prática as suas proposições antiambientalistas. Cumpriu as promessas e os efeitos reais foram desastrosos para a imagem do Brasil no exterior, afetando as questões comerciais. Se em 2018, não teve a oposição ambientalista passou a ter, com reflexo nas próximas eleições. 
A pauta do APB não trata diretamente da questão que está mascarada nas posições soberanistas e antiglobalismo, dois apelidos para a mesma coisa: ser contra as supostas tentativas de tirar a soberania do Brasil sobre a Amazônia, com inimigos objetivos e imaginários: Macron, o Presidente francês, as ONGs internacionais que seriam disfarce de grandes empresas internacionais interessadas em explorar as riquezas mineiras da região. 
Em função das suas posições corporativistas vem interditando a discussão das reformas tributárias e administrativas. Essas só irão adiante se o Congresso resolver confrontar diretamente o Presidente e a sua caneta. Os atrasos poderão afetar a continuidade do apoio empresarial, animado com a pequena melhoria da macroeconomia.
Esse espera pela continuidade das reformas que, se dependerem de Bolsonaro e do APB não vão prosperar. Como irão se posicionar em 2022?
O liberalismo na economia é princípio do APB, mas as reformas estruturais não estão nas prioridades.
Outra grande diferença entre o bolsonarismo de 2018 e o atual está no apoio dos grupos militares. 
O apoio militar foi interpretado pela população como o restabelecimento da ordem e do patriotismo. "Brasil, acima de tudo", seria garantido pelo Exército, onde estão os seus velhos companheiros. Ao longo do seu primeiro ano de mandato foi se libertando da tutela militar, formando um governo com a "sua turma" de oficiais militares, assim como de egressos da polícia civil e militar. Em 2022 poderá não ter o respaldo do segmento militar. 
Para compensar as perdas, está reforçando o apoio da comunidade evangélica, que vem ampliando os espaços dentro da sociedade brasileira.
Essa comunidade asseguraria a Jair Bolsonaro e ao APB a base eleitoral da população de baixa renda, com fundamento nos valores tradicionais da família, contra o progressismo, considerado desagregador e instrumento do comunismo.
As denominações evangélicas promovem o acolhimento dos desamparados e a sustentação da esperança por uma vida melhor, pela crença.
Em 2022, a macroeconomia deverá estar melhor que 2018, com Jair Bolsonaro se creditando dessas melhoria e aceitação por parte de empresários e de rentistas. A sua principal mensagem deverá ser o de evitar o retorno do PT, que promoveria o retrocesso da macroeconomia e a tributação dos mais ricos. Mas ele poderá ter que promover essa tributação ainda dentro do seu Governo, enfraquecendo o argumento.
Já em relação à baixa renda, a desigualdade de renda deverá continuar, mas essa vem se reorganizando, desenvolvendo o chamado trabalho informal, mas que garante a sobrevivência. E as denominações evangélicas e seus pastores, mantém as esperanças e uma visão de mundo de que a prosperidade virá pelo esforço pessoal. Deus ajudará a quem se esforçar, sem deixar de pagar a comissão a ele, entregue às igrejas na forma de dízimo. Dificilmente essas massas se revoltarão contra as suas igrejas. E essas segurarão os movimentos contra o Estado.
O problema e risco maior está na classe média, principalmente da emergente, que teve a sua ascensão cortada pela crise econômica.
Uma parte dessa classe média ainda aspira por empregos formais, com carteira assinada e expectativa de receber os benefícios, como férias remuneradas, 13º salário, aviso prévio, aposentadoria, plano de saúde e outros, além dos salários.
Com a dificuldade de conseguir empregos, em 2022, ou antes, estarão desalentados e conformados, ou revoltados, esperando uma oportunidade para manifestar a sua revolta. 
O mercado de trabalho, nos próximos anos estará desdobrado entre:

  • o mercado de trabalho dos talentosos, com carência de oferta e melhoria sucessiva de rendimentos;
  • o mercado de carteira assinada, com participação relativa em queda;
  • o mercado de trabalho formal por conta própria, substituindo o de carteira assinada;
  • o mercado de trabalho informal por conta própria, sem proteção social. 
O resultado eleitoral de 2022 dependerá de como cada um desses segmentos irá votar.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Trabalhador não está votando em trabalhador

A partir da constatação numérica de queda da bancada sindical no Congresso Nacional, o que resultou na derrota da visão dos trabalhadores na Reforma Trabalhista, procuramos entender por que os trabalhadores estão deixando de votar nos líderes sindicais.
O trabalhador aspira a melhoria da sua qualidade de vida, em todas as dimensões. Não apenas durante o seu trabalho dentro da empresa, ou nas relações de trabalho com os empregadores, com os próprios companheiros e outros agentes intervenientes.
Essas aspirações transcendem o emprego, envolvendo as condições de locomoção entre "casa-trabalho-casa", seja no tempo gasto, como na qualidade dos serviços, as condições de moradia, as condições de alimentação e saúde, incluindo as condições do clima, o acesso ao consumo e outros elementos da sua vida cotidiana.
Os sindicatos como a principal instituição de associação dos trabalhadores não os atende, por não terem conseguido ultrapassar os portões das fábricas e de outras portas. Continuam presos às relações de trabalho dentro da empresa, sem cuidar dos demais interesses e aspirações dos trabalhadores. Inclusive dos trabalhadores por conta própria.
Por permanecerem nesse âmbito restrito, os líderes sindicais perderam os votos dos trabalhadores, canalizados para outros candidatos que propõe ou prometem cuidar das demais dimensões da vida do trabalhador. 



segunda-feira, 12 de março de 2018

A guerra do aço de Trump e o impacto sobre o Brasil

Com a sobre taxação do aço, a indústria automoblística instalada nos EUA irá perder grande parte do mercado latino-americano e do Caribe. Se a indústria instalada no Brasil, correr, ocupará o espaço aberto. Se bobear os asiáticos tomarão conta. 

Se sair na frente, a indústria siderurgica brasileira conseguirá compensar as perdas de exportação ao mercado norte-americano. Se perder a oportunidade, essa indústria estará condenada à extinção.

A sobretaxação norte-americana sobre o aço impactará negativamente toda a cadeia produtiva metalúrgica, afetando o mercado internacional de minério de ferro.  As cotações tenderão a permanecer em baixa, mantendo a inviabilidade econômica dos novos empreendimentos mineradores de menor porte. 

sábado, 10 de março de 2018

A cadeia produtiva do trigo - biscoitos

No segmento de biscoitos, cujo principal insumo é o trigo, na sua maior parte importado em grão, o processamento alimentar é dominado por grandes multinacionais que fazem parte do grupo de poucas empresas que dominam o mercado mundial de alimentos industrializados.

As importações, durante muito tempo, controladas mediante cotas licenciadas pelo Estado, deram origem a moageiras regionais, sob controle de capital nacional entre as. quais alguns se expandiram para se tornarem grandes grupos de produtores de derivados de trigo. Outras não sobreviveram e acabaram sendo absorvidos por outros grupos.


Em São Paulo, o grupo mais importante, com essa trajetória, é a Selmi que é o principal supridor da farinha de trigo, no varejo, sob a marca Renata. 

O grupo J Macedo, com origem no Nordeste, ampliou a sua área de atuação para o território nacional, mediante sucessivas aquisições. 

Com duas marcas fortes no mercado doméstico de farinhas de trigo (Dona Benta e Sol), ampliou a sua atuação para o segmento de massas, com as marcas Adria e Petybom) assim como de biscoitos.

Outro grupo de origem nordestina, com agressivas estratégias de expansão é Dias Branco, que recentemente comprou a Piraquê, para reforçar a sua atuação em biscoitos na região sudeste. 

As empresas estrangeiras já tiveram participação mais ampla, mas muitas deixaram o mercado.

O Brasil não tem exportações significativas de farinha de trigo, limitando-se a alguma remessas para paises vizinhos, mais ao norte.

A Argentina é uma grande produtora de trigo, sendo o principal supridor do trigo em grão importado pelo Brasil. Tem uma cadeia produtiva mais desenvolvida, cobrindo os mercados vizinhos com produtos mais processados, reduzindo os espaços para as eventuais exportações brasileiras. 

sexta-feira, 9 de março de 2018

Agricultura familiar x empresarial (1)

Tentando confirmar a "verdade" de que a agricultura familiar abastece 70% do consumo alimentar brasileiro, não encontrei nenhuma estatística a respeito. 

Mas acabei encontrando um trabalho de Rodolfo Hoffmann, - Professor Sênior da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ) - que contesta aquela verdade, chegando, pela compatibilização entre a produção da agricultura familiar e a Pesquisa de Orçamento Familiar, a 23%.

Na realidade, existem três dimensões básica da unidade produtiva rural: a grande, a média e a pequena/micro. Todas elas são predominantemente familiares. Isto é são de propriedade e gerenciamento familiar. 

A visão ideológica quer descaracterizar que a propriedade e produção de família rica não é uma unidade familiar. 

A grande propriedade rural é também agricultura familiar.

quarta-feira, 7 de março de 2018

4ª Revolução Industrial e o Trabalho Humano (5)

As tecnologias só se efetivam como inovação, quando aceitas pelo mercado. E isso ocorre porque atendem a uma necessidade, desejo ou aspiração do comprador ou usuário. 

A necessidade/desejo do consumidor pode corresponder a uma demanda reprimida - quantitativa ou qualitativa - ou uma demanda não percebida.

A partir dessa visão, com foco na necessidade/desejo do consumidor final, o setor produtivo inova. Algumas dessas inovações levam à substituição do trabalho humano pela máquina ou aplicativo puro. 

Mas para que isso ocorra é preciso que o consumidor adote a inovação, o que fará se atender a uma necessidade / desejo e estiver ao seu alcance econômico.

Isso significa que não basta existir a tecnologia que atenda a uma necessidade/desejo. É preciso que tenha custo compatível com o benefício esperado pelo consumidor. E ainda dentro da sua capacidade econômica de compra.

terça-feira, 6 de março de 2018

4ª Revolução Industrial e Trabalho Humano (4)

As inovações são avaliadas predominantemente pela ótica da sua criação e da sua produção. Mas elas só se efetivam como inovação, quando absorvidas pelo mercado. E isso ocorre porque atendem a uma necessidade, desejo ou aspiração do comprador ou usuário. Antes de ser aceito pelo mercado são pesquisas e não inovação.

A necessidade/desejo do consumidor pode corresponder a uma demanda reprimida - quantitativa ou qualitativa - ou uma demanda não percebida. Que se torna efetiva diante de um produto que a atenda. Foi o que fez Steve Job.


As compras pela internet - tanto de bens físicos como de serviços - não só vão continuar como aumentar. O que gera três atividades subsequentes, todas pela internet: a venda prévia, a cobrança e o atendimento das reclamações.

As compras/vendas pela internet podem dispensar um vendedor específico para cada operação. Tudo pode ser automatizado, a partir de "cliques" no computador ou smartphone.

Dará margem para outras profissões. Algumas novas como o webdesign, o produtor do sítio (ou responsável pelo conteúdo), curador de imagens, analista de inteligência competititva, outras tradicionais como fotógrafos, desenhistas, marketólogo ou selecionador de produtos, precificadores e outros.


segunda-feira, 5 de março de 2018

O Brasil tem Norte (4)

A quase totalidade da produção da agricultura familiar é destinada ao mercado interno, com pouca participação dela nas exportações. A menos quando está inserida num sistema produtivo mais amplo, como o caso de frangos e suinos.

 Essa produção chega ao consumidor brasileiro sob forma beneficiada ou processada industrialmente, o que leva à percepção da existência de uma indústria brasileira de alimentos.

A marca, objeto de amplo programa de marketing, busca caracterizar o seu produto como diferenciado e, através dela conquistar o cliente.

Esse processo reduz a participação dos intermediários atacadistas, mas acaba atrelando o pequeno e médio produtor a grandes empresas. Alguma são multinacionais. 

A industrialização inicial de caráter local ou regional, pelo aumento de escala, foi migrando mais próximo dos principais centros consumidores. Dessa forma o produto agrícola vai gerar empregos industriais em outras regiões que não a da sua produção.


A evolução tecnológica, agora com as tecnologias trazidas pela Revolução 4.0, permitirá a produção regionalizada, com escalas de produção menores, sem perder a competitividade.

Mas se mantém a barreria de entrada que são os investimentos maiores para adoção das tecnologias.


quinta-feira, 1 de março de 2018

A Quarta Revolução Industrial e o Trabalho Humano (3)

Substituição do trabalho humano nos serviços bancários

Os caixas de banco são apontados como uma das profissões mais sujeitas à extinção com as novas tecnologias.

Na realidade as tecnologias já disponíveis poderiam eliminar grande parte dos caixas, mas a atividade persiste, em função da resistências dos clientes em deixar de ir às agências. 

As tecnologias já estão plenamente disponíveis. Mas ainda não são inteiramente seguras. O que gera insegurança aos usuários. 

Os procedimentos bancários não tiveram alterações substanciais. A tecnologia da informação, desenvolve uma capacidade elevada de processamento de operações e documentos com grande velocidade. Mas não são muito diferentes dos tradicionais. 

Como são os mesmos procedimentos tradicionais os "informatizados", os trabalhadores dispensados, como os caixas, não teriam outras atividades de nível equivalente para realizar. A menos daqueles promovidos a cargos de gerentes. Com o risco de que esses venham a ser substituidos por análises matemáticas e inteligência artificial. Eventualmente por robôs humanoides.

O mesmo ocorre com o analista de crédito, cuja atividade pode ser substituida por algorítimos e o big data. O risco de crédito de cada cliente seria determinado matematicamente.

A princípio as tecnologias atuais já dispensariam os caixas humanos. As tecnologias mais avançadas - integrantes da 4ª Revolução Industrial - não ampliam, tampouco aceleram a substituição. Essas dependem mais dos clientes do que da tecnologia. 





quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O Brasil tem Norte (2)

O Brasil pode aproveitar uma oportunidade histórica e alcançar definitivamente a condição de país desenvolvido, ou seguir uma trajetória lenta, com idas e vindas, de país emergente..

A oportunidade está conjugação de fatores favoráveis que tem propiciado um crescimento contínuo - com pequenas variações - da sua produção agropecuária acima do paralelo 16 e o escoamento pelos portos do norte, apesar das deficiências logísticas.

Para garantir o escoamento das safras a solução logistica poderá ser de ferrovias fechadas, com ligações ponta-a-ponta ou um sistema logístico integrado, associado à ocupação territorial urbana, à geração de emprego e multiplicação da renda.

O Brasil tornou a região sudeste numa economia desenvolvida, mas mantém uma grande parte do seu território, em condições de subdesenvolvimento, com uma grande população vivendo em condições de pobreza e à margem do mercado de consumo.

A incorporação desse contingente no mercado será a condição para a transformação dessa região numa economia emergente e levar o país, como um todo, à condição de desenvolvido.

A agricultura de exportação, baseada em escala de produção e incorporação de alta tecnologia, é pouco empregadora direta do trabalho humano.

Mas poderá ser grande empregadora indireta através do adensamento regional da cadeia produtiva. 

A ocupação urbana

A produção agropecuária é feita de forma extensiva na área rural, mas precisa de apoio comercial e de serviços que dá base à formação de cidades.

Essas cidades podem evoluir para abrigar produção industrial, assim como serviços e comércio de padrões mais elevados.

Esse processo de urbanização associado à agropecuária pode ocorrer, por decisões pontuais de empreendedores, evoluindo de forma gradativa.

Pode ser planejado, seja por iniciativa do Estado, ou pela associação de in tresses empresariais privados.

Esse planejamento pode buscar a ordenação do processo gradual, como promover uma "ruptura", envolvendo um modelo de mais concentrado e de criação de novas cidades, planejadas do zero  (greenfield).


Impacto sobre o emprego

Uma redmãe regional de p~so equenas cidades de apoio à agropecuária tende a ser uma rede restrita de comércio e serviços "da mão para a boca" ou primeiro atedimento, cada qual de pequena escala. Serão formadas por pequenas lojas de ferramentas, pequenas farmácias, pequenas oficinas de reparos. A eventual industrialização será artesanal e de pequeno porte.

Embora gere um contingente de micro e pequenos empresários, alguns até  médios, tem a sua evolução limitada pelos concorrentes de maior porte, situadas em cidades maiores, algumas fora da região.

As compras fora da região significam um desvio de recuros que não se fixam e se multiplicam regionalmente.

As cidades de apoio precisam ganhar escala para que as atividades nelas instaladas possam concorrer concorrer s as instaladas em outras regiões. 

Elas precisam ser planejadas, implantadas e desenvolvidas partir de escalas mínimas que garanta a sua competitividade.

Por razões logísticas,  as cidades maiores deverão estar em entroncamentos logísticos. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

4ª Revolução Industrial e Trabalho Humano

Os avanços tecnológicos abrangidos pela 4ª Revolução Industrial são desenvolvidos pela elite mundial para ela mesma. Mudam a sua forma de viver, geram comodidades, reduzem custos relativos, mas são - em geral - caros e inacessíveis para a maioria da população mundial.

São avanços na ponta ou no cume que não chegam à base. Mas são apresentados  ou "vendidos" como mudanças que afetam todo o mundo. 

Tem um mercado restrito, com impacto reduzido sobre o conjunto total do mercado de trabalho. Na maioria das atividades produtivas o trabalho humano continua sendo mais barato do que o trabalho tecnológico. 

O custo maior não é impeditivo para a elite que busca a modernidade a qualquer custo. Está disposta a pagar mais. Não é o que ocorre com a maioria da população, para a qual o preço é o principal fator de decisão da compra.

A vantagem tecnológica está na produção em massa, em grande escala, próprio para a produção e processamento de commodities. Mas menos vantajosa e aplicável em atividades em unidades de menor escala. 

A produção em escala precisa ser mundial, mas ainda não resolveu satisfatoriamente o problema dos custos logísticos. O que mantém a competividade da produção local para o consumo local.

A vantagem do trabalho humano está no seu custo, o que gera um dilema. Se a remuneração melhorar o trabalhador corre o risco de ser substituído pela máquina ou pela tecnologia.

O principal objetivo das novas tecnologias não deveria ser a suposta redução dos custos pela substituição do trabalho humano. A tecnologia deve ter como principais objetivos, tornar o trabalho humano menos penoso e ajudá-lo a obter maior produtividade. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lulismo

lulismo é uma visão de mundo em que o Estado atua para melhorar as condições de vida da população mais pobre, promover as oportunidades de ascensão social e ampliar a capacidade de consumo dos pobres.

Essa visão de Lula tem pontos comuns com o petismo e com a esquerda, mas não são a mesma coisa.

Como Lula iniciou a sua luta pelos seus ideais a partir do movimento sindical operário, foi e continua sendo apoiado pela esquerda. 



O nacionalismo do lulismo, contempla esses elementos, mas dá maior importância ao protagonismo do país, no cenário mundial. O lulismo enfatiza a autoestima nacional.
O nacionalismo de Lula é associado ao emprego em território nacional. 

Mais ainda, a esquerda o vê como alguém que pelo "lulismo" tem condições de reconquistar o poder e colocar em prática os seus principais propósitos: cobrar mais impostos dos ricos e fortalecer o Estado, para uma promotora do desenvolvimento e dar atenção social aos pobres. A visão da esquerda é "robinhoodiana": tirar dos ricos para dar aos pobres. 

O petismo ainda se baseia no movimento dos trabalhadores formais, o que leva à defesa prioritária das conquistas trabalhistas, protegidas pelo Estado. Para eles direitos, para os empregadores e  oponentes, privilégios ou encargos.

O lulismo mantém se associado às teses sindicais, mas não é onde tem as suas principais bases eleitorais. A maior parte dos seus eleitores não são  trabalhadores formais.

Engrossa as fileiras lulistas, são os que fazem barulho, aparecem para a mídia, mas não são decisivos eleitoralmente.

O lulo-sindicalismo ainda adota a estratégia do medo, da conflagração social, com base em carros de som e discursos inflamados. A adesão espontânea tem sido cada vez menor. 

E as ameaças não efetivadas tem mostrado à sociedade que o movimento sindical brasileiro - atualmente - é um cão que ladra muito e alto, mas não morde.

O lulo-sindicalismo não representa os interesses dos trabalhadores por conta própria, formais e informais. Esses estão abertos para novas lideranças, que conseguirem catalizar os seus interesses.

Seguramente não sairá das hostes petistas, tampouco das lideranças sindicais atuais.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A quarta revolução industrial é uma falácia (2)

A 4ª Revolução Industrial é uma tentativa da indústria manter a sua importância, mas as principais mudanças no mercado não são as tecnologias que ela alardeia, mas o domínio crescente dos serviços. E a transferência do poder do mercado para o setor terciário e para o consumidor.

Um dos casos mais emblemáticos é o setor de vestuário e calçados, onde a indústria não "empurra" o mercado, mas é "puxado" pelo setor comercial e de marca. O comando da cadeia produtiva está passando para o varejo.

A indústria tem que ir a reboque da líder da cadeia produtiva (ou de valor). O maior valor agregado e pago pelo consumidor não está no material ou na produção industrial, mas na marca. Para a valorização desta, a investe pesadamente no marketing. Que não se limita à publicidade, mas envolve - principalmente - o patrocínio de esportistas talentosos, cultuados pelo mercado.

A 4ª Revolução Industrial é uma tentativa dos países - ditos centrais - de recuperar a produção industrial de vestuário e calçados, para os seus territórios. Em alguns casos pode conseguir, mas não há recuperação do emprego emprego.

A 4ª Revolução Industrial não é uma revolução mundial, embora vá afetar diversas partes do mundo. É uma revolução dos paises desenvolvidos que se desindustrializaram e buscam pela tecnologia se reindustrializar. 

Porém o "resto do mundo" resiste, preferindo manter o trabalho humano, mesmo mal remunerado. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Revolução Industrial: para quem e para que?

Os avanços tecnológicos abrangidos pela 4ª Revolução Industrial são desenvolvidos pela elite mundial para ela mesma. Mudam a sua forma de viver, geram comodidades, reduzem custos relativos, mas são - em geral - caros e inacessíveis para a maioria da população mundial.

O custo maior não é impeditivo para a elite que busca a modernidade a qualquer custo. Está disposta a pagar mais. Não é o que ocorre com a maioria da população, para a qual o preço é o principal fator de decisão da compra.

A vantagem do trabalho humano está no seu custo, o que gera um dilema. Se a remuneração melhorar o trabalhador corre o risco de ser substituído pela máquina ou pela tecnologia.


O principal objetivo das novas tecnologias não deveria ser a suposta redução dos custos pela substituição do trabalho humano. A tecnologia deve ter como principais objetivos, tornar o trabalho humano menos penoso e ajudá-lo a obter maior produtividade. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...