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sexta-feira, 24 de julho de 2020

O antiambientalismo de Bolsonaro

As posições de Jair Bolsonaro em relação às questões ambientais decorrem de três bases: a) as convicções pessoais; b) as derivadas de manifestações de terceiros; e c) pressões corporativas.
As convicções pessoais decorrem da sua natureza pessoal que compõe a sua visão de mundo. A infância de Jair Bolsonaro está relacionada com a floresta atlântica, mas parece não ter criado nenhuma afeição pessoal com essa. Ao contrário, ao longo de sua carreira politica foi tomado por ojeriza aos ambientalistas, na medida que esses foram sendo dominados pela esquerda ideológica. A esquerda internacional migrou da "luta de classe" para a "defesa do clima", contestando o sistema capitalista, denunciado com o principal vilão da degradação ambiental mundial.
A estratégia internacional dos ambientalistas foi ocupar um espaço próprio dentro dos Governos nacionais e criação de uma rede internacional de ongs ambientalistas, entre as quais a Greenpeace é a mais conhecida.
Jair Bolsonaro sempre se posicionou contra os ambientalistas, negando as suas constatações e previsões com respaldo em bases científicas e assumindo que as proposições preservacionistas restringem o trabalho e a atividade econômica. 
Com a maior participação dos partidos de esquerda e centro-esquerda nos governos europeus, fazendo do desenvolvimento sustentável, políticas nacionais, regionais e internacionais, os antiambientalistas brasileiros passaram a ver risco na soberania nacional.
A par das suas convicções pessoais, negativistas em relação aos problemas ambientais as posições de Jair Bolsonaro foram reforçadas pelas de Donald Trump, o seu grande ídolo político. 
Durante a campanha eleitoral buscou ou aceitou o apoio de grupos igualmente antiambientalistas, principalmente de garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros desmatadores das florestas. Comprometeu-se, em contrapartida, apoiá-los - uma vez eleito - contra a fiscalização do IBAMA e de outros órgãos ambientais. Contou ainda com parcela do agronegócio, que se beneficia indiretamente do desmatamento, com presença relevante na Frente Parlamentar da Agricultura.
Por conta desse apoio e promessas, que vem cumprindo com esses, desmontou a fiscalização, esvaziou o IBAMA, e permitiu o aumento do desmatamento, assim como a difusão dos incêndios florestais.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Aluga-se casa, Fulano se elegeu

Essas duas frases do titulo, muito frequentes no cotidiano das pessoas, contém imprecisões, inteiramente desconsiderados.
Quem são os substantivos das frases? Aparentemente as casas e o Fulano. 
Mas casas não são seres animados. A casa não tem capacidade de se alugar. Na realidade, o substantivo é um sujeito oculto, implícito na frase: o proprietário da casa. 

Já na segunda frase a situação é mais complexa, porque o político, seja o Presidente da República, Governador do Estado, Prefeito Municipal ou parlamentares são pessoas físicas, seres animados, com capacidade de decisão e ação. Portanto tem capacidade de se eleger. Mas, na verdade, ele não se elege. Quem o elege são os eleitores. Os eleitores são os sujeitos ocultos e verdadeiro da frase. 
A frase correta é "fulano foi eleito pela maioria dos eleitores". Simplificadamente "fulano foi eleito".

Jair Bolsonaro que é paraquedista militar, não pulou do avião sobre o Palácio do Planalto e assumiu a Presidência. Ele está la porque foi eleito por cerca de 57 milhões de eleitores brasileiros. Se há alguém responsável pela estada dele na Presidência é o eleitor dele.

Se cerca de 99.800.000 eleitores estão desgostos com a presença na Câmara Federal de determinados deputados federais em quem ele não votou, precisa saber que esses indesejáveis foram legitimamente eleitos, cada qual com cerca de 200 mil votos, em média, diretos e indiretos.

Cada deputado federal não representa o povo brasileiro, mas uma pequena fração dos eleitores brasileiros. A representação nacional é feita pelo conjunto dos 513 deputados federais. 

Todos foram eleitos legalmente, em processo eleitoral legítimo. 

Os responsáveis diretos pela presença deles na Câmara Federal são os eleitores que votaram nele ou nela. 

Sem que esses eleitores mudem as suas decisões de votos, por conta própria ou influenciados por terceiros a composição da Câmara dos Deputados não mudará.

Continuará dominado pelos fisiológicos, pelos despachantes de interesses comunitários ou corporativos.



sábado, 13 de junho de 2020

Reforma Politica (2)

Reposicionamento dos partidos políticos

Nenhuma reforma política produzirá mudanças efetivas, sem promover o fortalecimento dos partidos políticos, como efetivos representantes das visões e interesses de segmentos da sociedade, como protagonistas de um jogo de forças dentro do campo politico.

Esse tema está mais desenvolvido no capítulo "Mudança do Modelo de Negócio dos Partidos Político".

O Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais



As regras de financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais tem oscilando em função de situações conjunturais. Tem mudado, praticamente, a a cada eleição nacional, mas aplicável também às eleições municipais.

As principais alternativas estão entre o financiamento público e privado, com desdobramento, neste último caso, entre admitir ou não a contribuição de pessoas jurídicas.  As regras de contribuição de pessoas físicas tem sido mais estáveis, mas com variações nos limites e nos financiamentos próprios, isto é, com recursos do próprio candidato.

O financiamento pelas empresas foi amplamente desvirtuado, tornando-se um mecanismo de lavagem do dinheiro da corrupção. A percepção desse  mecanismo, pelas Operações Lava-Jato, levou a uma repulsa da sociedade, fazendo com que o Congresso, proibisse inteiramente o financiamento empresarial, qualquer que fosse o valor, mantendo apenas a possibilidade do financiamento pelas pessoas físicas.
Foi, por outro lado, a oportunidade para viabilizar o financiamento público, com regras de distribuição definidas pelos próprios Congressistas e gestão pelas cúpulas partidárias. 
Os resultados das eleições para o Congresso Nacional  em 2018, não confirmaram as perspectivas de forte distorções e consolidação do domínio das mesmas e velhas cúpulas partidárias. Vários dirigentes, mesmo concentrando os recursos do partido não foram reeleitos, enquanto partidos menores, com poucos recursos aumentaram as suas bancadas. Mas permanece no "imaginário político" a visão das distorções do sistema de financiamento público.

O financiamento pelas pessoas seria o "menos ruim", com distorções que podem ser parcialmente evitados por restrições nos financiamentos. A principal seria de máximos de doação, para evitar o domínio dos mais ricos. As regras atuais ainda deixou um "buraco" que é o uso quase ilimitado dos "recursos próprios", gerando uma vantagem para os candidatos mais ricos.

Seria o modelo mais adequado, caso houvesse maior participação das pessoas físicas, no apoio às finanças partidárias pelas suas módicas contribuições, mas constantes.

Para isso seria necessário que os eleitores fossem atraidos pelas propostas dos partidos, no sentido de que esses e seus partidários o irão representar no Congresso Nacional e outros parlamentos, ou ainda nas Chefias dos Executivos. 

A representação de interesses comunitários - que ainda domina a formação da Câmara dos Deputados - é fragmentada e insuficiente para sustentar financeiramente qualquer partido. A exigência de que os partidos sejam nacionais, se contrapõe aos interesses de cada população local. Eles, por exemplo, querem um hospital público local ou micro-regional e não estatísticas nacionais sobre o índice de cobertura hospitalar. A desigualdade, no Brasil, em todas as dimensões, faz com que os interesses locais se choquem ou não coincidam com os interesses supostamente nacionais.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Quem votou em quem

Domingo, em 15 de março de 2020, o povo vai às ruas, ou mais precisamente às avenidas, sendo a principal na Avenida Paulista, em São Paulo.
Vai exigir dos que elegeu o repeito ao mandato, segundo os organizadores da manifestação.
Mas que povo é esse e quais são os seus representantes?
Dentre os mais de 57 milhões de eleitores que votaram em Jair Bolsonaro, cerca de um milhão poderão ir à Avenida Paulista. Pode ser até um pouco  mais. Será muita gente. Mas também poderá ser muito menos.
Vão cobrar de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre o respeito pelos votos que receberam.
Mas desse um milhão de eleitores, quantos votaram em Rodrigo Maia ou Davi Alcolumbre? Provavelmente nenhum. Porque Rodrigo Maia foi eleito por ter obtido votos de cerca de 70 mil eleitores do Rio de Janeiro. Davi Alcolumbre chegou ao Senado em 2015 carregando 132 mil votos, entre os eleitores do Amapá. Nessa legislatura Jair Bolsonaro foi eleito deputado federal, pelo Rio de Janeiro, o mesmo de Rodrigo Maia, com mais de 400 mil votos. 
Provavelmente muitos dos eleitores de Rodrigo Maia também votaram em Bolsonaro. Já Alcolumbre não teve votos de bolsonaristas, porque em 2014 esses só estavam no Rio de Janeiro e todos os demais sequer sonhavam que Jair Bolsonaro emergiria em 2018, como um grande mito, conquistando mais de 57 milhões dos quais 185 mil no Amapá. 
Na contagem individual, Jair Bolsonaro ostenta grande vantagem, mas enquanto a Presidência é unitária, elegendo só o Presidente e, junto com ele, na mesma chapa o Vice-Presidente, a Câmara dos Deputados é um colegiado de 513 deputados. eleitos - no conjunto - por 98 milhões de votos. A Câmara vira o jogo e vence de goleada. Sem contar com o Senado, com outros quase 100 milhões de votos. Mas são todos dos mesmos eleitores. 
Diversamente do que acha Bolsonaro e os bolsonaristas os deputados e senadores federais não são perdedores que precisam prestar vassalagem ao Presidente, como um grande e único vencedor. 
Em 2018 147 milhões de brasileiros estavam aptos para votar. Se 57 milhões votaram em Bolsonaro, no segundo turno, elegendo-o, 90 milhões não votaram nele. Votaram no adversário, em branco ou anularam o voto. Uma parte considerável, nem foi às urnas.
O povo que irá às avenidas em 15 de março não será todo povo brasileiro, nem representante dele. Será uma facção minoritária do povo brasileiro: o povo bolsonarista. Mas que se acha ser o todo. Acha ademais que Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre não a representam. No que tem razão, mas com diferenças.
Bolsonaristas podem alegar que ajudaram a eleger Rodrigo Mais, em 2018. Mas não tem o mesmo argumento em relação a Alcolumbre, eleito em 2014. De toda forma nenhum dos que forem à Avenida Paulista, a menos de poucos amapaenses e fluminenses (ou cariocas) desgarrados que votaram em Maia ou Alcolumbre, quando estavam no seu Estado de origem, em 2018.


sexta-feira, 6 de março de 2020

Brasil 2021 - 2

O segmento da sociedade que veio a se tornar a primeira camada do bolsonarismo, já existia, mas oprimida escondendo-se "dentro dos armários". A candidatura de Jair Bolsonaro vocalizando a visão de mundo desse segmento conservador e reacionário (segundo a esquerda), o tirou do armário e foram a base inicial de apoio político de Bolsonaro.
A segunda camada emergiu com força a partir das revelações da Operação Lava-Jato, autorizado pelo Juiz de 1ª instância Sérgio Moro, decretando prisões temporárias ou provisórias. Na sequência,  condenou à prisão politicos sem mandato, diretores da Petrobras, poderosos empresários e doleiros,  todos e envolvidos em mega esquemas de corrupção. Muitos políticos também envolvidos, mas com mandato parlamentar, nem chegaram a ser investigados, protegidos pela imunidade parlamentar. Jair Bolsonaro não chegou a ser envolvido, o que usava como "selo de qualidade", ou como "politico livre de  corrupção".  
O Juiz Sérgio Moro, pelo seu rigor, persistência e coragem, não se intimidando diante de poderosos, tornou-se uma figura popular e ícone de um importante segmento da sociedade, o dos "anti-corrupção". Quase uma unanimidade nacional, deixou de sê-lo, quando mandou prender o ex-Presidente Lula.
Não era uma base inicial de apoio de Jair Bolsonaro, mas este, um politico esperto, abraçou a causa e obtendo o apoio de Sérgio Moro passou a ser um líder do segmento, incorporando-o como a segunda camada do bolsonarismo.
A terceira camada parte de um segmento da elite paulista que não aceita o modelo atual de representação do Congresso Nacional, em que São Paulo, com o maior colégio eleitoral do país, tem uma participação dentro do Congresso Nacional, muito menos que acha deveria ter. O colégio eleitoral de São Paulo é fundamental para a eleição presidencial, a única nacional, mas não para a composição quantitativa no Congresso.
Esse segmento antipolítico foi reforçado pelas revelações da Operação Lava-Jato, envolvendo uma grande quantidade de líderes partidários, mas uma pequena quantidade relativa de parlamentares, em relação ao total. Jair Bolsonaro não estava envolvido 
Essa elite é a base da opinião publicada, que é parte menor da opinião pública. É a que acompanha a politica pelos meios de comunicação, tanto das tradicionais, como as alternativas. 
Jair Bolsonaro passou a prometer acabar com o "presidencialismo de coalizão", o loteamento ministerial e o "troca-troca".
Este segmento antipolítico é indignado com a proliferação de partidos políticos, alguns dos quais são explicitamente legendas de aluguel, incluindo o PSL pelo qual Jair Bolsonaro e os parlamentares bolsonaristas foram eleitos. É indignado com a reeleição de parlamentares corruptos, que embora suspeitos ou alvo de investigações ainda não sofreram condenação em segunda instância, o que os livra da condição de ficha suja. É mais indignado ainda com a ampla presença de deputados semianalfabetos, uns "zés ninguém" ou "zé manés", que só cuidam dos interesses dos seus redutos eleitorais, negociando emendas, em troca de apoio. 
Ao se propor acabar com tudo isso, caracterizado como "velha política" conquistou o apoio desse segmento que veio a se transformar na terceira camada do bolsonarismo.

Bolsonaro assumiu a Presidência da República, cumprindo o compromisso. Não fez o loteamento político dos Ministérios. Não articulou uma base de apoio, um instrumento fundamental do presidencialismo de coalizão. 
Foi além da sua posição antipolítica: passou a tratar  - na prática - o Congresso, com total desprezo. Não se empenhou em articular ou negociar o apoio para a aprovação das propostas do Governo, assim como para manter os vetos de projetos aprovados pelo Congresso. 
Diante desse comportamento o Congresso assumiu o papel de discutir e aprovar as medidas legais, nem sempre atendendo aos propósitos do Executivo. 
A reação de Jair Bolsonaro a esse protagonismo do Congresso é mobilizar o povo para ir às ruas para pressionar o Congresso. Os mais radicais pedem o fechamento do Congresso, para o Presidente poder governar mediante decretos-leis ou similares, sem ter que passar pela aprovação legislativa.
Essa camada bolsonarista está cada vez mais aguerrida e está convocando a população para um amplo movimento nas ruas no dia 15 de março. O máximo que conseguirá mobilizar será dos bolsonaristas mais fieis, insuficientes para lotar as avenidas. 







sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Empoderamento das polícias militares

As policias militares são consideradas forças auxiliares das Forças Armadas. Deveriam seguir a rígida disciplina militar.
Não tem direito à greve e qualquer paralização dos serviços ou descumprimento de ordens são caracterizados como motins.
Mas desde os anos 90, um então tenente do Exército, vem liderando ações de rebeldia da corporação, juntamente com os oficiais subalternos das Forças Armadas, mobilizando esposas, irmãs, namoradas e outras mulheres vinculados a essas corporações, promovendo manifestações de protesto, formação de barreiras femininas em torno de quartéis para impedir a entrada ou saida dos militares.
Por esses atos de indisciplina e rebeldia, não tolerada pelos oficiais generais, esse lider sindical informal (pois não há sindicatos dessas categoriais) foi obrigado a pedir reforma, como capitão.
Migrou para a área política como representante dos interesses dessas corporações, o que lhe assegurou uma primeira eleição para vereador, em 1996, em seguida para deputado federal e reeleição por mais 6 vezes, sempre com os votos corporativos de policiais militares e sub-alternos do Exército e dos seus familiares ou relacionados.
Eleito Presidente da República manteve-se fiel às corporações, defendendo os seus interesses. A sua única intervenção pessoal na discussão da reforma da previdência foi para assegurar a manutenção do vantagens dos policiais civis e militares. 
Embora esses sejam servidores estaduais, em função de normas gerais, promoveu a federalização dos direitos das categorias, deixando-os fora de negociações específicas dos Governos Estaduais.
Empoderados por ter o seu principal representante político na Presidência da República, passaram a "peitar" os Governadores, promovendo paralizações, ainda que legalmente proibidos. 

domingo, 19 de janeiro de 2020

O futuro do bolsonarismo

O bolsonarismo tem várias fases históricas, mas sempre com uma linha mestra: a polêmica. A partir de provocações pessoais. 
A primeira foi eminentemente pessoal, enquanto ainda oficial subalterno do exército, operando como líder sindical em defesa da sua classe, mobilizando esposas, irmãs, mães dos militares. Para chamar atenção promoveu atos explícitos de insubordinação, gerando polêmicas.
Instado a sair do Exército migrou para a carreira política, inicialmente na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e depois por  7 mandatos sucessivos na Câmara Federal.
A sua base eleitoral sempre foi da base da carreira militar, até os oficiais subalternos, defendendo a melhoria dos soldos e das condições de atuação. A eles agregou os policiais civis e militares, sempre na perspectiva sindical de melhoria das suas condições de remuneração e de trabalho. Assumiu uma posição de defesa do regime militar de 64 e dos seus principais protagonistas, provocando polêmicas.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A conquista do eleitorado

O eleitorado de um candidato político fica mais claro no final da campanha, em função das pequisas de intenções de voto, por segmentos, mas não explica como se formou essa base eleitoral.
Os resultados de 2018 são emblemáticos nesse sentido. A grande onda que trouxe ou promoveu a eleição de Jair Bolsonaro foi o antipetismo. Mas essa foi a última faixa, da propagação de uma onda cujo ponto inicial, teria sido identificado.
Essa teria sido a reação de um grupo remanescente do frotismo (do General Silvio Frota) com a criação da Comissão da Verdade. Essa foi vista pelo grupo como uma quebra do acordo da anista ampla e irrestrita. Em nome dos direitos humanos a esquerda buscou a criminalização dos torturadores do Regime Militar, simbolizada pelo Cel Ulstra. Ai se começou a organização para uma reconquista do poder. A primeira faixa adicional foi a dos descontentes com o uso dos direitos humanos para defender os bandidos e criminalizar os policiais. Como essa era baseada no politicamente correto, incorporou ou insatisfeitos com o progressismo. O principal foco estava nos evangélicos, em função da liberalização nos costumes. Quanto mais os progressistas emergiam na sociedade, ganhando visibilidade na mídia, os conservadores, na maioria resignados, mas incomodados, esperaram - em silêncio - o momento de dar o troco. Esse chegou em 2018, quando a onda se propagou no meio dos antipetistas. Estes formavam três grandes grupos: o dos empresários descontentes com a crise econômica que debilitou os seus negócios, o da classe média, que perdeu renda e emprego, com a crise e os opositores ideológicos, que conseguiram difundir a visão de responsabilidade do PT por erros e, principalmente, pelos desvios éticos: o PT teria promovido uma "roubalheira" descomunal. 
Ao se aproximarem as eleições de 2020 e 2022, com algumas facções política tentando formar novas ondas, a estratégia requer identificar ou formar novos epicentros e promover sucessivas ampliações. 
Onde estão as possibilidades desses epicentros?

domingo, 21 de outubro de 2018

Percepção correta, personagens não

Em 24 de janeiro de 2018, colocamos esta chamada de atenção para a questão estratégica no processo eleitoral. Na ocasião Bolsonaro não havia despontado como candidato viável.
Ele como formação militar, adotou a estratégia do inimigo visível e transformou Lula, o PT como o inimigo, trazendo as condições visíveis da Venezuela, como a consequência da vitória do inimigo.

O discurso populista tem por base um principio básico da estratégia: para fortalecer a nossa posição e reunir os adeptos é preciso ter um inimigo visível. 
Se não existe de fato é preciso criar, fazer crer que existe. Dai a tônica do discurso populista é nós contra eles. 

No caso brasileiro, dois pré-candidatos à Presidência adotam, com sucesso o discurso populista. Lula, por um lado, tem como inimigo evidente o atual Governo Temer ao qual atribui todas as responsabilidades pelos problemas do povo brasileiro. 

Não lhe importa se verdadeiro ou falso. Escolhido como o inimigo, só é mostrado por elementos negativos. Não reconhece, nem pode reconhecer, qualquer elemento positivo.


Já o outro lado aproveita esse discurso para caracterizá-lo como o inimigo. Lula e o PT seriam os grandes inimigos que precisam ser combatidos. O discurso seria igualmente populista.


Por enquanto o "meio" também caracterizado como centro não adota o discurso populista e não elege - claramente - o inimigo. 



segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Um novo amor!

Em 10/06/2018 publicamos este "post"

Para que se efetive uma ampla renovação do Congresso Nacional duas condições são essenciais:
Mal comparando, seria uma situação de fim de namoro ou casamento em que uma parte decepcionada com o(a) parceiro(a) se separa, e tem esperança de encontrar um novo amor. 
Se esse novo não aparecer, o eleitor ou eleitora, poderá voltar ao relacionamento anterior. Poderá perdoar as mazelas e até traições. 

A pergunta que não quer se calar é: quais são os discursos autênticos que o novato pode apresentar para sensibilizar suficientemente os vulneráveis, para que o eleitor vote nele e não nos conhecidos veteranos? 

Ou na comparação, como o novato pode ser o novo amor do eleitor ou eleitora que se separou, decepcionado com o(a) parceiro(a)?

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O risco da abertura unilateral

O Brasil está diante de repetir a história, com duas duplas improváveis: Guedes-Malan e Bolsonaro-Collor.
Guedes só cuida do setor financeiro e não dialoga com o setor industrial, assim como fazia Pedro Malan. Não é seu propósito uma abertura unilateral, mas não dará ouvidos às reclamações da indústria, caso Bolsonaro queira fazê-lo a moda Collor. 
A crise de emprego decorre, em grande parte, da desindustrialização. Que se agravará com uma abertura unilateral. 

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Estranha renovação

No Espirito Santo, Bolsonaro sai na frente, com grande vantagem sobre Haddad, mas o seu candidato ao Governo do Estado, Carlos Manato não impede a vitória de Renato Casagrande ainda no turno.
Para o Senado há total renovação, com dois novos Senadores e Magno Malta, o principal político apoiador de Bolsonaro, não foi reeleito, ficando em terceiro lugar.

Já para a Câmara dos Deputados e renovação nominal foi de 50%, com 5 reeleitos, mas um dos atuais deputados federais, Carlos Manatto, aderiu logo cedo ao Bolsonaro, foi candidato ao Governo e derrotado por Renato Casagrande. Mas conseguiu que os eleitores votassem em sua mulher Dra. Soraya Manato, também pelo PSL.
Dos outros 4 novos, Lauriette, cantora gospel, atual mulher de Magno Malta, ex-deputada federal, eleita em 2010, retorna à Câmara, para dar maior audiência às sessões da Bancada Evangélica, na Câmara, com as suas concorridas apresentações musicais. Da Vitória é um tradicional político capixaba, várias vezes eleito deputado estadual.
Amaro Neto, o mais votado é um apresentador de TV "tipo Datena", eleito em 2014, deputado estadual, com a maior votação, derrotado em segundo turno no pleito muncipal de Vitória, em 2016, agora recebeu o maior número de votos do eleitorado capixaba. 

A efetiva renovação dos quadros políicos ocorre com a eleição de Felipe Rigoni, um engenheiro de 27 anos, cego, que chega à Câmara dos Deputados, como o segundo mais votado. Felipe é um dos membros do movimento RENOVABR. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

O plano Lula para a volta ao poder

A teoria da conspiração indica que o plano para eleger Bolsonaro no primeiro turno é obra do maquiavélico Lula para voltar ao poder.
Ele trabalha mais com as visões e ilusões dos eleitores do que com as estratégias dos candidatos. 
Ele busca gerar a impressão de que Bolsonaro é o único capaz de derrotar o PT, mas sabendo por contas simples que Bolsonaro não conseguirá ganhar no primeiro turno.
Mas Lula quer que o ex-capitão, e não outro, vá para para o segundo. Quando seria derrotado pelo PT. Diante dos demais candidatos a perspectiva do candidato do PT ser derrotado é maior. Na sua conspiração não quer que qualquer outro vá para o segundo turno. Então incentiva o voto útil a favor de Bolsonaro.
Os planos "maquiavélicos" defendem uma coisa para obter o contrário. E a "turma dos bobões" vai atrás.
Há sim uma conspiração para a volta de Lula ao poder e essa é a campanha "eleição de Bolsonaro no primeiro turno".


sábado, 1 de setembro de 2018

O fracasso da estratégia de Lula

Lula tentou, usando todos os meios e artimanhas, quase conseguiu, mas ficou - por enquanto - apenas com um prêmio de consolação: a manutenção do tempo de TV, rádio e direito aos fundos públicos, para fins eleitorais, mas sem a sua presença. 
A derradeira possibilidade está numa liminar monocrática no TSJ ou no STF suspendendo os efeitos da decisão do TSE, até o dia 16 de setembro.
É o último dia para conseguir ainda estar com o nome e foto na urna eletrônica, a partir do voto de Rosa Weber. Mesmo que, na prática, seja inútil.
Ou melhor poderá ser útil ao candidato que conseguir mais de 50% dos votos válidos, isto é, anulados os votos dados ao 13, no primeiro turno. 

Quem, no momento, tem melhores condições para tal é Jair Bolsonaro. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Mudanças não percebidas

As principais torcidas paulistas ainda imaginam um tradicional final Corinthians x Palmeiras. As cariocas o clássico FlaxFlu.
As mineiras Cruzeiro x Atlético Mineiro. As gauchas o Gre-nal. Não vai dar nada disso.
A final das eleições presidenciais de 2018 não vai ser entre azuis e vermelhos. Entre tucanos e petistas. 
Tanto um como o outro estão desenvolvendo estratégias para uma final que não vai se repetir, depois de 24 anos e 6 disputas finais.
O lulismo não terá força sem o criador e mentor. O petismo, sem lulismo, é uma força menor que só persistirá pelo medo e ataque dos concorrentes. O PT sem o lulismo é um tigre de papel.
Com os dois principais protagonistas se preparando uma disputa que não vai haver, outros tomarão os seus lugares. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O lulismo sobreviverá sem a presença física de Lula?

Quem tem votos dos mais pobres, principalmente, no Nordeste é Lula, com o lulismo. Não é o PT, tampouco o petismo, que nem sempre coincide com o lulismo. Esse tem como base fundamental o consumismo: significa a melhoria de vida pela capacidade de consumo. Significa poder comer bife todos os dias. Ou "menas": ter três refeições por dia. 
Não é a cartilha da esquerda que foca o confronto com o capitalismo, com o patrão, com o mercado.
Lula desenvolveu uma cartilha própria, que tem grande aceitação pelos eleitores. 
Não tem herdeiros, nem mesmo apóstolos. 
O Andrade é petista, mas não é lulista. 
O mais grave: resiste em ser falso. Resiste em assumir uma personagem. O que Dilma soube fazer com competência, seguindo rigorosamente o "script" de João Santana. Agora não tem mais nem João.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Trabalhador não está votando em trabalhador

A partir da constatação numérica de queda da bancada sindical no Congresso Nacional, o que resultou na derrota da visão dos trabalhadores na Reforma Trabalhista, procuramos entender por que os trabalhadores estão deixando de votar nos líderes sindicais.
O trabalhador aspira a melhoria da sua qualidade de vida, em todas as dimensões. Não apenas durante o seu trabalho dentro da empresa, ou nas relações de trabalho com os empregadores, com os próprios companheiros e outros agentes intervenientes.
Essas aspirações transcendem o emprego, envolvendo as condições de locomoção entre "casa-trabalho-casa", seja no tempo gasto, como na qualidade dos serviços, as condições de moradia, as condições de alimentação e saúde, incluindo as condições do clima, o acesso ao consumo e outros elementos da sua vida cotidiana.
Os sindicatos como a principal instituição de associação dos trabalhadores não os atende, por não terem conseguido ultrapassar os portões das fábricas e de outras portas. Continuam presos às relações de trabalho dentro da empresa, sem cuidar dos demais interesses e aspirações dos trabalhadores. Inclusive dos trabalhadores por conta própria.
Por permanecerem nesse âmbito restrito, os líderes sindicais perderam os votos dos trabalhadores, canalizados para outros candidatos que propõe ou prometem cuidar das demais dimensões da vida do trabalhador. 



sexta-feira, 27 de julho de 2018

De cima para baixo ou o inverso?

A campanha eleitoral pela televisão é um processo de convencimento do eleitor pelo discurso e imagem, caracterizando-se por ser de cima para baixo. O candidato a Presidente influenciaria o voto do eleitor para os demais cargos. 
O principal risco do candidato é desperdiçar o seu tempo, tentando converter os convertidos. 
As eleições de 2018 vão ser decididos pelos "não convertidos", caracterizados nas pesquisas ou análises como indecisos ou indefinidos. 
Os que tem pouco tempo não terão oportunidade para o discurso: só a imagem, o que dependerá do seu carisma pessoal.
Os com mais tempo tendem a desperdiçar os recursos.
O processo principal de conquista dos votos dos eleitores não convertidos será de baixo para cima, a partir das bases locais, mediante a mobilização das lideranças locais e do "exército" de cabos eleitorais.
Apesar da limitação de recursos que restringirão o tamanho desse exército e as eventuais "compras de votos", as bases locais que tem o contato direto com  o eleitor serão o decisivo no sentido de influenciar o voto desse. O eleitor não convertido ou indeciso será influenciado de forma objetiva na figura de uma lista de todos os votos que ele deve marcar na urna. A tal "colinha". 
Todos precisarão levar uma "colinha". Que poderá ser organizada pessoalmente ou receber "pronta", pelas mãos dos influenciadores de voto. 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Eu bem que avisei (kkk)

Diante dos últimos acontecimentos políticos, recoloquei na parte de artigos, dois escritos, um em maio e outro em junho, antecipando que o elemento decisivo das eleições presidenciais de 2018 seria o Centrão. 
"Não deu outra", para tristeza e desesperança da sociedade organizada. 
Acabou a ilusão da "renovação política".

sábado, 14 de julho de 2018

Mobilização nacional

A Copa do Mundo tem o dom de promover mobilização nacional. Não só no Brasil.
Segundo a visão estratégica, a razão é simples. Cada seleção nacional precisa vencer sucessivamente, uma série de "inimigos". Cada qual numa batalha. 
Não são propriamente inimigos, mas apenas adversários. Mas oponentes, em campo, e representando também uma nação.
A disputa com o "inimigo" mobiliza a nação. Ganhando cria um clima de euforia. Perdendo, simplesmente "volta ao normal".


Tem a nação brasileira alguma outra batalha capaz de promover a mobilização nacional?
Que "inimigo" precisa enfrentar e vencer?

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...