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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Aposta no agronegócio - segura ou arriscada?

A agropecuária-florestal brasileira vem apresentando um bom desempenho, que se acentuou com a pandemia do novocoronavirus, promovendo o aumento da participação do agronegócio no PIB e indicando que poderá - dentro da retomada da economia - ser o novo motor do crescimento.
É uma boa ou má aposta "jogar as fichas" nesse setor? É seguro ou arriscado? É possível ou mais uma ilusão?
Primeiramente é preciso ver e perceber que o agronegócio se divide, pelo menos, em três subsetores: agropecuária-florestal, agroindústria e agrosserviços.
O primeiro é o que vai bem e sustenta o desenvolvimento dos demais, tanto para o abastecimento interno, como nas vendas para o exterior. É a parte mais visível, pelos recordes de produção das safras de grãos e pela geração de superavits cambiais. 
A agroindústria se desdobra em "semi-manufaturados" com a produção ainda de commodities, como o açúcar, o suco de laranja, a celulose e outros. Destinados predominantemente para o mercado externo, também vai bem. Os segmentos de maior industrialização das matérias-primas para a transformação de alimentos prontos ou semiprontos para consumo atende suficientemente a demanda interna, mas tem participação reduzida, seja na pauta das exportações brasileiras, seja de participação no mercado mundial. 
Para fazer do agronegócio o motor do crescimento econômico, a agroindústria será o elemento mais importante. 
O terceiro subsetor do agronegócio e que contempla a maior participação, representando cerca de 50% do setor é altamente diversificado, mas duas das atividades se destacam: a logística e a comercialização.
A logística está presente em todo o agronegocio, gerando valor, mas também custos. Pode favorecer como comprometer a competitividade dos produtos brasileiros. É um ponto crítico ou o maior gargalo. 
A comercialização para o mercado interno caracterizado como abastecimento vem funcionando sem maiores problemas, ainda sob predomínio das empresas nacionais, apesar do avanço no mercado de varejo, de grandes cadeias multinacionais. Já a comercialização para o mercado externo, nos principais produtos exportados, é dominado por multinacionais. 
Apostar no agronegócio, do ponto de vista interno, significa investir fortemente na agroindústria exportadora e na logística. 
Do ponto de vista da demanda externa, as perspectivas são de crescimento constante, em função da continuidade do crescimento demográfico mundial que já conta com 7,5 bilhões de habitantes e poderá chegar a 10 bilhões, até 2050. Todos precisam comer, embora nem todos venham a ter renda para o consumo.
Na relação com o mercado externo, a variação cambial é um fator crítico. As perspectivas são de continuidade do patamar atual, mas será sempre um fator de risco na aposta de uma economia com maior participação no mercado internacional. A estratégia brasileira terá que ser de mitigar o risco cambial, assunto para outro artigo. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Projeto Nacional Hegemônico (2)

Diante da persistente crise econômica - que decorre do enfraquecimento crônico do modelo do mercado interno - um novo modelo está em curso, em função do sucesso, também continuado e em crescimento, mas que ainda não alçou a condição de se tornar um projeto nacional. 
Trata-se do agronegócio, voltado para o mercado externo, contrapondo-se ao modelo da industrialização voltada para o mercado interno.
Ainda não passou a dominar o pensamento econômico, mas tem crescido em função das contestações externas e internas, obrigando os seus adeptos a sairem em sua defesa. Assim como defender a sua principal líder atual: a Ministra da Agricultura e Pecuária, Tereza Cristina.
Mais do que os resultados da produção, com sucessivos recordes, a contribuição para garantir o abastecimento e a segurança alimentar dos brasileiros, assim como contribuir decisivamente para a segurança alimentar da humanidade, já com 7,5 bilhões de bocas a serem alimentadas, a geração dos superavits comerciais e maior participação na formação do PIB, faltam ao agronegócio algumas condições que limitam a sua aceitação pela sociedade como base de um novo projeto nacional, substituindo o envelhecido anterior. 

A primeira e mais importante é que não é o responsável pelo aumento do desflorestamento ou desmatamento e dos incêndios florestais. 

Não precisa, mas efetivamente segmentos marginais do agronegócio promovem indiretamente os desmatamentos e incêndios. As lideranças responsáveis do agronegócio precisam assumir um autocontrole para eliminar das suas hostes os predadores que prejudicam a sua imagem geral. Não podem ficar na dependência do Governo para as ações regulatórias e fiscalizatórias, até porque - na prática - dominam certos segmentos da própria máquina pública.

A segunda é de que se trata de produtos de baixa tecnologia, de produção rudimentar - baseada em imagens antigas da enxada - e de baixo valor agregado e que o Brasil não pode voltar a ser um país dependente da exportação de produtos primários, atualmente caracterizados como "commodities".

Os principais produtos de exportação ao atual agronegócio brasileiro são os originais  desenvolvidos ou transformados pela tecnologia, com elevada agregação tecnológica, a maior parte desenvolvida pelo e no país, notadamente pela EMBRAPA.

Além disso as matérias primas incorporam sucessivos valores até chegar à mesa do consumidor na forma de alimentos prontos, o que gera enormes oportunidades para a industrialização, comercialização e prestação de serviços, que podem ser adequadamente aproveitados pelo Brasil. O agronegocio deve ser entendido de forma completa, por todo o seu ciclo, a partir do cultivo até o consumo final. 

O terceiro grande obstáculo é superar a visão dos cidadões urbanos que acham que o agronegócio se limita ao campo, não alcançando as cidades. Essa visão limitada leva a uma inaceitação de dependência do Brasil, de um produto rural, visto como um retrocesso histórico e uma antimodernização promovida pela urbanização. Nem sempre as pessoas percebem que o seu café da manhã, com leite, café, pão e manteiga (ou margarina) são parte do agronegócio, que a origem está no campo, mas chega a ela, em sua mesa.

Associada a essa visão está o pensamento de que a modernização e evolução sucessiva está na transformação industrial, mediante incorporação de tecnologias, e basear-se em produtos primários é um retrocesso, um atraso.

O sucesso da produção e comercialização dos grãos brasileiros é um dos responsáveis por essa visão. A mídia dá grande destaque a esse sucesso, estando muito presente, não só no imaginário popular, como no imaginário da elite brasileira.

Para a sociedade urbana, para os intelectuais e outros que formulam o pensamento e a visão nacional, o agronegócio é percebido como  uma produção e exportação de grãos.  Com elementos positivos e negativos.

No entanto, o produto que chega à mesa do brasileiro é industrializado, transformado mediante processamento industrial.

Voltando à mesa matinal, o leite "em caixinha" não é o leite na condição natural, recolhido da ordenha da vaca. Passa por processos industriais de pasteurização,  de envasamento nas caixinhas para ser comercializado, passando por fases de transporte, atacado, varejo até chegar à casa do consumidor.  O valor que o consumidor paga pela caixinha do leite, tem uma pequena parcela do produtor e a maior da industrialização, da logística, da comercialização e da marca. 
Quando a consagrada cantora Ivete Sangalo, soletra o PI-RA-CAN-JU-BA, na televisão, isso é também agronegócio. 
Se o leite é transformado em manteiga,  queijo, iogurte ou creme há maior agregação de valor. 
Pode ainda ser transformado em leite em pó, mediante processamento industrial.
Ou seja, o leite ou derivado que o ser urbano consome é um produto do agronegócio, originário do campo, mas cuja composição de  custo ou valor  é predominantemente industrial ou de serviço. 
O café que é consumido nas cidades é também agronegócio, mas não café verde, com colhido do cafezal. É torrado, moido, ensacado por processos industriais. Se for em cápsulas, o valor da industrialização é muito maior e o Brasil ainda importa parte das cápsulas, contendo o seu café.
As pessoas não consomem o grão de soja, exceto quando na forma de "edamame" nos restaurantes japoneses. Mas consomem, em grande escala, o óleo de soja, o mais comercializado e usado para frituras. 
Mesmo o frango inteiro ensacado e refrigerado, passou por fases industriais, ocorrendo também com outras carnes.
Toda alimentação faz parte do agronegócio e não se limita ao campo, mas contém mais custo de processamento industrial, e de serviços do que do produto gerado no campo.

A grande produção no campo permitiu ou promoveu o estabelecimento e desenvolvimento de uma potente industria de alimentação, assim como toda uma rede de logística e comercialização.  Também do desenvolvimento de serviços, seja de desenvolvimento tecnologico, como de marketing. As barras de creais são produtos da inovação tecnológica. 

A conversão dessa indústria de alimentação, atualmente predominantemente voltada para o mercado interno, para um suprimento mundial, com grande ampliação de escala, seria a base da reindustrialização brasileira.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Projeto Nacional Hegemônico

Projeto nacional não é projeto de Governo, tampouco de Estado: é projeto de nação. Dificilmente terá consenso universal da sua sociedade, mas se estabelece como um projeto hegemônico, formulado por lideranças e aceitas e seguidas pelos demais segmentos da sociedade.

Neste sentido, afirmar que o Brasil nunca teve ou não tem um projeto nacional não corresponde à realidade. O que nunca existiu foi um projeto nacional, denominado como tal proposto por Governos e adotado pela sociedade. As propostas são fragmentadas, em geral, voltadas para o curto prazo, mas deram rumo a uma trajetória do país, nas suas diversas dimensões. Vamos nos ater aqui à dimensão econômica.

Até os anos 30 prevaleceu um projeto nacional decorrente do pensamento então hegemônico, definido pelas elites rurais que dominavam a política nacional, de uma visão vocacional natural. A economia brasileira deveria se inserir no mundo fundada nas suas vocações naturais: de um produtor baseado na sua produção natural, seja do minério de ferro ou da produção agrícola - na ocasião do café e do açucar - exportando-os em troca dos produtos industrializados de consumo dessa mesma elite, perpetuando o modelo desenvolvido desde a sua descoberta, como colônia de Portugal.

Esse projeto foi questionado pelos jovens tenentes do Exército que, promoveram uma revolução, assumiram o poder substituindo a elite política de base rural, mas somente anos após, assumiram o projeto de industrialização voltada para o mercado interno, que veio a ser conhecido como "industrialização por substituição de importações". Esse projeto, objeto de uma importante polêmica entre Eugênio Gudin, representante do pensamento da elite "destronada" e Roberto Simonsen, representando a nova elite emergente  formada pelos industriais, em grande parte de imigrantes europeus, tornou-se hegemônico com a sua liderança assumida pelo Governo e permaneceu até 2016, como o projeto nacional brasileiro efetivo, embora tivesse se enfraquecido com a crise energética dos anos 70 e crise e desdobramentos subsequentes. Foi sucessivamente sustentado por ações e recursos governamentais, com sucessivos aumentos da carga tributária. 
Ainda que com muitas contestações prevaleceu como pensamento econômico hegemônico, até que o seu abuso para esquemas de corrupção, levasse à perda da hegemonia. 
Como nos anos 30, essa perda foi acompanhada ou provocou a queda do Governante, com o estabelecimento de um novo Governo para fortalecer o pensamento oposto, que se tornou hegemônico, embora ainda sem força suficiente, para aceitação plena. 
Esse pensamento não altera as bases estruturais do projeto ainda vigente, isto é, voltado para o mercado interno, mas muda o processo de funcionamento da economia, com a total prevalência do processo liberal, em contraposição ao  estatizante.
Mas diante de toda uma estrutura e cultura construída e consolidada ao longo de quase um século é preciso fazer as reformas básicas, entre elas a administrativa para desmontar uma máquina estatal inchada e ineficiente montada para gerir o  processo anterior, seja na administração direta, como nas autarquias e empresas estatais. Enfrenta as resistências dos interesses montados sobre essa estrutura. 
O pensamento liberal busca a hegemonia, mas as resistências silenciosas ainda são muitas e fortes.
O pensamento anterior,  cunhado como "estatal (nacional) desenvolvimentista", perdeu a hegemonia. O pensamento liberal é o dominante, mas ainda não alçou a condição hegemônica, diante das resistências. 

O jogo está empatado o que leva à percepção ou impressão de que o Brasil está sem rumo, sem projeto.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Minha alma está em brisa

Parafraseando uma belíssima crônica de Mário de Andrade, que meu amigo o Dr Luis Fortunato me mandou pelo whats apps, quero viver o hoje pensando no amanhã. Não recordando o ontem.
"Contei meus anos e descobri que tenho menos tempo para viver a partir daqui, do que o que eu vivi até agora.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis ​​em que são discutidos estatutos, regras, procedimentos e regulamentos internos, sabendo que nada será alcançado.
Não tenho mais tempo para apoiar pessoas absurdas que, apesar da idade cronológica, não cresceram.
Meu tempo é muito curto para discutir títulos. Eu quero a essência, minha alma está com pressa
Quero viver ao lado de pessoas humanas, muito humanas. Que sabem rir dos seus erros. Que não ficam inchadas, com seus triunfos. Que não se consideram eleitos antes do tempo. Que não  ficam longe de suas responsabilidades. Que defendem a dignidade humana. E querem andar do lado da verdade e da honestidade.
O essencial é o que faz a vida valer a pena.
Quero cercar-me de pessoas que sabem tocar os corações das pessoas ...
Pessoas a quem os golpes da vida, ensinaram a crescer com toques suaves na alma
Sim ... Estou com pressa ... Estou com pressa para viver com a intensidade que só a maturidade pode dar.
Meu objetivo é chegar ao fim satisfeito e em paz com meus entes queridos e com a minha consciência.
Nós temos duas vidas e a segunda começa quando você percebe que você só tem uma...

Por razões de dieta, exclui a parte dos doces.(kkk)
Estou atendendo o pedido inserido no final da crônica:
Envie para todos os seus amigos mais de 40, 50 anos ou mais.


_ (Proibido guardá-lo só para si)



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A oportunidade para voltar a crescer

O desenvolvimento de um agronegócio de maior valor agregado é a maior oportunidade que o Brasil tem para voltar a crescer e promover a sua reindustrialização.
A oportunidade decorre da continuidade da demanda do mundo por alimentos, em função do aumento da população e da melhoria das rendas per-capita. De um lado há demanda para vencer a fome e, de outro, melhorar o consumo de alimentos mais saudáveis.
A ameaça está na concorrência. Outros países estão percebendo a mesma oportunidade. Alguns, sem matérias primas, buscam importá-las para processá-las e exportar alimentos prontos ou semiprontos para consumo, com maior valor agregado. 
O Brasil se planeja e se firma como um supridor mundial de alimentos processados ou será "relegado" ao papel de fornecedor de commodities, com baixo valor,  para os países que irão processá-los, agregar valor, gerar empregos e se desenvolver economicamente, às custas do "celeiro do mundo". 
Ou o Brasil percebe e aproveita a oportunidade ou irá perder sucessivamente posições entre as maiores economias do mundo, com a continuidade de taxas de crescimento pífios.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Falta liderança para o agronegócio

A agricultura moderna importou o termo "agribusiness" para caracterizá-la, buscando diferenciar da agricultura tradicional.
Com o sucesso da produção dessa agricultura, preponderantemente voltada à produção de grãos para exportação, os mentores ampliaram o escopo do agronegócio, para envolver toda a cadeia produtiva e passaram a alardear que representavam cerca de 1/4 do PIB.  Somadas todas as atividades, inclusive transporte e comercialização, chega próxima a essa participação, dependendo da evolução dos outros setores.

Usam a denominação agronegócio, mas as lideranças empresarias e políticas são todas da agropecuária. São pessoas do campo, "da roça", que para tentar fortalecer a importância do segmento, extrapolam os números, mas todas as ações são no sentido da defesa da agropecuária.

O que o mundo quer é que o Brasil cumpra o papel de alimentar a sua população, que se aproxima dos 9 bilhões de pessoas. O mundo espera que o Brasil contribua amplamente para a erradicação definitiva da fome no mundo.

O Brasil precisa aproveitar a sua capacidade produtiva no campo para se tornar uma potência mundial de produção de alimentos. Não precisa se limitar à produção e exportação de commodities.

Uma opção de um projeto nacional, de um Projeto Brasil, é tornar o Brasil o maior produtor de alimentos para o mundo. 

Mas faltam lideranças para assumir esse projeto.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representando outros 25%, dos quais 5% são insumos. O processamento industrial não passaria de 20% do PIB do agronegócio. A metade é representada pelos serviços. Ou seja, agronegócio é agro-serviço. Onde a logística e a comercialização representariam a maior parte.

O que o consumidor de alimentos no Brasil, como no mundo, paga é pelo custo do alimento chegar até o varejo. Ou até ao seu prato, ao consumí-lo num restaurante.

Para ser reconhecido socialmente o agronegócio precisa substituir a visão "Brasil celeiro do mundo" por "Brasil, alimentando o mundo" ou similar. Precisa substituir a idéia de produtor e exportador de matérias primas, para ser um supridor mundial de alimentos. E ainda de energéticos e de produtos de madeira.

O grande desafio do agronegócio é agregar valor às suas matérias primas agro-pastoril pelos serviços. Muito mais que pela industrialização.

O agronegócio para ter o reconhecimento social precisa mostrar que é muito mais que produção agrícola e pastoril. 

O lema da campanha da Rede Globo tem esse sentido, mas o conteúdo continua sendo dominado pelo Globo Rural.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Projeto Nacional: por que ninguém propõe?

Ao participar de mais um evento público ouço reclamações ou lamentações de que falta ao Brasil um projeto nacional, um projeto de Nação, ou projeto Brasil.
Se "todo mundo" concorda que faz falta, porque ninguém propõe um projeto?
Uma das razões é porque as pessoas estão por demais envolvidos em soluções para a crise fiscal, para as questões monetárias, tem propostas, mas percebem que essa não significam um projeto nacional. Se assim o fosse, as recentes propostas do Banco Mundial seria uma proposta de projeto nacional, baseado nos gastos públicos: "O Brasil gasta muito e mal".

Temos aqui feito uma proposta que ousamos dizer que é uma proposta de Projeto Nacional. 

O Brasil irá se desenvolver nos próximos anos, sustentado por dois grandes pilares: petróleo e grãos.  Ou energia e alimento.

Territorialmente o primeiro irá reforçar o desenvolvimento do sudeste. O segundo irá gerar novos polos de desenvolvimento, dentro do cerrado brasileiro, com dois subpolos: centro-oeste e nordeste. 

A esta altura da história não se trata mais de uma opção do país. Este está condenado a ser um grande produtor de petróleo e grãos. Se quiser evitar esse destino histórico terá que fazer um grande esforço, para que os produtores rurais deixem de plantar ou que as petroleiras abandonem os poços de petróleo do pré-sal. Ou rezar para que as adversidades climáticas arrazem a produção agrícola. 

No caso dos grãos, o mundo está precisando desses e espera que o Brasil seja um grande produtor e supridor. E dará condições econômicas para a continuidade. Já em relação ao petróleo, o mundo tem excesso de oferta, poderá reduzir os preços, de tal forma que somente os mais eficientes seguirão produzindo. Nesse caso, o Brasil poderia se livrar da "maldição" de ser um grande produtor.  Mas as petroleiras teriam condições e buscariam eficiência e redução de custos para manter a produção brasileira entre os sobreviventes.

Se o Brasil está condenado a ser um grande produtor mundial de grãos e de petróleo, por que lutar conta essa tendência e não aproveitar a oportunidade para fazer delas as grandes alavancas para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país?

A proposta de Projeto Nacional que temos defendido se baseia nessa segunda opção. Aproveitar a oportunidade da demanda mundial por alimentos e a ampla disponibilidade de petróleo do pré-sal para recolocar o Brasil entre as cinco maiores economias mundiais, juntamente com maior equidade social. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mitos e fatos sobre o agronegócio

A agropecuária se tornou o principal motor do crescimento econômico brasileiro. Promoveu a retomada do crescimento, no início deste ano, rompendo o ciclo recessivo, mas não é essa "coisa" toda que alardeia. 
Por uma série de circunstâncias históricas a agropecuária vem crescendo a sua produção - com pequenas variações sazonais - por força da ousadia e perseverança dos produtores rurais.

As suas lideranças e, principalmente, os seus arautos, procuram convencer a sociedade e o Governo da sua importância, afirmando e sendo razoavelmente aceito que produzem de 20 a 25% do PIB. Falso e verdadeiro, dependente do ângulo. Considerada a produção no campo, a que decorre do esforço e coragem do produtor rural, falsa. Se considerada a cadeia produtiva verdadeira.

Agronegócio não é só produção rural. Agronegócio é indústria. Agronegócio é serviço. 

Motor não é necessariamente a peça maior do sistema. Mas é a que dá partida, aciona e dá continuidade à sua movimentação. 

O motor do crescimento da economia brasileira é hoje a agropecuária-florestal. Pode representar uma parcela relativamente pequena do PIB, em torno de 5%, mas movimenta diretamente pelas suas correias transmissoras e motores sucessivos, pelo menos mais 15%. E tem efeitos indiretos não mensurados. 

O agronegócio é hoje essencial para a economia e sociedade brasileiras. A cultura urbana precisa perceber e aceitar esse papel. Até porque a principal parte da produção do agronegócio está nas cidades. Comer um bom churrasco é agronegócio.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto? (4) - Reindustrialização

Dentro da perspectiva de que o Brasil para se tornar um país desenvolvido precisava ter uma indústria própria. Até os anos 80 a indústria foi o motor do desenvolvimento econômico brasileiro, protegido por barreiras determinadas pelo Estado Brasileiro.
Perdendo substância, a partir dos anos noventa, com a abertura da economia para importações, é - atualmente - uma indústria - em geral - desatualizada tecnologicamente,  com baixa produtividade e não competitiva mundialmente.
Diante de um mundo globalizado, com restrições crescentes ao protecionismo, qualquer indústria para se manter no mercado precisará ser mundialmente competitiva.

Não podendo contar com esses dois instrumentos, a única barreira que persiste é a ineficiência logística. Enquanto essa persistir alguns mercados regionais poderão resistir à concorrência estrangeira. Fora disso estarão condenadas ao declínio e até ao desaparecimento, deixando de ser um fator de desenvolvimento, e se tornando um problema social.

As industrias de multinacionais voltadas apenas para o mercado interno decorrem das estratégias de assegurar a participação no mercado brasileiro com a montagem final de seus produtos criados no exterior. Alguns podem ter adaptações para o mercado nacional, mas a sua opção é importar o produto inteiramente produzido no exterior ou montar no Brasil, para ser mais competitivo em relação aos seus concorrentes externos. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (3)

O Brasil não é apenas um exportador de matérias primas agrícolas. Parte já é processada, num primeiro estágio. Outros em estágios mais avançados, ainda que alguns não os aceitam como produtos industrializados ou processados.
A imagem predominante é que o Brasil produz e exporta soja em grãos. 

Na realidade o milho brasileiro é exportado na forma de proteina animal. O que é uma fase mais avançada e com maior agregação de valor do que a eventual venda externa de rações. 

Nesta cadeia produtiva a matéria prima brasileira - o grão de milho - é exportada incorporada aos produtos da etapa final do processo, como as partes de frangos cortadas.

O Brasil é um importante produtor e processador de alimentos, mas os "pessimistas" ou "envergonhados do Brasil" preferem só ver o caso do café. Países europeus que não são produtores agrícolas do café, desenvolveram tecnologias para transformar o grão em produtos de consumo, mais saborosos e amigáveis. E ganham nos royalties ou mesmo da importação pelo Brasil de bens derivados do seu café.

O caso do café não é a regra, mas a exceção. 

O agronegócio brasileiro agrega valor às suas matérias primas, mas tem se mostrado incompetente para superar a imagem de que é um exportador de produtos agrícolas de baixo valor agregado. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (2)

Num primeiro nível, a estratégia brasileira, para aproveitar o momento favorável, deverá estar voltada para:

  • diversificação de mercados compradores, reduzindo o grau de dependência das importações chinesas;
  • agregar maior valor às matérias-primas.

A agricultura brasileira de grãos vem crescendo e conquistando mercados internacionais, com altíssima produtividade, incorporação sucessiva de tecnologia e inovação, integrando já a revolução 4.0, e apesar do custo Brasil.

A soja brasileira é altamente competitiva nas fazendas, perde parte dela, com as deficiências logísticas, mas é ainda competitiva no porto. Desmente inteiramente as visões de que a produção brasileira tem baixa produtividade e não investe em inovação. A soja brasileira é, provavelmente, o produto nacional com a maior agregação tecnológica. 

O processamento das matérias primas envolve duas categorias:

  • a dos processamentos que mantém a característica de commodities;
  • a da industrialização com diferenciais que podem ser caracterizados por marcas.

Faltam empresas brasileiras do setor de alimentos, com vocação internacional. 

Sem essa vocação não haverá empenho das empresas ou dos empresários em tentar a conquista de mercados externos.

O Brasil precisa de "campeões internacionais", mas esses terão que ganhar o pódio pelo seu esforço e competência empresarial. Não poderão depender de benefícios estatais.

Para isso o Brasil, seus empresários e a sociedade organizada, precisam se livrar da cultura estatista (ou estatizante) de que o objetivo acima só será possível, com forte atuação e recursos do Estado.

O papel do Estado nas circunstâncias atuais e nos próximos anos terá que se restringir à diplomacia. Não tem recursos, tampouco instrumentos para promover a formação e desenvolvimento de "campeões internacionais".




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional? (1)

O Brasil por força da iniciativa privada, aproveitando oportunidades do mercado mundial, se tornou em poucos anos, uma potencia agrícola mundial, liderando a produção e a exportação de diversos produtos agrícolas. 

Apesar dos elementos positivos essa conjuntura brasileira é fonte de infelicidade ou incomodidade para alguns que a criticam como sendo uma condição indesejável.
Essa condição é vista como um retrocesso com o Brasil voltando a ser um supridor de matérias-primas para as grandes potenciais mundiais e importador de bens industrializados, como nos tempos coloniais. Ou da fase pré-industrial.

O Brasil tem que aproveitar a oportunidade para ser o principal supridor mundial de matérias primas de produção agro-pecuária-florestal. Sem sacrificar a cobertura vegetal.

Não pode desprezar essa oportunidade histórica que pode sustentar um crescimento econômico moderado, lento e gradual.

Não se deve desprezar ou combater a ação efetiva da agricultura, que se tornou o mais dinâmico motor da economia brasileira. Embora não o único.

Como estratégia brasileira a primeira condição é aceitar que a produção agro-pecuária-florestal será esse motor e  deverá ser acionado e não contido ou execrado, como um retrocesso, que não é.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Duas visões diferentes sobre a evolução do PIB

Uma análise de maior prazo, sobre a evolução do PIB mostra as alterações estruturais na economia brasileira. 

Tomando a composição do PIB em 1995,  no primeiro trimestre de 2014, último período que em o PIB apresentou um crescimento, o setor agropecuário mostrou um crescimento 35,4% a mais que o do PIB, enquanto a indústria de transformação, caiu 24,4%. O comércio estava com uma variação 3% a menos que o crescimento do PIB, mas o conjunto de serviços teve aumento de 1,9% acima do PIB.

Do lado da demanda, o crescimento do consumo das famílias foi 4,6% menor que o PIB, enquanto as exportações, apresentaram um aumento de 54,2% acima da evolução do PIB. 

Instalada a recessão, desde 2014, seguindo pelos anos de 2015 e 2016, o setor industrial de transformação decresceu 32,8% abaixo da evolução do PIB, enquanto a agropecuária, cresceu 34,8%. Do outro lado, o consumo das famílias, teve um crescimento de apenas 4,6% acima da evolução do PIB, enquanto as exportações, aumentaram 85,7%.

Significa que do lado da oferta, que equivale ao conjunto da produção nacional, a agropecuária vem ganhando espaço, enquanto a indústria perde. O novo motor da economia brasileira está sendo - cada vez mais - a agropecuária e não a indústria de transformação. 

E, do lado, da demanda o crescimento é puxado mais pela demanda externa do que pelo consumo interno.

Apesar dos números oficiais do PIB mostrarem essa transformação estrutural da economia brasileira, a sociedade brasileira persiste na tentativa de recuperação da economia, mediante a reindustrialização. 

As forças industrializantes ainda dominam corações e mentes dos economistas, dos jornalistas, dos empresários e muito outros, que se regozijam com ridículos aumentos do PIB, enquanto outros países e o mundo - como um todo - caminha a passos mais largos.

Não seria o momento de refletir e discutir se estamos no rumo certo? Ou se devemos buscar outro rumo, mas dinâmico? 

Uma vertente para o futuro do Brasil será o crescimento econômico pela agropecuária, voltada para o mercado externo, suportada por uma eficiente infraestrutura logística.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

As condições básicas para o desenvolvimento

Três são as condições essenciais para um país se desenvolver, dentro das mudanças ocorridas e em curso no mundo:

  1. ter capacidade física e financeira para investir no crescimento da produção;
  2. ter mercado mundial para essa produção;
  3. ter competitividade nessa produção, pela escala, inovação tecnológica e pessoas qualificadas.

Todas essas condições são preenchidas pela agropecuária brasileira.

Então por que o Brasil não a adota como o motor do seu desenvolvimento, preferindo persistir numa indústria que, cuja capacidade física é limitada, está descapitalizada, não tem escala e depende de inovações tecnológicas externas?

Tem mercado mundial para os seus produtos, mas carece de competitividade. 

Há duas razões principais que se conjugam: uma cultura de dependência do Estado e a resistência corporativa de não perder os benefícios conquistados anteriormente.

terça-feira, 4 de julho de 2017

O Brasil do Futuro

O Brasil do Futuro está vinculado e dependente do trinômio agricultura-pecuária-florestal. É onde o Brasil está mais inserido na economia global e a maior geradora de divisas. Suficiente conter os riscos de crise cambial. 
Porém o futuro do mundo, dentro do qual o Brasil faz parte está nos serviços, principalmente nos serviços tecnológicos.
A estratégia de desenvolvimento brasileiro poderá estar na alavancagem financeira e de demanda dos serviços tecnológicos para o agronegócio, voltados para o mundo.
A base já existe e reconhecida pela sociedade. Mas essa precisa se mobilizar para um apoio mais intenso. A EMBRAPA é o elemento estratégico para o futuro do Brasil. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Colapso estrutural - modelo econômico

A crise atual reflete o colapso de duas estruturas seculares, dominantes na cultura, politica e econômia brasileira: o nacionalismo econômico e o patrimonialismo.

O nacionalismo econômico é caracterizado pela estruturação da economia voltada para dentro, autossustentada pela produção e consumo interno. Essa estruturação decorre de vontade política, com apoio de segmentos da sociedade, com o sentido de não aceitar o que seria uma vocação natural do Brasil: um grande supridor mundial de matérias primas, tanto vegetais e animais, como minerais.

Ainda que iniciada antes, foi reforçada pela doutrina e conceitos desenvolvidos dentro da CEPAL, e conta ainda com inúmero adeptos. 

Embora caracterizada como "nacional-desenvolvimentista" prefiro denominar de nacionalista-estatizantes. Nacionalista porque adota o conceito de uma economia voltada para dentro, para a nação e não amplamente integrada no mercado mundial, na globalização. Estatizante porque o modelo é baseado em forte atuação direta e indireta do Estado.

Para viabilizar e implantar essa estrutura o Brasil, através dos seus governantes - eleitos ou não - optou pela utilização do Estado como o principal protagonista, seja através da assunção de atividades estratégicas, atribuídas a empresas estatais, como através de mecanismos de apoio às empresas privadas, como regras de proteção à produção nacional, renúncias fiscais e financiamentos por bancos públicos. Envolveu sempre, intervenções artificiais do Estado na economia e tornou as empresas privadas reféns das políticas públicas. Estabeleceu uma cultura empresarial de só fazer o que o Governo sinalizava. 


A persistência nesse modelo apenas retarda a recuperação da economia brasileira. O modelo já perdeu a sua essência vital. Não tem mais base suficiente para sua revitalização. O colapso é definitivo.


(cont)

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Falta projeto de nação? - uma narrativa

Acadêmicos que só conhecem o Brasil pelas narrativas dos livros reclamam da falta de projetos nacionais ao longo da história do Brasil.

O fato de não haver nenhum documento formalizado com a denominação de projeto nacional, não significa que o país, pelos seus agentes econômicos e sociais não tenham se pautados por um projeto.

O viés decorre de uma confusão de conceitos: é ver projeto nacional como projeto de Estado. Isto é, comandado pelo Estado, mediante planejamento, condução e implantação estatal.

Neste sentido, não se aceita um projeto nacional liberal. Seria uma contradição intrínseca.

Mesmo nessa visão podemos identificar na história brasileira recente, 4 "projetos" que foram implantados, desenvolvidos e consolidados ao longo de muitos anos. Ainda que alguns tenham já alcançada a fase de esgotamento e decadência.

Getúlio Vargas estabeleceu o projeto de industrialização fordista/taylorista com a defesa das condições do trabalho e dos trabalhadores.  O modelo de industrialização inteiramente voltada para o mercado interno está em decadência, mas o sistema de "direitos trabalhistas" cresceu e resiste bravamente. Os principais agentes seriam e foram as estatais.

Juscelino reforçou a industrialização voltada para dentro, mas fez abertura para o capital privado, inclusive nacional, mas incentivado e protegido pelo Estado. Mas lançou as bases para a ocupação do vasto território nacional acima do paralelo 16, ainda vazio.

Geisel  creditou à indústria voltada para dentro a condição de transformação do Brasil em potência econômica, sustentada pela completa autossuficiência energética. Nessa incluída os combustíveis.

Os projetos tiveram custo financeiro muito alto, gerando endividamento e inflação. E governos subsequentes tiveram que adotar medidas circunstanciais para "arrumar a casa" e deixar o desenvolvimento a cargo do mercado.

Até mesmo FHC, de formação cepalina e estruturalista, acabou cedendo à concepção do projeto liberal, com a redução do papel do Estado.  Na visão brasileira, sem projeto do Estado não existe projeto de Nação.

O PT, com Lula e Dilma, lançaram e implantaram um projeto mais diversificado, com o objetivo de promover um Brasil mais justo, voltando a reforçar a intervenção estatal. De uma parte implantaram e consolidaram os programas sociais, iniciados nos governos anteriores em atendimento ao projeto nacional inserido na Constituição de 88.

De outra deram sobrevida à industrialização voltada para o mercado interno, mediante estímulos - alguns artificiais, ao desenvolvimento do mercado interno de consumo e investimentos - e de benefícios diretos às empresas aderentes ao projeto petista. Que se mostrou ser um projeto de poder e não um projeto de nação.

Mais uma vez a tentativa de implantar um  projeto nacional estatizante resultou em desequilíbrio das contas públicas,  elevação do endividamento e recrudescimento da inflação. O que tornou inviável a sua continuidade.

A industrialização voltada para o mercado interno, sob intensa proteção estatal, promovida por Vargas e que foi também o suporte dos projetos posteriores está em colapso e é a origem da crise supostamente circunstancial: é estrutural.

A crise é de um projeto nacional baseado numa industrialização que ficou defasada em função das mudanças mundiais e com pequena possibilidade de recuperação.

O Brasil precisa buscar novos caminhos, 60 anos depois. Depois de um projeto que deu certo, mas não se sustentou.



segunda-feira, 11 de julho de 2016

Diferenças regionais: ameaças e oportunidades

O paralelo 16 é a linha imaginária que marca a coexistência de dois Brasis, em momentos diferentes da história.

De um lado o  Brasil Sul, uma economia desenvolvida e mais humanizada. De outro um Brasil Norte - uma economia em desenvolvimento e uma sociedade ainda subdesenvolvida, uma "Terra Bruta", conforme reportagem especial do Estadão  de ontem (10/07/2016).
Estadão
De um lado um Brasil em crise, com o seu modelo de crescimento econômico comprometido, em regressão e gerando um nível de desemprego inusitado e fazendo retornar a violência. Uma violência urbana que faz o contraponto da citada reportagem do Estadão e que estampa as páginas das revistas semanais. Isso no Rio de Janeiro, principal polo de atração de turistas estrangeiros, às vésperas dos Jogos Olímpicos.
O Brasil Norte com uma enorme produção de grãos, apesar de um pequeno recuo, em função de adversidades climáticas. É o que ainda mitiga a recessão através das suas exportações de commodities.
O futuro é também diverso: o Brasil Norte apresenta um grande potencial de desenvolvimento, com o seu agronegócio, enquanto o Brasil Sul vê a sua indústria cada vez mais ameaçada pela concorrência internacional. 
O Brasil já é uma economia predominantemente de serviços, que representam mais de 50% do PIB. 
Mas enquanto o Brasil Sul passa pela transição da indústria para os serviços, o Brasil Norte, salta etapas e passa diretamente das atividades primárias para as terciárias.
O Brasil Norte, pode passar diretamente do agronegócio para a IV Revolução Industrial. 
Mas falta essa percepção. Seja por parte das autoridades, dos especialistas, como da sociedade. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Fracassos e sucessos da estratégia de "campeãs nacionais"

Com a crise da Oi, reemerge o tema "campeães nacionais" com severas críticas ao que teria sido a estratégia desenvolvida pelos governos do PT de campeãs nacionais. Embora a Oi, tenha tido origem ainda no governo FHC, no bojo da privatização das telecomunicações brasileiras.

A ideia das campeãs nacionais foi ampliada e distorcida. E foi usada para fins escusos.

Não foram só fracassos. Há sucessos. Nem tudo são espinhos. Há flores, mas o que machuca são os espinhos. Mas algumas das belas flores cheiram mal. 

Uma empresa nacional bem sucedida no exterior foi a Construtora Norberto Odebrecht, transformada num grande grupo multinacional, com inúmeros contratos no exterior. Contratando equipamentos e serviços brasileiros. A Operação Lava-Jato demonstrou que esse sucesso foi alcançado com amplo apoio governamental, dentro de uma parceria nada republicana. É a campeã nacional da corrupção.

A maior distorção, no entanto, foi a política de apoio governamental a grupos nacionais para enfrentar, no mercado nacional, as multinacionais.

Essa foi a concepção dos tecnocratas tucanos ao promover a criação de uma empresa nacional de telecomunicações para evitar o total domínio do setor por multinacionais. Com amplo apoio do BNDES.

O modelo foi herdado e desenvolvido pelos governos petistas, com sucessivas distorções o que resultou no colapso da Oi. 

Anteriormente o grupo Eike Batista tinha fracassado na pretensão de criar um grande grupo nacional no setor de infraestrutura, ancorada por uma petroleira privada brasileira. 

A estratégia original das campeãs nacionais era de promover a globalização da empresa nacional e, nesse sentido, nem tudo é fracasso.

A Embraer é a mais visível e admirada. A Vale é um grande sucesso, ainda que empanada pelo desastre de Mariana. Sadia e Perdigão são sucesso mundial, hoje reunidas na BRF. 

O maior sucesso da estratégia de campeãs nacionais, que acabou sendo colocada em prática, pelos governos petistas, é a JBF, conhecida no Brasil pela marca Friboi. Mas com uma ampla rede de empresas na cadeia produtiva da carne bovina, sendo o maior grupo mundial do setor. É porém um sucesso suspeito, com várias ligações políticas ainda sob críticas e investigações. 

Outro grande sucesso, embora não mais reconhecido como da estratégia de campeãs nacionais e a AMBEV. O casamento da Brahma com a Antarctica foi abençoada e patrocinada pelo Governo, então de FHC, com recursos do BNDES. 



Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...