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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Quem esticou a corda?


Durante a semana, a ala militar próxima ao Presidente Bolsonaro, avisou e reiterou que levantar a hipótese de golpe era ultrajante às Forças Armadas, mas deixaram uma suposta ameaça: “não estica a corda!”. Não explicaram o que seria “esticar a corda”, tampouco quais seriam as consequências e quem se destinava. Seria um aviso ao STF, eventualmente ao Congresso e aos movimentos de rua pró-democracia. Um aviso contra os supostos ou eventuais vândalos e terroristas. Ou um aviso ao próprio Presidente Bolsonaro?
Os movimentos de rua, menores que as do domingo retrasado, não aceitaram a provocação ou não caíram na armadilha. Fizeram poucos movimentos, com redução do número de participantes e em menor número de cidades. Foram pacíficos, do começo ao fim e sem confrontos com a Polícia Militar. Não houve radicalização, nenhum grupo esticou a corda. Não houve vandalismos ou ações terroristas, com ameaças a prédios públicos ou privados.
Já Jair Bolsonaro incentivou a invasão nos hospitais de campanha, o que é ilegal. São atos terroristas. Médicos, enfermeiros e pacientes ficaram aterrorizados com as invasões. Em alguns casos houve vandalismo, com quebra de equipamentos. Incentivo ao crime, também é transgressão. Provocou a reação de diversos setores da sociedade e de outras autoridades, inclusive do Procurador Geral da República.
Os chamados 300 do Brasil, invadiram a cúpula do Congresso Nacional - área de acesso proibido -  o que é uma contravenção, mas tolerada pelas forças de segurança. Se fosse pela turba do MST seria logo caracterizado como terrorismo.
Passaram a atacar o prédio do STF com fogos ... de artificio. Embora um ataque simbólico é ilegal e grave. Outro ato terrorista. Sob os olhares da PM que nada fez para evitar.
Diante da complacência da PM com o vandalismo e terrorismo, o Governador de Brasília, primeiro desalojou o acampamento dos 300, depois interditou a Praça dos 3 Poderes para a permanência do público. Hoje demitiu um subcomandante da PM que estava no comando dos contingentes da PM, que permitiram o ataque ao STF.

A reação do Presidente do STF desmontou uma suposta conspiração em curso, com a participação do MP do DF que não deu curso às solicitações de prisão de integrantes dos 300, além do apoio, igualmente velado da PM. A ativista Sara Winter, uma das líderes dos 300 estava muito segura de que não seria presa e ficou ameaçando verbalmente o Ministro Alexandre de Moraes. A reação de Toffoli, obrigou o Ministério Público Federal a adotar uma posição mais pronta, resultando na prisão do suspeito de lançar os fogos contra o STF, de Sara Winter e de outros integrantes dos 300, passando por cima do  procurador distrital "engavetador". Se conspiração estava sendo montada, foi desmontada.
E as Forças Armadas? Como vão reagir a esses atos terroristas? Esticaram ou não a corda?

segunda-feira, 8 de junho de 2020

E agora, Governo?

Segundo a Teoria da Conspiração, Jair Bolsonaro montou uma armadilha para criar um ambiente favorável à mobilização e intervenção das Forças Armadas, para garantia da lei e da ordem. 
Mas não deu certo. 

Quando a armadilha começou a ser evidenciada, criou mais um "factoide" para desviar a atenção. Mudou a apresentação dos dados da COVID 19, com declaração expressa de que a fazia para tirá-la do Jornal Nacional.
Não deu certo. Pior, gerou resistências e oposição de onde não esperava. Os Secretários Estaduais de Saúde que são os geradores dos dados básicos. Forneceram os dados para o G1 e o  Jornal Nacional continuou divulgando os números totais e acumulados. Outras entidades, incluindo o Tribunal de Contas da União estão se propondo a dar continuidade à divulgação consolidada e cumulativa dos dados.

No domingo, os seus adeptos atenderam - em parte - o seu pedido: evitaram ir às ruas para confronto com os grupos pró- anti-bolsonaro, foram em número menor, sem faixas anti-democráticas, deixando os eventuais confrontos com as respectivas Polícias Militares. 

Em Brasília e no Rio de Janeiro, as segundas maiores aglomerações das manifestações, não houve confronto. O aparato militar organizado pelos respectivos Governadores ou pelos comandos militares foi poderoso, gerando o "efeito persuasão". As manifestações foram pacíficas do começo ao fim, sem a ação de pequenos grupos ou pessoas radicais, infiltrados ou não, para gerar conturbação.
Em São Paulo as manifestações foram pacíficas, com apenas um incidente, prontamente, contido pelos próprios manifestantes, expulsando um jovem que quebrou a porta de vidro de um banco. Mas depois de terminada a manifestação principal, com a dispersão dos manifestantes um pequeno grupo, supostamente de torcida organizada de time de futebol tentou chegar à Avenida Paulista, onde havia ocorrida a manifestação, com poucas pessoas, a favor de Bolsonaro. 
A Policia Militar montou uma poderosa barreira, com negociados na comissão de frente, o batalhão de choque em seguida e os blindados com equipamentos para jatos d'água como "primeiro carro alegórico". Não foi suficiente para persuadir o grupelho e depois de duas horas de infrutíferas negociações, a PM o dispersou com bombas de gás. 
Como é usual desses grupos recuou, jogando pedras nos soldados, queimando lixeiras, virando caçambas e outros vandalismos. Nada de grande monta que caracterizasse uma quebra da lei e da ordem, que justifique a convocação da Força Nacional e do Exército. A elevada eficácia da Polícia Militar mostrou sem absolutamente desnecessária a intervenção das Forças Armadas, para restabelecer a lei e a ordem.
O Governo queimou - desnecessariamente - duas bombas do seu arsenal, embora o confronto entre os grupos oponentes ou com a Polícia Militar possa vir a ocorrer em domingos próximos. Mas essa probabilidade ficou mais remota.
Com as derrotas, o Governo vai recuar e acordar com os Governadores, ações coordenadas de isolamento e de suas flexibilizações, aceitando que a COVID 19 não é apenas uma "gripezinha", mas uma pandemia?
É também uma probabilidade remota, mas possível. O que não se pode esperar é que o Presidente reconheça o erro e peça desculpas às famílias dos mortos e à sociedade.
Aceitaria uma trégua real com os demais poderes, e se conformaria com o risco de revelação pública do envolvimento de filhos em "mal feitos"? Essa uma probabilidade ainda mais remota. 
E daí?

terça-feira, 2 de junho de 2020

Caldo de Cultura

Bolsonaro que vive do confronto, deveria esperar uma reação do outro lado, a reação dos inimigos à sua mobilização popular contra o STF, Congresso, Governadores e outros.
A reação veio de um segmento inteiramente inesperado, tão ou mais violento e truculento que as hostes bolsonaristas: as torcidas organizadas.
Se alguém dissesse que os Gaviões da Fiel estavam se mobilizando contra Bolsonaro, para mim fazia sentido a contestação ao palmeirense  Jair, que anda cotidianamente com a camisa do Palmeiras. Entrariam em choque com os seus tradicionais adversários ou inimigos: a Mancha Verde.
Mas quando essa se junta aos Gaviões, contra Bolsonaro, dizendo ser em nome da defesa da democracia, confesso a dificuldade de entender o que está acontecendo. Mesmo considerando as teorias da conspiração, de estarem sendo financiados por terceiros, essa junção é esquisita, estranha. 
Custa-me aceitar que estão sendo unindo em defesa da democracia e "acenderam o fosforo da reação", já que os tradicionais sampaulinos continuavam em casa, redigindo e difundindo maravilhosos manifestos. Mas quando a Torcida Independente, a torcida organizada do São Paulo se une às duas mais tradicionais torcidas organizadas, "tem caroço nesse angú". 
Fanáticas e violentas torcidas organizadas de times de futebol, se juntando para enfrentar os bolsonaristas, nas ruas vai levar a uma escalada de violência.
Será o que Bolsonaro quer, para justificar a intervenção militar? Seria, então, ele que está promovendo ou estimulando esse movimento e o seu pessoal financiando? Pode ser, mas é pouco provável. 
O mais provável é o caldo de cultura que foi se desenvolvendo dentro dos 70% que não expressam apoio a Bolsonaro. Com pequenas variações Bolsonaro mantém o apoio de cerca de 30% do eleitorado. Esse, em 2018, era de quase 150 milhões de eleitores aptos a votar, segundo o TSE, mais precisamente 146.743.774. Considerando o número arredondado, os 30% corresponderiam a 50 milhões, um pouco menos dos votos que Bolsonaro teve no segundo turno, em 2018. 
Esse nível de 30% de aprovação tem sido mantido ao longo de todo este ano, em que pesem as diversas crises, pelo qual tem passado o Governo: a emergência do coronavirus, ainda em fevereiro, os conflitos externos, com os Governadores e Prefeitos e internos, com o Ministro da Saúde em relação à condução das ações governamentais, resultando na saída sucessiva de dois Ministros, a saída do Ministro Sérgio Moro - o principal símbolo do combate da corrupção - entre as mais importantes. Os seus apoiadores não arredam do seu apoio irrestrito, manifestando-se publicamente, nas redes sociais ou nas ruas e praças públicas. 
Com esse apoio recorrente do "seu povo" Bolsonaro assumiu a hegemonia política. Isto é: ele, com o apoio do seu terço de seguidores domina o resto, que se submete ao poder hegemônico. Fica na defensiva, tentando resistir aos seus avanços. 
Essa submissão da maioria foi ampliando um "caldo de cultura" de reação passando da resistência para a contestação ativa. 
Uma grande parte estava "em cima do muro" avaliando o Governo, como regular, ficando entre ótimo/bom e o ruim/péssimo até dezembro de 2020, segundo o DataFolha.
Em abril, muitas pessoas passaram a assumir uma posição, saindo "de cima do muro", ampliando a avaliação negativa, sem detrimento do ótimo/bom que se manteve em torno de 33%.
No final de maio, houve um descolamento do ruim/péssimo que saltou de 38% para 43% , enquanto a aprovação se manteve nos 33%. A queda ocorreu no regular, caindo para 22%. 
Os tais 70% começaram a reagir, mas formal e educadamente com Manifestos.
Mas o "caldo de cultura" entornou. Grupos radicais percebendo as circunstâncias, a partir dos resultados das pesquisas e achando que a reação estava muito frouxa, tomaram a iniciativa e saíram às ruas, dispostas à briga, como é o seu usual, elevando a temperatura e nível do confronto. 


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Reação popular inusitada


Os movimentos bolsonaristas tomaram conta das ruas, com o retraimento dos demais.  
Mesmo representando a minoria da população brasileira, se apropriaram da bandeira brasileira e das camisas amarelas e algumas verdes, da seleção brasileira da CBF,  simbolizando uma torcida do Brasil ou pelo Brasil, acima das torcidas de qualquer dos times de futebol, mais populares em cada Estado. 

Um confronto de Bolsonaro, com o apoio da ala militar do Governo e penetração dentro do Exército, contra decisões do STF, levando o Presidente a ameaça de não cumprir decisões judiciais, provocou reação formal da sociedade civil, com diversas manifestações, pela mídia tradicional e amplificada pelas redes sociais, a favor da democracia. Mas não teriam produzido a formação de grupos de organização de movimentos de rua.

Surpreendentemente, organizações de mobilização popular - aparentemente apolíticos - assumiram a iniciativa, convocando os seus militantes a irem às ruas, nas principais capitais, em defesa da democracia.
São as chamadas torcidas organizadas ou uniformizadas, dos times. São grupos de militantes radicais, beirando o fanatismo, entrando em conflito, com ações violentas, algumas resultando em mortes, quando se encontram. Isso levou a jogos com torcida única.

A única união ocorria em torno da torcida pela seleção brasileira, com todos colocando a camisa da CBF em acima das dos seus clubes. Essa, no entanto, para os movimento de rua, foi apropriada pelos bolsonaristas.
Enquanto os pró-democracia se manifestavam educadamente pela mídia, tradicional ou alternativa, os Gaviões de Fiel, a torcida organizada do Corinthians chamou a Mancha Verde, do Palmeiras para irem à Avenida Paulista, em defesa da democracia. Para se diferenciar dos "canarinhos" de Bolsonaro, adotaram a sua cor: o preto. Os palmeirenses concordaram em substituir o tradicional verde. Tiveram o apoio da Torcida Independente do São Paulo e da Torcida Jovem do Santos. 
Irradiaram as suas intenções a outras capitais e as tradicionais torcidas rivais do Flamengo e do Vasco se uniram para um movimento em Copacabana. Em Belo Horizonte, as torcidas do Cruzeiro e do Atlêtico se uniram. 
Foi um tempo curtíssimo para organização e mobilização, limitado aos seus integrantes. 
Uniram-se numa torcida única para sair em embate com a turma bolsonarista. Já são experientes em confrontos de rua, em geral, violentos.
Surpreenderam o resto da sociedade civil, retida em casa, pela "quarentena", inclusive dos pacíficos defensores da democracia, com os tradicionais manifestos e abaixo assinados.
As torcidas organizadas dos times de futebol, assumiram a iniciativa - talvez precipitada - se apropriando da bandeira da democracia, nas ruas. 
Tirou ou arrancou-a dos bolsonaristas. 
E dai????

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Foi pra rua e chamou pra briga

A vida de Jair Bolsonaro, não está fácil. Durante a semana enfrenta disputas políticas em meio a um crescente número de contaminados e mortos pela "gripezinha". No sábado, uma aparente acomodação às circunstâncias prenuncia uma turbulência no domingo, que - em mais um dia radioso - foi pior que o esperado.
Bolsonaro saiu às ruas e chamou os seus inimigos para briga, com apoio da sua torcida organizada, cada vez mais intolerante, fanática e violenta. O público fardado assistiu, dividido. Mais distante, o Ministro da Saúde foi a Manaus conferir, com os seus próprios olhos, se realmente estão mesmo morrendo, aqueles que a Rede Globo e outros estão noticiando.
A semana "vai ser quente" apesar da temperatura climática estar baixando. O número de infectados e de mortos por conta do coronavirus vai continuar subindo. Governadores e Prefeitos que pretendiam abrandar as restrições já estão anunciando a continuidade dessas. Alguns já vão ampliar. O "lockdown" vai chegar a algumas cidades: distantes de Brasília e de São Paulo.
A revolta entre os de maior renda vai aumentar. Os de menor renda já estão acostumados e o auxílio emergencial não só vai conter uma revolta maior, como já está aumentando a aprovação do Governo Federal. O risco não está em fome, falta de abastecimento, mas em eventual ações violentas contra agências da Caixa Econômica.
Bolsonaro vai continuar desafiando o Judiciário e vai perder mais que ganhar, isto é, se conseguir marcar, pelo menos , o "gol de honra", na goleada.
Os "famintos" não são aqueles que os bolsonaristas dizem que vão morrer de fome, por conta do isolamento social. São aqueles do centrão, que estão a "pão e água", desde o início de 2019, e ávidos por uma desforra, avançando sobre cargos federais. Mas uma grande parte está ocupada por oficiais militares que formam a base de apoio de Bolsonaro dentro das Forças Armadas. Desalojá-los pode causar perda de apoio. 
A semana, diversamente do que Jair espera não lhe será favorável, mas conturbado. O menor dos problemas será a pressão para que a Polícia do seu aliado Ibaneis, investigue, identifique e prenda os agressores, das enfermeiras durante a semana e dos jornalistas no domingo. 
Vai ter que inovocar muito Deus, para a que a semana passe rápido e ele possa ir ao ar livre de Brasília, para se encontrar e se confraternizar com o "seu povo", no "findi".  O único que lhe dá alguma alegria.

sábado, 25 de abril de 2020

Má atuação no jogo

Jair Bolsonaro sempre foi melhor no ataque do que na defesa. 
Para rebater a narrativa de Sérgio Moro, colocou-se mais na defesa do que no ataque. Perdeu o jogo, mas tentar uma virada, para manter-se na liderança do campeonato.
Sérgio Moro, apenas não ter uma experiência política, aprendeu logo a dinâmica da Presidência Bolsonaro e numa entrevista coletiva não fez nenhuma acusação. Não acusou o Presidente, nem ninguém. Fez apenas a sua narrativa de conversas e fatos que teriam ocorrido. Sabendo, ai pela sua experiência no Judiciário, de que precisa ter provas: não pode depender do "é a minha palavra contra a dele". 
Deixou que terceiros usassem a sua narrativa para fazer acusações. Foi bem sucedido na estratégia.
Contestado já começou a apresentar provas. Indica que ainda tem muitas no seu arsenal.
Jair Bolsonaro não saiu sozinho para confrontar Moro, no "corpo a corpo". Levou toda sua tropa de Ministros e alguns seguidores mais próximos, para apresentar a sua narrativa e tentar "marcar gols".
A sua narrativa foi confusa, digna do FEBEAPA ou do Samba do Criolo Doido, ambos de Stanislau Ponte Preta, que os mais novos pouco conhecem. Mas a nova versão já corre nas redes sociais.
Ficou a maior parte na defesa, para defender a sua biografia, mas reconheceu os esforços para interferir na Policia Federal, algumas vezes recusada e outras não. Embora diga que a Polícia Federal é um instrumento de Estado e não de Governo, parece achar que o Estado é ele. A Polícia Federal deveria, a ver dele, não são cuidar da integridade física dele e de sua família, mas da reputação deles quando ameaçada. Mas precisaria suplicar diretamente para que a PF cumpra essa missão, já que o Ministro da Justiça e Segurança Pública não se dispôs a tomar a iniciativa.
O seu principal ataque era de caracterizar Sérgio Moro como traidor. Não teve coragem e deixou isso a cargo dos seus seguidores. Mas não lhes deu munição suficiente. Toda a sua narrativa não foi para contestar Moro, mas gerar uma base para as manifestações dos seus seguidores nas redes sociais. 
Os efeitos de curto prazo deverão ser espelhadas nas sondagens de opinião pública. Se Bolsonaro mantiver uma aprovação acima de 33% significará que mantém firme a sua base de apoio popular. Se ficar abaixo de 27%, considerando a margem de erro, significará que teve perdas na sua base. 
A epidemia do coronavirus restringem a mobilização popular, mas manifestações publicas Pró-Moro, com grande volume de pessoas daria a base para os políticos promoverem um processo de impeachment. Esse elemento não será viável a curto prazo, o que favorece Bolsonaro. 
A movimentação em Brasília, dependerá dos Institutos de Pesquisa, com dados divulgados na próxima semana.



quarta-feira, 11 de março de 2020

O Presidente e o cidadão Bolsonaro

Jair Bolsonaro sempre se comportou como um cidadão comum, de classe média, indignado com as regulações e penalizações impostas pelo Estado para essa categoria.
Como motorista do seu carro, indo da Barra da Tijuca, para Angra dos Reis para pescar, em companhia do seu dileto amigo Fabrício Queiroz, não se conformava com as mudanças de velocidade máxima, em curtas distâncias. Era sucessivamente multado, “perdendo a carteira” por alcançar 20 pontos. Para recuperar a carteira era obrigado a frequentar o cursinho numa autoescola. Na bacia de Angra dos Reis foi multado por um fiscal do IBAMA, porque estava em área de proteção ambiental.
Como muitos, sonhava em ser Presidente da República. Para que? Para mudar isso tudo. O tudo era o que lhe incomodava pessoalmente.
“Quando eu for Presidente de República, acabo com essa “indústria da multa”. Acabo com essa “putaria” de quem não tem o que fazer e fica inventando como “fuder" com a paciência dos outros”.
Milhares, talvez milhões de brasileiros tem a mesma indignação, mas se conformavam, em geral, calados.  Quando alguém se propõe a fazer essas mudanças, ganha o apoio daqueles e passa a representá-los. Na eleição votaram nele.
Essa é a principal “birra” de Bolsonaro com Rodrigo Maia. Ele tem barrado todos os projetos do indignado cidadão Bolsonaro, ora na Presidência da República. Bolsonaro quer aumentar o número de pontos na carteira para a sua perda. Maia não deixa. Quer aumentar a validade da carteira de motorista. Maia trava. Quer acabar com a “cadeirinha” das crianças. Maia não deixa. Quer acabar com a carteirinha de estudante da UNE, Maia não deixa. Quer ampliar o uso das armas, para defesa pessoal. O Congresso, sob comando de Maia e Alcolumbre, cancelam decretos, derrubam vetos. Assim Bolsonaro não vai conseguir o que gostaria de fazer pelo Brasil, como prometeu e ainda pretende.
Tem mais. Quiz acabar com o DPVAT, o Supremo não deixou.
As divergências de Bolsonaro com o Legislativo e o Judiciário não são em torno das grandes questões nacionais, a não ser em pontos específicos. Mas em torno da pauta prioritária do indignado cidadão Jair Bolsonaro.
Então ele convoca todos os colegas indignados a irem às ruas no dia 15 de março. Não é para ir contra o Congresso, mas para pressionar o Congresso para aprovar o que gostaria de fazer para mudar o Brasil.
Com isso estaria gerando uma crise institucional. Menitra. Mais uma “feiqueneu” inventada pela mídia, segundo ele.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Brasil 2021 - 2

O segmento da sociedade que veio a se tornar a primeira camada do bolsonarismo, já existia, mas oprimida escondendo-se "dentro dos armários". A candidatura de Jair Bolsonaro vocalizando a visão de mundo desse segmento conservador e reacionário (segundo a esquerda), o tirou do armário e foram a base inicial de apoio político de Bolsonaro.
A segunda camada emergiu com força a partir das revelações da Operação Lava-Jato, autorizado pelo Juiz de 1ª instância Sérgio Moro, decretando prisões temporárias ou provisórias. Na sequência,  condenou à prisão politicos sem mandato, diretores da Petrobras, poderosos empresários e doleiros,  todos e envolvidos em mega esquemas de corrupção. Muitos políticos também envolvidos, mas com mandato parlamentar, nem chegaram a ser investigados, protegidos pela imunidade parlamentar. Jair Bolsonaro não chegou a ser envolvido, o que usava como "selo de qualidade", ou como "politico livre de  corrupção".  
O Juiz Sérgio Moro, pelo seu rigor, persistência e coragem, não se intimidando diante de poderosos, tornou-se uma figura popular e ícone de um importante segmento da sociedade, o dos "anti-corrupção". Quase uma unanimidade nacional, deixou de sê-lo, quando mandou prender o ex-Presidente Lula.
Não era uma base inicial de apoio de Jair Bolsonaro, mas este, um politico esperto, abraçou a causa e obtendo o apoio de Sérgio Moro passou a ser um líder do segmento, incorporando-o como a segunda camada do bolsonarismo.
A terceira camada parte de um segmento da elite paulista que não aceita o modelo atual de representação do Congresso Nacional, em que São Paulo, com o maior colégio eleitoral do país, tem uma participação dentro do Congresso Nacional, muito menos que acha deveria ter. O colégio eleitoral de São Paulo é fundamental para a eleição presidencial, a única nacional, mas não para a composição quantitativa no Congresso.
Esse segmento antipolítico foi reforçado pelas revelações da Operação Lava-Jato, envolvendo uma grande quantidade de líderes partidários, mas uma pequena quantidade relativa de parlamentares, em relação ao total. Jair Bolsonaro não estava envolvido 
Essa elite é a base da opinião publicada, que é parte menor da opinião pública. É a que acompanha a politica pelos meios de comunicação, tanto das tradicionais, como as alternativas. 
Jair Bolsonaro passou a prometer acabar com o "presidencialismo de coalizão", o loteamento ministerial e o "troca-troca".
Este segmento antipolítico é indignado com a proliferação de partidos políticos, alguns dos quais são explicitamente legendas de aluguel, incluindo o PSL pelo qual Jair Bolsonaro e os parlamentares bolsonaristas foram eleitos. É indignado com a reeleição de parlamentares corruptos, que embora suspeitos ou alvo de investigações ainda não sofreram condenação em segunda instância, o que os livra da condição de ficha suja. É mais indignado ainda com a ampla presença de deputados semianalfabetos, uns "zés ninguém" ou "zé manés", que só cuidam dos interesses dos seus redutos eleitorais, negociando emendas, em troca de apoio. 
Ao se propor acabar com tudo isso, caracterizado como "velha política" conquistou o apoio desse segmento que veio a se transformar na terceira camada do bolsonarismo.

Bolsonaro assumiu a Presidência da República, cumprindo o compromisso. Não fez o loteamento político dos Ministérios. Não articulou uma base de apoio, um instrumento fundamental do presidencialismo de coalizão. 
Foi além da sua posição antipolítica: passou a tratar  - na prática - o Congresso, com total desprezo. Não se empenhou em articular ou negociar o apoio para a aprovação das propostas do Governo, assim como para manter os vetos de projetos aprovados pelo Congresso. 
Diante desse comportamento o Congresso assumiu o papel de discutir e aprovar as medidas legais, nem sempre atendendo aos propósitos do Executivo. 
A reação de Jair Bolsonaro a esse protagonismo do Congresso é mobilizar o povo para ir às ruas para pressionar o Congresso. Os mais radicais pedem o fechamento do Congresso, para o Presidente poder governar mediante decretos-leis ou similares, sem ter que passar pela aprovação legislativa.
Essa camada bolsonarista está cada vez mais aguerrida e está convocando a população para um amplo movimento nas ruas no dia 15 de março. O máximo que conseguirá mobilizar será dos bolsonaristas mais fieis, insuficientes para lotar as avenidas. 







quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Bolsochavismo

Logo após a eleição de Jair Bolsonaro, neste blog, apontamos as semelhanças de Bolsonaro com Hugo Chavez, outro militar subalterno rebelde, com grande carisma pessoal e oponente das instituições. 
O ideal de Bolsonaro é o sistema implantado por Chavez, com sinal ideologico trocado: uma ditadura de direita, com controle do Judiciário, um Legislativo submisso ao Governo, sustentação popular através de milícias e, acima de tudo, o apoio militar.
A mensagem de Bolsonaro, com eco popular, é "quero mudar o Brasil, fui eleito por 58 milhões de votos para isso e eles não querem deixar."
Eles quem? Ora, os "canalhas". Como Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, entre os mais notórios, escolhidos como principais alvo das manifestações bolsonaristas, marcadas para 15 de março, nas principais avenidas do país.
Para reforçar a mobilização os organizadores estão usando um suposto apoio militar, a partir de uma reação do General Heleno, mas com infiltração dentro de todos os níveis das Forças Armadas.
O desejo é continuado, mas seria o melhor momento para deflagar o movimento? 
Os bolsonaristas acham que sim, em função de um confronto entre o Congresso e o Executivo, em torno do aumento das verbas para as emendas orçamentárias impositivas, dentro da LOA (lei orçamentária anual de 2020). Bolsonaro vetou e o Congresso ameaça derrubar o veto. O dispositivo dá mais recursos para os parlamentares e reduz as verbas gerenciadas pelo Executivo.
Para manter o veto, grupos bolsonaristas, insufladas pelo Governo, organizaram um movimento de rua para o dia 15 de março deste ano. Uma reação, aparentemente repentina do General Heleno, captada indevidamente e difundida pelas redes sociais, levou os organizadores a ampliar o escopo da mobilização, focando como alvos os Presidentes das Casas do Congresso: Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Difundindo um suposto apoio militar. Se há mesmo esse apoio, a teoria da conspiração dirá que a gravação não foi acidental, mas proposital e a senha para iniciar a mobilização e consolidar o apoio militar por um regime autoritário. Dentro da visão de que só com um presidencialismo que não seja refém do Congresso e também do Judiciário, conseguirá implantar as mudanças que - segundo eles - o Brasil precisa.
Jair Bolsonaro foi além de um apoio tácito. Explicitou o apoio pela difusão dos vídeos de mobilização.
Parte do Exército, verbalizados pelo General Santa Cruz, é contra a utilização do apoio militar para a mobilização. Outra continua sendo "a grande muda". A maior parte, provavelmente, acha que a mobilização agora por um regime autoritário é prematura e que poderá abortá-la.
A sorte está lançada. De agora até o dia 15 proliferarão teorias conspiratórias em torno do efetivo apoio militar.
O dia 15 de março dará o indicador do efetivo apoio da população aos propositos "chavistas" de Jair Bolsonaro.
Esse indicador será constituido por dois números: o total das cidades em que haverá mobilização de rua e a soma do total de manifestantes nas ruas. 

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Confronto militar

O  motim da Polícia Militar no Ceará representa uma grave quebra na hierarquia militar e um ato de indisciplina, não tolerada por grande parte do Comando das Forças Armadas.
Interferências políticas fazem com que não seja mais unanimidade dentro desse Comando.
O Governo do Estado, sozinho, não tem condições de controlar o motim. Precisa negociar, mas precisa ser firme e prender as lideranças. Precisa do apoio do Governo Federal e, principalmente, do Exército.
O Presidente da República, comprometido politicamente com a corporação, não assume a repressão à indisciplina, até porque ele é um dos iniciadores, nos anos 90, dos atos de indisciplina. Em 2017 foi um dos mentores do motim da corporação no Espirito Santo.
O Ministro da Segurança Pública, atrelado ao Presidente da República, perdeu as condições de iniciativa, o que fez em janeiro de 2019. Ficou omisso.
Diante da gravidade do motim, ampliada por um gesto tresloucado do ex-governador do Estado, atualmente Senador, licenciado, e pela ação de encapuzados o Exército resolveu reagir, independentemente de comando do Presidente.
A ação dos encapuzados indica uma movimentação do "lado podre" da corporação, migrando para as milícias. 
Nem todos os encapuzados podem ser policiais militares, da ativa ou da reserva, mas entre eles haverá alguns, como ocorre com as miliciais no Rio de Janeiro, onde o ex-capitão Adriano se tornou o mais conhecido.
Os eventuais identificados serão obrigatoriamente punidos e provavelmente expulsos da corporação. Poderão ser anistiados, mais à frente, como já ocorreu em casos similares.
Mas expulsos, sem direito aos proventos da reserva buscarão na organização das milicias, a condição de sobrevivência: como matadores de aluguel, para "acabar" com os traficantes, ou cobrar taxas de segurança dos comerciantes e demais pessoas.
Só uma forte intervenção militar mitigará esse processo. A intervenção no Rio de Janeiro, mostrou uma redução, mas não a eliminação da ação das milicias.
A ação do Exército mostrará uma divisão dentro do "quadro militar do Planalto" onde no meio dos generais, há um "estranho no ninho", oriundo da corporação da polícia militar. Com o apoio de um Presidente híbrido, com uma carreira militar interrompida, dentro do Exército, para se tornar o principal representante político das corporações policiais. 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Invasões rurais

Por pressão de alguns proprietários rurais, invadidos pelo MST e outros ditos movimentos sociais, Jair Bolsonaro quer colocar o Exército para retirar os invasores, após decisão judicial de reintegração de posse. Porque, segundo esse grupo de apoio de Bolsonaro, os Governos Estaduais são lenientes e não usam adequadamente as suas polícias para a desocupação das propriedades.
Os fatos são reais, mas não são apresentados dados para mostrar a extensão atual do problema.
Existem dois problemas correlatos que podem produzir danos colaterais.
O Exército pode intervir e ser bem sucedido na missão. Mas podem ocorrer situações de violência, com a reação e resistência dos invasores, gerando mortes. 
Ai não interessa o fato. O que prevalecerá será a versão transmitida e analisada pela mídia. Será contra a "truculência" dos militares, prejudicando a imagem perante a sociedade urbana.
Os bolsonaristas acham que GLO é solução para qualquer reação popular. Os comandos das Forças Armadas estarão a favor?
Por outro lado há um grande volume de invasão de terras indígenas, assim como de áreas da União, pelo garimpo irregular. Constatada a invasão, o Governo solicitará judicialmente a reintegração de posse, para retirá-los legalmente dessas propriedades? Se eles não sairem, pacificamente, mandará o Exército para retirá-los?
"O pau que bate em Chico, bate em Francisco". 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Prenúncio de chilenização


O caminhão com a equipe campeã do Flamengo deu um drible nos  fãs desviando-se à esquerda quando a sua direção era a direita onde estavam os ônibus do clube, esperando para a transferência dos jogadores sem a multidão dos seus torcedores.
Alguns torcedores perceberam a manobra e tentaram chegar próximo aos jogadores, no que foram impedidos pelas barreiras físicas e de tropas da Polícia Militar. Ao tentarem rompê-las foram reprimidos por bombas de gás lacrimogênio. Alguns torcedores reagiam jogando sandálias e depois pedras, criando um tumulto durante quase uma hora.
Não houve grande difusão da manifestação de violência, limitada a alguns revoltados quebrando e jogando tudo o que tinham pela frente contra os policiais. Foi uma ruptura de comportamento dentro uma grande festa, com uma multidão comemorando uma conquista e não uma mobilização de contestação.
Mas a revolta de algumas dezenas, talvez de uma centena de pessoas revoltadas contra uma proibição de locomoção para chegar junto aos seus craques e subsequente repressão, indica um ambiente propenso à explosão, como tem ocorrido em outras cidades na América do Sul e outras partes do mundo. Mesmo quando o movimento popular é movido pela felicidade.
Passar da comemoração para a contestação, da manifestação de alegria para a fúria, basta acender o estopim, que pode ser o ato de um policial despreparado, contra algum manifestante, gerando a revolta de outros.
O povo está reprimido, com muitos sem emprego, “virando-se como pode”.
O Flamengo deu uma oportunidade desse povo se liberar, começando por uma esperança: a conquista da Taça Libertadores da América, em nome do Brasil. Uniu as diversas torcidas, mesmo as tradicionais adversárias. Passou com um grande sofrimento vendo o River Plate com a “mão na taça” decorridos mais de 90 minutos do jogo, quando em poucos minutos virou e o povo explodiu de alegria. Reunindo uma imensa multidão para recepcionar os seus craques.
Como o Carnaval foi um momento fugaz. Terminou com a realidade de uma polícia reprimindo manifestantes. O caminho do amanhã foi mostrado no último momento do jogo.

domingo, 10 de novembro de 2019

Atacar o ponto fraco

Numa contenda direta a principal estratégia é identificar o ponto fraco do adversário e desestabilizá-lo, atacando-o. Atacar os seus pontos fortes do adversário só o fortalece. O ponto fraco das pessoas, em geral, é algo que ele é, ou já fez anteriormente e não quer revelado. 
Jair Bolsonaro é autoritário e protege os seus filhos a todo custo. Acusá-lo disso é para ele um elogio. Acusar Lula de bandido, não o atinge. Ele não se sente como tal e sente-se fortalecido quando acusado pelos inimigos. 
Lula, no seu discurso no ABC em São Paulo, refutou os seus companheiros que estariam querendo "derrubar" Bolsonaro por ser de direita, autoritário e defensor do regime militar iniciado em 64. Defende a legitimidade da eleição de Bolsonaro e ai aproveita para uma estocada certeira. Insinua o seu relacionamento com as milicias do Rio de Janeiro.
A divulgação de uma notícia de que o porteiro do condominio onde tem casa no Rio de Janeiro  o citou, teve uma resposta imediata furiosa e descontrolada, por um live, gravado ainda na madrugada na Arábia Saudita. Sentiu uma estocada no seu ponto fraco e identificou o autor. Dai a reação. 
Ele não participou do assassinato de Marielle Franco, não foi o mandante, tampouco soube da operação. Sabe muito bem o que não fez e, portanto, não tinha razão para o descontrole.  Esse tem outra causa.
As investigações apontam, cada vez mais, para a participação de uma milicia do Rio de Janeiro que atua na região da comunidade de Rio das Pedras, na entrada da Barra da Tijuca. 
Há antecedentes das relações da família com as milicias, em particular com essa. É isso que ele não quer ver revelado. Por que atinge diretamente o seu filho 01 e, indiretamente, a ele. 
Esse parece ser o seu ponto fraco, o mais sensível. E Lula sai atacando exatamente esse ponto. Mas Bolsonaro depois de tê-lo exposto no episódio do Jornal Nacional, parece tê-lo protegido, pelo menos do ponto de vista psicológico. 
A luta apenas está começando.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Mobilizar a sua turma


Os Bolsonaros estão buscando mobilizar a sua turma para ir às ruas dar apoio a medidas de exceção, manifestar-se pelo fechamento do Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Eles entendem que o Governo Bolsonaro está indo bem, com indicadores econômicos positivos, em termos de inflação, taxa de juros, dólar, índice da Bolsa de Valores, mas ainda com dados insatisfatórios em termos de taxa de crescimentos econômico e de redução dos níveis de desemprego. Só não está melhor porque – segundo eles – as “hienas” que não querem perder os seus privilégios não deixam o Leão Bolsonaro trabalhar.
Para eles existem os nossos e o resto, formado pelos inimigos. Eles só falam nas redes sociais para os seus. Dizem o que eles querem ouvir e são aplaudidos e apoiados. O apoio se manifesta na disseminação das suas mensagens.
Tudo o que postam é deles mesmo, deliberadas, voltadas para o seu público. Quando tem uma reação contrária muito forte, retiram a peça, pedem desculpas e vão em frente, seguidos pelos seus adeptos.
O alvo da hora é o Supremo, em função da provável decisão do colegiado contra a prisão após confirmação de sentença condenatória em segunda instância judicial. Essa é a caracterização técnica. A popular é “soltar todos os bandidos e corruptos” promovendo a impunidade. Essa visão indignada tem uma grande adesão dos “lava-jatista”, que tem em Sérgio Moro o seu grande ídolo.
Mas essa população contra os bandidos tem um segmento a favor da decisão do TSE quando essa pode promover a libertação de Lula, para os bolsonaristas o pior de todos os bandidos.
A ilusão de Eduardo Bolsonaro é promover a dia do séquito bolsonarista às ruas contra o TSE e a favor de Moro. Promover a provocação dos petistas, com a incitação dos black blocs, gerar vandalismo e radicalização para justificar uma intervenção do Exército para garantir o poder do pai, e editar um novo AI-5. O que poucas pessoas sabem o que é: para Eduardo Bolsonaro é o fechamento do Congresso.
Na alegoria bolsonarista é o leão “patriota conservador”, mas que junto com o Leão Bolsonaro enfrenta as hienas. Mas não apenas para espantá-la, mas para exterminá-las.
Existem algumas palavras malditas dentro da sociedade brasileira: uma é CPMF, outra AI-5. Poucos sabem o que é mal, mas são tomadas como símbolo do mal.
Eduardo Bolsonaro não se deu conta da maldição, justo no dia do “halloween”. Ele como chapeiro de hamburger nos EUA deveria bem lembrar. Esqueceu e agora vai ser queimado na fogueira das bruxas.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Rosa com espinhos



O voto de Rosa Weber, preferindo o seu entendimento pessoal, em detrimento à colegialidade, que determinou o seu voto anterior, praticamente antecipou o resultado final do julgamento sobre a possibilidade de prisão após confirmação de condenação em segunda instância.
A formação atual do STF contempla dois juízes, intrinsecamente garantistas – Celso de Melo e Rosa Weber – três juízes “lava-jatistas” e 4 circunstanciais. Estes têm fundamentos jurídicos e convicções pessoais, mas votam segundo as circunstâncias.
Jair Bolsonaro aproveito a condição de ficha limpa nas denúncias e embarcou no barco do “lava-jatismo” o que ajudou em muito a sua eleição. Depois de eleito consolidou essa posição convidando o líder do “lava-jatismo” o Juiz Sérgio Moro, para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública e lhe prometer amplos poderes, como um Super-Ministro.
O Juiz Sérgio Moro operou no limite da legalidade, às vezes ultrapassando um passo e depois retornando, mas deixou rastros, agora usados pelos seus oponentes. Sempre entendeu que sem o uso de prisões preventivas, sem prazo, não conseguiria as delações premiadas e sem julgamentos acelerados não condenaria os evidentes culpados.
Teve apoio das instâncias superiores, mas nunca plenamente do STF.
As contestações de Juizes do STF, em decisões monocráticas ou em turmas, foi assumida pelos bolsonaristas, como oposição aos seus princípios. Assumiu a liderança das mobilizações populares, principalmente nas redes sociais, dos movimentos contra o STF, criando a imagem de “inimigos da Lava-Jato”. O filho Eduardo foi além: defendeu o fechamento do STF e que bastaria um cabo e um soldado para fechá-lo.
Com o levantamento de ações indevidas da família, os Bolsonaros abandonaram a defesa irrestrita da Lava-Jato e de Sérgio Moro, no que não foram acompanhadas por grandes parte dos seus adeptos que mantiveram o apoio ao agora Ministro Moro, e forte contrariedade e indignação ao STF, considerando os seus Juizes cúmplices da impunidade.
Confirmada a decisão do plenário do STF contra a prisão após a segunda instância eles irão às ruas e caminhoneiros prometem parar as estradas.
Os movimentos serão inevitáveis, mas poderão ser pontuais ou ganhar amplitude. Dependerá do apoio dos demais segmentos da sociedade. Uma grande parte está frustrada com  o Governo e podem se mobilizar contra este.
Os bolsonaristas radicais defendem um “golpe” para fechar o Congresso e o STF.
Bolsonaro vende a imagem, assumida pelos seus fiéis de que quer trabalhar pelo Brasil, mudar o Brasil, mas o Congresso e o Judiciário não deixam.
O problema, de momento, é que com a aprovação da Reforma da Previdência, que será promulgada na mesma época da decisão do STF enfraquece essa posição.
Com a sociedade dividida, com os bolsonaristas divididos, dificilmente os movimentos anti STF ganharão amplitude, como ocorreu recentemente no Equador, ainda se mantém no Chile com grande ativismo da esquerda. Já movimentos em outros países tem como foco a contrariedade da população com a corrupção política. Se esse tema unificar os movimentos serão também contra o Congresso e contra o Governo e seu Presidente.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Os evangélicos vão manter o decreto das armas?



Jair Bolsonaro crê intima e fortemente que os quase 58 milhões de votos que recebeu em outubro de 2018 lhe dão autoridade pessoal para cumprir as promessas que - supostamente - todos esses eleitores apoiaram. 
E faz uso da sua caneta para tal. Como fez com o decreto de flexibilização das armas.
Diante da resistência ou oposição do Congresso em aceitar esse poder, busca a mobilização dos grupos de apoiadores para pressionar os parlamentares.

A maioria dos Senadores optou por resguardar as suas atribuições constitucionais e aprovou a revogação do referido decreto.


Para evitar que seja revogado também na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro vem reforçando o seu relacionamento direto com o "seu povo" e foi à tradicional Marcha por Jesus:  realizada anualmente em São Paulo, levando às ruas milhares de evangélicos. 

A politização de um amplo movimento de rua, que é baseado na mensagem de "paz e amor", com a proposta de "guerra", ainda que contra os bandidos, leva ao risco de "cair no vazio". 

Teria sido uma mensagem imprópria e inoportuna.

Além disso, para organizar o apoio, filiou-se a lideranças de igrejas de menor porte, abandonando ou não buscando Silas Malafaia, o líder da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, a denominação que tem o maior número de adeptos e a maior participação na bancada evangélica, a bancada da bíblia. 
Não estavam no palanque, ao lado do Pastor Marco Feliciano,  um dissidente e desafeto de Malafaia, os principais representantes deste: Sóstenes Cavalcante e Silas Câmara. 

Jair Bolsonaro, pela sua personalidade, não é um agregador, mas um separador. Como tal corre o risco de nem a unanimidade da bancada evangélica conseguir para brecar a revogação do decreto das armas, na Câmara. 


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O lulismo sobreviverá sem a presença física de Lula?

Quem tem votos dos mais pobres, principalmente, no Nordeste é Lula, com o lulismo. Não é o PT, tampouco o petismo, que nem sempre coincide com o lulismo. Esse tem como base fundamental o consumismo: significa a melhoria de vida pela capacidade de consumo. Significa poder comer bife todos os dias. Ou "menas": ter três refeições por dia. 
Não é a cartilha da esquerda que foca o confronto com o capitalismo, com o patrão, com o mercado.
Lula desenvolveu uma cartilha própria, que tem grande aceitação pelos eleitores. 
Não tem herdeiros, nem mesmo apóstolos. 
O Andrade é petista, mas não é lulista. 
O mais grave: resiste em ser falso. Resiste em assumir uma personagem. O que Dilma soube fazer com competência, seguindo rigorosamente o "script" de João Santana. Agora não tem mais nem João.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A quase paralisação do país

Os caminhoneiros autônomos organizaram uma paralisação das suas atividades,  com o objeto principal - senão único - de estabilização do preço do óleo diesel.
Posicionaram-se contra a política adotada pela Petrobras de correção automática, quase diária, do preço dos combustíveis.
Como sempre, o grande lema foi "sem o caminhão, o Brasil para". 
A proposta de "parar o Brasil", teve o imediato apoio de grande parte da sociedade brasileira, principalmente da classe média que difundiu o apoio pelas redes sociais: a greve dos caminhoneiros viralizou.
O "povo brasileiro" cansado e irritado com um Governo, presidido por um suspeito de corrupção, com os políticos igualmente corruptos, assumiu a idéia de "parar o Brasil". No inconsciente ou imaginário popular "parar o Brasil" significaria derrubar essa estrutura política, carcomida pelos malfeitos.
Com o apoio da população, os caminhoneiros se sentiram "empoderados". Passaram a ser líderes de um amplo movimento nacional para "parar o país". E ampliaram as suas reivindicações.
Com o seu fortalecimento,  outros grupos "pegaram carona" no movimento, incluindo as suas reivindicações oportunistas. 
E não faltaram os "viuvos de Dilma", para pedir a cabeça de Pedro Parente.
O objetivo efetivo das lideranças resistentes em manter o movimento é politico: derrubar Pedro Parente.
Se não conseguiriam derrubar o Presidente Temer, querem, derrubar Pedro Parente, o principal símbolo da política liberal, que mudou inteiramente o modelo de gestão da Petrobras. 
Querem a volta da era Dilma. 


terça-feira, 10 de abril de 2018

Santo guerrreiro (do povo brasileiro) x o dragão da maldade!


Lula chama os seus adeptos para uma disputa religiosa: coloca os que o veneram contra o lider inimigo venerado por esse. Nós contra eles: Lula x Moro. 

Quanto mais o "inimigo" venera o Moro, mais Lula reforça a adesão dos seus. Mas sempre os mesmos. Forma uma seita que o acompanha.

Lula não tem nenhum apóstolo que o substitua. A figura que mais se encaixa, na perspectiva do embate contra a elite, não está no PT. Está em outro partido. É Guilherme Boulos. Mas Boulos não é Lula.

A dúvida maior sobre a permanência da adesão a Lula está no eleitorado do Norte-Nordeste, onde está um grande volume de eleitores que venera o Lula e mais propenso a aceitar a versão de vítima do seu inimigo. Do Santo Guerreiro, contra o Dragão da Maldade. 

O Dragão Moro conseguiu uma vitória prendendo o Santo Guerreiro, do povo brasileiro. 

Mas a esperança é que surgirá um novo guerreiro que com o apoio dos eleitores que veneram Lula, para salvá-lo. Vencendo as eleições, com os votos deles. E destruindo, a seguir, o dragão. E liberando a princesa. Ops!: o perseguido Lula.

sábado, 17 de março de 2018

Marielle, Globo e sociedade

O assassinato de Marielle Franco seria apenas mais uma morte violenta para aumentar as estatísticas da violência urbana no Rio de Janeiro.

Seria uma notícia policial como várias outras, relevante, porém não com mais de uma e única chamada no Jornal Nacional e outros noticiários de menor audiência.

Porém a Rede Globo, um conglomerado acusado de direita, anti-esquerda, combatida ferozmente pela mesma esquerda radical, da qual Marielle fazia parte, resolveu pautar o assassinato da vereadora como um fato diferenciado, notório e excepcional.

O que seria apenas mais um crime violento no Rio de Janeiro, com promessas de investigações rápidas, foi tornado pela Rede Globo num evento político, com alguma repercussão internacional, amplificada pela própria rede.

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...