Ação e reação

A politização da Marcha para Jesus, promovida pelo Presidente Jair Bolsonaro, não só com a sua presença, como pelo lançamento da sua pré-candidatura à reeleição em 2022, provocou - dentro do esperado - uma reação na manifestação da "Parada Gay", também com a sua politização, ainda que em termos menores. Não foi das suas lideranças, mas de alguns grupos de manifestantes.
Se Bolsonaro quis mostrar apoio popular, com os milhares de evangélicos, teve resposta imediata de um volume maior de LGBTs nas ruas de São Paulo. 

Jair Bolsonaro crê intima e fortemente que os quase 58 milhões de votos que recebeu em outubro de 2018 lhe dão autoridade pessoal para cumprir as promessas que - supostamente - todos esses eleitores apoiaram. 
E faz uso da sua caneta para tal. Como fez com o decreto de flexibilização das armas.
Diante da resistência ou oposição do Congresso em aceitar esse poder, que decorreria do efetivo apoio popular, busca a mobilização dos grupos de apoiadores para pressionar os parlamentares, afim de confirmarem as decisões presidenciais. 
De um lado a maioria dos Senadores optou por resguardar as suas atribuições constitucionais e aprovou a revogação do referido decreto.
Para evitar que seja revogado também na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro vem reforçando o seu relacionamento direto com o "seu povo" e foi à tradicional Marcha por Jesus, realizada anualmente em São Paulo, no dia de Corpus Christi, um feriado religioso católico. 
A politização de um amplo movimento de rua, baseado na mensagem de "paz e amor", com a proposta de "guerra", ainda que contra os bandidos, leva ao risco de "cair no vazio". Não teria força para mobilizar os evangélicos para pressionar os deputados.Teria sido uma mensagem imprópria e inoportuna.
Além disso, para organizar o apoio, filiou-se a lideranças de igrejas (denominações) de menor porte, abandonando ou não buscando Silas Malafaia, o líder da Assembléia de Deus Vitória em Cristo, a denominação que tem o maior número de adeptos e a maior participação na bancada evangélica, a bancada da bíblia. 
Não estavam no palanque, ao lado do Pastor Marco Feliciano, um dissidente e desafeto de Malafaia, os principais representantes dele: Sóstenes Cavalcante e Silas Câmara. 
Jair Bolsonaro, pela sua personalidade, não é um agregador, mas um separador. Como tal corre o risco de nem a unanimidade da bancada evangélica conseguir para brecar a revogação do decreto das armas, na Câmara. 

(cont)

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