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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

O "agro-humanista" é o futuro do Brasil

Os grandes produtores de grãos já semearam a produção da nova safra, a qual deverá alcançar novos recordes, impulsionado pelos bons resultados da safra deste ano. 

Por outro lado, o mundo estará demandando os grãos e outros produtos do agronegócio para atender a consumos maiores por alimentos, além da reposição de estoques.

Diante da pandemia e, principalmente, vencida a pandemia, depois dos cuidados com a saúde, a principal prioridade dos Governos será a segurança alimentar. Um amplo desabastecimento de alimentos, ou forte aceleração nos preços dos mesmos, "derruba Governos".

Para muitos países, com carência de terra e de outras condições para a produção agro-pecuária o Brasil é a "tábua de salvação".

É uma grande oportunidade para o Brasil. 

Mas vê-la apenas pela dimensão econômica leva ao risco da especulação, da exploração indevida da oferta brasileira e organização ou fortalecimento de cartéis e monopólios. 

Será terrível, mas não está fora de risco, o aproveitamento daqueles que só querem ampliar os seus ganhos e deixar milhões de pessoas sem comida, porque não chegarão a elas.

Sem a incorporação da dimensão  humanista, no sentido de destinar as grandes produções do seu agronegócio para vencer a fome no mundo, as contestações mundiais - usando os argumentos ambientais - serão crescentes.

Por outro lado, o agronegócio humanista ajudará a melhorar a imagem internacional do Brasil. 


domingo, 18 de outubro de 2020

A missão humanitária do agronegócio

 O agronegócio brasileiro é indubitavelmente um grande sucesso produtivo e econômico. Enfrenta contestações ambientais, mas tem uma missão mundial, mais ampla, que precisa ser melhor entendida pela sociedade brasileira: contribuir decisivamente para acabar com a fome no mundo.

O mundo já tem 7,5 bilhões de pessoas e, segundo a FAO, em 2019, ainda 690 milhões passaram fome. 

A população mundial continua crescendo e poderá chegar a 9 bilhões em 2035 e 10,5 em 2050 (segundo as estimativas da ONU).

A população  dos países de renda alta tende à redução progressiva e ao envelhecimento da sua população, sendo cada vez mais exigente em relação à saudabilidade dos alimentos.

Os países de renda média manterão pequeno crescimento, no conjunto, mas não de forma uniforme. O Brasil tende a seguir a tendência dos ricos, enquanto China e outros países asiáticos ainda seguirão crescendo, ainda que a taxas menores.

Os maiores crescimentos serão em países de renda baixa, principalmente na África e na Ásia, onde a perspectiva é de parte da população ainda passe fome.

Mesmo em países de renda média como o Brasil, dada a desigualdade de renda, parte da população ainda passará fome. Segundo a FAO, no período 2017 a 2019, antes da pandemia do novo coronavirus, 43 milhões de brasileiros teriam passado fome.

O Brasil é o país que tem as melhores condições para ajudar a eliminar a fome no mundo. Além das condições climáticas favoráveis, através da tecnologia passou a aproveitar terras anteriormente improdutivas. E conta com empreendedores inovadores, dispostos a investir continuamente, no aumento  da produtividade e melhoria da qualidade dos produtos.

Para efetivar o aumento da produção de alimentos e cumprir a missão humanitária contra a fome precisará superar diversos desafios:

  1. viabilizar e reduzir o custo logístico que encarecem o preço dos alimentos na ponta final para o consumidor, tornando-os inacessíveis, para os mais necessitados;
  2. aumentar a produção, sem promover desmatamento, utilizando preferencialmente (ou exclusivamente) áreas degradadas, mediante uso intensivo de tecnologia para a sua recuperação;
  3. superar a imagem negativa em âmbito internacional do agronegócio, em relação ao impacto ambiental;
  4. processar os seus insumos alimentares em comida pronta ou semi-pronta para consumo, uma vez que as pessoas precisam comer a comida pronta e não as matérias-primas;
  5. garantir a saudabilidade dos alimentos;
  6. evitar a monopolização ou  cartelização  (ou garantir a livre concorrência) na comercialização ou processamento dos alimentos;
O principal protagonismo no enfrentamento dos desafios deve ser do próprio agronegócio, com apoio institucional do Estado. Não pode esperar por iniciativas do Governo, mas sair à frente e conquistar o apoio  da sociedade urbana brasileira.

Não bastam campanhas de que Agro é tech, agro é pop. É preciso demonstrar que Agro é sustentável e que Agro tem missão humanitária.

Agro é solução contra a fome, ou Agro é o fim da fome. 

Mas até alcançar essa condição será necessário superar os desafios acima referidos.

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Renda Brasil x Bolsa Família

O Bolsa Família foi formulado por Ruth Cardoso - antropóloga, com amplo e profundo conhecimento da cultura brasileira – como um benefício pecuniário continuado, suficiente para vencer a fome, mas insuficiente para que o beneficiário se acomodasse, deixando de buscar trabalho, para melhorar a sua renda. Não era uma medida populista, mas um instrumento de promoção social.

Lula implantou de forma ampliada e sem burocracia.

Essa implantação teria propiciado a Lula a sua reeleição em 2006 e a primeira eleição de Dilma Rousseff.

Com a pandemia do cornavirus o Governo e a sociedade organizada “descobriram” uma multidão de pobres, fora do mercado de trabalho formal.

Para a sobrevivência dessa população o Ministério da Economia propôs um auxílio emergencial, no valor de R$ 200,00 mensais, durante 3 meses. O Congresso propôs aumentar para R$ 500,00. Bolsonaro num dos seus arroubos propôs aumentar para R$ 600,00 mensais.

Conseguiu reverter a queda de popularidade e ganhar parte do eleitorado do Nordeste.

O número de beneficiários foi muito superior ao esperado e eles estão contando com a continuidade.  A descontinuidade leva à perda do apoio popular.

Para a manutenção continuada do auxílio-emergencial, mesmo em valores menores, precisa compensar com cortes em outras despesas. As opções de Guedes são de cortes em outros benefícios.

Bolsonaro preferiu suspender a ideia de um “Renda Brasil” em substituição do Bolsa Família.

Não é uma desistência definitiva, mas um adiamento para 2022, para ter influência na sua reeleição.

Prefere perder agora, para recuperar mais à frente, contando que os beneficiários reagem diante de situações concretas, desconsiderando passado e futuro.

É apenas um recuo estratégico, dentro do objetivo de reeleição.


sábado, 12 de setembro de 2020

Mulheres na política

 Se todas as eleitoras são um pouco mais que todos os eleitores- homens, porque são tão poucas as mulheres nos cargos eletivos? Por que é preciso estabelecer obrigações partidárias a adotar quotas para ampliar o número de mulheres candidatas?


As razões usuais apontadas são o machismo - a discriminação pelos dirigentes partidários contra as eventuais candidatas, ainda mais se forem negras. 
Seria por isso ou pela falta de interesse delas em ingressar na política?
Essas escondem a razão principal: a baixa capacidade das mulheres candidatas em conseguir votos. Elas não são eleitoralmente fortes, teriam limitado potencial eleitoral, salvo exceções.

Supostamente, elas não conseguem sensibilizar um número de eleitoras e também eleitores para alcançar a quantidade de votos necessários para a sua eleição. No regime de proporcional* vigente no Brasil, dependem também do partido pelo qual estão registradas. Até as eleições passadas, ainda prevalecia o sistema de coligações também para as eleições parlamentares o que foi abolido, permanecendo apenas para as eleições majoritárias, isto é, para os cargos eletivos dos Executivos e também para a senatoria.
*Todos os votos dos inscritos pelo mesmo partido são somados para, em função do quociente eleitoral, definir o número de eleitos pelo partido. Os que forem classificados, pelo número de votos, dentro da quota do partido são eleitos.
Isso fazia com que o interesse dos partidos em inscrever mulheres era para somar votos para esses, contando que elas não conseguiriam reunir votos suficientes para serem eleitas e apenas ajudar os outros a serem eleitos. Poucas conseguiram superar essa barreira, sendo eleitas, ajudada pelos outros e não o oposto.
Elas tem sido convocadas para concorrer como vices, nas eleições majoritárias. O pressuposto é que elas somam, sem subtrair e, portanto reforçam a votação do candidato principal, seja Prefeito, Governador e mesmo Presidente da República (vide o caso agora das eleições presidenciais norte-americanas). Elas trariam votos do seu reduto eleitoral que seria pouco acessível ao candidato principal. Além do mais, melhoraria a imagem do candidato junto a um eleitorado simpático à presença de mulheres, negros e indígenas, indicando que aquele não seria preconceituoso ou discriminante. É uma jogada políco-eleitoral, que não aceita o inverso, isto é, a candidata principal ser mulher e, preferencialmente, negra e o candidato a vice um homem branco.


Grande parte das mulheres que foram eleitas para o Congresso Nacional não foi de forma independente e pelas suas próprias forças. Substituíram marido, irmão, pai e outros parentes, herdando os votos deles.
A deputada federal Soraya Manato, eleita no Espirito Santo, substititui o marido Mannato, que se candidatou ao Governo do Estado sem sucesso. Daniela Vaguinho é esposa do Prefeito de Wagner Carneiro, Prefeito de Belford Roxo, Rio de Janeiro e há ainda várias outras que herdaram votos de maridos, irmãos e pais.
Não obstante, há várias deputadas federais, eleitas a partir de carreira política própria, principalmente na área da educação, seja ocupando cargos administrativos, como Secretária de Educação, ou lideranças sindicais da corporação dos profissionais de educação. No primeiro caso, a Professora  Dorinha, em segundo mandato como deputada federal - DEM - eleita por Tocantins, ganhou notoriedade como articuladora da aprovação do FUNDEB, pela sua função de relatora do projeto de lei. No segundo caso, a prof Rosa Neide - PT - Mato Grosso, foi líder sindical, mas também exerceu cargos administrativos na área de educação. 

A corporação dos profissionais de ensino/educação, onde as mulheres são ampla maioria, é uma das mais ativas para eleger seus representantes para cargos eletivos parlamentares, em todos os níveis (municipal, estadual e federal).
Uma questão a ser melhor avaliada é se essas professoras são eleitas exclusiva ou predominantemente (mais de  80%) com os votos da corporação, adicionados pelos pais dos alunos e alunas, ou se conseguem ampliar o seu eleitorado, sensibilizando corações e mentes de outros segmentos, não ligados diretamente à educação.

Em função do pequeno número de mulheres eleitas e das discriminações, foram se formando grupos de "resistência" ou de "contestação" para fomentar o crescimento do número de mulheres concorrentes e eleitas. Elas mesmo organizaram movimentos, organizações não governamentais, formando "tribos", sendo elas as líderes tribais, arregimentando líderes comunitárias, corporativas ou defensoras de causas específicas. Com isso contam com uma base de votos "tribais", alimentando as participantes, com teses, discursos, palavras ou frases chaves, mantras para que essas "abracem" a causa e disseminem para outras, formando uma rede. Comunicam entre si, dentro do "nóis, com nóis".

Animam-se pelas adesões externas de simpatizantes,  que nem sempre se concretizam em votos. Por outro lado sofrem oposição de grupos mais conservadores. A reação passa ocorrer pela visão de que esses grupos de resistência passam a ser vistos como discriminadores, aceitando só os seus e repelindo os demais. 

As suas corporações ou redutos são suficientes para a eleição de uma representante, mas dificilmente conseguem duplicar ou multiplicar sua representação.  Dai o número relativamente reduzido de mulheres no conjunto. 

Para ampliar o número de mulheres com força eleitoral, elas precisam extrapolar a sua corporação ou tribo, para atuar como políticos, independentes da sua conotação de gênero e raça, ou de representação corporativa feminina.

Precisam "pensar Brasil", ou "pensar a cidade como um todo", no caso de candidatura a Prefeita ou vereadora, de forma não discriminatória. 

Podem adotar diversas matizes ideológicas, mas dentro da visão "do que é melhor para o Brasil" ou "o que é melhor para a cidade, como um todo". 

Elas deverão buscar os votos dos eleitores, em geral, em função de suas propostas para a cidade, no caso das próximas eleições municipais, e não como mulher e negra. Mas sem desprezar ou abandonar  o apoio e os votos do seu reduto.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Novas ilusões urbanas

Um editorial do Estadão de ontem (30.08.20) "As cidades no pós-pandemia" coloca uma contradição recorrente do desenho das cidades: a sua origem baseada na reunião das pessoas, morando de forma dispersa promovendo o seu encontro, confraternização e sociabilização e a necessidade de descentralizações, quando crescem demais levando ao risco da separação, distanciamento entre as pessoas, comprometendo a sociabilidade. Como coloca o texto do jornal: "Por isso devem ser orientadas por uma atitude cardeal: resistir à desagregação da cidade em indivíduos atomizados, fortalecendo em todos o senso de congregação numa coletividade orgânica, como membros de um corpo vigoroso. "
É uma visão histórica da formação das cidades, mas as grandes mudaram inteiramente, embora micro e pequenos muncipios da base rural sigam esse modelo tradicional: as pessoas e suas famílias moram e trabalham em áreas dispersas do território e a cidade é um local de encontro, principalmente para a venda dos seus produtos e troca por insumos. Ao longo do tempo novas atividades de serviços foram surgindo e se estabelecendo dentro da cidade, seja de serviços pessoais, como de correio, agencias bancárias, oficinas e outros, incluindo bares e restaurantes, gerando empregos que trabalhadores que moram ou vão morar na cidade. As oficinas crescem e se tornam indústrias. Outras se instalam em torno das então periferias em relação ao centro da cidade. Em São Paulo, na Mooca, Brás e Água Branca, no Rio de Janeiro, Vila Isabel, com a criação de Vilas Operárias, para evitar o deslocamento dos trabalhadores. 
O crescimento das atividades econômicas inverte o fluxo. O desenvolvimento dos serviços na região central provoca valorização imobiliária e "vai expulsando" os moradores, tanto os ricos como os pobres. Os ricos se instalam em bairros residenciais loteados como tais, como Higienópolis, Jardins em São Paulo. Os pobres para além das periferias originais. A expansão industrial e dos serviços, com a transformação de cidades em metrópoles acelerou esse processo de periferização com os trabalhadores de menor remuneração morando cada vez mais longe do centro, mas continuando a trabalhar na área central, levando-os a se locomover diariamente a longas distâncias.
O fenômeno que ataca as grandes cidades, com milhares de pessoas gastando grande parte do seu tempo em deslocamentos longos e demorados, tanto pelo transporte coletivo como individual, não é decorrente da formação original das cidades, tampouco alcança todos as mais de seis mil cidades existentes no Brasil. 
Limitam-se a centenas de grandes cidades, mas que reunem a maioria da população urbana brasileira. 
Não decorrem da falta de planejamento, mas dos equívocos dos planejamentos estabelecidos. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O Brasil vai bem, mas...


Paulo Guedes tem ido aos EUA para tentar trazer investimentos para o Brasil, mas o que ele consegue, na prática, é afastar e repelir os investidores. Mostra a eles um Brasil inseguro e que se houver mobilização, como no Chile, a resposta será o restabelecimento da ditadura. Não foi o que ele disse, mas como ele foi entendido.
Em política, como em economia, a versão inicial vale mais que os fatos, para a reação das pessoas.
Diz ele que o aumento do dólar, a fuga de capitais nada tem a ver com a soltura de Lula, mas passa a impressão contrária.
Paulo Guedes é um péssimo ator e o que ele diz fora do script econômico é interpretado com o sentido oposto.
A macroeconomia brasileira vai bem nos seus principais sinais vitais, mas com dois sintomas associados preocupantes: uma hemorragia, ainda que controlada, com perda de capitais estrangeiros e causando uma febre, medida pela cotação do dólar.
O problema maior está numa doença incubada, cuja manifestação pode eclodir por alguma incidente: a concentração de renda, com a manutenção de enormes contingentes de pobres e de alguns miseráveis.
Enquanto toda economia vai mal, essa população fica conformada com as más condições de vida, mas quando a economia melhorar e eles se sentem excluídos da festa, podem se revoltar.
Paulo Guedes, com a sua estrita visão “pinochetista (liberalismo econômico com autoritarismo politico)” não quer perceber a bomba que está armando.  
Quanto mais ele disser que o Brasil amanhã não será o Chile de hoje, mais ele infla essa possibilidade.

sábado, 23 de novembro de 2019

Néo bolsonarismo

O bolsonarismo que emergiu como um tsunami em 2018, trazendo Jair Bolsonaro à Presidência da República está sendo parcialmente repaginado, na criação do seu partido: o Aliança para o Brasil, que já está sendo cunhado pela mídia como APB e não como ALIANÇA. Alguns lerão a sigla como "Acordão pró Bolsonaros".
A principal diferença está na perda de importância, quase sumiço do combate à corrupção.
Uma grande massa de eleitores que formou o conjunto de 57 milhões de votos para o Jair foi dos eleitores de menor renda, decepcionados com a "roubalheira" do PT. 
Bolsonaro se apresentou ao povo como um político que apesar de tradicional não havia se envolvido com a corrupção e prometeu acabar com ela. Mas não tem conseguido manter a imagem de "inteiramente limpo". 
Os "lava-jatistas" que tem saído às Avenidas, contra Ministros do STF e em defesa de Sérgio Moro, não tem mantido o apoio irrestrito a Jair Bolsonaro.
Sérgio Moro não cabe no APB e isso tem um impacto eleitoral significativo.
Em 2018, Jair Bolsonaro associou-se aos grupos antiambientalistas, principalmente desmatadores, madeireiros ilegais e grileiros, além dos empresários perseguidos pela indústria da multa ambiental. Os movimentos ambientalistas não deram atenção, não acreditando na possibilidade de Bolsonaro ser eleito. Muito menos que, eleito, iria por em prática as suas proposições antiambientalistas. Cumpriu as promessas e os efeitos reais foram desastrosos para a imagem do Brasil no exterior, afetando as questões comerciais. Se em 2018, não teve a oposição ambientalista passou a ter, com reflexo nas próximas eleições. 
A pauta do APB não trata diretamente da questão que está mascarada nas posições soberanistas e antiglobalismo, dois apelidos para a mesma coisa: ser contra as supostas tentativas de tirar a soberania do Brasil sobre a Amazônia, com inimigos objetivos e imaginários: Macron, o Presidente francês, as ONGs internacionais que seriam disfarce de grandes empresas internacionais interessadas em explorar as riquezas mineiras da região. 
Em função das suas posições corporativistas vem interditando a discussão das reformas tributárias e administrativas. Essas só irão adiante se o Congresso resolver confrontar diretamente o Presidente e a sua caneta. Os atrasos poderão afetar a continuidade do apoio empresarial, animado com a pequena melhoria da macroeconomia.
Esse espera pela continuidade das reformas que, se dependerem de Bolsonaro e do APB não vão prosperar. Como irão se posicionar em 2022?
O liberalismo na economia é princípio do APB, mas as reformas estruturais não estão nas prioridades.
Outra grande diferença entre o bolsonarismo de 2018 e o atual está no apoio dos grupos militares. 
O apoio militar foi interpretado pela população como o restabelecimento da ordem e do patriotismo. "Brasil, acima de tudo", seria garantido pelo Exército, onde estão os seus velhos companheiros. Ao longo do seu primeiro ano de mandato foi se libertando da tutela militar, formando um governo com a "sua turma" de oficiais militares, assim como de egressos da polícia civil e militar. Em 2022 poderá não ter o respaldo do segmento militar. 
Para compensar as perdas, está reforçando o apoio da comunidade evangélica, que vem ampliando os espaços dentro da sociedade brasileira.
Essa comunidade asseguraria a Jair Bolsonaro e ao APB a base eleitoral da população de baixa renda, com fundamento nos valores tradicionais da família, contra o progressismo, considerado desagregador e instrumento do comunismo.
As denominações evangélicas promovem o acolhimento dos desamparados e a sustentação da esperança por uma vida melhor, pela crença.
Em 2022, a macroeconomia deverá estar melhor que 2018, com Jair Bolsonaro se creditando dessas melhoria e aceitação por parte de empresários e de rentistas. A sua principal mensagem deverá ser o de evitar o retorno do PT, que promoveria o retrocesso da macroeconomia e a tributação dos mais ricos. Mas ele poderá ter que promover essa tributação ainda dentro do seu Governo, enfraquecendo o argumento.
Já em relação à baixa renda, a desigualdade de renda deverá continuar, mas essa vem se reorganizando, desenvolvendo o chamado trabalho informal, mas que garante a sobrevivência. E as denominações evangélicas e seus pastores, mantém as esperanças e uma visão de mundo de que a prosperidade virá pelo esforço pessoal. Deus ajudará a quem se esforçar, sem deixar de pagar a comissão a ele, entregue às igrejas na forma de dízimo. Dificilmente essas massas se revoltarão contra as suas igrejas. E essas segurarão os movimentos contra o Estado.
O problema e risco maior está na classe média, principalmente da emergente, que teve a sua ascensão cortada pela crise econômica.
Uma parte dessa classe média ainda aspira por empregos formais, com carteira assinada e expectativa de receber os benefícios, como férias remuneradas, 13º salário, aviso prévio, aposentadoria, plano de saúde e outros, além dos salários.
Com a dificuldade de conseguir empregos, em 2022, ou antes, estarão desalentados e conformados, ou revoltados, esperando uma oportunidade para manifestar a sua revolta. 
O mercado de trabalho, nos próximos anos estará desdobrado entre:

  • o mercado de trabalho dos talentosos, com carência de oferta e melhoria sucessiva de rendimentos;
  • o mercado de carteira assinada, com participação relativa em queda;
  • o mercado de trabalho formal por conta própria, substituindo o de carteira assinada;
  • o mercado de trabalho informal por conta própria, sem proteção social. 
O resultado eleitoral de 2022 dependerá de como cada um desses segmentos irá votar.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Obsessões governamentais

O Governo atual é cheio de obsessões. Um deles era o imposto único defendido obsessivamente por Marcos Cinta. A sociedade o alcunhou de CPMF e gerou a obsessão oposta. Assumida por Jair Bolsonaro, desde os seus tempos de deputado do "baixo clero". 
Paulo Guedes tem obsessão em desonerar a folha de pagamentos e Marcos Cintra tentou emplacar um imposto sobre transações financeiras em troca da desoneração. Não deu certo e prevaleceu a obsessão do Presidente, que tem outra: "quem manda aqui sou eu".

A obsessão dos evangélicos não é de natureza religiosa. O maior dos demônios que eles combatem é o imposto sobre os dízimos e suas propriedades. São a linha de frente, mas todas as religiões os acompanham nessa cruzada. 
Com o afastamento do "fantasma da CPMF" sobraram dois grandes problemas: o Governo Federal não terá recursos em 2020 para manter o funcionamento da sua máquina. Precisará fazer profundos ajustes, seja com cortes atualmente impedidos pela Constituição Federal, ou aumentando os impostos. Que impostos serão maiores e quem irá pagá-los?
As batalhas próximas em torno da reforma tributária serão mais complexas, o que aumenta a probabilidade de não ser aprovada, em qualquer das alternativas e não pode entrar em vigor no dia 01.01.2020, por conta do princípio da anualidade. Uma lei tributária - com algumas exceções - só pode entrar em vigor no ano seguinte ao da sua aprovação. 
A maior obsessão de Paulo Guedes que comanda as demais é o equilíbrio das contas públicas.
Pretendia conseguir - com folga - com a reforma da Previdência. Desidratada essa o caminho seria a reforma tributária, também travada.
A opção mais imediata que lhe resta é enfrentar o principal problema das contas públicas: o excessivo gasto com os servidores públicos.
A principal oposição partirá do Palácio do Planalto onde está instalado o despachante mor da corporação dos servidores.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Moradia da miserabilidade

Moradia não se resume a um teto para viver (ou sobreviver). E um local de repouso do trabalhador e para abrigar a sua família. O responsável pela moradia precisa trabalhar para auferir renda, porque não basta ter abrigo: precisa alimentar a si e a sua família. E quer ter na sua moradia um mínimo de equipamentos domésticos, desde o colchão à televisão, passando pelo fogão e o botijão de gás.
A condição básica da moradia do miserável é estar próximo às oportunidades de trabalho: trabalho informal, trabalho precário, mas fonte da renda mínima de sobrevivência. Ele não tem condições de pagar a condução para ir trabalhar e voltar para casa. 

A visão idealista propõe a geração de empregos, mas a situação econômica geral não é favorável e não depende apenas de ações governamentais.
Criação de empregos formais depende de decisões empresariais, patronais e esses estão muito cautelosos. A sua missão não é social, é econômica e estão avessos aos riscos.
Sem aumento significativo dos empregos, com manutenção alta da desocupação, os pobres e miseráveis tem poucas opções de moradia.  Os miseráveis nem isso. Não contam com o dinheiro para condução, tampouco tem quem pague por ela. Precisam morar mais próximo das oportunidades de trabalho. As oportunidades maiores estão na coleta e venda de resíduos: principalmente das latinhas e do papelão, os resíduos de maior valor. E esses estão nos polos comerciais e de entretenimento. Em torno desses se formam os cordões de pobreza ou de miserabilidade, com invasão de terrenos vagos ou de imóveis vazios.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Mudar os paradigmas na questão habitacional

O problema de moradia no Brasil não está sendo resolvido, mesmo com políticas públicas quase centenárias, por equívoco das premissas ou dos paradigmas.
A solução não está na casa própria. Não há possibilidade de universalizar o acesso a moradia adequada, pretendendo que todos tenham a sua casa própria. 
E a defesa desse objetivo como utopia, é tão somente um escapismo para não enfrentar a realidade que se mostra de forma trágica, com a implosão de um edifício invadido por "sem tetos".
Não basta anunciar que foi uma "tragédia anunciada". É preciso reconhecer os nossos erros. De toda sociedade.
O segundo grande equívoco é a caracterização de moradia adequada. Essa é definida - predominantemente - pelos arquitetos segundo os padrões da sua classe, ou seja, da class média. É uma visão mais física e estética do que social. Essa visão não quer reconhecer que favela é solução. Não problema.

Déficit habitacional é um parâmetro da indústria da construção. O déficit real que precisa ser vencido é o déficit de moradia.

(cont)

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Carlismo e wagnerismo

Análise, ainda que superficial, sobre o fenômeno do "carlismo" na Bahia, indica que o mesmo vai muito além da sua principal figura: Antonio Carlos Magalhães. Pelas suas ligações com o regime militar, ficou marcado com um processo político de direita e combatido pela esquerda.
O "carlismo" como o "sarneyzismo" nada mais são do que o intenso uso das máquinas públicas para influenciar as eleições, através da cooptação - com verbas e políticas públicas - as lideranças locais. No caso da Bahia, ainda amplamente dominadas pelo coronelismo e oligarquias locais. 
O "carlismo" foi substituído pelo "wagnerismo", o que levou à eleição de Rui Costa, ao Governo da Bahia, de Otto Alencar ao Senado, este derrotando Geddel Vieira Lima, e uma forte contribuição para a consolidação do "centrão" na Câmara Federal. A associação do PP e do PSD com os Governos, qualquer que seja, reforça esse processo - qualquer que seja a denominação - de uso não republicano das máquinas públicas. 
O que irá dificultar em muito a renovação na Câmara dos Deputados. 


terça-feira, 10 de abril de 2018

Santo guerrreiro (do povo brasileiro) x o dragão da maldade!


Lula chama os seus adeptos para uma disputa religiosa: coloca os que o veneram contra o lider inimigo venerado por esse. Nós contra eles: Lula x Moro. 

Quanto mais o "inimigo" venera o Moro, mais Lula reforça a adesão dos seus. Mas sempre os mesmos. Forma uma seita que o acompanha.

Lula não tem nenhum apóstolo que o substitua. A figura que mais se encaixa, na perspectiva do embate contra a elite, não está no PT. Está em outro partido. É Guilherme Boulos. Mas Boulos não é Lula.

A dúvida maior sobre a permanência da adesão a Lula está no eleitorado do Norte-Nordeste, onde está um grande volume de eleitores que venera o Lula e mais propenso a aceitar a versão de vítima do seu inimigo. Do Santo Guerreiro, contra o Dragão da Maldade. 

O Dragão Moro conseguiu uma vitória prendendo o Santo Guerreiro, do povo brasileiro. 

Mas a esperança é que surgirá um novo guerreiro que com o apoio dos eleitores que veneram Lula, para salvá-lo. Vencendo as eleições, com os votos deles. E destruindo, a seguir, o dragão. E liberando a princesa. Ops!: o perseguido Lula.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Agricultura familiar - Um grande equívoco politico

A política pública voltada para a agricultura familiar é populista e tende a perpetuar a pobreza no meio rural.

O crescimento do microempreendimento rural é uma das condições essenciais para geração de emprego e renda, na área rural. 

A sua contenção, por razões ideológicas (ou político-eleitoral) vai contra a melhoria de vida da população rural. E os torna permanentemente dependente dos programas sociais governamentais.

A agricultura familiar precisa ser tratada como questão econômica e não apenas social.

O objetivo da política pública não deve ser o de manter o agricultor familiar na pobreza, mas elevá-lo à classe média.

A principal estratégia seria a maior integração da produção do pequeno empreendimento rural nas cadeias de valor dos alimentos.

Uma importante tendência que afeta a agricultura familiar é o beneficiamento industrial com a comercialização fracionada, como já ocorreu com o arroz e feijão, dois dos principais produtos da agricultura familiar.

Agora essa tendência está alcançando a mandioca, com efeitos positivos e negativos para a agricultura familiar.

De um lado há a expansão de demanda, de outro a maior parte da apropriação de valor está fora da agricultura familiar.

É uma perda de oportunidade da agricultura familiar deixar que empresas assumam a industrialização da farinha de tapioca, aproveitando a nova moda urbana. 

quarta-feira, 28 de março de 2018

Agricultura familiar x patronal (2)

Estará a agricultura familiar pobre  fadada à extinção, com as pessoas sobrevivendo dos programas sociais e da migração para as cidades?
A produção da agricultura familiar destinada às indústrias representou em 2006, 51% dos produtos selecionados. Somando aos destinados à exportação, somaram cerca de 3/4 da produção. Restaram apenas 1/4 da produção da agricultura familiar para a venda "in natura" ou beneficiado para o mercado interno.
O que desmente a visão geral de que a agricultura familiar está inteiramente voltada ao mercado interno, contrapondo-se à agricultura patronal, que estaria voltada para as exportações e para a industria. 

segunda-feira, 26 de março de 2018

Batata

A batata, um dos alimentos mais consumidos no mundo, é  mais um caso em que a tecnologia tornou viável a sua comercialização mundial.
A batata frita que os brasileiros estão acostumados a comer numa unidade do McDonalds, por vontade própria ou levado pelos filhos, não é brasileira: é argentina.
O mercado mundial de "batata frita" cortada, pré-cozida e congelada, foi dominado pela McCain, uma multinacional de origem canadense.
Com a compra de participação acionária relevante da Forno de Minas, irá levar o pão de queijo mineiro ao mundo. A mandioca brasileira irá ganhar o mundo.
E ajudará populações pobres a vencer a fome, com o que mais facilmente conseguem produzir.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Agricultura familiar x empresarial (1)

Tentando confirmar a "verdade" de que a agricultura familiar abastece 70% do consumo alimentar brasileiro, não encontrei nenhuma estatística a respeito. 

Mas acabei encontrando um trabalho de Rodolfo Hoffmann, - Professor Sênior da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ) - que contesta aquela verdade, chegando, pela compatibilização entre a produção da agricultura familiar e a Pesquisa de Orçamento Familiar, a 23%.

Na realidade, existem três dimensões básica da unidade produtiva rural: a grande, a média e a pequena/micro. Todas elas são predominantemente familiares. Isto é são de propriedade e gerenciamento familiar. 

A visão ideológica quer descaracterizar que a propriedade e produção de família rica não é uma unidade familiar. 

A grande propriedade rural é também agricultura familiar.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

4ª Revolução Industrial e Trabalho Humano

Os avanços tecnológicos abrangidos pela 4ª Revolução Industrial são desenvolvidos pela elite mundial para ela mesma. Mudam a sua forma de viver, geram comodidades, reduzem custos relativos, mas são - em geral - caros e inacessíveis para a maioria da população mundial.

São avanços na ponta ou no cume que não chegam à base. Mas são apresentados  ou "vendidos" como mudanças que afetam todo o mundo. 

Tem um mercado restrito, com impacto reduzido sobre o conjunto total do mercado de trabalho. Na maioria das atividades produtivas o trabalho humano continua sendo mais barato do que o trabalho tecnológico. 

O custo maior não é impeditivo para a elite que busca a modernidade a qualquer custo. Está disposta a pagar mais. Não é o que ocorre com a maioria da população, para a qual o preço é o principal fator de decisão da compra.

A vantagem tecnológica está na produção em massa, em grande escala, próprio para a produção e processamento de commodities. Mas menos vantajosa e aplicável em atividades em unidades de menor escala. 

A produção em escala precisa ser mundial, mas ainda não resolveu satisfatoriamente o problema dos custos logísticos. O que mantém a competividade da produção local para o consumo local.

A vantagem do trabalho humano está no seu custo, o que gera um dilema. Se a remuneração melhorar o trabalhador corre o risco de ser substituído pela máquina ou pela tecnologia.

O principal objetivo das novas tecnologias não deveria ser a suposta redução dos custos pela substituição do trabalho humano. A tecnologia deve ter como principais objetivos, tornar o trabalho humano menos penoso e ajudá-lo a obter maior produtividade. 

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Previdência: visões diferentes

A dificuldade de aprovação da reforma previdenciária decorre de visões distintas sobre a aposentadoria.

A mais significativa é a visão individual, o que tem forte efeito político, porque é a visão do eleitor. O eleitor é um indivíduo. Um conjunto de indivíduos elege um deputado federal. Um número maior de indivíduos elege um Senador e outro, maior ainda, elege o Presidente da República.

O politico que quer se eleger precisa atentar para as visões, interesses e desejos de cada um dos seus eleitores. E os eleitores, na sua maioria, são contra a reforma previdenciária.

E por que são contra?

Porque uma grande parte, se não a maioria, trabalha para poder se aposentar. O sonho de vida, o objeto de desejo é uma aposentadoria remunerada, sem ter que trabalhar.

Elas começam a trabalhar pensando na sua aposentadoria. O início do trabalho é o marco de uma contagem regressiva do tempo adicional que precisam trabalhar para poder se aposentar.

Para esse trabalhador, as condições para poder se aposentar, são as vigentes no momento em que ingressa no mercado de trabalho. E as incorpora como direito.

Para ele qualquer mudança nessas regras que piore as condições para obter a sua aposentadoria é percebida como uma retirada de direito. Ter que trabalhar mais anos para poder se aposentar: um absurdo! E ele é contra. E induz o deputado a votar contra. 

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Estratégias de negociação

Com a lei de "modernização" trabalhista embutindo uma meia reforma sindical, as negociações entre empregadores e empregados assumirão contornos diferentes dos atuais.

As clausulas econômicas, com condições mais favoráveis ao empregador, serão as principais motivações para o empresário não se filiar ao sindicato, assim como não incentivar ou até tentar restringir a participação do empregado em sindicatos.

O seu principal instrumento será a não admissão de empregados sindicalizados.

Na conjuntura de alto nível de desemprego as empresas poderão forçar o trabalhador a aceitar as condições impostas, sob o risco de não ser contratado. 

As condições a serem oferecidas é o contrato formal, isto é, com carteira assinada, mas com valor inferior ao piso salarial, acordado em convenção coletiva, desde que acima da lei - quando houver - e do salário mínimo.

Também serão estabelecidas condições mais favoráveis à empresa e desfavoráveis aos empregados em relação aos benefícios, como vale-alimentação, plano de saúde e outros.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O que propor para as prioridades da população?

Saúde é de longe a maior preocupação da população em todos as pesquisas sobre os seus maiores problemas.  

Renova, propõe como compromisso dos novatos renovadores "políticas sociais que eliminem a desigualdade de acesso à educação, saúde e segurança de qualidade".

Será suficiente para ganhar corações e mentes dos eleitores e, consequentemente, o seu voto? 

A resposta inicial é não. O que o eleitor pobre quer não é a eliminação da desigualdade de acesso: ele quer mesmo é o atendimento. Ele quer o acesso. A sua preocupação maior não é com os outros, se estão sendo melhor ou pior atendidos. A sua preocupação maior é com ele mesmo. Com o seu atendimento. 
Significa poder buscar a assistência de um médico ou profissional de saúde, numa unidade pública e encontrá-lo no seu posto e ser prontamente atendido ou em curto prazo. 
Os eleitores de renda baixa que dependem inteiramente da saúde pública querem ser atendidos. Seja em situações de emergência, como de serviços agendados. 

Uma vez recebido, a condição que o paciente quer é cordialidade, humanidade. Atendido ele quer resolutividade, isso é a cura para o seu mal. 

São condições fundamentais que, uma vez atendidas, cativam o paciente, deixando-o "eternamente grato", ao médico.
Esse é um ponto de partida para os médicos da rede pública que atendem bem os seus pacientes, iniciar uma carreira política. E os novatos terão que enfrentá-los.

O discurso saúde de qualidade, assim como educação de qualidade é necessário, mas insuficiente para a conquista do voto.

E sem voto, o novato não chegará a Brasília, para poder colocar em prática as suas ideias e propostas, por melhores, mais brilhantes e inovadoras que sejam. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...