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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Uma boa intenção, mas duvidosa

 Na aprovação do projeto de lei que estabelece a autonomia operacional do Banco Central, foram estabelecidas duas missões adicionais ao BC para o qual ele não conta com instrumentos adequados, tampouco fundamentos teóricos.

Diz o projeto que:

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental [de estabilidade de preços], o Banco Central do Brasil também tem por objetivos zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”,

São meras intenções políticas, ou "jabutis oficiais" para mitigar a oposição ao projeto.

O papel fundamental do Banco Central é de governança monetária, sustentado por teórica, ou cientifica segundo os economistas e instrumentos para tal, como a definição da taxa de juros básica, intervenção no mercado de câmbio, volume de dinheiro em circulação no país, gestão das reservas monetárias do país, regulação e controle do sistema bancário e afins, mais outras atividades pertinentes.

Em relação à suavizar as flutuações do nivel da atividade econômica, trata-se de orientar a política monetária para conter flutuações excessivas, que - em  geral - ocorrem por fatores externos. 

Requer uma boa gestão da politica monetária, sem a contaminação de interesses políticos imediatistas, vale dizer "populistas",  dai a importância da autonomia do Banco Central. 

Já em relação à fomentar o pleno emprego, há pouca ou nenhuma base teórica/científica para utilização da política monetária como instrumento de interferência no mercado de trabalho.

Sua atuação em relação ao mercado de trabalho seria indireta, a menos que extrapolasse as suas atribuições para adentrar em outros campos da política econômica.

Dois seriam os principais formas de atuação indireta: evitar flutuações cambiais de valorização do real, o que poderia conter as exportações, com impactos sobre a atividade produtiva voltada para o mercado internacional e, consequentemente, os empregos vinculados a essas atividades. 

No mercado interno já tem atuado na redução da taxa de juros para incentivar as compras a prazo. Só tem tido resultado positivo no mercado imobiliário de classes de renda mais alta. 

Vem ocorrendo um aumento dos empregos no setor, mas insuficiente para melhorar os índices agregados de emprego.

A construção não é o maior emprgador, como se imagina.

O comércio de automóveis estaria com maior aquecimento no segmento dos seminovos, comprometendo o dos carros novos que impulsionam a produção. E o Banco Central tem pouco a fazer, em relação a isso, embora seja uma situação conjuntural. 

Nos demais setores menos impactados pela taxa de juros, com prevalência das compras à vista a recuperação é lenta, o que indicaria a ineficácia da politica de juros para fomentar o pleno emprego.

O fator mais importante do tripé monetário, fundamento da ação de um Banco Central autônomo está em não intervir para sustentar a valorização do real, ou - o que é o outro lado da moeda - para evitar a desvalorização do dolar, que tem dominada a visão populista política. 

Jair Bolsonaro, embora um populista, tem dado independência ao Ministro da Economia e ao Banco Central, para manter uma política de não intervenção, o que pode dar maior segurança às empresas para aumentarem as suas exportações. 

O agronegócio tem respondido favorável e rapidamente, enquanto a indústria ainda está reticente, com receio de se aventurar mais amplamente no mercado internacional.

Nesse sentido o cenário decorrente da autonomia do Banco Central seria mais promissor. 

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Rumos altermativos para o Brasil

Rodrigo Maia é mais uma das lideranças políticas a reclamar da falta de rumo do Brasil.
Rumo não é como se safar da tempestade, mas definir uma direção por onde ir para alcançar os objetivos de um desenvolvimento do país, em todos os sentidos e melhorar a vida de todos os brasileiros.
Esse rumo deve se basear no que o Brasil tem de melhor dentro do cenário mundial. 
Acima de tudo é preciso ser realista, sem abandonar as utopias do que gostaríamos de ser.
A principal força do Brasil, hoje, como nos próximos anos, é a sua agropecuária, com uma grande produção de insumos necessários para alimentar ao continuado crescimento da população mundial. O Brasil é e será fundamental para a segurança alimentar da humanidade.
Esse é o rumo que o mundo oferece para o Brasil. 
O Brasil poderá fazer dessa oportunidade a principal base para o seu desenvolvimento ou insistir em outros rumos, menos promissores.
Quais são esses outros rumos?
O mais concreto é a revitalização do rumo que a economia brasileira vem seguindo desde os anos 30 de industrialização, voltada para o seu mercado interno. Esse caminho proporcionou a formação de um grande parque industrial, o desenvolvimento econômico, mas o financiamento desse modelo baseado em recursos do Estado, complementado por financiamentos externos ao Governo, não só se esgotou como deixou legados altamente negativos, no campo social e uma absoluta perda de vitalidade para a retomada de um crescimento econômico vigoroso. 
A opção da sociedade brasileira, em 2018, foi pela não continuidade desse modelo de financiamento, preferindo a alternativa liberal e privatista, mas para a revitalização do mesmo rumo. Ou seja, a mudança do equipamento mas para continuar no mesmo rumo, sem colocar em discussão o mesma. Os debates se situam em torno das reformas, mas dentro da perspectiva de que essas poderão revitalizar a economia, para seguir o mesmo rumo, de base industrial e voltado para o imenso mercado interno brasileiro, ainda com um grande potencial de crescimento.
Outro rumo é colocar o Brasil na rota da revolução ou da economia 4.0, baseada na introdução das novas tecnologias.
Esse rumo envolve duas vertentes: um de equipar as atividades já desenvolvidas com as modernas tecnologias e promover as inovações.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Contaminação por camadas sucessivas e sobepostas

A contaminação pelo virus SARS-COV2, causador da doença COVID-19, em um país ou em parte deste (bairro, municipio, região metropolitana ou estado) ocorre em camadas sucessivas e sobrepostas.
A primeira é importada e atinge as camadas de renda alta, com capacidade de passar férias no exterior, fazer viagens a negócios, etc.que  voltam do exterior já contaminados. Alguns não apresentavam sintomas, mas contaminaram terceiros.
A segunda camada ocorre uma contaminação interna, mas propagada pelo retornante contaminado. Este para comemorar o retorno, convidou a família e amigos para um churrasco, um almoço ou jantar, onde acabou por transmitir o vírus para os convidados. Alguns foram contaminados, apresentando sintomas e confirmados por testes. Outros, não apresentando sintomas, não passaram por testes.
Ficaram conhecidos polos de contaminação em casamentos de "ricos ou famosos", no Rio de Janeiro e na Bahia. Mas nesse caso em resorts, mais frequentados por paulistas. Em um deles um grupo de convidados  teria levado  o vírus para o Ceará.
Esta camada também se concentra em pessoas de alta renda,  que tiveram contato com um retornante. Mas, em função do modelo de trabalho brasileiro, que congrega milhões de trabalhadores domésticos, alguns deles que trabalhavam nas residência do contaminados também foram infectados e levaram o vírus para as localidades onde moram. Podem ter contaminado terceiros, dentro do ônibus, do trem, do metrô ou das barcas.
Os com renda continuaram almoçando em bons restaurantes e frequentando os bares em happy hours ou baladas noturnas, podendo ter contaminado outros frequentadores, assim como garçons e outros trabalhadores. 
A contaminação dos trabalhadores, seja nos transportes coletivos, como em aglomerações e muito nas condições precárias de moradia, que não permite o isolamento, contribui para uma inflação de casos comprovados. Essa camada se concentra territorialmente, restrita - inicialmente - nos grandes centros urbanos, onde os transportes coletivos estão sempre superlotados, nos horários de pico e onde há uma grande concentração de favelas. 
A quarta camada ocorre na disseminação do vírus por todo o Brasil, levado pelos viajantes, a partir dos polos de contaminação. Em alguns poucos estados a origem foi de viajantes internacionais, mas a principal difusão foi pelos viajantes nacionais. 
Uma análise da evolução das curvas de contaminação em todo Brasil e, separadamente, de São Paulo, mostra que São Paulo, vinha reduzindo a velocidade de contaminção, enquanto essa continuava acelerada, nos demais Estados. 
O crescimento diário das contaminações em São Paulo, tinha caido abaixo de dois dígitos, sendo de 3,2% no dia 29 e 4,5% enquanto os demais estados seguiam acima de dois dígitos. Mas no dia 31 de março houve um "repique" e a velocidade passou para 54,2%, ao dia. Os demais estados ficaram dentro do mesmo padrão de velocidade, próximo a 10% ao dia. O crescimento das contaminação nas estatísticas nacionais é devido à "explosão" da contaminação em São Paulo. 
Pode ter sido ampliado, ficando "fora da curva", ou mudando a curva, pela maior intensidade dos testes. A suspeita mais provável é que o vírus chegou às favelas, sem os Governos terem estratégias bem estruturadas para enfrentá-lo nesse flanco desguarnecido.
Quaisquer que sejam as explicações o fato é que o ritmo de contaminação ainda não está sob controle, permanecendo o risco de colapso no sistema de saúde. Ainda não dá para afrouxar nas políticas de isolamento, podendo até ser ampliado em São Paulo. 


quarta-feira, 3 de julho de 2019

Uma cultura de fofocas


A sociedade brasileira está propensa a dar maior atenção às fofocas, às "briguinhas" da política e fatos eventuais inusitados do que a questões estruturais de impacto nacional mais amplo. 
A viagem de Bolsonaro ao Japão, acabando por aceitar as imposições dos líderes europeus, para manter o respeito às questões ambientais, aos indígenas e ao trabalho decente, completando as negociações para o Acordo Comercial UE-Mercosul, tem amplas implicações futuras no seu Governo e para o Brasil.
Mas foi e ainda é ofuscado pelo episódio da prisão de um militar com 39kg de cocaina dentro do avião presidencial reserva. É uma questão policial, sem maior relevância nacional. Mas é destaque na mídia brasileira.
Mais que o noticiário sobre o acordo.  Este não é tema para "conversa de botequim".

O amanhã do Brasil está no seu agronegócio voltado para o mundo. Não mais numa indústria voltada para o mercado interno, protegido pelo Estado.

O grande sonho de Roberto Simonsen, ainda nos anos quarenta do século passado, em tornar o Brasil do Futuro, numa potência industrial mundial, acalentado por muitos brasileiros, incluindo este que vos fala, está sucumbindo por incompetência.

Ao longo desses 70 anos tivermos alguns acertos e muitos erros, nos momentos presentes, que comprometeram o futuro que se tornou o hoje. 

Mas, mais uma oportunidade histórica, se coloca diante do Brasil. Um novo rumo. Podemos acertar, como errar, mais uma vez.

A oportunidade pode ser perdida se o  fechamento do acordo EU-Mercosul, ficar num triunfalismo midiático e não foi efetivamente assumido pelo Governo e pela sociedade brasileira.

O "país do futuro", será novamente adiado se continuar ficando preso a ontem. O amanhã será a repetição do ontem. 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Gol no ´último minuto

JH rm 120 segundos

No último momento do jogo, o Brasil ganhou um gol histórico, gerando um saldo positivo do Governo Bolsonaro no seu primeiro semestre.
O acordo comercial União Européia - Mercosul, sempre foi visto pelo Brasil, como uma grande ameaça à sua industria e à soberania nacional, diante das imposições dos líderes europeus. 
Bolsonaro foi ao Japão, disposto a confrontar Merkel e Macron. Ficar junto com Trump e não confirmar do Acordo do Clima de Paris. Por insistência de Macri, cedeu.

Perdedor, obrigado a aceitar as imposições, percebeu o imenso presente que recebeu, contra a sua vontade.

Aproveitou, capturou e faturou: vendeu para a sociedade brasileira a derrota como uma grande vitória.

A economia brasileira só voltará a crescer ampliando o seu mercado
, produzindo e vendendo para todo o mundo. 

Faltava um "empurrão" objetivo para a mudança. E vencer as resistências à abertura da economia.

Com a divulgação dos grandes números do mercado europeu de 513 milhões de pessoas e um PIB total de equivalente a 19,2 trilhões de dólares a abertura da economia passa ser vista como oportunidade, mais que como ameaça. Embora essas persistam.

A ampla  e estridente divulgação do acordo, reduz a importância relativa da reforma da previdência na economia.

As perspectivas de reanimação da economia estão agora nos ajustes no sistema produtivo brasileiro.

As empresas industriais instaladas no Brasil terão que promover, desde já, investimentos para a sua modernização e melhoria da sua produtividade.

Se antes titubeavam, por falta da confiança na reanimação da demanda interna, agora terão que investir para atender a demanda externa e se defender dos avanços das importações européias, nos próximos anos.

Quem não se preparar vai sucumbir e não pode mais contar com a proteção do Estado. 

O aumento de investimentos industriais irá gerar mais empregos e reanimar a economia. 

Há vários outros aspectos que comentaremos ao longo da semana. 

JH, em 120 segundos ... 

terça-feira, 13 de março de 2018

Cadeia Produtiva do Biscoito

A cadeia produtiva do trigo é dividida tradicionalmente em três segmentos: o da moagem, de massas e biscoitos

É no setor de alimentos processados, com base no trigo, onde emergiram e se consolidaram grupos brasileiros com musculatura suficiente para ousar a enfrentar o mercado internacional. 

O segmento de biscoitos é um dos principais demandantes do óleo de soja, como um ingrediente para melhorar a crocância dos produtos.

Estarão os grupos interessados numa "aventura mundial", para enfrentar os "big ten"? E precisariam de apoio governamental?

A partir da abertura do mercado, houve uma ampliação das importações de masas de macarrão, baseados em grãos duros.

O país passou a consumir mais biscoitos de marca estrangeira, ainda que restrito ao mercado A e B.

O mercado internacionanl de derivados de trigo, é relativamente restrito pelas estratégias das empresas industriais em processar a produção mais próxima ao mercado consumidor, importando os insumos.

segunda-feira, 12 de março de 2018

A guerra do aço de Trump e o impacto sobre o Brasil

Com a sobre taxação do aço, a indústria automoblística instalada nos EUA irá perder grande parte do mercado latino-americano e do Caribe. Se a indústria instalada no Brasil, correr, ocupará o espaço aberto. Se bobear os asiáticos tomarão conta. 

Se sair na frente, a indústria siderurgica brasileira conseguirá compensar as perdas de exportação ao mercado norte-americano. Se perder a oportunidade, essa indústria estará condenada à extinção.

A sobretaxação norte-americana sobre o aço impactará negativamente toda a cadeia produtiva metalúrgica, afetando o mercado internacional de minério de ferro.  As cotações tenderão a permanecer em baixa, mantendo a inviabilidade econômica dos novos empreendimentos mineradores de menor porte. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A quarta revolução industrial é uma falácia (2)

A 4ª Revolução Industrial é uma tentativa da indústria manter a sua importância, mas as principais mudanças no mercado não são as tecnologias que ela alardeia, mas o domínio crescente dos serviços. E a transferência do poder do mercado para o setor terciário e para o consumidor.

Um dos casos mais emblemáticos é o setor de vestuário e calçados, onde a indústria não "empurra" o mercado, mas é "puxado" pelo setor comercial e de marca. O comando da cadeia produtiva está passando para o varejo.

A indústria tem que ir a reboque da líder da cadeia produtiva (ou de valor). O maior valor agregado e pago pelo consumidor não está no material ou na produção industrial, mas na marca. Para a valorização desta, a investe pesadamente no marketing. Que não se limita à publicidade, mas envolve - principalmente - o patrocínio de esportistas talentosos, cultuados pelo mercado.

A 4ª Revolução Industrial é uma tentativa dos países - ditos centrais - de recuperar a produção industrial de vestuário e calçados, para os seus territórios. Em alguns casos pode conseguir, mas não há recuperação do emprego emprego.

A 4ª Revolução Industrial não é uma revolução mundial, embora vá afetar diversas partes do mundo. É uma revolução dos paises desenvolvidos que se desindustrializaram e buscam pela tecnologia se reindustrializar. 

Porém o "resto do mundo" resiste, preferindo manter o trabalho humano, mesmo mal remunerado. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Revolução Industrial: para quem e para que?

Os avanços tecnológicos abrangidos pela 4ª Revolução Industrial são desenvolvidos pela elite mundial para ela mesma. Mudam a sua forma de viver, geram comodidades, reduzem custos relativos, mas são - em geral - caros e inacessíveis para a maioria da população mundial.

O custo maior não é impeditivo para a elite que busca a modernidade a qualquer custo. Está disposta a pagar mais. Não é o que ocorre com a maioria da população, para a qual o preço é o principal fator de decisão da compra.

A vantagem do trabalho humano está no seu custo, o que gera um dilema. Se a remuneração melhorar o trabalhador corre o risco de ser substituído pela máquina ou pela tecnologia.


O principal objetivo das novas tecnologias não deveria ser a suposta redução dos custos pela substituição do trabalho humano. A tecnologia deve ter como principais objetivos, tornar o trabalho humano menos penoso e ajudá-lo a obter maior produtividade. 

sábado, 16 de dezembro de 2017

Exportar para empregar (20) autopeças

Assim como a recuperação das montadoras automobilísticas, o setor de autopeças também está ampliando a sua produção.
Não em função da ainda lenta recuperação do mercado interno, mas por conta das exportações.

Segundo o presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe "A crise nos fez perceber que o mercado interno não deveria ser o foco principal. Acredito que as exportações continuarão a ter espaço importante mesmo quando as vendas no Brasil voltarem a crescer".

O setor de autopeças chegou a exportar US$ 11 bilhões em 2011, ainda cumprindo os contratos firmados anteriormente. A partir dai entra em sucessivas quedas, com recuperação só este ano de 2017.

O setor teve e ainda tem que enfrentar uma forte onda de importações, mercê das estratégias das montadoras no Brasil, todas multinacionais. Elas passaram a dar preferências aos seus fornecedores ou parceiros no Exterior do que comprar no Brasil, onde ainda grande parte é de capital e gestão nacional.

O Brasil viu se reduzir a sua participação dentro da cadeia produtiva da indústria automobilística. 

A retomada ainda será penosa, porque nesse meio tempo os concorrentes ocuparam os espaços. Mas está no caminho que pode dar certo. Porque o anterior não deu. 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Plano estratégico para o agronegócio amplo (2)

Na perspectiva de maior processamento industrial das matérias primas agrícolas a estratégia mais importante é da marca. O que envolve toda uma gama de serviços para que a marca seja reconhecida mundialmente.

O passo inicial ainda está no campo, pela qualidade do produto. 

A qualidade mais importante não é a intrínseca, medida por índices técnicos, mas a qualidade percebida pelo consumidor.

Uma alternativa é focar no produto puro. Que agora é a moda. Nas bebidas alocoolicas, o "puro malte". 

Vender no mundo o "puro café brasileiro".

Como e quem pode fazer isso? Não pode ser o Governo. Aliás governos anteriores tentaram e fracassaram. Não pode ser baseada na visão burocrática. 

Serão empresarios nacionais ou multinacionais de origem estrangeira?

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto? (4) - Reindustrialização

Dentro da perspectiva de que o Brasil para se tornar um país desenvolvido precisava ter uma indústria própria. Até os anos 80 a indústria foi o motor do desenvolvimento econômico brasileiro, protegido por barreiras determinadas pelo Estado Brasileiro.
Perdendo substância, a partir dos anos noventa, com a abertura da economia para importações, é - atualmente - uma indústria - em geral - desatualizada tecnologicamente,  com baixa produtividade e não competitiva mundialmente.
Diante de um mundo globalizado, com restrições crescentes ao protecionismo, qualquer indústria para se manter no mercado precisará ser mundialmente competitiva.

Não podendo contar com esses dois instrumentos, a única barreira que persiste é a ineficiência logística. Enquanto essa persistir alguns mercados regionais poderão resistir à concorrência estrangeira. Fora disso estarão condenadas ao declínio e até ao desaparecimento, deixando de ser um fator de desenvolvimento, e se tornando um problema social.

As industrias de multinacionais voltadas apenas para o mercado interno decorrem das estratégias de assegurar a participação no mercado brasileiro com a montagem final de seus produtos criados no exterior. Alguns podem ter adaptações para o mercado nacional, mas a sua opção é importar o produto inteiramente produzido no exterior ou montar no Brasil, para ser mais competitivo em relação aos seus concorrentes externos. 

domingo, 19 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional (2)

Num primeiro nível, a estratégia brasileira, para aproveitar o momento favorável, deverá estar voltada para:

  • diversificação de mercados compradores, reduzindo o grau de dependência das importações chinesas;
  • agregar maior valor às matérias-primas.

A agricultura brasileira de grãos vem crescendo e conquistando mercados internacionais, com altíssima produtividade, incorporação sucessiva de tecnologia e inovação, integrando já a revolução 4.0, e apesar do custo Brasil.

A soja brasileira é altamente competitiva nas fazendas, perde parte dela, com as deficiências logísticas, mas é ainda competitiva no porto. Desmente inteiramente as visões de que a produção brasileira tem baixa produtividade e não investe em inovação. A soja brasileira é, provavelmente, o produto nacional com a maior agregação tecnológica. 

O processamento das matérias primas envolve duas categorias:

  • a dos processamentos que mantém a característica de commodities;
  • a da industrialização com diferenciais que podem ser caracterizados por marcas.

Faltam empresas brasileiras do setor de alimentos, com vocação internacional. 

Sem essa vocação não haverá empenho das empresas ou dos empresários em tentar a conquista de mercados externos.

O Brasil precisa de "campeões internacionais", mas esses terão que ganhar o pódio pelo seu esforço e competência empresarial. Não poderão depender de benefícios estatais.

Para isso o Brasil, seus empresários e a sociedade organizada, precisam se livrar da cultura estatista (ou estatizante) de que o objetivo acima só será possível, com forte atuação e recursos do Estado.

O papel do Estado nas circunstâncias atuais e nos próximos anos terá que se restringir à diplomacia. Não tem recursos, tampouco instrumentos para promover a formação e desenvolvimento de "campeões internacionais".




sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Um bom ou mau projeto nacional? (1)

O Brasil por força da iniciativa privada, aproveitando oportunidades do mercado mundial, se tornou em poucos anos, uma potencia agrícola mundial, liderando a produção e a exportação de diversos produtos agrícolas. 

Apesar dos elementos positivos essa conjuntura brasileira é fonte de infelicidade ou incomodidade para alguns que a criticam como sendo uma condição indesejável.
Essa condição é vista como um retrocesso com o Brasil voltando a ser um supridor de matérias-primas para as grandes potenciais mundiais e importador de bens industrializados, como nos tempos coloniais. Ou da fase pré-industrial.

O Brasil tem que aproveitar a oportunidade para ser o principal supridor mundial de matérias primas de produção agro-pecuária-florestal. Sem sacrificar a cobertura vegetal.

Não pode desprezar essa oportunidade histórica que pode sustentar um crescimento econômico moderado, lento e gradual.

Não se deve desprezar ou combater a ação efetiva da agricultura, que se tornou o mais dinâmico motor da economia brasileira. Embora não o único.

Como estratégia brasileira a primeira condição é aceitar que a produção agro-pecuária-florestal será esse motor e  deverá ser acionado e não contido ou execrado, como um retrocesso, que não é.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Exportar para empregar (19) - Toyota na América Latina

Como já escrevemos anteriormente, o principal avanço da exportação de produtos manufaturados brasileiros, que aparece nas contas globais do comércio exterior, é decorrente das mudanças estratégicas e organização das multinacionais automobilísticas, instaladas no país.

As declarações do Presidente da Toyota para a América Latina, Steve St Angelo, no lançamento do novo carro da Toyota,  são de ampliar as exportações do Corolla brasileiro, no mercado latino-americano, tomando o lugar do Corolla norte-americano. É uma competição dentro do mesmo grupo empresarial. E expandir para todo o mercado latino-americano e do Caribe.


Segundo St Angelo "A crise, de certa forma, foi boa para nós, porque nos forçou a olhar para o que podiamos fazer para sobreviver." E complementa, "Não estou feliz ainda. Só ficarei satisfeito quando conseguir exportar para os 40 paises da região. Até  mesmo para aqueles onde os carros tem direção do lado direito" 

A produção do Yaris, que chega ao Brasil, atrasado, não será destinado apenas ao mercado nacional. Será um carro global, concorrendo com o modelo de carro médio da Toyota já produzido na China, em Taiwan, na Tailândia e na França.

Segundo Steve, como é conhecido na companhia, disse saber que não será fácil disputar o mercado externo com outras fábricas da montadora, principalmente a da Tailândia, que é bastante competitiva. (Valor, 26/09/2017, pg B3) 

No lançamento do Yaris os dirigentes da Toyota reiteraram que não fizeram qualquer demissão em massa, durante o período de recessão, não obstante terem feito um amplo programa de redução de custos. Também não adotou o mecanismo de "lay off" ou seja, o afastamento temporário. Teriam hoje, um quadro de 5,8 mil trabalhadores.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O futuro do Brasil é uma volta ao passado?

O futuro do Brasil está no desenvolvimento do agronegócio, mais especificamente da sua agricultura e pecuária. 
Essa perspectiva arrepia muita gente que vê nisso um retrocesso. Uma volta do Brasil antes dos anos cinquenta, quando o motor da economia era a agricultura do café e da cana de açúcar. 
Primeiramente ver o processo como retrocesso é uma visão retrógrada e extemporânea: é de ver a economia moderna, com todas as transformações havidas, pelas lentes dos anos cinquenta. 
A agricultura brasileira é hoje 4.0, com a incorporação sucessiva de inovações tecnológicas. O grão de soja brasileiro tem conteudo tecnológico relativo maior que a quase totalidade dos produtos industriais produzidos no país. A indústria brasileira, em grande parte, ainda está no estágio 2.0, não tendo competitividade mundial, diferentemente da soja, que é a altamente competitiva, pela conjugação de fatores favoráveis e pela intensa incorporação de tecnologia.

A indústria brasileira peca pela falta de eficiência. Tornou-se um motor velho e sem potência. Perdeu condição de puxar ou empurrar o crescimento da economia como um todo. Descapitalizou-se e não tem recursos próprios para se recuperar. Parte da sua renda é apropriada pelo Estado, na forma de tributos.

Já a agricultura está capitalizada, transfere muito pouco da sua renda para o Estado e, dessa forma, é o  motor de dinamização da economia.

Pode não ser a melhor opção, mas é a disponível, no momento. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Exportar para empregar (18) - Renault na Colômbia

As multinacionais automobilísticas instaladas no Brasil, depois de muitos anos inteiramente voltados para o mercado interno, com pequenas janelas para o Mercosul, mudaram a estratégia e passaram a considerar o mercado da América do Sul como únicos e organizar as suas plataformas de produção, com especializações para o mercado latino-americano.

A Renault produz o Duster no Paraná e na Colômbia e deverá concentrar a produção desse SUV no pais vizinho, mantendo o Oroch (a pickup) no Paraná. Com vistas ao mercado sulamericano.

A indústria automobilística no Brasil não vai deixar de produzir no Brasil e exportar. Mas vai buscar ampliar o comércio sul-americano de veículos, exportando e importando mais. 

Será a forma de desenvolver uma presença competitiva da sua produção no continente e reduzir a participação dos importados asiáticos prontos, neste mercado.
O que ela está estabelecendo é uma concorrência entre as suas unidades. 

Há necessidade de contínua modernização. Mas isso depende das decisões empresariais. Priorizar os investimentos de modernização no Brasil, na Colômbia, ou na Argentina? Não será só no Brasil.

Dificilmente as multinacionais irão reverter a estratégia de latinização, para voltar para o modelo "voltado apenas para o mercado brasileiro". Voltada exclusivamente para o mercado interno não sairia, nem sairá da crise. 

Com a ampliação do mercado, a indústria automobilística no Brasil, voltará a ser um grande gerador de empregos. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Ajuste no mesmo modelo de negócio

As decantadas reformas trabalhista e previdenciária, como propostas e ora em discussão, são ajustes no atual "modelo de negócios" do Brasil, que está em crise hà muitos anos. A recessão dos dois últimos anos apenas evidenciou a decadência do modelo. 

Cabe  tentar salvar o modelo atual, ou substituir esse modelo por outro mais dinâmico e sustentado? 

A dita reforma trabalhista é apenas um ajuste na regulamentação das relações de trabalho estabelecida para acompanhar a industrialização brasileira, baseada no modelo fordista, ou seja,  2ª Revolução Industrial.

A economia é outra, o mercado de trabalho é outro e a reforma trabalhista é vista uma medicação para a revitalização do modelo. Mas poderá ser apenas um prolongamento da sobrevida desse.  Ainda não é uma reforma para ajustar o mundo do trabalho à 4ª Revolução Industrial.

De toda forma, a reforma trabalhista, ora em discussão, só afeta menos da metade da força de trabalho brasileira. Afeta diretamente algumas organizações, como os Sindicatos (tanto dos empregados, como dos empregadores) e a Justiça do Trabalho. Mas tem impacto reduzido em relação à macroeconomia e o mundo do trabalho, como um todo.

sexta-feira, 31 de março de 2017

As disputas sobre conteudo local em petróleo & gás

Com FHC foi quebrado o monopólio da exploração e produção (E&P) de petróleo da Petrobras e estabelecido o mecanismo de leilões para exploração dos campos de petróleo, mantidos como de propriedade da União (vale dizer do país).

Com o monopólio, a Petrobras atuava como formulador e executor de politicas públicas. Uma delas era o desenvolvimento da indústria nacional, mediante o poder de compra estatal.

Com a retirada do monopólio, o Estado Brasileiro, representado pelos Governantes e legisladores em exercício dos seus mandatos, assumiu a política pública de fomento à indústria nacional, criando o mecanismo de conteúdo local mínimo nos investimentos na exploração e produção de petróleo no mar.

A indústria nacional (entenda-se empresas com domínio de capitais brasileiros) reivindicava maior participação nos investimentos nas plataformas. 

Essa reivindicação dos industriais era reforçado pelo alinhamento dos sindicatos dos metalúrgicos, tanto dentro das grandes siderúrgicas, como da remanescente indústria naval e do setor de equipamentos mecânicos. 


Ontem ficou claro que o ponto  principal de divergência está nos índices e condições das plataformas, não havendo maiores contestações em relação aos demais itens.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O setor de refino de petróleo é ainda menos relevante como empregador

As etapas iniciais da cadeia produtiva do petróleo são essenciais para a economia brasileira, além de serem estratégicas do ponto de vista geopolitico, mas são pouco empregadoras. Não se justificam os imensos investimentos em nome da geração de empregos. Há outros investimentos muito mais produtivos nessa  dimensão. 

A extração de petróleo, em 2014, empregava 75.548 pessoas, para uma produção de R$ 217 bilhões. Relativamente muito pouco.

Mas se alega que as fases subsequentes da cadeia produtiva emprega mais. O Brasil deveria refinar o petróleo bruto, agregar mais valor e gerar mais empregos.

Pois em 2014, segundo as contas nacionais o setor de refino de petróleo apresentou um valor adicionado negativo, da ordem de R$ 17 bilhões e empregava 25.674 pessoas: um terço dos empregos no setor de extração de petróleo. 

O setor contribuiu negativamente para a formação do PIB e gerou pouco emprego. 

As alegações da Petrobras para eliminar as exigências de conteúdo nacional, em função da geração de empregos não se sustentam pelos números oficiais. 

Nem sempre o que é bom para a Petrobras é bom para o Brasil. E vice-versa. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...