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Mostrando postagens de Julho, 2016

O futuro decidido no presente

Os líderes do Brexit conquistaram a opinião não publicada que se opõe ao processo de globalização humana, pelo medo da invasão migratória dos "bárbaros". 

Só que as pretender restringir a livre circulação e assentamento das pessoas, restringe também a circulação de mercadorias e dinheiro. A economia inglesa já está em declínio que só se agravará nos próximos anos contribuindo para o declínio da chamada "civilização ocidental".

O risco maior dessa civilização está numa eventual eleição de Donald Trump nos EUA, baseada na reação da opinião não publicada norteamericana contra a invasão migratória. 

Uma das consequências dessa oposição à migração poderá ser a perda da liderança inovativa dos EUAno mundo. Essa é amplamente suportada pela importação de cérebros. Sem essa importação e, mais grave, com um forte retorno desses aos seus países de origem, poderá ocorrera decadência econômica e militar dos EUA. 


Os Brasís acima e abaixo do paralelo 16

Paralelo 16 é uma linha geográfica que "corta" o Brasil ao meio. Passa por Brasília.

Para o agronegócio significa a linha divisória de preferência de escoamento da safra de grãos. A produção abaixo do paralelo 16, tendo a linha do Equador como referência, continuaria sendo escoado pelos portos do sudeste e sul. Já a produção acima do paralelo 16 deveria ser escoado pelos portos do Norte. 

Não é nada novo.  Mas ainda amplamente desconhecido.


O Brasil acima do paralelo 16 era um grande vazio, exceto no seu entorno, onde se situam duas capitais estaduais (Cuiabá e Goiânia), a capital federal (Brasília)  o litoral. Este abrange todo o litoral do nordeste, a partir do sul da Bahia. 


Vazio e subdesenvolvido, porque o desenvolvimento econômico e humano do Brasil se concentrou na região sudeste-sul, abaixo do paralelo 16. Nesta se desenvolveu a indústria, ampliou-se a infraestrutura, estruturaram-se os centros financeiros, educacionais, culturais, serviços de saúde e outros.

Um novo dilema histórico

Há indícios de que chegamos "ao fundo do poço" e começamos uma árdua jornada para voltar à superfície. O que gera uma nova situação crítica para o Brasil. 
Voltando  à superfície, que rumos iremos tomar? Vamos tentar reconstruir o que foi abalado e nos jogou para baixo?
Ou vamos tentar um novo caminho?
O dilema é que temos opção? Temos oportunidade de escolha. Ao retornarmos à superfície não estamos condenados a um único caminho. 
Podemos tentar um novo caminho.
O grande dilema é que não é um novo caminho. É um velho caminho, ainda que repaginado.
Durante a crise, o pouco que se manteve dinâmico foram as commodities do agronegócio, apesar das situações climáticas desfavoráveis.
O novo caminho está em aproveitar as oportunidades que o mundo oferece para assumir o agronegócio como o motor de uma nova etapa do desenvolvimento brasileiro. 
Mas pode ser percebido como um retrocesso histórico de 60 anos, abandonar o árduo caminho da industrialização e voltar a ser um país dependente de p…

Ferrovia Transcontinental Brasil - Peru

A apresentação do estudo de pré-viabilidade da ferrovia Transcontinental, elaborado por uma empresa chinesa, mostra não é de uma ligação entre oceanos, mas uma Ferrovia do Oeste. 

A ferrovia começa no Brasil, a partir da Ferrovia Norte-Sul em Campinorte, Estado de Goiás, até Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. E de lá segue por vários trechos brasileiros e depois por alternativas em território peruano até chegar ao Pacífico.

Do outro lado, a partir da Norte-Sul teria várias alternativas de ligações para chegar ao Atlântico. Pela definição oficial chegaria ao Porto do Açu, no Rio de Janeiro.
Dentro da concepção chinesa, não interessaria a ela essa ligação, embora a ferrovia seja caracterizada como Transcontinental.

Não é a ferrovia do sonho dos brasileiros que esperam um dia ter no país uma ligação ferroviária entre os dois oceanos.

O objetivo principal dos chineses é facilitar o escoamento dos grãos do Centro-Oeste (principalmente de Mato Grosso) para a China, saindo pelo Pacífico.…

Retomada da economia

Os agentes econômicos e seus arautos já comemoram uma suposta recuperação da economia brasileira a partir de alguns eventos positivos na política brasileira. As derrotas de Eduardo Cunha e a perspectiva, cada vez mais forte, de que Dilma "nunca mais", estaria restabelecendo a confiança.


A expectativa é que os agentes econômicos privados façam a economia andar de novo investindo e produzindo.

O restabelecimento da confiança é importante, mas precisa alcançar o cerne do problema: o enfraquecimento do consumo familiar. 

A economia só se recuperará - de forma estável e consolidada  - quando o "povo voltar a comprar". 

O povo compra produtos. Não compra PIB, tampouco a economia brasileira. O comerciante não coloca na gôndola o PIB. Tampouco compra o PIB dos industriais e agricultores. E esses não produzem PIB. Mas apenas os seus produtos. Que no conjunto vão compor o PIB. Mas ele quer saber se o seu produto será comprado. Não um misterioso PIB. Ou da tal economia br…

Exportar para empregar - Kicks (11)

O lançamento do novo carro da Nissan, o Kicks, confirma que os carros novos não são voltados apenas para o mercado doméstico, mas são carros latino-americanos. 

Da mesma forma que não existe uma indústria automobilística brasileira, mas uma indústria mundial instalada no Brasil, os carros não são brasileiros, mas mundiais.

O carro da Nissan que chega com a intenção de concorrer com os atuais líderes HR-V da Honda e o Renegade da Jeep, já é produzido no México e agora no Brasil. 

Segundo notícia do Estadão "Nissan traz carro novo e abre 600 vagas no Rio" (Estado de São Paulo, 20/07/2016 pg B12), o Kicks será exportado pela Nissan do Brasil para toda a América Latina. O México abastecerá o mercado dos Estados Unidos. O veículo também será produzido em outros paises."

A estratégia clara da Nissan é abastecer o continente americano com duas unidades "americanas": a do Norte no México e a do Sul no Brasil. Não está evidenciado no noticiário da imprensa …

Exportar para empregar (10) - Etios para o Peru

A Toyota do Brasil iniciou as exportações do Etios, produzido em Sorocaba, para o Peru. O que foi comemorado com um evento interno, pouco difundido pela grande mídia brasileira. Apenas jornais regionais e as publicações especializadas repercutiram o press-release da empresa.

O fato, embora pouco representativo do ponto de vista quantitativo, diante da enorme crise do mercado brasileiro,  reforça uma tendência já mostrada aqui:

o mercado dos novos carros lançados no Brasil pelas multinacionais não é o brasileiro, mas o latino americano;A Toyota do Brasil não "exporta" para o Peru, como já o faz para a Argentina, Paraguai e Chile: a Toyota da América Latina destina;As suas unidades produtivas no Brasil estão sendo convertidas em plataformas de exportação. 
O presente é fruto das decisões do passado. O futuro está sendo feito pelas decisões presentes. O ano de 2016 não será lembrado pela indústria automobilística brasileira como o auge da crise interna, mas o ano em que ela se tra…

Valores agregados

Por que exportar soja em grão e não óleo de soja, cuja tonelada vale muito mais? Por que exportar milho em grão e não salgadinhos de milho?
São questionamentos feitos em relação às colocações anteriores sobre desenvolver o Brasil com base em commodities. 

Um dos questionamentos foi feito em relação às frutas. O Brasil é hoje um grande produtor de algumas espécies de frutas, como a laranja, o melão, melancia, mamão, banana e outros.

Por que exportar a fruta "in natura" e não a compota da mesma fruta. Ou em calda?  Por que exportar o melão "in natura" e importar a preços muito maiores o melão em forma de sorvete coreano?

Alega-se a industrialização duplica ou triplica o valor. O que envolve um equivoco, motivada pela percepção da diferença de valores entre o produto natural e o industrializado.

O que gera o acréscimo de valor não é o beneficiamento ou a industrialização, mas a incorporação da marca e de toda o marketing e comercialização do produto de marca.

O sorvete …

Revoluções industriais e verdes (4)

As condições descritas anteriormente, apontam para uma nova oportunidade histórica para o Brasil. É novamente um momento em que o país, pela sua sociedade e seu Governo, pode estabelecer ou optar por um projeto nacional.


O mundo ainda tem muita fome. O Brasil é um dos países que pode suprir o mundo de alimentos. Poderá assumir esse papel ou recusá-lo.

A razão para assumir é, principalmente de caráter econômico, embora envolva questões humanitárias. A exploração das vantagens comparativas pode ser o motor de uma nova etapa de forte crescimento econômico e a retomada das posições de relevância no contexto mundial.

Através da dinamização da economia através do agronegócio o Brasil pode voltar a ser uma das maiores economias mundiais. Retornar ao "top five".

Mas  as razões para não assumir são várias.

Apesar da crise da indústria brasileira e do crescimento do agronegócio, dar maior relevância a este e elegê-lo como o pilar da nova fase de crescimento econômico gera a sensaç…