Pular para o conteúdo principal

O "fracasso" da política econômica

A resistência de Paulo Guedes em adotar medidas artificiais para reanimar a economia, apostando tudo num rápida aprovação de uma ampla reforma da previdência, contando com o apoio e pressão do "povo", resultou num retrocesso da macroeconomia brasileira no primeiro trimestre de 2019, comparado com o anterior. Pequeno, mas "estrondoso" diante das perspectivas otimistas com o ingresso do novo governo, com o comando daquele na economia.
A consequência mais penosa, já evidenciada anteriormente é o aumento do desemprego. Os dados da PNAD continua indicam a continuidade, contrariando os desejos de melhoria de todos.
Numa economia voltada predominantemente para dentro, dependente do consumo interno o seu dinamismo depende da confiança dos consumidores ainda empregados e com renda em aumentar as suas compras. 
A par dos 13 milhões de desempregados existem 92 milhões de empregados, que continuam com renda para consumir e poupar.
Diante da perspectiva de uma economia em crescimento, promovendo a expectativa de continuidade e melhoria no emprego ele tende a consumir mais, até se endividando.
Ao contrário, se a perspectiva não é de que "as coisas vão melhorar", mas "vão ficar na mesma" ou "vão piorar", ele contém as compras e  contribui para a espiral negativa da economia. 
Com o novo governo, houve um "surto otimista", mas que logo arrefeceu e a baixa confiança voltou. 

A estratégia de Paulo Guedes é usar o dado negativo para pressionar o Congresso por uma aprovação mais rápida da Reforma da Previdência, ainda no primeiro semestre, antes do recesso parlamentar.
Mas tem a pressão dentro do próprio Governo, dos que insistem em soluções de curto prazo, para reanimar o mercado de consumo. 
A continuidade do desemprego, mesmo depois da mudança de Governo, mostrou que fora a insistência na aprovação rápida da reforma da previdência e restabelecer a confiança dos agentes econômicos, o Governo não tem qualquer tática de curto prazo, para revitalizar a economia.

Diante da falta de reação, o Presidente  racionaliza, põe a culpa no PT e argumenta que esse deixou o país em frangalhos e não poderá consertar em tão pouco tempo.

O "Posto Ipiranga", sem ter argumentos técnicos para contrapor à versão do Presidente, endossa a versão de uma economia "destruida".

Os seguidores fieis assumem inteiramente a versão, acriticamente, como é típica de seitas, e difundem, mas com repercussão apenas entre eles.

A inaceitação da "desculpa/' é que já fazem 3 anos que o PT deixou o Governo e ainda que o Governo Temer tenha sido fraco, não pode se acusá-lo de nada ter feito. Propôs construir uma ponte de transição, mas apesar de ja contar com o operoso atual Ministro Tarcísio de Freitas, só conseguiu colocar uma "pinguela".

O suficiente para reverter o fluxo negativo da economia, encerrar a recessão e retomar um crescimento ainda que  frágil. Mas cumpriu a missão de transição, para que o novo governo, impulsionasse o crescimento da economia. "Todo mundo" acreditou, elegeu Jair Bolsonaro e fez estimativas de crescimento do tal PIB em 20219 entre 2% a 5%, ficando a média das estimativas dentro de 3,5%.

O resultado do primeiro trimestre foi negativo. Pouco, mas suficiente para indicar que as trapalhadas do motorista levaram-no a pisar no freio, em vez do acelerador. E as  perspectivas deste segundo trimestre, já no último período é pior. Vai acertar nos pedais, mas o câmbio está na marcha-ré. 



(cont)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

A decadência econômica e cultural da Av Paulista

A Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, criada como a principal via de um loteamento de alto padrão, foi sempre tomada pelo capital e tornou-se um grande símbolo do capitalismo brasileiro.
Sofreu transformações, mas sempre sob o predomínio do capitalismo.
Está sob forte ataque dos movimentos sociais anticapitalistas que a "ocupam" com as suas passeatas, muitas vezes acompanhadas pelos blackblocs que aproveitam para depredar as agências bancárias. Como símbolo de destruição do capitalismo. 

A atual gestão municipal, de esquerda, mas representando mais a classe média ideológica do que o povo, propriamente dito, também quer tomar a Avenida, combatendo outro grande símbolo da civilização capitalista ocidental: o automóvel.

Fecha a avenida para os veículos motorizados, inclusive os õnibus e a abre para a classe média e para alguns pobres, nos domingos.

A elite cultural havia eleita a Avenida Paulista e seu entorno, como o polo do cinema-arte. Para frequentá-lo nos fins de semana.