quinta-feira, 4 de junho de 2020

As tecologias digitais no Novo Normal da Política

A política irá tentar conter as tendências, incentivar ou regular os novos hábitos? Uma posição - já em andamento - é coibir o uso indevido das tecnologias digitais, contendo as fake news. É pouco, para uma pauta da política em relação ao Novo Normal.

Em relação ao trabalho em casa, mesmo antes da crise do coronavirus, os políticos federais regularam a matéria, mas a partir dos paradigmas da legislação trabalhista. Tentaram regular com a visão de que a casa era a extensão do escritório, da loja ou de outro estabelecimento, dentro do qual o empregado está sujeito a controles e regimes disciplinares. 

A visão digital do Trabalho em Casa (Home Office) não pode se basear nos conceitos analógicos do tradicional trabalho em escritórios. O que mais importa não é o horário, mas as entregas, os resultados. O horário importante não é a carga de trabalho diário ou semanal, mas os de relacionamento com terceiros. O que se complica para os que tem relacionamento internacional. E não pode implicar em horas extras.
É um caso típico, já com alguma vivência real, em que as regulações, as políticas públicas que precisam ser definidas pelos políticos tem que ser estabelecidos segundo uma "cabeça digital" e não com uma "cabeça analógica", querendo que as novas realidades se enquadrem nos parâmetros e paradigmas tradicionais.

Uma segunda circunstância, também já com alguma regulação, é o da privacidade pessoal e dos seus dados. As pessoas com o seu computador ligado, em casa, seja por razões de trabalho, de relacionamento e outros, pode ser invadido por terceiros que interfiram na privacidade da pessoa ou dos seus dados. Uma reunião que trate de assuntos confidenciais, empresarial ou não, não pode ser feita pela internet, sob risco de ter os dados roubados por terceiros.  Como garantir - legalmente - a privacidade? Como criminalizar os furtos? É uma nova pauta política para a qual a maioria dos partidos, incluindo os seus partidos não estão preparados. 

Compras pela Internet (E-commerce)

Com o isolamento social aumentaram as compras pela internet e junto com elas as reclamações e pendências. 

Os serviços de entrega de refeições cresceram livremente dentro da economia de mercado e em regime concorrencial, como base em tecnologias digitais, mas utilizando pessoas para as entregas. Para enfrentar a concorrência, como é usual, buscaram comprimir as remunerações dos entregadores, gerando reações e intervenções políticas para regular as atividades e as relações de trabalho.
A liberdade econômica propicia esse surgimento de novas atividades e empresas com base em tecnologias digitais, em regime concorrencial. Mas quando esse mercado cresce gera as distorções ou falhas de mercado e pressiona a política para a regulação. Quando essa é estabelecida gera burocracias que desincentivam a continuidade de algumas empresas. 
Qual deve ser a participação e posições da política em relação a essas questões?

Outro caso de emergência de novas atividades, com base em tecnologias foi o das patinetes elétricos. Essas emergiram como modalidade alternativa de mobilidade urbana, contribuindo para a redução da circulação de carros. A maioria dos usuários das patinetes tem o seu automóvel próprio e deixou o carro em casa para fazer uma combinação entre o transporte coletivo e a patinete. Ou em alguns casos, apenas a patinete. Associado à uma cultura ambientalista e a facilidade oferecida de largar o veículo em qualquer local público, se expandiu rapidamente atraindo várias empresas novas (start-ups), em regime concorrencial. Mas com a expansão gerou danos colaterais. A facilidade do usuário em largar a patinete em qualquer lugar, assim que chegasse ao seu destino, gerou um amontoado de patinetes em algumas localidades, criando novos obstáculos urbanos.
Na cidade de São Paulo, o principal mercado da atividade, a regulação pela política, através da Prefeitura Municipal, obrigando as empresas a criarem locais autorizados para os usuários deixarem as patinetes e não mais em qualquer lugar, fez com que algumas empresas desistissem de atuar, criticando as autoridades de interferência indevida e de contrariar as políticas de emprego, uma vez que foram levadas a demitir os seus funcionários.

A concorrência com os serviços tradicionais

O caso do Uber foi do desenvolvimento de uma atividade, com base em tecnologias digitais, que veio para concorrer com serviços tradicionais. 
Embora a empresa tenha sempre defendida a tese de que é uma empresa de tecnologia e não de transportes, o fato é que os aplicativos viabilizaram e promoveram a emergência de serviços de transporte de pessoas, como trabalho por conta própria* de milhares de trabalhadores, sem limitações regulatórias, concorrendo com os tradicionais serviços de taxis, igualmente um trabalho por conta própria, mas sujeito a normas regulatórias. 
*(O trabalho por conta própria se caracteriza pelo atendimento direto do cliente, pelo trabalhador, sem a intermediação de um empregador).
Isso gerou um confronto de interesses, que acabou levando à questão ao Congresso Nacional, federalizando a regulação, a favor dos aplicativos, retirando ou restringindo atribuições típicas municipais. 
A pressão dos interesses econômicos é maior sobre a política nacional, do que sobre as políticas locais. 
Mas no caso das medidas sanitárias e de isolamento social, o Supremo Tribunal Federal reconheceu as atribuições independentes dos Municípios, o que vai na direção contrária à legislação federal estabelecida no caso dos aplicativos. 
O Novo Normal da Política reforça o poder político dos Estados e Municípios, em detrimento do Poder Federal. Este, no entanto, continua concentrando o poder econômico, pela concentração da tributação. 
A discussão sobre a disparidade entre os poderes institucionais e econômicos, dos Estados e Municípios, em relação ao Federal, deverá ser um dos principais marcos do Novo Normal da Política.




quarta-feira, 3 de junho de 2020

Mudança do modelo de negócio dos partidos

Os partidos políticos, como agremiações sociais, tem o que o meio empresarial chama de "Modelo de Negócio". 
É a forma com que as empresas definem as suas linhas de produto, as tecnologias, o mercado que quer alcançar, os seus meios, o financiamento, os recursos humanos, etc.
É, em síntese, a configuração do seu negócio. Quando há importantes mudanças no seu mercado (no sentido amplo) as empresas tem que mudar o seu modelo de negócio para poderem sobreviver ou seguir lucrando.
Os partidos políticos não são entidades com fins lucrativos, porém fora essa grande diferença, enfrenta os mesmos desafios das empresas. Precisam formular, estabelecer e mudar - quando necessário - o seu modelo de negócio.
Com as grandes mudanças que estão ocorrendo na sociedade, em função das tecnologias, aceleradas pelo combate ao coronavirus e também em função da própria pandemia, o seu modelo de negócio que prevalecia até então, é adequado? Ou precisa mudar?
Essa é a questão que colocamos aqui.

Em tese, os partidos políticos deveriam ser agremiações de representação de segmentos da sociedade, das visões de mundo ou pensamento diferenciado de cada segmento. 

Com 33 partidos registrados e vários outros com pedidos no TSE representam eles as diferentes visões de mundo e propostas?

Aparentemente não. Em função da legislação eleitoral, principalmente do financiamento público dos partidos e das campanhas, assim como do direito ao uso gratuito (para os partidos, embora não para o contribuinte) muitos partidos foram criados como "partidos de aluguel" para negociar o tempo de televisão e participações financeiras nas campanhas. 
Duas importantes mudanças, que prevalecerão para as eleições municipais, contribuirão para a redução de partidos políticos: a cláusula de barreira e a proibição de coligações para os cargos proporcionais, isto é, para as vereanças. Para o cargo de Prefeito, por ser uma eleição majoritária, continua sendo permitida as coligações.
As coligações reunião partidos com pensamentos semelhantes, somarão os votos dos seus partidários em torno de uma pauta comum, ou terão apenas o objetivo de ampliar o tempo de exposição nos programas de tv e rádio sem ônus para os partidos?

Como os eleitores se posicionarão diante dessas coligações para a eleição de Prefeito, mas que não terão efeito para a eleição de vereadores?

Quais serão as prováveis mudanças dos eleitores, diante dos novos hábitos, diante do Novo Normal?

O eleitor continuará votando no candidato a Prefeito, preferencialmente, no nome ou tenderá dar mais valor às propostas e aos partidos?

Em termos de nome, a eventual imagem ligada a casos de corrupção terá a mesma importância que teve em 2018? Ou o eleitor estará mais lenientes com relação a essa questão, depois que o Governo Bolsonaro abandonou - ainda que não inteiramente -  a bandeira anticorrupção dispensando a presença de Sérgio Moro. 

O padrinho político  que pode ser o Prefeito atual - que já foi reeleito uma vez e não pode concorrer - ou um liderança local continuará sendo relevante e até determinante da eleição?

O que prevalecerá será o dinheiro colocado pelo partido e pelo próprio candidato para campanhas milionárias? Ou será o uso competente das mídias sociais?

São fatores tradicionais que dominaram as eleições anteriores e influiram nas decisões dos eleitores. 

No novo normal da sociedade, pós coronavirus esses continuarão a sendo os fatores determinantes?

terça-feira, 2 de junho de 2020

Caldo de Cultura

Bolsonaro que vive do confronto, deveria esperar uma reação do outro lado, a reação dos inimigos à sua mobilização popular contra o STF, Congresso, Governadores e outros.
A reação veio de um segmento inteiramente inesperado, tão ou mais violento e truculento que as hostes bolsonaristas: as torcidas organizadas.
Se alguém dissesse que os Gaviões da Fiel estavam se mobilizando contra Bolsonaro, para mim fazia sentido a contestação ao palmeirense  Jair, que anda cotidianamente com a camisa do Palmeiras. Entrariam em choque com os seus tradicionais adversários ou inimigos: a Mancha Verde.
Mas quando essa se junta aos Gaviões, contra Bolsonaro, dizendo ser em nome da defesa da democracia, confesso a dificuldade de entender o que está acontecendo. Mesmo considerando as teorias da conspiração, de estarem sendo financiados por terceiros, essa junção é esquisita, estranha. 
Custa-me aceitar que estão sendo unindo em defesa da democracia e "acenderam o fosforo da reação", já que os tradicionais sampaulinos continuavam em casa, redigindo e difundindo maravilhosos manifestos. Mas quando a Torcida Independente, a torcida organizada do São Paulo se une às duas mais tradicionais torcidas organizadas, "tem caroço nesse angú". 
Fanáticas e violentas torcidas organizadas de times de futebol, se juntando para enfrentar os bolsonaristas, nas ruas vai levar a uma escalada de violência.
Será o que Bolsonaro quer, para justificar a intervenção militar? Seria, então, ele que está promovendo ou estimulando esse movimento e o seu pessoal financiando? Pode ser, mas é pouco provável. 
O mais provável é o caldo de cultura que foi se desenvolvendo dentro dos 70% que não expressam apoio a Bolsonaro. Com pequenas variações Bolsonaro mantém o apoio de cerca de 30% do eleitorado. Esse, em 2018, era de quase 150 milhões de eleitores aptos a votar, segundo o TSE, mais precisamente 146.743.774. Considerando o número arredondado, os 30% corresponderiam a 50 milhões, um pouco menos dos votos que Bolsonaro teve no segundo turno, em 2018. 
Esse nível de 30% de aprovação tem sido mantido ao longo de todo este ano, em que pesem as diversas crises, pelo qual tem passado o Governo: a emergência do coronavirus, ainda em fevereiro, os conflitos externos, com os Governadores e Prefeitos e internos, com o Ministro da Saúde em relação à condução das ações governamentais, resultando na saída sucessiva de dois Ministros, a saída do Ministro Sérgio Moro - o principal símbolo do combate da corrupção - entre as mais importantes. Os seus apoiadores não arredam do seu apoio irrestrito, manifestando-se publicamente, nas redes sociais ou nas ruas e praças públicas. 
Com esse apoio recorrente do "seu povo" Bolsonaro assumiu a hegemonia política. Isto é: ele, com o apoio do seu terço de seguidores domina o resto, que se submete ao poder hegemônico. Fica na defensiva, tentando resistir aos seus avanços. 
Essa submissão da maioria foi ampliando um "caldo de cultura" de reação passando da resistência para a contestação ativa. 
Uma grande parte estava "em cima do muro" avaliando o Governo, como regular, ficando entre ótimo/bom e o ruim/péssimo até dezembro de 2020, segundo o DataFolha.
Em abril, muitas pessoas passaram a assumir uma posição, saindo "de cima do muro", ampliando a avaliação negativa, sem detrimento do ótimo/bom que se manteve em torno de 33%.
No final de maio, houve um descolamento do ruim/péssimo que saltou de 38% para 43% , enquanto a aprovação se manteve nos 33%. A queda ocorreu no regular, caindo para 22%. 
Os tais 70% começaram a reagir, mas formal e educadamente com Manifestos.
Mas o "caldo de cultura" entornou. Grupos radicais percebendo as circunstâncias, a partir dos resultados das pesquisas e achando que a reação estava muito frouxa, tomaram a iniciativa e saíram às ruas, dispostas à briga, como é o seu usual, elevando a temperatura e nível do confronto. 


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Reação popular inusitada


Os movimentos bolsonaristas tomaram conta das ruas, com o retraimento dos demais.  
Mesmo representando a minoria da população brasileira, se apropriaram da bandeira brasileira e das camisas amarelas e algumas verdes, da seleção brasileira da CBF,  simbolizando uma torcida do Brasil ou pelo Brasil, acima das torcidas de qualquer dos times de futebol, mais populares em cada Estado. 

Um confronto de Bolsonaro, com o apoio da ala militar do Governo e penetração dentro do Exército, contra decisões do STF, levando o Presidente a ameaça de não cumprir decisões judiciais, provocou reação formal da sociedade civil, com diversas manifestações, pela mídia tradicional e amplificada pelas redes sociais, a favor da democracia. Mas não teriam produzido a formação de grupos de organização de movimentos de rua.

Surpreendentemente, organizações de mobilização popular - aparentemente apolíticos - assumiram a iniciativa, convocando os seus militantes a irem às ruas, nas principais capitais, em defesa da democracia.
São as chamadas torcidas organizadas ou uniformizadas, dos times. São grupos de militantes radicais, beirando o fanatismo, entrando em conflito, com ações violentas, algumas resultando em mortes, quando se encontram. Isso levou a jogos com torcida única.

A única união ocorria em torno da torcida pela seleção brasileira, com todos colocando a camisa da CBF em acima das dos seus clubes. Essa, no entanto, para os movimento de rua, foi apropriada pelos bolsonaristas.
Enquanto os pró-democracia se manifestavam educadamente pela mídia, tradicional ou alternativa, os Gaviões de Fiel, a torcida organizada do Corinthians chamou a Mancha Verde, do Palmeiras para irem à Avenida Paulista, em defesa da democracia. Para se diferenciar dos "canarinhos" de Bolsonaro, adotaram a sua cor: o preto. Os palmeirenses concordaram em substituir o tradicional verde. Tiveram o apoio da Torcida Independente do São Paulo e da Torcida Jovem do Santos. 
Irradiaram as suas intenções a outras capitais e as tradicionais torcidas rivais do Flamengo e do Vasco se uniram para um movimento em Copacabana. Em Belo Horizonte, as torcidas do Cruzeiro e do Atlêtico se uniram. 
Foi um tempo curtíssimo para organização e mobilização, limitado aos seus integrantes. 
Uniram-se numa torcida única para sair em embate com a turma bolsonarista. Já são experientes em confrontos de rua, em geral, violentos.
Surpreenderam o resto da sociedade civil, retida em casa, pela "quarentena", inclusive dos pacíficos defensores da democracia, com os tradicionais manifestos e abaixo assinados.
As torcidas organizadas dos times de futebol, assumiram a iniciativa - talvez precipitada - se apropriando da bandeira da democracia, nas ruas. 
Tirou ou arrancou-a dos bolsonaristas. 
E dai????

domingo, 31 de maio de 2020

(2) Novo normal da política

A política é um processo derivado da sociedade. Portanto depende das mudanças da sociedade que se impõe como novas realidades e de como os políticos eleitos por ela ou reagem às circunstâncias. Ou dos candidatos a cargos eletivos, como ocorrerá já nas próximas eleições municipais, marcadas para 2020.
A sociedade está em mudança, decorrente das inovações tecnológicas, que antecedem à crise da pandemia do coronavirus SARS-COV 2, o causador da doença COVID-19. A mudança vinha ocorrendo de forma gradual e lenta, com muita resistência das pessoas em adotar as novas tecnologias digitais. 
Enquanto grande parte dos idosos queriam manter os seus hábitos tradicionais, recusando-se a usar o computador, usar o telefone celular apenas para as ligações, preferir a leitura dos jornais e revistas impressas, assim como ler apenas os livros impressos, ver os filmes só nos cinemas, fazer compras só nas lojas e supermercados, etc os adultos iam assumindo os novos hábitos. Aqueles que chegaram ao mundo no final do século passado, já nasceram digitais.
As medidas de isolamento social adotadas - com maior ou menor amplitude - em todo o mundo obrigaram as pessoas a adotar as novas tecnologias, para o trabalho, aulas, relacionamentos e outras atividades, todas à distância.
Uma das principais resistências superadas com o isolamento compulsório foi dos professores universitários obrigados a preparar melhor as suas aulas e usar as tecnologias disponíveis para atrair o interesse dos alunos. Muitos foram supreendidos com esse. Tenho o testemunho de amigos que dizem que nunca tiveram tantos alunos acompanhando com atenção às suas aulas. 

O Novo Normal

As medidas contra o coronavirus aceleram as mudanças, rompendo as resistências. Como eram tendências em andamento, continuarão formando que vem sendo caracterizado como "Novo Normal".
Muito se tem comentado sobre esse Novo Normal, mas pouco ou nenhum sobre o Novo Normal da Política ou a Política no Novo Normal.
O Valor Econômico publicou um suplemento especial sobre as mudanças Tendências Pós-Covid encabeçada pela manchete: "O Futuro em Suspenso". Em 30 páginas, bem escritas e bem apresentadas, descontadas as de publicidade, não há um artigo sequer sobre o Novo Normal da Política.
Quando muito se considera o avanço das tecnologias digitais, principalmente o seu mau uso, como a disseminação das "fake news".

sábado, 30 de maio de 2020

Novo normal na política

Muito tem se falado sobre a mudança de hábitos que irá conformar o "Novo Normal". Este será centrado sobre o "fique em casa", seja de trabalho, como de educação, entretenimento, etc.
Eu mesmo, escrevi aqui sobre o tema.
Ontem, participando de uma webinar sobre os cenários Bolsonaro, percebi que a política não entrou no Novo Normal.
As discussões são as mesmas, voltadas ao passado e analógicas.
Propus, aos debatedores e aos participantes uma reflexão sobre o que seria uma "Nova Politica Normal", de base digital.
O que teria avançado mais seriam os aplicativos, principalmente os que permitem disparos de mensagens em grande escala. Passaram a ser utilizados para disseminar "fake news".
Fake news não é novidade em política. Sempre houve mas com disseminação relativamente reduzida, pelas limitações dos meios de comunicação: os veículos eram tradicionais, analógicos como a midia impressa, o rádio e mais recentemente o noticiário televisivo. O mais tradicional era a "rádio peão". Eram mais a divulgação de boatos do que de notícias falsas. Embora já existissem e eram usadas para descontruir adversários políticos. 
A principal novidade e mudança ocorreu nos meios, através da tecnologia. Essa propiciou a criação das chamadas redes sociais, como o falecido orkut, o facebook, twitter, instagram e outros. Os aplicativos incorporados ao telefone celular, mudaram o perfil de funções desses, transformando-os em amplo meio de recepção de comunicações, substituindo o rádio e mesmo a televisão. Na sequência vieram os robôs de multiplicação instantânea das mensagens, tendo como unidade sete dígitos, isto é, um milhão.
Os avanços tecnológicos para os meios dos processos eleitorais estão mais evidentes. Já os conteúdos não.
Não basta saber usar os instrumentos disponíveis pela tecnologia. É preciso mudar a cabeça: passar do analógico ao digital. Envolve uma mudança cultural.
Quais seriam então os conteúdos do Novo Normal da Política?




sexta-feira, 29 de maio de 2020

Ataque contido e certeiro

Ensinam os livros de estratégia de guerra que uma das formas - talvez a melhor - de enfraquecer o inimigo é destruir o seu arsenal de armamentos e munições. Ou os seus equipamentos de guerra (aviões, tanques e outros). 
O Ministro Alexandre de Moraes, diante dos ataques aos Ministros do STF, desferiu um ataque aos arsenais secundários dos seus adversários. Ataque parcial, quase tímido, mas com recado de limitou a investida. Mas se não cessarem os ataques contra o Supremo, irá investir contra o arsenal principal. Esses sentiram o golpe e reagiram furiosamente, mas apenas verbalmente.
Estamos diante de novas guerras, com formato inteiramente diferente das anteriores. As guerras tradicionais eram de destruição física do inimigo, com o desenvolvimento de armamentos cada vez mais sofisticados. 
O coronavirus ataca as pessoas, sem destruição física. Não adiantam os mísseis para combatê-lo. Enquanto não se tiver uma vacina que é a principal arma de defesa, a alternativa é o isolamento social, para reduzir a sua difusão. 
Já na guerra política digital o principal objetivo é destruir reputações. A arma as "fake-news", notícias falsas com o objetivo de desconstruir a imagem do alvo. Parte de uma Central de criação das fake-news, amplos mecanismos de difusão, usando os aplicativos existentes, através de robôs.
Ao apreender os computadores dos suspeitos da produção e disseminação das fake news e dos supostos financiadores recolhe os armamentos. Ao bloquear as contas, contém as munições. Sem essas, os atacantes do STF ficam enfraquecidos e terão que buscar novas alternativas. Já o Supremo ainda guardou muita munição. 
Com muito mais "poder de fogo", desenvolverá uma estratégia de persuasão. Se o inimigo não recuar irá para o confronto. 



As tecologias digitais no Novo Normal da Política

A política irá tentar conter as tendências, incentivar ou regular os novos hábitos? Uma posição - já em andamento - é coibir o uso indevido ...