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domingo, 14 de fevereiro de 2021

Afinal entrou em campo

  Jair Bolsonaro, em campanha aberta pela sua reeleição em 2022, desde a posse, estava no campo ou na pista, sozinho sem adversários declarados. Todos os eventuais concorrentes são suposições dele, Bolsonaro e da mídia. A percepção de Bolsonaro é prática, ele desenvolve ações para a desconstrução do suposto concorrente futuro. João Dória seria o único concorrente.

Todos os demais são suposições de analistas, alguns políticos e difundido pela mídia que tem interesse em transformar a suposição em notícia.

Agora Lula resolveu se manifestar, tentando assumir a liderança de uma oposição do campo da esquerda. Manteve-se fora do campo, esperando por decisões judiciais que o livrassem de vez dos processos, alegando suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.

Cansou de esperar e anunciou o ingresso na campanha, colocando o "bloco na rua", com ele como candidato e se inviabilizado juridicamente, Fernando Haddad no seu lugar.

Guilherme Boulos a liderança emergente da esquerda reagiu negativamente, afirmando que essa deve apresentar projeto e não nomes.

Ele está certo, do ponto de vista da teoria política, assumida pela elite, mas Lula, mais pragmático sabe que o povo vota, majoritariamente,  em nomes e não em propostas. 

O nome traz em si uma proposta que é absorvida ou não pelo eleitor.

O nome Lula é associada à sua proposta básica, nem sempre compreendida e aceita pela teoria, mas bem absorvida pelo povo: melhorar a sua capacidade de consumo.

O bolsa-família não foi desenvolvido apenas como projeto social, mas como um projeto consumista (Não confundir com comunista) e deu suporte à eleição e reeleição de Lula e ainda as eleição e reeleição de Dilma. 

O projeto Lula foi contaminado pelo vírus da corrupção e gerou uma forte reação do eleitorado que elegeu Jair Bolsonaro, em 2018.

Já o PT e Fernando Haddad são mais afeitos à teoria politica e tem como bandeira principal o combate à desigualdade social.

Haddad, o "Andrade" não tem perfil pessoal para assumir o projeto Lula. O único que tem tal condição é o próprio Lula.

Na prática, sem Lula, o PT não tem nada.

O campo da esquerda terá nova liderança. Por enquanto, Ciro Gomes e Guilherme Boulos, com alguma densidade eleitoral. Flávio Dino, perdeu as eleições municipais de 2020, no Maranhão, não sendo um candidato viável. É uma ilusão assumida pela elite esquerdista paulista seduzida pelo seu discurso. 

Lula, mesmo com uma declaração extemporânea, obriga a esquerda entrar em campo ou na pista, para se organizar para a disputa em 2022. Sob intensa artilharia dos sectários bolsonaristas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Bolsonaro sem partido


Frustrada a tentativa de criar e organizar – em curto prazo – um novo partido, Jair Bolsonaro está saindo em busca de um partido para se filiar.

Os Bolsonaros não querem - simplesmente - se filiar a um partido, por identidade ideológica ou programática, mas tentar assumir plenamente o controle de um partido já registado pelo TSE, para dar base às campanhas de 2022.

Bolsonaro e o seu clã familiar não terão a mesma condição de 2017/18 para assumir o controle de um partido político já registrado e representativo,  mas provavelmente conseguirão com um partido, com baixa ou nenhuma representação atual no Congresso e sob risco de extinção diante das cláusulas de barreira. Além disso poderá oferecer vantagens econômicas aos atuais "donos do partido".  

 

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Sacode a poeira, dá a volta por cima

Com a eleição de Joe Biden, apesar da contestada por Trump, o que importa para Jair Bolsonaro não é como ele vai se relacionar com o novo Presidente Norte-Americano, ou como vão ficar as relações comerciais entre os EUA e o Brasil. 

O que lhe importa é como se sustentar no cargo, nos próximos dois anos e ser reeleito em 2022.

Apesar de ter indicado um novo Ministro para o STF, não formou maioria para se blindar e blindar os seus filhos. Teria 3 votos, com tendência a seu favor e mais um 4º, sempre imprevisível, mas ainda ficaria com 7 desfavoráveis. Não  pode titubear e cometer qualquer deslize, que leve a uma decisão do plenário do Supremo.

No Congresso Nacional, a sua base firme é muito pequena e depende do Centrão para evitar o risco de impeachment ou mesmo de ações que poderão desgastar a sua imagem.

O Centrão é voraz na fome por cargos e fica na espreita de cargos cujo Ministro fica enfraquecido. Provavelmente já tem nomes para os Ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores.

Na política externa, Bolsonaro orientado ou influenciado por Olavo de Carvalho, tendo Eduardo Bolsonaro, como o mensageiro, optou por um total alinhamento a Donald Trump, posicionando-se contra a globalização, o multi-lateralismo internacional e confrontando a China. 

Seguindo leamente seu "chefe" adotou um discurso negativista, mas não chegou a adotar nenhuma medida concreta, exceto na área ambiental.

Sem a reeleição de Donald Trump, Bolsonaro perdeu o norte e o apoio irrestrito dos sectários bolsonaristas, mantidos "trumpistas" pelo fogo cerrado, mantido pelas redes sociais.

Fora o nucleo duro dos olavistas, a microcultura "anti-China" vem perdendo adeptos, além da ala do agronegócio - que vem se beneficiando das compras dos seus produtos pela China -  e dos agentes do setor de infraestrutura que contam com dinheiro dos chineses para retomar os investimentos. A mais recente perda foi com a posição do Presidente, contra a compra da vacina coronavac, por ser de origem chinesa, para demonstrar a sua lealdade a Donald Trump, no final da campanha eleitoral. Pela mesmo motivo Bolsonaro se recusa a reconhecer a vitória da Biden-Harris, enquanto o seu lider negacionista não a aceitá-la.

Grande parte da população quer ser vacinada tão logo uma vacina segura esteja disponível, não importa a origem nacional.

O negacionismo de Bolsonaro se reflete na perda de popularidade nas grandes cidades, como indicam as pesquisas eleitorais recentes, com efeito negativo do seu apoio aos candidatos bolsonaristas.

O ganho de popularidade, com o auxílio emergencial, teria sido anulado pela sua postura em relação à pandemia, voltando a um patamar de aceitação do seu governo da ordem de 30%.

A persistência do patamar seria suficiente para levá-lo a um segundo turno, em 2022, mas não lhe garantiria a vitória.

Sem a obrigação ou propensão de manter o alinhamento incondicional a Trump a alternativa de Bolsonaro para conter a sangria da perda de popularidade, será "sacudir a poeira" é aceitar a vacinação contra o coronavirus, com as vacinas que estiverem disponíveis, contrariando os radicais antivacina, raivosos, barulhentos, com amplo uso da rede social, mas minoria, dentro do eleitorado nacional. Ademais a tendência dos gestores das redes é de cercear noticias falsas em relação às vacinas. 

Com uma personalidade bi-polar e radical, Bolsonaro poderá migrar de uma postura radicalmente contra a vacina para uma liderança nacional pela vacinação, para evitar que essa seja tomada pelos Governadores e Prefeitos, com ampla repercussão eleitoral.

Bolsonaro quer evitar que o Governador João Dória emerja como o campeão da superação da pandemia, mas a derrota de Trump, no apoio popular, lhe indica que o negacionismo não é uma boa estratégia eleitoral. Ele tem que tomar o lugar, seguindo o velho conselho de Dom João VI ao seu filho Pedro: "Põe a coroa sobre a tua cabeça, antes, que algum aventureiro, lance mão dela."


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Campanha pessoal pró-Trump

 Na reta final da campanha para a eleição presidencial dos EUA, Jair Bolsonaro está em plena campanha a favor do seu "amigo" Donald Trump, por razões pessoais, ideológicas e pragmáticas.

Caso Trump perca, Bolsonaro ficará sem qualquer apoio internacional significativo para manter a antipolítica ambiental. Ao contrário terá que enfrentar cerrada contestação dos países europeus, tendo que se defender sozinho. Enfrentando, adicionalmente, oposição interna e apoio apenas de facção do agronegócio, da ala ideológica e da sua seita.

Se Trump não for reeleito, Bolsonaro fica órfão politica e ideologicamente e obrigado a assumir a chefia da família, isto é, a família dos dirigentes de direita, raros no mundo e todos de países de menor expressão demográfica, econômica e política que o Brasil. Apenas um deles, Israel, tem poder militar maior.

Terá competência para tal ou deixará a família direitista mundial inteiramente desmembrada, cada qual para o seu lado, sem uma liderança forte?

Se Trump não for eleito, a alternativa de sobrevivência política de Bolsonaro é migrar da extrema direita para o centro "centrão", abandonando a ala ideológica e ajustando a (anti) política ambiental e a de relações exteriores. 

Sem o apoio imaginário de Trump, a ala ideológica terá dificuldade, perante o Congresso em sustentar a presença de Ricardo Salles e de Ernesto Araújo, no Governo. Se o centrão os abandonar, ainda que por objetivos de ocupar os cargos, Bolsonaro não conseguirá mantê-los. Por onde anda Hugo Napoleão?

Abrandará ou abandonará o conflito contra a China, assumindo uma posição mais pragmática para consolidar as relações comerciais com aquele país.

Embora o Brasil não seja relevante na pauta eleitoral, Bolsonaro não pode deixar um flanco adicional de Trump perante Biden que já se posicionou em relação ao Brasil. Bolsonaro não pode deixar evoluir uma imagem pessoal de não estar empenhado na reeleição de Trump. 

Dai o discurso contra a vacina de origem chinesa, que será mantida ou esquecida em função dos resultados da eleição norte-americana. 

Aproveita para provocar e contestar João Dória, mas a motivação principal não é interna, mas externa. Esta vence essa semana.

Enquanto o Presidente mantém um fervoroso discurso pró-Trump, o Governo Brasileiro já está se preparando para um cenário Biden, presidente dos EUA.


terça-feira, 27 de outubro de 2020

A grande onda e os "surfistas"

  Em 2018, uma grande onda - um "tsunami" - varreu as praias políticas do Brasil, "matando" dezenas de velhos políticos que não conseguiram ser reeleitos.

Essa onda trouxe um novo Presidente, meia dúzia de Governadores de Estado, mais de 50 deputados federais, eleitos pelo PSL e outros partidos e centena de deputados estaduais. 

Segundo alguns, um grupo de surfistas que manobrando habilmente sobre as ondas chegaram vitoriosos à praia. Para outros, a onda trouxe o lixo que pairava na superfície ou a baixa profundidade do mar. 

A onda teve origem ou epicentro no desejo de mudança da sociedade, indignada com a amplitude da corrupção nas coisas públicas, no cansaço com as nefastas práticas da "velha política" - disfarçadas de "presidencialismo de coalizão -, no sufoco do patrulhamento do "corretamente político", nos receios e medos do aumento da violência urbana a rural e na descrença da política econômica estatizante.

Na realidade, o tsunami foi de mudança e não bolsonarista, como muitos - inclusive aqui, neste blog - vinha sendo colocado e analisado. O bolsonarismo foi o que veio surfando sobre as ondas. 

O "tsunami" da mudança perdeu força. Em grande parte por decepção ou desalento. A sociedade continua ansiando por grandes e profundas mudanças na política brasileira, mas "perdeu o rumo". Os que vieram surfando nas ondas não tem cumprido os designios prometidos ou esperados. O Presidente já abandonou o comando do combate à corrupção, alegando que o inimigo foi exterminado ou derrotado, associou-se à "velha política", mantendo-se fiel na defesa de mudanças de valores nos costumes e na sua visão de combate à violência. Mantém, no discurso, o apoio à política econômica liberal, mas é seduzido pelas políticas de maior intervenção estatal, no campo social, em função do apoio popular, apesar do impacto negativo nas contas públicas.

Alguns dos Governadores "surfistas" da onda da mudança, já estão afastados temporariamente, mas com risco de afastamento definitivo. Outros enfrentam problemas de governabilidade, por inexperiência ou falta de apoio político e de denúncias de corrupção. 

Parte da bancada dos "surfo-bolsonaristas" já não mantém os laços de solidariedade ao Presidente. 

As eleições de 2020 indicam a manutenção do desejo de mudança, por parte da sociedade, mas apenas o desejo pela honestidade dos candidatos ainda é predominante, de forma generalizada. Os demais perderam atratividade. Mas há um crescimento do segmento que prioriza a segurança como a principal expectativa dos novos políticos: de forma desigual, entre as diversas capitais brasileiras.

Em 2022 uma nova onda de mudança poderá ser formada como reação da sociedade à frustração com os "surfistas" de 2018.

sábado, 24 de outubro de 2020

Uma sucessão de batalhas

  Dentro da guerra da eleição de 2022, Dória fez um avanço com a vacina "chinesa" conquistando posições dentro da Administração Federal, dentro da perspectiva de que seria primeira vacina contra o coronavirus SARS-COV 2, pronta para ser aplicada largamente.

Voltado para outras questões Jair Bolsonaro não percebeu, de imediato, a operação, cercada por argumentos científicos.

Ao perceber lançou um "fogo de barragem" para impedir o avanço da operação e satisfazer os seus seguidores radicais. Enquanto o público estava entretido com a pirotecnia, buscou reorganizar a sua tropa, desmentindo o que os subordinados tinham aceito ou admitido.

Conteve, momentaneamente, o avanço do adversário, mas enfraqueceu vários flancos, deixando-os mais vulneráveis para as batalhas subsequentes.

A primeira é a batalha da imagem e da comunicação, em que estava à frente. Tinha conseguido até agora, caracterizar a vacina CORONAVAC - a marca da vacina desenvolvida pela SINOVAC, uma empresa chinesa - como a "vacina chinesa", com conotação pejorativa, repetindo e disseminando a narrativa de Donald Trump.

Toda a mídia, com poucas exceções, estava se referindo à vacina da SINOVAC, como a "vacina chinesa". Bolsonaro tem demostrando uma grande capacidade de pautar a mídia. 

A explosiva e emotiva reação de Bolsonaro fez a mídia perceber a cooptação e vem passando a se referir à vacina, pela marca (CORONAVAC) ou pelo fabricante dessa (SINOVAC). Cada vez mais será caracterizada como a "a vacina do Butantã", a fabricante brasileira da vacina, a partir da tecnologia e insumos fornecidos pela SINOVAC. 

No campo político reuniu a maioria dos Governadores, assim como o Presidente da Câmara e outros parlamentares contra a decisão de não comprar a vacina do Butantã. Em contrapartida conseguiu formar uma base aliada no Senado.

O problema maior é com o Exército, ao obrigar o General Pazzuelo a desfazer os compromissos assumidos com o Instituto Butantã e com os Governadores. 

Como militar disciplinado o General não teria assumido os compromissos, sem antes consultar o Presidente, ao qual deve ter dito que era a compra de uma vacina brasileira, a primeira que deverá estar chegando ao mercado. E teve "sinal verde".

"Manda quem pode, obedece quem tem juízo". É a máxima do modelo da chefia autoritária, em desuso, na maioria das grandes empresas. Bolsonaro manda e o General, institucionalmente subordinado, obedece. Mas ter que assumir inteira responsabilidade por um ato que não foi só seu, é uma humilhação que afeta a dignidade da corporação, dividida em relação ao ocorrido. A hierarquia e a disciplina não justificam o nível de sumissão.

A isso se soma um novo confronto dentro do Governo entre a ala ideológica e a ala militar. Os filhos resolveram radicalizar e atacar a ala militar. Poderão até vencer a batalha com a saida do General Ramos, mas enfraquecerá o apoio das Forças Armadas ao Governo. 

Com a proximidade das eleições presidenciais norte-americanas, a ala ideológica deve estar contando, com a reeleição de Trump, que repetiria a façanha de 2016.

A ala ideológica não tem força militar, não tem força judiciária, não tem força política, apenas o apoio popular dos sectários do bolsonarismo. Piorará as condições de governabilidade de Bolsonaro, que ficará mais dependente do Centrão. A sua cartada está na reeleição de Davi Alcolumbre para a Presidência do Senado e na eleição de Arthur Lira, do Centrão, para a Presidência da Câmara dos Deputados. 

Alcolumbre articulou bem a aprovação de Kássio Marques  para o STF, com o que espera reverter uma posição desfavorável à aprovação da interpretação da cláusula constitucional que permitiria a reeleição. 


Ainda não está assegurada.

sábado, 10 de outubro de 2020

O futuro do Governo depende só do Governo?

  A importância do Governo Federal leva à noção de que o Presidente da República governa o país. Portanto o futuro do país depende de como ele governa hoje criando condições favoráveis ou condicionantes para o futuro do Brasil.

Na realidade o Presidente da República governa a Administração Federal e mesmo assim com restrições. Não tem poderes ilimitados.

Dada a importância da Administração Federal e das suas contas, isto é, das contas públicas, tem-se a impressão de que a economia brasileira depende inteiramente do Governo Federal.

As contas do PIB mostram, no entanto, que a participação direta do Estado na economia é relativamente pequena, ficando a maioria da produção a cargo das empresas privadas.

As empresas privadas são dirigidas pelo Estado, ou tem independência? Até que ponto vai essa eventual independência? O Presidente da República governa as empresas privadas?

O Estado brasileiro já teve importância maior na economia, tanto do ponto de vista produtivo como regulatório. Embora as políticas governamentais tenham sido de reduzir a participação do Estado na economia, seja por resistências, de várias ordens, como por eventuais reversões, o Estado ainda tem um protagonismo relevante. 

O setor privado, embora seja independente tende a ficar atrelada às políticas governamentais.

O principal atrelamento está nos benefícios concedidos pelo Estado para o desenvolvimento ou manutenção das atividades.

O Governo atual foi eleito, entre outras promessas, a de implantar uma economia liberal, com ampla redução da interferência do Estado na economia.

De um lado, objetiva-se reduzir os gastos públicos e, com isso, reduzir a carga tributária que pesa sobre as empresas privadas.

De outro busca a desestatização transferindo para o setor privado um conjunto de atividades econômicas, ainda geridas pelo Estado. Além do objetivo macro político, o Governo quer, através da desestatização, levantar recursos para reforçar o caixa do Tesouro Nacional. A predominância do interesse financeiro público acaba prevalecendo sobre as visões estratégicas de desenvolvimento futuro.

Um primeiro cenário é da implantação completa da economia liberal, com o total controle das contas públicas e de ampla privatizações e desestatizações. O que acontecerá com a economia brasileira, com dependência maior ou quase total das empresas privadas. 

Elas precisarão buscar, por sua conta e risco, os mercados para a venda dos seus produtos, investir em inovação e  em ganhos de produtividade para ganhar competitividade, nos mercados-alvo e ampliar ou qualificar o seu quadro de trabalhadores.

Com a perspectiva de retomada da economia os investimentos estrangeiros retomarão aos níveis pré-pandemia.

Supõe-se que as suas escolhas serão as melhores para o Brasil e com isso o cenário será de uma retomada vigorosa e sustentável da macroeconomia.

O segundo cenário é de implantação parcial da economia liberal, com as contas públicas ainda controladas, mas com contenção de gastos, sem investimentos públicos e com carga tributária aumentada. O setor privado manterá cautela nos investimentos, aumento de produção e de empregos. Os investimentos estrangeiros voltarão em escala reduzida. 

O terceiro cenário é de fracasso da implantação da economia liberal. O programa de desestatização "não decola" e as pressões políticas para manter as remunerações dos servidores públicos e aumentar os investimentos públicos levam a "furar o teto". O setor público entra em colapso, com atrasos de pagamentos e salários. O setor privado se retrai buscando apenas a sobrevivência.

A reversão desse cenário decorrerá de uma libertação do setor privado das políticas públicas, buscando caminhos próprios diversos das sinalizações do Governo. 


 


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Precisa se viabilizar

 

Jair Bolsonaro ao lançar a indicação de Kássio Nunes ao STF para ocupar a vaga do decano Celso de Mello dá partida visível a uma manobra politica que pode dar certo ou errado.

O seu objetivo não é a designação de Kássio Nunes, mas abrir o espaço para a indicação efetiva de um dos seus preferidos, todos amigos pessoais. 

É a conhecida operação "boi para piranha". 

Bolsonaro deixa o combate "frente à frente" e segue pelos flancos, dando ao indicado a responsabilidade de "se viabilizar". Se a oposição for muito forte, com risco da não aprovação do nome pelo Senado, Bolsonaro "aborta a operação", volta ao começo, argumentando que o indicado não conseguiu se viabilizar e pode lhe dar um prêmio de consolação, na realidade, o que Kassio quer: uma vaga no STJ. 

Com uma primeira vítima, Bolsonaro acha que terá menos resistência para uma indicação de sua preferência pessoal. 


domingo, 4 de outubro de 2020

Cenários da disputa pela Prefeitura de São Paulo - 1ª atualização

 O primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, reunindo 11 candidatos e a pesquisa IBOPE, divulgada logo após, ainda que não leve em conta o debate, pois os levantamentos foram feitos antes,  confirmam as tendências apontadas no estudo inicial.

De uma parte três candidatos buscando o eleitorado bolsonarista, com Celso Russomanno, com larga vantagem, mas sendo alvo dos demais candidatos do mesmo campo: Joice Hasselmann e Artur do Val. Ainda não ganhou um eleitorado adicional ao colar a sua candidatura a Jair Bolsonaro e promessa de implantar e ampliar um auxílio aos mais pobres. Neste campo tem as barreiras dos adeptos de Boulos. Embora os votos de Joice e Artur do Val não ameacem a hegemonia de Russomanno junto ao eleitorado bolsonarista, podem ser um diferencial importante que leve ou não Russomanno ao segundo turno. Apesar de estar na liderança das pesquisas, não tem o suficiente para vencer no primeiro turno e, como nas vezes anteriores, corre o risco de perda de eleitorado.

Russomanno teve oportunidade de se apresentar como o candidato de Bolsonaro, mas não para se posicionar como o principal candidato anti-Dória, com muitos concorrentes nessa posição.

Como candidato de Bolsonaro passou a ser alvo de críticas e tentativas de desconstrução pelos demais. Confirma a tendência de que se chegar ao segundo turno, será derrotado pela reunião de todos os adversários.

Bruno Covas tem posição mais tranquila. Com o nível de apoio e sem adversários para ameaçar a sua posição, estará no segundo turno. A sua eleição fica ameaçada pela eventual coalizão anti-Dória. Mas essa não terá a mesma força do anti-Bolsonaro e o choque entre esses dois movimentos antagônicos favorecerá Bruno Covas, numa contenda com Celso Russomanno.

Covas ainda tem elevado índice de rejeição, seja pessoal, como derivado do anti-Dória.  O risco de Covas continua sendo Márcio França, com uma eventual desidratação da candidatura Russomanno. Os dados atuais não indicam essa possibilidade.

Tampouco há indícios de alguma inesperada onda, como ocorreu em 2018. Na realidade não foi inesperada, mas não percebida ou desprezada, pelo uso maior e eficaz da rede social e não pelos meios tradicionais. 

Agora começa a propaganda tradicional pelo rádio e televisão, cuja força, neste quadro de restrições de mobilidade, será testada. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Do nada pode para o tudo pode (2)

 Os cenários futuros dos manguezais e restingas do litoral brasileiro decorrerão dos resultados do jogo de forças intervenientes.

De um lado estão os ambientalistas preservacionistas que propugnam por uma ampla participação do Estado, através da regulação e da fiscalização para garantir a preservação dos mangues e restingas.

De outro lado, está o Governo atual, com uma política antiregulatória, em consonância com a visão liberal da economia. 

Nas rodadas anteriores, os preservacionistas ganharam no campo formal, mas não no campo real, não conseguindo evitar inteiramente a depredação clandestina para a produção de camarões, no Nordeste, ou para ocupação residencial precária, como as comunidades em palafitas.

No novo jogo, o Governo marcou o primeiro gol, com a revogação, no CONAMA,  do aparato regulatório de proteção aos manguezais e restingas. A contestação mediante ação popular, aceita por uma Juiza de 1ª instância, empatou o jogo. O empate favorece os preservacionistas.

A revogação da liminar, foi o segundo gol do Governo, mantendo a revogação. Mas o jogo continua, sob torcida da sociedade. Os preservacionistas tem uma torcida organizada barulhenta que gera a impressão de que dominam a totalidade. 

Vencendo a liberação, haverá ocupação maior das restingas e manguezais, seja de forma ordenada e sustentável, como de forma predatória.

Vencendo a preservação, não haverá um crescimento da ocupação organizada, mas permanecerá a evolução da ocupação clandestina e predatória.

O terceiro cenário alternativo é uma concertação entre o setor produtivo organizado e o Governo para uma regulação mais genérica. Em contrapartida o setor produtivo deverá assumir a responsabilidade pela auto-regulação e auto-controle, incluindo a fiscalização e mitigação da ocupação predatória por pequenos produtores, como forma de sobrevivência. O caminho é o cooperativismo. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Do nada pode para o tudo pode

 

No início do século, os ambientalistas brasileiros se anteciparam aos movimentos mundiais e sob os auspícios do Governo Lula, com Marina Silva à frente, conseguiram a aprovação de uma legislação radical amplamente proibitiva dentro da visão de preservação absoluta das florestas, das matas, das restingas e outros ambientes originais da natureza. A hegemonia absoluta era do preservacionismo, dentro do qual "nada podia ser feito" nas áreas destinadas à preservação.

Para garantir o cumprimento, conseguiram aprovar medidas penais rigorosas, como a afiançabilidade dos crimes ambientais. 

As medidas foram aprovadas na crença de que seria mais um conjunto de leis que “não pegam”. Mas pegou com a montagem de um amplo mecanismo de fiscalização ambiental, ainda que insuficiente.

A exploração econômica das áreas protegidas seguiu incólume.  

Um grande embate político regulatório ocorreu com a tramitação do Código Florestal, no qual se chegou a um acordo, com pequena vitória dos produtores. Os ambientalistas, embora tenham assegurado muitas medidas protetoras do meio ambiente natural, não se conformaram e mantiveram o seu ativismo pelo “nada pode” e contra as anistias aos contraventores.

As principais ocupações  nos mangues, restingas e outros biomas litorâneos, ocorreram para a produção de camarões e instalações imobiliárias.

Dada a hegemonia do pensamento ambientalista, fortemente patrulhado, os produtores não se manifestavam amplamente, preferindo desenvolver os seus negócios clandestinamente.

Parte, no entanto, tomou o caminho político dando apoio a um candidato presidencial, marcado pela rebeldia e contestação ao estabelecido, com propósitos de romper com o "status quo", inclusive na área ambiental. 

Eleito, Jair Bolsonaro encontrou em Ricardo Salles, militante da área ambiental, mas como opositor das políticas estabelecidas, o executor ideal para promover as mudanças. Liberal, contra as intervenções do Estado sempre defendeu a revogação de todo o aparato regulatório e fiscalizador do Estado.

Achou que com a atenção da sociedade voltada para a pandemia, poderia passar a revogação ampla das restrições ambientais, em "baciada".

Destemido, não se intimidou com as reações contrárias e seguiu nos seus propósitos, conseguiu a mudança na composição do CONAMA e fez aprovar a revogação das medidas que protegiam os mangues, as restingas e outro biomas naturais do litoral brasileiro, gerando forte reação midiática e indignação da sociedade urbana.

O Governo vem adotando a estratégia da "destruição criativa", na área ambiental. Primeiro quer destruir tudo o que foi construído pelos governos anteriores para montar uma nova política e organização institucional e administrativa ao gosto dos seus apoiadores e seus, privilegiando a produção econômica.

Tal estratégia tem causado efeitos indesejáveis a curto prazo, como o aumento relativo do desflorestamento e, principalmente, um imenso crescimento de queimadas, aceleradas e ampliadas pelas altas temperaturas e menor proteção.

A repercussão internacional dessas ocorrências, já vem prejudicando as vendas de produtos do agronegócio no exterior, assim como o interesse dos investidores internacionais.

O Governo Bolsonaro está na metade do seu mandato, ainda tem dois anos para promover uma renovação criativa. Aparentemente não sabe que, nem como. Sabe destruir, mas não sabe como reconstruir.  

O impacto dessa estratégia de "destruição criativa" não será só ambiental, mas - principalmente - comercial e financeiro. Compromete a retomada do crescimento econômico, pós-pandemia. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Uma briga arriscada

 Jair Bolsonaro com a sua personalidade briguenta estava se contendo para não entrar na briga que está ocorrendo à sua vista. Não aguentou e resolveu entrar, sabendo que vai bater, mas também levar. 

O seu apoio terá efeitos positivos e negativos. Poderá alavancar candidatos pouco conhecidos e levá-los ao segundo turno. Em 2018 o bolsonarismo emergiu como uma nova força política e promoveu a vitória inesperada de 4 governadores. Dois menos conhecidos no Norte,  Coronel Marcos Rocha em Rondônia, Antonio Denarium, em Roraima e dois mais abaixo: Comandante Moisés, em Santa Catarina e Wilson Witzel no Rio de Janeiro. Esses dois últimos estão sofrendo processo de impeachment, com os bolsonaristas voltando-se contra eles.

Ao apoiar candidatos pouco conhecidos pelo eleitorado em Santos e Manaus, poderá repetir a alavancagem de 2018. Poderá promover dois candidatos novatos, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, para enfrentar veteranos que estão nas lideranças nas pesquisas prévias.

O mesmo não ocorre em São Paulo, onde decidiu apoiar o atual líder nas pesquisas Celso Russomanno. O maior desafio deste, para não repetir o fracasso das suas duas tentativas anteriores de alcançar a Prefeitura de São Paulo, é sustentar o apoio do eleitorado e não perder: não é ganhar mais, mas perder menos. Bolsonaro pouco acresce, em termos quantitativos, o eleitorado já favorável a Russomanno. Pode agregar empresários e eleitores de maior renda que não tem simpatia por Russomanno. Mas daria suporte para a manutenção do eleitorado de menor renda. 

Porém a rejeição de grande parte da sociedade paulistana a Jair Bolsonaro pode pesar num segundo turno. 

Foi o que ocorreu em 2016, com a predominância do voto útil.  No primeiro turno, João Dória teve mais votos na cidade de São Paulo do que Márcio França. No segundo os anti-Dória descarregaram o voto em Márcio França, dando lhe uma vantagem de quase 1 mihão de votos. Insuficiente para reverter a vantagem de Dória no interior. 

O segundo turno em São Paulo será dominado pelo voto anti, caracterizado como "voto útil". Este poderá derrotar o candidato apoiado por Bolsonaro. Assim como o candidato de Dória, dependendo dos candidatos que estarão em confronto. Boulos, se chegar ao segundo turno será derrotado pela rejeição dos ditos "antipetistas".

O mesmo poderá ocorrer nas outras grandes cidades onde o candidato apoiado por Bolsonaro alcançar o segundo turno, invertendo o ocorrido em 2018. 

A marca Bolsonaro pesará mais negativa do que positivamente.

Bolsonaro poderá sair muito machucado, com as eventuais derrotas, embora ele tenha convicção pessoal de que seu apoio elegerá o seu candidato.


segunda-feira, 21 de setembro de 2020

A disputa em São Paulo

  Definidas as candidaturas e as coligações partidárias para a eleição municipal na cidade de São Paulo, em 2020, o cenário básico será do retorno ao velho normal retificado, com a disputa agora entre o psdebismo, o bolsonarismo e a esquerda. Todos reajustados.

O Psdebismo não será o tradicional e de "raiz". Esse é representado por Andréa Matarazzo que, sem espaço no PSDB migrou para o PSD. Celso Russomanno não é um bolsonarismo de raiz, mas foi a opção de Bolsonaro, diante da dissidência de Joice Hasselmann e por não conseguir a indicação pelo PSL de um bolsonarista sectário. O PT perdeu substância eleitoral e com potencial inferior ao PSOL que foi criado como uma dissidência do PT. 

A disputa centrada nesses três polos retira espaço e possibilidade de outras opções e renovação. A expectativa da retomada verde, trazendo esse tema como um dos principais pontos das campanhas, está frustrada. 

Os estacionamentos, um dos principais alvos da retomada verde, voltarão ao espaço habitual, não devendo sofrer grandes mudanças regulatórias e de política pública, tanto nas campanhas, como na próxima gestão e legislatura municipal.

A disputa principal será entre Bolsonaro e Dória, com o Presidente tentando destruir e não apenas desconstruir, para que ele não chegue politicamente vivo em 2022. Bolsonaro já conseguiu eliminar Wilson Witzel e atuará - nos bastidores, com lhe é usual - para essa empreitada de eliminar Dória. Mas este tem uma base melhor e própria, o que Witzel não tem.

Na disputa entre Bolsonaro e Dória, os temas principais serão o funcionamento das atividades econômicas, a gestão no enfrentamento da pandemia do coronavirus, o desemprego e a sobrevivência dos "informais".

Em relação ao primeiro, agora Bolsonaro explicitou o seu entendimento, que vinha sendo dito parcialmente e praticado. Sustenta que é a COVID 19 é uma "gripezinha" que se torna grave para os fracos. Os fortes, como ele e seus familiares serão contaminados, mas nem sintomas apresentarão. Com apoio precoce da cloroquina, rapidamente estarão curados e imunes. 

O "fique em casa" é para Bolsonaro destinado apenas aos fracos - que deve incluir os idosos. Fora esses todos devem sair para trabalhar e consumir. Com isso ele acredita que a economia volte a funcionar normalmente e Russomanno deverá seguir plenamente esse entendimento, fazendo uma ampla campanha de rua, com o corpo a corpo. Só não conseguirá restabelecer os shows-comícios  dadas as restrições às aglomerações.

Vai aumentar a contaminação? Vai, mas será considerado normal. O importante será conter o crescimento das mortes. De outra parte, as vacinas estarão disponíveis em 2022, com algumas ainda em 2021.

A posição de Dória, acompanhada por Bruno Covas é de liberação controlada, em função dos níveis de contaminação e da capacidade do sistema de saúde atender às internações. É o que vem sendo feito e Covas deverá defender essa política, acusando a posição de Bolsonaro de irresponsável. 

Ademais que não se pode precipitar nas liberações sem a disponibilidade ampla de vacinas, contrapondo-se à posição de Bolsonaro que minimiza a importância da vacina, colocando-se contra a obrigatoriedade. 

Na gestão pública da pandemia a questão crítica é a volta das aulas presenciais no ensino fundamental. A posição de Bolsonaro é liberação geral, ampla, irrestrita e imediata. Russomanno seguirá à risca? As resistências ainda são grandes e poderão ter efeitos eleitoralmente negativos. Serão tanto dos pais dos alunos de classe média, como dos profissionais de ensino, com amplo apoio da esquerda. Dória e Covas querem maior cautela.

Para o retorno das atividades econômicas e de consumo há entendimento comum, com diferenças em relação à gradação e às circunstâncias. Para 2021 as restrições remanescentes deverão ser mínimas. 

A prioridade dessas questões de gestão da pandemia deixará as demais em segundo plano, inclusive a da mobilidade urbana.

Durante as próximas semanas desenvolveremos algumans análises individuais dos candidatos

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O bolsonarismo nas eleições de São Paulo, em 2020

  Jair Bolsonaro ao romper com Luciano Bivar e deixar o PSL, pelo qual foi eleito e puxou consigo mais de 50 deputados federais buscou a formação de um novo partido, contando com o seu registro a tempo de inscrever os candidatos bolsonaristas nas eleições de 2020, pelo novo partido.


Ao não conseguir o seu intento, seja por insuficiência de assinaturas, antes mesmo do início das restrições face à pandemia do novo coronavirus, como pelas dificuldades da coleta presencial de assinaturas, deixou os deputados - tanto federais como estaduais - no "limbo".

Se saíssem do partido para se registar em outro, além de ter uma das justificativas previstas na lei, não poderiam levar para o novo partido, o tempo de televisão assim como a quota dos fundos públicos, relativos à sua eleição.

Poucos saíram, com direção dos Republicanos e do PRTB (o partido pelo qual foi eleito o General Mourão).

Os bolsonaristas tentaram conquistar o poder dentro do partido, mas não conseguiram. Bivar continua mandando, mas também não conseguiu expulsar os bolsonaristas. Conseguiu suspendê-los temporariamente para escolher as lideranças partidárias dentro da Câmara dos Deputados. Comanda a indicação dos candidatos do partido às eleições de 2020, deixando de fora os "bolsonaristas que continuam fieis ao Presidente". 

Em São Paulo, indicou e já registrou Joice Hasselmann, dissidente do bolsonarismo, como a candidata do partido à Prefeita, barrando as tentativas de composição com os bolsonaristas, interna e externamente. A tentativa de Celso Russomanno, de tê-la como candidata à Vice-Prefeita, fracassou.

Russomanno restou como o candidato do bolsonarismo, embora não o seja. A sua ligação com o bolsonarismo advém da base evangélica.

Outros buscam o apoio do Presidente, mas este não se dispõe a anunciar expressamente apoio a nenhum candidato, uma vez que esse apoio não seria decisivo e não quer correr o risco de ser derrotado.

A seita bolsonarista, disposta a seguir cegamente o seu líder e as suas determinações ou indicações representariam cerca de 30% do eleitorado. O suficiente para levar o candidato ao segundo turno, em função da fragmentação dos 70%. Mas no segundo turno, o acrescimo do bolsonarismo seria mínimo enquanto os 70% tenderiam a unir contra o candidato bolsonarista.

Celso Russomanno, como o candidato declaradamente bolsonarista e não como "bolsonaristas enrustidos" como os demais que buscam o apoio presidencial, para ser eleito, precisa ganhar ainda no primeiro turno.

Tem ele votos próprios, independentes do bolsonarismo? Ou os bolsonaristas já fazem parte do seu eleitorado? Uma parte, seguramente, é comum: o seu eleitorado evangélico. 

Russomanno tem um grande eleitorado popular, predominantemente de classe média baixa, alcançado pelo seu programa em defesa do consumidor. Grande parte, no entanto, é comum com  o eleitorado evangélico ligado à IURD e à própria seita bolsonarista. 

Conta com recall, sendo o candidato mais conhecido, que emerge na liderança das primeiras pesquisas, mas parece ser o candidato enquanto os outros não aparecem. No final da campanha, nas duas últimas eleições, sofreu a migração para outros candidatos. Em 2012, parte do seu eleitorado teria migrado para as hostes do candidato petista, Fernando Haddad. Mas em 2016, não se manteve com esse, migrando a favor de João Dória, levando-o a vencer ainda no primeiro turno, com Russomanno ficando em terceiro.

Russomanno deverá ser o candidato preferencial de Jair Bolsonaro, mas o objetivo principal deste será derrotar João Dória, que apoia Bruno Covas. 

Nesse caso, irá apostar em Márcio França. 

Sempre nas sombras, sem explicitar o seu apoio, pelo menos no primeiro turno. Dependendo das circunstâncias poderá tomar posição mais clara. Com a avaliação dos riscos. Não quer carregar, para 2022, uma derrota em São Paulo, em 2020.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O Presidente que não deixa de ser deputado

  Jair Bolsonaro, deputado federal ao longo de 7 mandatos, 26 anos submerso no baixo clero, somente emergindo nos dois últimos anos, já como pré-candidato à Presidência, eleito e agora com um ano e oito meses no exercício percebeu que os deputados ter mais poderes do que o Presidente da República. 

O Presidente não pode ser irresponsável fiscalmente, o Congresso pode. 

Quando o Congresso aprova alguma medida contra a responsabilidade fiscal, o Presidente deve vetar e não promulgar para não incorrer em irresponsabilidade fiscal, ficando sujeito a um processo de impeachment pelo próprio Congresso.

Foi o que ocorreu com o projeto de lei que concedeu perdão de dívidas fiscais da Igrejas. Orientado pela área econômica e pelas assessorias jurídicas vetou várias partes do projeto.

Em seguida articulou com a base evangélica e a sua própria base a derrubada dos vetos. Uma situação inusitada, uma artimanha para aprovar o projeto, como saiu do Congresso, sem incorrer em responsabilidade fiscal.

Qual será a responsabilidade do Congresso se derrubar os vetos que foram apostos por contrariar a lei de responsabilidade fiscal? Nenhuma, dentro do que "está escrito" na lei? O Supremo irá concordar e convalidar a manobra?

E a sociedade organizada? Vai se omitir? 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Renda Brasil x Bolsa Família

O Bolsa Família foi formulado por Ruth Cardoso - antropóloga, com amplo e profundo conhecimento da cultura brasileira – como um benefício pecuniário continuado, suficiente para vencer a fome, mas insuficiente para que o beneficiário se acomodasse, deixando de buscar trabalho, para melhorar a sua renda. Não era uma medida populista, mas um instrumento de promoção social.

Lula implantou de forma ampliada e sem burocracia.

Essa implantação teria propiciado a Lula a sua reeleição em 2006 e a primeira eleição de Dilma Rousseff.

Com a pandemia do cornavirus o Governo e a sociedade organizada “descobriram” uma multidão de pobres, fora do mercado de trabalho formal.

Para a sobrevivência dessa população o Ministério da Economia propôs um auxílio emergencial, no valor de R$ 200,00 mensais, durante 3 meses. O Congresso propôs aumentar para R$ 500,00. Bolsonaro num dos seus arroubos propôs aumentar para R$ 600,00 mensais.

Conseguiu reverter a queda de popularidade e ganhar parte do eleitorado do Nordeste.

O número de beneficiários foi muito superior ao esperado e eles estão contando com a continuidade.  A descontinuidade leva à perda do apoio popular.

Para a manutenção continuada do auxílio-emergencial, mesmo em valores menores, precisa compensar com cortes em outras despesas. As opções de Guedes são de cortes em outros benefícios.

Bolsonaro preferiu suspender a ideia de um “Renda Brasil” em substituição do Bolsa Família.

Não é uma desistência definitiva, mas um adiamento para 2022, para ter influência na sua reeleição.

Prefere perder agora, para recuperar mais à frente, contando que os beneficiários reagem diante de situações concretas, desconsiderando passado e futuro.

É apenas um recuo estratégico, dentro do objetivo de reeleição.


sábado, 12 de setembro de 2020

Mulheres na política

 Se todas as eleitoras são um pouco mais que todos os eleitores- homens, porque são tão poucas as mulheres nos cargos eletivos? Por que é preciso estabelecer obrigações partidárias a adotar quotas para ampliar o número de mulheres candidatas?


As razões usuais apontadas são o machismo - a discriminação pelos dirigentes partidários contra as eventuais candidatas, ainda mais se forem negras. 
Seria por isso ou pela falta de interesse delas em ingressar na política?
Essas escondem a razão principal: a baixa capacidade das mulheres candidatas em conseguir votos. Elas não são eleitoralmente fortes, teriam limitado potencial eleitoral, salvo exceções.

Supostamente, elas não conseguem sensibilizar um número de eleitoras e também eleitores para alcançar a quantidade de votos necessários para a sua eleição. No regime de proporcional* vigente no Brasil, dependem também do partido pelo qual estão registradas. Até as eleições passadas, ainda prevalecia o sistema de coligações também para as eleições parlamentares o que foi abolido, permanecendo apenas para as eleições majoritárias, isto é, para os cargos eletivos dos Executivos e também para a senatoria.
*Todos os votos dos inscritos pelo mesmo partido são somados para, em função do quociente eleitoral, definir o número de eleitos pelo partido. Os que forem classificados, pelo número de votos, dentro da quota do partido são eleitos.
Isso fazia com que o interesse dos partidos em inscrever mulheres era para somar votos para esses, contando que elas não conseguiriam reunir votos suficientes para serem eleitas e apenas ajudar os outros a serem eleitos. Poucas conseguiram superar essa barreira, sendo eleitas, ajudada pelos outros e não o oposto.
Elas tem sido convocadas para concorrer como vices, nas eleições majoritárias. O pressuposto é que elas somam, sem subtrair e, portanto reforçam a votação do candidato principal, seja Prefeito, Governador e mesmo Presidente da República (vide o caso agora das eleições presidenciais norte-americanas). Elas trariam votos do seu reduto eleitoral que seria pouco acessível ao candidato principal. Além do mais, melhoraria a imagem do candidato junto a um eleitorado simpático à presença de mulheres, negros e indígenas, indicando que aquele não seria preconceituoso ou discriminante. É uma jogada políco-eleitoral, que não aceita o inverso, isto é, a candidata principal ser mulher e, preferencialmente, negra e o candidato a vice um homem branco.


Grande parte das mulheres que foram eleitas para o Congresso Nacional não foi de forma independente e pelas suas próprias forças. Substituíram marido, irmão, pai e outros parentes, herdando os votos deles.
A deputada federal Soraya Manato, eleita no Espirito Santo, substititui o marido Mannato, que se candidatou ao Governo do Estado sem sucesso. Daniela Vaguinho é esposa do Prefeito de Wagner Carneiro, Prefeito de Belford Roxo, Rio de Janeiro e há ainda várias outras que herdaram votos de maridos, irmãos e pais.
Não obstante, há várias deputadas federais, eleitas a partir de carreira política própria, principalmente na área da educação, seja ocupando cargos administrativos, como Secretária de Educação, ou lideranças sindicais da corporação dos profissionais de educação. No primeiro caso, a Professora  Dorinha, em segundo mandato como deputada federal - DEM - eleita por Tocantins, ganhou notoriedade como articuladora da aprovação do FUNDEB, pela sua função de relatora do projeto de lei. No segundo caso, a prof Rosa Neide - PT - Mato Grosso, foi líder sindical, mas também exerceu cargos administrativos na área de educação. 

A corporação dos profissionais de ensino/educação, onde as mulheres são ampla maioria, é uma das mais ativas para eleger seus representantes para cargos eletivos parlamentares, em todos os níveis (municipal, estadual e federal).
Uma questão a ser melhor avaliada é se essas professoras são eleitas exclusiva ou predominantemente (mais de  80%) com os votos da corporação, adicionados pelos pais dos alunos e alunas, ou se conseguem ampliar o seu eleitorado, sensibilizando corações e mentes de outros segmentos, não ligados diretamente à educação.

Em função do pequeno número de mulheres eleitas e das discriminações, foram se formando grupos de "resistência" ou de "contestação" para fomentar o crescimento do número de mulheres concorrentes e eleitas. Elas mesmo organizaram movimentos, organizações não governamentais, formando "tribos", sendo elas as líderes tribais, arregimentando líderes comunitárias, corporativas ou defensoras de causas específicas. Com isso contam com uma base de votos "tribais", alimentando as participantes, com teses, discursos, palavras ou frases chaves, mantras para que essas "abracem" a causa e disseminem para outras, formando uma rede. Comunicam entre si, dentro do "nóis, com nóis".

Animam-se pelas adesões externas de simpatizantes,  que nem sempre se concretizam em votos. Por outro lado sofrem oposição de grupos mais conservadores. A reação passa ocorrer pela visão de que esses grupos de resistência passam a ser vistos como discriminadores, aceitando só os seus e repelindo os demais. 

As suas corporações ou redutos são suficientes para a eleição de uma representante, mas dificilmente conseguem duplicar ou multiplicar sua representação.  Dai o número relativamente reduzido de mulheres no conjunto. 

Para ampliar o número de mulheres com força eleitoral, elas precisam extrapolar a sua corporação ou tribo, para atuar como políticos, independentes da sua conotação de gênero e raça, ou de representação corporativa feminina.

Precisam "pensar Brasil", ou "pensar a cidade como um todo", no caso de candidatura a Prefeita ou vereadora, de forma não discriminatória. 

Podem adotar diversas matizes ideológicas, mas dentro da visão "do que é melhor para o Brasil" ou "o que é melhor para a cidade, como um todo". 

Elas deverão buscar os votos dos eleitores, em geral, em função de suas propostas para a cidade, no caso das próximas eleições municipais, e não como mulher e negra. Mas sem desprezar ou abandonar  o apoio e os votos do seu reduto.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Aposta no agronegócio - segura ou arriscada?

A agropecuária-florestal brasileira vem apresentando um bom desempenho, que se acentuou com a pandemia do novocoronavirus, promovendo o aumento da participação do agronegócio no PIB e indicando que poderá - dentro da retomada da economia - ser o novo motor do crescimento.
É uma boa ou má aposta "jogar as fichas" nesse setor? É seguro ou arriscado? É possível ou mais uma ilusão?
Primeiramente é preciso ver e perceber que o agronegócio se divide, pelo menos, em três subsetores: agropecuária-florestal, agroindústria e agrosserviços.
O primeiro é o que vai bem e sustenta o desenvolvimento dos demais, tanto para o abastecimento interno, como nas vendas para o exterior. É a parte mais visível, pelos recordes de produção das safras de grãos e pela geração de superavits cambiais. 
A agroindústria se desdobra em "semi-manufaturados" com a produção ainda de commodities, como o açúcar, o suco de laranja, a celulose e outros. Destinados predominantemente para o mercado externo, também vai bem. Os segmentos de maior industrialização das matérias-primas para a transformação de alimentos prontos ou semiprontos para consumo atende suficientemente a demanda interna, mas tem participação reduzida, seja na pauta das exportações brasileiras, seja de participação no mercado mundial. 
Para fazer do agronegócio o motor do crescimento econômico, a agroindústria será o elemento mais importante. 
O terceiro subsetor do agronegócio e que contempla a maior participação, representando cerca de 50% do setor é altamente diversificado, mas duas das atividades se destacam: a logística e a comercialização.
A logística está presente em todo o agronegocio, gerando valor, mas também custos. Pode favorecer como comprometer a competitividade dos produtos brasileiros. É um ponto crítico ou o maior gargalo. 
A comercialização para o mercado interno caracterizado como abastecimento vem funcionando sem maiores problemas, ainda sob predomínio das empresas nacionais, apesar do avanço no mercado de varejo, de grandes cadeias multinacionais. Já a comercialização para o mercado externo, nos principais produtos exportados, é dominado por multinacionais. 
Apostar no agronegócio, do ponto de vista interno, significa investir fortemente na agroindústria exportadora e na logística. 
Do ponto de vista da demanda externa, as perspectivas são de crescimento constante, em função da continuidade do crescimento demográfico mundial que já conta com 7,5 bilhões de habitantes e poderá chegar a 10 bilhões, até 2050. Todos precisam comer, embora nem todos venham a ter renda para o consumo.
Na relação com o mercado externo, a variação cambial é um fator crítico. As perspectivas são de continuidade do patamar atual, mas será sempre um fator de risco na aposta de uma economia com maior participação no mercado internacional. A estratégia brasileira terá que ser de mitigar o risco cambial, assunto para outro artigo. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Tecnologia pura ou embarcada?

Nesta etapa da humanidade dominada pela inovação e pelo desenvolvimento tecnológico, apesar da pandemia do coronavirus, uma questão ou opção básica para a economia brasileira é: ter como motor do seu crescimento um setor de tecnologia pura competitiva mundialmente e se colocar dentro do mercado mundial, como um importante protagonista no suprimento mundial de tecnologias, ou se basear em setores tradicionais, com incorporação ou embarque de tecnologias?
Do ponto de vista econômico, na primeira opção, mais sedutora e que anima a alma de muitos, principalmente dos engenheiros, o Brasil será um grande produtor e vendedor de serviços, tecnológicos, caracterizados como aplicativos, seja para uso pessoal, como para uso doméstico, do tipo IoT, controlando automaticamente os equipamentos e instalações da casa e ainda para uso do comércio, da indústria e do proprio setor de serviços. Nessa perspectiva o se vende e compra é quase imaterial, diferentemente da comercialização de bens. A expectativa é que alguma startup vire uma microsoft, facebook, amazon e outras empresas ocidentais bem sucedidas ou uma alibaba, tik-tok e outras chinesas menos conhecidas.
É um sonho que embala a vida de muitos engenheiros, matemáticos, físico e outros, mesmo não formados e não tem faltado lives e webinars sobre essa utopia.
A outra alternativa é basear o desenvolvimento brasileiro a partir de setores tradicionais, com a "embarcação" das modernas tecnologias, seja uma reindustrialização como o agronegócio.
A indústria brasileira, embora tenha alguns segmentos de ponta, ainda é - no geral - atrasada tecnologicamente, com baixo investimento empresaria em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Tais atividades ainda estão concentradas em institutos estatais, dependo de recursos orçamentários, sempre insuficientes. Poucas empresas brasileiras são mundialmente competitivas, com destinação de parcelas relativamente significativas em P&D e incorporação das modernas tecnologias, tanto nos processos como nos produtos. A WEG é um dos raros exemplos. 
A agropecuária é o setor mais avançado tecnologicamente, apesar de uma enorme desigualdade entre o chamado agronegócio, altamente moderna e a dita agricultura familiar, na realidade a micro e pequena produção rural, em grande parte, mantida no atraso, por conta de políticas assistenciais populistas.
O setor moderno incorpora as tecnologias desde as sementes, passando pelos sistemas produtivos, controlados por sistemas automatizados, próximos ou longínquos, drones, celulares, além do amplo uso de informações geradas por satélites. Todo esse arsenal tecnológico associado ao empreendedorismo de famílias produtoras transformou a agropecuária brasileira numa atividade altamente competitiva mundialmente, ampliando sucessivamente a sua produção, a sua produtividade e vendendo ao mundo tudo o que produz. 
Adentra ao processamento industrial, com a produção dos semimanufaturados, mantendo a elevada competitividade, como no açucar, suco de laranja e carnes. A indústria brasileira básica de alimentos é altamente produtiva e competitiva, com elevada incorporação de tecnologias e de inovação. 
Já nas fases subsequentes de industrialização de alimentos, por estar inteira ou predominantemente para o mercado interno, as empresas do setor estão na sua maioria tecnologicamente defasadas, não havendo destaque para nenhuma exceção.
Uma questão a ser avaliada é se com maior incorporação de tecnologia essas empresas poderão se tornar mundialmente competitivas?
Essa pergunta vale também para as demais empresas industriais, e abre a discussão, colocada inicialmente, do pais buscar a base do crescimento em serviços tecnológicos puros, ou focar o desenvolvimento tecnologico para gerar maior competitividade aos setores e produtos tradicionais?

domingo, 23 de agosto de 2020

Perfil de investimentos em saneamento (2)

Para vender para a sociedade e aprovar a mudança do marco regulatório do saneamento, foram usados os números totais de municípios brasileiros, para demonstrar a carência de atendimento e baixa cobertura dos serviços de saneamento, principalmente dos esgotos.
Dada a redução da capacidade de investimentos do Estado, as mudanças tiveram como alvo principal os investidores privados, que substituiriam o Estado, destinando amplos recursos para alcançar a desejada universalização do atendimento.
Espera-se que eles invistam até 700 bilhões de reais, nos próximos 13 anos.
Os investidores privados, sejam diretamente ou através de fundos de investimentos, não investem em estatísticas, ou apenas baseadas nessas, mas em empreendimentos econômicos com potencial de retorno. 

Perfil dos Municipios brasileiros, segundo o tamanho da sua população

Os macronúmeros estatísticos precisam ser desdobrados e mostram que dos 5.570 municipios brasileiros, 4.905,, são de micro ou pequeno porte, com população (em 2017) até 50 mil habitantes.  Mesmo agrupados regionalmente não darão escala para empreendimentos que venham a interessar grandes investidores internacionais ou mesmo nacional*. Será um mercado para investidores regionais. 
(*Alguns desses municípios são agregados de regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas, lideradas por municípios maiores.)
Os médios municipios, com população entre 50 e 500 mil habitantes são 624, representando 11,2% do total, já comportando investimentos interessantes para os investidore privados, ainda mais se reunidos regionalmente. 
Os grandes municípios, com mais de 500 mil habitantes e que podem comportar investimentos de maior porte, mais atrativos para os investidores privados internacionais e nacionais são apenas 42, ou apenas 0,8% do total.

Os empreendimentos em sistema de água

O principal investimento está na captação e tratamento d'água. A captação terá maior ou menor volume de investimentos em função da tecnologia, da distância da captação, quando de águas superficiais da estação de tratamento e da reservação da água. Para os grandes sistemas a reservação da água, envolvendo a construção de barragens e instalação de bombas, é essencial.
A partir dai há os investimentos complementares na adução para os reservatórios locais e na rede de distribuição domiciliar.

Segundo o Censo Nacional de Saneamento de 2017, recém divulgado, dos 42 municípios com mais de 500 mil habitantes, todos contavam com sistema de tratamento de água, seja por ETA (Estação de Tratamento de Água) ou ETS (Estação de Tratamento Simplificado, em alguns casos, com os dois.
Desses, 39 municipios contavam com estações em funcionamento, ficando apenas 3 sem sistema funcionando.
Já o total de ETAs era de 42, dos quais 35 em operação, 2 com operação interrompida, 1 construida, mas ainda não operado e 4 inacabas, seja em construção  ou interrompida.
As ETS eram 31, sendo 28 em operação, 1 com operação interrompida e 2 inacabadas.
Indicam um baixo volume de oportunidades de implantação de novas ETAs em condições "greenfield", isto é, começando do zero. A maior parte dos investimentos em captação e tratamento de água será em investimentos "brownfield", envolvendo a reforma e ampliação de sistemas existentes.

No Grupo II que compreendem os municípios entre 50 mil a 500 habitantes,  aqui considerados como médios, dos 623 
todos contavam com rede de distribuição, mas apenas 567 com ETA ou ETS. Os 56 sem estação de tratamento, provavelmente estão sendo supridos por outro município dentro de uma região metropolitana ou agrupamento urbano.
Não seriam oportunidade para a implantação de ETA "greenfield". Também não significa que algum desses municípios requeira um ETA inteiramente nova. Algumas em substituição de ETS. Mas, em ambos os casos, serão relativamente poucos.
As maiores oportunidades para o tratamento da água estarão na reforma, modernização ou ampliação de estações de tratamento existentes.
Tanto no grupo dos municípios médios, como dos grandes, os principais investimentos serão destinados às redes e à reservação de distribuição, ambos com predominância da construção civil. Serão complementados por equipamentos e sistemas ou aplicativos para a melhoria da gestão operacional.

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...