Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2014

A transição pela economia informal

A solução definitiva para a eliminação da pobreza passa pela geração de oportunidades de trabalho, com apropriação de renda pelos pobres.

Apesar dos diversos programas e ações efetivas não se conseguiu garantir a sua sustentabilidade. 

Isso decorre, principalmente, de duas concepção ilusórias, relacionadas, segundo uma visão tutelar das classes mais ricas e mais educadas sobre o problema.

A primeira é a crença de que a solução definitiva está na educação. O que é correto, mas com resultados efetivos a longo prazo, envolvendo ainda muitas gerações. Resultados parciais e emblemáticos sempre serão mostrados, o que pode esconder a realidade do conjunto, não tão favorável.

De toda forma garantir a educação básica continuada das crianças pobres é uma condição essencial e essa deveria ser a única condicionante exigida para o acesso aos benefícios dos programas assistenciais, com o Bolsa Família.

Já a educação de nível médio defendida pelos Governo Federal e muitos estaduais, também é necessária, …

A conciliação possível e a impossível

O Brasil saiu das eleições do segundo turno para a Presidência, com uma grande divisão estatística. Cpm uma inegável vantagem para Dilma Rousseff e para o PT, contra Aécio Neves e o PSDB.

Pretende-se e deseja-se uma conciliação desses supostos dois Brasis, em benefício de todos. Esses dois não conversam entre si, por diversas distâncias: ideológicas, visão de mundo, problemas reais que enfrentam, diferenças sociais e econômicas, distâncias, etc. E teriam como representantes apenas os candidatos, ainda que circunstanciais e temporários. 

Dilma tem uma representação mais consistente, do projeto que atende à maioria dos seus eleitores e que mudou a configuração social do Brasil. E acusou o adversário de querer abandonar o seu projeto, de um Brasil socialmente mais justo.

Os eleitores de Aécio e ele próprio, não representam um projeto alternativo. Ao longo da campanha até aceitou mantê-lo, aperfeiçoa-lo e até melhora-lo.

A sua oposição está no projeto de poder, que se utiliza do projeto socia…

Um passo adiante

Os mecanismos de distribuição direta de dinheiro aos pobres, através do bolsa-família, aposentadorias rurais e pensões da assistência social, são percebidas por esses como um ganho proporcionado por Lula. A gratidão deles assegurou a reeleição de Dilma. Mas muitos já demonstraram que querem mais. Nenhum dos três principais concorrentes à Presidência soube oferecer propostas aceitáveis para aqueles. Dilma, com o seu marqueteiro, foi quem mais se aproximou, embora as suas manifestações não correspondam ao pensamento majoritário do PT e das organizações de esquerda.Dilma incorporou no seu discurso, o trabalho por conta própria, que não é o caminho preferido ou desejado pela esquerda: o objetivo desta é a universalização do regime celetista. A esquerda ainda associa do trabalho por conta própria como trabalho precário ou não decente. 

O PT tentou a desconstrução dos adversários acusando-os de que eles, se eleitos, iriam acabar com o bolsa família. Marina Silva, usou a sua história, para de…

Uma realidade irreversivel

Há um novo quadro no Brasil que não poderá deixar de ser considerado. Decorre de uma opção estabelecida na Constituição de 88, iniciada - de forma tímida - ainda no Governo Itamar Franco, continuada por Fernando Henrique Cardoso e desenvolvida de forma ampla nos governos de Lula e Dilma, mas cujo impacto na organização social brasileira está declinante, embora não esgotado.

Um novo salto terá que ser dado pelo Governante, mas ambos parecem não entender claramente as transformações que estão ocorrendo, prejudicados pelo confronto eleitoral.

Afastados os ataques pessoais durante a campanha, permanece o fato fundamental que estavam em disputa dois modelos para o Brasil, que podem ser simplificados em "crescer para distribuir" ou "distribuir para crescer".

Na realidade não são dois modelos, mas duas estratégias, com prioridades distintas, pois tanto um quanto o outro objetivam o crescimento e a distribuição.

A visão econômica enfatiza o crescimento, com base em fundamentos…

A crise prenunciada

Dilma conseguiu ser reeleita, mas a um custo muito elevado que ela terá dificuldade de pagar.

O primeiro dado a considerar é que ela foi eleita com os votos da opinião não publicada, que praticamente só se manifesta durante a safra (os dias da votação) e não se manifesta durante a entressafra, ou seja, todos os demais dias.

Na entressafra a política é dominada pelos meios políticos Congresso, Assembleias Legislativas, Governantes e manifestações públicas urbanas.

Registramos aqui, na ocasião,  que as manifestações de junho de 2013 foram da opinião publicada e não haviam chegado à opinião não publicada, razão pela qual os políticos ficaram inicialmente assustados, mas se acomodaram quando, voltando às suas bases, perceberam a não contaminação pelas reivindicações de mudanças dos jovens urbanos de classe média tradicional, com alguma adesão da emergente.

Diversamente do que queriam os arautos da opinião publicada, as manifestações de junho de 2013 não refletiam o conjunto da sociedade brasi…

Duas vitórias fundamentais

Dilma foi eleita com uma margem da ordem de 3,5 milhões de votos, em âmbito nacional. Embora relativamente pequena, mais que suficiente para não deixar qualquer dúvida sobre a sua retumbante vitória.
A reeleição pode ser creditada a duas grandes vitórias regionais, que anularam as derrotas menores em outras regiões (exceto São Paulo): Pernambuco e Minas Gerais.

Em Pernambuco ela perdeu no primeiro turno para Marina Silva. Aécio teve uma votação pífia. Sem Marina, no segundo turno, Aécio buscou o apoio dela e da família de Eduardo Campos. Mas ai entrou em cena Lula e garantiu a transferência dos votos de Marina para Dilma. Em Pernambuco ocorreu a maior das diferenças, dentro dos Estados do Nordeste, a favor de Dilma. Lula anulou o apoio da família Arraes-Campos.
Pernambuco, juntamente com a Bahia e o Ceará tem os maiores colégios eleitorais e está carente de lideranças fortes. Na Bahia Jaques Wagner tem o comando e demonstrou competência ao eleger o seu sucessor. No Ceará os irmãos Gomes …

O pássaro misterioso ataca de novo

Não foi a primeira vez, nem será s última. A Veja tem um pássaro misterioso, meu concorrente, que vê o que não foi mostrado, ouve o que não foi dito.
E coloca na primeira página da revista, transcrevendo uma suposta conversa, plausível, mas que os outros não ouviram: Diz o doleiro: O Planalto sabia. Indaga o delegado: Planalto quem? Lula e Dilma, responde o doleiro.

A Veja conseguiu o que queria. Não apenas o aumento da circulação da revista, mas a sua repercussão. Provocou e conseguiu. Os primeiros ataques seriam junto ao Judiciário. Conseguiu se safar, em termos. Queria mesmo que a revista fosse impedida de circular, porque ai acusaria de censura e teria repercussão maior. O Judiciário não "caiu nessa", mas determinou algumas providência inócuas.

Mas a provocação à militância deu certo. Um grupo jogou lixo em frente à sede da empresa, pixou e vandalizou. A editora poderia ter evitado danos maiores, chamando rapidamente a polícia que estava próxima. Mas deixou que ocorresse pa…

Ortodoxia ou mistura

A campanha presidencial produziu um aclaramento de dois projetos para o Brasil, cada qual com uma política econômica própria.
O modelo nacional desenvolvimentista que parecia estrar morto e enterrado, na prática, foi ressuscitado por Dilma, mas o resultado foi pífio.
A economia não cresceu, mas manteve um quase "pleno emprego" pelos ajustes que a própria economia promoveu, a inflação ainda está sob controle, mas no limite superior e as contas externas pioraram significativamente.
Embora combata o retorno ao modelo "ortodoxo", mais por razões eleitorais do que por convicção, se eleita, ela terá que voltar àquele. O retorno não será ao Governo FHC, mas ao primeiro mandato de Lula, conduzido por Antonio Palocci. 
A gestão da economia, segundo os preceitos "néo-liberais" restabeleceu a confiança dos agentes econômicos privados, o Brasil "voltou a caminhar" e até enfrentou galhardamente uma crise mundial, muito mais grave que a atual. Essa é usada como d…

Despreparo geral

O debate da Globo trazendo as perguntas dos eleitores indecisos, mostrou o despreparo dos dois candidatos, treinados pelo "media training" e orientado pelo "marketing" político, mas que não sabem responder às questões reais da população.
Dilma tregisversou, como sempre, vomitando números e mais números, bilhões e mais bilhões e escapou das armadilhas.
Aécio foi pior. Perdeu a grande oportunidade para mostrar aos indecisos e ao povo brasileiro os resultados reais da vida deles: os alugueis continuam subindo, a economista de mais de cinquenta anos não consegue se empregar, o esgoto está correndo a céu aberto,  quando chove está sujeito a inundações, os jovens estão sendo mortos ou aliciados pelo tráfico, a família que foi expulsa da sua casa, com a roupa do corpo pelos bandidos, os idosos estão desamparados, etc.

As questões dos indecisos mostrou a vida real. Não a vida de um Brasil maravilhoso, mostrado pela peças governamentais, seja a federal, como as estaduais. 

A in…

O grande erro tático de Aécio

Dilma tinha muito contra ela para levá-la a perder a eleição. Mas agora quem tem maior risco de perder é Aécio. Infelizmente nesta eleição de 2014 ninguém vai ganhar: vai ser um jogo de perde-perde.

Aécio cometeu vários erros, nesta campanha do segundo turno, mas o pior foi ter reagido mal e deixado colar a ele a imagem de "filhinho de papai". O que não foi difícil porque ele tem o estereótipo dessa imagem, já defasada no linguajar do "sul maravilha", mas ainda muito presente no Nordeste.

Lula usou essa imagem, e passou a reiterar quando percebeu que "colou". E Aécio reagiu mal. Contestou Lula, mas não levou à público uma imagem positiva. Ficou na defensiva e levou gol.

Onde estava Aécio quando a sua adversária, um "coração valente" lutava contra a ditadura? Escondido atrás das calças do pai?

Aécio estava nas ruas, junto com o seu avó Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Franco Montoro e outros na linha de frente contra a ditadura e defendendo "D…

(in)competência marketóloga

As campanhas eleitorais deixaram de ser políticas, para se tornarem campanhas publicitárias para conquista de "corações e mentes" dos eleitores. 
O que importa é a conquista da adesão do eleitor, para que ele, no dia 26 de outubro vá à cabine e aperte as teclas "vendidas" (13 ou 45).

Nesse processo o marketing do PT e de Dilma é mais competente e parece estar tendo melhores resultados. Embora mantenha uma linha estratégica principal, de comparar as gestões tucanas com a petista, agrega ou elimina questões, em função da reação imediata dos eleitores, medida por pesquisas qualitativas.

A estratégia de desconstrução do adversário deu certo, mas trouxe também efeitos negativos. Para sustentar os positivos e minimizar os negativos, Dilma, seus assessores e seu conselheiro, ajustou a sua estratégia. Ela passou a posar de "Dilminha, paz e amor", vítima das agressões machistas do seu adversário e terceirizou a tarefa de desconstrução a Lula, que está se excedendo ne…

A imagem do papel social dos Bancos Públicos

O PT, sob comando de Lula e, instrumentado por João Santana adota como principal estratégia de ataque o "nós" contra "vocês". E acua o adversário que é obrigado a aceitar o jogo e ficar na defensiva. 
Escolhe um tema em que tem impacto sobre o imaginário popular e cria as imagens positivas (a seu lado) e negativas (do adversário).
Em campanhas anteriores a tônica foi a privatização dos bancos públicos e da Petrobras. 
Desta vez os casos de corrupção da Petrobras enfraqueceram o uso dessa grande empresa no embate, embora não tenha saido do debate.
Permaneceu a questão dos bancos públicos, com "nós", o PT insistindo na imagem de que Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES atendem ao povo, enquanto "vocês" querem enfraquecê-los para favorecer os banqueiros privados. É o povo contra os ricos. E o Brasil contra os gananciosos banqueiros.

O risco do marketing focado na imagem é sempre um incidente, que pode ser pequeno, mas destroi toda uma constr…

É carestia, mana!

Aécio Neves fica em desvantagem perante Dilma, no discurso, por usar uma linguagem inapropriada perante a maioria dos eleitores. Esses são mais simples, pobres, aspiram melhorar de vida, a curto prazo, e não entendem a linguagem dos economistas.

Aécio, adotou uma estratégia objetiva para acalmar o mercado. Anunciou antecipadamente quem seria o seu Ministro da Fazenda. Um nome respeitável aceito pelo mercado: Armínio Fraga. 

Mas esse lance acabou por virar um dos principais alvos do ataque petista, por configurar um agrado aos banqueiros e ricos. 

A estratégia petista deu certo na desconstrução de Marina Silva e está dando certo com Aécio Neves. Por incompetência dele. Pelo tratamento e linguagem errada do tema inflação.

Para os economistas, para os banqueiros, para os ricos, para os mais ilustrados, enfim para a opinião publicada - a que pauta a visão e o discurso de Aécio - existe a inflação, um dos maiores problemas da economia.

O "povão", os pobres, os menos ilustrados não sab…

Cumprindo babela

Depois da má repercussão do "sangrento" embate na SBT, o debate ontem na Record foi para "cumprir tabela". Menos "pegado" mais educado e mais morno. Se o anterior não agradou pelo excesso  o de ontem pecou pela falta.

A mídia reclama que os debates se concentravam demais em ataques pessoais, em detrimento da apresentação de propostas. Criou-se um "senso da opinião publicada" de que os debates deveriam ser propositivos.

Quando tirada a disputa pessoal, pouco sobra e fica.  Na realidade os candidatos tem poucas propostas a oferecer.

Na questão econômica, as colocações são genéricas e prevalece a linha da desconstrução. Não é Aécio que diz o que vai fazer. É Dilma que diz o que o Ministro da Fazenda, já indicado por Aécio vai fazer. E, acrescenta, "vai dar caca".

Só no tema segurança, os dois tem propostas, ambas erradas. A solução não está na federalização da segurança. 

No resto a disputa é sobre o passado. Dilma desfia um rosário de coisas …

A principal diferença econômica

A principal diferença entre Dilma e seus oponentes, em relação à economia não é técnica, mas ideológica.
Dilma é visceralmente estatizante e anti-lucros (excessivos). 
Os oponentes são a favor da iniciativa privada, com menor interferência e ação estatal e sem preconceito contra os lucros, ainda que excessivos.
Ambos os lados enfrentam restrições à sua ideologia e são obrigados a fazer concessões.
Dilma tem que tolerar os lucros extraordinários dos bancos, o seu principal aliado empresarial e promover privatizações camufladas ou medrosas. Ela quer que o setor privado aporte os recursos, mas o Estado mantenha o controle da gestão. A qualidade dessa gestão é questionada, pela interferência política, como ocorreu na Petrobras.
Os oponentes não tem  condições de propor ou mesmo promover enxugamentos bruscos da máquina estatal. 

O fato é que o modelo menos estatizante funcionou na economia melhor que o estatizante.

(cont)

A refém

Dilma Rousseff é uma pessoa de forte personalidade, voluntariosa, séria e que deve ser respeitada. É absolutamente convicta sobre a necessidade de "faxinar" a administração pública dos antros de corrupção. Isso é inegável, mas ela não tem a força que gostaria de ter para levar a cabo as suas convicções pessoais. 
Quando já na Presidência de República tentou, conseguiu dar os primeiros passos, mas logo foi cerceada e teve que parar e em alguns casos recuar. 

O que a segura? medo, cumplicidade? Não.

O que a faz conceder é o seu alinhamento com um projeto de nação, em que ela pessoalmente acredita, com convicção ainda maior e que toma como uma missão de vida. A visão (ou sentido) desse projeto é a igualdade social. Envolve a erradicação total da miséria e da fome, a eliminação da pobreza, a ascensão dos pobres a uma classe média, incorporada ao mercado de consumo. 

Acredita firmemente, com fundamentos teóricos e reais, de que essa ascensão econômica da pobreza (que é rica) sustenta…

Uma luta sangrenta vencida por pontos

Dilma e Aécio protagonizaram, no segundo debate direto entre eles, uma luta ainda mais violenta, terminando em empate por pontos, apesar de algumas quedas. 

Dilma mostrou-se mais preparada estrategicamente e Aécio, ao contrário, despreparado para enfrentar questões onde entram números, dominados amplamente pela Presidente.

Ademais Aécio é lento em respostas prontas, deixando de aproveitar oportunidades incríveis, com respostas fracas onde caberia contra-atacar com mais força.

A luta é conduzida pela Presidente que, com o apoio do meu marketólogo insiste em questões que, supostamente, tem impacto positivo sobre o eleitorado. Tudo é acompanhado por pesquisas qualitativas com pequenos grupos, chamados de focais.

Esses grupos são formado por eleitores de diversas classes e locais que corresponderiam a uma amostra do eleitorado. 

Ao contrário do que gostariam os jornalistas e, principalmente, os comentarias políticos, o que interessa ao marketing da Presidente é o impacto sobre essa amostra e n…