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Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou questões que não eram claras para os demais, mas bem entendíveis entre elas.

Venina, petroleira de carreira, subiu dentro da empresa na turma de Paulo Roberto Costa. Era pessoa de confiança do competente,  ousado e ambicioso executivo que se relacionou com a área política para a sua ascensão dentro da empresa, até chegar à diretoria. Venina, conforme diz em seus e-mails vazados, dizia dever muito o desenvolvimento da sua carreira a Paulo Roberto e não queria prejudicá-lo: por gratidão. Pela proximidade participou de muitas operações, agora colocadas sob suspeita externamente. Ela, ao perceber indícios de destino das verbas superfaturadas não quis prosseguir. 
Tentou dividir as suas angústias pessoais com a sua colega Graça, mas essa refutou por ter escolhido seguir na sua carreira, apesar do mar de lama que estava se formando. Foi bem sucedida, aceitando não se envolver, mas não contestar o jogo que estava sendo jogado. 
Enturmou-se em outro clube da luluzinha, com a sua amiga Dilma. 
Venina, ao contrário "pulou para fora do barco", foi exilada e perseguida. Mas não sem documentar o que via ou percebia. Em alguns casos até participava, dentro das suas atribuições profissionais. Não aceitou se beneficiar pessoalmente. 

Com a retaliação da diretoria atual da empresa, liderada pela sua ex-amiga Graça, para se defender resolveu "botar a boca no trombone". Para desgraça daquela: tinha conhecimento de tudo. 

Ambas fizeram o que fizeram acreditando que estavam fazendo o melhor para a sua querida Petrobras. Mas uma delas estava errada. E ambas vão afundar com o imenso navio que quiseram defender.

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