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segunda-feira, 20 de março de 2017

Sucesso, sem dúvida, mas não estrondoso

A licitação da concessão dos 4 aeroportos  foi, sem dúvida um grande sucesso, apesar do ceticismo. Mas não foi estrondoso, tampouco é uma sinalização segura do sucesso das próximas concessões fora do setor.
As explicações estão nas estratégias empresariais dos concorrentes que atuam todos num mesmo setor. 

Fraport e Zurich não se interessaram pelo aeroporto de Salvador, que exigia maior volume de investimentos, incluindo obras civis, com a construção de uma segunda pista.
Zurich já presente no Brasil, se ateve a Florianópolis. 
A Fraport se interessou por Fortaleza e Porto Alegre, levando as duas, disputando com a Vinci. No sul houve maior disputa, o que elevou o ágio a 852%.
Já em Fortaleza a Vinci desistiu de prosseguir a disputa, preferindo ficar com Salvador, uma vez que só poderia ficar com uma na mesma região. 
Ela errou na estratégia. Apresentou propostas competitivas para Fortaleza e Porto Alegre, o que levou à disputa a viva voz e excessiva em Salvador. Sem concorrentes poderia ter ganho, sem ágio. Mas achou, iria enfrentar outras propostas. Poderia ter ganho Fortaleza e desistido de Salvador. Comprometeu-se desnecessariamente com cerca de 300 milhões de reais a mais. Errou duas vezes, para satisfação do Governo. Representa a maior parte do ágio. 

Vão levar muito tempo para recuperar os investimentos.

Mas os objetivos delas, pelas declarações dos seus dirigentes, é se posicionar no mercado brasileiro para oportunidades futuras: no mesmo setor. Os prazos das primeiras concessões são curtos e há operadoras precisando vender suas posições e outros aeroportos.

Ainda há joias da Coroa no cofre da Infraero. 








sexta-feira, 17 de março de 2017

Aeroportos desnacionalizados

Quatro aeroportos brasileiros de médio porte, foram duplamente desnacionalizados. 

De uma parte foram desestatizados, com a transferência da sua gestão por uma empresa estatal - a Infraero - para empresas privadas. 

De outra, porque todos os novos gestores são empresas estrangeiras, sem a participação de empresas nacionais.  

As concessões deixam de ser vistas, apenas, como uma contratação de obras públicas, segundo nova modalidade, para serem percebidas como uma verdadeira concessão de serviços públicos.

Todas as vencedoras são tipicamente empresas prestadoras de serviços, focadas na gestão e operação de aeroportos. Não são empresas de construção, sejam nacionais, ou estrangeiras. A sua cultura, a sua visão de negócios é de "opex" e não de "capex".


Os resultados do leilão mostram que os investidores estrangeiros estão mais confiantes em relação ao futuro do Brasil, do que os brasileiros. Apesar a superestimação das demandas futuras, apresentadas pelo Governo, a estrangeiras estariam apostando numa demanda ainda maior. 


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Os equívocos e ilusões que povoam os programas de concessão

Com a escassez de recursos públicos, os Governos - em todos os níveis - se "agarram" nas concessões de serviços públicos ao setor privado.
Apesar da mudança na Presidência, as equipes do novo Governo mantém muitos dos paradigmas que inviabilizaram as concessões anteriores. Acrescidas de ilusões.
O primeiro é que os serviços públicos a serem concedidos são excepcionais negócios em que há um grande interesse privado em assumir o negócio.
O segundo de que o risco principal é o da segurança jurídica e que - em sendo assegurada, em contrato - todos os problemas futuros seriam resolvidos. Os problemas com concessões já contratadas e pendentes demonstram que as resoluções juridicas são desastrosas para ambos os lados: concedente e concessionário. 

O maior equívoco, já apontado aqui é entender as concessões como forma alternativa de contração de obra pública. A pressa anterior decorria da pressão das grandes empreiteiras para ter continuidade na sua carteira de obras. Com os impedimentos delas, em decorrência da Operação Lava-Jato, não mais existe essa intensa pressão. 

Outro equívoco é confundir necessidade, ou déficit, com demanda.  O déficit só se transforma em demanda, quando o preço de sua eliminação tem um custo menor que o benefício. Custo é objetivo, beneficio é um fator subjetivo: sujeito a interpretações emocionais. 

E ainda há o risco cambial. Com a redução da participação do BNDES e os elevados custos e menor prazo dos financiamentos nacionais, a expectativa é do ingresso de recursos externos. 

Parte-se mais uma vez de ilusões. Há excesso de capitais disponível no mundo e os chineses estão ávidos para investir. Mas eles querem investir em dólar e receber em dólar, ou em yuan.

Podem ser criados diversos mecanismos derivados para minimizar os riscos. O mais objetivo é assegurar que a receita - ou parte dela - das concessões seja denominada em dólar, ou qualquer outra moeda forte. 

Essa condição só é viável para concessões que estejam relacionadas com exportações. 

O Governo, supostamente pró-mercado quer mostrar serviço e para isso quer fazer das concessões um vitrine. Mas corre o risco de ter uma vidraça, a ser quebrada.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Filé com osso (2)


Se não há interesse do agente privado em assumir a exploração de um aeroporto regional deficitário, e não caberia usar o modelo "filé com osso", como comentamos ontem aqui, quais seriam as alternativas para ter e manter um aeroporto regional?

Apesar de ser uma pergunta errada, vamos tentar responder. 

A primeira é manter como serviço governamental, com a entidade operadora recebendo subsídios do Tesouro. É a situação atual, através da Infraero ou de aeroportos estaduais.

A segunda é através de subsídios diretos a um operador privado. O modelo é da concessão patrocinada, raramente utilizada na prática. 

A terceira é da concessão administrativa. Já praticada no Brasil. O aeroporto é outorgado a um operador privado, que realiza os investimentos na implantação ou melhoria do aeroporto, cuida da operação e ao longo do contrato recebe uma mesada. A mesada é fixa, e dependendo da sua gestão poderá auferir lucros ou ainda permanecer com prejuizos.

A quarta alternativa montada para expansão da rede de aeroportos regionais é a do investimento pelo Governo Federal e concessão da operação aos Governos Estaduais ou municipais. Está suspensa por carência de recursos do Governo Federal. 

A pergunta certa é: devem ser mantidos e operados aeroportos deficitários?

Ou a pergunta complementar: porque investir em aeroportos regionais sem movimento?

terça-feira, 8 de setembro de 2015

A via aérea nas importações brasileiras

Uma das características da globalização é a integração das cadeias produtivas mediante o transporte aéreo. Supõe-se que a logística aérea é geradora de novos negócios.


Em  2014 o Brasil importou um montante de U$229,1 bilhões. Por via aérea foram U$ 41,6 bilhões, 18% do total. Nos anos anteriores a participação da via aérea ficou em torno desse percentual. No geral não é muito, mas nos principais produtos importados por via aérea, a participação desse modo é muito elevada.

Seis principais categorias de produtos (capítulos na classificação da NBM) dominam as importações, em valor, representando 87% do total. 

Nos medicamentos a participação da via aérea é da ordem de 80%. 


O aeroporto de Guarulhos é o principal terminal de carga
 aérea, porque uma grande parte dela vem nos porões dos aviões de passageiros. Já o movimento dos aviões de carga é dominado por Viracopos.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Equivocos ou ilusões em relação aos aeroportos

O programa de concessões lançado pelo Governo Dilma repete os erros da privatização da gestão FHC que não levou em conta a visão estratégica. Com exceção do setor de telecomunicações.

No caso dos aeroportos o Governo não percebe adequadamente as condições de concorrência entre os aeroportos independentes. A concorrência não é entre aeroportos, mas dos polos turísticos. O aeroporto é um elemento acessório. Ninguém tem como destino final um aeroporto. Mas sim o polo turístico.

A concorrência entre aeroportos só ocorre em torno da posição de hub. Essa já ocorreu nas duas primeiras fases. Restou a alternativa de um hub no Nordeste. Mas para isso o Governo deveria colocar em licitação os três principais, Fortaleza, Recife e Salvador. Não incluir Recife é o principal equívoco do pacote.

(ver o artigo completo na coluna de artigos, à direita)


sábado, 13 de setembro de 2014

O jogo se decide na prorrogação

Em termos eleitorais significa decisão no segundo turno, se houver.
Um candidato que está bem à frente, digamos ganhando de 2 x 0, ficará na defensiva buscando evitar que o adversário surpreenda, marque 2 gols fulminantes, empate o jogo e o leve à prorrogação.
O adversário em desvantagem, buscará o empate.
Mas quando o jogo está empatado o adversário mais fraco buscará mantê-lo.
Aquele que ficou fora da final tem que pensar nas eleições futuras. 
A tendência, dos times - jogadores e técnicos - no entanto, é só pensar no imediato e não na batalha futura. E ai que os bons estrategistas ganham a guerra.

Aécio é um mau estrategista: vai perder a eleição de 2014 e por incompetências estratégicas - atropelado por circunstâncias - está comprometendo o seu futuro político. Apesar de ser mineiro, neto de Tancredo Neves, não soube reagir como político mineiro.

Dilma também está se mostrando má estrategista, tentando ainda ganhar no tempo normal, isto é, no primeiro turno, evitando o segundo. Para isso está colocando todo o seu imenso arsenal nas batalhas. Corre o risco de ficar "sem munição" no segundo turno.

A principal disparidade de munição está no tempo de televisão e rádio. No segundo turno os tempos serão iguais. Dilma perderá a vantagem que tem agora.

Priorizou o ataque de "desconstrução" da adversária, com todas as suas forças. Se com isso não conseguir ganhar no primeiro turno, terá criado na adversária todos os anticorpos, todas as defesas. 

Por outro lado, Marina Silva, até porque não dispõe de munição não está podendo usar todo seu potencial, resistindo na defesa "fechando o campo".

No segundo turno terá um reforço de munição. 

Poderá passar para o ataque, conhecendo bem como a adversária irá jogar, com um time mais cansado. 


domingo, 27 de julho de 2014

Quem organizou a Copa das Copas (para os alemães)

A Copa do Mundo da FIFA de 2014 foi um grande sucesso. Só não foi para a seleção de futebol da CBF, que representou o Brasil na competição.
O Governo se gaba de ter organizado a Copa das Copas. Mas de quem foi efetivamente a organização da Copa?
Como já comentamos anteriormente, a Copa tem diversas dimensões, cada qual com a sua organização. Como administrador, por formação e consultor em organização, por profissão, tenho o viés de ver a organização como um processo programado, e não como resultado de processos aleatórios e circunstanciais, que acabam dando certo.

Dentro dessa ótica quem organizou com sucesso da Copa da FIFA de 2014 foi o povo brasileiro com o seu jeitinho brasileiro. 

O Governo não organizou a Copa e a sua parte não foi cumprida, mas não empanou o sucesso, em parte, porque não era necessária.

A organização da FIFA deixou muito a desejar, mas o sucesso nos gramados e nas arquibancadas encobriu todas as falhas. Ela mesmo reconheceu algumas, mas ao final uma nota em torno de 7, numa escala de zero a dez seria razoável.

O resultado da organização da CBF foi marcado pelas humilhantes derrotas perante a Alemanha e a Holanda.

Ao Governo Federal coube apoiar a construção ou reforma de 12 estádios para receber os jogos. 
O Governo Federal não empreendeu as obras de nenhum estádio. Foram todos feitos pelos Governos Estaduais ou pelos clubes. O Governo Federal apoiou com financiamentos e benefícios fiscais.
Ainda que incompletos os estádios construidos ou reformados  foram suficientes para abrigar os jogos, em maiores problemas. Ficaram, como principal legado, enormes dívidas que não serão pagas com as arrecadações dos jogos, a menos do Itaquerão, mesmo assim a longo prazo. E no caso dos Governos Estaduais comprometeram receitas futuras.

O Governo Federal não cumpriu a sua parte nos aeroportos, mas não houve maiores problemas, porque não era essencial.

As pessoas do ramo sabiam e aqui também comentamos oportunamente que haveria uma redução substancial do movimento aéreo e aeroportuário no periodo da Copa por conta da suspensão dos eventos geradores do turismo de negócios. 

A dúvida era se o movimento turístico para a Copa compensaria a dimiunição do movimento para negócios. 

Compensou, mas não acrescentou. Ou seja, o movimento aeroportuário dos meses de junho e julho ficaram pouco abaixo dos anos anteriores. Não houve o caos que alguns - por ignorância dos fatos - alardearam. 

O Governo e a Infraero usaram a Copa para estabelecer regimes diferenciados para acelerar as contratações, mas já se sabia, no momento das contratações, que a maior parte das obras não ficaria pronta para a Copa. Só duas concessionárias de aeroportos acreditaram que os prazos eram para valer. E o Terceiro Terminal de Guarulho ficou pronto e vazio durante a Copa. Não era e não foi necessário.

Das obras de mobilidade urbana poucas eram essenciais para a Copa. Nenhuma ficou pronta completamente. O Governo cuidou de promover inaugurações parciais. Mas não eram e não foram necessárias, com exceção de Natal. 

Se as obras não ficaram prontas, mas não comprometeram a organização da Copa, o que aconteceu?

Simples. Não eram necessárias. A Copa foi usada como pretexto para financiar a execução das obras que estavam nos planos e não conseguiam começar. Com a expectativa da Copa começaram, mas agora que a Copa passou, a dúvida é quando vão terminar.

Ao Governo Federal, em apoio aos Governos Estaduais e Municipais coube a segurança fora dos Estádios. Houve uma grande mobilização, mas a atuação do Governo Federal não foi necessárias. Mas ajudou a reequipar as Forças Armadas. 

A Polícia Federal foi mobilizada e preparada para diversos cenários catastróficos desenhados de ataques ou problemas com as delegações. Nenhum desses ocorreu ou foi abortado, sem que a sociedade tomasse conhecimento.

Os Governos Estaduais deram conta, com ações preventivas - incluindo as repressivas prévias - das manifestações populares contra. Fora da cobertura pela televisão a maioria da população brasileira não viu nem soube dessas manifestações.

Então, se a preparação foi falha, a organização da FIFA teve falhas e a organização da equipe da CBF um fracasso, porque o resultado e a imagem final foi de uma "tremenda organização" pelo Brasil da Copa de 2014?

Por que não ocorreram problemas maiores, os turistas estrangeiros foram muito bem recebidos pelos brasileiros ficando encantados com a hospitalidade e, tirando os fracassos da Espanha, no início, e do Brasil no final, a Copa, em termos futebolísticos foi a Copa das Copas. 

Na organização da Copa da FIFA de 2014 funcionou a famosa "lei de Murphy" ao contrário: "se alguma coisa podia dar errado, não deu. E se alguma coisa poderia dar certo deu." As zebras pastaram à vontade nas fases iniciais, mas acabaram devoradas pelos leões, nas fases finais. 

Tudo funcionou na base do jeitinho brasileiro. Só não funcionou com a CBF que resolveu montar um time europeu.




domingo, 15 de junho de 2014

A copa da elite branca

A Copa do Mundo da FIFA até agora tem sido um sucesso, apesar de alguns percalços. Principalmente por aqueles que se consideravam favoritos e perderam, alguns de forma humilhante. Por enquanto a Copa de 2014 não está sendo a Copa das Copas para os espanhóis, para os uruguaios e até para os japoneses. Os ingleses ainda tinham alguma esperança, mas tanto falaram das condições inóspitas de Manaus que God, que não é inglês, os presenteou com o calorão e alta umidade do ar. E Balotelli apareceu. 

A organização da competição não está atendendo ao padrão FIFA. O show de abertura foi padrão "festinha de escola pobre". Nada a ver com a exuberância das festas populares brasileiras. Problemas com ingressos não fazem jus ao decantado "padrão FIFA". Falta de alimentos e bebidas, não são compatíveis com a excelência de qualidade. E apesar dos grandes públicos era possível perceber vazios nas arquibancadas. 

Pelo visual os turistas estrangeiros longínquos acorreram em massa ao Brasil, para acompanhar os jogos da sua seleção. Salvador foi invadido pelos holandeses. Ingleses e italianos tomaram conta de Manaus. Os mexicanos invadiram Natal. Era possível perceber contingentes de torcida africana. Os norte-americanos que foram os que mais ingressos compraram ainda não se mostraram. Tampouco os australianos, ofuscados pelos chilenos.  A desconfiança é que os ingressos foram comprados pelos mexicanos nos EUA. Não foram os próprios estadunidenses.


Os "hermanos" chegaram em grandes quantidades, por via terrestre, conforme já se esperava. A perspectiva de classificação da Colômbia promoverá a invasão em Cuiabá, para o confronto com o Japão. A decepção ficou por conta dos uruguaios.

E não se manifestaram, até agora, grandes problemas nos aeroportos. Vários pequenos ocorreram, mas não houve nenhuma situação de caos, como os catastrofistas previam. Mas isso não significa que as obras foram concluidas. Apenas está sendo dado o "jeitinho brasileiro". Os dois maiores riscos, no entanto, ainda não foram vencidos. Fortaleza, no início da próxima semana, com o jogo do Brasil e a final no Rio de Janeiro. E ainda paira o risco dos nevoeiros que já atrasaram voos no sul. Mas sem "efeito dominó". 

As perspectivas com o turismo podem ser superadas.


A Copa do Mundo da FIFA, edição 2014, será a Copa das copas, uma copa memorável para a Presidente Dilma. Nunca antes neste país, um Presidente foi tão xingado. E está sendo xingada por um mesmo refrão que está sendo entoado mesmo sem corpo presente.

Ontem foi ofendida em massa pela "elite branca" no Mineirão, em Belo Horizonte, e na Arena Pantanal, em Cuiabá, mesmo não estando lá. Pode-se dizer que não chegou ao Nordeste. Terça-feira será o teste.

O que começa a ser percebido é que não foi o "povo" que se manifestou nas ruas em junho de 2013, para mostrar o seu descontentamento e indignação.  Foi a "elite branca" que recuou quando recebeu a companhia dos movimentos sociais e dos black-blocs. 


Não voltou às ruas. Está indo para os estádios e gerou um atrativo adicional. Além de torcer pela seleção que estará em campo, a massa de 40 mil ou mais brasileiros criou dois novos "esportes": continuar entoando o hino nacional, a capela, sem o acompanhamento musical, como demonstração de patriotismo e apoio aos jogadores e xingar a Presidente. Uma ação de massa é sempre emocionante para quem está participando. Só sabe quem já participou e acompanha o coro. Quando toma conta da massa é uma sensação indescritível. 

É o efeito manada. É pura emoção. Não tem juízo de valor, por que não cabe juízo, nessa hora. Mas é a manifestação de um sentimento interno reprimido: pelos juízos de valores. 

É a existência desse sentimento reprimido que precisa ser devidamente considerada. Não é apenas da elite branca, é de todo povo brasileiro.


Futebol: é uma bobagem. É o ópio do povo. Ou atualizando o "crack do povo".  É o que acha a "elite branca". Acha que deve ignorar a Copa, o futebol,  mas de repente se vê diante da televisão acompanhando os jogos e torcendo. Não entende nada e fica a favor da cor. Torcendo por aquele time de branco, de azul ou de amarelo. O futebol tem uma sedução, nunca suficientemente explicado. Com todas as narrações e comentários, é emoção pura, primária, tribal. Aplaude-se e xinga-se. Xingar faz parte intrínseca do torcedor, seja aficcionado ou eventual, como agora.

Cantar o hino nacional quando a música cessou: "babaquice", "patriotada". Até que você se pega entoando - porque não sabe a letra toda - junto com a multidão. E se emociona. Depois se refaz e nega que tenha feito.

Os termos da xingação da Presidente não tem nada de alto ou baixo calão: é apenas um bordão. Os norte-americanos usam o "fuck you" como vírgula e os franceses o "merde". 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Copa ou saúde

Usar cerca de 26 bilhões que estão sendo destinados às obras para a Copa na saúde resolveria os problemas? 
Não se trataria da questão um ou outro, mas um e outro. Esse tem sido o argumento de muitos defensores dos gastos com a Copa, começando com o Ronaldão. 
Se os recursos fossem infinitos, evidentemente, não haveria necessidade de opção, podendo serem atendidas tanto as necessidades para a Copa, como para a saúde, como para educação, segurança, etc.
Como os recursos são escassos vamos partir da hipótese salomônica da divisão meio-a-meio:
R$ 13 bilhões seriam destinados para a Copa e outros treze para melhorar as condições dos hospitais e outros serviços básicos da saúde pública.
Essa metade seria suficiente para realizar a Copa? 

Uma aritmética simples diria que sim: os gastos específicos para a Copa seriam apenas os estádios, algumas obra de mobilidade urbana no entorno imediato do estádio e também relativos à segurança pública e outros serviços públicos genéricos, como energia e telecomunicações. Tudo o mais são gastos com infraestrutura pública que servirá à população em geral, constituindo-se em legados positivos. A sua realização para a Copa seria apenas uma antecipação do que teria que ser feito a qualquer momento. 
São obras imprescindíveis para melhorar a vida dos cidadãos durante muito tempo e não apenas durante um curto evento de grande porte.
Alguns resolveriam demandas já existentes e não atendidas. Outros estariam dimensionadas para atender a demandas futuras. As que teriam essa característica de grande antecipação foram excluidas da matriz de responsabilidades, como o monotrilho de Manaus ou o VLT de Brasília. A única exceção é o VLT de Cuiabá, que não ficará pronto para a Copa.

Somando-se a previsão, constante da matriz, de R$ 8 bilhões para os estádios (na prática será mais), os gastos com as estruturas temporárias, ainda não incluidas na referida matriz e algumas obras do entrono imediato dos estádios, pode-se dizer que os gastos com a Copa não passariam de R$ 10 bilhões, em relação aos quais se poderia discutir a opção de destiná-los à saúde.

Os bilhões que estão sendo gastos com as obras e equipamentos para a Copa geraram ou estão gerando milhares de empregos. Mas os mesmos bilhões, aplicados em obras de hospitais, postos de saúde e equipamentos poderiam gerar os mesmos volumes ou até mais de empregos.

De uma parte caberia perguntar: o que esses 10 bilhões resolveriam os problemas crônicos da saúde?

De outra parte cabe indagar: o que os gastos com aeroportos, mobilidade urbana e outros irão melhorar a vida dos cidadãos, conforme se prometeu e continua sendo alardeado?

Como isso poderá ser medido? 


No caso dos aeroportos, o principal medidor é o volume de passageiros-ano. De um lado se tem o volume ocorrido no passado e no presente e se estima a demanda futura. Essa confrontada com a capacidade estabelecida pelo projeto do aeroporto determina o nível quantitativo de atendimento.

Na mobilidade urbana, quando o investimento é num sistema de transporte coletivo o medido é o volume de passageiros transportados. Já no caso de obras viárias, o medidor seria o fluxo de veículos ou o tempo de viagem.

Qual foi a melhoria prometida e qual será o resultado efetivo?


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mistérios na perspectivas dos turistas durante a Copa

Quantos turistas estrangeiros virão ao Brasil para acompanhar jogos da Copa? Quantos virão em pacotes das agências? Quantos virão avulsos?

A FIFA já teria comercializado cerca de 2,4 milhões de ingressos e acabou de comercializar o último lote, antes das eventuais devoluções. Sem sorteio. Mas - na sua maior parte - dos jogos menos procurados, pois abertura, final e jogos das principais seleções já estavam esgotados. O pouco que restava dos jogos em São Paulo e Rio de Janeiro foram vendidos. O que ainda sobra são em cidades como jogos de menor importância. Fortaleza é um caso excepcional. Não há lugares para os jogos do Brasil, mas sobram para jogos menores.


A previsão dos 600 mil turistas estrangeiros seria superado, mas há dados inconsistentes.

A Match que ficou com o direito exclusivo de comercializar os pacotes com a hospedagem já devolveu uma parte das reservas e irá devolver  uma quota maior ainda em abril. Não comercializou tudo o que reservou. Como essa comercialização ocorreu - em grande parte - antes do sorteio das chaves é possível que muitos tenham desistido porque as suas reservas não coincidem com os jogos que gostariam de assistir. Também é possível que uma grande parte, principalmente os norte-americanos, os principais compradores estrangeiros, não tenham se interessado pelos pacotes das agências, preferindo se aventurar de forma avulsa, contando - inclusive - com a hospedagem na casa de familiares e amigos. 
Aparentemente, muitos dos torcedores norte-americanos são jovens, com amigos brasileiros nos EUA e curiosos em conhecer o Brasil: que país é esse que tem tanta gente nos EUA? A minha filha é uma delas: indo estudar em NY  acabou casando com um professor da NYU. Amigos dela ou do marido querem vir para a Copa e indagam se poderemos hospedá-los. Sem dúvida.
Ariau Hotel Manaus
Isso responderia à suposta contradição: o número de turistas seria maior que o previsto, porém a demanda por hotéis seria menor. As associações dos hoteleiros já estão preocupados com o nível de vacância durante a Copa. Em Manaus, os hotéis que haviam suspensas as reservas para eventos estão reabrindo-as temendo uma demanda menor dos turistas da Copa.

Mas há outro fato contraditório. A TAM prolongou uma promoção que, normalmente dura apenas um final de semana, para um segundo final de semana (com descontos menores) com passagens durante o período da Copa. Durante a Copa as passagens estarão mais baratas do que em abril, maio.

A CVC, a maior agência de viagens - pelo menos em publicidade - está oferecendo pacotes de viagens nacionais, como a chamada "durante a Copa".

Segundo reportagem do Bom Dia Brasil da Globo as agência estão oferecendo pacotes para dentro do Brasil com grandes descontos. Para tentar sair do prejuizo. Os pacotes para o exterior estão com descontos em função da queda do dólar. Fugir da Copa ficou mais barato.

Afinal, qual será a demanda real de hotéis e viagens aéreas durante a Copa? 



terça-feira, 15 de abril de 2014

Fugir para outra localidade no Brasil

Fugir para outra localidade dentro do Brasil, durante a Copa, é uma opção genérica que precisa ser avaliada de forma especifica.
Uma primeira opção é sair da cidade para a praia ou para as montanhas, via terrestre. Para muitos seria apenas uma antecipação do que ocorreria - normalmente - nas férias escolares de julho. 
Rodovia dos Tamooio

Uma saída em massa, gerará nas estradas o mesmo problemas de alguns dias do verão: enormes congestionamentos nas estradas. O problema é sempre o "efeito manada".

A Copa envolve duas etapas distintas: a da disputa dos grupos, quando ocorrerão partidas em doze cidades, com a perspectiva de maior volume de turistas e grande movimentação aérea, com as torcidas seguindo a sua seleção. Nas oitavas, que ainda ocorrem em junho, adentrando 1 de julho, 4 cidades ficam fora (Manaus, Cuiabá, Natal e Curitiba).
Nas duas fases subsequentes, na primeira semana de julho, mais duas ficam fora (Porto Alegre e Recife/ São Lourenço da Mata). As finais ficarão no Rio e em Brasília. 
As cidades, à medida em que forem saindo, poderão receber os turistas normais, incluindo os que vierem para a Copa e querem conhecer diversas atrações. 
As agências já estão oferecendo viagens para essas cidades nesse período. Isso poderia explicar a aparente incoerência das ofertas de viagens durante a Copa. 


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Impacto da Copa no PIB

Qual será o impacto da Copa sobre o PIB brasileiro? Com entender e como calcular?

Primeiramente é preciso entender como se forma o PIB - Produto Interno Bruto.

Não é bem como a mídia gosta de repetir que é a soma de todas as riquezas produzidas num ano, mas a percepção genérica está certa: é a soma de toda produção nacional agregada no ano considerado. 

Partindo dos recursos naturais, com valor zero, tudo de valor que se acresce com a sua transformação, até seu uso final em território nacional ou exportado, assim como toda produção com origem no esforço humano forma o PIB. Essa produção é desdobrada em 3 grandes setores: agricultura; indústria e serviços. A indústria envolve tanto a de transformação, como a de construção.

O que leva à produção de bens ou serviços? A existência ou a perspectiva de uma demanda. Essa demanda, por sua vez, é desdobrada em consumo das famílias, consumo do Governo e formação bruta de capital fixo, que significa uma demanda para formação de um ativo fixo.

Complementam a conta do PIB, um balanço entre importações e exportações, do lado da demanda e o estoque que corresponderia à produção não demandada.

Como então, dentro desse quadro, um evento como a Copa do Mundo da FIFA impacta nessas contas?

Num primeiro momento, são desenvolvidos serviços para conquistar o direito e, uma vez conseguido, são realizados serviços de planejamento, projetos e investimentos para a construção dos estádios, obras de mobilidade urbana, hotelaria, aeroportos, entre os principais.

Esses investimentos que começaram cinco a quatro anos antes, promoveram uma produção da indústria da construção, contribuindo para a formação do PIB, dos respectivos anos.

Provavelmente essa produção da indústria da construção para as obras da Copa foi crescente ano a ano, impactando a taxa anual, alcançando o auge em 2013, com a conclusão de alguns estádios e obras de mobilidade urbana. Algumas que não ficariam prontas para a Copa, foram suspensas, para não atrapalharem a mobilidade durante a Copa.

Em 2014 as obras dos estádios estão sendo de complementação, representando parcela menor do conjunto. O mesmo ocorre com as obras de mobilidade urbana.

De outra parte, a produção da indústria da construção para a Copa, envolve o ano todo, enquanto em 2014, haverá uma interrupção entre 1 a 3 meses, por conta da realização da Copa. 

Como resultado, o PIB da Construção - vinculada à Copa - em 2014 deverá ser menor que o de 2013, provocando uma contribuição negativa na variação do PIB. Ou, em outros termos, o PIB de 2014 deverá decrescer em relação a 2013, por conta da Copa. Serão necessários outros fatores para que o PIB global de 2014 fique acima do de 2013, compensando a queda provocada pelos menores investimentos vinculados à Copa.

Espera-se que em 2014 haja uma vinda adicional de turistas para acompanhar a Copa, aumentando a conta "consumo das famílias". Certamente haverá um grande volume de turistas para a Copa, embora o volume de 600 mil pareça ser exagerada, dadas as distância do Brasil de grandes centros emissores. No entanto, se considerarmos o volume de 2,5 milhões de ingressos vendidos dos quais apenas pouco mais de 1 milhão seria para brasileiros, o volume de ingressos vendidos a estrangeiros superaria, em muito, os 600 mil turistas, inicialmente esperados. Mas as contas divulgadas pela FIFA não fecham.

Para avaliar o impacto positivo da Copa no aumento do volume de turistas estrangeiros, nos próximos anos, deve se considerar o incremento tendo por base o volume e os gastos de 2012, assumindo que já em 2013 o Brasil já teria o efeito da sua maior visibilidade em função da Copa no país.

(continua)










segunda-feira, 31 de março de 2014

Imagine depois da Copa!

Passada a Copa, e depois as eleições, o que será o Brasil de 2015? Como estará a vida dos brasileiros, com novos ou os mesmos governantes?
Será um novo Brasil ou apenas mais do mesmo?

Para quem for viajar a partir de São Paulo em voos internacionais ou nacionais mais longos, perceberá uma grande diferença. Chegando a Brasília, também sentirá diferença, mas em todos os demais será mais do mesmo, ainda que novas instalações tenham sido abertas, ou tenham sido maquiadas. As diferenças só serão percebidas mais adiante, provavelmente a partir de 2017. O Galeão ainda estará um lixo, mas estará melhor para as Olimpiadas 2016.

Os legados mais significativos creditáveis à Copa serão as modernizações dos aeroportos internacionais.

A principal diferença poderá ser sentida pelos viajantes nordestinos ao exterior que passarão a ter a opção de um aeroporto na região por onde podem partir ou chegar, com possibilidade maior de escolha de horários, sem ter que vir ao sudeste. Não decorre apenas da Copa, mas essa promoveu a aceleração da abertura do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. 

Nas cidades algumas pessoas terão à sua disposição sistemas de transporte coletivo mais modernos, eventualmente, mais rápidos, mas sempre lotados em geral e superlotados nos períodos de pico. E os congestionamentos permanecerão dando a impressão de que nada foi feito. 

Alguns nós do sistema viário terão sido resolvidos, mas - no geral - transferindo o nó para mais adiante. 

A maioria não sentirá grandes diferença no seu dia a dia e se perguntarão: qual foi o legado da Copa para a mobilidade urbana?

Os estádios mais visíveis, localizados em áreas centrais, com grande movimento de pessoas e veículos serão o testemunho da megalomania dos governantes e dos desperdícios. Natal, na entrada da cidade, será o mais visível. Manaus, em área central também será um monumento de pouco uso.

Brasília fica um pouco afastado, mas a sua imponência será visível no setor hoteleiro e está numa das principais rotas de acesso à Esplanada dos Ministérios. 

Os maiores candidatos a elefantes brancos serão os mais visíveis, para lembrar cotidianamente à população o desvio de recursos públicos de setores mais essenciais.

Ao contrário do que foi prometido, o brasileiro não estará vivendo melhor, nas cidades-sede da Copa. 

Com a insatisfação o povo irá às ruas? 

Irá, mas não mais contra a Copa ou mesmo contra os seus gastos. Será por outros motivos, mas dentro das reivindicações, o padrão FIFA, para a educação, para a saude em geral, para os hospitais públicos, para os transportes coletivos serão requeridos.

O "padrão FIFA", como mote de reivindicações populares, será um dos legados da Copa 2014.

domingo, 30 de março de 2014

Legado da Copa - cultura ética e de gestão

Escolhido o Brasil, como sede da Copa do Mundo da FIFA de 2014, com sete anos de antecedência, criou-se a grande oportunidade para radicais mudanças na cultura brasileira, de forma a se aproximar de padrões éticos e gerenciais de países mais desenvolvidos.

Era a excepcional oportunidade para desenvolver o planejamento de médio prazo, a transparência na gestão dos recursos públicos com o seu uso mais ético.

Essas mudanças culturais poderiam ser um dos principais legados da Copa no Brasil. Infelizmente a oportunidade está sendo perdida.

Apesar de um período razoável para a preparação, ainda que não folgado, o Brasil abdicou do planejamento, mantendo a cultura dos adiamentos sucessivos, contando sempre com um "jeitinho" para resolver os problemas. 

Logo depois da escolha, o Governo Federal pouco ou nada fez, como se tivesse todo o tempo do mundo. Afinal 2008 estava muito distante de 2014: esse era visto então como um futuro longínquo.

O planejamento - mesmo assim parcial e elementar - só começou em 2009, com a escolha das cidades-sede e mesmo assim, com mudanças de alguns estádios, como os de Cuiabá, Natal e Recife. O estádio para a abertura em São Paulo, foi mudado em 2010. 

A definição das obras para a melhoria da mobilidade urbana, aeroportos e outros também só foi feita em 2010, dentro de uma matriz de responsabilidades. Um instrumento elementar, acordado às pressas, e não o produto de um cuidadoso planejamento. 

O resultado é que essa matriz teve sucessivas alterações, com substituição de obras da relação e exclusão de obras que não ficariam prontas a tempo de atender à Copa 2014.

Para acelerar as contratações foi estabelecido um regime diferenciado, que seria excepcional, mas dentro dos padrões brasileiros, vem se tornando geral, com resultados finais duvidosos. Ganhou-se no prazo das contratações, mas não nos prazos de entrega. Esses estão piores do que os das contratações dentro das regras gerais.

Como consequência da falta de planejamento, as obras não ficaram e não estão fincando prontas dentro dos cronogramas específicos e mesmo alguns estádios abertos para a realização de jogos, estão incompletos.

O Brasil que com a Copa do Mundo da FIFA, edição de 2014, pretendia se mostrar ao mundo como um país desenvolvido, sério e preparado, está confirmando a sua faceta real de atraso e improvisação, sob o manto do "jeitinho brasileiro", tentando mostrar ao mundo que isso é uma qualidade e não um defeito. 

O resultado até agora da preparação do Brasil para a Copa é de perda de credibilidade e não de ganho, seja junto  aos turistas como perante os investidores. 

Trazer a Copa para o Brasil até agora é um "tiro no pé". Mais um entre outros.

É inegável o avanço na transparência da gestão de recursos públicos, dentro de um quadro geral de exigência da sociedade. 

Os portais de acompanhamento  do andamentos dos preparativos, mantidos pelo próprio Governo Federal, e replicados por portais privados, assim como a lei de acesso às informações, tem permitido à sociedade acompanhar com mais informações o que está sendo gasto com a preparação para a Copa: o que alimentou as manifestações populares. Apesar de algumas contestações e dúvidas sobre alguns números há um conhecimento geral.

Esse aumento da transparência não é um legado específico da Copa, mas esta contribuiu significativamente, pelo interesse da população por tudo o que diz respeito a ela, não apenas do ponto de vista futebolístico. Não há como a Administração Pública voltar atrás, na divulgação dos seus números.

Esse aumento de transparência, no entanto, não tolheram os superfaturamentos e a corrupção. O enorme volume de gastos com a preparação da Copa era uma oportunidade ímpar para os corruptos "abocanharem" o seu e muitos não perderam a oportunidade.

A ação fiscalizadora dos órgãos de controle conseguiu coibir alguns, mas não todos. Sob o manto do cumprimento dos prazos muita coisa passou. E com a conivência da FIFA, usada como argumento para serviços adicionais, os valores dos estádios foram inflados.

A possibilidade de um padrão ético melhor, no uso dos recursos públicos, com a preparação da Copa, também foi frustrada. 

O uso das parcerias público-privadas, com mecanismos complexos ajudou também a mascarar valores superiores aos do mercado.

O maior uso das PPPs, com a consolidação do instrumento é, sem dúvida, um legado da Copa.  Os resultados subsequentes, que emergirão ao longo dos próximos anos,  mostrarão um conjunto de defeitos que oneram as obrigações do parceiro público.  Mas são condições adjetivas que podem ser ajustadas e aprimoradas, sem prejuízo da aplicação da modalidade.

O legado da Copa na cultura de gestão dos recursos públicos não será dos melhores. Com graves repercussões sobre a imagem e a credibilidade do Brasil.














terça-feira, 25 de março de 2014

Legados da Copa - Produção econômica

A solução para o Brasil, segundo os economistas, é aumentar os investimentos. É aceito como um dogma pela opinião publicada. O investimento, no seu sentido macro (tecnicamente formação bruta de capital fixo) é necessário, mas não é "a salvação da lavoura". Os benefícios dos investimentos não são automáticos. Na prática é preciso considerar a qualidade do investimento e a sua efetiva capacidade de gerar ou propiciar os aumentos de produção.

Para a realização no Brasil da Copa do Mundo da FIFA o país investiu nesses últimos anos, bilhões de reais o que, do ponto de vista econômico, resultará em aumento da capacidade produtiva, propiciando um aumento de produção nos diversos setores beneficiados, refletindo-se num crescimento adicional ou maior do PIB.

Uma parte desses investimentos são visíveis, porque foram considerados em uma matriz de responsabilidades pelos investimentos, entre os Poderes Públicos, e é a principal referência do volume de investimentos relacionados à realização da Copa no Brasil.

Já os investimentos realizados no setor hoteleiro, para ampliar a capacidade não tem informações consolidadas, mas são estimadas pelas associações do setor. 

Há visibilidade nos investimentos em expansão ou melhoria dos aeroportos, porém não em relação às companhias aéreas. Nos aeroportos, além dos investimentos dos operadores haverá um volume de investimentos dos lojistas e consequente aumento da produção do comércio e de serviços  dos setores de atividades que irão atender ao tráfego de pessoas nos aeroportos.

Os investimentos para aumento da capacidade produtiva voltada à produção e venda de bens para a Copa deverão estar concentrados em aparelhos de TV para acompanhar os jogos, assim como nos souvenires de todos os tipos e categorias, com a marca da Copa, sendo os principais os uniformes, envolvendo as indústrias têxteis, de plástico e de brinquedos.

Um outro grupo de investimentos, embora não seja incorporada à Formação Bruta de Capital Fixo, é do gastos com o marketing das patrocinadoras do evento, com a perspectiva de aumentar o seu faturamento, com e pós Copa.

Além dos tradicionais, um setor emergiu como um dos mais visíveis: o de seguros. Com a ação dos novos (Liberty, Zurich e outros) o mercado irá aumentar ou será uma disputa do mesmo mercado com os tradicionais?

Vamos, primeiramente, nos ater a algum dos setores menos considerados.

Com a realização da Copa, ao longo de apenas 30 dias, haverá um pico de movimentação aérea e em alguns aeroportos, principalmente no de São Paulo.

O impacto econômico, pelo valor adicionado será no setor de transporte aéreo o que poderá ser medido pelo volume de recursos dispendidos pelos viajantes e seus acompanhantes em função das viagens.

O principal dispêndio dos viajantes será com as passagens, cujo efeito macroeconômico, além do valor agregado pela mão-de-obra direta das cias aéreas, alimentará os setores de agenciamento de viagens, de combustíveis e da operação aeroportuária, além - como sempre - da forte contribuição aos tesouros públicos.

Durante a Copa, grande parte das passagens será comprada no exterior, impactando a economia de origem do turista. O seu efeito direto na economia brasileira será pelo consumo nos aeroportos, seja do próprio turista como dos familiares, amigos e outros que irão esperá-lo, podendo consumir dentro do aeroporto, ou no seu entorno, como pelo estacionamento do carro. O traslado ainda poderá ser agregado ao transporte aéreo, mas seria a divisa entre esse e o setor hoteleiro. Como alguns vão para a cada de amigos ou parentes, pode ser mais agregado aos serviços de transporte. Ainda que alguns hotéis ofereçam o serviço no retorno ao aeroporto.

Durante a Copa haverá um movimento excepcional de passageiros, parte de turistas estrangeiros e a maior parte de brasileiros se movimentando para acompanhar os jogos, seja do Brasil, como das outras principais seleções. A da Espanha deverá gerar o maior movimento. Messi, Cristiano Ronaldo e outras celebridades poderão também gerar maior movimento de viagens. 

Em contrapartida, viagens aérea para lazer - uma vez que coincidirá com o período de férias escolares - poderão refluir. O que é provável é que as preferências de destino sejam as cidades ou locais sem a Copa, ou interferência da Copa, como Maceió e Aracaju, no Nordeste, Belém na Amazônia e Campo Grande, no Pantanal. No sul, a alternativa é Florianópolis. O problema é que os principais centros emissores são os mesmos dos turistas da Copa. Os aeroportos de São Paulo irão concentrar as maiores saidas.

Também haverá um refluxo do turismo de negócios, durante a Copa. Feiras e seminários foram antecipadas ou postecipadas para não coincidir com o período dos jogos. Viagens para reuniões de negócios continuarão, porém em menor volume. 

A compensação pode ser negativa e o setor de transporte aéreo venha enfrentar grandes problemas com os picos de demanda, em alguns dias, mas termine o ano com um volume geral inferior a 2013. 

Deverá ser positivo, porém não se pode considerar apenas os volume adicionais gerados pela Copa. Será necessário descontar as perdas das viagens habituais.

Para atender aos picos excepcionais, as cias aéreas terão que investir em instalações, comunicações, pessoal e equipamentos aéreos, assim como de apoio. Como será a utilização desses investimentos, pós Copa? Qual será o retorno econômico desses investimentos?

Nesse setor, do ponto de vista macroeconômico, ou seja da formação do PIB é possível que o efeito seja negativo, ou seja, haja em 2014 uma produção setorial menor que o ano de 2013.

Como será o movimento do transporte aéreo brasileiro em 2015 e anos subsequentes?

Um dos principais legados esperados com a Copa no Brasil era o significativo aumento do turismo internacional, tornado o país e as suas cidades-sede em importantes polos de atração turística em função da sua visibilidade mundial. 

Mas essa visibilidade poderia ser positiva ou negativa. O que a Copa poderia mostrar do Brasil seriam as vitrines ou as vidraças. O interesse era mostrar as vitrines, mas muitas vidraças serão também mostradas e poderão inibir o aumento do fluxo turístico, embora possa se esperar a manutenção do 

De toda forma, pode se esperar um aumento de volume de viagens internacionais, porém em nível inferior às expectativas otimistas com a Copa.  O retorno dos investimentos será mais lento.

Isso me leva a uma indagação: por que as duas principais companhias aéreas brasileiras não investiram como patrocinadoras da Copa para firmar as suas marcas no Exterior? 

O sentido de inteligência deste blog é de tentar interpretar o que está ocorrendo, indo além da informação, assim como avaliar eventuais impactos e consequências atuais e futuras. O que se segue é um exercício nesse sentido, buscando avaliar os impactos futuros, na economia brasileira, dos investimentos realizados para a Copa.

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...