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quarta-feira, 1 de março de 2017

Morte anunciada das associações empresariais

As associações empresariais estão morrendo. A lamentação é geral, com a saída sucessiva de associados, falta ou atraso no pagamento das contribuições. Resulta na carência de recursos para manter atividades tradicionais.
É usual racionalizar e colocar a culpa na crise econômica. Mas o processo de decadência é anterior e as associações não estão preparadas ou se preparando para "quando a retomada vier". Essa deverá vir ainda em 2017, porém não de forma generalizada. Alguns setores econômicos farão parte do crescimento. Outros poderão sucumbir de vez, diante da concorrência e das inovações tecnológicas.

Não bastará a elas retomar as atividades tradicionais. Essas parecem não atrair, não interessar mais aos associados. 

O que poderá ser feito para reanimar as associações empresariais? 

Aproveitando o espírito de reanimação do carnaval de rua, que havia sumido em São Paulo, limitado a algumas poucas manifestações localizadas, coloquei algumas reflexões no blog (na seção artigos) ainda sem conclusões. Como usual, cheio de diagnósticos, mas sem chegar à terapêutica  eficaz. Conto com os comentários, sugestões e contestações dos leitores. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Como dinamizar os serviços puros?

Os serviços puros, ou sejam, os que dependem essencialmente do trabalho humano, representam uma parcela significativa do PIB porque os consumidores compram ou usam. De toda forma, os prestadores de serviços recebem uma renda pelos serviços que prestam e a soma do conjunto integra o PIB. 
Os prestadores de serviços empregam trabalhadores e os gastos deles realimenta o consumo, tanto de bens como de serviços.

A redinamização da economia poderia ocorrer pelos gastos adicionais das pessoas, com serviços. A pergunta inicial é de onde viriam os recursos para esses gastos adicionais? Ou se é da renda atual, que gastos seriam prejudicados?

O mecanismo usual para antecipar gastos e dessa forma dinamizar o circuito econômico é o crédito. Como financiar as atividades de serviços? Como através do financiamento dos serviços dinamizar a economia?

O carnaval de rua em São Paulo, nesta temporada, mostrou um gasto adicional dos paulistanos na cidade. Teria incrementado a economia local, embora não no valor superestimado de 400 milhões de reais anunciado pela Prefeitura. No que foram gastos, o que movimentou a economia? Qual teria sido o efeito renda? Ou seja, o efeito secundários dos que receberam o dinheiro gasto pelos foliões? 

Os gastos com lazer podem ter um efeito econômico positivo. Mas para isso é preciso vencer os preconceitos gerados pelos industrialistas de que só a compra de bens gera efeitos econômicos positivos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Lições do Carnaval

A economia brasileira está em recessão. Os agentes econômicos estão desanimados.
Os economistas usam muito a figura do "espírito animal". Este estaria adormecido e com isso a economia não estaria funcionando. Aqueles entendem que para reanimar a economia é preciso despertá-lo. Como fazer isso?
O animal do espírito não é apenas da fera, mas do ânimo, da disposição. E o carnaval de rua mostrou que esse espírito existe e foi amplamente despertado. A adesão popular foi intensa. Mas será que é só para festa, de baixo custo?
Será que terminado o carnaval prolongado até o próximo fim de semana, o brasileiro será tomado, novamente, pelo "espirito do desânimo" de que "não há o que fazer"?
 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Resultados econômicos dos grandes eventos

As autoridade gastam com a promoção de grandes eventos , sob a alegação ou esperança de que a sua realização gere mais renda para a economia local. 
Foi com base nessa esperança ou ilusão que o Governo Brasileiro trouxe para o Brasil a Copa do Mundo da FIFA de 2014 que resultou num enorme fracasso econômico e futebolistico. 
Além da derrota por 7 x 1 da Alemanha, o PIB em 2014 se retraiu e a responsabilidade foi atribuida aos feriados durante a Copa.
Agora com o retumbante sucesso do carnaval de rua, as autoridades querem se creditar desse resultado, mostrando supostos fantásticos ganhos da economia da cidade. 
O que pode ser creditado, como inegável, é o gasto de turistas na cidade. Como a própria Prefeitura de São Paulo divulga, a cidade recebeu 40 mil turistas durante o Carnaval. Se deles decorresse o ganho alardeado de 400 milhões de reais, cada turista teria gasto na cidade, R$ 10.000,00, o que está muito acima da média.
Para chegar aos 400 milhões é preciso considerar os gastos da população local, específicos com os blocos. Se foram 2 milhões de paulistanos seguindo os blocos, o gasto médio teria sido de R$ 200 o que é pouco provável, numa época de crise.
Dos gastos de R$ 20 milhões para promover o carnaval de rua  apenas uma pequena parte retorna aos cofres da Prefeitura. 

Sem dúvida há um ganho para a economia da cidade. Ou melhor, uma perda menor para a economia da cidade. Quando 2 ou mais milhões de pessoas fogem da cidade, na epoca de carnaval, indo gastar em outras localidades, a permanência de metade dessa população na cidade, mesmo que gastando pouco é uma perda menor. 

Na falta de metodologia consistente as autoridades jogam com os números que querem e os incautos ou trouxas acreditam e repetem.   

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A economia do carnaval paulistano

O carnaval de rua paulistano de 2016 foi um inegável sucesso. Com o apoio da Prefeitura Municipal, que destinou R$ 20 milhões, segundo o Prefeito, retornaria à cidade R$ 400 milhões. O que é um exagero e creditar ao evento o que não é devido a esse.

As contas são forçadas. Uma parte seria pela não perda costumeira com a fuga de cerca de 2 millhões de paulistanos que saem da cidade, nos feriados prolongados. Como parte não saiu, os seus gastos foram somados àquele suposto benefício.

O crédito cabível é apenas dos gastos dos foliões com e nas manifestações de rua, somados aos patrocínios. Uma conta  simples (detalhado no artigo com o mesmo título, acessivel pela coluna à direita) indica que cada folião, inclusive as crianças, teria um gasto médio de R$ 67 por participação, nos eventos de rua.
Se o pessoal foi às ruas para "espantar a crise", não gastou isso. 


E ainda não teve turista atraído pelo carnaval de rua. Os que vieram o foram para o Carnaval do Sambódromo. Mas já que estavam aqui, aproveitaram. E foram às ruas.
 

 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O ET não entendeu nada!

Não precisa ser ET para ficar perplexo. Os ingleses do The Economist já anteviam e não estavam entendendo.

O Brasil não está vivendo a mais grave crise econômica "nunca antes ocorrida"?  Não está diante de uma grave crise política, com ameaça de impedimento da Presidente da República, com baixissima popularidade? Não teve recentemente  maior tragédia ambiental do mundo? Não está enfrentando uma epidemia de Zika Virus, com milhares de bebês com microcefalia, assustando as grávidas e as que pretendiam se engravidar? A população toda não está preocupada?

E qual é a resposta de grande parte da sua população? Ficar lamentando as desgraças? Não.

A resposta foi sair aos magotes às ruas, para pular, dançar e beber (até cair). As ruas de Salvador, do Recife, do Rio de Janeiro e agora até de São Paulo, foram tomadas pelos blocos, formados espontaneamente, a partir de pequenos grupos organizados, mas com milhares de adesões, convidados através das redes sociais. 

As circunstâncias despertaram nas pessoas o seu "espírito animal", ou melhor o "espirito carnavalesco" resultando em ampla adesão, superando as expectativas e lotando as ruas. 

Foi uma efetiva "revolução das massas" visível, inegável. Ainda que indesejável para alguns. Contrariando o "politicamente correto".

Diante do fenômeno emergem perguntas como:

  1. essa mobilização das massas se repetirá para movimentos de cunho político? Qual será a adesão da população a movimentos iniciados e convocados por pequenos grupos?
  2. essa  mobilização carnavalesca se repetirá em 2017 e anos subsequentes? O despertar do "espírito carnavalesco" da população foi circunstancial pela coincidência de fatores ou o inicio de um processo crescente e sustentado?
  3. o carnaval de rua ganhará sustentação, com ampliação dos patrocínios em 2017?

Mantida a tradição, todas essas manifestações seriam uma pausa, uma trégua festiva, para tudo "acabar na quarta-feira". 

A esperança é que na quarta-feira, afinal o ano de 2015 se finde e comece o ano de 2016. Será mais do mesmo? Ou um novo ano?

 


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A economia do Carnaval

Nestes dias em que o Brasil pára e o povo se diverte, qual é o impacto do carnaval para a sua economia em crise?
Apenas uma pausa, para esquecer as agruras da realidade?
Uma queda na atividade econômica, pela  paralisação  da  produção industrial e de serviços?
Um aumento da atividade comercial pelas compras de produtos carnavalescos e consumo das bebidas?
Um aumento do PIB do setor hoteleiro?
Uma injeção adicional de recursos pelos gastos dos turistas estrangeiros para participação no carnaval?

O carnaval puxa a produção, gera milhões empregos - ainda que temporários - movimenta a economia, em volumes não desprezíveis. Mas o impacto conjunto sobre o PIB ainda não foi medido.  

A paralisação de 2,5 dias úteis, tem uma repercussão negativa macroeconômica ampla. O exemplo da Copa do Mundo em 2014 foi bem ilustrativa, nesse sentido. Depois de realizada e levantadas as contas, a Copa foi responsabilizada pela queda do PIB nesse ano.

Com a ampliação de participação da população nos folguedos carnavalescos, ampliando a perseguição aos trios eletricos em Salvador ou ao Galo da Madrugada no Recife e, agora, com os milhões de cariocas nos blocos e também em São Paulo, os otimistas calculam a movimentação de milhões de reais com o Carnaval de Rua. O que compensaria as perdas com os feriados. Será?



sábado, 6 de fevereiro de 2016

Fugir, pular ou apenas ficar

A cidade de São Paulo, durante o Carnaval, ficava vazia. Sem trânsito nas grandes vias: um túmulo, não só do samba.
O pouco movimento se concentrava em alguns cinemas de artes e outros poucos pontos de concentração da classe média. 
A partir de altas horas da noite e pela madrugada os aficionados e torcedores das escolas de samba, iam ao sambódromo. 
Os pobres continuavam confinados nos seus bairros, a menos daqueles integrantes das escolas de samba. 
As que ocorriam eram invisíveis para a mídia.
Umas poucas iniciativas e movimentação de carnaval de rua, da classe média, ocorria na Vila Madalena. As tentativas de colocar "os blocos na rua" fracassavam por falta de participantes.
Os carnavalescos com recursos "se mandavam" para Salvador, Recife ou ao Rio de Janeiro. Outros aproveitavam os feriados para ir às praia,  a refúgios no interior ou ao exterior. 
Agora o carnaval de rua da classe média voltou com vários blocos carnavalescos.
Seria o renascimento do espírito carnavalesco ou consequência da crise? Uma grande parte não teve recursos para as suas viagens ao exterior, ou mesmo para os carnavais de Salvador, Recife, Olinda ou Rio de Janeiro. Ficando em São Paulo, porque não pular e dançar por aqui mesmo?

Os blocos de rua mobilizaram multidões. O que o MPL, MTST ou "vem pra rua" não conseguiram mobilizar, o carnaval levou às ruas.

O povo não quer protestar, quer é se divertir. Será? 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...