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Mostrando postagens de Março, 2014

Imagine depois da Copa!

Passada a Copa, e depois as eleições, o que será o Brasil de 2015? Como estará a vida dos brasileiros, com novos ou os mesmos governantes?
Será um novo Brasil ou apenas mais do mesmo?

Para quem for viajar a partir de São Paulo em voos internacionais ou nacionais mais longos, perceberá uma grande diferença. Chegando a Brasília, também sentirá diferença, mas em todos os demais será mais do mesmo, ainda que novas instalações tenham sido abertas, ou tenham sido maquiadas. As diferenças só serão percebidas mais adiante, provavelmente a partir de 2017. O Galeão ainda estará um lixo, mas estará melhor para as Olimpiadas 2016.

Os legados mais significativos creditáveis à Copa serão as modernizações dos aeroportos internacionais.

A principal diferença poderá ser sentida pelos viajantes nordestinos ao exterior que passarão a ter a opção de um aeroporto na região por onde podem partir ou chegar, com possibilidade maior de escolha de horários, sem ter que vir ao sudeste. Não decorre apenas da Copa, m…

Legado da Copa - cultura ética e de gestão

Escolhido o Brasil, como sede da Copa do Mundo da FIFA de 2014, com sete anos de antecedência, criou-se a grande oportunidade para radicais mudanças na cultura brasileira, de forma a se aproximar de padrões éticos e gerenciais de países mais desenvolvidos.

Era a excepcional oportunidade para desenvolver o planejamento de médio prazo, a transparência na gestão dos recursos públicos com o seu uso mais ético.

Essas mudanças culturais poderiam ser um dos principais legados da Copa no Brasil. Infelizmente a oportunidade está sendo perdida.

Apesar de um período razoável para a preparação, ainda que não folgado, o Brasil abdicou do planejamento, mantendo a cultura dos adiamentos sucessivos, contando sempre com um "jeitinho" para resolver os problemas. 

Logo depois da escolha, o Governo Federal pouco ou nada fez, como se tivesse todo o tempo do mundo. Afinal 2008 estava muito distante de 2014: esse era visto então como um futuro longínquo.

O planejamento - mesmo assim parcial e elementar…

Continua o impasse

O jeitinho brasileiro caracteriza-se pelo adiamento sucessivo das decisões e ações até a undécima hora, para dar um "jeitinho"  na última hora. Com uma solução improvisada.

Quinta-feira passou, sem solução para o impasse das estruturas complementares e temporárias no estádio do Itaquerão, onde ocorrerá o jogo de abertura da Copa da Fifa 2014. Jérôme Valcke anunciou que haveria solução até sexta, mas voltou para a Suiça sem uma solução. Porto Alegre deu um passo, mas ainda não a solução. Não há suficiente segurança jurídica para os eventuais investidores de que irão gastar e poderão compensar no ICMS. Há várias ações jurídicas preparadas para contestar a medida aprovada pela Assembléia Legislativa, com base em proposta do Executivo.
O jogo é bem conhecido: "fiz a minha parte, os outros é que não deixaram". A turma da FIFA fica desesperada com isso, mas ainda estão se acostumando com o "modo brasileiro".


A 75 dias da abertura, as soluções serão no jeitinho bra…

Cenário conspiratório da CPMI da Petrobras

A oposição quer uma CPI para investigar as compra da refinaria de petróleo em Pasadena, no Texas, EUA. A sociedade apoia. A base aliada está dividida e rebelde. 
Então qual e a reação e a estratégia do Planalto? 
Deixar "rolar" a CPI e transformar o limão numa limonada. O Governo controla a CPI, indicando o Presidente e o Relator.
A mídia criou a versão, aceita de forma generalizada, de que Dilma, então Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovou uma compra ruim, pagando um valor excessivo, pela refinaria, adquirida pouco tempo atrás pelo vendedor por um preço muito menor. E que, agora vale muito menos do que o preço da compra.

A estratégia envolve 4 pontos e 3 fases:
1 - mostrar à sociedade que a operação de compra, nos termos em que foi conhecida e aprovada, era boa, conforme das circunstâncias daquele momento e previsões do mercado;
2 - as cláusulas de "put option"  e "marlim" não foram mostradas pelos dirigentes que conduziram a operação, …

Rebaixamento para BBB14

O rebaixamento do país do futebol para o BBB terá uma repercussão política eleitoral maior do que a econômica. Porque a versão sobre o rebaixamento vai muito além da opinião publicada e dos economistas.
A versão popular é que o Brasil foi rebaixado para a série B, o que causa grande trauma, como foram os rebaixamento do Corinthians e do Palmeiras. A briga da Portuguesa dos Desportos para evitar o seu suspeito rebaixamento, em disputa com o ainda poderoso Fluminense, nos meios oficiais do futebol, com ampla repercussão pela mídia indica a importância popular do fato.
O rebaixamento é o grande símbolo da derrota que, embora não seja da mesma grandeza de 50, é sentido como um grande golpe na auto-estima. Os torcedores se conformam, mas com muita tristeza e que permanece por muito tempo, até que ocorra a recuperação.
Você olha a notícia, segura o choro, engole as lágrimas, mas sente: "fomos rebaixados". 
Não importa quem é S&P, o que significa, nem que é nota para mostrar aos ba…

Exportação de produtos primários

A pauta de exportações brasileiras é dominada pelas commodities, sendo o complexo soja a principal. Com a retração da exportação dos produtos industrializados, vem aumentando a dependência do Brasil desses produtos.
Esta condição não é aceita pela maioria dos economistas, das autoridades e pela sociedade, influenciada pelos primeiros. É vista como uma condição de uma economia subdesenvolvida e não de uma potência econômica que precisa produzir e exportar produtos de alta tecnologia e inovadores e não  produtos primários.
Este viés ou até preconceito foi praticamente consenso durante muitos anos, apesar de uma realidade sempre rejeitada, que só agora começa a ser quebrado, com aceitação de um modelo de desenvolvimento econômico brasileiro, baseado no agronegócio e não na indústria. Ainda que o agronegócio envolva também um segmento industrial.

Decorre do crescimento da importância relativa desse setor na formação do PIB e do comércio exterior e de uma percepção mais realista do agronegóci…

Legados da Copa - Produção econômica

A solução para o Brasil, segundo os economistas, é aumentar os investimentos. É aceito como um dogma pela opinião publicada. O investimento, no seu sentido macro (tecnicamente formação bruta de capital fixo) é necessário, mas não é "a salvação da lavoura". Os benefícios dos investimentos não são automáticos. Na prática é preciso considerar a qualidade do investimento e a sua efetiva capacidade de gerar ou propiciar os aumentos de produção.

Para a realização no Brasil da Copa do Mundo da FIFA o país investiu nesses últimos anos, bilhões de reais o que, do ponto de vista econômico, resultará em aumento da capacidade produtiva, propiciando um aumento de produção nos diversos setores beneficiados, refletindo-se num crescimento adicional ou maior do PIB.

Uma parte desses investimentos são visíveis, porque foram considerados em uma matriz de responsabilidades pelos investimentos, entre os Poderes Públicos, e é a principal referência do volume de investimentos relacionados à realizaç…

Desconstrução de dois grandes símbolos

O marketeiro João Santana construiu em 2006 dois grandes símbolos que foram absorvidos pelos eleitores. Contribuiram ou foram vitais para a eleição de Dilma Rousseff: a de que ela era uma competente gerente e a de que a Petrobrás era o Brasil.
Ela administraria bem todo o país, ao longo da sua gestão, promovendo o seu crescimento, como já demostrara (pelo menos na campanha mercadológica) na gestão do PAC. Melhoria da vida de todos os brasileiros, com a sua competência.
Criou o mantra de que a Petrobrás se confundia com o país. Bombardeou o país com a versão, também aceita pelo povo, de que o PSDB iria privatizar a Petrobrás, vendendo um patrimônio nacional.

Agora os fatos e números mostram irrefutavelmente que Dilma "escorregou" gerencialmente quando da aprovação da operação de aquisição de uma refinaria em Pasadena, nos EUA, ainda que baseado em relatório incompleto. 
A justificativa recente de que a cláusula do "put option" não estava no relatório, só demonstraria o …

Situação x Oposição

Situação e oposição se contrapõe na disputa pelo Poder.  A situação está no Poder e quer se manter nele e a oposição quer conquistar esse mesmo Poder.
A mensagem da situação é mostrar ao povo  de que está Governando bem, com bons resultados para os eleitores e que num governo subsequente, poderá melhorar. Procura mostrar o que pode fazer, como melhoria contínua.
Já a oposição precisa mostrar ao povo que o Governo vai mal, com maus resultados para os eleitores, que não consegue resolver os problemas e que não pode continuar, como está. Mas isso não basta. Precisa mostrar ao povo, como irá governar melhor.
Os discursos são padrões, de ambos os lados, com promessas genéricas.
Ao longo da entre-safra eleitoral, diante de questões concretas, esses objetivos estruturais nem sempre ficam claros.
É em relação às questões concretas que as posições da situação e da oposição são colocadas em xeque.

Duas situações críticas colocam as situações em xeque: uma no Governo Federal, dominado pelo PT, com os …

Um "abutre" internacional

"Abutre" é a denominação de investidores especializados em comprar empresa quebradas, a preços vís, ou na "bacia das almas", dar uma guaribada e depois revender a um preço muito mais elevado.
Alguns poucos podem ser sérios e aparecem como "recuperadores de empresas". Mas a maioria só "dá um tapa" e conta com a conivência de terceiros para as suas manobras "rachando os lucros".
O caso da refinaria de petróleo em Pasadena, Texas é tipico. 
Albert Frère , agraciado com o título de Barão, provavelmente pelos bons serviços prestados à coroa belga, fez várias transações de "recuperação" de empresas, preferentemente vendendo, com grandes margens, empresas falidas a estatais. Uma da mais recentes foi esse refinaria, através de uma subsidiária norteamericana, gerido - entre outros - por um ex-funcionário da Petrobras, comprado por cerca de 40 milhões de dólares. Investiu um valor não divulgado na maquiagem da unidade e revendeu à Petrobr…

Reação autêntica e desastrada

A reação pessoal de Dilma à revelação de que ela presidiu a reunião do Conselho de Administração da Petrobras que aprovou a compra de uma Refinaria no Taxas foi de indignação. Uma indignação autêntica: de alguém que percebeu ter sido usada, sido enganada, 
Reagiu por impulso de caráter pessoal, não como uma política que precisa medir a reação midiática e da classe política da sua decisão ou ação. Foi um desastre completo, maculando a sua imagem de competência gerencial e gerando uma crise política.
A mídia não se aprofunda na informação, gera uma versão plausível e uma vez aceita passa a prevalecer como a verdade, repetida "ad nauseam".

Dilma sempre foi meticulosa e não conduziria a aprovação de uma operação de milhões de dólares norte-americanos para uma compra atípica, com base apenas numa apresentação feita por um diretor da Petrobras,na própria reunião.  Ela tinha à sua disposição todo o dossiê da compra, com todos os detalhes. Mesmo que não tivesse tempo para analisar minu…

Se a eleição fosse ontem

Se a eleição fosse hoje Dilma Rousseff seria eleita no primeiro turno, segundo a prévia feita pelo IBOPE.
Os dados são representativos ou manipulados? As duas coisas. O resultado da amostra é verificável e correta. A manipulação está na composição da amostra. O nível de erro real é muito maior do que as indicadas, porque o universo é bastante diversificado. 
Mas se a eleição fosse ontem, período da pesquisa, o resultado seria esse mesmo, ainda que com diferenças no percentual.
O que mudará entre a primeira quinzena de março com o primeiro domingo de outubro?
Em primeiro lugar as circunstâncias gerais: a economia brasileira não vai bem, mas segue contratando e o desemprego baixo. A carestia deu um pico, por conta da estiagem, mas a situação poderá está superada no segundo semestre e mais próxima da eleição, a sensação poderá ser de que ela foi vencida. O que importa não são os índices, mas a percepção nas compras e a  comparação é sempre com ontem: hoje está mais caro ou mais barato que on…

Euforia e vaidade

O natural seria a abertura da Copa do Mundo da FIFA, de 2014, em Brasília, capital federal. A final poderia ser no Maracanã, por uma questão emocional: a desforra de 1950.
Mas assim que anunciada a homologação do Brasil como sede, os governadores de São Paulo, então José Serra, e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, acordaram em dividir abertura e final entre as duas cidades, sem combinar com os "russos", ou melhor com a FIFA.
A FIFA tinha outros planos e junto com a CBF, presidida por Ricardo Teixeira e o Governo Federal, então presidido por Lula ofereceram, com promessa de viabilidade financeira, um novo estádio para o Corinthians, o qual deveria receber a abertura.  Este aceitou de bom grado, sem perceber que estava caindo no "conto do vigário". E criaram um enorme problema.

Agora a 90 dias da abertura fica mais claro que a solução mais razoável e econômica seria mesmo a abertura em Brasília ou no Rio de Janeiro, com São Paulo sediando um conjunto de seis jogos, inclu…

Corredor de ônibus não é solução

O Prefeito de São Paulo conseguiu que a sua base própria mais a aliada aprovasse o projeto de implantação de 150 km. de corredores de ônibus, dentro da modalidade BRT (Bus Rapid Transit), justificando que irá melhorar a mobilidade urbana. Irá, mas provavelmente por um custo muito elevado, econômico e social, para um benefício reduzido. 
Ele, como muitos dos especialistas e outros dentro da sociedade, entendem que a solução para a mobilidade urbana está na substituição do transporte individual pelo coletivo. Vã esperança ou ilusão. As viagens da população urbana em São Paulo, por meio individual continuam crescendo mais do que as por meio de ônibus. E os congestionamentos ainda piorando.

A questão da mobilidade urbana não se resume na contraposição entre modo individual  x coletivo, mas é muito mais complexa. 

O foco deve ser o deslocamento das pessoas e essa se faz sempre de forma multimodal, com integração entre modos, O transporte individual pode propiciar um deslocamento quase que uni…

Vai ficar pronto?

O estádio do Corinthians vai. O da FIFA, quem sabe?
Ontem estive em visita ao Itaquerão. O que vi, confirma o avaliado aqui, anteriormente, baseado em informações divulgadas pela imprensa.
Em 15 de abril, a Construtora Norberto Odebrecht, convocada para construir o estádio vai entregar a obra. Deveria ter entregue até 31 de dezembro de 2013, mas o acidente com uma das estruturas da cobertura atrasou a obra. Acidente providencial, porque muitas das partes internas que deveriam estar prontas e não foram afetadas pelo acidente ainda estão inacabadas. Mesmo que não tivesse ocorrido o acidente a obra não teria sido  entregue pronta, no dia aprazado.
O gramado está lindo, a maior parte das cadeiras já está instalada. Numa vista panorâmica aparentemente só faltariam completar as arquibancadas provisórias e o entorno do próprio estádio. Era o que eu achava. Mas na visita percebi que falta muito mais. Toda parte das obras de engenharia (civil, elétrica, instalações, etc) internas estão praticamen…

Não vai ter festa, na Copa

A FIFA vai ter que se virar para fazer festa com a Copa. Ou abre o seu cofre para pagar as tendas ou vai ter que fazer só o essencial, ou seja, os jogos em campo. Já levantamos essa questão há tempos e reiteradamente. Poucos acreditaram. Sempre alegaram: "vai dar tudo certo".
Mais recentemente alertamos que os Governos estaduais e municipais, com receio das manifestações populares evitariam colocar recursos públicos para o "camelôdromo" que a FIFA exige no entorno dos estádios para receber os convidados seus e dos seus patrocinadores, as feiras de exposição desses e ainda o centro de mídia. As fotos do estádio de Berlim são bem ilustrativas. A de cima é no jogo final da Copa de 2006 e a de baixo, pós Copa: tudo desmontado.


A revista Veja apresenta agora uma estimativa dos custos adicionais com as tais estruturas complementares, totalizando cerca de 400 milhões de reais. Gastos exclusivamente para as festas que a FIFA quer promover, às custas do erário público, e que …