Para a retomada da demanda das pessoas é preciso avaliar, preliminarmente, o impacto das mudanças de hábitos trazidos ou acelerados pela pandemia do novo coronavirus e pelo seu combate.
O vírus (SARS COV2) pela facilidade de contágio e efeitos dolorosos para parte dos infectados, levando alguns casos à morte, levou muitas pessoas a se recolherem em sua casa, reduzindo ou mudando os seus hábitos de consumo. Outros preferiram ou preferem se arriscar para voltar a hábitos anteriores e, finalmente, há os negativistas que não acreditam no vírus ou na sua gravidade. O negativista mais notório é o Presidente da República.
Os que aderiram ao "fique em casa" são, na maior parte, aqueles de maior renda, mantendo o seu emprego, trabalhando em casa. Foram eles que causaram maior impacto negativo em demandas setoriais e na demanda agregadana.
Em poucos casos eles deixaram de consumir algum bem ou serviço. Adiaram o consumo, diante das restrições na oferta, mas mantiveram o desejo de consumo, acumulando uma demanda reprimida.
Seriam os casos de bens de consumo duráveis, como automóveis, eletrodomésticos e outros, embora alguns demandantes, com maior urgência tenham recorrido às compras virtuais.
No caso de vestuário, ainda há grande preferência pelas compras presenciais e os compradores estariam esperando pela plena liberação para voltar às lojas.
Na maior parte dos casos o consumo ou a necessidade de consumo foi mantida, porém atendida por modalidades diversas das tradicionais.
Dois são os mais notórios: a alimentação e as reuniões ou encontros presenciais.
A alimentação dos trabalhadores vinha caminhando para um aumento progressivo do "fora do lar (food service)" gerando uma grande demanda para atividades de preparação e serviço de alimentação fora do lar, como restaurantes, lanchonetes, cozinhas industriais e outras, em grande parte, mediante empresas de micro e pequeno porte.
As reuniões e encontros presenciais passaram a ser substituídas por eventos virtuais, o que gerou forte impacto sobre a atividade de transporte de pessoas, tanto terrestre, como marítima e aérea.
São duas demandas que teriam até ampliado, mas realizadas na casa das pessoas, dos participantes, com as empresas prestadoras de serviços a perderem clientes, receitas, levando várias a fechar temporariamente os seus estabelecimentos, pedir recuperação judicial e até até a suspensão definitiva das suas atividades. Com redução ou eliminação do seu quadro de empregados.
Chama atenção o volume de encerramento de empresas e tem se debitado ao atraso nas medidas de auxílio emergencial do Estado. Mas esse é um efeito derivado. A razão primária é a redução na demanda dos seus serviços. Empresas que contavam com alguma reserva financeira, tiveram alguma condição para suportar a perda de clientes e receitas. As que estavam endividadas, conseguiram, em grande parte, postergar os pagamentos, mas não créditos adicionais.
Os auxílios emergenciais, ainda que cheguem, vão ajudar a sobrevivência, mas a retomada só vai ocorrer com a retomada da demanda.
A oferta irá diminuir pela saída de algumas empresas e as que sobreviverem terão que se ajudar ao novo perfil da demanda.
Do ponto de vista macroeconômico, apesar das alternativas de atendimento, deverá afetar a demanda agregada que será menor.
A retração do consumo dos ainda com trabalho e renda, decorre mais de fatores culturais, sejam de ordem sanitária, pelo receio do contágio, como de ordem econômica, pelo receio de perda do emprego e da renda futura. Neste caso preferem "guardar o dinheiro" para eventualidades futuras.
Já os que perderam emprego ou já estavam desempregados, antes da pandemia, a retração da demanda decorre da redução de renda.
Em primeiro lugar será necessário revitalizar a demanda daqueles com trabalho e renda, uma vez que a dinamização dessa será a condição fundamental para que as empresas se animem a contratar mais, determinando a ampliação da massa salarial.
Priorizar os empregos, mediante desoneração da folha e outras medidas serão ineficazes, sem antes redinamizar a demanda. Sem essa as empresas não irão se dispor a retomar ou aumentar a produção e contratar mais empregados. O problema primário dos empregadores não é o custo presente ou futuro do empregado, mas a falta do pedido, ou dos clientes.
Como redinamizar a demanda, a curto prazo, sem comprometer as contas públicas como fez o PT?
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domingo, 26 de julho de 2020
sexta-feira, 24 de julho de 2020
O antiambientalismo de Bolsonaro
As posições de Jair Bolsonaro em relação às questões ambientais decorrem de três bases: a) as convicções pessoais; b) as derivadas de manifestações de terceiros; e c) pressões corporativas.
As convicções pessoais decorrem da sua natureza pessoal que compõe a sua visão de mundo. A infância de Jair Bolsonaro está relacionada com a floresta atlântica, mas parece não ter criado nenhuma afeição pessoal com essa. Ao contrário, ao longo de sua carreira politica foi tomado por ojeriza aos ambientalistas, na medida que esses foram sendo dominados pela esquerda ideológica. A esquerda internacional migrou da "luta de classe" para a "defesa do clima", contestando o sistema capitalista, denunciado com o principal vilão da degradação ambiental mundial.
A estratégia internacional dos ambientalistas foi ocupar um espaço próprio dentro dos Governos nacionais e criação de uma rede internacional de ongs ambientalistas, entre as quais a Greenpeace é a mais conhecida.
Jair Bolsonaro sempre se posicionou contra os ambientalistas, negando as suas constatações e previsões com respaldo em bases científicas e assumindo que as proposições preservacionistas restringem o trabalho e a atividade econômica.
Com a maior participação dos partidos de esquerda e centro-esquerda nos governos europeus, fazendo do desenvolvimento sustentável, políticas nacionais, regionais e internacionais, os antiambientalistas brasileiros passaram a ver risco na soberania nacional.
A par das suas convicções pessoais, negativistas em relação aos problemas ambientais as posições de Jair Bolsonaro foram reforçadas pelas de Donald Trump, o seu grande ídolo político.
Durante a campanha eleitoral buscou ou aceitou o apoio de grupos igualmente antiambientalistas, principalmente de garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros desmatadores das florestas. Comprometeu-se, em contrapartida, apoiá-los - uma vez eleito - contra a fiscalização do IBAMA e de outros órgãos ambientais. Contou ainda com parcela do agronegócio, que se beneficia indiretamente do desmatamento, com presença relevante na Frente Parlamentar da Agricultura.
Por conta desse apoio e promessas, que vem cumprindo com esses, desmontou a fiscalização, esvaziou o IBAMA, e permitiu o aumento do desmatamento, assim como a difusão dos incêndios florestais.
As convicções pessoais decorrem da sua natureza pessoal que compõe a sua visão de mundo. A infância de Jair Bolsonaro está relacionada com a floresta atlântica, mas parece não ter criado nenhuma afeição pessoal com essa. Ao contrário, ao longo de sua carreira politica foi tomado por ojeriza aos ambientalistas, na medida que esses foram sendo dominados pela esquerda ideológica. A esquerda internacional migrou da "luta de classe" para a "defesa do clima", contestando o sistema capitalista, denunciado com o principal vilão da degradação ambiental mundial.
A estratégia internacional dos ambientalistas foi ocupar um espaço próprio dentro dos Governos nacionais e criação de uma rede internacional de ongs ambientalistas, entre as quais a Greenpeace é a mais conhecida.
Jair Bolsonaro sempre se posicionou contra os ambientalistas, negando as suas constatações e previsões com respaldo em bases científicas e assumindo que as proposições preservacionistas restringem o trabalho e a atividade econômica.
Com a maior participação dos partidos de esquerda e centro-esquerda nos governos europeus, fazendo do desenvolvimento sustentável, políticas nacionais, regionais e internacionais, os antiambientalistas brasileiros passaram a ver risco na soberania nacional.
A par das suas convicções pessoais, negativistas em relação aos problemas ambientais as posições de Jair Bolsonaro foram reforçadas pelas de Donald Trump, o seu grande ídolo político.
Durante a campanha eleitoral buscou ou aceitou o apoio de grupos igualmente antiambientalistas, principalmente de garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros desmatadores das florestas. Comprometeu-se, em contrapartida, apoiá-los - uma vez eleito - contra a fiscalização do IBAMA e de outros órgãos ambientais. Contou ainda com parcela do agronegócio, que se beneficia indiretamente do desmatamento, com presença relevante na Frente Parlamentar da Agricultura.
Por conta desse apoio e promessas, que vem cumprindo com esses, desmontou a fiscalização, esvaziou o IBAMA, e permitiu o aumento do desmatamento, assim como a difusão dos incêndios florestais.
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Só restou um caminho
A economia brasileira enfrentou uma forte recessão a partir do final de 2014 que se prolongou até o início de 2017, quando começou a se recuperar lentamente.
O processo sofreu sucessivos abalos, com a greve dos caminhoneiros ainda em 2018 e a ruptura da barragem de Brumadinho, em ainda no início de 2019, mas conseguiu manter uma trajetória de crescimento, ainda que mínima. A expectativa geral era de um crescimento um pouco maior, com a concretização das demais reformas estruturais, em sequência da previdenciária, promovendo uma retomada maior do consumo das famílias e de novos investimentos privados.
O foco era (ou foi) a consolidação de uma economia liberal, com uma ampla privatização e redução da dependência de apoio estatal.
O caminho de ter como pilar do crescimento a exploração do petróleo e gás do pré-sal, integrado a um fortalecimento de uma cadeia nacional de fornecedores para aquela exploração e produção, já havia sido travado, ainda no Governo Dilma, pela constatação do seu mau uso, alimentando mais a corrupção do que um efetivo crescimento do negócio.
Com o novo governo, a expansão da produção foi mantida, mas o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional foi inteiramente abandonada, com a preferencia total pelas compras externas.
A reindustrialização baseada no "conteudo nacional" o grande sonho dos Governos petistas, para promover a retomada do desenvolvimento econômico ruiu contaminada pelo vírus da corrupção.
Agora o novo coronavirus, provocando uma contração mundial no consumo de combustíveis, associado ao desentendimento entre os maiores produtores de petróleo no mundo, levou a uma forte depreciação do preço internacional do petróleo, comprometendo, de vez, o caminho do re-desenvolvimento nacional através do petróleo do pré-sal.
O caminho do desenvolvimento pela tecnologia, apontado pelo sucesso da EMBRAER, não prosperou. O Brasil não conseguiu multiplicar embraers, ficando só nela. Agora esse caminho ficou mais difícil, porque o setor de tecnologia, não só teve grandes mudanças como já está grandemente tomada por outros países.
Com o consumo interno das famílias enfraquecido, agravado com a crise do coronavirus, com o Estado sem recursos para investir, ainda mais tendo que deslocar todos os recursos para sustentar o consumo interno de forma a "puxar" a produção, com baixo interesse de investidores estrangeiros em investir no país, só restou ao Brasil o caminho do agronegócio, principalmente, mas não unicamente do exportador.
Foi o menos afetado pelo coronavirus e segue batendo recordes de produção e de exportação.
Diante das circunstâncias, o Brasil todo precisa se voltar e apoiar esse rumo, se não o único, o mais promissor caminho para a retomada do desenvolvimento.
Dentro do agronegócio, a agropecuária ajudará a sustentar a economia e evitar que ela afunde demais. Para a revitalização da economia será necessário avançar no sentido da industrialização e maior geração de valor.
O processo sofreu sucessivos abalos, com a greve dos caminhoneiros ainda em 2018 e a ruptura da barragem de Brumadinho, em ainda no início de 2019, mas conseguiu manter uma trajetória de crescimento, ainda que mínima. A expectativa geral era de um crescimento um pouco maior, com a concretização das demais reformas estruturais, em sequência da previdenciária, promovendo uma retomada maior do consumo das famílias e de novos investimentos privados.
O foco era (ou foi) a consolidação de uma economia liberal, com uma ampla privatização e redução da dependência de apoio estatal.
O caminho de ter como pilar do crescimento a exploração do petróleo e gás do pré-sal, integrado a um fortalecimento de uma cadeia nacional de fornecedores para aquela exploração e produção, já havia sido travado, ainda no Governo Dilma, pela constatação do seu mau uso, alimentando mais a corrupção do que um efetivo crescimento do negócio.
Com o novo governo, a expansão da produção foi mantida, mas o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional foi inteiramente abandonada, com a preferencia total pelas compras externas.
A reindustrialização baseada no "conteudo nacional" o grande sonho dos Governos petistas, para promover a retomada do desenvolvimento econômico ruiu contaminada pelo vírus da corrupção.
Agora o novo coronavirus, provocando uma contração mundial no consumo de combustíveis, associado ao desentendimento entre os maiores produtores de petróleo no mundo, levou a uma forte depreciação do preço internacional do petróleo, comprometendo, de vez, o caminho do re-desenvolvimento nacional através do petróleo do pré-sal.
O caminho do desenvolvimento pela tecnologia, apontado pelo sucesso da EMBRAER, não prosperou. O Brasil não conseguiu multiplicar embraers, ficando só nela. Agora esse caminho ficou mais difícil, porque o setor de tecnologia, não só teve grandes mudanças como já está grandemente tomada por outros países.
Com o consumo interno das famílias enfraquecido, agravado com a crise do coronavirus, com o Estado sem recursos para investir, ainda mais tendo que deslocar todos os recursos para sustentar o consumo interno de forma a "puxar" a produção, com baixo interesse de investidores estrangeiros em investir no país, só restou ao Brasil o caminho do agronegócio, principalmente, mas não unicamente do exportador.
Foi o menos afetado pelo coronavirus e segue batendo recordes de produção e de exportação.
Diante das circunstâncias, o Brasil todo precisa se voltar e apoiar esse rumo, se não o único, o mais promissor caminho para a retomada do desenvolvimento.
Dentro do agronegócio, a agropecuária ajudará a sustentar a economia e evitar que ela afunde demais. Para a revitalização da economia será necessário avançar no sentido da industrialização e maior geração de valor.
segunda-feira, 3 de junho de 2019
Só "pra nóis"
Jair Bolsonaro se dedicou na semana a presidir o país dos seus. Foi almoçar num restaurante a beira da estrada com os caminhoneiros, com a boa noticia de redução do preço do diesel. Foi à Convenção Nacional da Assembléia de Deus, onde lançou mais um factoide: a escolha de um Ministro evangélico para o STF.
São duas corporações que lhe deram grande apoio eleitoral e foi fazer um agrado a elas.
Foi a uma posse na Marinha, outro na Embratur. Atravessou a Praça dos 3 Poderes para ir ao Congresso. Não para articular a aprovação de Medidas Provisórias travadas e que perdem a validade hoje. Mas para apoiar a homenagem a Carlos Alberto Nóbrega e se mostrar aos telespectadores da Praça, na maior parte, seus adeptos.
Ignorou inteiramente as novas manifestações dos estudantes. Para ele não aconteceu. Se não lhe interessa, desconhece.
Desconsiderou a queda do PIB, no primeiro trimestre, simplesmente alegando desconhecimento de questões econômicas.
Governando só para os seus, atendendo aos pleitos deles e da sua mulher, desprezando os demais, corre o risco de ficar com apoio limitado, dentro da sociedade e não conseguir promover as grandes mudanças do país, como prometeu.
A trajetória futura da semana indica um fortalecimento do apoio dos nossos, que estão se concentrando em alguns poucos grupos e aumento "deles" ou dos "outros", desprezados, contrariados ou simplesmente desencantados. Grande parte do "mercado" já saiu do "nós" mas ainda não engrossou o "eles". Está tendendo a isso.
São duas corporações que lhe deram grande apoio eleitoral e foi fazer um agrado a elas.
Foi a uma posse na Marinha, outro na Embratur. Atravessou a Praça dos 3 Poderes para ir ao Congresso. Não para articular a aprovação de Medidas Provisórias travadas e que perdem a validade hoje. Mas para apoiar a homenagem a Carlos Alberto Nóbrega e se mostrar aos telespectadores da Praça, na maior parte, seus adeptos.
Ignorou inteiramente as novas manifestações dos estudantes. Para ele não aconteceu. Se não lhe interessa, desconhece.
Desconsiderou a queda do PIB, no primeiro trimestre, simplesmente alegando desconhecimento de questões econômicas.
Governando só para os seus, atendendo aos pleitos deles e da sua mulher, desprezando os demais, corre o risco de ficar com apoio limitado, dentro da sociedade e não conseguir promover as grandes mudanças do país, como prometeu.
A trajetória futura da semana indica um fortalecimento do apoio dos nossos, que estão se concentrando em alguns poucos grupos e aumento "deles" ou dos "outros", desprezados, contrariados ou simplesmente desencantados. Grande parte do "mercado" já saiu do "nós" mas ainda não engrossou o "eles". Está tendendo a isso.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Agricultura 4.0 x Industria 2.0
A produção agrícola empresarial evoluiu tecnologicamente acompanhando as inovações introduzidas pela tecnologia digital, a biotecnologia, as geotecnologias e outras.
Mercê desses avanços o Brasil é o principal produtor mundial de laranja, de açúcar, o segundo maior produtor de soja e principal exportador. Tem posições relevantes em diversos outros produtos agrícolas.
A agricultura brasileira (a do campo) já alcançou o estágio 4.0, com todas as características dessa nova onda ou revolução: alto uso da tecnologia, redução do uso da mão-de-obra, alta produtividade e mega escalas.
Em contrapartida, a indústria brasileira ficou estagnada no estágio 2.0.
A sua produção ainda é predominantemente baseada no modelo fordista da linha de produção. Com baixo nível de automação - fora algumas exceções - e baixa produtividade dos fatores. Ainda é empregadora, em função dessa baixa produtividade. As escalas de produção que podiam ser grandes quando da implantação, hoje viraram pequenas, em função dos novos padrões estabelecidos pela indústria chinesa.
Mercê desses avanços o Brasil é o principal produtor mundial de laranja, de açúcar, o segundo maior produtor de soja e principal exportador. Tem posições relevantes em diversos outros produtos agrícolas.
A agricultura brasileira (a do campo) já alcançou o estágio 4.0, com todas as características dessa nova onda ou revolução: alto uso da tecnologia, redução do uso da mão-de-obra, alta produtividade e mega escalas.
Em contrapartida, a indústria brasileira ficou estagnada no estágio 2.0.
A sua produção ainda é predominantemente baseada no modelo fordista da linha de produção. Com baixo nível de automação - fora algumas exceções - e baixa produtividade dos fatores. Ainda é empregadora, em função dessa baixa produtividade. As escalas de produção que podiam ser grandes quando da implantação, hoje viraram pequenas, em função dos novos padrões estabelecidos pela indústria chinesa.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Vitória de Renan
O resultado desfavorável no processo de apreciação do projeto da Reforma Trabalhista, mais um vez, não é o que parece à primeira vista.
Indubitavelmente foi uma vitória a ser comemorada pelo PT e pelos opositores da reforma. Mas não devida a eles. Foi manobrada por Renan Calheiros que ainda procura mostrar poder e sua aproximação com o PT de Lula. Com vistas à sua reeleição e a de
seu filho em 2018.
Aproveitou a ausência do Senador Sergio Petecão e com o voto de dissidentes que seguiram a sua orientação, derrotou Romero Jucá, Marta Suplicy e, indiretamente, Michel Temer.
Foi um claro descuido do Governo. Ou teria sido mais um lance estratégico?
Indubitavelmente foi uma vitória a ser comemorada pelo PT e pelos opositores da reforma. Mas não devida a eles. Foi manobrada por Renan Calheiros que ainda procura mostrar poder e sua aproximação com o PT de Lula. Com vistas à sua reeleição e a de
seu filho em 2018.
Aproveitou a ausência do Senador Sergio Petecão e com o voto de dissidentes que seguiram a sua orientação, derrotou Romero Jucá, Marta Suplicy e, indiretamente, Michel Temer.
Foi um claro descuido do Governo. Ou teria sido mais um lance estratégico?
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Diálogo com as multinacionais
O Presidente Temer chamou os principais executivos de multinacionais que operam no Brasil para conversar. É uma atitude inusual.
Isso gera reações favoráveis e desfavoráveis. Gera perdas e pode gerar ganhos. De imediato ocorrem perdas: força o movimento "ForaTemer", e dentro das ações da esquerda pode juntar o "vendido".
Do outro lado, com o colapso do mercado interno, sem possibilidade de recuperação por força própria, o Brasil depende de um substancial aumento das exportações de industrializados para superar a crise.
Na conformação atual do comércio internacional a maior parte do movimento é da operações intra-firmas, ou seja da movimentação feita pelas multinacionais entre as suas diversas unidades espalhadas pelo mundo.
Isso gera reações favoráveis e desfavoráveis. Gera perdas e pode gerar ganhos. De imediato ocorrem perdas: força o movimento "ForaTemer", e dentro das ações da esquerda pode juntar o "vendido".
Do outro lado, com o colapso do mercado interno, sem possibilidade de recuperação por força própria, o Brasil depende de um substancial aumento das exportações de industrializados para superar a crise.
Na conformação atual do comércio internacional a maior parte do movimento é da operações intra-firmas, ou seja da movimentação feita pelas multinacionais entre as suas diversas unidades espalhadas pelo mundo.
sábado, 9 de abril de 2016
A refundação do Brasil
O Brasil, para retomar a sua trajetória de desenvolvimento terá que ser "refundado", com mudança radical na percepção da estrutura setorial da sua economia. Não será uma mudança real profunda, uma vez que essa nova estrutura já está configurada, mas é clandestina, na percepção dos macroeconomistas. Não é reconhecida, não é aceita.
O Brasil já não é mais um país movido pela indústria. A indústria de transformação tradicional, voltada para o mercado interno, está decadente e tende a se tornar cada vez mais uma montadora de produtos finais para o mercado nacional, com alguma extensão para o Mercosul, importando volumes crescentes de peças, componentes e insumos.
A importação será viabilizada pelas exportações de commodities, principalmente das commodities agrícolas. O agronegócio será - nos próximos anos - o principal setor dinamizador da economia.
O setor mais promissor e que irá redinamizar a economia brasileira será o de serviços e dentro deles, a economia criativa.
A médio e longo prazo a economia brasileira precisará se inserir mais amplamente nas cadeias globais de suprimento.
A curto prazo a redinamização terá que ser feita pela agregação de valores sobre bens industriais importados, de custo menor que os nacionais.
Essa agregação será feita tanto pelos serviços, como pelo comércio.
O Brasil já não é mais um país movido pela indústria. A indústria de transformação tradicional, voltada para o mercado interno, está decadente e tende a se tornar cada vez mais uma montadora de produtos finais para o mercado nacional, com alguma extensão para o Mercosul, importando volumes crescentes de peças, componentes e insumos.
A importação será viabilizada pelas exportações de commodities, principalmente das commodities agrícolas. O agronegócio será - nos próximos anos - o principal setor dinamizador da economia.
O setor mais promissor e que irá redinamizar a economia brasileira será o de serviços e dentro deles, a economia criativa.
A médio e longo prazo a economia brasileira precisará se inserir mais amplamente nas cadeias globais de suprimento.
A curto prazo a redinamização terá que ser feita pela agregação de valores sobre bens industriais importados, de custo menor que os nacionais.
Essa agregação será feita tanto pelos serviços, como pelo comércio.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Onde a coisa virou e como retomar
O circuito econômico, com uma direção ascendente, ainda no início do primeiro mandato da Presidente Dilma foi mantido nessa direção por medidas paliativas ou artificiais, que acabaram revertendo a direção do processo, para trajetória descendente continuada causando a crise mais prolongada da economia brasileira.
Numa economia como a brasileira, predominantemente voltada para o mercado interno de consumo, o fator mais importante para a dinâmica do consumo é a estabilidade dos preços na ponta final, ou seja, no que o consumidor paga. E para ele inflação é percebida como carestia: "está tudo muito caro". E se está mais caro, ele reduz as compras. Reduz as quantidades. Há uma contração física que resulta na redução da produção.
A redução do consumo final, em termos físicos, provocou uma redução no movimento do comércio que com isso fechou lojas e demitiu empregados. Provocou a redução da produção industrial que também com isso demitiu empregados.
O volume total de empregos e da massa salarial caiu e, consequentemente, caiu mais ainda o consumo das famílias.
Apesar desse processo de redução do fluxo econômico, com aumento do contingente de desempregados, a economia brasileira ainda tem um estoque da ordem de 90 milhões de trabalhadores ativos, dos quais metade é empregado formal (celetista ou servidor público) que representa uma massa de R$ 170 bilhões mensais, disponíveis para consumo e para poupança. Essa massa vem decrescendo, mas ainda representa um enorme mercado, uma grande base de demanda para puxar a produção.
Com a redução da carestia, essa massa voltará a comprar maior volume de produtos, reanimando o comércio e elevando as encomendas às indústrias.
Será um processo lento, com as estimativa dos analistas de que só comece a ocorrer a partir de 2017 ou 2018. 2016 seria ainda um período de ajuste da contenção inflacionária, aravés da recessão.
sábado, 12 de setembro de 2015
Dilma por Dilma
A
entrevista da Presidente Dilma Rousseff ao Valor Econômico
revela a economista, com a sua análise das
circunstâncias. E como ela reage a essas: emocional e racionalmente. Com o coração e com a mente.
Os economistas gostam de fazer as suas analises e dizer o que o Governo deveria fazer. A economista Dilma, faz o diagnóstico dentro da sua interpretação pessoal, mas não diz o que o Governo deveria fazer. Diz o que fez, está fazendo ou pretende fazer.
Ao admitir que está em "fase confucionista" mostra que não aderiu inteiramente à ortodoxia. A ortodoxia seria apenas uma concessão temporária para o retorno da alternativa desenvolvimentista. Deu indícios de que o tempo da ortodoxia estaria se esgotando.
Ela se coloca como uma gestora otimista, em que as "coisas vão dar certo" por que "tem que dar certo".
Ela confia no aumento das exportações, em função da desvalorização do real, em cerca de 50% e nos investimentos na infraestrutura, mediante concessões, pelo setor privado. Mas assume que esses não serão viáveis sem o financiamento público.
As exportações dos industrializados estão em queda, apesar do aumento do dolar.
Nas concessões, funciona a tal fase "confucionista": ela quer o investimento privado, mas submetido à gestão pública. O investidor privado não aceita e pouco participa.
Ela pretende continuar governando com base em ilusões, que estão se esvaindo a cada momento afetados pelos fatos reais. A sua fase continua sendo confusionista.
Os economistas gostam de fazer as suas analises e dizer o que o Governo deveria fazer. A economista Dilma, faz o diagnóstico dentro da sua interpretação pessoal, mas não diz o que o Governo deveria fazer. Diz o que fez, está fazendo ou pretende fazer.
Ao admitir que está em "fase confucionista" mostra que não aderiu inteiramente à ortodoxia. A ortodoxia seria apenas uma concessão temporária para o retorno da alternativa desenvolvimentista. Deu indícios de que o tempo da ortodoxia estaria se esgotando.
Ela se coloca como uma gestora otimista, em que as "coisas vão dar certo" por que "tem que dar certo".
Ela confia no aumento das exportações, em função da desvalorização do real, em cerca de 50% e nos investimentos na infraestrutura, mediante concessões, pelo setor privado. Mas assume que esses não serão viáveis sem o financiamento público.
As exportações dos industrializados estão em queda, apesar do aumento do dolar.
Nas concessões, funciona a tal fase "confucionista": ela quer o investimento privado, mas submetido à gestão pública. O investidor privado não aceita e pouco participa.
Ela pretende continuar governando com base em ilusões, que estão se esvaindo a cada momento afetados pelos fatos reais. A sua fase continua sendo confusionista.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Porque não aumentam as exportações de manufaturados?
Porque o Brasil persiste na tentativa de exportação "spot" e ainda muito voltado para o mercado sulamericano.
Para aumentar significativamente as exportações de manufaturados, a indústria brasileira precisa se integrar nas cadeias globais de suprimento.
Isso significa ampliar as exportações através das multinacionais, transferindo produtos finais e partes das unidades instaladas no Brasil para outras unidades do mesmo grupo em diversos países do mundo.
Para isso é preciso que o Governo, no mínimo, converse com os dirigentes mundiais dos grupos multinacionais para ouvir as suas queixas e promova os acordos comerciais com os países para onde poderiam ser transferidos os produtos.
O Governo se recusa a agir nesse sentido.
E não quer perceber que multinacional não exporta, transfere: Por decisão das respectivas matrizes.
O Brasil tem uma saída mais rápida para a crise. Sem artificialismos. Mas teima em não buscá-la e por idiossincrasias da Presidente e miopia das ditas classes empresariais.
Para aumentar significativamente as exportações de manufaturados, a indústria brasileira precisa se integrar nas cadeias globais de suprimento.
Isso significa ampliar as exportações através das multinacionais, transferindo produtos finais e partes das unidades instaladas no Brasil para outras unidades do mesmo grupo em diversos países do mundo.
Para isso é preciso que o Governo, no mínimo, converse com os dirigentes mundiais dos grupos multinacionais para ouvir as suas queixas e promova os acordos comerciais com os países para onde poderiam ser transferidos os produtos.
O Governo se recusa a agir nesse sentido.
E não quer perceber que multinacional não exporta, transfere: Por decisão das respectivas matrizes.
O Brasil tem uma saída mais rápida para a crise. Sem artificialismos. Mas teima em não buscá-la e por idiossincrasias da Presidente e miopia das ditas classes empresariais.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Espirito animal do empresário: deixar de recolher os tributos
O Governo espera que com o ajuste fiscal o empresariado recupere a confiança e volte a investir e produzir.
Quer provocar o seu "espírito animal".
Mas com a crise a sua primeira reação, diante da redução de vendas é postergar o pagamento dos tributos. A arrecadação cai mais que o esperado.
Com isso agrava a necessidade de ajuste e dá partida ao círculo vicioso, em vez do esperado círculo virtuoso.
Esse movimento é provocado pela elevada taxa de juros.
Se o empresário tiver que tomar um empréstimo bancário para cumprir as suas obrigações tributárias, preferirá deixar de pagar os tributos. Acha que fica mais barato, corre o risco e espera pelo Refis.
Esse é o verdadeiro instinto animal do empresário. Sobreviver não começa com produzir mais. Começa não pagando os pesados impostos que o Estado impõe ao contribuinte e ao consumidor.
(ver o texto estendido na coluna artigos)
Quer provocar o seu "espírito animal".
Mas com a crise a sua primeira reação, diante da redução de vendas é postergar o pagamento dos tributos. A arrecadação cai mais que o esperado.
Com isso agrava a necessidade de ajuste e dá partida ao círculo vicioso, em vez do esperado círculo virtuoso.
Esse movimento é provocado pela elevada taxa de juros.
Se o empresário tiver que tomar um empréstimo bancário para cumprir as suas obrigações tributárias, preferirá deixar de pagar os tributos. Acha que fica mais barato, corre o risco e espera pelo Refis.
(ver o texto estendido na coluna artigos)
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Multinacional não exporta, transfere
(desculpem-me escrevi e esqueci de publicar)
Ao iniciar o segundo semestre do seu segundo mandato Dilma 2.0 está voltando a tentar intervir pontual ou setorialmente na economia.
Não satisfeita com um plano geral de estímulo às exportações está mandando uma facção da sua equipa econômica para conversar com os representantes da indústria automobilistica para aumentar as suas exportações.
Sob comando de Nelson Barbosa e reduzindo a participação de Joaquim Levy, que até se ausenta das reuniões, para não ter que contestar ou perder tempo.
As interlocuções servem como preliminares, mas não serão eficazes se não forem acordadas diretamente com a matrizes.
Multinacional não exporta, transfere.
E quem decide é a matriz.
Ao iniciar o segundo semestre do seu segundo mandato Dilma 2.0 está voltando a tentar intervir pontual ou setorialmente na economia.
Não satisfeita com um plano geral de estímulo às exportações está mandando uma facção da sua equipa econômica para conversar com os representantes da indústria automobilistica para aumentar as suas exportações.
Sob comando de Nelson Barbosa e reduzindo a participação de Joaquim Levy, que até se ausenta das reuniões, para não ter que contestar ou perder tempo.
As interlocuções servem como preliminares, mas não serão eficazes se não forem acordadas diretamente com a matrizes.
Multinacional não exporta, transfere.
E quem decide é a matriz.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Erros passados, correções e novos erros presentes
A crise que enfrentamos não foi gerada no presente. É consequência de decisões erradas adotadas no passado, como as mais corretas. Decisões que não levaram em conta os impactos futuros.
Pensar e discutir o futuro não significa fazer adivinhações do que vai ocorrer ou o que se vai decidir ou fazer nesse futuro.
A construção do futuro é feita no presente e por decisões atuais que tem importantes impactos no futuro.
Enquanto um Brasil, o do sudeste e sul estão se debatendo numa crise que foi determinada no passado, um novo Brasil está sendo construido, sem que o primeiro se interesse em conhecê-lo.
Só vai se dar conta quando irromper por volta de 2018 quando poderá ser mais importante do que a economia do sul/sudeste.
O futuro do Brasil está sendo construido bem longe da ciclovia da Avenida Paulista.
Pensar e discutir o futuro não significa fazer adivinhações do que vai ocorrer ou o que se vai decidir ou fazer nesse futuro.
A construção do futuro é feita no presente e por decisões atuais que tem importantes impactos no futuro.
Enquanto um Brasil, o do sudeste e sul estão se debatendo numa crise que foi determinada no passado, um novo Brasil está sendo construido, sem que o primeiro se interesse em conhecê-lo.
Só vai se dar conta quando irromper por volta de 2018 quando poderá ser mais importante do que a economia do sul/sudeste.
O futuro do Brasil está sendo construido bem longe da ciclovia da Avenida Paulista.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Inflação aleija, câmbio mata
A famosa frase de Mário Henrique Simonsen, lembrada ontem por José Francisco Marcondes, me enseja o contraponto: câmbio é a salvação.
Diante do embaralhamento da situação, a saída está no porto, seja aéreo ou marítimo.
As exportações de produtos industrializados podem gerar um círculo virtuoso, elevando a produção, gerando mais empregos e aumentado a massa salarial.
Passos importantes tem sido dados, mas insuficientes. O mais significativo está na aceitação do "draw back", cujo significado é o Brasil aceitar ter plataformas de exportação.
Falta o mais importante: os acordos comerciais com os países mais desenvolvidos.
Diante do embaralhamento da situação, a saída está no porto, seja aéreo ou marítimo.
As exportações de produtos industrializados podem gerar um círculo virtuoso, elevando a produção, gerando mais empregos e aumentado a massa salarial.
Passos importantes tem sido dados, mas insuficientes. O mais significativo está na aceitação do "draw back", cujo significado é o Brasil aceitar ter plataformas de exportação.
Falta o mais importante: os acordos comerciais com os países mais desenvolvidos.
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