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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

O mercado de trabalho em 2017

O mercado de trabalho brasileiro vai melhorar em 2017, devendo apresentar quedas na taxa de desemprego, aumento do número de empregados formais ao final do ano.
Mas será desigual, regionalmente, principalmente quanto ao ritmo.
De um lado o mercado será acionado pela elevação da produção agropecuária, principalmente pela produção de soja. A safra 2016/2017 já está em colheita, deverá alcançar mais de 100 milhões de toneladas e irrigar o mercado com mais de R$ 100 bilhões, logo no inicio do ano. 
A produção de grãos no Brasil é altamente modernizada, com amplo uso de equipamentos, tecnologia e baixa utilização de mão-de-obra. A repercussão dos aumentos recorde de produção da soja não deverá ter grandes repercussões diretas sobre o mercado quantitativo de empregos.
Os impacto mais imediato será dos gastos em consumo - tanto de bens duráveis, como não duráveis - dos agentes da produção agrícola, envolvendo os fazendeiros e os operadores de equipamentos: poucos, mas bem remunerados. 
A principa…

O Paraguai é aqui

A Homeplay, uma fabricante de brinquedos e artigos plásticos localizada em Atibaia, São Paulo, ao promover a sua modernização e expansão, preferiu se instalar cerca de mil quilometros da fábrica original, atravessando a fronteira, localizando  a nova unidade em Ciudad del Este.  Mais precisamente 1126 km via rodoviária. Praticamente a mesma distância de Atibaia a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. E um terço da distancia rodoviária com a Zona Franca de Manaus.

Instalou-se com a denominação  XPlast e mantém a sua logística centrada em Atibaia, com a empresa Mitro. Essa é quem, além de centros de distribuição na cidade, tem a loja Espaço kids no outlet Fernão Dias.

Os acionistas controladores da Estrela a mais tradicional e maior empresa de brinquedos do Brasil, criaram uma empresa no Paraguai, onde fabricarão produtos atualmente produzidos na China.  

Para poder concorrer no mercado nacional com produtos de menor preço, muitas empresas nacionais com uma estrutura de logística e comercial…

Disponibilidade de estacionamento aumenta o uso do carro?

A decisão de sair com o seu carro ou usar o transporte coletivo não é planejada, mas uma decisão momentânea, em função das condições de trânsito e de facilidades de estacionamento.
São diversas as situações, algumas estruturais e outras conjunturais.
A principal condição estrutural é ter dispor de serviços de transporte coletivo próximo do seu local de origem, ter facilidade de estacionamento nas proximidades de uma estação de metrô, do trem metropolitano ou de um terminal de ônibus. 
Se essas condições não existem a pessoa que dispõe de um carro irá sair com esse, arriscando-se a enfrentar congestionamentos e riscos de não encontrar estacionamento próximo ao seu destino. 
Ele pode ter a disponibilidade de estacionamento, na origem, porém pago e a valores altos, equivalente ao dos estacionamentos nos destinos. Tenderá a sair com o carro e ir até o destino.
A segunda condição estrutural é dispor de uma estação de metrô, de trem nas proximidades do seu destino e acessível com o menor número …

Função social da propriedade urbana

A propriedade urbana cumpre a sua função social quando atende a uma demanda. Quando não existe a demanda a propriedade fica ociosa: esperando o surgimento da demanda.
Na prática existem demandas reprimidas, demandas potenciais e demandas teóricas.
A demanda reprimida já existe mas não é atendida por inexistência ou insuficiência de oferta.
No primeiro caso a demanda tem que buscar outras alternativas para atender à demanda. É o caso, por exemplo, de linhas metroviárias. Existe um demanda reprimida que ocupa rapidamente a nova linha, assim que colocada à disposição do público. Enquanto não existe as pessoas tem que buscar o ônibus, o carro ou os meios não motorizados. Quando insuficiente, a oferta existente tende a aumentar os preços. Especulação é a redução ou retenção deliberada da oferta para provocar esse aumento de preços, e elevar os lucros em detrimento dos demandantes.

A demanda potencial não existe, mas as condições sócio-econômicas de uma população dão indícios de que proporciona…

Como o México vai pagar o muro?

O sucesso de Trump decorre das suas lógicas simplistas, que povoam corações e mentes da maioria das pessoas. 
Está havendo uma invasão de mexicanos pela fronteira? Então erga-se um muro ao longo de toda fronteira. A população aplaude. 

Alguns indagam. Quanto vai custar? Quem vai pagar? "Eu não".
A uma proposta simplista, uma sequencia simplista: o México vai pagar. Como? Pela taxação adicional de produtos importados do México. 
Não é o México que exporta, tampouco os EUA que importam.
A maior parte das importações é feita por multinacionais norte-americanas que compram os seus produtos das suas subsidiárias mexicanas. As multinacionais não importam ou exportam, mas simplesmente transferem. Se essa transferência tiver maiores obstáculos ou taxação, elas mudam os locais de transferência. 

Uma eventual taxação adicional sobre produtos montados no Mexico, irá reduzir o movimento comercial e a eventual taxa não gerar os volumes esperados para pagar o muro. Nesse meio tempo, o México, c…

As decisões não são de país, mas empresariais

Trump, com a sua truculência, está pondo em prática as suas promessas e ameaças. Em relação aos investimentos das multinacionais fora dos EUA, por enquanto é intimidação, mas as empresas já estão suspendendo os seus planos e prometendo canalizar os seus investimentos dentro dos EUA. Mas em algum momento próximo, tanto as ameaças como as promessas vão se concretizar.

O que irão fazer as direções das multinacionais instaladas no México, com a inevitável redução das vendas dos seus produtos para o mercado norte-americano. Com a redução da atividade produtiva, as perspectivas do mercado interno também são desfavoráveis. Os consumidores mexicanos não terão condições de substituir os consumidores norte-americanos. Tentarão vender os seus produtos em outros mercados, começando pela América Latina. Nesse caso o principal mercado alvo é o Brasil. 

Como consequencia da estratégia de Trump, o México irá quebrar, perdendo a capacidade de pagamento dos seus compromissos externos, podendo novamente t…

China no comando do tratamento do ar

Os chineses estão se preparando para ocupar o lugar dos EUA fora desse pais, em função da política do "yankee come home" ou "yakees came back". Em alguns casos já se anteciparam, como no caso do setor de ar condicionado domiciliar, com a compra pela Midea, das operações sul-americana da multinacional americana Carrier, a maior empresa mundial do setor. E que esta sendo, nominalmente, convocada por Trump a voltar para casa.

Tem sido evidente a estratégia das empresas chinesas, como a Midea, a Gree e a Haiar em dominar o mercado mundial, exceto o norte-americano, de ar-condicionado domiciliar.

O Brasil que montou uma industria de produção de aparelhos de ar condicionado, anterior à abertura, pode estar condenado a ficar apenas com algumas montadoras do produto final na zona Franca de Manaus e transformar o setor de industrial em de serviços.

E o resto do mundo?

Começa a ficar mais claro que não há incertezas em relação às ações de Trump. Ele começou com as ações econômicas, como a retirada dos EUA do TPP, com um discurso que caracteriza o seu entendimento sobre a economia, que a maioria dos analistas ainda não percebeu. Ele não raciocina com a macroeconomia, tampouco com economias nacionais.
O seu foco é uma microeconomia específica: a movimentação econômica e financeira das multinacionais norte-americanas.
O que ele quer é que essas empresas invistam mais dentro dos EUA e não fora do país.

Trump continuará pressionando as multinacionais norteamericanas para investirem mais nos EUA e retornarem mais capitais já investidos fora. Isso significará quer receber mais lucros e dividendos das subsidiárias no exterior e não fará reinvestimentos no mesmo nível ou até superior. Ele quer reduzir o tamanho dos ativos norte-americanos no exterior, repatriando-os, na suposição de que irá criar mais empregos para os norte-americanos.  Suposição que pode não …

Um grande equívoco de Trump

Do discurso de Trump retiro uma frase que sintetiza as suas pretensões. "Nós, cidadãos da América, estamos agora unidos em um grande esforço nacional para reconstruir o nosso país e restaurar a promessa para todos o nosso povo. Juntos vamos determinar o curso da América e de todo o mundo por muitos muitos anos... O establishment protegeu a si próprio, mas não os cidadãos de nosso país. As vitórias deles não foram vitórias do país. Esse dia marca a data em que o povo se tornou soberano desta nação novamente".

Os EUA cresceram como imperialistas e tornaram-se a maior potencia mundial, econômica e militarmente, com as suas estratégias. A globalização é fruto de uma estratégia norte-americana. 

O imperialismo europeu se baseou na exploração de recursos naturais externos, conquistando militarmente novos territórios tornando os colônias.

A partir do final da Segunda Guerra Mundial desenvolveu um novo modelo imperialista. Não mais a exploração de recursos naturais das colônias…

Novos instrumentos urbanísticos e estacionamentos

Os novos instrumentos urbanísticos foram incrementados - em nível federal - pelo encaminhamento ao Congresso da Medida Provisória 700/15, facultando o pagamento prévio das desapropriações pelo setor privado no contexto das Operações Urbanas Consorciadas e dos PIUs - Projetos de Intervenção Urbana. O Congresso não aprovou a MP que, consequentemente caducou. Mas o instrumento foi revitalizado.

Tais mecanismos poderão ser utilizados para a viabilização da construção de edifício-garagem. Havendo oportunidade e interesse privado em empreender um edifício-garagem o Poder Público poderá declarar áreas selecionadas para tal, como de utilidade pública e autorizar o interessado privado em pagar o valor da desapropriação. 

Haverá - certamente - oposição e discussão sobre a constitucionalidade de uso de instrumento público coercitivo em benefício de um empreendimento privado. Mesmo que esse seja de interesse público. Por atender a uma necessidade difusa da sociedade e, através, daquele melhorar as …

O sentido real da globalização

As ameaças ou bravatas de Trump, que hoje inicia o seu governo, colocaram em evidencia o real sentido da globalização, que pode ser resumido na frase "vocês produzem barato, nós investimos e compramos de vocês". 
Realidade que muitos poucos entenderam, criando milhares de teorias, fugindo da questão principal.
A força das suas ameaças não está no confronto com os países produtores e exportadores para EUA, mas por estar destinadas às empresas norte-americanas que investem no exterior, produzem fora dos EUA, com trabalho mais barato, muitas vezes em condições similares à escravidão, e levam os produtos para serem vendidos nos EUA. 
A pressão ou ameaça de Trump é sobre essas empresas. 

O problema não é globalização, tampouco os bairros ou cidades fantasmas, com fábricas desativadas e milhares de desempregados. O problema maior é manter o dinamismo do maior mercado de consumo do mundo, com controle da inflação. 
A China quer tomar esse lugar.

Para onde vai o dinheiro do agronegócio?

O agronegócio em 2016 exportou 85 bilhões de doláres e importou de bens agropecuários 14 bilhões de doláres. Gerou um saldo em cambiais de 71 bilhões de dólares. Para onde foi esse dinheiro? 
O primeiro gasto é com o pagamento das dívidas com a safra atual e os gastos com a safra seguinte. Do excedente ou lucro uma parte é usada para o consumo pessoal e outra para investimentos além da fazenda. 
Parte importante é destinada a empreendimentos imobiliários urbanos. Outra para a logística própria. Não há investimentos da agropecuária  em infraestrutura pública, como rodovias, ferrovias, aeroportos ou portos. Neste último caso, apenas nos terminais privativos. 
A razão seria óbvia. A agropecuária, como um conjunto eminentemente privado, só tem interesse em investir em negócios privados. Entende que os investimentos em empreendimentos públicos são de responsabilidade do Estado.

Estamos agora diante de um novo quadro: 

a  agropecuária voltou a crescer, depois da quebra da safra 2015/16, com aume…

As ilusões em torno da reativação da Fiol

O Governo da Bahia estaria tentando convencer o Governo Federal a acelerar a licitação da concessão da Fiol - Ferrovia Oeste Leste, fiando-se no interesse de um grupo chines que estaria estudando a sua viabilidade econômica. 
Se o estudo for sério vai dar inviável e nem mesmo os chineses vão participar da licitação.

A Fiol foi montada a partir de um projeto de mineração de ferro, quando as cotações estavam elevadas e que desabaram.

O novo grupo interessado terá que assumir todo conjunto, envolvendo a mina, a ferrovia e o terminal portuário. A Bamin contava com um frete subsidiado da Fiol, com recursos governamentais.  O empreendedor terá que investir na ferrovia. Não poderá contar com subsídios governamentais. E terá ainda que investir e operar o terminal portuário. Precisará de imensos volumes de carga.

A ilusão que move o Governo Estadual é que todos os recursos para o investimento seriam estrangeiros. E que o empreendimento geraria muitos empregos durante a construção, além de promover…

A era do teto

Os próximos vinte anos do Brasil serão marcados pela redução da participação do Estado nos investimentos.  Nos dois próximos anos serão concluídas algumas obras em andamento, mas não há recursos para um novo PAC ou qualquer outro grande programa de investimentos públicos, qualquer nome que venha a ter. 

Usa-se a perspectiva de que com a Reforma Previdenciária haverá um alívio no caixa do Tesouro Nacional. Deverá haver sim, mas a partir de 2027.  

Não adiantará ficar verberando que a infraestrutura está defasada, que prejudica a competitividade brasileira e reprime o crescimento econômico. Embora seja verdade, o Estado não terá condições de responder às reivindicações ou apelos dos analistas e do mercado.

Só há uma saída. Ou  o setor privado assume a realização dos investimentos em infraestrutura ou essa não irá atender ao próprio mercado privado, com risco de degradação continuada.

A ideia do que o Brasil precisa fazer embute a noção do que o Governo precisa fazer.  Todos confundem Brasil…

Redução dos juros básicos e os empregos (2)

A redução da taxa de juros promovida pelo Banco Central afetou de imediato o mercado financeiro, mas não teve impactos diretos sobre o mercado de trabalho. Não há, de imediato, a substituição do custo de juros por um custo de emprego.

Até ter um impacto significativo no mercado de trabalho há um longo caminho. 

O comércio já estaria trabalhando num patamar superior de vendas, em função do barateamento das mercadorias, embora a população  continue achando tudo muito caro.
Não será um movimento provocado pela redução dos juros básicos, mas essa poderá acelerar a reanimação do consumo daqueles que ainda tem trabalho e/ou renda.

O mercado de empregos só será retomado, de forma sustentada, com o reingresso sucessivo de novos empregados, nas diversas atividades.

Revitalização dos grandes corredores

Grandes corredores de tráfego de veículos, como as avenidas Rebouças, Bandeirantes, Indianópolis e outras, que margeiam ou cortam Zonas Estritamente Residenciais hoje tem um comércio restrito. Enfrentam uma grave crise, com várias lojas fechadas, com as placas aluga-se.
Com a nova lei de zoneamento, esses corredores, caracterizados como ZCor poderão receber um comércio mais diversificado, com o qual se espera uma revitalização. 
Não havendo espaço para o estacionamento na via pública, nem mesmo para o rotatitvo, as lojas precisarão de apoio de áreas de estacionamento para os seus clientes. As ruas adjacentes mesmo quando tem espaço para estacionamento lotam rapidamente.
São avenidas com trânsito e média e alta renda, não se podendo esperar que clientes cheguem às lojas usando o transporte coletivo. 
Se não puderem contar com estacionamento muitos não irão ou desistirão. 
As fachadas poderão chamar a atenção do motorista, em geral, trafegado com baixa velocidade ou mesmo parado no congestio…

As três camadas do país

O país comporta três camadas básicas que podemos chamar de estrutura, superestrutura e infraestrutura. São denominações aleatórias, sem consenso, mas apenas ilustrativas, para efeito exclusivo desta análise.

A infraestrutura é o país real, onde as pessoas vivem, realizam as suas atividades, consomem, produzem, se movimentam, estabelecem os seus relacionamentos e até expõe o seu conhecimento, as suas idéias, o seu pensamento. 

Essa infraestrutura é predominantemente dominada pelas atividades, interesses e motivações privadas. A participação direta do Estado na produção é pequena. E mesmo no consumo, com as suas compras, a participação é relativamente pequena. A principal intervenção estatal é de natureza regulatória: o que o particular pode fazer, o que não pode fazer. O que é livre para fazer, o que depende de licença para fazer.

A estrutura é a representação monetária das atividades econômicas, referenciando o valor do produtos que se produz, se vende e se compra. Dá valor à remuneraçã…

Redução dos juros básicos e os empregos

O Banco Central fez uma redução da taxa de juros básica, desejada pelo mercado, mas não esperada. As Centrais Sindicais querem mais, mas é uma sinalização importante, dentro da expectativa de melhoria da economia e dos empregos.

A persistência da inflação decorre da estratégia dos agentes produtores de 'recomposição de margens'. 

Essa estratégia empresarial - o que corresponde a movimentos microeconomicos - desfoca os produtos que estão perdendo vendas para se concentrar em produtos voltados para um patamar de renda superior. Em termos simplistas busca migrar de um mercado popular para um mercado de elite. 

Enquanto o Governo, os macroeconomistas influenciando a sociedade através do noticiário da midia se preocupam com os 12 milhões de desempregados, o empresário se volta para os 98 milhões ainda ocupados, com renda e ainda importantes consumidores.

As tentativas de recomposição das margens empresariais, contiveram a redução da inflação, alimentando a continuidade e aprofundamento…