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A era do teto

Os próximos vinte anos do Brasil serão marcados pela redução da participação do Estado nos investimentos.  Nos dois próximos anos serão concluídas algumas obras em andamento, mas não há recursos para um novo PAC ou qualquer outro grande programa de investimentos públicos, qualquer nome que venha a ter. 

Usa-se a perspectiva de que com a Reforma Previdenciária haverá um alívio no caixa do Tesouro Nacional. Deverá haver sim, mas a partir de 2027.  

Não adiantará ficar verberando que a infraestrutura está defasada, que prejudica a competitividade brasileira e reprime o crescimento econômico. Embora seja verdade, o Estado não terá condições de responder às reivindicações ou apelos dos analistas e do mercado.

Só há uma saída. Ou  o setor privado assume a realização dos investimentos em infraestrutura ou essa não irá atender ao próprio mercado privado, com risco de degradação continuada.

A ideia do que o Brasil precisa fazer embute a noção do que o Governo precisa fazer.  Todos confundem Brasil, com Governo Brasileiro. É a cultura hegemônica, que atrasa o país. Dentro dessa visão, até 2027 ou mais, o Brasil não investirá em infraestrutura e está condenado, irremediavelmente, ao atraso.

Só conseguirá vencer essa perspectiva desastrosa, com uma mudança cultural. Descolar o Brasil do Estado Brasileiro e fazer com que o setor econômico privado deixe a posição de pedinte, de reivindicante, pressionando o Estado, para assumir a responsabilidade de investir em infraestrutura. 

A empresa privada para poder contar com uma infraestrutura melhor terá ela mesma que investir, não adiantando ficar exigindo, alertando ou esperando que o Governo invista. Para que isso ocorra, são necessárias duas condições básicas: o investimento deve ser rentável e a empresa precisa ter dinheiro. 

Adicionalmente é preciso ter o empreendedor do investimento e a intermediação bancária para reunir os recursos das empresas num fundo de investimento para aplicação nos empreendimentos.

Onde está o dinheiro e onde estão os empreedimentos rentáveis?

Comentários

  1. Minha impressão é a de que não faltam empreendimentos rentáveis. Não é possível que não haja. Quanto ao dinheiro... na Ásia?

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  2. Empreendimentos rentáveis? Quase nenhum, pelo visto.

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