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Mostrando postagens de Junho, 2019

Segurou a virada

Logo após os 100 dias, depois de uma queda na aprovação do Governo e na confiança do Presidente, mas ainda em vantagem, Bolsonaro tentou segurar ou evitar uma virada dos adversários.  

Afastou os que pretenderam tutelá-lo e adotou por decreto, uma série de medidas para cumprir as suas promessas de campanha, e se mostrar um efetivo Presidente.

"Fui eleito por 58 milhões de votos ". "aqui quem manda sou eu".  "Quem não gostar, peça para sair".

Os parlamentares foram também eleitos, no conjunto, com cerca de 100 milhões de votos e não podem ser demitidos por uma "canetada" do Presidente. Não são subordinados do Presidente e o tem contestado.

O Presidente tem perdido sucessivas derrotas no embate com o Congresso e voltou a buscar no apoio popular a força para o confronto.


A recente pesquisa do IBOPE, mostra que o Governo mantém o apoio da sua torcida.

Mas o Presidente, pessoalmente, está em baixa e seu prestígio passou de 46 pontos positivos no início do …

A legalidade no processo da suspeição de Moro na Lava-Jato (2)

Na questão da suspeição de Sérgio Moro no julgamento das ações da Operação Lava-Jato, a segunda turma do STF votou pela manutenção da prisão de Lula, não tomando conhecimento das supostas conversas entre o então Juiz Sérgio Moro e Daltan Dallagnol, mineradas por um suposto hacker, nos telefones daqueles e divulgadas pelo Jornalista Greenwald. 
O jornalista foi à Câmara dos Deputados, prometendo divulgar tudo. Não acrescentou nada, além das suas avaliações pessoais. 
Enfatizou a liberdade de imprensa e o direito de manter anônima a fonte. O que gera um efeito político e popular, mas não jurídico. Não há como comprovar a veracidade das conversas sem a entrega das respectivas fitas para as perícias oficiais. Sem isso não podem ser aceitas como provas válidas, nos julgamentos oficiais.

Gilmar Mendes pediu mais prazo para tentar demonstrar a validade legal das transcrições das conversas atribuidas a Sérgio Moro e Daltan Dallagnol. Sem essa comprovação o mais provável é que Celso de Melo, cons…

Os evangélicos vão manter o decreto das armas?

Jair Bolsonaro crê intima e fortemente que os quase 58 milhões de votos que recebeu em outubro de 2018 lhe dão autoridade pessoal para cumprir as promessas que - supostamente - todos esses eleitores apoiaram. 
E faz uso da sua caneta para tal. Como fez com o decreto de flexibilização das armas.
Diante da resistência ou oposição do Congresso em aceitar esse poder, busca a mobilização dos grupos de apoiadores para pressionar os parlamentares.

A maioria dos Senadores optou por resguardar as suas atribuições constitucionais e aprovou a revogação do referido decreto.


Para evitar que seja revogado também na Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro vem reforçando o seu relacionamento direto com o "seu povo" e foi à tradicional Marcha por Jesus:  realizada anualmente em São Paulo, levando às ruas milhares de evangélicos. 

A politização de um amplo movimento de rua, que é baseado na mensagem de "paz e amor", com a proposta de "guerra", ainda que contra os bandidos, leva ao…

O governo Bolsonaro afinal começou

Muitos dos 57 milhões de brasileiros esperançosos por grandes mudanças, que votaram em Bolsonaro, acreditando no seu carisma, autoridade e determinação, desanimaram com o início do seu governo.

Ao permitir o ativismo de seus filhos e do guru deles  deu margem à imagem de que ele não mandava. Era mandado. Fraqueza fatal.

Resolveu "virar o jogo"

Não esperou por Sérgio Moro, para implantar a sua agenda armamentista  e editou um decreto, de constitucionalidade duvidosa. "É o que o meu povo quer. Eu quero assim e sou eu quem manda aqui. Vai ser assim".
Foi com Sérgio Moro testar a receptividade pública, indo ao estádio de futebol. Não foram vaiados, até aplaudidos..
Sentindo-se mais forte, demitiu o  General Santos Cruz e em seguida  os Presidentes do BNDES e dos Correios. 

Em Santa Maria voltou às ruas, para caminhada junto com o povo. A receptividade calorosa fortaleceu a sua sensação pessoal de recuperação do prestígio junto ao "povo".
Com a acolhida na Marcha par…

Quem vai mandar no Estado Brasileiro?

Os favoráveis ao decreto que flexibilizou o porte e posse de armas, o defendem em função do seu conteúdo, prometido ao longo da campanha eleitoral de Bolsonaro.
Como o tema foi um dos principais itens da campanha, os defensores alegam que o mesmo foi aprovado pelos quase 58 milhões de votos que elegeram. Ele, usando a autoridade presidencial, cumpriu a promessa de campanha.

Os opositores não se dispõe a discutir o conteúdo, mas a questão preliminar: tem o Presidente, poderes para, em nome da regulamentação, extrapolar o que está definido em lei, aprovado pelo Congresso? 
O Senado entendeu que ele não tem autoridade irrestrita. Os indícios são de que a Câmara, seguirá caminho semelhante. 
O decreto passará ainda por dois crivos. Do Supremo na próxima semana e da Câmara, que poderá ou não esperar pela decisão do STF. 
O que está em jogo, não é a liberação das armas, mas a disputa de poderes entre o Executivo e o Legislativo. 
Apesar de Bolsonaro ter revigorado o apoio popular, como demonstram…

Uma equipe pífia

As manifestações do estilo autoritário e discriminatório do Presidente na composição da equipe de governo são os fatos da semana que poderão ter maiores repercussões futuras. 
Bolsonaro adota um modelo tradicional do "manda quem pode, obedece quem tem juízo". Quem não o tem e não segue as ordens é demitido. Não aceita a permanência de dissidentes.
A visão de Jair Bolsonaro não é apenas o "nós contra eles", mas entre os vencedores e os perdedores. 
Como foi vencedor com cerca de 57 milhões de votos, assume que pode montar o seu governo, com quem quiser, não sendo obrigado a dividir com ninguém. Mas dá preferência aos que apoiaram a sua eleição. E defenestra quem se opõe àqueles.

Levou vários generais ao Governo, mas lembrando-os que ele, como Presidente da República,  é o Comandante Supremo das Forças Armadas e, não titubeia, em demitir quem não segue as suas diretrizes ou ordens. 
Joaquim Levi foi levado a se demitir porque não entendeu a sua missão na Presidência do BN…

Troca de seis por uma dúzia

A substituição promovida por Jair Bolsonaro na Secretaria de Governo, tem um sentido muito além do que parece, focado num confronto entre o ex-General Santos Cruz e Olavo de Carvalho junto com os filhos de Jair. 
O Presidente Bolsonaro trocou um colega da sua formação militar por outro, mas com algumas diferenças significativas. Santos Cruz era um dos poucos ex-colegas de Jair Bolsonaro que não era "coturno marrom" ou "boina lilás" que caracterizam os paraquedistas. 
Santos Cruz, como os demais generais, ex-colegas de Bolsonaro, instalados na cúpula do Governo, é da reserva. O seu substituto General Ramos Batista Pereira ainda está na ativa. 
Poderá assumir fardado, reforçando a imagem da militarização do Governo. 

Ao contrário do que inicialmente parece não foi uma vitória do grupo olavista contra a ala militar do Governo. O Presidente substituiu um supostamente "mais fraco" pelo irmão mais forte. Xingar um militar da reserva, pode ser pessoal. Xingar um mil…

O futuro da Lava Jato e de Moro

Sempre se soube, nos meios políticos, empresariais,  jurídicos e das comunicações,  que Sérgio Moro, extrapolava as funções de Juiz de 1ª Instância. 

Assumiu a efetiva coordenação da Operação Lava-Jato que abrangeu ação conjunta da  Policia e Ministério Público Federal e dele Moro. Atuando como estrategista e julgador: funções incompatíveis nos processos.

Foi com essa organização que ele comandou a prisão e condenação de políticos, de vários dos maiores e mais ricos empresários do país. Alcançou a figura maior, considerada o "chefe da quadrilha", o ex-Presidente Lula.

Essa atuação "nos limites da lei", segundo ele, "acima daquela" segundo os seus contestadores o levou a ser considerado, por parte da população, um "herói nacional".

Por questões éticas o Dr Sérgio Moro deveria se afastar do cargo. Sim, mas ele já se afastou. Ele já não é mais o juiz, com poderes de julgamento.

Os vazamentos, por enquanto, nada tem contra a atuação dele como Ministro.

A …

O dia da artilharia

Jair Bolsonaro não é só um ex-militar. Ele foi da artilharia. 
A missão dessa arma é destruir. E de longe. 
Quem vai enfrentar o inimigo, diretamente, é a infantaria, com apoio da cavalaria. A missão de construir é da engenharia e de suprir da intendência.
Mesmo como arma de defesa e não de ataque é de destruir o inimigo que o ameaça, como o papel da artilharia anti-aérea.
Bolsonaro está exercendo o que começou a aprender nos cursos militares interrompidos: destruir, e à distância. Atualmente pode se destruir na realidade, apenas apertando botões, como nos jogos eletrônicos. O botão dele é o decreto e a bala a sua caneta, ou o seu palavreado: escrito em poucos caracteres ou falado.

O seu principal alvo de destruição é a esquerda e, mais especificamente, o PT, mantendo o apoio dos seus milhões de adeptos ou seguidores. Com a versão de que aquele foi o responsável pela imensa corrupção que assolou o país e pela profunda crise econômica.

Mas tem vários outros alvos, como o "politicamente …

O velho está morrendo e o novo nem foi gestado

A velha polítrica está morrendo, por inanição. A terminante recusa do Presidente Bolsonaro em aceitar e praticar o presidencialismo de coalizão a enfraquece, mas ela resiste e não quer morrer. 
O "velho está morrendo", mas o "novo ainda não nasceu". Nesse meio tempo o vácuo gera resistências, cria os seus monstros e sucessivas crises.
A nova política só pode nascer a partir de uma ampla eleição popular e essa só está prevista para 2022. 
O grande embate será entre os que tentarão reavivar o presidencialismo de coalizão, isto é, a velha política e os que buscarão completar a inflexão da trajetória histórica da política brasileira, elegendo uma nova política. 

O vácuo gera sucessivas crises, tentativas pontuais e artificiais para contê-las, mas sem sustentação.

A economia continuará "patinando" dentro da transição política entre o velho e o novo. Mas poderá se recuperar antes.
A "velha economia", que tem como principais pilares a ação econômica empresar…

Um novo procedimento do Congresso?

As circunstâncias da aprovação pelo Senado da MP de combate à fraude no INSS,  podem ser consideradas atípicas ou marco de um novo posicionamento do Congresso.
Toda a articulação para a chegada dos Senadores a Brasília, ainda na segunda-feira e as subsequentes negociações com os Senadores e lideranças partidárias para a aprovação da MP, antes do vencimento do prazo de validade, foram internas e em bases programáticas. 

Como os analistas políticos, a sociedade organizada quer e espera dos parlamentares. 

O Presidente está obcecado pela idéia de que qualquer articulação com os congressistas é um "troca-troca" e não estaria disposto a isso, mesmo correndo o risco que uma Medida Provisória, proposta pela sua ala econômica, considere essencial e corria do risco de caducar.
A Presidência da República se omitiu em todo o processo final no Senado, deixando a sua equipe econômica a mercê das "feras" do Senado.

Se a maioria dos Senadores aceitou antecipar a chegada a Brasília, at…

Só "pra nóis"

Jair Bolsonaro se dedicou na semana a presidir o país dos seus. Foi almoçar num restaurante a beira da estrada com os caminhoneiros, com a boa noticia de redução do preço do diesel. Foi à Convenção Nacional da Assembléia de Deus, onde lançou mais um factoide: a escolha de um Ministro evangélico para o STF.  
São duas corporações que lhe deram grande apoio eleitoral e foi fazer um agrado a elas. 
Foi a uma posse na Marinha, outro na Embratur. Atravessou a Praça dos 3 Poderes para ir ao Congresso. Não para articular a aprovação de Medidas Provisórias travadas e que perdem a validade hoje. Mas para apoiar a homenagem a Carlos Alberto Nóbrega e se mostrar aos telespectadores da Praça, na maior parte, seus adeptos.
Ignorou inteiramente as novas manifestações dos estudantes. Para ele não aconteceu. Se não lhe interessa, desconhece.
Desconsiderou a queda do PIB, no primeiro trimestre, simplesmente alegando desconhecimento de questões econômicas. 
Governando só para os seus, atendendo aos pleitos …