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sábado, 2 de janeiro de 2021

Líder da oposição

 Aparentemente o Brasil não tem um líder de oposição política. As pessoas estão muito focadas no Governo Federal, numa oposição ao Presidente da República ou no seu partido.

Com um Presidente da República personalista, nunca partidário, que se recusa a governar, de cuidar dos desafios nacionais, Governadores de Estado e Prefeitos Municipais, assumiram a responsabilidade de enfrentar a pandemia do novocoronavirus, com a adoção de medidas restritivas, para conter a contaminação e organização emergencial dos seus sistemas de saúde pública, para atender às demandas de internações da população do seu Estado ou Municipio, cuidar da saúde dos adoecidos pela COVID 19, e conter ou reduzir o número de mortes pela doença.

Os Governadores e Prefeitos que assumem a governança enfrentam um grande opositor político, contestando, combatendo as suas medidas restritivas, que ademais tem soluções simplistas, baseadas em crenças e não em comprovações científicas, para curar os doentes. Jair Bolsonaro, o atual Presidente da República prefere não governar e assumir a liderança da oposição aos Governos Estaduais e Municipais. 

Neste final de ano, nesse exercício de oposição política, criou ou aproveitou todas as oportunidades, com cobertura midiática, para incentivar a desobediência civil, promovendo aglomerações proibidas, sem os devidos cuidados sanitários. Ao contrário, como opositor, contesta tais cuidados e atribui todas as responsabilidades e consequências dos seus atos às próprias pessoas. Quem ache que a doença não é perigosa, ou quer assumir os riscos, que o façam. Já os impactos sobre terceiros é de responsabilidade desses: "cada um que cuide de si e não espere que o outro cuide de você". 

Com a sua presença pessoal em eventos proibidos ou desacatando ostensivamente as medidas sanitárias, mantém a fidelidade dos seus seguidores e devotos e tem ganhado adesões adicionais. 

Assegura, assim, a sua reeleição em 2022. Não para assumir o Governo, mas para liderar a oposição aos seus desafetos ou concorrentes.

Em síntese, na área federal não temos governo, só oposição. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Opinião publicada, em dissonância com a opinião pública

  A opinião publicada é dominada pela visão humanista, emocional, sanitarista e aterrorisada com a sucessão de mortes diárias causadas pela COVID-19 e supõe-se que seja altamente crítica ao Presidente de República e ao Governo Federal e os desaprove. 

As pesquisas feitas durante as campanhas eleitorais de 2020, nas principais capitais, dentro das indagações sobre as intenções de votos, mostravam uma desaprovação pouco acima da aprovação, dentro da faixa de 30%. O apoio de Bolsonaro a candidatos teve efeitos negativos e nenhum dos apoiados foi eleito.

As interpretações predominantes foram de uma compensação positiva da concessão do auxílio emergencial, às percepções negativas das ações ou inações do Presidente diante da pandemia.

Nova pesquisa feita pelo DataFolha, com indagações específicas sobre o enfrentamento da COVID 19, leva a interpretações diferentes: a população brasileira não desaprova fortemente a ação/inação de Bolsonaro, sendo que metade o isenta pelas mortes.

A diferença poderia ser explicada pela visão da opinião não publicada e também da opinião publicada alternativa (a da rede social) que teria uma posição majoritária de apoio ao posicionamento de Bolsonaro.

Válida ou não, segurmente será adotada por Bolsonaro que seguirá com o seu negacionismo ou minimização da doença, agora acrescida da descrença ou desconfiança em relação às vacinas, principalmente a de origem chinesa, "made by Doria".

Ele próprio não tomará a vacina, lutará contra a obrigatoriedade de vacinação e não terá nenhuma preocupação com a demora da vacinação em massa. Só mudará de posição se perceber que a vacinação em massa será um desejo incontido de mais de 2/3 da poopulação, incluindo os seus adeptos. Estes resistirão, mas poderão ser levados pelo "efeito manada": difícil, mas possível.

O cenário mais provavel, para 2021 é da vacinação retardada e parcial, somente se completando em 2022, com a continuidade do ritmo de contaminações e de mortes, alançando mais de 200.000 óbitos, antes do final do primeiro trimestre de 2022, mas já em ritmo decrecente. 

Não será um ritmo uniforme, seja nos períodos, como nas localidades, fazendo com que alguns Governadores e Prefeitos venham a adotar novas medidas restritivas, afetando a evolução da economia. 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Sacode a poeira, dá a volta por cima

Com a eleição de Joe Biden, apesar da contestada por Trump, o que importa para Jair Bolsonaro não é como ele vai se relacionar com o novo Presidente Norte-Americano, ou como vão ficar as relações comerciais entre os EUA e o Brasil. 

O que lhe importa é como se sustentar no cargo, nos próximos dois anos e ser reeleito em 2022.

Apesar de ter indicado um novo Ministro para o STF, não formou maioria para se blindar e blindar os seus filhos. Teria 3 votos, com tendência a seu favor e mais um 4º, sempre imprevisível, mas ainda ficaria com 7 desfavoráveis. Não  pode titubear e cometer qualquer deslize, que leve a uma decisão do plenário do Supremo.

No Congresso Nacional, a sua base firme é muito pequena e depende do Centrão para evitar o risco de impeachment ou mesmo de ações que poderão desgastar a sua imagem.

O Centrão é voraz na fome por cargos e fica na espreita de cargos cujo Ministro fica enfraquecido. Provavelmente já tem nomes para os Ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores.

Na política externa, Bolsonaro orientado ou influenciado por Olavo de Carvalho, tendo Eduardo Bolsonaro, como o mensageiro, optou por um total alinhamento a Donald Trump, posicionando-se contra a globalização, o multi-lateralismo internacional e confrontando a China. 

Seguindo leamente seu "chefe" adotou um discurso negativista, mas não chegou a adotar nenhuma medida concreta, exceto na área ambiental.

Sem a reeleição de Donald Trump, Bolsonaro perdeu o norte e o apoio irrestrito dos sectários bolsonaristas, mantidos "trumpistas" pelo fogo cerrado, mantido pelas redes sociais.

Fora o nucleo duro dos olavistas, a microcultura "anti-China" vem perdendo adeptos, além da ala do agronegócio - que vem se beneficiando das compras dos seus produtos pela China -  e dos agentes do setor de infraestrutura que contam com dinheiro dos chineses para retomar os investimentos. A mais recente perda foi com a posição do Presidente, contra a compra da vacina coronavac, por ser de origem chinesa, para demonstrar a sua lealdade a Donald Trump, no final da campanha eleitoral. Pela mesmo motivo Bolsonaro se recusa a reconhecer a vitória da Biden-Harris, enquanto o seu lider negacionista não a aceitá-la.

Grande parte da população quer ser vacinada tão logo uma vacina segura esteja disponível, não importa a origem nacional.

O negacionismo de Bolsonaro se reflete na perda de popularidade nas grandes cidades, como indicam as pesquisas eleitorais recentes, com efeito negativo do seu apoio aos candidatos bolsonaristas.

O ganho de popularidade, com o auxílio emergencial, teria sido anulado pela sua postura em relação à pandemia, voltando a um patamar de aceitação do seu governo da ordem de 30%.

A persistência do patamar seria suficiente para levá-lo a um segundo turno, em 2022, mas não lhe garantiria a vitória.

Sem a obrigação ou propensão de manter o alinhamento incondicional a Trump a alternativa de Bolsonaro para conter a sangria da perda de popularidade, será "sacudir a poeira" é aceitar a vacinação contra o coronavirus, com as vacinas que estiverem disponíveis, contrariando os radicais antivacina, raivosos, barulhentos, com amplo uso da rede social, mas minoria, dentro do eleitorado nacional. Ademais a tendência dos gestores das redes é de cercear noticias falsas em relação às vacinas. 

Com uma personalidade bi-polar e radical, Bolsonaro poderá migrar de uma postura radicalmente contra a vacina para uma liderança nacional pela vacinação, para evitar que essa seja tomada pelos Governadores e Prefeitos, com ampla repercussão eleitoral.

Bolsonaro quer evitar que o Governador João Dória emerja como o campeão da superação da pandemia, mas a derrota de Trump, no apoio popular, lhe indica que o negacionismo não é uma boa estratégia eleitoral. Ele tem que tomar o lugar, seguindo o velho conselho de Dom João VI ao seu filho Pedro: "Põe a coroa sobre a tua cabeça, antes, que algum aventureiro, lance mão dela."


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Renda Brasil x Bolsa Família

O Bolsa Família foi formulado por Ruth Cardoso - antropóloga, com amplo e profundo conhecimento da cultura brasileira – como um benefício pecuniário continuado, suficiente para vencer a fome, mas insuficiente para que o beneficiário se acomodasse, deixando de buscar trabalho, para melhorar a sua renda. Não era uma medida populista, mas um instrumento de promoção social.

Lula implantou de forma ampliada e sem burocracia.

Essa implantação teria propiciado a Lula a sua reeleição em 2006 e a primeira eleição de Dilma Rousseff.

Com a pandemia do cornavirus o Governo e a sociedade organizada “descobriram” uma multidão de pobres, fora do mercado de trabalho formal.

Para a sobrevivência dessa população o Ministério da Economia propôs um auxílio emergencial, no valor de R$ 200,00 mensais, durante 3 meses. O Congresso propôs aumentar para R$ 500,00. Bolsonaro num dos seus arroubos propôs aumentar para R$ 600,00 mensais.

Conseguiu reverter a queda de popularidade e ganhar parte do eleitorado do Nordeste.

O número de beneficiários foi muito superior ao esperado e eles estão contando com a continuidade.  A descontinuidade leva à perda do apoio popular.

Para a manutenção continuada do auxílio-emergencial, mesmo em valores menores, precisa compensar com cortes em outras despesas. As opções de Guedes são de cortes em outros benefícios.

Bolsonaro preferiu suspender a ideia de um “Renda Brasil” em substituição do Bolsa Família.

Não é uma desistência definitiva, mas um adiamento para 2022, para ter influência na sua reeleição.

Prefere perder agora, para recuperar mais à frente, contando que os beneficiários reagem diante de situações concretas, desconsiderando passado e futuro.

É apenas um recuo estratégico, dentro do objetivo de reeleição.


domingo, 5 de julho de 2020

Efeito dizimador do coronavirus nas eleições de 2020

A chegada da pandemia do coronavirus no Brasil, levou tanto as autoridades públicas, como a sociedade a uma grande diversidade de reações que irá se refletir nas eleições de 2020.
A desigualdade de circunstâncias entre os mais de 6.000 municípios brasileiros faz com que a reação dos eleitores em relação ao respectivo Prefeito seja diferenciado,  quanto à sua atuação com combate à pandemia. 
Nos pequenos municipios, o Prefeito será avaliado pelas ações de melhoria do sistema de saúde local e da manutenção normal das atividades dentro do Municipio. Se apesar de não estabelecer medidas restritivas não ocorrer nenhum caso de contaminação comprovada, ele será bem avaliado pelos eleitores. Mas se ocorrerem vários casos de contaminação e mesmo de  mortes de moradores, ainda que internados em outros, ele terá uma avaliação ruim e se candidato à reeleição, dificilmente será reeleito.
Já nos médios e grandes municípios, a contaminação ocorrerá, mas dependerá da escala de contaminação, que não será de caráter técnico. Será a percepção do eleitorado local, que tenderá a avaliar de forma comparativa aos muncipios vizinhos ou similares. Se o Prefeito tiver adotado medidas restritivas o eleitorado tenderá a aceitar que ele fez o necessário. Mas o que vai prevalecer é o resultado efetivo, de contaminação e de mortes. Ocorrendo, a sua avaliação tenderá a ser negativa, qualquer que seja a sua justificativa.
Já nas megacidades, com a ocorrência de muitos casos, a avaliação do Prefeito atual será negativa.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Campanha eleitoral mais suja de todos os tempos

Definidas as novas datas para as eleições municipais, assim como o cronograma das campanhas, a pergunta inicial é quem ganha quem perde com o adiamento e com o curto tempo para as campanhas?
Supostamente os Prefeitos atuais, candidatos à reeleição seriam os mais beneficiados, por serem mais conhecidos e poderiam usar a máquina da Administração Municipal em seu benefício.
Já os novos, tolhidos na possibilidade de visitar o seu eleitorado, dar tapinhas nas costas, beijar criança e outros métodos tradicionais seriam os mais prejudicados.
Dentro da lógica analógica sim e deverá valer para a maioria do Municipios brasileiros, mas com baixo volume de população e eleitores. Para os Municípios médios o que prevalecerá será uma campanha digital. Também será relevante para os grandes que não tem acesso a redes de televisão local ou regional, para poderem contar com os programas obrigatórios. Já os mega, em geral capitais e grandes polos no interior, contam com um canal local, afiliada a uma das redes nacionais, a lógica analógica poderia ainda prevalecer. Ainda mais se houver debates presenciais entre os principais candidatos.
Já pela lógica digital os Prefeitos atuais serão os principais alvos das críticas e denúncias pela rede social, inclusive através de "fake news". Esses serão lançados para a desconstrução da imagem do Prefeito atual. Ou, pior, pela "construção" da imagem de corrupto ou inepto.
Apesar das restrições estabelecidas pelo Legislativo, assim como pelo Judiciário, a "frouxidão" dos mecanismos de controle  permitirá ainda o uso abundante das informações destrutivas.
Deverá ser a campanha mais suja de todos os tempos, porque já em 2022, os controles deverão estar melhor estabelecidos para evitar o mau uso das redes. Para isso contribuirá também o boicote dos grandes anunciantes, obrigando os administradores das principais redes a se reposicionarem. 
Em 2020, nos municípios médios e grandes, deverá prevalecer um candidato novo "tipo Bolsonaro-2018", assumindo-se como paladino do combate à corrupção na Prefeitura Municipal. 
A corrupção deverá ser associada à velha política, com a proposta de quebra da hegemonia dos mesmos grupos de sempre, com eventuais rodizios entre eles.
Tanto o Prefeito atual, como os candidatos ligados aos velhos grupos, como ex-Prefeitos, deputados estaduais ou federais, serão os principais alvos das campanhas negativas.
As duas principais bandeiras da renovação serão "acabar com a corrupção no Município" e "acabar com a velha política".
Com intenso uso da rede social, assumindo-se que nesses municípios a difusão dos celulares e das redes seja maior.
Já no municípios menores, a difusão menor da rede social, fará com que essa tenha menor impacto, devendo prevalecer as campanhas diretas e o rádio.
Já nas mega cidades e grandes com acesso direto a um canal de televisão local o principal tema, deverá ser o posicionamento do Prefeito atual e dos candidatos em relação ao combate ao coronavirus. 
Trataremos no assunto no próximo artigo

(cont)

domingo, 24 de maio de 2020

Mudanças na forma de morar


A necessidade de mais espaços na casa, para as diversas atividades domésticas, que irão muito além do trabalho, isto é do “home office”.
Ao se acostumarem a fazer mais coisas em casa, com auxílio da internet, evitando sair para enfrentar o trânsito, apesar da redução da circulação de veículos, como os exercícios físicos ou físico mentais, do tipo “ioga” ou “tai-shi-shuan”, em detrimento da ida às academias de ginástica, ou entretenimento, na forma de acompanhar lives de artistas, jogos esportivos, ou dedicar mais tempo para filmes, em vez de ir mais frequentemente ao cinema, teatro. ou estádios (quando esses voltarem a receber público).
As famílias com crianças pequenas irão estudar em casa, com parte das aulas on-line e irão requer mais acompanhamento dos pais. Terão preferência por um espaço próprio. Querem também mais brinquedos, tanto os tradicionais como os digitais. Para algumas os pais poderão providenciar parquinhos individuais no jardim ou quintal da casa.
Os adolescentes e mais avançados, estudando em Faculdades, terão a maior parte das aulas, à distância, com muitas pesquisas orientadas. Quererão espaço próprio.
Ficando mais tempo em casa, com atividades à distância, farão mais refeições em casa, em detrimento à ida aos restaurantes para se alimentar. Já a frequência a bares e outros, mais voltados à convivência social, poderão aumentar a demanda. O “happy hour” e similares tenderão ser a alternativa de encontrar e conviver com os amigos. Para os jovens a oportunidade de paquerar. Já as baladas sofrerão restrições.
As famílias passarão a ter necessidade de mais áreas em sua moradia, revertendo uma tendência do mercado imobiliário para a redução sucessiva de área da unidade.
Por outro lado, o receio de contaminação levará à redução do uso de elevadores, principalmente daqueles de grande porte.
A consequência será um aumento da demanda de casas, em detrimento da procura por apartamentos. Uma forte inflexão deverá ocorrer nas tendências pré-pandemia que foi a demanda por stúdios e outras modalidades de apartamentos menores. Haverá o risco de remanescerem grandes “elefantes branco”.
Para o mercado imobiliário, a mudança do modelo de negócios deverá caminhar no sentido de investir mais em condomínios horizontais do que nos verticais.
Uma onda que emergiu com Alphaville, mas que ao longo do tempo, perdeu dinamismo deverá voltar com mais força.





quinta-feira, 21 de maio de 2020

Darwinismo?

Diante da crise o Governo tem duas opções básicas: tentar salvar todo o mundo, com fundamento na solidariedade ou adotar o "darwinismo": salvar apenas os mais aptos e deixar os mais fracos sucumbirem. 
A opção brasileira, embora não explicitada claramente, é pelo darwinismo. Seja na dimensão sanitária, como econômica.
Isso significa que muitas pessoas irão morrer, sem o devido atendimento, ou tratamentos inadequados. A opção do Presidente tem sido o de reabertura da economia, assumindo que as mortes são danos colaterais que fazem parte de qualquer guerra.
Na dimensão econômica a posição darwinista é mais clara, embora disfarçada em economia liberal. 

(cont)

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Nada de novo

Afinal saiu o tal protocolo para o uso da cloroquina. 
Em relação ao seu uso, nada muda. Quem decide é o médico que pode prescrever, exigindo um termo de responsabilidade do paciente. 
O protocolo não tem poder de determinação. É só uma recomendação. Dessa forma mesmo que algum paciente da rede pública exija ou pressione o médico, se esse não quiser, diz ao paciente para buscar outro profissional que se disponha a prescrever. 
A visão do Presidente é de gerar uma pressão para a prescrição, sobre os médicos. Só vai funcionar marginalmente. Vão prescrever apenas aqueles que estão convencidos da eficácia. Ou os preguiçosos. Mas isso já era permitido. Só não estava "protocolizado". Feliz ou infelizmente são poucos.
A maioria prefere ficar com a ciência, com a cautela e com o seu juramento profissional. 
Na rede privada a cloroquina, em diversas combinações, já é usado, mesmo sem o protocolo oficial, baseado em práticas e sob rigoroso acompanhamento do paciente, para a sua imediata suspensão, caso se manifestam os efeitos colaterais.
O principal efeito é de natureza política e eleitoral. É uma jogada de alto risco do Presidente, mas ele gosta disso, ainda que irresponsavelmente coloque em risco centenas ou milhares de vidas. 
Uma outra importante repercussão é de natureza econômica. Prejudica a imagem do país perante os investidores mundiais e pode escassear os recurso privados necessários aos investimentos para a retomada da economia.


terça-feira, 19 de maio de 2020

Mudanças de hábitos 2

Havia um forte movimento entre as classes com mais renda, a favor de mudanças de hábitos alimentares, seja por serem mais saudáveis, como pelo menor impacto sobre o meio ambiente.
No caso do açúcar o objetivo é essencialmente a saúde, para o combate à obesidade. Casos concretos de mortalidade entre os jovens, contaminados pelo SARS-COV2 mostraram que estavam relacionados com a obesidade. Esse se tornou um fator de vulnerabilidade. O avanço territorial da produção da cana de açúcar ainda não sensibiliza os ambientalistas.
Já a proteina animal, em particular a carne vermelha bovina, é o principal alvo dos ambientalistas, seja por razões de saúde, relacionadas com o teor das gorduras, como por emergir como o maior inimigo brasileiro do clima. O imenso rebanho bovino brasileiro seria o principal emissor de gases de efeito estufa e, em função, da demanda nacional e internacional, o principal causador do desmatamento da Amazônia. Os desmatadores derrubariam as árvores, não só para comercializar a madeira, como para abrir as áreas para a pastagem. 
Os defensores do clima defendem a contenção pela população mundial da proteina animal oriunda da carne bovina, usando a pandemia da COVID 19 como uma das principais razões. O desmatamento poderia causar a migração de animais silvestres, portadores do vírus para as cidades. Esse receio da população ocorreu, anteriormente, em relação à Zika o que levou a uma caça a macacos.
Mas a análise do histórico do suposto surgimento do vírus na China, indica que a população pobre, na falta de opção, caça e se alimenta de animais silvestres, inclusive morcegos, que são fartamente comercializados nas feiras livres.
Mesmo com a melhoria de renda de grande parte da população chinesa uma grande parte mantém os hábitos de consumir carne de animais silvestres. O esforço do Governo Chinês na produção de carne de porco, assim como a ampla importação de carne de frango e de bovinos, todos com a produção controlada sanitariamente, tem por objetivo substituir o consumo de animais silvestres. 
Em outros países mais pobres da Ásia e em grande parte da África, o consumo de animais silvestres é ainda enorme e um grande esforço mundial é de substituir esse consumo por proteina animal de produção sanitariamente controlada. 
O Brasil não tem a percepção do problema do consumo da carne de animais silvestres, porque conseguiu contê-la, com medidas restritivas à caça e com a imensa produção de carnes de frango, boi e porco, consegue abastecer a maioria da população. Mas tem uma percepção mais clara da questão da carne vermelha do boi, em função do tamanho do seu rebanho e da preferência da população pelo seu consumo. Se não é maior não é por questões ambientais e de saúde, mas de restrições de renda.
Todo mundo quer usar a pandemia para a defesa de suas teses, mas todas tem "cara e coroa". Não apenas coroa.


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Mudanças de hábitos


O isolamento social estabelecido praticamente em todos os países atacados pelo novo coronavírus, o SARS-COV 2, provocou mudanças de hábitos, gerando a perspectiva de que o mundo pós pandemia não seria mais o mesmo, com profundas e amplas mudanças nos hábitos das pessoas e na forma de viver da humanidade.
O que se pode perceber até agora é que as principais mudanças decorrentes do fique em casa (“stay home”) foram o desenvolvimento de atividades de trabalho (home office), de alimentação (home food, associado ao delivery), de lazer, de relacionamentos e outros em casa, com amplo uso das tecnologias digitais, que o mercado já vinha oferecendo.
Não houve nenhuma grande disruptura, seja tecnológica, como social, mas apenas a aceleração de um processo que vinha em ritmo moderado, contido pela resistência de grande parte da população em aceitar e adotar o uso das tecnologias digitais.
O home office já era uma prática, mas como modalidade marginal, assim como a educação à distância era uma prática limitada. O isolamento social quebrou essas resistências. Os trabalhadores de escritórios tiveram que aceitar e se adaptar ao trabalho em casa. Assim como os professores que não queriam abandonar as aulas presenciais tiveram que se adaptar e, principalmente, se viram obrigados a preparar melhor as suas aulas.
Com o levantamento do isolamento, alguns hábitos antigos voltarão. Outros não, consolidando as mudanças. A principal são as atividades em casa, integradas com o resto do mundo pelas tecnologias digitais.
Não houve, tampouco se prevê grandes disrupturas na forma de viver da humanidade, com a pandemia do SARS-COV 2. Apenas a consolidação de mudanças que já estavam em curso. Mas também a reversão de alguns movimentos, como o ambientalista, tanto na defesa das matas, como da redução no uso dos carros, dentro das grandes cidades.
Ainda que não sejam grandes disrupturas, seja a consolidação de tendências, como a reversão de outras, afetarão amplamente as atividades econômicas a essas relacionadas, obrigando as empresas a rever os seus planos estratégicos e até o seu modelo de negócio.

sábado, 16 de maio de 2020

Escolhas

Nelson Teich tem um mantra: "a vida é feita de escolhas".
Fez boas ou as escolhas certas na sua carreira profissional e pessoal o que lhe proporcionou sucesso profissional e enriquecimento como empresário do setor de saúde. É um profissional altamente respeitado no seu meio.
Diante da oportunidade de assumir o Ministério da Saúde, diante de uma grave epidemia, fez uma escolha, em relação ao seu futuro. Se perguntou ao seu Mestre, ele deveria ter lhe dito: "Nunca rejeite uma oportunidade da qual você pode ser arrepender o resto da vida."
Convidado, aceitou o desafio, apesar de saber das dificuldades e restrições: principalmente dos riscos.
Escolheu aceitar para avaliar na prática até onde poderia chegar, com as suas visões, formação e experiência, para atender às imensas necessidades sanitárias do país.
Aceitou a partir de uma visão parcial, preconceituosa e equivocada do Sistema Público de Saúde, o SUS, mais criticado pelas suas deficiências do que pelas suas qualidades. Chegou com a ideia de um planejamento estratégico, para ser aplicado a partir de um amplo diagnóstico. Achando que o seu antecessor não havia feito isso. Percebeu uma realidade bem diferente do que ele tinha no seu imaginário. Caiu no meio de uma guerra em andamento, tendo que adotar as medidas concretas, mesmo sem ter todas as informações desejáveis.
Ao perceber as limitações ao seu trabalho, principalmente a quebra da promessa do Presidente de lhe ouvir e conversar sobre as politicas e ações na área da saúde, fez uma nova escolha. Sair para não comprometer a sua biografia. 
Uma coisa são as limitações de atuação, outra é ser obrigado a aceitar executar o que ofende o seu compromisso profissional e os seus valores éticos. Não ter o apoio do Presidente, para as suas estratégias era esperado e ruim, mas aceitável. O que ele "não engoliu" foi ter o Presidente como o principal opositor e, pior, como sabotador de suas estratégias.
Escolheu sair.


sexta-feira, 15 de maio de 2020

A guerra

O Brasil está enfrentando uma guerra, uma guerra contra a SARS-COV2, o novo coronavirus, mas Jair Bolsonaro prefere enfrentar uma outra guerra. Um conflito com o Governador de São Paulo, João Dória, promovendo a mobilização de empresários para apoiá-lo contra a ameaça de um lockdown, que o Governador estaria planejando implantar em São Paulo. Em defesa dos empregos e da normalidade econômica.
No fundo, a guerra é outra. É uma batalha preventiva para tirar ou  enfraquecer a candidatura presidencial de Dória em 2022. O que já o transformou  no principal anti-Bolsonaro. 
Para Bolsonaro "guerra é guerra", mortos e feridos são danos inevitáveis. O importante é vencer a guerra, a qualquer preço. A vitória está no restabelecimento e recuperação da economia. Seguida da retomada da economia em 2022, para dar sustentação à sua reeleição.
No entanto, a guerra de Bolsonaro está impactando o fluxo de investimentos externos em relação ao Brasil. Uma grande saída e nenhuma ou pouca entrada de novos recursos. Por conta da "aversão ao risco" os investidores estrangeiros não se mostram dispostos a investir no Brasil e sem esses, os programas de privatização e concessões não terão condições de caminhar. 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Percepção sobre o rodízio

O rodízio de carros em São Paulo, aliviou o trânsito. Pessoas deixaram de sair de carro, mas o índice de isolamento não subiu.
Sair de carro e não de transporte coletivo é melhor para conter a contaminação, mas tem um efeito psicológico fortemente oposto. Trânsito intenso é notícia de grande repercussão, trens cheios é o normal, mesmo nestes tempos de epidemia.
Muitos trabalhadores por conta própria como eletricistas, bombeiros hidráulicos (em São Paulo, encanadores), piscineiros e outros que moram na periferia, mas atendem nas regiões mais ricas, saiam com o seu carrinho semi-novo. Um dia sim e outro não tem que sair de transporte coletivo. O risco de contaminação é maior.
Como previsto, o rodízio é sucesso, o isolamento não. Alguns dias de experiência mostrarão o impacto sobre a contaminação.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Rodízio funciona?


A cidade de São Paulo foi uma das poucas no mundo a adotar o rodízio de carros, para conter a circulação dos mesmos e reduzir os congestionamentos. Funcionou?
Para alguns não, os congestionamentos não caíram. Para outros, sem rodízio seria pior.
O rodízio era parcial, apenas no centro expandido e por 3 horas pela manhã e outras três à tarde e só durante a semana.
Diante da restrição, alguns compraram um segundo carro, assim como passaram a usar os carros de terceiros chamados por aplicativos ou os taxis. 
Agora para conter a quebra e fuga do isolamento social, o rodízio foi ampliado, para um dia sim e outro não, segundo final de chapa, ao longo de todo o dia, incluindo sábados e domingos e em todo o território municipal. 
Na prática, vai ter algum impacto no centro expandido, que está equipado com radares de monitoramento, alguns polos descentralizados e grande corredores, onde haverá maior fiscalização. Na maior parte do território municipal o rodízio não será obedecido, nem penalizado, mas terá menor impacto na mobilidade urbana e no isolamento. Os índices de isolamento não vão aumentar substancialmente. Os efeitos serão mais psicológicos.

domingo, 10 de maio de 2020

Fatores psicossociais (2)

Tendo em vista os impactos psicossociais, os múltiplos traumas, o processo de normalização ou recuperação da sociedade ocorrerá gradualmente. Com maior ou menor velocidade em cada país, em cada região, em cada setor da economia e sociedade e em cada grupo social. 

O comum será o gradualismo, mas as velocidades serão muito diversificadas.

De uma parte, uma pequena parte de incrédulos, que não foram afetados diretamente, com manifestações graves ou morte de pessoas mais próximas, pela COVID-19, que acharam que tudo não passava de alarmismo, irão reclamar da lentidão da recuperação da economia e de obrigações sociais - como o uso de máscara em vias públicas e transporte coletivo - que acham ser "frescura". Mas serão minoria.

A maioria irá retomar as atividades "normais" lentamente.

Os mais renda, que adotaram o "fica em casa", com condições trabalhar em casa ("home office"), abastecer-se por compras pela internet ("e-commerce") , inclusive refeições prontas (delivery) irão incorporar esses novos hábitos como o normal, como o predominante, mas não exclusivo. 

Embora essa população seja uma parte menor da sociedade, fica no topo do "iceberg", sendo a parte mais visível, onde também estão a maioria dos agentes de comunicação, que disseminam a sua visão, gerando a impressão de que representam o todo. Ademais são os responsáveis pela maior parte da economia, determinando os seus rumos.

O "fica em casa" vai continuar - em grande escala - dentro desse segmento da sociedade, gerando substanciais mudanças nas economias urbanas.

A principal medida adotada pelas autoridades na guerra contra o vírus foi o distanciamento social, com a orientação para as pessoas ficarem em casa e determinar o fechamento das atividades econômicas em geral, com exceção das consideradas essenciais, como as lojas de alimentação, farmácias e serviços de saúde, assim como a suspensão das aulas presenciais em todos os níveis.

O principal impacto das medidas de distanciamento social foi sobre o consumo e não sobre a produção. Como a dinâmica da economia brasileira é puxada pelo consumo das famílias, teve um impacto altamente sobre toda a economia. Mesmo atividades que continuaram funcionando, reduziram o seu ritmo ou até pararam, porque não tinham compradores.

As reações iniciais foram de se abastecer e formar estoques diante da incerteza da duração das restrições. Isso levou a uma corrida aos supermercados e outras lojas de comercialização de alimentos, assim como as farmácias. Notícias falsas sobre desabastecimento de alimentos ampliou o surto, que num momento seguinte, amainou, mantendo, no entanto, um nível elevado de compras de alimentos e medicamentos. Na sequência ajustaram o seu perfil de compras.


sexta-feira, 8 de maio de 2020

Um verdadeiro líder?

Jair Bolsonaro é um líder, audacioso, com iniciativa levando os seus apoiadores a seguirem-no cegamente e outros por negociação ou intimidação. Ontem um grupo de empresários foi ao Planalto para cobrar o apoio concreto dele a Paulo Guedes não apenas no discurso. Bolsonaro fez mais um "passa moleque": mandou o seu líder na Câmara, Major Vitor Hugo, dizer aos deputados que apoiava a retirada do congelamento dos salários dos funcionários públicos, diversas categorias que compõe a sua base de apoio popular e político, contrariando a posição e a negociação de Paulo Guedes, com o Congresso. Tomou uma "bola nas costas" e convocou o "mercado" para se contrapor à corporação dos servidores. 
O "mercado" foi buscar lã e saiu tosquiado. Bolsonaro aproveitou a presença dos empresários para puxá-los para uma caravana, a pé, ao Supremo Tribunal Federal, para pressionar pela flexibilização do isolamento, embora o seu desejo mesmo seja acabar inteiramente com esse. 
Não tiveram coragem de recusar, até porque conseguiram o que queriam, mas a um preço excessivamente elevado.
Bolsonaro empunha a bandeira da salvação de milhões de empregos e da economia, como um todo, ainda que isso significa mandar para o sacrifício, milhares de pessoas, contaminadas pelo SAR-COV 2. Por que na conta dele, seria a salvação de 10 milhões de trabalhadores que, desempregados, iriam morrer do fome, contra 10.000 mortos pela COVID 19. 
Esses seriam danos colaterais inevitáveis de uma guerra.
São números discutíveis, mas que Bolsonaro usa para manter uma liderança sobre parte da população. 

terça-feira, 5 de maio de 2020

Quando vai chegar ao pico?

Há mais palpites do que sobre a escalação da seleção da CBF, seja de autoridades, dos ditos especialistas ou de jornalistas despreparados, sobre quando a epidemia terá o seu pico. Seria em abril, o mês terminou, e as curvas continuam subindo. Agora seria em maio, mas pode ser em junho, ou qualquer outro mês. Alguns já apostam em 2021. 
Não há elementos científicos suficientes para dar segurança com relação à evolução das curvas. Apenas exercícios matemáticos, os quais dependem das premissas.
O que parece não haver dúvida, no Brasil, é que as curvas de contaminação e de mortes, seguirão crescendo. O pico será atingido quando começar a inflexão da curva, com estabilização ou redução dos índices de crescimento. Ainda pode haver uma evolução em escada: uma estabilização ou redução e novos aumentos. 
Os indícios são de que as medidas de distanciamento social, contiveram grandes surtos, contiveram a expansão nos locais de origem, mas não foram capazes de evitar a disseminação e a geração de novos polos regionais ou estaduais de contaminação endógena. Em algumas capitais de Estado, o sistema de saúde já entrou em colapso.
Um eventual pico nacional será meramente estatístico. As evoluções relevantes a serem acompanhadas, para efeito de decisões políticas e administrativas serão locais e regionais, ainda que refletida em estatísticas estaduais.
Os focos das contaminações estão nas capitais dos Estados, onde há maior população, densidade demográfica e aglomeração da pobreza. A concentração das mortes nas capitais é ampliada pelo fato das principais instalações hospitalares, de alta complexidade, estarem concentradas nas capitais, com muita transferência de doentes do interior, para a capital, alguns dos quais acabam morrendo.
Sem maior segurança em relação à evolução das mortes, nenhum Administrador Público se arriscará a reduzir ou flexibilizar o isolamento, sob risco de enfrentar um surto descontrolado, ter que voltar às medidas restritivas, ainda mais rigorosas e ter que pedir desculpas aos seus eleitores. 
O único que fica defendendo o abrandamento das medidas, é o Presidente, porque  qualquer medidas e consequências ele as atribuirá aos Governadores. Segundo ele, "não tem nada a ver com isso". "E daí?" virou seu principal mote. 
Mantém uma posição radical para agradar o "seu povo". 


sábado, 2 de maio de 2020

A elite não está entendendo mais nada!

O coronavírus chegou ao Brasil, por São Paulo, importado da Itália por um empresário que fez os testes no Hospital Albert Einstein e confirmada a contaminação ficou internado no mesmo hospital e teria se recuperado. Alguns familiares seus foram contaminados e igualmente tratados no Einstein,  uma referência de qualidade hospital em todo o Brasil.  Todos os primeiros grupos de contaminados foram internados e tratados em hospitais privados de "padrão FIFA". 
Uma segunda leva de contaminados ocorreu numa rede privada, voltada ao atendimento de idosos, o grupo mais vulnerável. Dedicaram um hospital exclusivamente para o atendimento do doentes da COVID 19 e acabou concentrando as mortes, nas primeiras semanas. 
A contaminação de pessoas da família ou conhecidos, alguns que foram a óbito, foi o indicador da gravidade da doença e não titubearam em atender as recomendações de distanciamento social, a partir da segunda quinzena de março.
Mudaram suas rotinas diárias, adotaram novos hábitos, como o home office, alimentação pelo delivery, compras pela internet e outros.
Mas, depois dos primeiro 30 a 40 dias de confinamento, vendo que não há mais muitos conhecidos contaminados, que o Einstein, Sírio-Libanês e outro hospitais privados de primeira linha estão com boa disponibilidade de leitos e de UTIs, querem gozar de um pouco mais de liberdade: fazer seus exercícios de caminhada e corrida, nas ruas, ir até o escritório, encontrar com os amigos e colegas de trabalho, presencialmente. 
Para eles, o vírus está controlado, para outros realmente não passa de uma gripezinha, com muitos conhecidos, com resultado positivo, que não passaram de uma dor de cabeça, tratada com analgésico. 
Não entendem porque o Prefeito e o Governador, insistem em manter as restrições, prejudicando os seus negócios, as suas atividades. Para eles seria tudo "jogo político" e as estatísticas seriam manipuladas. 
Querem voltar às suas rotinas e gozar de mais liberdade. Não querem mais ficar confinados em casa: ficar mais, mas não integralmente. 
Acham que saindo no seu carro, evitam aglomerações e contacto com terceiros, não havendo risco de contaminação. Não por outro motivo as avenidas foram tomadas por carros e não pelos ônibus. 

Guerra contra o coronavirus

Tenho reiterado que estamos em guerra. Na prática na terceira guerra mundial, não obstante a inaceitação e até descrença de muitos com relação à essa visão bélica.
Se, de um lado, há os que contestam essa visão, outros começam a adotá-la como Celso Ming, em sua coluna do Estadão, de 30 de abril, sob o título Despreparo, reforçando a visão de que o mundo se preparou para uma Terceira Guerra Mundial, digamos convencional, de potências contra outras, com modernos armamentos, mas inteiramente despreparado para enfrentar uma guerra contra um vírus, embora alguns tenham previsto e alertado sobre a possível ocorrência.
É uma guerra inteiramente diferente, com características inteiramente defensivas. Não há, por enquanto, nenhuma arma capaz de destruir o vírus. Ele só ataca seres vivos, preservando os bens físicos que - na guerra convencional - são destruídos. Causa uma ampla devastação humana e só é vencida no organismo das pessoas infectadas, pela geração de anticorpos. 
O meio mais eficaz até agora encontrado para evitar a disseminação do vírus e a enorme mortandade por ela causada é o distanciamento ou isolamento social. O que, por sua vez, gera enormes danos colaterais na economia. 
Diante desses danos inevitáveis, há - como o Presidente Bolsonaro - que defendem a estratégia de não fazer o isolamento, admitindo que haverá um número de mortes um pouco maior, tendo em compensação a continuidade de funcionamento da economia. 
Em alguns países, como na Itália e Espanha, o baixo isolamento, resultou num surto descontrolado de contaminações e mortes, levando as autoridades a pedir desculpas à população e adotar medidas mais rigorosas de isolamento.
As medidas de isolamento não são nacionais, mas municipais e estaduais. Governadores e Prefeitos se dividem entre os favoráveis ao isolamento e os que seguem a visão do Presidente da República. 
Embora já haja alguns indicadores, as duas próximas semanas mostrarão as consequências efetivas das estratégias alternativas, segundo os diferentes Estados. 

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...