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Mostrando postagens de Agosto, 2014

Poluição e crise da água

A crise da água, prevista para o futuro, já chegou em grande parte do Brasil, castigando agora a região sudeste onde se concentra a maioria da população e da produção econômica brasileira.
Ela decorre da escassez de chuvas na região, enquanto outras, como a sul, padece com excesso de chuvas.
Um dos caminhos para combater a seca é da engenharia cuja solução principal é a transposição de água de bacias hidrográficas com disponibilidade hídrica para outras, com escassez.
No caso do sudeste este caminho se tornou inadequado pela escassez em todas as bacias da região. As eventuais transposições teriam que ser feitas a distâncias muito maiores, com consequências ambientais inimagináveis.
O caminho mais usual é a economia no uso da água, reduzindo o consumo, seja de forma voluntária como compulsória. A compulsória tem como forma principal o rodízio no fornecimento, uma solução discutível em relação à economia do consumo.
Um terceiro caminho, mas complexo é o da maior disponibilização dos corpos d…

A Conta da Copa chegou!

O Governo Federal tocou o bumbo antes e durante a Copa. Antes contratou diversas consultorias para prever o impacto positivo da Copa na economia brasileia, apontando crescimentos adicionais de até 1,5% que somado ao crescimento "normal" levaria o PIB de 2014 a elevadas taxas, em torno de 5%.
Contestamos sempre esse excesso de otimismo, com registros neste blog.
Durante a Copa o Governo alardeou o sucesso da Copa das Copas. Foram, inegavelmente belos momentos, empanados pela vergonha da seleção brasileira em campo na fase final. Mas o fato real é que o Brasil sediou uma grande Copa e Ângela Merkel agradece muito à sua colega que propiciou a ela e aos alemães uma magnífica festa.
O Governo não titubeou em mostrar os números de turistas durante a Copa. Os estrangeiros no Brasil foram muitos, mas gastaram pouco. Para escamotear esse número desfavorável, misturaram com os gastos dos turistas brasileiros. 
Porém, enquanto milhares de "hermanos" invadiam o Brasil com os seus …

Declínio da indústria tradicional e novas oportunidades

A indústria brasileira tradicional criada e desenvolvida dentro do modelo da "substituição de importações" está em declínio e seguirá inexoravelmente nessa trajetória, remanescendo poucos sobreviventes.
As exportações de excedentes, não absorvidos pelo mercado interno, também estão condenados à inanição. 
A nova indústria ainda voltada para o mercado interno, aproveitando algumas barreiras de entrada, inovou ou se renovou, mantendo condições de competitividade com relação aos produtos do exterior.
Diante dessa decadência inevitável, a indústria brasileira precisa encontrar novos rumos, novos modelos. 
Tentar recuperar aquela indústria decadente não é uma tarefa complexa: é inútil. Aumentar as proteções é apenas postergar o falecimento, com elevadíssimos custos. 

A indústria brasileira tem que buscar novos rumos, novas oportunidades. 

As novas oportunidades, decorrentes das transformações globais, estão no ciclo da indústria verde.

O Brasil preferiu ficar fora do ciclo das plataform…

A persoficação do novo Brasil

Marina Silva é a personificação do novo Brasil, reclamado pela turma de junho de 2013.

A turma de junho de 2013 é formada por aqueles que foram às ruas das principais cidades brasileiras em junho de 2013, para pedir mudanças: uma nova política, um novo Brasil. Sem clareza do que seria a menos de que deveria ser diferente do atual.

Essa turma não se formou em junho de 2013. Ou, ao contrário, dentro de uma perspectiva escolar, ingressou há anos atrás, manifestou-se em outubro de 2010, sufragando 20 milhões de votos em Marina Silva e colou grau em junho de 2013, ou seja, formou-se nessa ocasião.

Foi uma mobilização espontânea, desencadeada por um pequeno grupo de jovens a favor de uma tese de Luiza Erundina, agora a coordenadora geral da campanha de Marina Silva: a tarifa zero para os transportes coletivos. A ocasião era propícia. Os governos haviam acabado de aumentar as tarifas dos ônibus e do metrô.

Não foi conduzida por um líder, tampouco a turma elegeu um líder. Marina Silva sempre pair…

Confirmação do cenário

A pesquisa feita pelo IBOPE confirma as previsões e o do Datafolha as consolidarão.
Haverá segundo turno e Marina vence. Aécio tem que mirar 2018. 
Há alguns pequenos detalhes que precisam ser considerados. Do primeiro para o segundo turno, Dilma cresce 2 pontos. Com a redução dos votos nulos e sem resposta, significa uma migração de votos de Aécio para Dilma, supostamente dos que não querem Marina de jeito algum. Num eventual segundo turno com Aécio, Dilma ganha 7 pontos. Parte significativa dos eleitores de Marina voltam para Dilma.

As maiores mudanças estão ocorrendo no âmbito estadual, com exceção de São Paulo, onde a predominância do PSDB resiste a tudo. Minas poderá ser o último bastião de resistência do PT, que além desse estado só terá o Acre e o Piaui. O PSB corre o risco de ficar sem nenhum governador. A única possibilidade que restou é Pernambuco e Marina precisa ajudar mais Paulo Câmara, no mínimo, por gratidão a Eduardo Campos. O PMDB voltará ao domínio dos Governos Estaduai…

Govvernar e gerenciar

No âmbito empresarial há uma diferença entre gerir e gerenciar, mesmo ocorrendo uma grande área cinzenta entre os dois.
A gestão está relacionada com a missão atribuída à empresa pelos seus acionistas ou donos, contemplando a eficácia e os resultados ao longo de vários anos e não apenas o curto prazo.
O gestor é responsável pelas estratégias, pelos investimentos e pelos relacionamentos com os agentes externos. É também responsável pela escalação do time gerencial. Pode ter o apoio de um Conselho de Administração. Esse pode assumir o papel de gestor, quando a empresa tem diversos sócios em condições de força e participação iguais.

A operação no dia a dia da empresa cabe a um gerente geral - qualquer que seja a sua denominação - trabalhando com subgerentes e com as equipes executoras das tarefas.
Existem vários modelos atuais de organização e gerência de empresas, mas a espinha dorsal é a função gerencial de orientar, determinar e cobrar a equipe. O gerente tem como principal atribuição aju…

Velha,nova e semi-nova política

A campanha política presidencial coloca em  confronto três visões em relação  à política brasileira.
A primeira é de que "os fins justificam os meios", adotada pelo PT e que leva a sua composição com corruptos e com políticos fisiológicos, para formar a base aliada no Congresso.  O fim principal seria a construção de um país menos desigual. Para a consecução desse objetivo o entendimento é que é preciso estar e se manter no poder. Nem que para isso seja necessário estabelecer parcerias espúrias, abandonado os princípios éticos inicialmente estabelecidos. Como consequência real um projeto nacional de maior igualdade social se tornou apenas um projeto de poder.
Aparentemente há um segundo objetivo que seria o de suprir o país de uma adequada infraestrutura. Mas na prática a razão principal para a contratação de um grande conjunto de obras estaria vinculada ao objetivo de financiar o projeto de poder. Dai a preocupação em acelerar as contratações, mas não a sua conclusão.

A propos…

Privado-privado x privado-público

Uma reportagem de Fernando Gabeira sobre o projeto Nova Recife, compreendendo duas enormes torres gêmeas com quase 40 andares na antiga área do cais Estelita, no Recife, sob intensas críticas de movimentos sociais, com a adesão - segundo a reportagem - de jovens, mostra a resistência de segmentos sociais à modernização urbana e, principalmente à excessiva verticalização.
Os argumentos dos oponentes ao projeto são insubsistentes. Fora as posições pessoais de que o projeto não responde à cidade que eles querem (mas assumem como se fossem o todo) é a privatização do espaço privado. 
Por outro lado o empreendedor se defende, principalmente, com o argumento da legalidade.

É um caso típico de confronto sobre o futuro das cidades, em que cada qual quer impor a visão da cidade "que queremos". Para se ter, efetivamente, a visão da cidade que queremos e a aceitação ou não do projeto seria necessário realizar um plebiscito. 

A solução não está no confronto, mas no consenso, no pacto. 

A áre…

A política antiestacionamento da Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo está tentando desenvolver uma política antiestacionamento, com o objetivo declarado de reduzir o uso do carro e melhorar a mobilidade dentro da cidade.
Supõe que, ao reduzir a oferta de vagas próximos aos locais de trabalho, os trabalhadores não sairão de casa com o seu carro, mudarão o seu comportamento melhorando a circulação nessas regiões. 
A suposição é correta, mas os resultados efetivos para a região poderão ser desastrosos.
Com a restrição de vagas os trabalhadores terão ou que acordar mais cedo para disputar uma vaga gratuita em via pública ou desembolsar valores elevados para manter o seu carro estacionado em vagas pagas. 
Espera-se que diante desses obstáculos físicos ou econômicos, ele prefira deixar o carro em casa ou dispense a posse de um e passe a utilizar-se do transporte coletivo ou de meios não motorizados, seja a pé ou a bicicleta.
Para essas últimas opções ele tem a alternativa de se mudar para mais próximo do seu emprego. 
Permanecendo onde mo…

Estacionamento e propriedade do carro

Falta de vagas para estacionar restringe a posse de um automóvel? A curto prazo não. A médio pode ocorrer.

O comprador de um primeiro carro baseia-se em expectativas: ter maior possibilidade de movimentação e achar sempre um local para estacionar em via pública. Para eles o problema não é a vaga física, mas o custo dessa. Podem existir as vagas mas seriam inacessíveis pelo preço e custo repetitivo.

Só com a experiência prática de dificuldades de estacionar, o seu alto custo, associado aos custos com o combustível e com os tributos, pode perder o interesse em permanecer com o seu carro. Pode tentar vender ou acaba perdendo-o por falta de pagamento das prestações.

Isso é fato, porém não a avaliação da sua significância e os reflexos sobre a mobilidade. Por outro lado, isso ocorre com os seguidores e não com os decisores.

Os seguidores não determinam o local de geração de postos de trabalho. Vão atrás de uma vaga que lhe é oferecido pelos decisores. São os empresários, os empregadores que ge…

As perspectivas da produção industrial brasileira

Diante das questões colocadas em artigo anterior, quais são as perspectivas da produção industrial brasileira?

O que se propõe aqui não á uma avaliação macro, mas uma avaliação das estratégias dos industriais ou das empresas industriais diante das novas circunstâncias do mercado.

O dado inicial é que o tamanho e a evolução - ainda que lenta - do mercado interno torna interessante a participação das empresas com produtos industriais nesse mercado.

Em primeiro lugar é preciso separar o micro e pequeno industrial que produz para suprimento local, com baixa escala e baixa tecnologia, mas está - relativamente protegido pela pequena escala e eventuais dificuldades logísticas. Tais dificuldades limitam o interesse das grandes empresas. 

Já a partir da média para a grande empresa de produtos industriais, o empresário que já conquistou mercado como seu produto associado à sua marca, pode continuar focando no produto ou na marca. O foco no produto está, fundamentalmente, associado ao preço. Ele con…

Alternativas para a indústria brasileira

A indústria brasileira - diante das transformações da economia mundial - tem três opções básicas: 

ficar voltada predominantemente (ou quase totalmente) para o mercado interno, com um pequeno volume de exportações para o Mercosul ou outro acordo regional, como com o México; integrar-se dentro das cadeias produtivas globais, produzindo peças e partes para suprimento do mercado mundial, incluindo o nacional;desenvolver-se como cadeia produtiva nacional de produtos competitivos por fatores diferenciados para suprimento mundial, o que significa exportações em grande escala.A primeira é retomar o modelo da industrialização brasileira substitutiva de importações, que se esgotou quando foi promovida a abertura da economia. Embora essa tenha ocorrido no início dos anos 90 a indústria brasileira, vinha resistindo à concorrência dos produtos importados, mas essa resistência foi esmaecendo perdendo sucessivas posições dentro do próprio mercado nacional.  Uma alternativa intermediária, que já está …

Uma nova inflexão dos industriais brasileiros

Industrial e indústria brasileira eram a mesma coisa. Para desenvolver a indústria brasileira e reduzir a dependência da importação de produtos industriais era preciso ter industriais brasileiros que instalassem fábricas no país.
Ainda antes dos anos cinquenta, precursores com Matarazzo, Crespi e outros começaram a produção nacional. Hoje estão apenas na história da industrialização brasileira. A família Ermirio de Moraes talvez seja um dos poucos industriais seculares.
A partir dos anos cinquenta, quando o Brasil fez um grande esforço de industrialização substituidora de importações, novos industriais emergiram, mas poucos ainda sobrevivem. Já nesse período, além dos industriais brasileiros, multinacionais vieram para produzir no país os produtos industriais por ele consumidos. A expansão do mercado interno e as barreiras de importação incentivavam esses grupos e empresas multinacionais a se instalarem no país, convivendo e concorrendo com industriais brasileiros.
Com a mundialização in…

Dilmaluf da vida

Na entrevista ao Jornal Nacional, enfrentando os inquisidores Bonner e Poeta, Dilma mostrou total profissionalismo, com absoluto controle sobre as suas emoções. Respondeu o que quis, não se abalou com as pressões da dupla, mostrando-se inteiramente disciplinada com as orientações dos seus marqueteiros, que vem, ainda que indiretamente, da formação da imagem de Paulo Maluf, o mais dos "cara de paus". Deve também ter ajudado o seu passado de guerrilheira que suportou corajosamente os interrogatórios e as torturas. O robô Dilma nem piscou. 

A questão é como os eleitores vão reagir a esse robô, sem personalidade, sem emoção, que tem as respostas gravadas e responde sempre com essas não importa o que se pergunte.

Esse robô estará constantemente nas telas de televisão a partir de hoje, com muito tempo de exposição, com o risco de saturação em pouco tempo. Para amenizar a TV irá mostrar indefectíveis imagens dela beijando criancinhas, comendo cachorro quente e outras ações que demons…

Confirmação das expectativas

O eleitorado reagiu de acordo com o esperado pelos analistas.
Marina Silva herda os votos de Eduardo Campos e soma os dos descontentes que ainda não haviam aderido a Campos. A ironia do destino é que com a sua morte e o que se seguiu, Campos se tornou conhecido e teria os votos desses descontentes. 
Ao conquistar os votos até então inválidos, Marina leva a disputa para o segundo turno e venceria Dilma. Confirmando os temores dos petistas.
Ela ganha os votos de Aécio e de todos os "anti-Dilma", no segundo turno. Já Aécio não ganha todos os votos de Marina, com muitos retornando a favor de Dilma, como ocorreu em 2010.
Neste quadro, se a eleições fossem nesse último domingo, dia 17 de agosto, sob forte comoção emocional, a disputa iria para o segundo turno, no qual Marina Silva sairia vencedora.
Mas as eleições só são em outubro e na quinta feira começa efetivamente o horário obrigatório na TV e rádio para a disputa eleitoral. O primeiro dia será de homenagens a Eduardo Campos. O se…

Os projetos para o país (continuação)

Não há projetos nacionais que definam de forma consistente os rumos para o país, mas há meio-projetos que enfatizam alguns aspectos, de forma diferenciada.

O projeto petista se baseava em três principais pilares: reduzir a desigualdade social, fortalecer o papel do Estado, como o principal mentor do desenvolvimento econõmico e de prestação de serviços, reduzir ou até extirpar a corrupção dentro do setor público.
Enquanto na oposição, combateu os governos por não cuidarem adequadamente do combate à desigualdade social, pretenderem enfraquecer o Estado, principalmente mediante a privatização de empresas estatais, entendidas como patrimônios nacionais e a prática de corrupção dentro da administração pública.
No entanto, para conquista do poder, abdicaram do terceiro pilar, associando-se a supostos corruptos. Conquistado o poder, para consolidar as suas bases políticas, ampliaram as teias da corrupção, algumas desmascaradas. O abandono desse pilar fez com que muitos companheiros se afastasse…

Os projetos para o país

Continuando a questão do legado de Eduardo Campos, o excandidato não tinha um projeto para o país, mas apenas um programa de Governo. Esse legado ficou para Marina Silva, que teve influência na sua formulação. O projeto de Marina é mais focado e consistente. Mas, por isso mesmo, mais restrito.
O projeto real de Eduardo Campos tinha suporte na sua atuação como Governador de Pernambuco. A eficácia governamental. É o mesmo ponto forte de Aécio Neves, mas que tem como contrapartida a baixa eficácia da ação pública de Fernando Henrique Cardoso. É o ponto fraco de Dilma, em contraposição à eficácia do Governo de Lula.
Lula, apesar do seu tino político, envolveu-se num erro, de graves consequências partidárias.
Ele creditou o sucesso do seu Governo à suposta competência gerencial de Dilma. O povo acreditou e a elegeu.
A decantada competência gerencial de Dilma, resultou num Governo ineficiente, ainda que eficácia herdada dos Governos Lula. O único programa próprio de Dilma, o Mais Médicos, apesa…

A falta do herdeiro

Com a trágica morte de Eduardo Campos, ainda sob grande impacto emocional, discute-se o seu legado, mas pouco se apresenta os seus herdeiros. 
Marina Silva é a herdeira da candidatura à Presidência em 2014, compromete-se a executar o programa da coligação, o que não é apenas uma parte pequena e de curto prazo do seu legado.
Marina Silva, mesmo que conquiste a Presidência dificilmente conseguirá fazer o que Eduardo Campos poderia fazer. E se não ganhar agora, poderá ser menos competitiva em 2018.

O ativo de Eduardo Campos, que se perde com a sua morte, tem características muito pessoais, que foi construido e desenvolvido ao longo de mais de dez anos.

Uma das principais característica é um governo, realizado com competência administrativa e com pactos entre os diversos agentes, buscando sempre o consenso, com muita paciência.

Na prática ele usado o método japonês de gestão, com amplo processo participativo de discussões, trabalhando com os dissensos, e a tomada de decisão que tinha o apoio u…