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Um plano anticarro

O novo Plano Diretor para São Paulo ora sancionado pelo Prefeito é marcado por uma ideologia anticarro.

Como um dos pilares da nova lei se pretende que as pessoas morem, trabalhem e façam compras em locais próximos, locomevendo-se a pé ou de bicicleta. 


Essa foi escolhida pelo Prefeito como o principal meio de transporte que a população deve - no entender dele - usar e para isso se propõe, adicionalmente, a tirar vagas para carros na via pública, para implantar ciclovias.


As pessoas que moram e trabalham em distâncias maiores devem usar os transportes coletivos, seja o ônibus, o metrô ou o trem. Devem morar próximos a esses meios de transporte e deixar de ter carro.


Para isso a Prefeitura estabeleceu os chamados Eixos de Estruturação da Transformação Urbana, que compreendem áreas a uma distância de 400 metros das estações do metrô, trem, monotrilho, VLT ou VLP ou a 150 m do eixo dos corredores de ônibus na faixa esquerda. Não abange, pois, as chamadas faixas exclusiva à direita da via.  Quando uma quadra for alcançada pelos raios determinados em parte, toda quadra será incluida no Eixo.


Nesses eixos será permitido um volume de construção maior, até 4 vezes de área computável. Algumas ocupações são consideradas áreas não computáveis, como lojas e uma vaga de estacionamento por apartamento, com o máximo de 80 m2. As vagas adicionais, mesmo que no subsolo, que ultrapassem esses limites (um por apartamento até 80 m2) serão consideradas como áreas computáveis, para efeito do coeficiente de aproveitamento. Significa que para ter mais vagas o empreendimento deverá sacrificar áreas internas dos apartamentos ou o volume total de unidades. Isso, provavelmente, irá encarecer o custo do apartamento.


Por outro lado a nova lei permite a construção de novos apartamentos sem a exigência de vaga mínima.


Através dessa regulação o Poder Publico Municipal quer impor ao cidadão paulistano um padrão de moradia supostamente novayoquina ou tokiana com as pessoas morando em microapartamentos compactos, a partir de 19 m2, sem ter carro e as famílias morando em apartamentos de até 80 m2, com um só carro.  


Embora essas regras tenham sido estabelecidas para os Eixos de Estruturação da Transformação Urbana acabam valendo para toda a cidade, pois não foram estabelecidas regras específicas para as demais áreas e as atuais foram revogadas.


Comentários

  1. A pergunta é: vai dar certo? Quer dizer, o paulistano que se inspira em Miami e construiu uma cidade horizontalizada, na qual o carro é essencial para o deslocamento, vai "engolir a seco" essa história de cidade para os pedestres e bicicletas, sendo que todas as vezes em que São Paulo adotou esse tipo de postura os remediados (e a classe baixa) "migraram" para "áreas de segurança, onde podiam viver sua vida a base de carros e casas fechadas para a rua?

    Particularmente, duvido. Mas, como posso dizer, sonhar não custa.

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