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Os eleitores diante da morte de Eduardo Campos

O que vai acontecer nas eleições de 2014 com a morte de Eduardo Campos?
O fundamental é entender o comportamento dos eleitores, levando em conta, três categorias básicas: os que não deixarão de votar em Dilma; os que não deixarão de votar em Aécio e os ainda indecisos.
Esses podem ser desdobrados entre: os que pensavam ou imaginavam votar em um dos candidatos atuais, respondendo a favor dele nas pesquisas; os que ainda não haviam decidido e os que estavam dispostos a não votar em nenhum deles.
Para os primeiros o programa obrigatório não irá alterar o seu voto. Com o programa, só serão reforçadas as convicções e os discursos na tentativa de convencer os não convictos.
A terceira categoria será influenciada pelos programas, onde cada candidato tentará superar a descrença do eleitor, em relação a ele.
Dilma é a que tem menor espaço para conquista dos indecisos. Para ela é fundamental não perder os que já declaram voto a seu favor, mas podem mudar. São relativamente poucos, mas suficiente para mudar o resultado das eleições.
Aécio também não pode perder votos no primeiro turno. O que ele espera e precisa é que o terceiro candidato tenha votos suficientes para levar a eleição para o segundo turno, mas não o supere. Para ele o melhor seria um crescimento dos nanicos, ampliando o volume de votos válidos, impedindo que Dilma, com 38% do total consiga superar os 50% de votos válidos. Já para um eventual segundo turno ele precisaria ganhar muitos votos. 

Fora Pernambuco o principal eleitorado de Eduardo Campos era dos jovens de classe média das grandes cidades que tem Marina Silva como a personificação dos seus ideais (um ícone, no sentido figurado). Aos poucos Campos vinha incorporando esses ideais, mas ainda sem a convicção necessária para a conquista desse eleitorado. Não bastava o aval de Marina Silva. Era preciso que ele próprio incorporasse esses valores. E procurava fazê-lo dentro de um espírito conciliador, reduzindo os confrontos e eliminando os radicalismos.
Nesse processo precisava também trazer Marina Silva para posições menos radicais, não apenas por pragmatismo. Mas por reavaliação de posições e mesmo de convicções. Aparentemente vinha sendo bem sucedido nessa ação, usando todo seu poder de sedução.

Com a sua morte o mais provável será a sua substituição por Marina Silva. Não como condição natural, mas por pragmatismo. 

Lula e o PT tentarão, com todas as suas forças, buscando dirigentes do PSB, incomodados com Marina Silva, para que o PSB e seus coligados saiam da disputa e apoiem a eleição de Dilma, oferecendo participação no próximo Governo, como o tiveram anteriormente, inclusive com Eduardo Campos, como Ministro.
Para o PSB, no entanto, é uma oportunidade de não ficar caudatário do PT, como ocorre com os demais partidos da base aliada do Governo. Sabe que poderá participar, mas ficando com migalhas, diante do apetite do PT em abocanhar todos os espaços. Os outros partidos não tem um candidato competitivo. O PSB tinha. 
O legado de Eduardo Campos é o fortalecimento do partido com a possibilidade de investir numa nova liderança do partido, com a sua designação para a Vice-Presidência e ampliar a sua base parlamentar. Esse nome não é Marina Silva, tampouco nenhum marinista. 

A indicação de Marina Silva para substituir Eduardo Campos seria uma forma de dar continuidade ao projeto de renovação de valores.

Que valores são esses e como se posicionam os candidatos diante deles?

Não é a mesma pauta prioritária da mídia.

Vamos tratar amanhã desses.

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