Mostrando postagens com marcador Crise econômica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise econômica. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Petrobras - retomada militar

 A Petrobrás, desde sua criação, sempre foi vista pelo Exército, com o apoio das demais armas, como estratégica do ponto de vista da segurança e da soberania nacional.

O Brasil precisava ter o controle da disponibilidade de combustíveis para abastecer os seus tanques, aviões e outros equipamentos bélicos. Não poderia ficar na dependência de terceiros países. Esses poderiam, um dia, se tornar inimigos ou associados dos inimigos. 

Na América do Sul, os países vizinhos sempre foram dominados por ditaduras de direita. A Venezuela, com Hugo Chavez quebrou essa hegemonia conservadora e outros países a seguiram. O Brasil, desde a primeira eleição de Fernando Henrique caminhou na direção do centro esquerda, com o PT avançando no rumo extremo, mas com visões distintas sobre a Petrobras.

FHC reduziu a importância estratégica de soberania da Petrobras, iniciando o processo de internacionalização da empresa e fundamental instrumento para a captação de recursos externos para investimentos no Brasil.

A Argentina, vista sempre como um inimigo bélico potencial, teve uma inflexão com Macri, mas que pouco durou, com o retorno do peronismo. O Brasil, com a eleição de Bolsonaro, assumiu uma declarada posição de direita,  liberal na economia e conservador nos costumes.

Com o restabelecimento da democracia, após 22 anos de regime militar, o comando da Petrobras passou para os civis, funcionando como um braço operacional das políticas governamentais. 

Dado o relevante peso dos combustíveis no custo de vida, sempre foi usado, circunstancialmente, para conter a inflação.

Com o governo petista e Dilma Rousseff, como a suposta competente técnica nas questões de energia, sob apoio do Presidente Lula, assumiu o controle da Petrobrás e com os sucessivos "mal feitos" quase a quebrou.

Paulo Guedes retomou a visão da Petrobras, como instrumento de captação de recursos internacionais, dentro de uma visão liberal. Para isso, ainda na fase de formação do governo, puxou para si, o comando da Petrobras, indicando seu colega da linha liberal,  Roberto Castelo Branco, antes que a área militar ou política apresentassem o seu candidato.

Castelo Branco buscou a implantação de uma gestão voltada para resultados econômicos, privilegiando o interesse dos investidores. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Tudo muito simples

 A Ford Motors Co tem unidades de montagem e produção de auto-peças, tanto no Brasil, como na Argentina, instlando a sua cadeia produtiva, regional e não nacionalmente.

Os carros de entrada, montados no Brasil são vendidos na Argentina, como nacionais, tanto quanto o Focus, comprados pelos brasileiros, como produto nacional, é montado na Argentina.

A Argentina tem uma economia dolarizada, o que significa que quando o Brasil importa da Argentina, paga com um dólar acima de R$ 5,00, apenas com vantagens tarifárias em relação a uma compra dos EUA.

Com a globlização e mundialização das cadeia produtivas, todos os carros montados, em qualquer país, tem um baixo índice de nacionalização. Todos os países se especializam em alguma das partes, onde são mais competitivos e importam dos demais o que é mais vantajoso. 

A Ford do Brasil, como as demais montadoras aqui instaladas, fazem grandes importações e os custos dos seus carros estão sujeitos às variações cambiais.

Com a sua produção voltada quase totalmente para o mercado interno, o preço precisa subir enquanto a renda ou remuneração do potencial comprador fica estável.

Para não elevar demasiadamente os preços, o que afetaria o nível de venda, a empresa absorve a diferença, como prejuizo tolerável e temporário.

Quando a variação é excessiva ou excessivamente demorada o prejuizo se torna intoleravel e a empresa prefere parar a produção e deixar de vender do que continuar absorvendo os prejuizos. É uma das razões da Ford, para o fechamento das suas fábricas no Brasil.

Mas por que mante a produção na Argentina? Porque ela vende no equivalente ao dolar e a renda dos compradores também. As variações são relativamente menores, os prejuizos mais toleráveis.

Simpes assim.

A solução está na dolarização da economia? Não

A solução é evidente e está sendo praticada pelo agronegócio. Aumentar as exportações. 

A conformação produtiva e comecial do agronegócio faz com que os seus negócios sejam dolarizados. Mas tem impactos internos quando produtos de exportação são vendidos também no mercado interno.É o caso da carne.

Mas não é o caso do arroz e do feijão em que os aumentos são dos aproveitadores, que nem importam, tampouco exportam. 

Mais simples ainda.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Uma inflação clássica

  Com uma prolongada estagnação da economia, após uma recessão, mantendo um elevado nível de desemprego, o desequilíbrio entre uma oferta ampliada para atender a uma recuperação da macroeconomia e uma demanda reprimida provocou a desinflação dos preços.

O Brasil chegou a uma estabilidade monetária, não obstante um acentuada elevação cambial, decorrente da movimentação de capitais, com o exterior, acentuada pelas ações especulativas do mercado.

Com a pandemia do coronavirus SARS-COV 2, retendo as pessoas em casa, a demanda geral foi contida, com exceção dos gastos básicos com a alimentação, suprida - em grande parte - pelas entregas a domicilio, ou compras locais, sem problemas maiores de abastecimento e impacto nos preços. A produção agropecuária brasileira era suficiente para atender ao mercado interno e ainda exportar.

Um primeiro grande impacto ocorreu ainda no final de 2019, quando a China, começou a recompor ou seus estoques, importando mais carnes bovinas e suínas, principalmente do Brasil, provocando um substancial aumento dos preços internos. Na sequência os preços refluiram, mas não inteiramente. 

A concessão de um auxílio emergencial no valor de R$ 600,00 a  cerca de 80 milhões de pessoas, com uma injeção de mais de 100 bilhões de reais para o mercado da pobreza gerou uma inflação  nos preços dos alimentos básicos, movidos pelas ações dos produtores e comerciantes para recuperação dos seus preços, contidos durante a recessão e estagnação. Como sempre, acentuada pelos movimentos especulativos.

Colocaram a culpa nas exportações e essa narrativa tem sido aceita para enfatizar os efeitos benéficos do auxílio-emergencial e mascarar os danos colaterais. 

O fato real é que parta do auxílio-emergencial foi "comido" pelos aumentos de preços, notadamente no arroz, feijão - que não tem grandes volumes de exportação - e nas carnes e agora no óleo de soja - que sofrem o impacto das exportações.

O arroz e o feijão podem ser importados, mas com o "dólar nas alturas", os preços continuarão elevados. As reduções só ocorrerão com as novas safras.

Com a nova onda do coronavirus na Europa e a eventual vitória de Biden, nos EUA, gerando  a expectativa de retomada comercial com a China, as exportações brasileiras não seguirão o mesmo ritmo de 2020, gerando estoques, em alguns produtos que serão "desovados" no mercado interno a preços promocionais.

Internamente, não há condições fiscais de sustentar o mesmo volume de auxílios à população mais pobre, a menos que o Governo mude a sua posição de proteger os rendimentos e ativos dos mais ricos, considerados essenciais para os investimentos.

Tais acontecimentos atuais irão se refletir na contenção da inflação de alimentos, já no início de 2021.

Mas o processo inflacionário disparado pela inflação dos alimentos, diante da retomada geral das atividades econômicas poderá recrudescer em 2021.

sábado, 3 de outubro de 2020

O Novo Normal do Comércio

  O comércio já vinha processando mudanças, antes mesmo da pandemia, a qual ampliou e acelerou o processo.

A principal mudança foi a substituição das vendas presenciais, atendidas por vendedores em lojas, pelas vendas pela internet.

Na fase pré-pandemia, emergiram start-ups que viralizaram, com vendas pela internet, com amplo domínio de empresas asiáticas, oferecendo preços mais baixos.

Algumas rede de lojas montaram o seu próprio aplicativo, como meio alternativo às vendas presenciais, como o grupo controlador das Lojas Americanas que criou o B2W, incorporando o aplicativo Submarino. Foi a melhor sucedida em termos de expansão, embora amargasse prejuizos durante muito tempo.

Outras tentaram mas parte desistiu, congelando os projetos.

O modelo melhor sucedido, prévio à pandemia foi o market place das Magazine Luiza, oferecendo uma ampla gama de produtos, entregues por lojas menores. Outros seguiram o mesmo modelo, sem o mesmo sucesso operacional e de imagem.

A pandemia provocou diversas mudanças:

  • a ampliação das vendas pela internet das principais redes de supermercados, assim como de lojas de shopping center, substituindo a ida às lojas, pela escolha pela internet e entrega em casa;
  • a maior participação de fabricantes, no market-place, com a venda direta dos seus produtos ao consumidor.
A primeira mudança tende a refluir com a volta da "normalidade", com mais consumidores às lojas, convivendo com as vendas pela internet. 
O volume das vendas presenciais deverá cair, refletindo-se no nível de emprego de vendedores de lojas, assim como de caixas, as principais ocupações nas "linhas de frente". Os funcionários de escritório serão menos afetados pela redução da vendas presenciais, mas serão afetados para mais ou para menos, em função das tecnologias. Os repositores também serão afetados, mas com mudanças da forma de trabalho: não será mais do recebimento do produtor para as gôndolas, prateleiras ou "araras", mas as transferências para as caixas individuais dos compradores pela internet para o despacho. As operações de menor porte serão artesanais. As de maior porte, com ampla automação e suporte tecnológico.

Já as vendas diretas dos produtores aos consumidores tenderão a crescer, provocando grandes mudanças nos processos, com impacto sobre a qualidade e quantidade de empregos.

Os empregos tradicionais do comércio presencial, tenderão a diminuir, com o menor volume de pessoas nas lojas e nas transações. De outro, as estruturas comerciais dos produtores precisarão ser ampliadas, com trabalhadores com novas aptidões tecnológicas, para atender às vendas digitais.

Essas mudanças que conformarão o novo normal do comércio e dos comerciários ainda não estão nas agendas das empresas, com poucas exceções, assim como dos sindicatos dos comerciantes e dos comerciários. 

Qualquer política ou ações para revitalização do mercado de trabalho não poderá deixar de considerar as mudanças que estão ou irão ocorrer na cadeia produtiva com maior volume de contingente de trabalhadores formais. 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

"A troco do que"?

A tempestade gerada pela conjugação de crises, fez com que muitos empresários deixassem de cuidar exclusivamente dos seus negócios e da preocupação com os retornos econômicos, para se engajar em movimentos de solidariedade, assim como de manifestações políticas (ou sobre políticas públicas), voltando-se também para a cidadania.
Dentro da lógica econômica, que está sempre presente nas ações dos empresários, quais são os retornos esperados ou desejados.
Nas ações de solidariedade, através de doações, existem tanto uma ação efetivamente humanitária de solidariedade com quem não tem recursos suficientes para atender às suas necessidades básicas, como a alimentação, ou tratamento de doenças e o retorno é emocional. Segundo o dito popular: "ficar com a alma lavada".
Mas há também uma visão religiosa, que sempre foi explorada pelas igrejas: espiar alguma culpa, perante Deus: "quem dá aos pobres, empresta a Deus". Como é empréstimo, esperam por um devido retorno. 
Em alguns casos, as doações buscaram melhorar uma imagem desgastada da empresa, por ações anteriores reprovadas pela sociedade. As grandes e pioneiras doações da Vale, para a importação de testes e respiradores, se não teve aquela intenção, foi percebida como tal e teria melhorada a sua imagem, reiterada por sucessivas propagandas.

Já em relação à mobilização política, o retorno não é sentimental ou religioso, mas ambiental ou circunstancial (no sentido sociológico). Significa interferir nas circunstâncias em que a pessoa vive, ou em outros termos, nas circunstâncias brasileiras.
Parte de uma visão de que o Brasil vai mal e é preciso fazer alguma coisa. 
Contrapõe-se ao escapismo: se a situação no Brasil está ruim, para alguns a saida está no Aeroporto: migram para outros países, na esperança de uma vida mais segura, melhor.
Outros empresários preferem permanecer no Brasil, no comando de suas empresas e negócios e parte deles se encaminham para uma ação política não partidária, tampouco eleitoral, preferindo-se unir em movimentos ou apoiando manifestações coletivas escritas.
O tema inicial que levou à manifestações públicas mais amplas de empresários foi a defesa da democracia, associando-se a iniciativas de artistas, intelectuais,  juristas e outros, diante de uma movimentação de grupos radicais, com apoio  do Presidente da República, pelo fechamento de instituições e poderes. 
As manifestações dos pró-democracia inibiram os movimentos anti-democráticos, Bolsonaro desistiu de apoiar esses movimentos e levou também à desmobilização dos pró-democracia. Poucos empresários "de peso" participaram das manifestações, mesmo para a simples assinatura de apoio. 
Que retorno buscavam os empresários pró-democracia e o que obtiveram de retorno efetivo? Ou tiveram perdas, por retaliação dos movimentos antidemocráticos ou do próprio Governo?
Por outro lado, qual o retorno esperado e obtido por empresários apoiadores dos movimentos antidemocráticos ou de ações radicais de apoio ao Governo? Alguns sofreram ou teriam sofrido boicotes por parte de consumidores e se recolheram. Mas a pergunta fica no ar? Qual o retorno? De que dimensões?

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Rumos altermativos para o Brasil

Rodrigo Maia é mais uma das lideranças políticas a reclamar da falta de rumo do Brasil.
Rumo não é como se safar da tempestade, mas definir uma direção por onde ir para alcançar os objetivos de um desenvolvimento do país, em todos os sentidos e melhorar a vida de todos os brasileiros.
Esse rumo deve se basear no que o Brasil tem de melhor dentro do cenário mundial. 
Acima de tudo é preciso ser realista, sem abandonar as utopias do que gostaríamos de ser.
A principal força do Brasil, hoje, como nos próximos anos, é a sua agropecuária, com uma grande produção de insumos necessários para alimentar ao continuado crescimento da população mundial. O Brasil é e será fundamental para a segurança alimentar da humanidade.
Esse é o rumo que o mundo oferece para o Brasil. 
O Brasil poderá fazer dessa oportunidade a principal base para o seu desenvolvimento ou insistir em outros rumos, menos promissores.
Quais são esses outros rumos?
O mais concreto é a revitalização do rumo que a economia brasileira vem seguindo desde os anos 30 de industrialização, voltada para o seu mercado interno. Esse caminho proporcionou a formação de um grande parque industrial, o desenvolvimento econômico, mas o financiamento desse modelo baseado em recursos do Estado, complementado por financiamentos externos ao Governo, não só se esgotou como deixou legados altamente negativos, no campo social e uma absoluta perda de vitalidade para a retomada de um crescimento econômico vigoroso. 
A opção da sociedade brasileira, em 2018, foi pela não continuidade desse modelo de financiamento, preferindo a alternativa liberal e privatista, mas para a revitalização do mesmo rumo. Ou seja, a mudança do equipamento mas para continuar no mesmo rumo, sem colocar em discussão o mesma. Os debates se situam em torno das reformas, mas dentro da perspectiva de que essas poderão revitalizar a economia, para seguir o mesmo rumo, de base industrial e voltado para o imenso mercado interno brasileiro, ainda com um grande potencial de crescimento.
Outro rumo é colocar o Brasil na rota da revolução ou da economia 4.0, baseada na introdução das novas tecnologias.
Esse rumo envolve duas vertentes: um de equipar as atividades já desenvolvidas com as modernas tecnologias e promover as inovações.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Novo modelo de negocio para o Brasil

Diante da ampliação da capacidade de atendimento dos doentes com a COVID-19, os Governos Estaduais e Municipais estão flexibilizando as restrições, assumindo os riscos de aumento da contaminação. Também das mortes, mas com menor grau de letalidade.
Perceberam a inviabilidade de manter os isolamentos mais amplos e rígidos, por muito tempo, assumindo as mortes como "danos colaterais" de uma guerra. 
A economia deverá voltar a funcionar mas não com o mesmo normal, anterior à pandemia.
Houve a aceleração nas mudanças que estavam em curso, principalmente o "home-office". Novas práticas de funcionamento de bares, restaurantes, cinemas, lojas, shopping centers serão permanentes. As indústrias, assim como estabelecimento de serviços terão que adotar medidas preventivas mais rígidas. 
Mas tudo dentro do mesmo modelo de negócio do Brasil, o que projeta uma evolução da economia baixa, com pequenas variações em torno da estagnação, ou seja, crescimento zero.
A principal mudança trazida ou promovida pela crise foi a "descoberta" pela sociedade organizada e pelas autoridades econômicas, da pobreza, como um fato real e não apenas estatístico, caracterizado como "informal".

Estariam fora do mercado e a sua inserção no mercado, através de renda transferida pelo Estado, ampliada pelo multiplicador de renda, poderia gerar um PIB adicional, promovendo uma revitalização do falido modelo econômico brasileiro.
As tentativas infrutíferas de Paulo Guedes, apesar do poder que lhe foi atribuido, em revitalizar a economia, mediante os padrões liberais, substituindo o papel promotor do Estado, tem sido sucessivamente anuladas pelas questões ambientais e outras. 
Paulo Guedes terá que repensar o modelo de negócio do Brasil e não apenas tentar revitalizar um modelo falido, com injeções de liberalismo.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Perdidos no meio do dia

Acompanhando uma webinar sobre os desafios da retomada do setor de comércio varejista, envolvendo administradores de shopping centers, franqueadores, lojistas, representante dos comerciários, vereadores da Capital e outros, fica evidente que os empresários estão perdidos, por não conseguirem ou não quererem entender o que está ocorrendo. Reclamam das medidas restritivas adotadas pelas Prefeituras e Governos Estaduais, das limitações de horários e da instabilidade das decisões, com o "abre-fecha", apesar das autoridades, dizendo que não entendem as estratégias e decisões dos Governos, embora esses deixarem claras as suas razões, prioritariamente de ordem sanitária. 
Diferentemente dos habituais preconceitos que os empresários tem dos políticos, o comando das suas decisões não são predominantemente de cunho eleitoral, mas orientados pelos sanitaristas que dominaram inteiramente a cena. Com esse domínio sobre o imaginário popular, evidentemente, tem impactos eleitorais. 

Essa visão preconceituosa de que os políticos só são movidos pelo interesse eleitoral, obscurece a percepção dos cenários futuros e a adequada orientação dos seus negócios.

As contestações às políticas sanitárias, demonstrando que estão equivocadas, gerando danos colaterais na economia, desnecessárias não tem o suficiente respaldo científico ou técnicas, mais simples. Na falta de argumentos técnicos sólidos, apelam para notícias falsas ou distorcidas, publicadas na mídia internacional ou nas redes sociais, interpretações distorcidas dos números oficiais de mortes e supostas realidades que estariam sendo escamoteadas. Como a de que os leitos dos hospitais estão vazios, que a ociosidade em UTIs, estão, em alguns casos, em até 90%, ainda que não comprovados. Seguem  ou alimentam o discurso do Presidente de invadir os hospitais para comprovar a ociosidade, alegando que os sistemas de saúde estão escondendo a verdade.
Afirmam com grande ênfase e convicção, para convencer os demais, o que conseguem em parte.
Adotaram o lema, mantra ou afirmação de que desemprego também mata. O que não tem comprovação estatística, tampouco sanitária. 
O Brasil convive, desde 2015 com um volume de desempregados acima de 10 milhões de trabalhadores. Qual é o índice de mortalidade desses desempregados? 
A suposição da afirmação é que sem emprego, o trabalhador fica sem renda, sem renda não tem como se alimentar e sem se alimentar irá morrer desnutrido, com fome. Admitindo que a lógica é correta, será necessário levantar os dados do Ministério da Saúde e dos cartórios de registros, para saber quantos morreram em 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019, por desnutrição, para avaliar - ainda que imprecisamente - o grau de letalidade do desemprego.
Na prática, a maior parte dos empresários não aceita que as políticas governamentais estaduais e municipais sejam comandadas pela influência dos sanitaristas.
É um negativismo que leva à incompreensão do que está ocorrendo e assumir uma visão de incerteza com relação ao futuro. 
Incerteza é a certeza de que vai ocorrer o que não quemos

terça-feira, 26 de maio de 2020

Bolsonaro e a economia

Jair Bolsonaro não entende, nem quer entender de economia, políticas econômicas, impactos das decisões e ações governamentais na economia, etc. delegando essas decisões e ações quase que inteiramente ao seu Ministro da Economia e parceiro indissolúvel - em função dos seus propósitos - Paulo Guedes. Tem grande afinidade de visão, estruturado em torno da economia liberal. Embora por razões distintas. 
Delega com poucas restrições: interferir na nomeação ou demissão de auxiliares condenados pela "sua turma", sendo o de Marcos Cintra, o mais evidente e atender aos pleitos também da "sua turma", principalmente dos servidores públicos, cujos interesses sempre representou ao longo de toda a sua carreira profissional. Para Guedes esses são os anéis que entrega para salvar os dedos e tudo o mais. 
As suas posições radicais em relação ao combate ao coronavirus, privilegiando o funcionamento da economia, mesmo gerando milhares de mortos, que ele considera danos coleterais, inevitáveis em qualquer guerra, não decorre de fundamentos teóricos da economia, nem das proposições de Paulo Guedes, mas da inspiração do seu mentor explícito, Donald Trump. Mesmo esse tendo abrandado as suas posições, Bolsonaro mantém o radicalismo, por razões pessoais: a necessidade de combater os seus inimigos internos, os Governadores, principalmente os que vê como seus concorrentes em 2022.
A manutenção desse conflito prolonga o tempo de guerra, da paralisia da economia e dos impactos negativos da imagem internacional do Brasil, seja junto aos Governantes dos países mais desenvolvidos - os quais para Bolsonaro são todos inimigos do Brasil - como dos consumidores que querem boicotar produtos oriundos da Amazônia e, principalmente, dos investidores que relutam em aplicar os seus recursos no Brasil.
Sem esses recursos, será difícil concretizar o programa de privatização, desejado por Paulo Guedes, o seu principal pilar para a retomada do funcionamento da economia e do seu crescimento.
Mas Paulo Guedes mantém uma perspectiva otimista, "panglossiana" acreditando que a epidemia será contida antes do final do ano - por razões naturais - que poderá ocorrer a retomada ainda em 2020. 
Está absolutamente convencido, em função das suas idiossincrasias e obsessões, de que em 2021, o Congresso aprovará as reformas estruturais essenciais, como a reforma tributária e a administrativa e que isso fará restabelecer a confiança dos investidores externos. Com isso será possível concretizar as principais privatizações, cujos estudos e trâmites prévios, continuam em andamento. Ainda em 2020 começará a lançar os editais, sendo que alguns poderão se concretizar em 2021, outros ainda no primeiro semestre de 2022. 
Com um ambiente generalizado da economia, retomada da confiança dos agentes econômico e alguns indicadores macroeconômico positivos, tem fé de que o eleitorado brasileiro reelegerá  Jair Bolsonaro e ele, Guedes, terá mais 4 anos para completar a sua pauta liberal e consolidar até 2026, o Brasil, como uma economia liberal.
Com essa visão otimista, não alerta, tampouco pressiona o Presidente, para abrandar o seu radicalismo, dentro da perspectiva de abreviar a reabertura da economia.
Está convicto de que não é necessário, deixando Bolsonaro "livre e solto", na sua guerra contra o isolamento social, imposto pelos seus inimigos Governadores.


quinta-feira, 21 de maio de 2020

Darwinismo?

Diante da crise o Governo tem duas opções básicas: tentar salvar todo o mundo, com fundamento na solidariedade ou adotar o "darwinismo": salvar apenas os mais aptos e deixar os mais fracos sucumbirem. 
A opção brasileira, embora não explicitada claramente, é pelo darwinismo. Seja na dimensão sanitária, como econômica.
Isso significa que muitas pessoas irão morrer, sem o devido atendimento, ou tratamentos inadequados. A opção do Presidente tem sido o de reabertura da economia, assumindo que as mortes são danos colaterais que fazem parte de qualquer guerra.
Na dimensão econômica a posição darwinista é mais clara, embora disfarçada em economia liberal. 

(cont)

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Investimentos para a retomada

Para  retomada do desenvolvimento da economia, uma das soluções mais usuais pela realização de investimentos, tendo em vista as medidas de recuperação da economia mundial, no após 2ª Guerra Mundial.
As "condições de contorno", no final dos anos quarenta e início dos anos cinquenta, do século passado, eram totalmente diferentes das atuais. O EUA participaram da guerra nos territórios inimigos, sofrendo pouca destruição física, exceto em Pearl Habor, no Hawai, muito distante do continente. Ao contrário, seu economia enriqueceu, com os fornecimentos de armamentos para os aliados.
Contava com reservas financeiras para poder ajudar a reconstrução dos paises devastados fisica e economicamente. Tinha a oferecer mais: o seu imenso mercado de consumo. 
Patrocinou dois grandes planos de recuperação econômica: um bastante comentado, o Plano Marshall para a Europa Ocidental e o Plano McArthur para o Japão e Coreia do Sul. No caso do Plano Marshall o foco foi a recuperação da capacidade industrial, amplamente destruida pelos bombardeiros alemães e dos aliados (esses na Alemanha), considerando que havia uma capacidade remanescente de consumo. Os investimentos, tanto na indústria, como em infraestrutura, geraram mais empregos, movimentando a roda da economia. 
Já no Oriente, a capacidade produtiva industrial, tinha sido pouco afetada. As bombas atrômicas em Hiroshima e Nagasaki, mataram muitas pessoas, além de deixaram muitos mutilados, mas essas não afetaram os principais polos industriais. O Japão e a Coreia do Sul, tinham um volume de consumo, relativamente reduzido, por questões culturais e sua indústria estava tecnologicamente defasada. O Plano McArthur foi impor a modernização, seja de produtos como de processos, oferecendo - em contrapartida - o maior acesso ao mercado de consumo norte-americano, para produtos com menor preços que os de produção interna. A partir de produtos mais baratos e de má qualidade os japoneses foram conquistando fatias do mercado norte-americano, investiram em tecnologia - com apoio norte-americano - e acabaram se tornando fortes concorrentes, em menos de 40 anos.
O Brasil estava com o seu consumo interno enfraquecido, desde o final de 2014, seguiu com crescimento pífio e ao ser alcançado pelo coronavirus SARS-COV 2, os Governos Estaduais e Municipais - seguindo orientação internacional da área da saúde: OMS - adotaram medidas de distanciamento social  que afetaram o volume de consumo das familias, provocando uma redução sucessiva da cadeia produtiva, acompanhada por demissões ou cortes de salários que multiplicaram os efeitos negativos na economia. 

(cont)

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Um possível efeito positivo inesperado

A crise econômica brasileira não é consequência do coronavirus que só agravou uma situação que já vem desde o segundo semestre de 2014, com o sucessivo enfraquecimento do consumo nacional das familias.
Essa demanda agregada é dominada pela renda formal, dos trabalhadores com carteira assinada ou em regime estatutário (o dos funcionários públicos), complementada pelo trabalho por conta própria, na maior parte, de informais. Isto é, relações de trabalho combinadas verbalmente que, perante os registros oficiais, não aparecem. É um mercado praticamente invisível e seus integrantes, igualmente sem visiibilidade pública e nas análises técnicas.
Uma parte passou a ser captada pela PNAD, que pela sua própria natureza (amostra domiciliar) não alcança os sem domicilio, como os sem teto.
Segundo os últimos dados disponíveis (trimestre terminado em fevereiro de 2020), de uma população total de 210  milhões de habitantes, a população na força de trabalho era de 106 milhões, dos quais 93 milhões estavam ocupados e 12 milhões estariam desocupados. Os trabalhadores por conta-própria seriam 24 milhões.
As estimativas do Governo em relação ao auxílio emergencial é que mais de 40 milhões venham a recebê-lo. Considerando esses números seriam 24 bilhões por mês e 72 bilhões na vigência por três meses.
São quantidades de beneficiários maiores do que a soma dos desocupados e dos trabalhadores por conta própria. Algumas estimativas indicam volumes ainda maiores.
De toda forma estamos considerandro um valor muito superior às liberações do FGTS para os formais.
Adotada como medida de política social terá efeitos relevantes na economia, dependendo de como e onde os beneficiários irão gastar os valores recebidos.
A maior parte não tem dívidas bancárias, até por não terem contas bancárias e terão que abrir uma conta na Caixa Econômica ou no Banco do Brasil, ambas entidades estatais, para receber o auxílio. Provavelmente sacarão tudo, para gastar em dinheiro, como sempre fizeram.
As eventuais dívidas são de postergação de pagamentos nos empórios, padarias e farmácias locais, ainda dentro do tradicional regime das cadernetas. 
Liquidarão o débito e começarão uma nova folha, ou cartão. Esse mecanismo tradicional assegura as compras locais e promoverá o enriquecimento dos comerciantes. Os quais transferirão grande parte da sua receita em compras de produtos de outras regiões, principalmente de São Paulo, o maior produtor industrial de bens para consumo interno.
A sua margem poderá ser aplicada na própria região ou ser exportada para outras, seja na forma de investimento financeiro, como eventuais viagens aos centros de consumo maiores, no país ou no exterior.
Essa injeção de recursos nas comunidades mais pobres irão movimentar a economia de forma inusitada, semelhante à ocorrida na implantação do bolsa família, mas agora de forma mais ampla e robusta. 
Foi estabelecida para compensar a perda de receita dos informais, em função da retração do mercado, mas o saldo deverá ser positivo.
Seguramente haverá um grande aumento da demanda de alimentos básicos: pão, leite, arroz, feijão e farinha. Em escala menor, carnes para a mistura, frutas e legumes. Esses poderão ser de produção loal. Serão todos encontráveis nos mercadinhos locais e os comerciantes aproveitarão para colocar alimentos industrializados, material de limpeza industrializados, produtos de higiene e beleza, esses comprados de centros maiores. Medicamentos, com a movimentação de farmácias serão a segunda grande movimentação, com a maioria oriunda de produtores de outros centros. A renda local será apenas da margem do farmacéutico e pagamento de eventuais empregados, com a maior parte da receita transferida para outros centros, uma parte no exterior, mediante importações.
Provavelmente uma grande parte dessa renda do auxílio emergencial será gasta com outros prestadores de serviços locais, como os serviços de beleza, outros, todos informais.
Diferentemente da distribuição do FGTS, os gastos dos beneficiários deverão movimentar mais a economia informal do que os empregos formais.
Por outro lado, a massa salarial do emprego formal poderá cair substancialmente, em função das demissões e dos cortes de salários. 

Duas questões afloram diante dessa situação:

  • o aumento da "massa de renda" dos informais, compensará a queda da massa salarial dos formais?
  • qual será o impacto final sobre o PIB?

Pode-se supor que o auxílio emergencial, além de aportar renda ao benefíciário, aumentará o mercado dos informais, pelos gastos dos demais beneficiários. Haverá um aumento do PIB da economia informal, com a multiplicação dos efeitos. Deverá ter impacto positivo sobre o PIB, porque essa economia informal não tem sido computada nos cálculos tradicionais do PIB e só  a sua formalização - ainda que parcial - refletirá contabilmente em aumento do PIB. 
Mas dado que o auxílio emergencial  é só para três meses, a economia informal terá condições de continuar se desenvolvendo com a massa de renda e a sua multiplicação, posteriormente ao periodo do benefício?
O que será necessário para sustentar o crescimento econômico continuado dessa economia informal?
Como será, em futuro próximo, a sua integração com a economia formal?






sexta-feira, 27 de março de 2020

Apoio aos "informais"

Ontem colocamos aqui a necessidade de manutenção da renda dos empregados formais, ou celetistas, que são cerca de 45 milhões de trabalhadores ocupados.
Mas a maioria já é formada por um exército desigual de trabalhadores por conta própria, que não dependem de emprego criado por um empregador. Ele é empregado e empregador ao mesmo tempo. Alguns conseguem alta renda, com essa condição e também se formalizam como pessoas jurídicas. Mas não são aceitos como "normal". Por que não tem carteira assinada. Entram no bolo dos indesejados "informais", com alguns sendo considerados ilegais.
É um exército invisível, pouco considerado pelos analistas, considerando-os como trabalhadores de segunda categoria, sob a denominação genérica de informais.
O grande número deles na sociedade e economia brasileira é considerada uma situação inadequada, indesejada, orientando as autoridades no sentido de buscar a sua formalização, a sua transformação em empregados "com carteira assinada". Ou seja, torná-los dependentes da geração de vagas pelos empregadores.
A visão das atuais autoridades econômicas, compartilhada pelos sindicatos dos trabalhadores, é que esse enorme contingente de "informais" é uma anormalidade a ser corrigida, uma forma de precarização do trabalho  e que qualquer medida de apoio a eles ajudaria a consolidar uma situação indesejada. 
São trabalhadores que não contribuem para a previdência, mas mais à frente terão direito a benefícios. Também não contribuem para os sindicatos. 
A maior parte desses "informais" está no comércio, na prestação de serviços e é atingida em cheio pelas restrições de funcionamento das atividades e pelas recomendações para que as pessoas fiquem em casa, em função da crise sanitária do COVID-19.

Alguns analisas perceberam e levantaram que esse exército de informais seriam as primeiras vítimas da crise econômica. 
Se muitas pessoas morreriam por subnutrição, por não terem dinheiro para comprar comida, ou vítimas de outras doenças, por falta de tratamento, mais do que as alarmantes mortes de COVID-19, essas estariam predominantemente nesse grupo dos "informais". 
Os formais demitidos poderiam passar forme daqui a alguns meses, uma vez esgotados o FGTS, seguro-desemprego e outros benefícios. Essa situação poderia ser antecipada, se ficaram com os salários atrasados ou suspensos. 

Diante dessa perspectiva ou nova realidade as autoridades econômicas "perderam rumo". Não estavam preparados para reconhecer esse exército, para eles de "invisíveis". Quanto mais atendê-los. 
Uma proposta inicial, de manter os formais empregados, mas sem salários, foi revogada pelo Presidente Bolsonaro, em função da forte reação negativa.
Para atender aos informais, foi proposta um aporte mensal de R$ 200,00.
Diante da omissão ou da timidez das propostas do Executivo, o Congresso, liderado pelo Presidente da Câmara dos Deputados, resolveu assumir o comando das medidas econômicas, dentro da urgência que a situação de crise requeria.
Exigiu do Ministério da Economia a apresentação de um plano emergencial para a "guerra" contra o novo coronavirus. 
Diante da resistência desse em ampliar os recursos públicos, para preservar o equilibrio fiscal, argumentando com as restrições da lei de responsabilidade fiscal, o Congresso pressionou pela decretação da situação de calamidade pública, o que aprovou em tempo recorde, assim que o Executivo  pressionado propôs.
Em relação aos "informais", o Executivo propôs, mas sem grande empenho. Mais uma vez se posicionou como "fiz a minha parte". 
Rodrigo Maia assumiu a visão de "guerra"  e a urgência de medidas compensatórias para mitigar os danos. Propos, inicialmente, um aumento do bônus para R$ 300,00 mensais, mas a partir das negociações com as lideranças partidárias, fechou um acordo para elevar para R$ 500,00. No meio da votação, já em plenário, o Executivo levou uma proposta de aumento para R$ 600,00, o que foi aprovado. Foi encaminhado ao Senado, dentro de um acordo partidário para a sua aprovação, sem alterações, podendo - de imediato - ser levado à sanção do Presidente. 
Por ocasião da sanção, o Presidente Bolsonaro deverá promover uma cerimônia, com um discurso de apropriação de autoria da medida. Poderá até agradecer a Rodrigo Maia e ao Congresso, dentro da tradicional colocação: "fui eu que fiz". 
Mas não terá como esconder um papel secundário e a mídia repercutirá mais a fala de Rodrigo Maia, nas entrevistas logo após a cerimônia, restabelecendo o protagonismo do legislativo.
O Congresso tão mal avaliado pela população, em função das suas ações miudas e da sistemática campanha de Bolsonaro contra ele, ganhará maior respeitabilidade popular, emergindo como a principal liderança institucional na guerra contra o COVID-19. 
O que o Executivo reluta fazer o Legislativo tomará a dianteira. 





quinta-feira, 26 de março de 2020

Financiar diretamente o consumidor



O principal motor da economia brasileira é o consumo das famílias (segundo a nomenclatura das contas nacionais).
Esse consumo é feito – predominantemente – pelos trabalhadores que recebem os seus salários e o gastam em comida, em remédios, em roupas, em calçados e outros bens de consumo. Ainda pagam o plano de saúde, prestações da compra do automóvel, dos eletrodomésticos, telefone celular e outros bens duráveis. Pode estar pagando aluguel ou prestação da habitação em que moram. Na casa tem as contas de luz, água, gás e, para alguns, a TV paga, Netflix e outros.
Com filhos tem ainda encargos com as mensalidades, quando em escola privada, material escolar e transportes. Tem gastos com a condução, que quando empregados, pode ser parcial ou totalmente pagos pelo empregador.
Os que tem animal em casa, tem gastos com rações e com o pet-shop.
Gasta ainda, com vários serviços como a academia, a cabelereira e outros.
Acima de tudo, não está Deus, mas os impostos a pagar.
Numa eventual suspensão de recebimento de salários, podem postergar ou renegociar as dívidas, mas não podem deixar de gastar em comida, remédios e condução.
Quando estabelecida a quarentena, com o fechamento de lojas, exceto os essenciais, fica em casa, consome menos, embora vá ter aumento da conta da luz, da água, de telefone e gás. O seu salário pode durar um pouco mais. Mas ao deixar de comprar roupas, de ir à academia ou à cabelereira, reduz a receita desses estabelecimentos que podem ficar sem dinheiro para pagar os empregados. A primeira tendência do empregador é colocar em férias ou demitir.
Gera uma corrente de redução das atividades produtivas, sucedida por demissões, importando numa redução do consumo, provocando um circuito negativo. A sequência dos circuitos leva a um redução da demanda agregada, que vai se refletir no PIB, de forma negativa.
Para conter ou mudar o sentido do circuito negativo, em função das pressões empresariais, as medidas governamentais são orientadas para auxiliar as empresas, na suposição de que elas vão manter a produção, os empregos e continuar pagando os salários, com os auxílios governamentais. Isso ocorre, num primeiro momento, até porque a maioria dos empregados recebeu os salário do período anterior às restrições. Está gastando menos, porque confinado, exceto os amedrontados que fizeram compras mais que o necessário. Alguns estão guardando para voltar a comprar, assim que as coisas se normalizarem. Ou para aguentar um período sem receber.
Numa eventual continuidade de redução da produção, com maiores demissões, a redução da massa salarial e fonte de renda para consumo, o circuito negativo se encorpa. Sem perspectiva de demanda não adianta financiar as empresas produtoras, porque elas não vão produzir. Não é função, nem vocação da indústria de produzir para estoque. A menos que vejam perspectiva de demanda próxima e precisam fazer estoque para atender.
O maior obstáculo é Paulo Guedes e sua equipe que só pensam em atender as empresas e os investidores, desprezando inteiramente os trabalhadores aos quais debitam a responsabilidade pelas crises econômica. A visão das autoridades econômicas não é ajuda-los mas puní-los, como pretendeu fazer com a primeira Medida Provisória, com o pacote de ajuda.
Não basta a solução para os formais que representam um contingente da ordem de 45 milhões de trabalhadores. Quantidade igual é de informais e ainda existe um grande parte de desocupados.
EUA e Reino Unido já anunciaram um programa de apoio trabalhadores, tanto formais como os informais.  
Com as decisões do mestre Trump é possível que Jair Bolsonaro mande Paulo Guedes, seguir o mesmo caminho. Para isso poderá contar com a boa vontade do Congresso.

quarta-feira, 25 de março de 2020

"A nossa turma continua firme"


Animado pelo resultado da pesquisa de opinião realizada pelo Datafolha e estimulado pelo grupo ideológico, liderado pelos seus filhos, Jair Bolsonaro voltou novamente de lado, deixando de lado o tom conciliador e colaborativo, adotado no dia 23 de março em reunião com os governadores do norte e nordeste, para reiterar, em pronunciamento, na noite de ontem, a tese da histeria e opondo-se às medidas restritivas adotadas pelos governadores, acusando-os de paralisar a economia e gerar efeitos negativos maiores do que do vírus.
A pesquisa do Datafolha, pouco difundida, realizada por telefone com 1.558 entrevistados por telefone, entre os dias 18 e 20 de março, portanto, antes da videoconferência do dia 23, indicaria que entre os que votaram nele (dado divulgado apenas pelas redes sociais) mais de 50% apoiam as suas posições.
Entre todos os entrevistados, a sua aprovação ainda tem um pequeno saldo positivo: soma dos ótimo e bom, menos a soma de ruim/péssimo.
Tais dados devem ter animado o grupo ideológico, tendo os filhos como porta-vozes junto ao Presidente, com grande poder de influência pessoal, de que ele, Jair Bolsonaro, deveria manter as posições e rumos originais, mais consistentes com a sua natureza, reforçando o apoio do “seu povo”. Esse continuaria firme no apoio ao Presidente, dentro das redes sociais ou no apoio silencioso.
"Capitão, siga o rumo traçado, confie no seu "taco". Os cães ladram a caravana passa. A nossa turma continua firme".
As manifestações barulhentas dos panelaços não passariam de tentativa de revide dos “petralhas”, com apoio da “mídia vendida” mas sem capacidade de minar o moral da tropa bolsonarista. Segundo a versão do grupo ideológico, a Rede Globo está desesperada com o ingresso no mercado de uma forte concorrente e está alimentando a histeria, para manter a audiência.
O confronto entre o Presidente e os governadores, agravará a desorganização da economia. Não havendo coordenação federal e rumos bem definidos, governadores e prefeitos ampliarão as medidas radicais para atender aos reclamos da sua população, vale dizer, eleitores.
As restrições mais críticas estão no fechamento de fábricas de alimentos, assim como a circulação de caminhões com transporte de alimentos.
O confronto pode gerar ou agravar uma crise de abastecimento alimentar. Cada lado, culpando o outro, com graves consequências para a população.
Confio que haverá uma nova trégua e conciliação entre o Presidente e os Governadores afaste esse risco.
Registo aqui o meu receio de que este meu comentário alimente uma corrida aos supermercados e demais lojas de varejo de alimentação, agravando um eventual desabastecimento.
Não saiam em desabalada carreira em direção aos supermercados, para fazer estoques de alimentos.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Sem ilusões

Não alimentem falsas esperanças. 
Só há uma forma eficaz de conter o avanço desse terrível e insidioso inimigo que responde pelo codinome de COVID-19: o isolamento social e a paralisação da economia nos grandes centros.
Sem um tratamento de choque ele não será afastado e manterá a sociedade durante muito tempo, sitiada, amedrontada, semi-paralisada, esperando por um milagre.
Esse poderá alcançar os moribundos, com uma combinação de remédios já existentes, que poderá salvar suas vidas, mas sem saber em que condições sobreviverão. As pesquisas e experimentos mostram que é eficaz, eliminando a presença do vírus, mas sem suficientes informações sobre as sequelas. Não tem efeito preventivo.
Sem a redução das possibilidades de contaminação, o número de infectados superará a capacidade de atendimento, e mutos morrerão sem ter acesso às UTIs, e aos medicamentos. 
Não podemos esperar pelo colapso do sistema de saúde, para tomarmos as providências que podem ser tomadas já. 
Se hoje pararmos o país, amanhã estaremos vivos para recuperá-lo. Se deixarmos para amanhã, na falsa expectativa de que não é preciso parar, o depois de amanhã será muito pior. Como ainda está acontecendo na Itália e na Espanha. 
É preciso um tratamento de choque hoje e começar a pensar na recuperação, na reconstrução do país devastado. 
Tentar evitar a devastação será enxugar gelo, sem resultados e com gastos que poderão faltar para a reconstrução. 
É terrível, mas só venceremos se reconhecermos que estamos em guerra, contra um inimigo poderoso que conta com os quinta colunas. 

sábado, 21 de março de 2020

O amanhã e o depois de amanhã (5)

A economia brasileira está amplamente dependente do consumo das famílias, que, por sua vez, depende da massa salarial, que foi reduzida, durante a crise de 2014 a 2016, e não consegue se recuperar pela persistência dos níveis de desemprego.
A sua dinamização depende do grau de confiança em relação ao futuro, dessa massa, ou de injeção de recursos de outras fontes, nacionais ou estrangeiras. 
A crise sanitária do coronavirus, corroeu o pouco da confiança do consumidor, em relação à sua capacidade de melhorar a sua renda, podendo usar parte da sua poupança, ou de pagar novas dívidas. 

O cenário tendencial aponta para um enfraquecimento do consumo das familias, puxando o PIB, para baixo.
As medidas restritivas à movimentação das pessoas, nas grandes cidades, irão ampliar a contenção de consumo. A estratégia das autoridades governamentais de "achatar a curva" de contaminação, para evitar um colapso no atendimento pelo sistema de saúde, fará com que a crise sanitária seja prolongada. Bom para a saúde da população, ruim para a economia, que levará mais tempo para se recuperar. 

A alternativa de estimular a economia ainda pelo lado da demanda estaria no aumento dos investimentos, com a injeção de capitais nacionais e estrangeiros em novos empreendimentos ou ampliação física de existentes.
A maior parte dos investimentos estrangeiros realizados nos últimos anos não tem se destinada a novos empreendimentos, gerando maior demanda por equipamento e trabalho. Tem sido usado na compra de empresas, de ativos já existentes. Não se tem clareza sobre o destino que os vendedores deram aos recursos recebidos, mas são poucas as notícias sobre novo investimentos físicos feitos pelos vendedores. Houve uma circulação de capital, sem incrementar a produção e o emprego. 

Os investimentos públicos seriam uma alternativa para a dinamização da economia, mas não atendem à condição de emergência ou de choque imediato, seja por restrições de engenharia, como burocráticas.
Não se pode começar uma construção, sem um projeto de engenharia detalhado e os Governos não dispõem de bancos de projetos prontos para execução. Não podem contratar sem licitação, a menos de instituição de regimes excepcionais, como de calamidade pública.  Mesmo nesse caso já não contam com um quadro de empresas para atender prontamente as necessidades imediatas.

É uma solução, mas não de efeito imediato, concreto. Mas pode ajudar a criar um clima mais favorável e melhorar os níveis de confiança dos agentes econômicos.
Trazer empresas estrangeiras também pode ser alternativa, mas não de curto prazo.
A resposta mais rápida pode ser dada pela construção de edificações, principal do Minha Casa, Minha Vida.
Os novos investimentos privados em concessões, que ainda dependem de licitação, tem um tempo maior. Mas há contratos já firmados que podem ser acelerados, mediante financiamentos do BNDES. O mesmo ocorre com a renovação de contratos de concessão, tendo investimentos como contrapartida. São possibilidades mais rápidas, desde que o Governo se empenhe em superar entraves burocráticos e políticos.

Esse conjunto de circunstâncias faz com que o cenário tendencial da economia brasileira seja de continuidade do baixo crescimento, refletindo numa variação do PIB, em relação ao ano anterior, de menos de 1%.

O cenário pessimista desenha uma continuidade maior da retração do consumo, como consequência das medidas restritivas de movimentação de pessoas e realização de eventos. Associada à eventual recessão mundial, a economia brasileira também entraria em recessão, em 2020, com uma variação negativa do PIB, a partir do terceiro trimestre, mas com possibilidade de já ocorrer no primeiro.

Diante dessas perspectivas o Governo está  propondo algumas medidas para estimular o consumo das famílias, como a antecipação da metade do 13º para aposentados, de agosto para abril/maio. Afirma o Ministro da Economia que outras medidas estão em curso. Mas a sua prioridade absoluta continua sendo as reformas, sendo a primeira a PEC emergencial que permite a redução da remuneração dos servidores públicos. 

As medidas emergenciais poderão dar suporte ao cenário otimista, isto é, um crescimento do PIB em 2020 da ordem de 1%, o mesmo nível dos anos anteriores.

A eventual aprovação de algumas das reformas estruturais poderá melhorar o clima, mas será insuficiente para alterar a economia real, que depende de uma dinamização da demanda. 
A alternativa brasileira era ampliar a demanda, por maior busca do mercado externo, mas está agora também está travada.

O caminho proposto insistentemente por Paulo Guedes é ineficaz. Necessário mas insuficiente para reanimar a economia. 

Restabelecer o equilibrio fiscal, gerar superavit primário, são necessários. são necessários mas acreditar que com isso os investidores estrangeiros irão investir em novos empreendimentos é ilusão. Confiança é uma condição necessária, mas subjetiva para acreditar que as projeções futuras irão se efetivar. O indicador objetivo é que haverá demanda para os seus produtos, gerando receita suficiente para cobrir os custos operacionais e amortizar o capital investido. No jargão técnico, receita suficiente para cobrir opex e capex, gerando um ebtida positivo sustentado.
As reformas não garantem que a demanda interna irá crescer de forma sustentável.
A condição mínima é que o setor público gere superavit corrente, ou seja, um saldo após as despesas de custeio da máquina administrativa, mais as transferências entre os entes estatais, que precisam ser  compensadas e consolidadas. 

As reformas propostas por Paulo Guedes, poderão gerar um superavit corrente, restabelecendo a capacidade do Estado em investir, em empreendimentos germinativos do desenvolvimento. Mas dentro de dez anos. O que fazer até lá?








quarta-feira, 18 de março de 2020

O amanhã e o depois de amanhã (4)

As consequências mais visíveis da conjugação das crises anteriores está no mercado de capitais. Um mercado que envolve diretamente uma parcela mínima da população mundial, como da brasileira, formada por aqueles de maior renda, com capacidade de poupança. Mas que envolve uma parte significativa da economia.
O mercado de capitais - tratado pela midia, em geral - como "o mercado", como se fosse o todo. Com a maioria dos seus leitores, participantes desse mercado dá um grande destaque, gerando a impressão popular de se constituir mesmo em todo o mercado. A sua influência efetiva na economia real, no entanto, é limitada.
Existe uma economia real, formada - de um lado - pelos produtores de bens e serviços, e - de outro - pelos demandantes desses bens e serviços, seja na forma de consumo pessoal ou familiar e de empreendimentos físicos. 
A economia do mercado de capitais é formado por ações representativas do patrimônio líquido desses produtores, por títulos de financiamento emitidos pelos bancos e outras instituições financeiras, representando os empréstimos concedidos para os tomadores dos empréstimos e, ainda, por títulos públicos emitidos por entes públicos, principalmente o Tesouro Nacional.Esses títulos de financiamentos, tem renda fixa, e seu valor de mercado pouco varia em relação ao valor de face, a menos de títulos de devedores inadimplentes, quando se tornam "títulos podres", sendo negociados no mercado, com deságio. 
Já as ações de empresas, tem uma base real que é o resultado dos seus negócios, mas o valor de mercado é o que é reputado pelo conjunto do mercado especifico, através de cotações em Bolsa de Valores nacionais. Essa definição é baseada nas perspectivas de resultados futuros da empresa, o que é sempre uma avaliação subjetiva, de base emocional, embora com elementos racionais.
O valor de mercado de uma ação é dada a cada momento, ou mais precisamente, a cada sessão da Bolsa de Valores, por quanto investidores estão dispostos a pagar para comprar essa ação confrontado com o quanto os detentores dela estão dispostos a vender.

Esse mecanismo de formação dos preços faz com que a partir de uma base real, o ágio ou deságio da ação decorra de movimentos especulativos, que podem ocorrer por movimentos difusos baseados na percepção coletiva dos investidores. Alimentados por informações e análises por empresas ou consultores especializados e difundidos pela mídia especializada.

Por outro lado, a valorização ou desvalorização das ações é influenciado (ou até determinado) pelo tamanho do mercado nacional. Esse sempre conta com a participação de capitais estrangeiros voláteis, oportunistas ou especulativos, buscando ganhos de curto a médio prazo, trocando de posições, interna e externamente.

Parte desse capital estrangeiros está aplicado em ações. Quando ingressam no país, determinam uma desvalorização do real diante do dólar, isto é, uma cotação mais baixa. Isso porque ingressam em dólar, para serem convertidos em real e pelo volume de ingressos, puxam a cotação para baixo.
Com um volume maior de reais, decorrente da conversão puxam as cotações para cima. Ou seja, há uma demanda maior de investidores pelas ações.
Por essa razão há sempre um movimento inverso. Quando o indicador coletivo da Bolsa sobe a cotação do dolar cai. Não é porque o investidor nacional alterne em aplicar em ações ou em dólar. Isso ocorre, mas é em menor parte, principalmente entre pequenos investidores. A maior parte decorre desse movimento de ingresso ou saída de investidores estrangeiros, além da movimentação especulativa de títulos indexados em dólar. 
Com a perspectiva de uma recessão na economia real, com ganhos futuros menores ou até perdas, as ações perdem valor, pelo movimento de investidores em vender posições em ações. Esse movimento pode ser acelerado ou ampliado por ação de especuladores que tem interesse em baixar os preços das ações para reforçar as suas carteiras.
Mas o principal movimento baixista pode decorrer da saida, em grandes volumes, de capital estrangeiro oportunista, que  diante de uma perspectiva de maior risco ou menor rentabilidade vende as suas ações, compra dólar (oficialmente) para aplicação em outros papéis. O "porto seguro" assumido pelos investidores são títulos do Tesouro Norte-americano. 
Ocorre, então, a variação de preços inversa: o índice da Bolsa de Valores cai e o dólar sobe. 
Os mecanismos não são tão simples como descrito, envolvendo intrincados mecanismos, inclusive de natureza tributária, mas na ponta visível do "iceberg" ocorre essa gangorra entre o índice Bovespa e o dólar comercial.

O fundamento da desvalorização das ações está na perspectiva de um baixo crescimento da economia brasileira, com risco de uma estagnação e até recessão com a crise sanitária do coronvavirus.

O mercado acionário brasileiro é fortemente influenciado pelas ações da Petrobras, que compõe a maior parte do conjunto movimentado.

Portanto os cenário futuros do mercado acionário brasileiro dependerá da percepção dos investidores sobre a evolução real da economia real do petróleo no mundo e dos seus impactos sobre os resultados da Petrobras.

Em artigo anterior, desenhados os cenários alternativos do petróleo e da Petrobras, em particular.
No próximo, analisaremos os cenários tendenciais da economia brasileira e, finalmente, as políticas econômicas do Governo.


domingo, 15 de março de 2020

O amanhã e o depois de amanhã (2)

O COVID-19, começando em Wuhan, um importante polo industrial na China, onde unidades de multinacionais de diversas origens se instalaram, associadas a empresas chinesas, para produzir peças básicas para sistemas informatizadas, "quebrou" o início da cadeia produtiva desses sistemas utilizados principalmente na telefonia celular, nos equipamentos eletronico-domésticos, na indústria automobilística e outras indústrias.
Frustrou o início da Indústria 4.0, toda ela baseada em sistemas informatizados.
A indústria de Wuhan fornece ao mundo, conjuntos mais agregados ou fornece a agregadores situados em outros países. Um dos principais é o Nordeste da Itália, o principal polo industrial do país. Em função das frequentes viagens dos técnicos e executivos, essa região se tornou o epicentro  do COVID-19 na Europa. Em função de disputas políticas entre o Governo Nacional e o local, houve um atraso na adoção das medidas de contenção. A disseminação comunitária levou rapidamente a Itália a ter a maior incidência da doença - fora da China - com milhares de infectados e centenas de mortos. 

A interrupção da cadeia produtiva de sistema informatizados é a principal origem da crise econômica mundial. 
Muitas fábricas, em todo o mundo,  tiveram que suspender a sua produção por falta de peças. 
Algumas tinham ainda estoques, formados diante da programadas paralisações de fábricas em função das comemorações do ano novo chines. Outros buscaram alternativas de fornecedores, ainda que a custos mais elevados. 

A indústria brasileira foi afetada marginalmente. A indústria brasileira de montagem final de aparelhos de telefonia celular, que foi montada quando esse começaram, foi desmontada diante da incapacidade de concorrer com os produtos chineses.
O mesmo ocorreu com a fabricação final de conjuntos utilizados pela indústria de eletrônico-domésticos, assim como pela indústria automobilística. Ambas passaram a comprar os conjuntos prontos para encaixe no seu equipamento final. Poucas são as indústrias no Brasil que ainda montam sistemas informatizados. 
O efeito negativo principal estaria na paralisação de algumas linhas de produção industrial, por falta desses conjuntos.
Já em outros produtos industriais, com menor grau tecnológico, as empresas industriais no Brasil estão com capacidade ociosa, em parte, por falta de competitividade para concorrer com os produtos chineses.
Com as interrupções de fornecimento atual ou previstas em futuro próximo, dos produtos chineses, seria uma oportunidade para substituir as importações e retomar o mercado perdido. Mesmo que a preços maiores, mas com segurança de suprimento continuado.
O entrave está na qualidade dos produtos que depende de equipamentos automatizados, por sua vez, dependentes dos conjuntos de sistemas informatizados. Quem conseguiu se modernizar antes poderá promover a substituição. Quem ainda depende dos equipamentos, não conseguirá produzir com a qualidade dos concorrentes. 

Uma situação particular é da indústria de fornecimento de equipamentos para a exploração e produção de petróleo e gás. (O que será tratada junto com o tema da crise do petróleo).

Como o Brasil é ainda uma economia relativamente techada, com baixo volume de exportações de manufaturados, não será tão afetado - diretamente - pela queda da demanda mundial, beirando a recessão.
Os efeitos serão mais de natureza psicológica, afetando o imaginário empresarial e econômico. 

O impacto macroeconômico da crise industrial do COVID-19, no Brasil, só será conhecido plenamente no dia 25 de maio, quando serão publicados os resultados do PIB no 1º trimestre do ano, mas haverá alguns dados preliminares na PIM (Pesquisa Industrial Mensal). A de fevereiro, que já teve influência da quebra na cadeia produtiva, só será divulgada no início de abril. O refente a março será divulgada no início de maio. Um acompanhamento mais expedito é feito pelas entidades da indústria (FIESP  e CNI). 

Um reparo deve ser feito com relação às estatísticas agregadas, porque do ponto de vista da classificação econômica, a industrialização primária de matéria primas do agronegócio, como da cana de açúcar, para a produção de açúcar ou etanol, o abate de animais, para venda como carne, estão dentro do setor industrial. São essas que tem sustentando o crescimento geral da indústria, diante da redução sucessiva da indústria de transformação. 

O cenário mais provável da evolução industrial brasileira é de pequenas variações em torno do zero, inteiramente dependente da evolução da demanda interna. A crise econômica argentina, o principal parceiro externo da indústria brasileira, reduziu - no conjunto - a parcela destinada às exportações industriais brasileiras. O principal parceiro passou a ser os EUA, cuja economia está instável, diante do avanço do coronavirus naquele país. 
O impacto psicológico fará com que no segundo trimestre a evolução agregada da indústria brasileira seja negativa, mas irá recuperar, em pequena monta, nos trimestres seguintes, provavelmente com um pequeno aumento anual, próximo de zero.

O cenário otimista pode ser caracterizado como "Guedista". Baseia-se numa forte ampliação de investimentos estrangeiros e nacionais, na capacidade industrial, seja para sua ampliação quantitativa, como - e, principalmente - qualitativa para melhoria de produtividade e ganho de competitividade. Tanto no mercado nacional diante das importações, como no mercado mundial.

O cenário pessimista desenha uma indústria de transformação em continuado declínio. Ficará esperando por medidas de apoio por parte do Governo, que nunca chegará. 
Poderá ser agravado pelo desabastecimento de partes, pela insistência de manter os chineses como fornecedores principais ou únicos, em função dos preços.  



sexta-feira, 13 de março de 2020

E o Brasil, na atual crise

Há uma crise econômica mundial, gerada pelo COVID-19, o novo coronavirus, iniciado na China e que já se espalhou pelo mundo mais desenvolvido.
Começando num polo industrial de produtos avançados das tecnologias digitais, se disseminou ao longo da cadeia produtiva, através dos executivos e técnicos vinculados a essa cadeia. E se multiplicou pelo contágio dos visitantes estrangeiros aos focos do vírus, com os seus colegas, amigos e familiares, ao retornarem ao seu país de origem. Por isso os principais focos secundários foram a Itália e a Coreia do Sul. A Itália porque os principais elos contaminados fazem parte da cadeia produtiva do grupo FCA, o maior da indústria italiana, com unidades em Wuhan na China e com ramificações mundiais, inclusive no Brasil. Foi a fonte inicial da contaminação de brasileiros.
A grande consequência econômica direta foi a paralisação, ainda que parcial, dos produtos da tecnologia digital, afetando o próprio setor e também a indústria automobilística, de produtos eletrônicos e outros.
A aparente facilidade e rapidez de contaminação, gerou uma forte reação das pessoas, até de pânico, em alguns locais e grupos. Dois segmentos foram mais afetados: o de transportes e de grandes eventos públicos. O de transportes, abrangendo tanto as viagens aéreas, como as terrestres, de passageiros urbanos ou regionais.
O efeito dominó levou à redução da demanda de derivados de petróleo e provocou uma inusitada guerra de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia, levando os preços internacionais do petróleo a patamares  abaixo de 40 dólares por barril.
Segundo fontes oficiais, ainda deixa margem para a produção já instalada nos campos do pré-sal, mas trava os novos investimentos. 
Nesta batalha feroz, só os fortes sobreviverão. Brasil e Petrobras estarão entre eles?








Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...