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Mostrando postagens de Abril, 2015

A reindustrialização através das multnacionais

A moderna terceirização está umbilicalmente ligada à globalização.
Mais ainda, a terceirização - no seu sentido amplo - é a origem da globalização.

A moderna globalização foi estabelecida pela fragmentação da cadeia produtiva e de suprimentos industrial, por diversas partes do mundo.
O mundo era dividido entre os países industrializados e desenvolvidos e os subdesenvolvidos. A industrialização era o fator que os distinguia, que separava entre a riqueza e a pobreza. 

Por essa percepção, todos os paises subdesenvolvidos aspiraram em se industrializar, na crença de que só a industrialização os enriqueceria e propiciaria independência econômica e, consequentemente, política.

A mudança começou a ocorrer com a onda da terceirização periférica: os países desenvolvidos centrais passaram a utilizar países subdesenvolvidos periféricos como local para a industrialização de seus produtos, com menores custos para serem consumidos nos seus mercados, de elevada capacidade de consumo. 

Para os críticos des…

Rumos estruturais do Brasil

A maioria dos diagnósticos sobre a atual crise brasileira convergem para a interpretação de que o Brasil, com os governos do PT, basearam o crescimento econômico na expansão continuada do seu mercado interno. Esse modelo ou rumo se esgotou, com graves sequelas de mau uso dos recursos públicos e alto endividamento, com pesados encargos financeiros em função dos juros elevados.

O ajuste fiscal tem por objetivo combater as sequelas, porém sem intervenção direta sobre os rumos estruturais. A visão "néoliberal" é de que isso ocorra naturalmente pelas forças do mercado. (o que é um equívoco, pois todos os Estados Nacionais, interferem, de uma forma ou outra no modelo e rumos estruturais da economia do país).

De toda forma, o Estado Brasileiro, no momento atual, com a necessidade de ajuste fiscal, não tem condições de intervenção direta nos rumos estruturais da economia brasileira, que terá que seguir segundo "as forças do mercado". As intervenções indiretas estão na taxa d…

O Brasil sob um governo "pato manco"

Em artigo anterior concluimos, a nosso ver, que o cenário mais provável do mandato de Dilma II é o do "pato manco", ou seja de um governo enfraquecido, sem capacidade de governo. Ou seja, um governo sem capacidade de dar respostas aos desafios externos (a ele) ou de impor as suas vontades e propósitos.

Dentro desse cenário básico, podemos desenhar alguns sub-cenários, dois com o exercício completo do mandato e um com a interrupção dentro desse período.

recuperação parcial;final melancólico;interrupção.Em nenhum dos casos foi considerado, neste artigo, o cenário "virada", que analisaremos em outro momento. 

Já a interrupção levaria ao cenário "Dilma fora", o que também será tratado em outro artigo.

Cenário Recuperação parcial

Apesar das dificuldades Levy consegue alcançar as metas de geração do superavit primário, com a correção das pedaladas ocorridas ao longo do primeiro mandato e eliminação dos subsídios públicos. 

Juntamente com o superavit primário do setor…

Que período terminou? O que temos pela frente?

O sociólogo e ex-Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso publicou um artigo no jornal Estado de São Paulo (do dia 5 de abril de 2015) no qual diz que "a crise atual marca o fim de um período, embora ainda não haja percepção clara sobre o que virá." 

Ele não tem clareza mesmo sobre o período que afirma estar findo.

Ouso interpretar o quadro atual, afirmando que o período findo terminou em novembro de 2014, após a reeleição de Dilma Rousseff e a sua manifestação clara de mudança dos rumos, abandonando o desenvolvido ao longo de quase 10 anos, dos quais 5,5 como chefe da Casa Civil do Governo Lula e 4 como Presidente.

A crise atual é de transição desse período para o novo (que não é tão novo).

Desde o início do século passado o mundo vive entre dois grandes modelos de condução do país, principalmente na sua dimensão econômica.

De um lado, o modelo do livre mercado, então caracterizado inicialmente como "laissez faire" (deixar fazer) simbolo do liberalismo econôm…

Quem manda em que?

Com o equilíbrio entre poderes, dentro do regime democrático, o legislativo tem maior iniciativa e poder de propor e aprovar as leis. No Brasil, a predominância do Executivo sobre o Legislativo é secular, com a maioria das proposições legais formuladas, encaminhadas pelo Executivo e aprovadas por uma maioria sustentada pelo Governo com diversos instrumentos, mas não por coerência  partidária ou ideológica.

No sistema presidencialista o partido do Presidente eleito, pode não ter a maioria no Parlamento e precisa se articular e se associar a outros para a aprovação das medidas de interesse governamental.

Dada a prevalência do Executivo e as moedas de troca para a obtenção dos apoios dos parlamentares, a articulação - desde a redemocratização - passou a ser feita pelo Executivo, liderada pelo próprio Presidente da República.

Esse quadro mudou com a eleição de Dilma Rousseff, uma técnica, sem qualquer tradição eleitoral e nenhum apetite pelas negociações políticas não ideológicas ou programá…

O que significa a publicação do balanço da Petrobras de 2014 só agora? - blog

A falta de divulgação do balanço do 3º trimestre de 2014, e do total desse ano, da Petrobras, a maior empresa brasileira e orgulho nacional gerou um grande desconforto no mercado, provocando a desvalorização das suas ações e crise política, com a perda de confiança do povo na sua Presidente.
A partir do início de 2007 foi montado dentro da Petrobras um grande esquema de corrupção para o financiamento político e eleitoral. Só foi desmontado em 2012, mas teria continuado até 2014. Teria sido interrompido com a prisão dos principais envolvidos. Descoberto o esquema,  a auditoria externa contratada pela Petrobras fez ressalvas ao balanço da empresa do 3° trimestre de 2014, por não ter considerado as perdas com a corrupção.  A Petrobras não aceitou as ressalvas, gerando um impasse e o adiamento sucessivo da sua publicação.
A intenção do Governo era encobrir os "malfeitos" e evitar uma repercussão negativa da sua divulgação prejudicando a imagem da Petrobras. Os resultados reais fo…

um balanço bom ou ruim?

O balanço apresentado pela Petrobrás é uma boa peça contábil, Boa porque refletiu bem a situação da empresa, mereceu ser confirmado pela auditoria, sem ressalvas e tem  credibilidade. As reações do mercado são especulativas e as ações da Petrobras vão subir, no médio prazo. Mas os números apresentados são ruins.

Dos resultados apresentados deduz-se que:

os ativos incorporados pela Petrobras como resultado das contratações superfaturadas a partir de 2007 para o pagamento de propinas, tiveram que ser reduzidos em R$ 6 bilhões, em função do percentual identificado pela Operação Lava-Jato.Com a apuração das responsabilidades os beneficiários terão que devolver os valores, com a ocorrência de algumas questões:os beneficiários da "casa" irão devolver o que receberam ilegalmente, sendo que alguns já colocaram os valores à disposição da Justiça, e a Petrobras irá receber parte. Não receberá o todo porque a Justiça aplica severas multas e quer recebê-las antes do ressarcimento das víti…

Combater a bomba atômica com baioneta

A terceirização piora os ganhos dos trabalhadores. Isso ocorre em âmbito mundial.
Uma das 
características 
principais da terceirização é a sua globalização.
A terceirização é o principal mecanismo que configura as relações entre as cadeias produtivas ou cadeias de suprimento globais.

Não existe cadeia produtiva sem terceirização. É a forma moderna da organização da produção capitalista, 
com ênfase na competitividade. 

As empresas buscam ficar mais competitivas oferecendo melhor qualidade e também menores preços. E para ter menores preços comprimem os seus custos de produção. 

Com menores preços, determinados pela concorrência favorecem os consumidores, mas cobram a conta dos trabalhadores, o elo mais fraco da distribuição de renda. Os que mais conseguem preservar os seus ganhos e, no Brasil, aumentam consideravelmente são os rentistas com juros altos, apropriando-se da maior parte do valor adicionado pelas empresas.

Não conseguindo conter ou reduzir os custos financeiros, para poderem ter cu…

Manifestações de rua como reação

As manifestações ativas de massa podem ser iniciadas por uma ação. Por iniciativa de um grupo que reune e mobiliza os seus adeptos para uma reivindicação específica, seja a favor ou contra.  Saem às ruas, como forma de pressão, acreditando que com a visibilidade do movimento terão sucesso. 

Porém as grandes mobilizações ocorrem por reação. A adesão generalizada e difusa não é com as reivindicações específicas, mas em função de um quadro mais geral.

Foi o que ocorreu em junho de 2013. Um pequeno grupo de jovens de esquerda se mobilizou para sair às ruas contra o aumento das tarifas dos transportes coletivos. Convocou a população da cidade de São Paulo, através das redes sociais, e conseguiu uma  pequena adesão.

Como é usual, não é preciso ter muita gente. Precisa ter o suficiente para atrapalhar o trânsito, tornar a manifestação visível, principalmente pela cobertura televisiva.

As manifestações, inicialmente pacíficas, tornaram-se um campo de batalha, com alguns poucos provocadores, infil…

Terceirização pode ser feita fora do país

Globalização e terceirização são irmãs inseparáveis. Eventual proibição de terceirização no Brasil, para a proteção dos ganhos dos trabalhadores brasileiros, poderá resultar numa perda total, com a perda do emprego e dificuldade de conseguir nova colocação e trabalho.
A lógica da construção dos defensores das restrições à terceirização, como o manifesto da totalidade dos juízes do Tribunal Superior do Trabalho, é irretorquível: com a terceirização, os empregadores irão substituir trabalhadores diretos (os secundarizados) por terceirizados pagando menos, seja na remuneração básica, como no valor dos benefícios (o que seria uma precarização do trabalho). Com a redução da renda os trabalhadores irão reduzir o seu consumo, as suas compras o que resultará numa redução da demanda, consequente redução da produção e piora geral da economia.


Isto é, a terceirização atuaria contra o crescimento econômico. A sua liberação pioraria a crise econômica.

Apesar a lógica da construção, essa se baseia num…

Crises fabricadas e reais

Colocar o bode fedido na sala é criar uma falsa crise. Quem não gostar do exemplo de mau cheiro, pode colocar o jabuti em cima da árvore.
Diante do problema há uma enorme discussão, primeiramente sobre: quem colocou o bode na sala? com que intenções? o que está por trás do bode? Depois a discussão passa a ser: como tirar o mau cheiro? dar um banho no bode? perfumar para contrapor ao cheiro do bode? Desodorizar?  Mas ai alguém retira o bode da sala e o problema, discussões e crise acabam.

Das crises que estão sendo discutidas quais são reais e quais são meros bodes fedidos que foram colocado na sala? A nomeação de Henrique Alves para o Ministério do Turismo com as recusas de Renan para ajeitar um cargo para Vinícius Lage é uma crise real ou um bode? A denúncia de que a CGU engavetou a denúncia de propina da SBM para funcionários da Petrobras é um bode? E a prisão de Vaccari? E a briga de vaidades entre o Ministério Público e a Polícia Federal? Eles brigam em nível federal e se entendem n…

As diferenças geracionais das grandes massas nas ruas

No Brasil Moderno, três grandes movimentos levaram milhões de participantes às ruas, em diversos eventos, com grandes intervalos entre aqueles, caracterizando uma diferença de gerações, da maioria dos participantes:


Diretas Já, no início dos anos 80 do século passado;Fora Collor, em 1992; e"Basta de Corrupção", com as as suas variantes "Brasil sem corrupção", "Fora os corruptos" o principal lema que liga as manifestações de 2013 e 2015, ainda que o "Fora Dilma" apareça, agora, como o mais visível (porque ela sabia). A participação em manifestações explícitas de massa decorre de ações ou reações individuais que se somam no coletivo. Decorrem da necessidade ou desejo de se expressar publicamente em conjunto com outras pessoas que tem as mesmas preocupações, posições ou reações. 
Simplificadamente (embora nada disso seja simples) três fatores básicos levam as pessoas às ruas: a sensibilização pessoal, as circunstâncias e a comunicação.
A sensibilização…