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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Comentários das minhas amigas médicas

Camila Souto Discordo, Jorge!
Na verdade no Brasil não faltam médicos!
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número ideal é de 1 médico para cada 1000 habitantes, o Brasil tem mais que isso. O que há é uma má distribuição deles.

Na verdade, Jorge , os "grotões" onde o senhor fala, os lugares onde não há estrutura mínima para se consultar um paciente, onde se pode realizar "um atendimento elementar" que "qualquer um pode fazer", é de onde saem os pacientes descompensados, onde o médico de fato e de direito não consegue realizar uma boa clínica, pois não há maca, medicamentos e exames de retaguarda. Não existe atendimento elementar, paciente elementar e muito menos doença elementar, e por isso não é qualquer um que pode fazer. Tem que ser alguém capacitado realmente. Ao contrário do que o senhor pensa, doentes são iguais em todos os lugares, e quem lota os hospitais das clínicas e hospitais universitários de todas as capitais são os doentes do interior, dos "grotões", como fala o senhor. Esses pacientes geralmente chegam descompensados a essas instituições por não terem sido atendidos por verdadeiros médicos. Talvez esse paciente não teve esse atendimento médico, pois o médico deve ter ido atender na unidade de saúde e viu paciente morrer por não ter uma medicação pra curar a sua doença, pode ter sido porque o médico solicitou um exame e pela demora para conseguir o paciente teve uma piora da sua doença, como um câncer, por exemplo, e morreu, pode ter sido por que o médico foi atender e no final do mês não recebeu o seu salário.
Isso ninguém divulga, isso ninguém entende!!!
No momento só estou trabalhando no SUS, posso falar com propriedade disso.
Trabalhei nesses "grotões" mas acredita precisei de um hemograma para saber se a paciente estava com risco de ter dengue hemorrágica e lá não fazia? E pior que eu só ia conseguir esse resultado na próxima semana? Será que essa paciente escapou? Acredita que esse município pagava o quase o dobro do município em que estou trabalhando e cobrava que eu fosse um único dia?? Pois é, ofereceram isso a mim e também a todos os outros médicos que lá chegaram para trabalhar, mesmo lá sendo um "grotão", mas lá não ficaram no máximo uns três meses.
Os doentes desse "grotão" são igualzinhos aos doentes de Garanhuns, onde trabalho atualmente, igualzinhos aos doentes de São Paulo, igualzinho a esse doente que saiu daqui de Garanhuns há alguns anos e está sendo atendido no Sírio Libanês.
Pra mim, eles devem ser tratado com a mesma importância, com médicos, com equipamentos, com exames, com dignidade!
  • Ana Tabet Exatamente. Acho que esta situação só vai melhorar, quando políticos e parentes dependentes forem OBRIGADOS a usar serviços de Saúde e de Educação públicos.
    Assuntos de Medicina, principalmente a preventiva, e o atendimento primário, não são coisas para amadores.
  • Mais paramédicos

    A população mais pobre, moradores de áreas menos providas de infraestrutura,  está mais sujeita a doenças elementares que os de maior renda e moradores em áreas mais urbanizadas não estão (embora não totalmente).
    Aquela está mais sujeita a doenças gastrointestinais por falta de saneamento. Também a gripes por falta de recursos para se protegerem das mudanças de temperatura ou  a doenças respiratórias, menos complexas, em função da poluição.
    Podem ter um atendimento básico, sem grandes recursos tecnológicos e sem a presença de especialistas. Buscam mais orientação médica e medicamentos. Ou o diagnóstico sobre a gravidade da doença.
    Poderiam ter um primeiro atendimento por paramédicos, sejam médicos com formação mais expedita ou por outros profissionais de saúde, como enfermeiros, farmacéuticos e até auxiliares de enfermagem, formado para o primeiro atendimento.

    No entanto, a corporação médica luta contra esse atendimento, gerando uma grave distorção. Exige que o atendimento às doenças seja feito por um médico, com ampla formação e devidamente registrado. Não permite que os paramédicos façam esse atendimento, exigindo sempre a presença de um médico, mas não estão dispostos a ir aos grotões urbanos e ainda mais rurais, enfrentando uma condição de vida e de atendimento precárias. É uma lógica individual: porque estudar tanto para atendimento elementar que "qualquer um pode fazer". A corporação médica não quer, mas não deixa atender, sem o devido profissional.

    Com isso milhões de brasileiro ficam sem qualquer atendimento.

    O Governo Federal tenta remediar essa situação com um belo programa, que denominou de Mais Médicos. 

    Mas o faz de forma falsa, equivocada e aproveita para alcançar outros fins espúrios. É tentar uma solução socialista, dentro do regime capitalista e corporativa, aproveitando para apoiar outros regimes, pretensamente, socialistas. Com a exploração de trabalhadores.

    Concorde-se ou não com o programa, é fato real que milhões de brasileiros desatendidos da atenção primária contra doenças estão sendo atendidos. Com algumas distorções, natural dentro de um conjunto tão grande. 

    Mas por profissionais de saúde, não necessariamente médicos, devidamente formados. Grande parte, senão a maior dos ditos médicos cubanos são paramédicos. Suficientes para o primeiro atendimento. E para encaminhamento aos médicos. 

    Na realidade o programa governamental deveria se chamar "Mais paramédicos".

    terça-feira, 19 de agosto de 2014

    Dilmaluf da vida

    Na entrevista ao Jornal Nacional, enfrentando os inquisidores Bonner e Poeta, Dilma mostrou total profissionalismo, com absoluto controle sobre as suas emoções. Respondeu o que quis, não se abalou com as pressões da dupla, mostrando-se inteiramente disciplinada com as orientações dos seus marqueteiros, que vem, ainda que indiretamente, da formação da imagem de Paulo Maluf, o mais dos "cara de paus". Deve também ter ajudado o seu passado de guerrilheira que suportou corajosamente os interrogatórios e as torturas. O robô Dilma nem piscou. 

    A questão é como os eleitores vão reagir a esse robô, sem personalidade, sem emoção, que tem as respostas gravadas e responde sempre com essas não importa o que se pergunte.

    Esse robô estará constantemente nas telas de televisão a partir de hoje, com muito tempo de exposição, com o risco de saturação em pouco tempo. Para amenizar a TV irá mostrar indefectíveis imagens dela beijando criancinhas, comendo cachorro quente e outras ações que demonstrariam que ela é humana. Para os que não são adeptos fanáticos do dilmismo ou do lulismo parecerá falso.

    Significa que ela não será reeleita? Não necessariamente.

    A imagem dela perante a opinião publicada será cada vez pior, mas não é essa que elege Presidentes. O que elege é a opinião não publicada, cujo contingente deve ser o dobro ou mais daquela. A opinião publicada pode chegar a 1/3 dos eleitores. A não publicada, os 2/3. 

    A opinião não publicada é formada, predominantemente, pela população pobre e com baixo grau de educação. Enfrentando dificuldades de sobrevivência, esperam que os Governantes melhorem as suas condições de vida. O que alcança os seus corações e/ou mentes é o que eles ganham objetivamente. O bolsa família e outros programas sociais lhes dão um mínimo de conforto material e eles se sentem eternamente gratos. Vão votar na Dona Vilma e em quem o Pai Lula mandar. Uma pequena parte ainda que agradecida quer mais, não querendo ficar acomodada.
    A principal aspiração está na educação. Acreditam que pela educação, os seus filhos poderão sair da miséria ou da pobreza. Não querem muito: querem a escola e a presença constante do professor. Para esse contingente, educação de qualidade é a presença do professor em sala de aula.
    Se, infelizmente, tiverem doença querem ser atendidos no posto de saúde e lá encontrar o "homem de branco", ainda que seja negro. O Governo Dilma atendeu substancialmente essa expectativa, levando aos "grotões" os curandeiros cubanos: que colocam o jaleco branco. 
    Para os problemas mais simples, que correspondem à maioria dos casos, ser atendido pelo "homem de branco" é suficiente. Quando se torna um pouco mais complexo, enfrentam fila e demora de atendimento. Ai a saúde perdeu qualidade.

    Os programas sociais e assistenciais dos Governos Lula e Dilma, atendem ao básico: mas não conseguem ir além.

    E os atendimentos são cumulativos para as mesmas pessoas, o que significa que elas ficam satisfeitas, mas podem representar cerca de 30% do eleitorado.

    Corresponde ao patamar mínimo de Dilma, formado pelos gratos pelo atendimento, mas nem todos inteiramente satisfeitos.

    Os que não conseguem ter o atendimento material, seja em dinheiro, em aulas ou em atendimento médico, buscam o conforto espiritual. E disso se encarregam os evangélicos. 

    Eles buscam cada vez mais utilizar os meios de comunicação modernos, mas o seu principal meio é ainda o tradicional "face a face": a pregação direta em grandes missas. 

    Esse contingente apesar de gratos com os atendimentos sociais do Governo, mas sem conseguir resolver todos os seus problemas, na busca da esperança de uma vida melhor vão buscá-la em Jesus, na providência divina.

    A "providência divina" levou o Santo Eduardo mas deixou na terra a sua apóstola Marina, que junto com a apóstola Renata irão levar a palavra divina aos fiéis. 

    Elas deveriam estar no avião que caiu. Mas a "providência divina" as tirou na última hora. Foi um "milagre". 

    É uma crença que vai derrotar o robô Dilma.

    domingo, 8 de junho de 2014

    Legados da Copa - Manifestações de rua

    Completada a Copa do Mundo da FIFA, no dia 13 de julho de 2014, o povo voltará às ruas? Caso o Brasil ganhe, sim: para comemorar. Serão mais 15 dias de comemorações nacionais e  locais como caravana da seleção ou dos seus jogadores voltando às suas cidades natais. Se não ganhar, não haverá festas. 

    A realização da Copa poderá ser apenas uma suspensão no ambiente de insatisfação da população com "tudo o que está ai". 

    A Copa serviu de catalizador das manifestações, não pelo evento em si, mas pelos gastos governamentais com a sua preparação e com as promessas não cumpridas. Foi um alvo generalizado e focado, embora não preciso. A oposição foi ao evento esportivo, mas as razões foram e vão muito além disso.

    Alguns ativistas mais radicais chegaram a acreditar que com as suas mobilizações poderiam evitar a realização da Copa. Os movimentos causarão perturbações, mas não impedirão a plena realização do evento. 

    Realizada a Copa, cessará o motivo de chantagem que muitas categorias de trabalhadores e movimentos sociais utilizaram para tentar (alguns com sucesso) o atendimento às suas reivindicações específicas.

    A insatisfação generalizada e difusa voltará pelo conjunto das reações individuais. 

    O povo voltará às ruas? Ou com a proximidade das eleições guardará a sua revolta para descarregar na urna?

    Muitos dos descontentes acham que a manifestação do descontentamento está em votar nulo ou branco. Não votar a favor de nenhum dos candidatos.

    O resultado prático, no entanto, será favorecer o candidato que está na liderança das pesquisas, em geral, o candidato à reeleição. Nas eleições os resultados só consideram os votos válidos. Branco ou nulo são inválidos.

    Em São Paulo, o Governador Alckmin, com 44% das preferências do total, venceria no primeiro turno. No nível federal, Dilma tinha uma posição tranquila, agora ameaçada. Não tem mais garantida a eleição no primeiro turno.

    Invalidar o voto é uma reação predominante da opinião publicada. Que se supõe mais educada, mais instruída e mais informada. Mas para muitos prevalecerá a reação subjetiva e pessoal. Ele precisa manifestar o seu protesto individualmente. Não lhe interessa se o resultado prático seja o oposto do que ele deseja: manter o "status quo", com a reeleição dos governantes atuais.

    Essa válvula de escape fará com que não saia às ruas para manifestar a sua contrariedade.

    Os ativistas com reivindicações específicas irão às ruas, mas não terão grande adesão. Reunir 20 mil pessoas será um grande feito. Mais de 100 mil só as marchas evangélicas, a parada gay ou festas de trabalhadores com sorteio e casas e carros. 

    Poderá ocorrer, no entanto, algum incidente ou fato reprimido que dê origem a grandes mobilizações. Um eventual atentado contra Joaquim Barbosa gerará uma comoção social. O aumento das tarifas dos transportes coletivos dará origem a manifestações de jovens. Poderá ter grande adesão ou não. Provavelmente não. Uma grande parte dos usuários prefere pagar um pouco mais e ter os serviços, do que ficara com a tarifa congelada e não ter os serviços. 

    O que causa comoção e reação popular generalizada é um assassinato bárbaro ou morte de vítimas de mau atendimento dos serviços de saúde.

    Tanto num caso, como em outro, há uma repetição e acumulação de casos mal resolvidos, divulgados pela mídia: principalmente por aquela parcela que vive do sangue dos outros. Os fatos são reais e estão enchendo o copo. Em algum momento pode ocorrer um fato, ainda que isolado, que seja a gota d'água.

    É crescente a sensação de toda opinião pública (não apenas da publicada) de que o povo não está sendo atendido adequadamente nas suas suas necessidades de recuperação da saúde. A saúde está sempre no topo das razões de preocupação da população, nas pesquisas de opinião.

    As soluções governamentais tem sido paliativas, quando não demagógicas, como o programa "Mais médicos". É um programa correto, mas de atendimento limitado e a forma de execução, com a utilização de profissionais cubanos em regimes de trabalho similares à escravidão, o comprometem. Os favorecidos não irão às ruas para defendê-lo ou pedir a sua extensão.

    A sensação é de que estamos sentados em cima de um barril de pólvora e a qual descuido esse poderá explodir. Quando isso e como poderá ocorrer é a grande incógnita.

    A corrupção é outro grande fator de insatisfação popular, porém o seu combate é difuso. O elemento objetivo é o de apear do poder o suposto corrupto. Nas esferas federal e estadual, com a proximidade das eleições, o instrumento é o voto. Não há necessidade de ir às ruas para pedir o "impeachment" do governante ou da autoridade.

    O que ainda poderá levar o povo às ruas, depois que aprendeu o caminho?

    domingo, 27 de abril de 2014

    Dil Mais do Mesmo

    O povo quer mudanças. Está cansado com tudo que está ai. Mas muitos acreditam que Dilma é a pessoa que teria melhores condições de mudar. 
    Provavelmente esse será o lema da campanha dela: "Mudar com Dilma" ou "Dilma para mudar".
    O lema de contestação das oposições poderia ser "Dilma: mais do mesmo", ou simplificando com uma simplificação "Dil Mais do Mesmo".  
    Dilma, com a sua personalidade forte, temperamento explosivo e plena de convicções mudará o seu estilo? Mudará a forma de conduzir o Governo? E, principalmente, mudará as suas prioridades e programas governamentais?

    Dificilmente. Continuará sendo autoritária, centralizadora, gerenciando na base da bronca, intimidando os subordinados que preferem não fazer do que fazer o que ela não aceita. Eles se preparam mais para se explicar do que agir. Esse tem sido o resultado efetivo do seu modo de gerenciar.

    Quanto ao Brasil ela dificilmente arredará pé do objetivo de tornar este país, menos desigual, com a eliminação da miséria, ascensão dos pobres à classe média e contenção dos ganhos dos mais ricos.

    Ela conta com a gratidão dos mais pobres, com os benefícios proporcionados e sente-se injustiçada quando é vaiada. Coloca sempre a culpa em grupelhos patrocinados pela oposição, ou de insatisfeitos da abominável classe média. Ela, juntamente com Marilena Chaui, não consegue entender a maioria da classe média. Ela pertence a ela, mas à ala solidária, humanista e não à maioria reacionária que se recusa a distribuir as suas conquistas. 

    Deve perder a eleição, deprimida com a ingratidão do povo brasileiro. 

    Ela deu continuidade aos programas assistenciais de distribuição de bolsa-família, para acabar com os miseráveis, proporcionando indiretamente a ascensão de uma nova classe média. Deu maiores oportunidades aos pobres de terem acesso à casa própria. Vem eliminando - gradualmente - o déficit habitacional. Levou médicos aos grotões inteiramente desatendidos e muito mais. O que mais quer esse povo ingrato? Exatamente, quer mais. Mas mais o que?

    Esse é o seu grande desafio. Incorporou a interpretação de que as manifestações populares resultam da busca pelo povo de um patamar acima de tudo o que o governo petista lhe proporcionou. E está convicta de que é ela quem tem as melhores condições para atender às reivindicações efetivamente populares. Acredita que a oposição só consegue ver às demandas da classe média, sem perceber as necessidades efetivas da maioria da população brasileira, ainda pobre.

    Por isso ela não vai mudar. Ela acha que o povo quer mais e melhor do mesmo. Sem reinventar a roda. Quer uma roda melhor.

    No entanto, as circunstâncias não são favoráveis. A prevalência da ideologia distributivista e nacionalista levou à uma perda de dinamismo da economia, movimentada pelos "abomináveis" e o retorno da carestia. 

    Com a inflação o povo vê corroer as suas conquistas. Passou a ter maiores e melhores oportunidades, mas não consegue mais comprar que conseguia antes. Não importa o quando. É a sensação de que hoje está mais caro que ontem. Que hoje está pior do que ontem.

    A carestia leva ao retrocesso e leva a menos do mesmo. Antes de avançar ela precisa proporcionar ao seu povo a reconquista do terreno perdido. Essa reconquista é o seu "calcanhar de Aquiles". 




    sábado, 19 de abril de 2014

    Um plano de voo para o Aerodilma

    O avião de Dilma vem perdendo altura, num ambiente de turbulências e com um céu mais instável pela frente.
    Não está em queda livre, como gostariam os seus opositores, mas ela precisa estabilizar a sua aeronave e tentar arremeter para reconquistar a altura, para um voo mais tranquilo e seguro.
    Tem que buscar, urgentemente, um novo plano de voo, com apoio do seu mentor e do seu oráculo. O que eles tem sugerido não tem impedido a continuidade da queda: lenta, mas persistente. O principal palpite deles é que ela deve aparecer, se mostrar. E sugerem comportamentos que fazem com que a mídia repique a sua presença, mantendo elevada a sua visibilidade perante a sociedade.

    O que não lhe tem faltando é visibilidade na mídia. Está inaugurando tudo o que pode, e aproveita a oportunidade para provocar ou revidar. Não tem deixado passar nada "bateu, levou". A mídia adora e ela tem uma aparição maior que seu adversário que bateu. Ela é a lutadora principal. O oponente é sempre tratado como um desafiante menor. Porém o contragolpe é revidado com um contra-contragolpe. Numa luta direta, continuar na defensiva, continuar apanhando e encontrar uma brecha para dar o contragolpe fatal pode ser uma estratégia eficaz. Sair para o ataque pode deixar uma abertura desguarnecida para o golpe fatal do adversário e levá-la ao nocaute. Por enquanto está perdendo por pontos. Mesmo reagindo está na defensiva, sem condições de reassumir a ofensiva. 

    A visibilidade na mídia e o "bateu-levou" não tem impedido a continuidade das perdas. O Aerodilma continua baixando e não há indícios no horizonte próximo de condições para a arremetida vitoriosa.

    A Copa, na sua dimensão fora do campo, é altamente negativa, com divergências dentro da sua equipe, pelo que contam os jornalistas. Aldo Rebelo quer insistir na importância do legado. João Santana seria contra, porque por maior ou melhor que seja a campanha para enfatizar os pontos positivos, o que a sociedade já "comprou" e não tende a mudar são os pontos negativos. 

    Basear-se nos legados é um grande risco. O impacto efetivo sobre o PIB de 2014 será negativo. A geração de postos de trabalho, com a conclusão das obras e a realização do evento resultará numa grande massa de ex-empregados que poderá ser tornar em elevado desemprego. Não há grandes perspectivas de absorver os milhares de trabalhadores que serão demitidos ou dispensados pós-Copa.  E não adiantará suspender as pesquisas do IBGE. 
    A maioria dos estádios irá se transformar em "elefante branco" com públicos e rendas pífias, quando começar a ser usada no Brasileirão. O grande legado será de dívidas. Serão pelo menos dois meses de uso efetivo dos estádios, antes das eleições. Os dados serão reais e não mais previsões ou expectativas.

    Fazer uma campanha pró-Copa baseada nos legados será mais "um tiro no pé". João Santana tem razão, mas não será fácil convencer o empedernido comunista. 

    Na dimensão campo, ela terá que torcer - como todos nós - para o Brasil ser campeão. Mas para os torcedores e para a sociedade valerá a avaliação tradicional dos resultados do futebol. Se o Brasil ganhar o mérito será dos jogadores, e em segundo lugar do técnico. Se o Brasil perder, a culpa será do Governo (embora não o seja) e depois do técnico e dos cartolas. Os jogadores irão se safar, com exceção de Neymar. Se o Brasil perder, ele será crucificado, com ou sem razão. E Dilma perde junto com o Brasil. Se o Brasil ganhar, ela fica na mesma. O aerodilma continuará perdendo altura. 
    Se o Brasil ganhar o outro risco dela é a subida do aerolula. O ex-presidente é visto pelo povo como o responsável por trazer a Copa para ser disputada em casa, com o "fator torcida". Dificilmente irá concorrer, mas criará mais turbulências.

    Segundo os jornais o conselho de Lula é que ela deve enfatizar os grandes programas ou realizações do governo. O que tem feito. O problema é que o PAC está atrasado e o lançamento do PAC 3 vai ajudar os Prefeitos, mas com pouca repercussão sobre os eleitores. O efeito será uma percepção maior da incompetência gerencial, pela opinião publicada.  Mais promessas para não serem cumpridas. Será mais um "tiro no pé". 

    O PRONATEC é um bom programa, mas eleitoralmente tem pouco efeito, alcançado uma parcela pequena dos eleitores que tem necessidades e urgências maiores. e em São Paulo, o maior colégio eleitoral tem a concorrência das FATECs/ETECs e do SENAI. O que os seus consultores acreditam e ela aparentemente concorda no seu simbolismo: é a grande oportunidade para a efetivação das esperanças. Uma vida melhor para os jovens deve ser conquistada com esforço próprio e cabe ao Governo oferecer as oportunidades. É correto, mas pouco funciona - felizmente - como ação eleitoreira.

    O seu melhor programa eleitoral é o "Mais médicos", apesar dos problemas com os médicos cubanos. Tem uma grande repercussão eleitoral, também apesar da descrença da classe média e da classe médica brasileira. O seu problema é que reforça a preferência dos eleitores que são os mesmos beneficiados do bolsa família e outros programas sociais. O acréscimo será pequeno. Pode sustentar o aerodilma na altura em que está, mas não lhe dá condições de arremeter e subir para outro patamar.

    Ela precisaria convencer os descrentes de que o Mais Médicos resolve a necessidade de expectativa de saúde da maioria da população brasileira. Não resolve os problemas crônicos da saúde pública brasileira, mas apenas a expectativa. É uma grande ação de marketing. 

    Sustentada por ações de marketing, sob realidades adversas, corre o risco de saturação das mensagens, com o excesso de visibilidade. 

    O seu plano de voo requer elementos novos. Não pode ser DilMais do Mesmo.

    quinta-feira, 6 de março de 2014

    Quais mudanças?

    As enquetes sobre o posicionamento atual dos eleitores em relação às eleições de 2014 mostram que a maioria da população quer mudanças, mas também a maioria acha que quem tem melhores condições para promover as mudanças é a Presidente Dilma. 
    Parece contraditório, porém há explicações plausíveis.

    Quando as pessoas não estão satisfeitas com as condições em que estão vivendo querem ou gostariam de mudanças, porém querem que mude o que não está bom, mas preserve o que está bom.

    O governo joga hábil e maliciosamente com a perspectiva de mudança do bolsa-família e de outros benefícios sociais por parte dos candidatos da oposição. Seria uma mudança para pior, na perspectiva da maioria dos eleitores. 

    Os candidatos da oposição precisam convencer cabalmente os eleitores de que não irá acabar com o bolsa família, a LOAS e outros benefícios. Não vai mudar o que está indo bem. Não vai mudar o que a população acha bom. Mesmo que não seja.

    Os três principais problemas, que a população já enfrenta e quer mudanças são saúde pública, segurança pública e carestia. Um quarto problema está emergindo, mas ainda não é percebido de forma nítida: desemprego ou desocupação.

    Os demais problemas tem importância menor para a maioria da população. Educação não é um problema crítico para a população de baixa renda. Se a família consegue matricular a criança, acha que está sendo educada e atendida. Para ela a falta de qualidade da educação está nas faltas da professora. O problema está ainda em questões complementares, como falta de merenda, a falta de uniformes, a falta do transporte escolar e a insegurança. 
    O problema real da má qualidade da educação pública é percebida pela elite e pela classe média, que cada vez mais tiram o filho da escola pública e suas reclamações não decorrem de questões práticas. Quando muito o que ocorre com os filhos dos seus empregados, de menor renda.

    A prioridade da educação é diferente em função da classe social.

    Qual é a mudança desejada pela população em relação à saude? Também há diferenças significativas.

    A população de baixa renda que não tem condições de acesso a um plano de saúde privado quer um padrão de atendimento desses planos. Supõem que se tivessem um plano de saúde, seriam atendidos com maior presteza. Se tivessem um plano de saúde, poderia reclamar os seus direitos. Sem plano de saúde tem que se conformar com a demora, com o mau atendimento pelos profissionais de saúde, etc.

    Quem tem plano de saúde, tem outras reivindicações. Reclamam, principalmente, das restrições de atendimento.

    O povo não está exigindo saude no padrão FIFA. Isso é uma reivindicação da classe média.

    O povo quer uma saúde pública no padrão dos planos de saúde. Ele supõe que os planos de saúde dão bom atendimento.

    Maluf em São Paulo criou um "tipo" plano de saúde. Foi um grande sucesso e elegeu um poste como seu sucessor. Depois este usou o plano para locupletar os amigos e caiu em desgraça. Pior: comprometeu a idéia de um plano de saúde universal. 

    O maior problema da saúde pública é a falta de médicos. 

    O Governo apresentou a sua proposta. A mudança está em curso. E a oposição. Que propostas tem?

    segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

    Isonomia salarial

    O caso da médica cubana trouxe a tona, uma questão sabida mas abafada pela propaganda governamental: a isonomia salarial tanto reclamada pelos trabalhadores brasileiros, manifestada através dos seus sindicatos e apoiada pelo partido dos trabalhadores.
    Os médicos que participam do programa Mais Médicos, mesmo de procedência estrangeira passariam a ser trabalhadores brasileiros ou no Brasil?
    Uma das condições requeridas seria a isonomia salarial, como direito do trabalhador. No caso a isonomia remuneratória. O médico cubano deveria ter remuneração similar ao médico argentino ou o brasileiro contratado para o programa. 

    Se para os médicos cubanos o Governo adota um mecanismo transverso, através da Organização Panamericana de Saúde, deve acrescer à remuneração do profissional os acréscimos, os chamados fees, às entidades intermediárias do processo.
    O que não pode e não deve é pretender gastar a mesma coisa e deduzir da remuneração do profissional os fees pagos aos intermediários. 

    Se isso ocorresse num contrato de consultoria os Sindicatos e o Ministério Público logo entrariam com ações contra. Por que não o fizeram antes da "espalhafatosa" retirada da médica cubana, explorada politicamente?

    O Programa Mais Médicos adota uma medida necessária, levando "as pessoas de branco" para as periferias urbanas e para os grotões, onde - em condições usuais - os médicos não querem ir. Mas corre o risco de fracassar pelo modelo adotado com os médicos cubanos, ilegal e imoral.

    Descontar as taxas dos intermediários da remuneração do profissional, reduzindo-o em relação à atribuida aos demais, com as mesmas funções é ilegal.  Forçá-los a aceitar as condições, ameaçando-os de extradição é uma relação similar ao trabalho escravo: também ilegal.

    O modelo adotado tem duplo objetivo, em função do que ocorreu na primeira leva de vinda de médicos cubanos para os programas de assistência familiar: repassar recursos públicos brasileiros para o Governo cubano e evitar que os médicos cubanos enviem recursos aos seus familiares para poderem sair de Cuba. 

    Se os familiares saírem de Cuba, os médicos cubanos ficam sem a ameça de punição deles na Ilha, podendo optar por outras alternativas no Brasil, como fez uma leva de remanescentes dos primeiros grupos. Poderiam até mesmo permanecer no programa,  recebendo a totalidade da remuneração, similar aos demais.

    Mais uma vez, o Governo usa fins corretos para financiar meios escusos.

    quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

    Padrão FIFA x padrão cubano

    Diante das manifestações de rua reclamando por padrão FIFA para a saúde pública, o Governo respondeu com o programa "Mais médicos". 
    Esse programa já está melhorando o atendimento de parte da população, mas nada tem a ver com o "padrão FIFA".  O programa introduz o "padrão cubano".
    O "padrão FIFA", na saúde requer investimentos e tecnologia. O "padrão cubano" compreendo o atendimento com médicos, com poucos recursos tecnológicos, baseados mais na sensibilidade e experiência pessoal. Satisfaz quem não tem nenhum atendimento médico, por falta de profissionais, mas não atende a quem está em situação de urgência ou emergência. Não atende a quem precisa de atendimentos de segundo nível ou ainda mais complexos.
    A população dos "grotões" e das periferias mais carentes estão e ficarão satisfeitos com o "Mais médicos".
    Mas não foram eles que estiveram na Av. Paulista em junho do ano passado, com cartazes pedindo "padrão FIFA para a saúde pública". A imagem que os manifestantes, a  maioria integrantes da opinião publicada, sobre os problemas da saúde pública são as reclamações sobre as demoras no agendamento de especialidades e nos pacientes em maca ou em condições precárias de atendimento.
    A resposta do Governo ao "padrão FIFA" na saúde pública é de escapismo, com a proposta do "padrão cubano", como alternativa. 
    O povo irá aceitar?

    domingo, 1 de dezembro de 2013

    As mudanças propugnadas

    As pesquisas de satisfação (ou não) com o Governo e de intenções de voto, indicariam uma preferência maior pela reeleição da Presidente mas, ao mesmo tempo, uma parcela superior que reclama por mudanças.
    Que mudanças seriam essas?
    Economistas e autoridades apressadamente como mudanças na política econômica. Mas isso para o povo é muito exotérico. Ele trabalha mais com resultados e com a percepção que caracteriza o "imaginário popular".
    Dentro desse, uma principais mudanças desejadas é o fim da corrupção. 
    O povo está cansado de ver todos os dias surgimento de casos de corrupção, que ao ver dele seriam evitáveis. Acha que uma das causas maiores é a impunidade. Acha que, quem tem dinheiro para pagar bons advogados escapa da cadeia e continua praticando as mesmas falcatruas.
    A prisão dos "mensaleiros" alivia um pouco a pressão. Tem a aprovação da maioria, ficando a exceção com militantes petistas que insistem em vender um peixe da injustiça, de regime de exceção e ilegalidade.
    Independentemente de quem foi atingido, e da sua história pregressa, a prisão tem um caráter simbólico: é percebido como um golpe na impunidade: poderosos e ricos também vão para a cadeia.
    Essa mudança já estaria ocorrendo e não seria necessário trocar o Governo, porque essa já teria feito. Dilma, sabidamente, não contesta as prisões, porque isso seria interpretado como defesa da impunidade. Deixa isso para os militantes do PT. Lula também presta solidariedade mas não vai contra.
    Melhor para o projeto de poder do PT eles se passarem por mártires: aqueles que se sacrificaram para satisfazerem a "sanha" do povo que quer ver corpos imolados. É o que pretenderia José Genoino.

    As duas principais reivindicações seguintes são com relação aos serviços públicos de saúde e de educação.
    As percepções são diferentes em função da renda, diversamente do caso da impunidade, que é generalizada.
    Os mais pobres que dependem dos serviços públicos querem o atendimento por médicos, independentemente da tecnologia. 
    O Governo está tentando atendé-los mediante do programa Mais Médicos e com os médicos cubanos, nos grotões e nas periferias. Nos grotões dará certo, mas isso não deverá resultar em muitos mais votos.
    O problema maior estará nas periferias urbanas, onde a presença do médico é necessária, mas não suficiente.
    Mas, para vencer o Governo, neste quesito, que já estaria fazendo as mudanças, é preciso muita criatividade e demonstração de resultados. Eduardo Campos, aparentemente, teria mais o que mostrar, mas não tem propostas ousadas e inovadoras, como é o Mais Médicos.
    Já os mais ricos pouco usam o sistema público e tem dele impressões a partir de casos pontuais, principalmente de empregados que lhes atendem, e do que vê ou lê pela mídia.
    A classe média se vale - predominantemente - dos planos de saúde privados e suas reivindicações são em relação aos reajustes que sempre considera abusivos e as restrições de atendimento. 
    A tal de "educação de qualidade" é mais simbólica do que real. Em  2014 o mais simbólico poderá ser o "padrão FIFA".
    Todo mundo quer, mas enquanto os resultados forem ruins, continuará sendo exigido.

    E a Copa poderá derrotar todos os governantes. Só a taça os salvarão.








    quinta-feira, 17 de outubro de 2013

    Cidade sustentável

    O que vem a ser uma cidade sustentável?
    Os ambientalistas se "apropriaram" da questão e respondem com a redução da emissão de gases estufa, com os índices de cobertura verde, enfim cidade verde seria o equivalente à cidade sustentável.
    Descobri ontem uma característica bem mais ampla do que seja um cidade sustentável, conhecendo e percebendo Garanhuns, na entrada do sertão pernambucano.
    Garanhuns, caracterizada como a "Suiça do Nordeste", condição que pedeu à muito tempo, agora adotu o lema "a cidade das flores", embora as poucas flores que encontrei form as de alguns jardins públicos.
    Uma cidade a ordem de 130 mil habitantes, iniciando um processo de verticalização residencial, predominando as casas, de todos os padrões, incluindo modernas mansões, seria, no meu entender, um exemplo concreto do que seja uma cidade sustentável ou sustentada: é uma cidade que mantém uma dinâmica de crescimento, mesmo tendo perdida a sua principal fonte de renda, no caso o turismo.
    Apesar dessa perda, mantém a sua evolução, pela movimentação da renda acumulada, sem entrar em decadência.
    O Hotel Tavares & Correa um "hotel-fazenda" dentro da área urbana, onde me hospedei, com boas acomodações no seus chalês, ainda que incompletas para um "velho", porém vazio e com uma série de equipamentos desativados, é o retrato da perda de substância de Garanhuns como o principal polo turístico serrano de Pernambuco.
    Ela perdeu essa condição para Gravatá  situada ao largo da mesma BR-232, mas a cerca de 80 kms do Recife e 150 kms mais próximo da capital do que Garanhuns. Considerando as condições reais da rodovia, são cerca de 2 horas a mais, o que faz com que a condição de Garanhuns como polo do turismo de final de semana, irrecuperável. Dezenas de condomínios horizontais, com amplos terrenos, destinados às classes mais altas, estão implantados ou em implantação em Gravatá, além de hoteis e centros comerciais.
    Apesar da perda dessa importante fonte de renda externa, a cidade vem sustentando o seu crescimento, provavelmente com o giro do capital e renda acumulada, o proporciona a existência de uma população de média alta renda, que frequenta os bons restaurantes da cidade, ainda que poucos, e consome em lojas de bom padrão, ainda que não as das "griffes" mais conhecidas. Isso leva a indícios de uma evasão da renda local para outras localidades, principalmente para a capital. Um indicador dessa evasão é que os grandes investidores locais, sejam comerciantes, agricultores ou políticos, dividem os seus investimentos, parte na cidade, parte na capital ou em outras localidades. Isso pode levar a uma percepção negativa, mas o lado positivo é que eles ainda investem na cidade, apesar da perda de dinamismo.
    Outro sintoma da permanência ou existencia de uma classe rica em Garanhuns é o parque público, onde fui andar logo pela manhã. Esse parque onde foi implantada uma pista de cooper, e seria o "Parque Ibirapuera" da cidade, às 7 hs da manhã tinha sua área de estacionamento tomada por carros importados ou de nacionais "de luxo" (assim considerados os de valor superior a R$ 60 mi). Os empresários locais fazem os seus exercicios a essa hora acompanhando os "da melhor idade" que são a maioria dos caminhantes.
    Essa é outra característica significativa da cidade: é uma cidade boa para os "velhos" e pode ser uma das principais alternativas para aqueles que se aposentam e querem sair da cidade grande e "respirar ares mais saudáveis". Pode não parecer, porém pela quantidade pode ser um importante fonte de renda para a cidade que já tem um ampla rede de farmácias,  indicando que esse processo já está em andamento, ainda não de forma significativa.

    Garanhuns seria o exemplo da cidade sustentável: a cidade que sustenta o seu crescimento, mediante a multiplicação da sua renda interna, a partir de um capital acumulado gerado por uma fonte de renda externa, perdida: segue o seu crescimento por inércia.

    Esse processo, porém, tem o seu lado negativo: contém a ascensão social dos mais pobres que tem menores possibilidade de ascensão econômica-social.
    A percepção visual da cidade, sem base estatística que irei verificar posteriormente, mostra um grande volume de moradias pobres, convivendo com vários novos conjuntos habitacionais do "Minha Casa, Minha Vida".

    O principal potencial de Garanhuns, o que alguns caracterizam, ainda que inadequadamente como vocação é a recepção da "terceira idade". Diante do envelhecimento da população torna-se, também, uma grande oportunidade econômica.

    A cidade ainda tem tempo para se preparar.

    sexta-feira, 13 de setembro de 2013

    Mais médicos: divergência entre a opinião publicada e a não publicada

    A mídia difunde a opinião publicada: a opinião dos formadores de opinião, para um público seleto, mais educado, mas uma minoria dentro do conjunto da sociedade.
    A opinião publicada é desfavorável ao Programa Mais Médicos. Ela não precisa dos médicos cubanos ou qualquer outro estrangeiro a menos daqueles com os quais vai consultar ou se tratar no exterior. O seu problema maior é com os custos e o atendimento dos planos de saúde.
    Já a opinião não publicada, que ainda é a maioria da população brasileira parece ser a favor.
    Há uma contradição de fundo na imagem que o Governo quer passar do Brasil. Procura difundir a imagem de que o Brasil já é um pais de classe média. Manipula os indicadores estatísticos para tentar comprovar.
    Apesar da melhoria de condições de vida de milhões de brasileiros, a sociedade brasileira ainda é predominantemente pobre e deseducada. E forma o contingentes da opinião não publicada. 
    Essa é captada, parcialmente, pelas pesquisas de opinião pública e amplamente nas eleições.
    Os marqueteiros do Planalto detetaram uma boa aceitação do programa Mais Médicos, porque a falta do "homem de branco" é uma das maiores aflições do pobre. 
    Por isso o Governo insiste tanto na implantação do programa apesar da obstrução dos médicos brasileiros que não vão às periferias e aos grotões, mas não querem médicos estrangeiros atuando no Brasil, em condições diferenciadas.
    O Programa não pretende resolver o problema da saúde pública no Brasil, mas assegurar a reeleição de Dilma e a manutenção do PT no poder por mais vários anos.
    O diagnóstico é simples: faltam médicos nos grotões, onde nenhum médico brasileiro, formado na medicina tecnológica, quer ir. Mas nesses o eleitorado, em cada uma das comunidades que venha a ser atendida é pequeno. Tem um poder de irradiação, mas limitado.
    Já nas periferias das grandes cidades, os médicos não querem ir, porque dadas as distâncias e o congestionamento no trânsito dificultam ou impedem as jornadas múltiplas.
    Para não ir, os médicos alegam os riscos da violência, o que é real, mas ampliada, como desculpa, e a falta de condições de trabalho, o que também é real, mas não tão generalizada como mostram. Mas é onde está a maioria do eleitorado.
    Um dos maiores problemas de atendimento nessas regiões é que os profissionais não cumprem a sua carga horária. Não são todos, nem a maioria, mas geram os problemas que afetam a imagem do Governo.
    Para enfrentar esses problemas e melhorar a percepção da opinião não publicada a estratégia é simples.
    Para os grotões são escalados os médicos cubanos, que seriam "curandeiros" formados para atender os pacientes sem a tecnologia de equipamentos ou de medicamentos químicos. 
    Para quem não tem nada, um médico, mesmo que falando uma língua atrapalhada é muito. 
    Para a periferia das grandes cidades a estratégia é de reverter a resistência dos médicos brasileiros. O objetivo é induzí-los a trabalhar - efetivamente - nas periferias, onde já existe tecnologia, mas faltam recursos humanos.
    Esse é o principal alvo, porque é onde há concentração de eleitores.
    Um terceiro grupo é formado pelos Prefeitos de pequenas cidades e algumas até médias. É um apoio para que eles possam melhorar a sua imagem perante o eleitorado e, subsequentemente, apoiar a reeleição da Presidente.
    Os primeiros resultados de pesquisa de opinião, embora possa estar manipulada, mostra a aceitação da opinião não publicada, o que afeta o conjunto.
    O dado real é que a opinião não pulicada apoia o Programa Mais Médicos, ao contrário da opinião publicada. 
    O seu objetivo principal é eleitoreiro e, nesse sentido, parece estar dando certo.


    segunda-feira, 2 de setembro de 2013

    Inteligência Estratégica - o que vem a ser?


    Inteligência, estratégia são expressões cada vez mais comuns. E usados indevidamente. Volta e meia temos que refletir sobre o que significa o que estamos fazendo, supondo que estamos usando os termos no sentido correto.
    Em primeiro lugar, o estrategista nunca pode ter um pensamento linear. Definir ou perceber um objetivo, traçar um rumo de como alcançá-lo e sair desembestado pelo mesmo, avaliando que no caminho terá obstáculos (ou ameaças) e facilidades (oportunidades) e que tem forças suficientes para superá-los ou usá-los para alcançar o objetivo.
    No entanto, essa é a visão ou entendimento predominante do que seja um pensamento ou ação estratégica. É a perspectiva estratégica do "super-homem", ou do "He-man": "eu tenho a força".
    O que está implícito nessa visão e em tudo que trata de estratégia é que envolve a participação do outro, ou dos outros. O obstáculo ou ameaça pode ser de um adversário e a oportunidade de um aliado. Que pode trair. 
    Significa que o estratégico tem implicito o confronto, uma guerra, em que os protagonistas nem sempre agirão como esperado, ou segundo a ética que o estrategista prega ou acredita.
    A inteligência estratégica pode estar a serviço de um estrategista ou ser uma análise de um observador externo, sem um envolvimento direto com os confrontos e os contendores. Mesmo sendo apenas um "espectador", a sua avaliação jamais será inteiramente isenta. É uma pessoa humana sujeita a emoções, a preferências, aos seus valores. Portanto não esperem aqui intepretações inteiramente isentas, sem partidos, porém a tentativa é sempre de interpretações das perspectivas e ações das partes e não apenas de uma. A contrapartida é que a visão aqui é que não acredita que ninguém tem uma posição inteiramente isenta e está defendendo ou usando as suas visões ou interesses particulares. E que jamais haverá unanimidade. O mundo humano será sempre de confrontos. Com convivência pacífica, ou não.
    Um dos confrontos que está na ordem do dia é o programa "Mais médicos", empreendida pela Presidente da República, sob muitas críticas de um lado e de apoio de aliados. O objetivo aqui, é de interpretação da contenda, sem participação direta em qualquer das partes.
    A inteligência estratégica começa com uma avaliação dos objetivos declarados pelo contendor Governo. Esses seriam, a resolução de problemas da saúde da população, prejudicada pela falta de médicos. A questão principal não é a carência global, porém a má distribuição, com a concentração dos profissionais nos centros dos centros urbanos e a carência nas suas periferias, assim como em milhares de comunidades semi-urbanas, por todo o Brasil afora.
    O problema de atendimento à saúde dessas populações periféricas ou mal assistidas existe de fato, apesar da maioria dos brasileiros desconhecerem essa realidade. Só são colocadas diante dela quando a mídia a traz, em geral, de forma trágica.
    Mas o objetivo principal do Governo não é resolver o problema, mas transformar a solução em ativos eleitorais. Isso nos leva à questão seguinte: por que a Presidente insiste tanto nesse programa? A interpretação mais plausível é a mesma que domina as ações governamentais nos últimos anos: é uma prioridade de grandes segmentos da população, vale dizer dos eleitores, detectada pelas pesquisas do marketing político.

    Os olhos do político brilham quando o marketeiro político chega com o resultado de pesquisas e lhe diz: "esse é o maior problema reclamado pela população do segmento x. Se você resolver, está reeleito". Ou diz o contrário: "se você não atacar essa questão, está "ferrado"".

    A doença foi constatada e as suas causas e repercussões avaliadas: os médicos não querem ir trabalhar nas periferias das cidades, assim como nos grotões. 
    A solução levantada é a importação de médicos cubanos, que foram formados para a atenção básica à saude, sem recursos tecnológicos. Baseiam-se na avaliação pessoal e no uso de medicamentos naturais. No interior do país, a base seriam os indígenas, que não tratavam os seus doentes com remédios químicos. A morbidade é alta, mas o objetivo mercadológico é de reduzí-lo e gerar a imagem de que o Governo está cuidadando dessa população. 
    Os médicos cubanos tem a competência que o Governo precisa, para enfrentar o problema. Porém dados os preconceitos de natureza ideológica, ao que - na realidade - se somaram os preconceitos raciais e sociais, era preciso gerar alternativas. Dai a idéia de importar médicos de outros paises. Trazer para o Brasil, um suposto excedente de profissionais de paises em crise econômica. Só que esses não vão trabalhar nas comunidades perdidas do país. Vão trabalhar nas cidades, onde existem carências de pessoas.
    Essa foi, tipicamente, uma ação estratégica. Quando se enfrenta um obstáculo, a alternativa é criar um objetivo altrernativo, às vezes falso, para desviar a atenção. 
    A estratégica principal do programa é importar os médicos cubanos. A importação dos demais médicos é "cortina de fumaça". ou melhor uma ação menor para atender às contestações dos oponentes. Promove-se então a revalidação dos diplomas dos formados no exterior. Isso para manter a ação de trazer médicos cubanos sem a revalidação. 
    Aparentemente, a estratégia não deu certo. A opinião publicada, insuflada pela comunidade médica "não engoliu" e mantém o fogo cerrado sobre os médicos cubanos. Com isso os oponentes terão os Ministérios Públicos como aliados, que poderão inviabilizar juridicamente o programa. A avaliação do Governo em relação aos oponentes foi subestimada. 

    segunda-feira, 26 de agosto de 2013

    Por que não vai dar certo?


    A necessidade existe e não tem sido atendida pelos médicos brasileiros. O diagnóstico está correto, embora embaçada pelo viés corporativo  O remédio já não deu certo uma vez e não vai dar de novo. Não é eficaz e deixa sequelas.
    O problema não é a falta de médicos brasileiros. Parece até haver um excesso de profissionais, mas a distribuição geográfica é inadequada e a visão fortemente enviesada pela opinião publicada.
    O Brasil tem mais de 6.000 municípios e um número ainda maior de localidades urbanas, muitas no interior deste imenso país, desconhecidas pela população urbana das grandes cidades. São vilarejos, alguns com menos de mil habitantes, desprovidos de tudo, menos de doentes. 
    Essa realidade não pode ser vista pelas lentes dos urbanos. A situação dessas pequenas comunidades pobres não pode ser comparada com a periferia das grandes cidades.
    Para atender a essa população miserável, há alguns anos atrás Governos Estaduais importaram médicos cubanos. Roraima e Tocantins foram alguns deles. Vieram também alguns médicos para o interior de São Paulo, esses enfrentando situações diferentes das localidades daqueles estados.
    Houve o atendimento daquelas populações com médicos formados numa medicina, sem recursos tecnológicos, mais dependentes da competência e experiência pessoal dos profissionais, com ênfase na saude da família e no atendimento primário.
    A reação corporativa, associada à ideológica e a insatisfação do Governo cubano fez com que os programas tivessem que ser encerrados, com o retorno compulsório da maioria dos médicos, com família ainda em Cuba. Alguns poucos, já sem famílias em Cuba e com o revalida, ficaram no país, exercendo regularmente a medicina, mas não mais naquelas comunidades, tendo migrado para os centros urbanos.
    Com a retirada dos médicos cubanos, aquelas comunidades miseráveis voltaram a ficar sem qualquer assistência, porque os médicos brasileiros continuaram se recusando a ir a elas. É esse o problema que o Governo Federal quer resolver, mudando parte do medicamento, mas mantendo o mesmo, procurando corrigir alguns dos erros ou problemas do programa anterior.
    O primeiro problema foi externo. No programa anterior os médicos eram contratados diretamente pelos Governos Estaduais, em cargos comissionados, sem intervenção do Governo cubano, a menos da autorização de saída, com o devido pagamento das taxas. Com o que ganhavam no Brasil, os médicos mandavam a maior parte do seu salário para os seus familiares em Cuba que, com esses valores, conseguiam sair da ilha. Ao perceber isso o Governo cubano determinou aos médicos que retornassem à Cuba, ameaçando represálias contra as famílias. Alguns não retornaram. Por essa razão, no modelo novo, o Governo brasileiro estabeleceu um convênio com a Organização Panamericana de Saúde para a prestação terceirizada de serviços de saúde. Essa subcontrata o Governo cubano que, por sua vez, utiliza os seus funcionários da area de saúde. Os profissionais que estão vindo ao Brasil são funcionários contratados pelo Governo cubano, num convênio de prestação de serviços. 
    Como em todos os contratos de terceirização de serviços o contratante, no caso o Governo Federal, paga um valor por serviço por profissional, cabendo ao conveniado o pagamento ao profissional.  Como serviços prestados no Brasil, estão sujeitos à legislação brasileira, com todas as pendências e encargos da legislação trabalhista. A questão da terceirização envolve ainda muitas controvérsias. Ademais há a controvérsia sobre a obrigação do prestador de serviço, mesmo sendo uma organização internacional, como a OPAS, pelas contribuições pevidenciárias.
    A questão profissional envolve contradições. O Conselho Profissional quer que o médico revalide o seu diploma. Mas se conseguir poderá trabalhar em qualque local do país regulamente, podendo abandonar as localidades carentes. Para evitar isso o Governo Federal quer que eles trabalhem sem a revalidação do registro, ficando preso ao programa. Essa condição pode ser considerada uma relação similar à escravidão, com o cerceamento da liberdade da pessoa. O Ministério Público do Trabalho terá que intervir para "libertá-los da situação de escravidão", impondo penalidades á OPAS e ao Governo Brasileiro, sem eficácia, porém com tumulto do programa.
    A intenção é boa, a doença existe, o diagnóstico está correto, mas o medicamento continua com sérios problemas. As pequenas comunidades miseráveis do Brasil continuarão sem atenção de saúde e o programa gerará sequelas em outras áreas. 

    sábado, 24 de agosto de 2013

    Diferenças fundamentais


    Há carências de médicos nas periferias urbanas, assim como em pequenas comunidades no interior do Brasil. O remédio a ser aplicado não pode ser o mesmo. As razões para a carência são bem diversas.Na periferia das grandes cidades o médico tem que atender a pobreza, mas não precisa morar lá. Um problema grave, porém mais cultural e psicológico é de insegurança pessoal. O que é muito relativo. O "homem de branco" é respeitado e até protegido pelas lideranças das comunidades. O seu risco, no entanto, é não atender ou atender mal os indicados pelas mesmas lideranças. Erro médico, nessas circunstâncias tem um custo muito alto. Mas não é uma questão generalizada.O problema real é o tempo de deslocamento. Com os crescentes aumentos de distância, pela expansão horizontalizada das cidades e os congestionamentos nas vias troncais, o tempo de deslocamento dificulta ou até impede do médico ter dois ou até três empregos. Ele gasta mais tempo em deslocamentos do que em consultas ou atendimento. As suas conquistas passadas de 20 horas semanais tornou-se um obstáculo. A solução é - aparentemente - simples: adoção do tempo integral, regime de 40 horas semanais.   
    Como a semana tem 168 horas, para unidades com atendimento 24 horas são necessários, 4,2 médicos por posto.Mas não basta ter médicos. É preciso ter equipamentos, instalações e medicamentos. Numa grande cidade essa questão pode ser resolvida por uma rede hierarquizada, com unidades centralizadoras e de referência.Já, nas pequenas comunidades do interior do Brasil, a carência é total e o médico tem que residir na comuniade ou em local próximo, que pode significar pelo menos 40 quilometros. A concepção do seu trabalho tem que ser diferente. Não cabem especialistas por doença ou parte do corpo humano. Ele precisa ser generalista, trabalhar no conceito da saude da família e como padrão a medicina chinesa. Isso significa trabalhar com o seu conhecimento e com a sua experiência em diagnósitco e tratamento geral, sem a necessidade de equipamentos sofisticados. Isso é contraditório com a carreira. Ele precisa ser experiente. Não pode ser um esudante ou recémformado que precisa do apoio dos sistemas de apoio ao diagnostico e tratamento. A menos que seja muito talentoso no diagnóstico visual, auditivo ou táctil. É uma medicina tratada como arte e não apenas como ciência.Não funciona por imposição, ou por objetivos de renda. Decorrem de decisões voluntárias como forma de vida. São comportamentos missionários.E entra em conflito com o corporativismo profissional.

    Lula, meio livre

    Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...