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Mostrando postagens de Julho, 2015

Desindustrialização e Reindustrialização

Desindustrialização é a decadência do enorme e complexo parque industrial instalado no Brasil, a partir da política de industrialização para substituição de importações. Decadência física caracterizada pelo baixo nível de utilização da capacidade instalada, pela crescente obsolescência tecnológica e redução do contingente de mão-de-obra. 

A indústria brasileira perdeu a competitividade e não tem condições de concorrer com os produtos industriais fabricados em outras partes do mundo, principalmente da China. Está fadada a ficar restrita a nichos de mercado interno, protegidos por dificuldades logísticas ou mediante medidas protecionistas por parte do Governo. Essas são insustentáveis a médio e longo prazo, da tal forma que estamos diante de "morte anunciada".

Mas existem focos não inteiramente extintos que poderão reacender e promover a reindustrialização. 

A condição primeira para a reindustrialização será reorientar a destinação dos produtos industriais brasileir…

A batalha dos pedestres

As ruas foram tomadas por grandes batalhas: Uber x taxistas; bicicletas x carros, mas a principal delas não ganha destaque na mídia, porque todos acham que a situação é normal. Mas, no dia-a-dia o pedestre enfrenta uma cidade deflagrada, onde ele não tem espaço para circular e o que ele encontra é irregular e esburacada.
A questão, em geral, é colocada como pedestre x carro, com a sua disputa no leito carroçavel, com risco de ser atropelado. As autoridades se preocupam com o atravessar a rua. Mas a principal batalha do pedestre na cidade é com as calçadas ou passeio público.

Em muitos locais as vias foram ampliadas para deixar espaço para estacionamento, sem sacrificar a área de circulação. O sacrificado foram as calçadas e os pedestres, que perderam espaço na via pública. O Prefeito, se efetivamente, quisesse melhorar a vida do cidadão paulistano deveria, em primeiro lugar recuperar o espaço do pedestre. 
O pedestre deveria ter prioridade em relação à bicicleta. Como ele n…

Espirito animal do empresário: deixar de recolher os tributos

O Governo espera que com o ajuste fiscal o empresariado recupere a confiança e volte a investir e produzir. 
Quer provocar o seu "espírito animal".
Mas com a crise a sua primeira reação, diante da redução de vendas é postergar o pagamento dos tributos. A arrecadação cai mais que o esperado.
Com isso agrava a necessidade de ajuste e dá partida ao círculo vicioso, em vez do esperado círculo virtuoso.
Esse  movimento é provocado pela elevada taxa de juros. 
Se o empresário tiver que tomar um empréstimo bancário para cumprir as suas obrigações tributárias, preferirá deixar de pagar os tributos. Acha que fica mais barato, corre o risco e espera pelo Refis.
Esse é o verdadeiro instinto animal do empresário. Sobreviver não começa com produzir mais. Começa não pagando os pesados impostos que o Estado impõe ao contribuinte e ao consumidor.
(ver o texto estendido na coluna artigos)

pró-carro x anticarro na mobilidade urbana

As questões de mobilidade urbana, até hà pouco tempo vistas apenas como transporte urbano eram tratadas com excesso de racionalidade, buscando aprisioná-las dentro de modelos matemáticos.
A transposição para mobilidade urbana com um escopo mais amplo, mas ainda parcial, levou consigo a racionalidade, passando a virar uma batalha entre os prós e contra os carros. Uma disputa emocional e até radical entre torcidas.
Os pró carros não se manifestam em discursos, tampouco contam com torcidas organizadas e uniformizadas. Apenas usam e tem sempre as suas explicações ou justificativas de porque não deixam de usá-lo. 
Entre eles tem muitos que defendem o não uso do carro  (sempre dos outros) e tem as suas razões para mantê-lo e usá-lo.
A tribo dos com carro tem maior escolaridade e maior renda e não vão deixar de usá-lo, nas grandes cidades. Muitos deles foram morar mais longe, na expectativa de viver melhor.


Os anti-carros durante muito tempo defenderam o transporte coletivo como alter…

O contra-ataque de Eduardo Cunha

No clima de  Fla-Flu que tomou conta da batalha contra a corrupção, o Juiz Sérgio Moro, com uma conduta impecável, até então, fez um gol com a mão, contra Eduardo Cunha. Mas como toda opinião publicada torce por ele, Moro, aceita que foi com "la mano de Dios". E todos comemoram o gol, com muito estardalhaço.

Cunha está carregando uma derrota e reagiu  de forma brutal, rompendo com o Governo, dando caneladas a torto e a direito, e recorreu ao tapetão para anular o gol irregular. 

Pode ganhar, com Lewandowisky e dar a volta por cima. Mas por pouco tempo.  Subindo o processo para Brasilia, o Procurador Geral vai pedir a autorização ao STF para continuar as investigações. Cunha vai levar novo gol. Mas vai se trancar na defesa, alegando que não existem provas e vai sair para o contra-ataque. Tentará inviabilizar a permanência de Janot influenciando o Senado.

O jogo está no intervalo entre o primeiro e o segundo tempo, com o placar desfavorável a Cunha. Mas a torcida contra ele que …

Uma disputa de argumentos falsos

Diante da realidade irreversível  de chamada de taxista pelo telefone celular, a solução não é proibir o aplicativo. Que é legal.
O que não é legal é o transporte por motoristas que não tem a devida licença municipal para prestar o serviço, devidas as exigências da regulação municipal. O Uber comete o erro de anunciar um serviço para conectar taxistas com o usuário. O seu taxista é pirata, realizando serviços ilegais.

Dai há duas soluções, ambas radicais: desregulamenta-se inteiramente a prestação dos serviços e qualquer motorista pode prestar os serviços, cobrar pelos mesmos e ficar sujeito apenas ao Código de Defesa do Consumidor. 

Se você levantar o braço na rua, qualquer um pode lhe oferecer o serviço. Ou o Uber quer substituir um oligopólio por um monopólio? O dos aplicativos.

A outra é estender a regulamentação e exigir que o motorista cadastrado no Uber seja cadastrado também na Prefeitura e tenha que pagar os mesmos tributos dos demais taxistas. Todo mundo vira taxista.
(ver o arti…

Auimenta o risco do impeachment de Dilma

Além do fato motivador que poderá ser a rejeição das contas de 2014, é preciso instaurar o processo. Com o Presidente do Senado deixando a fidelidade e o da Câmara se declarando oposição, isso não será difícil.
A questão crítica é a posição dos congressistas que, em primeiro lugar, querem saber a posição dos seus eleitores. 
Querem saber se eles foram contaminados pela opinião publicada que domina a cena de Brasilia. Os congresssistas são muito afetados pelo que diz e mostra a mídia e os movimentos das elites metropolitanas.
Embora voltem para as suas bases no final de semana, o tempo não é suficiente para conhecer mais amplamente o seu eleitorado. Com o recesso parlamentar eles terão essa oportunidade. 
Se perceberem que o seu eleitorado não foi contaminado e permanece fiel a Dilma, em quem votaram em 2014, eles voltarão ao Congresso em dúvidas. Se verificarem que os eleitores dela e seus estão descontentes e contra ela, voltarão dispostos ao impeachment. 
O recesso pode  a peça chave.
(ve…

Plataformas de produção para o mundo

O Brasil por estabelecer plataformas de produção apenas para o seu mercado interno e gerar um estigma contra as plataformas de exportação, ficou com escalas de produção de pequeno porte e tecnologias defasadas. O Brasil é um produtor industrial de produtos de penúltima geração, com baixa produtividade e competitividade.

Com a abertura do mercado e ingresso maior de produtos de última geração, a indústria no Brasil vem definhando, caracterizando a desindustrialização. 
Não ocorre apenas a perda de mercados externos, mas também de parcelas significativas do mercado interno.

Para a sua reindustrialização a condição básica é reorientar as suas plataformas produtivas para o mercado mundial, envolvendo tanto o mercado nacional e da vizinhança, como todos os demais mercados, principalmente os dos países mais desenvolvidos.

Com essa redefinição das suas plataformas produtivas para destinação mundial poderá atrair as multinacionais a aumentarem os seus investimentos diretos, reorienta…

O patrimonialismo: a grande doença que ataca o estatismo

Todas as formas de organização coletiva estão sujeitas à doença do patrimonialismo, com as suas duas principais formas: o empreguismo, com a agravante do nepotismo e a corrupção. 


A maior delas é o Estado e significa a apropriação privada por alguns dos recursos de toda coletividade.

Diante da ocorrência do fenômeno são propostas duas alternativas:
a redução do papel do Estado e a consequente diminuição do seu tamanho, o que reduz o empreguismo, mas não a corrupção;atacar diretamente a ocorrência da corrupção no seio da máquina estatal. Com a operação Lava-Jato estamos assistindo uma aparente efetivação da segunda alternativa. Aparente porque ataca  um dos lados do processo: o que paga, porque é corruptor ou porque é extorquido. Em relação ao outro lado, só alcança os "peixes miúdos" pouco afetando os graúdos que são os mentores e principais apropriadores dos recursos coletivos privados ou públicos.

(ver o texto estendido, linkando na coluna artigos, no final da lista)

Brasil para dentro ou para fora?

O Brasil está em crise, com uma economia estagnada, por estar voltado para dentro, ao contrário da China e da Índia os seus colegas entre os emergentes, que continuam crescendo acima de 5% ao ano.
E o Brasil ainda coloca a culpa do seu pífio desempenho econômico a uma desaceleração do crescimento chinês que teria caido de um patamar de 10% ao ano para 7%.
O Brasil tem todas as condições para sair da crise, voltando-se para o mercado mundial, menos uma: uma liderança política com essa visão e capaz de conduzir o país nesse rumo.

O que falta para a formação ou emergência dessa liderança?
Seria a não percepção de sua falta?

(ver o texto estendido na coluna artigos)


Baixo clero x opinião publicada

A guerra real em curso é entre o "baixo clero" da Câmara dos Deputados, que domina numericamente a casa parlamentar e a opinião publicada que, representando um importante segmento da sociedade brasileira, quer extirpar o que considera o grande "cancro" da política nacional.

O baixo clero, em geral, submerso é representado e configurado por Eduardo Cunha, envolvido (ainda que juridicamente não provado) no superesquema de corrupção instalada dentro da Petrobras. 

Eduardo Cunha,  embora ainda não julgado judicialmente já foi julgado e condenado pela opinião publicada e reage atacando o Governo.

As batalhas visíveis serão entre Eduardo Cunha e o Governo, mas o jogo real será em torno do eleitorado da opinião não publicada que elege a maioria da Câmara dos Deputados. Com que posições os deputados do baixo clero irão satisfazer os seus eleitores e garantir a sua reeleição?

Derrubar a Presidente passou a ser o grande objetivo do baixo clero para firmar o seu poder e demonstra…

Ato de desespero ou estratégia arriscada?

Eduardo Cunha está sob fogo cruzado, mas diversamente de outros políticos que procuram agir com moderação, ele sai ferozmente para o contra ataque.

Coloca a sua palavra, de um deputado federal e agora Presidente da Câmara conta a de um delator, que depois de omitir ou desmentir a sua participação em depoimentos privados o denuncia num evento aberto. 

Adota junto ao seu eleitorado (os mais de 500 deputados federais) a teoria do dominó. Caracteriza o que está ocorrendo como uma guerra de grupos sociais contra a classe política. E que ele é o anteparo para a preservação desta. Se ele cai a casa toda cai.  

No que ele está certo. A sociedade organizada não quer apenas a queda dele, mas de toda uma classe política apodrecida. 

Reforça com a teoria da conspiração. Quem quer derrubá-lo é o Executivo. Seria o antes ele do que ela. 
Se ela diz que não vair cair e vai lutar com unhas e dentes, agora o inimigo apareceu na liça, e como os gladiadores é ela ou eu. Alguém tem que morrer.

Percepção equivocada do confronto Uber x taxista

O concorrente do Uber não é o taxista, mas outros aplicativos como o 99 Taxis e o Easy Taxi. 

Os concorrentes dos taxistas são os motoristas particulares que prestam irregularmente um serviço de transporte público, sem ter a devida licença, sem pagar os tributos.

O Uber é uma atividade contraventora porque facilita e promove uma atividade irregular, uma pirataria. Isso porque o Estado estabelece que o serviço de transporte profissional de uma pessoa a terceiros, que paga pelos serviços é sujeito à licenciamento e a regras públicas. 

O erro está nessa regulação ultrapassada e inadequada. A saída é a desregulação. Não só dos serviços de taxi. Mas de muitas outras corporações.

A evidencia do Uber vem colocar em cheque o modelo das relações de trabalho que se instalou no mundo com a revolução industrial, gerando as legislações trabalhistas e os sindicatos.

O Uber traz à tona os milhares de trabalhadores por conta própria, que são mais numerosos que os empregados celetistas ou similares no mund…

Economia verde: avanço ou atraso?

O Brasil tem potencial para ser a principal economia verde do planeta no futuro. Quer fazer isso destruindo a economia negra que ainda domina a sua economia e a do mundo. Uma economia movida a petróleo.
Dois fatos recentes são marcantes. Os blocos de petróleo do pós-sal, portanto fora do questionamento do regime de partilha, leiloados em 2013 até agora não foram concretizados por falta de licenciamento ambiental para a realização das pesquisas geosísmicas.
O leilão de blocos promovido pelo México, depois de quase oito décadas de monopolio estatal, foi um fracasso. Nenhuma dos grandes players mundiais do P&G apresentaram propostas.
Os ambientalistas com a sua persistente guerrilha estão conseguindo os seus objetivos: atrasar os empreendimentos, encarecê-los e torná-los menos atrativos do ponto de vista econômico. 

Mas, por outro lado, o acordo nuclear com o Irã e a suspensão do embargo econômico, coloca no mercado mundial um novo volume de petróleo, mais barato que dará uma sobrevida à…

Quem vai se candidatar em 2018?

Com a Operação Lava-Jato desmontando os esquemas tradicionais de financiamento das campanhas eleitorais, o cenário de 2018 dependerá da aprovação ou não do financiamento público.

Se esse não for aprovado, os candidatos e os partidos dependerão da captação de recursos difusos e ninguém está mais organizado nesse processo do que as Igrejas Evangélicas.

Elas já se anteciparão em 2016 com um preposto de grande popularidade em São Paulo: Celso Russomanno quebrando a eventual dicotomia petista Marta x Haddad.

E para 2018 esperam que Eduardo Cunha, se safe da Operação Lava Jato. Se não conseguir, pastor Marcos Feliciano ou pastor Everaldo estão prontos para assumir o espaço.

Edir Macedo é ou quer ser o Berlusconi brasileiro. Sem necessariamente aparecer em primeiro plano.

(ver o artigo completo acessível pela coluna artigos, do lado direito do blog).

O futuro de longo prazo passa pelo curto prazo

Pensar o futuro do Brasil no longo prazo é preciso. 
Sem se perder nas questões cotidianas no momento atual e das perspectivas de curto prazo. 

O futuro de longo prazo começa num ponto futuro próximo que seria 2018. Quando haverá eleições gerais e os candidatos deverão se posicionar diante de algumas disjunções fundamentais, que definirão os rumos subsequentes:
uma economia voltada para dentro ou para o mundo?aceitar ou não uma economia baseada em commodities?avançar ou não para o mundo digital? Na transição, seja com Dilma ou sem Dilma, como chegaremos a 2018? Qual será o cenário básico para as trajetórias que os candidatos deverão propor para o país? 

Eles ousarão propor? Terão repercussão nos corações e mentes dos eleitores? Ou repetirão mais do mesmo?