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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os significados dos resultados das eleições de 2016

Embora ainda faltem as decisões de 2º turno em 55 grandes cidades, das quais 14 capitais, os resultados das urnas de 2 de outubro de 2016 indicam tanto algumas mudanças importantes, como persistência de outros elementos tradicionais.
 

Três grandes questões precisam ser respondidas preliminarmente, quanto à influência efetiva nos resultados:

  1. a mini reforma política, proibindo as doações empresariais e encurtando o tempo da propaganda obrigatória teve importância decisiva no resultado das urnas?
  2. as manifestações de rua em 2013 e agora em 2016 tiveram impacto significativo sobre os resultados?
  3. os grandes incidentes na superestrutura política como o impeachment de Dilma, a cassação de Eduardo Cunha e os processos (formais e informais) contra lideranças políticas de Brasília, influíram nos resultados?
A minirreforma política (ou eleitoral) teve influência diferenciada entre as capitais acima ou abaixo do paralelo (latitude) 16. As abaixo que envolvem as cidades do sudeste e do sul, impactou forte e negativamente as pretensões dos Prefeitos atuais na reeleição ou eleição do seu sucessor. Nenhum Prefeito da região se reelegeu. Apenas em Porto Alegre o Vice-Prefeito ainda conseguiu passar para o segundo turno. Acima do paralelo 16 o índice de reeleição foi alto. Não precisaram das doações empresariais para saírem vitoriosos.

O mesmo ocorreu com as manifestações de rua. Tiveram influência abaixo do paralelo 16, principalmente no epicentro das manifestações de rua: a cidade de São Paulo, onde a imagem do novo,  gestor - e não politico - trabalhador e honesto prevaleceu sobre os políticos populistas e tradicionais. Dória Jr se encaixou plenamente no perfil preferido pelas avenidas paulistanas, contaminando o resto. Marcelo Freixo, no segundo turno do Rio de Janeiro, tirando Pedro Paulo do segundo turno também pode ser creditado aos movimentos de rua. Já acima do paralelo 16 o eleitor continuou escolhendo mais dos mesmos.

A Lava Jato teve um impacto avassalador sobre o PT. Virou um partido pequeno, quase um "nanico", sobrevivendo nos grotões do Piaui.






quinta-feira, 28 de julho de 2016

Os Brasís acima e abaixo do paralelo 16

Paralelo 16 é uma linha geográfica que "corta" o Brasil ao meio. Passa por Brasília.

Para o agronegócio significa a linha divisória de preferência de escoamento da safra de grãos. A produção abaixo do paralelo 16, tendo a linha do Equador como referência, continuaria sendo escoado pelos portos do sudeste e sul. Já a produção acima do paralelo 16 deveria ser escoado pelos portos do Norte. 

Não é nada novo.  Mas ainda amplamente desconhecido.


O Brasil acima do paralelo 16 era um grande vazio, exceto no seu entorno, onde se situam duas capitais estaduais (Cuiabá e Goiânia), a capital federal (Brasília)  o litoral. Este abrange todo o litoral do nordeste, a partir do sul da Bahia. 


Vazio e subdesenvolvido, porque o desenvolvimento econômico e humano do Brasil se concentrou na região sudeste-sul, abaixo do paralelo 16. Nesta se desenvolveu a indústria, ampliou-se a infraestrutura, estruturaram-se os centros financeiros, educacionais, culturais, serviços de saúde e outros.

Seis décadas após a decisão de Juscelino Kubitschek   decidir transferir a Capital Federal para a região Centro-Oeste, na região do paralelo 16, o Brasil - acima desse paralelo - começa a emergir como "um novo futuro", "uma nova esperança".

A imensa produção de grãos acima do paralelo 16 é uma realidade, em contínuo crescimento - apesar de uma pequena quebra em 2016 - mas continua carente de infraestrutura, o que ainda leva o escoamento pelos portos do sudeste-sul.

A implantação de uma infraestrutura logística para viabilizar o escoamento pelo norte promoverá uma expansão ainda maior da produção. Pelos ganhos de competitividade. E para a qual o mundo tem demanda. 

Mais uma vez, na história, o futuro do desenvolvimento brasileiro está em produtos "primários", ou em "commodities".
Vamos assumir ou vamos contestar? E buscar caminhos alternativos?

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Um novo dilema histórico

Há indícios de que chegamos "ao fundo do poço" e começamos uma árdua jornada para voltar à superfície. O que gera uma nova situação crítica para o Brasil. 
Voltando  à superfície, que rumos iremos tomar? Vamos tentar reconstruir o que foi abalado e nos jogou para baixo?
Ou vamos tentar um novo caminho?
O dilema é que temos opção? Temos oportunidade de escolha. Ao retornarmos à superfície não estamos condenados a um único caminho. 
Podemos tentar um novo caminho.
O grande dilema é que não é um novo caminho. É um velho caminho, ainda que repaginado.
Durante a crise, o pouco que se manteve dinâmico foram as commodities do agronegócio, apesar das situações climáticas desfavoráveis.
O novo caminho está em aproveitar as oportunidades que o mundo oferece para assumir o agronegócio como o motor de uma nova etapa do desenvolvimento brasileiro. 
Mas pode ser percebido como um retrocesso histórico de 60 anos, abandonar o árduo caminho da industrialização e voltar a ser um país dependente de produtos primários. 
É uma visão equivocada, mas que ainda domina o pensamento de grande parte da sociedade brasileira: tanto da opinião publicada, como da não publicada. 

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ferrovia Transcontinental Brasil - Peru

A apresentação do estudo de pré-viabilidade da ferrovia Transcontinental, elaborado por uma empresa chinesa, mostra não é de uma ligação entre oceanos, mas uma Ferrovia do Oeste. 

A ferrovia começa no Brasil, a partir da Ferrovia Norte-Sul em Campinorte, Estado de Goiás, até Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. E de lá segue por vários trechos brasileiros e depois por alternativas em território peruano até chegar ao Pacífico.

Do outro lado, a partir da Norte-Sul teria várias alternativas de ligações para chegar ao Atlântico. Pela definição oficial chegaria ao Porto do Açu, no Rio de Janeiro.
Dentro da concepção chinesa, não interessaria a ela essa ligação, embora a ferrovia seja caracterizada como Transcontinental.

Não é a ferrovia do sonho dos brasileiros que esperam um dia ter no país uma ligação ferroviária entre os dois oceanos.

O objetivo principal dos chineses é facilitar o escoamento dos grãos do Centro-Oeste (principalmente de Mato Grosso) para a China, saindo pelo Pacífico. 

Segundo o estudo chinês o principal concorrente à sua ferrovia é o leste e não o norte. O estudo chinês diz que da produção do Mato Grosso, em 2050, a maior parte (51,2%) saírá pelo Leste, 11,6% pelo Norte e   37,2% pelo Pacífico

Por isso não interessa àquele que seja transcontinental, mas apenas a ferrovia do oeste. Será o que mais convém ao Brasil?





Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...