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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Tudo muito simples

 A Ford Motors Co tem unidades de montagem e produção de auto-peças, tanto no Brasil, como na Argentina, instlando a sua cadeia produtiva, regional e não nacionalmente.

Os carros de entrada, montados no Brasil são vendidos na Argentina, como nacionais, tanto quanto o Focus, comprados pelos brasileiros, como produto nacional, é montado na Argentina.

A Argentina tem uma economia dolarizada, o que significa que quando o Brasil importa da Argentina, paga com um dólar acima de R$ 5,00, apenas com vantagens tarifárias em relação a uma compra dos EUA.

Com a globlização e mundialização das cadeia produtivas, todos os carros montados, em qualquer país, tem um baixo índice de nacionalização. Todos os países se especializam em alguma das partes, onde são mais competitivos e importam dos demais o que é mais vantajoso. 

A Ford do Brasil, como as demais montadoras aqui instaladas, fazem grandes importações e os custos dos seus carros estão sujeitos às variações cambiais.

Com a sua produção voltada quase totalmente para o mercado interno, o preço precisa subir enquanto a renda ou remuneração do potencial comprador fica estável.

Para não elevar demasiadamente os preços, o que afetaria o nível de venda, a empresa absorve a diferença, como prejuizo tolerável e temporário.

Quando a variação é excessiva ou excessivamente demorada o prejuizo se torna intoleravel e a empresa prefere parar a produção e deixar de vender do que continuar absorvendo os prejuizos. É uma das razões da Ford, para o fechamento das suas fábricas no Brasil.

Mas por que mante a produção na Argentina? Porque ela vende no equivalente ao dolar e a renda dos compradores também. As variações são relativamente menores, os prejuizos mais toleráveis.

Simpes assim.

A solução está na dolarização da economia? Não

A solução é evidente e está sendo praticada pelo agronegócio. Aumentar as exportações. 

A conformação produtiva e comecial do agronegócio faz com que os seus negócios sejam dolarizados. Mas tem impactos internos quando produtos de exportação são vendidos também no mercado interno.É o caso da carne.

Mas não é o caso do arroz e do feijão em que os aumentos são dos aproveitadores, que nem importam, tampouco exportam. 

Mais simples ainda.

sábado, 3 de outubro de 2020

O Novo Normal do Comércio

  O comércio já vinha processando mudanças, antes mesmo da pandemia, a qual ampliou e acelerou o processo.

A principal mudança foi a substituição das vendas presenciais, atendidas por vendedores em lojas, pelas vendas pela internet.

Na fase pré-pandemia, emergiram start-ups que viralizaram, com vendas pela internet, com amplo domínio de empresas asiáticas, oferecendo preços mais baixos.

Algumas rede de lojas montaram o seu próprio aplicativo, como meio alternativo às vendas presenciais, como o grupo controlador das Lojas Americanas que criou o B2W, incorporando o aplicativo Submarino. Foi a melhor sucedida em termos de expansão, embora amargasse prejuizos durante muito tempo.

Outras tentaram mas parte desistiu, congelando os projetos.

O modelo melhor sucedido, prévio à pandemia foi o market place das Magazine Luiza, oferecendo uma ampla gama de produtos, entregues por lojas menores. Outros seguiram o mesmo modelo, sem o mesmo sucesso operacional e de imagem.

A pandemia provocou diversas mudanças:

  • a ampliação das vendas pela internet das principais redes de supermercados, assim como de lojas de shopping center, substituindo a ida às lojas, pela escolha pela internet e entrega em casa;
  • a maior participação de fabricantes, no market-place, com a venda direta dos seus produtos ao consumidor.
A primeira mudança tende a refluir com a volta da "normalidade", com mais consumidores às lojas, convivendo com as vendas pela internet. 
O volume das vendas presenciais deverá cair, refletindo-se no nível de emprego de vendedores de lojas, assim como de caixas, as principais ocupações nas "linhas de frente". Os funcionários de escritório serão menos afetados pela redução da vendas presenciais, mas serão afetados para mais ou para menos, em função das tecnologias. Os repositores também serão afetados, mas com mudanças da forma de trabalho: não será mais do recebimento do produtor para as gôndolas, prateleiras ou "araras", mas as transferências para as caixas individuais dos compradores pela internet para o despacho. As operações de menor porte serão artesanais. As de maior porte, com ampla automação e suporte tecnológico.

Já as vendas diretas dos produtores aos consumidores tenderão a crescer, provocando grandes mudanças nos processos, com impacto sobre a qualidade e quantidade de empregos.

Os empregos tradicionais do comércio presencial, tenderão a diminuir, com o menor volume de pessoas nas lojas e nas transações. De outro, as estruturas comerciais dos produtores precisarão ser ampliadas, com trabalhadores com novas aptidões tecnológicas, para atender às vendas digitais.

Essas mudanças que conformarão o novo normal do comércio e dos comerciários ainda não estão nas agendas das empresas, com poucas exceções, assim como dos sindicatos dos comerciantes e dos comerciários. 

Qualquer política ou ações para revitalização do mercado de trabalho não poderá deixar de considerar as mudanças que estão ou irão ocorrer na cadeia produtiva com maior volume de contingente de trabalhadores formais. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Condições para a reindustrialização

A indústria brasileira que foi implantada através do modelo "Industrialização por Substituição de Importações - agora caracterizada como ISI", apesar de inovações e modernizações parciais, atrasou-se em relação às mudanças ocorridas no mundo, perdeu competitividade, dentro do mercado interno, e precisa se renovar para reassumir um relevante  papel dentro da economia brasileira. 
A indústria brasileira para promover a reindustrialização precisará mudar, em primeiro lugar, o foco do mercado, ampliando a produção e o volume de vendas para o exterior, em torno de 40%, mas com mínimo de 30%.  O esforço para ampliar a participação no mercado externo indicará as suas efetivas condições de competitividade. Serão as exigências de qualidade, inovação, de prazos de entrega, de preços e outras condições comerciais que dirão se o produto e a empresa são efetivamente competitivas, dentro das regras do comércio mundial.
Em segundo lugar precisará superar a visão verticalizada de exportar apenas os produtos finais a partir de insumos nacionais.
A globalização promoveu uma fragmentação das cadeias produtivas entre os países, distribuindo a produção e o suprimento de componentes entre diversos países, cada um deles selecionando os componentes em que seriam mais competitivos, em função de condições naturais, históricas ou criadas agregando tecnologia-inovação, escala de produção, qualificação dos trabalhadores e capacidade  gestora dos empreendedores.

sábado, 27 de junho de 2020

Alternativas de rumos para o Brasil

Controlada a morbidade de vírus SARS-COV 2 e vencida a pandemia, com a recuperação da sua economia, o Brasil terá que optar pelos rumos estruturais para o seu desenvolvimento. 
A primeira grande opção está entre ter como base o seu mercado interno, com exportações residuais; o mercado externo como o principal motor, realimentado pelo mercado interno e base principal no mercado externo, mas com participação significativa das exportações.
Apenas para efeito figurativo, na divisão da participação no PIB entre a demanda atendida: a) MI 90% e ME 10%; b) MI 40% e ME 60%; c) MI 67% e ME 33%.
A opção brasileira nos últimos 90 anos foi pelo modelo a, mudando o rumo, até então do modelo b. Este permanece até hoje, caracterizando o cenário tendencial. O esgotamento das forças desse modelo explica uma evolução pífia do PIB, nos anos  mais recentes.
A opção b, sempre foi repelida pela sociedade brasileira, refletindo nas políticas governamentais.
Para sair do modelo a, a alternativa que remanesce é a c, ainda com predominância do mercado interno, mas com grande avanço nas exportações.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Vida x economia

Na frente de combate ao coronavirus só existe o batalhão da saúde. O da economia não enfrenta diretamente o coronavirus. Esse está na retaguarda com os batalhões de intendência, suprindo a linha de frente com recursos financeiros, com equipamentos e insumo.  Não existe uma política econômica contra o coronavirus. Só as políticas sanitárias. Essas políticas causam danos colaterais, maiores ou menores na economia. 
Não havendo ainda vacina preventiva para imunização, a única solução encontrada mundialmente é o distanciamento ou isolamento social, caracterizado popularmente como "quarentena" que, compreende, basicamente:

  • proibição do funcionamento de eventos que promovam aglomerações de pessoas;
  • proibição ou limitação de atividades comerciais e de prestação de serviços a pessoas;
  • orientação de práticas básicas de higiene, como lavar as mãos frequentemente;
  • recomendação para que as pessoas fiquem em casa e que quando saiam usem máscaras de proteção.
O nível de recomendação caracteriza a política de distanciamento. Quando a contaminação agrava se passa para a proibição de circulação, caracterizando o isolamento. Quando total é denominado "lockdown".

A recomendação do "fique em casa" determina a redução do consumo, sendo esse o principal dano colateral na economia. 

Várias atividades produtivas não estão proibidas ou são toleradas, mas não estão sendo realizadas, pelo receio dos trabalhadores em serem contaminados e os empregadores em ter que arcar com os custos da contaminação: muito acham mais prudente deixar os seus empregados em casa: custa menos, ainda que não estejam produzindo. E depois, porque produzir mais se não tem compradores?

O papel do batalhão da economia é mitigar os danos: preservar a renda dos trabalhadores e outros que ficaram sem renda ou tiveram grande redução da sua receita. 

Quanto mais demorada for a guerra sanitária contra o coronavirus, mais difícil será mitigar os danos. Os recursos para tal podem acabar e muitos poderão morrer de inanição por falta de renda para ter acesso aos alimentos.

Contido o inimigo, o batalhão da economia deverá entrar com todos as suas forças para o restabelecimento do funcionamento da economia. 

O coronavirus não será vencido integralmente com a sua extinção. Ele permanecerá atacando em frentes específicas, causando danos e mortes, mas que a sociedade considerará tolerável para restabelecer o funcionamento da economia.






sábado, 8 de fevereiro de 2020

Governando para os seus

 Jair Bolsonaro segue governando para os seus e não para todo o povo brasileiro, embora o seu discurso seja de atendimento nacional.
A tentativa de baratear o preço do óleo diesel, pela contenção ou redução do ICMS foi para atender à principal reivindicação de um grupo de caminheiros, liderado pelo Chorão, um dos principais apoiadores. de primeira hora, da sua candidatura à Presidência. Criou mais uma área de atrito, só para dizer aos seus apoiadores "fiz a minha parte". "Só não baixou o preço do diesel porque os Governadores não querem". "Só pensam nos seus interesses não nos interesses nacionais." Se não foram as palavras literais foi o sentido. Foi mais uma jogada ensaiada, porque sabia que Paulo Guedes não permitiria. Mas para os seus apoiadores foi um grande gesto de quem se arvora no monopólio da defesa dos interesses nacionais. 

A aprovação do garimpo em terras indígenas é para atender a outro grupo de apoio: os garimpeiros ilegais da região amazônica. Para não ficar no garimpo, ampliou o escopo, mas o que interessa é o garimpo.
Jair Bolsonaro tem a ousadia de quebrar paradigmas e contraria os "indigenistas" ou os "pró-indios" que querem a preservação deles como comunidades separadas, em nome das tradições.
Com a liberação os índios poderão explorar os minérios do seu território. Se não houver devida fiscalização (que é o que contam os apoiadores de Bolsonaro) os índios servirão de "laranjas" dos "brancos" arrendando - ainda que informalmente as suas terras - ou tercerizando a exploração em troca dos tradicionais "espelhinhos" de Cabral. Do Pedro e não do Sérgio.
Grupos indígenas serão incorporados à sociedade brasileira, não como cidadãos de terceira classe, com alguns ficando ricos, ainda que menos aos quais vão transferir as atividades. 
Será um grande avanço para eles e a saída da pobreza a que são submetidos, em nome da preservação cultural. 
O problema maior não está nessa integração dos índios à sociedade brasileira, mas os efeitos ou danos colaterais. 
De uma parte haverá - inevitavelmente - uma ampliação do desmatamento da floresta. O mais grave, no entanto, poderá ser a contaminação das águas por mercúrio, afetando uma população imensa, seja de índios, como de não índios. 


domingo, 2 de fevereiro de 2020

A ilusão do poder no Estado (VI)

Regina Duarte, deve estar percebendo a manipulação do seu nome, mas fica seduzida pela possibilidade de conduzir uma ação estatal a favor da classe artística brasileira.
É uma visão mais corporativa do que ideológica.
Ao aceitar e consumar o casamento (ainda sem data marcada), irá enfrentar muitas turbulências, com fogo amigo dentro de casa e da corporação ou da classe artística a qual pertence.
Caso se mantenha numa posição de "doce e meiga", achando que pode conquistar a amizade e apoio geral, em pouco tempo será engolida pela corporação burocrática e por grupos de interesse mais ativos. Mas poderá mostrar uma face apenas vislumbrada pela sua coragem em defender as suas posições, de uma atuação política estratégica, organizando os seus exércitos.
Ao tentar atender aos interesses da classe artística, buscando uma conciliação, como tem declarado, irá enfrentar - de um lado - a reação dos bolsonaristas radicais que não aceitam que ela simplesmente se disponha a conversar com os "inimigos". 
Se o documentário "vertigem" de Petra Costa, uma declarada petista, for premiada com um Oscar, ela fará alguma mensagem de louvor. Mais ainda irá receber a diretora? Por outro lado, a diretora, aceitará algum convite para conversar com ela? O radicalismo poderá ser de ambos os lados? Terá ela capacidade de quebrar barreiras?

Uma significativa alternativa, para a qual ela enfrentará enormes resistências e oposição, será assumir a cultura artística, como um elemento econômico, parte essencial da economia criativa e a partir dai se alinhar a Paulo Guedes no sentido de retirar  - ao máximo - o Estado do setor. Seria seguir - antes de tudo - a cartilha liberal na economia.
Uma das principais medidas será acabar com a Lei Rouanet, extinguindo -  por completo - o mecanismo de patrocínio estatal das atividades culturais. O que será produzido e consumido será determinado pelo mercado. Já se declarou a favor desse "desmonte", antes mesmo de qualquer convite para assumir a pasta da Cultura.

Perderá - de pronto - o apoio da maioria da classe artística, de um lado ou de outro, remanescendo apenas pequenos grupos "liberais".

Seguramente terá o apoio do Presidente Bolsonaro, mas poderá não atender aos seus objetivos pessoais que estão na base do convite.

Bolsonaro quer dentro do Governo uma figura popular para fazer frente à popularidade de Sérgio Moro. Regina Duarte tem condições para tal, mas se adotar uma linha econômica liberal de retirar o Estado do setor de cultura artística, a manterá?

Essa poderá decorrer - não das suas ações - mas da coragem em adotá-las enfrentando as contestações de todos os lados da corporação artística. 







terça-feira, 7 de janeiro de 2020

O mercado brasileiro de consumo

Apesar de uma enorme população, a massa consumidora do mercado brasileiro sempre foi relativamente pequena, abrangendo uma parcela menor da população total.
Até o início dos anos 90 era formada por uma pequena elite de fazendeiros e comerciantes, movimentando um mercado de produtos importados, em contrapartida às exportações de commodities florestais, minerais ou agrícolas. 
Esse modelo, com reflexo no poder, foi questionado por uma geração de jovens militares e civis, de classe média, que assumiram o poder, em 1930 e iniciaram a promoção da industrialização e da incorporação da classe média no mercado de consumo. 
Formou-se um circuito virtuoso, com uma indústria produtora de bens anteriormente importados, contratando trabalhadores no Brasil que transformaram os seus salários, preponderantemente em consumo e investimento em bens duráveis e imóveis.
A par da ascensão social de um segmento da população remanesceu uma grande parte fora do mercado, seja sobrevivendo com uma produção de subsistência no meio rural ou em favelas ou comunidades urbanas, com o trabalho precário. 
O circuito de produção --- consumo interno se enfraqueceu por um crescimento menor da população de renda média e alta, paralelamente à maior substituição do trabalho humano pelas máquinas e maior importação dos bens de consumo. 
A produção interna, com uso do trabalho nacional, com proteção governamental tendeu a perder produtividade e ficar mais cara, reduzindo o consumo dos produtos, em termos quantitativos. Além disso obsoletos tecnologicamente.
O que motivou a pressão desses consumidores de média e alta renda pela abertura do mercado, flexibilizando as restrições para a importação. 
O consumidor passou a dar preferência aos produtos importados elevando, a curto prazo, a sua capacidade de consumo, mas gerando menos empregos, o que se refletiu mais adiante na redução geral do volume de consumo. 

Essa perda de postos de trabalho e, consequentemente, de potencial de consumo, poderia ou deveria ter sido compensado com aumentos de produção industrial e de postos de trabalho, voltados para sua exportação. 
Porém as exportações se concentraram no minério de ferro e mais recentemente numa agropecuária moderna de alta produtividade. Ambos geram grandes volumes de divisas, mais que suficientes para a importação dos bens de consumo requeridos pela média e alta renda, porém com baixa geração de empregos. 
A indústria brasileira se conformou em ser um produtor secundário e de penúltima geração enfraquecendo o seu papel de correia transportadora da força gerada pelo consumo doméstico.
O resultado foi uma redução gradual, mas continuada da participação da indústria de transformação, no conjunto do PIB e da geração de empregos pelo setor. 
A tendência de reversão estrutural do mercado de trabalho começa por volta de 2011, mas a sua dinâmica é sustentada por ampla intervenção do Estado, no crédito e alocação direta de gastos públicos.
A justificativa foi a necessidade de investimentos para o Brasil sediar a Copa do Mundo da FIFA em 2014.
Nenhum estádio existente foi aproveitado, 12 novas arenas, foram construídas, para atender ao "padrão FIFA", algumas para receber apenas 4 jogos e ficarem posteriormente ociosas. Mas durante a construção geraram postos de trabalhos temporários e farta distribuição de "propinas".
Além dos estádios, o Governo Federal proporcionou generosos financiamentos aos Estados e Municípios, para melhorarem a sua infraestrutura, além da facilitar as licitações através de um Regime Diferenciado de Contratações. 
A movimentação das obras, assim como dos serviços preparatórios para a Copa, contribuíram decisivamente para a manutenção dos níveis de emprego.
Com o encerramentos ou suspensão das obras, houve uma redução dos níveis de emprego, mas tendo em vista as eleições de 2014, o Governo manteve ou desenvolveu mecanismos para sustentar os níveis de consumo e de emprego, até o final do mês de outubro. Vários subsídios foram concedidos, sendo os principais dos combustíveis e da energia elétrica. 

A irrigação do mercado com gastos públicos, comprometeu o superávit primário, transformado em 2014 em déficit primário e ainda comprometendo os orçamentos futuros, com o parcelamento dos reajustes dos servidores públicos.
O enfraquecimento da economia verificada em 2012, quando o PIB cresceu apenas 1,92% foi atribuida à uma suposta crise internacional, com a estabilização dos preços das commodities, quando era um sintoma do enfraquecimento estrutural do consumo interno. Em 2013 as medidas de sustentação elevaram a evolução do PIB para 3%, mas não se sustentaram em 2014. 
As eleições de  outubro de 2014 já ocorreram num ambiente recessivo, mas ainda não demonstrado estatisticamente, o que contribuiu para a reeleição de Dilma Rousseff. Mas as demonstrações subsequentes monstraram que a recessão tinha se instalado no segundo trimestre de 2014, quando o PIB da construção caiu 2,9% em relação ao trimestre anterior e o PIB, como um todo 0,4%.  O consumo das famílias é mantido positivo em 1,5%.
O ano de 2014 terminou fortemente negativo, com o PIB da construção caindo 8,7% em relação ao trimestre anterior. Mas em função do crescimento no inicio do ano, fechou com apenas 1,2% negativo. Da mesma forma o PIB, apesar de mais uma queda no último trimestre em relação ao anterior, fechou com uma evolução positiva de 0,5%. O consumo das famílias, já sem o suporte governamental, caiu no quarto trimestre em 0,9% em relação ao trimestre anterior, mas terminou o ano com 2,3% positivo.
Com a contenção fiscal, a retração do consumo se agravou e afetou o PIB, como um todo, em 2015 e 2016. O consumo caiu sucessivamente, segundo um circuito negativo, onde a queda do consumo afetou os empregos que, por sua vez, reduziu o consumo das famílias.

Como na economia brasileira a sua evolução é puxada pelo consumo, a recessão é desencadeada pelo enfraquecimento do consumo das familias, cabendo avaliar as causas desse processo de enfraquecimento. 

Podemos considerar algumas hipóteses:

  • perda de confiança em relação ao futuro, com a contenção de consumo, pelas pessoas com renda (seja do trabalho, como de investimentos);
  • esgotamento da capacidade de endividamento, agravada pela taxa de juros;
  • elevação da inflação corroendo a capacidade real de compra;


Na questão da confiança, o que leva à perda de confiança e como o processo evolui, crescendo ou se esvaindo?





















quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Os pilares do desenvolvimento brasileiro

O desenvolvimento econômico brasileiro está sustentado por dois grandes pilares, fortes num aspecto e fraco em outro: o agronegócio e o petróleo.
A força esta na competitividade mundial do produto, alcançando diversos mercados no mundo. Dá segurança às contas externas, deixando o Brasil à margem das crises financeiras internacionais e sem qualquer risco de "default".
Por outro lado é fraco, porque naturalmente, são poucos indutores do crescimento da macroeconomia, em função da baixa geração de empregos. 
Para que seja indutor do crescimento é preciso que sejam acompanhados pelos demais elos da cadeia produtiva, tanto para trás, como para frente.
No caso do agronegócio, os principais elos estão à frente, com a transformação das matérias primas agropecuárias em alimentos prontos ou semiprontos para consumo mundial. 
No caso do petróleo & gás os principais efeitos estão à trás com a constituição de uma cadeia produtiva mundial de equipamentos e serviços para a exploração e industrialização da matéria prima. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Brasil, na direção errada


O Brasil está na direção errada.
Não adianta fazer reformas estruturais que a economia vai continuar “patinando”.
Vai melhorar um pouco aqui, um pouco ali. A economia vai ganhar ou perder 0,1% a mais, continuando no “reme-reme”, sem sair do lugar.
A economia dos ricos vai melhorar cada vez mais, mas o resto continuará piorando. A média vem e vai melhorar. Com desigualdade cada vez maior.
Para que uma economia cresça com base no seu mercado interno, precisa ampliar sucessivamente o seu mercado de consumo, pela incorporação das camadas de menor renda.
O Brasil, tentou esse modelo, mas de forma desastrada e recuou em vez de avançar.
Agora quer crescer, só com os andares superiores. Quando o pessoal do térreo sai as ruas, quebrando tudo, acompanhado pelo pessoal do porão, como agora no Chile, a reação é de pura perplexidade.
Para ter um crescimento sustentado o Brasil precisa mudar de direção, de rumo.
Não é um rumo utópico, mostrado pelos avanços tecnológicos ou pelos novos profetas. É um rumo realista, baseado nos recursos naturais.
Quem está mostrando o caminho é o agronegócio, mas com muitas distorções.
A China está comprando o Brasil, o mundo está comprando o Brasil para alimentar as suas populações.
Pagando a poucos. Sem a participação da maioria da sua população.
O rumo é esse: o mundo, mas o Brasil precisa deixar de ser comprado, para se tornar vendedor. Ter o comando dos seus rumos e não os que forem definidos pelos outros.

sábado, 16 de novembro de 2019

Um b minúsculo

No começo do século um economista apontou que o futuro da economia mundial estaria nas "baleias" emergentes (países com grande territórios e grandes populações) contrapondo-se à dominação dos países mais industrializados, então vigente. Apontou 4 países com aquelas condições, Brasil, China, Índia e Rússia, cunhando uma sigla, posteriormente reconhecida mundialmente: BRIC.
Lula, percebeu uma oportunidade de maior protagonismo brasileiro no mundo e propôs transformar uma categoria econômica numa aliança entre aqueles países, como alternativa ao G7. Para a Rússia, desligada do então G8, o BRIC era uma saída. Era então a integrante de maior protagonismo no cenário mundial, como o integrante com maior poder militar. Mas não se utilizou do bloco para se contrapor a G7.
De lá pra cá,  a China emergiu economicamente, assumindo o segundo lugar entre os maiores do mundo, atrás apenas dos EUA. A índia mantém elevados índices de crescimento demográfico, podendo ultrapassar a China, brevemente, assim como elevadas taxas anuais de crescimento econômico.
O Brasil foi ficando para trás, com taxas de crescimento econômico baixas, entremeando pequenos aumentos  e decréscimos, da mesma forma que a África do Sul, admitido posteriormente, ainda não conseguiu deslanchar.
A Rússia manteve o seu protagonismo. A China e Índia estão cumprindo o esperado, desenvolvendo o seu potencial. O Brasil é a grande frustração dentro do BRIC. 
O BRICS não é um bloco econômico, foi criado com a intenção de ser um bloco político, mas não se efetivou como tal e a mudança de Governo no Brasil, quebrou essa intenção. Rússia e China apoiam a Venezuela de Maduro, enquanto o Brasil é radicalmente contra. 
A predominância do econômico, na reunião do BRICS, em Brasília, levou Jair Bolsonaro a um posição pragmática,  buscando maior aproximação econômica com a China, contrapondo-se à guerra comercial de Trump, contra aquela e também uma abertura comercial maior com a Rússia. 
Levou aos colegas as principais reivindicações do agronegócio.
Talvez as circunstâncias levem Jair Bolsonaro a perceber a necessidade do Brasil abrir mais a economia. 
Como fazer isso dependerá das proposições e pressões do agronegócio e das autoridades econômicas. A indústria brasileira mantém uma posição conservadora de ser contra a abertura, tanto da economia como do mercado brasileiro.

     

domingo, 20 de outubro de 2019

Disruptura em 2020

As eleições municipais de 2016 já haviam indicado uma rejeição do eleitorado ao PT. O partido só conseguiu a eleição de Prefeito numa capital: em Rio Branco no Acre. Mas o eleito, Marcus Alexandre,  renunciou para se candidatar a Governador do Estado, em 2018, sendo substituído pela sua vice-Prefeita, Socorro Neri, do PSB.  Não obteve êxito em nenhuma capital do Nordeste. Em pelo menos 4 o vitorioso foi um candidato de partido de esquerda, mas não do PT. 
A rejeição nacional ao PT em 2018 foi mais ampla, embora tenha reagido no Nordeste, onde o seu candidato, Fernando Haddad, obteve mais votos que o seu opositor Jair Bolsonaro e teve eleito 4 Governadores (Wellington Dias, no Piaui, Camilo Santana, no Ceará, Rui Costa, na Bahia e Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte). Em 3 outros os eleitos foram de partidos coligados. 

A eleição presidencial de Jair Bolsonaro não representou apenas uma alternância de poder dentro do campo da esquerda, com a disputa entre PT e PSDB nas últimas seis eleições.

Foi uma forte disruptura no processo político brasileiro, com a emergência "arrasadora" de uma direita até então, inteiramente adormecida ou sufocada. 

A "onda bolsonarista" promoveu ainda a eleição de 3 governadores, pelo PSL, todos eleitos no 2º turno e uma bancada de 51 deputados federais. Um grande salto, mas representando menos de 10% do total de cargos na Câmara Federal. No Senado Federal, foram apenas 4, entre as quais a Senadora Juiza Selma, já deixou o partido.

As eleições municipais deverão indicar se a onda bolsonarista, agora com Jair Bolsonaro, na Presidência de República, deverá se manter como grande força político-eleitoral ou terá perdido força. Embora as eleições sejam municipais e não estaduais ou nacional.

O bolsonarismo tem quatro pautas próprias negativas: o antiesquerdismo, centrado no antipetismo e na oposição ao politicamente correto ou progressismo, com destaque para o antiambientalismo e na antipolítica tradicional, caracterizada como "a velha politica". 
A pauta antiesquerdista é ampliada pelas relações internacionais, aliada ao Presidente Trump e a dirigentes nacionais de direita. 
A principal ou única pauta própria propositiva está na segurança das pessoas, com a defesa do armamento da população. Mas que também pode ser caracterizada como reativa: antiviolência.
Incorporou três pautas de grande efeito político-eleitoral: a economia liberal, o combate à corrupção e a defesa do agronegócio, garantindo uma base eleitoral segmentada.
A pauta antiambientalista ganhou maior destaque em função da piora dos indicadores (desmatamento e focos de incêndios) gerando confronto internacional e fortalecendo um nacionalismo soberanista.

A um ano das eleições, com as regras definidas, começam a aparecer os pré-candidatos, mas por enquanto nenhum candidato de Jair Bolsonaro. Há alguns pretendentes a tal, disputando a indicação pelo PSL. 
Em São Paulo, o "Carteiro reaça", mesmo não tendo a mesma densidade eleitoral, se acha o candidato da familia Bolsonaro e disputa a eleição com Joice Hasselmann. Ser ligado à família não quer dizer ser o candidato do Jair. Ele pode apoiar a indicação dos filhos ou ter o seu preferido. 
Depois do confronto dos Bolsonaros com a direção do PSL, a principal bolsonarista em São Paulo, passou a ser Carla Zambelli.
Bastará ao candidato se apresentar como o preferido do Jair, para ser eleito? O eleitor vai dar um "cheque em branco" (se é que isso ainda existe) só porque tem o aval do Jair? Quanto isso vale em termos de votos, em cada cidade?
Ou o eleitor vai obedecer ao que Jair mandar? "Eu disse pra votar em fulano, porque ele é meu. Tá kei."Que eleitor é esse? Um eleitor cativo, adepto da seita bolsonarista e vai fazer "tudo o que o mestre mandar"? Sim, mas quantos são em cada cidade. Serão suficientes para eleger o Prefeito? 
O que o candidato tem que fazer? Apenas se apresentar perante o eleitorado e dizer "eu sou o preferido do Bolsonaro". Ou vai ter que apresentar propostas?

Que propostas serão essas? A respeito do que?

Para os bolsonaristas a prioridade número zero da cidade é o combate à violência urbana, a garantia da segurança pessoal e patrimonial do eleitor.

Segundo essa visão, em São Paulo, o preferido é José Luiz Datena, condição essa confirmada pelas prévias eleitorais. 

Mas com tantos problemas a resolver na cidade, sem propostas para outras dimensões, como saúde pública, educação fundamental, mobilidade urbana, ocupação irregular do espaço urbano, asfaltamento e cobertura de buracos, todas de atribuição do Município, conseguirá chegar à disputa final, contra concorrentes, com propostas mais abrangentes? E como irá se posicionar em relação a questões maiores como o desemprego e a pobreza, que se manifesta na cidade, como "sem tetos", "cracolândia" e outras.

O que marcará de forma evidente a posição bolsonarista, indicando a sua consolidação político-eleitoral ou o seu esvaziamento? 

A outra alternativa, aqui já apontada, é que Jair Bolsonaro não interfira direta e pessoalmente nas eleições municipais de 2020, para evitar o evidenciamento da sua posição eleitoral, com vistas a 2022. 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Gol no ´último minuto

JH rm 120 segundos

No último momento do jogo, o Brasil ganhou um gol histórico, gerando um saldo positivo do Governo Bolsonaro no seu primeiro semestre.
O acordo comercial União Européia - Mercosul, sempre foi visto pelo Brasil, como uma grande ameaça à sua industria e à soberania nacional, diante das imposições dos líderes europeus. 
Bolsonaro foi ao Japão, disposto a confrontar Merkel e Macron. Ficar junto com Trump e não confirmar do Acordo do Clima de Paris. Por insistência de Macri, cedeu.

Perdedor, obrigado a aceitar as imposições, percebeu o imenso presente que recebeu, contra a sua vontade.

Aproveitou, capturou e faturou: vendeu para a sociedade brasileira a derrota como uma grande vitória.

A economia brasileira só voltará a crescer ampliando o seu mercado
, produzindo e vendendo para todo o mundo. 

Faltava um "empurrão" objetivo para a mudança. E vencer as resistências à abertura da economia.

Com a divulgação dos grandes números do mercado europeu de 513 milhões de pessoas e um PIB total de equivalente a 19,2 trilhões de dólares a abertura da economia passa ser vista como oportunidade, mais que como ameaça. Embora essas persistam.

A ampla  e estridente divulgação do acordo, reduz a importância relativa da reforma da previdência na economia.

As perspectivas de reanimação da economia estão agora nos ajustes no sistema produtivo brasileiro.

As empresas industriais instaladas no Brasil terão que promover, desde já, investimentos para a sua modernização e melhoria da sua produtividade.

Se antes titubeavam, por falta da confiança na reanimação da demanda interna, agora terão que investir para atender a demanda externa e se defender dos avanços das importações européias, nos próximos anos.

Quem não se preparar vai sucumbir e não pode mais contar com a proteção do Estado. 

O aumento de investimentos industriais irá gerar mais empregos e reanimar a economia. 

Há vários outros aspectos que comentaremos ao longo da semana. 

JH, em 120 segundos ... 

terça-feira, 1 de maio de 2018

Cadeia Produtiva da Agricultura Familiar

A produção agropecuária, tanto a familiar como a empresarial/patronal, tem três destinações básicas: exportações, indústria e consumo "in natura" ou "semi-beneficiado".

O comprador industrial é o que beneficia ou transforma dos alimentos, segundo três categorias principais:
  • os beneficiados para exportação;
  • os beneficiados para integrar cadeias produtivas com fases nacionais, mesmo que os produtos subsequentes sejam exportados.
  • os transformados em produtos alimentícios industrializados, na maior parte para o consumo nacional.

A destinação ao mercado interno, "in natura", ou beneficiado, sem alteração da natureza do produto (lavagem, separação/ classificação, embalamento, podendo ser considerada a seguinte divisão:

  • mercado local ou regional, onde o produtor leva e vende diretamente o seu produto em um mercado aberto (feira ou mercado)
  • mercado atacadista, onde um intermediário compra o produto agrícola do produtor e o transporta para revenda em Centrais de Abastecimento, supermercados e outras lojas urbanas de comercialização de produtos agrícolas "in natura".
  • mercado final, em que o comprador é uma rede de supermercado ou lojas, que negociam diretamente com o produtor.

Vários produtos agrícolas e derivados da pecuária, estão deixando se serem vendidos a granel, sem beneficiamento, para serem praticamente industrializados, por grandes empresas, mediante seleção, lavagem ou similar, e embalamento, como vem ocorrendo com o arroz, feijão, leite e outros. 

sábado, 14 de abril de 2018

O que fazer com o óleo de soja?

O Brasil pode exportar mais farelo de soja, em vez do grão. Como produto semi-manufaturado, supostamente teria maior valor agregado. O que nem sempre é verdade.
Isso porque o farelo é subproduto, é resíduo da produção do óleo de soja, esse sim, com maior valor agregado. 
Para produzir mais farelo será necessário produzir mais óleo. Nesse caso, o que fazer com o óleo de soja? 

Uma  alternativa está na transformação do óleo de soja adicional em biodiesel. 
Há ainda um grande potencial de mercado para substituir o diesel mineral pelo diesel vegetal, tanto no mercado nacional como no internacional. Há muitas objeções e resistências


O importante é definir o rumo  como estratégia do país, com a definição de políticas públicas correspondentes.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Integração sim, abertura não

Para os macroeconomistas, fechamento ou abertura da economia, são avaliações sobre a participação das transações econômicas com o exterior em relação ao PIB. Compreendem as exportações e as importações. 

Ao defender a abertura,  os leigos e as autoridades despreparadas, liberam importações, sem negociar contrapartidas de abertura para os produtos brasileiros. 

"Abertura da economia" é - sem dúvida - o mais importante. Não como política governamental. Sim, como profunda mudança cultural dos agentes econômicos e da sociedade brasileira.

Prefiro a proposição de "maior integração do sistema produtivo brasileiro nas cadeias mundiais de valor". 

Simplificadamente seria "Integração do Brasil no mundo".

sexta-feira, 30 de março de 2018

Agricultura familiar x patronal (3)

A agropecuária voltada às exportações é de grande porte, com alta tecnologia e pouca geração de empregos. Mas são empregos bem remunerados e com grande capacidade de consumo.

O desenvolvimento regional requer a retenção dessa renda na própria região. E para isso deve prover uma oferta suficiente e adequada.

A pequena produção agrícola precisa se voltar para atender a essa demanda, promovendo a multiplicação da renda.

A inserção da agricultura familiar nessas cadeias produtivas alimentares lhe propiciará condições de expansão, levando-a a superar os limites regulatórios como agricultura familiar. 

Essas não devem ser limitações para o crescimento. 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Agricultura familiar - Um grande equívoco politico

A política pública voltada para a agricultura familiar é populista e tende a perpetuar a pobreza no meio rural.

O crescimento do microempreendimento rural é uma das condições essenciais para geração de emprego e renda, na área rural. 

A sua contenção, por razões ideológicas (ou político-eleitoral) vai contra a melhoria de vida da população rural. E os torna permanentemente dependente dos programas sociais governamentais.

A agricultura familiar precisa ser tratada como questão econômica e não apenas social.

O objetivo da política pública não deve ser o de manter o agricultor familiar na pobreza, mas elevá-lo à classe média.

A principal estratégia seria a maior integração da produção do pequeno empreendimento rural nas cadeias de valor dos alimentos.

Uma importante tendência que afeta a agricultura familiar é o beneficiamento industrial com a comercialização fracionada, como já ocorreu com o arroz e feijão, dois dos principais produtos da agricultura familiar.

Agora essa tendência está alcançando a mandioca, com efeitos positivos e negativos para a agricultura familiar.

De um lado há a expansão de demanda, de outro a maior parte da apropriação de valor está fora da agricultura familiar.

É uma perda de oportunidade da agricultura familiar deixar que empresas assumam a industrialização da farinha de tapioca, aproveitando a nova moda urbana. 

terça-feira, 27 de março de 2018

Lácteos - sorvetes

O sorvete é uma das melhores formas de agregação de valor ao leite de vaca.
A estrutura do mercado de produção segue modelo semelhante de outros segmentos de alimentos, com três grandes niveis:
  • grande produtores mundiais;
  • produtores médios;
  • pequenos e micro produtores.
O mercado mundial, incluindo o brasileiro é dominado por dois grandes grupos multinacionais: a Nestlé e a Unilever.
O primeira é tradicional no setor de lácteos, estando presente em toda cadeia produtiva de lácteos, começando pela captação ou recepção do leite in natura, produzido pelas fazendas. Atua no mercado brasileiro com a sua marca Nestlé.
A Unilever ingressou no setor mediante aquisições, sendo a mais importante a Heartbrands, rede mundial de sorvetes, com marca específica em cada país. No Brasil atua com a marca Kibon. Seria fabricante de 8 das 15 marcas mais populares no mundo, como o Magnum, Corneto e outras.
A General Mills, aparece em terceiro lugar, com a sua marca Häagen-Dazs.
O segundo é - em geral - de pequenas empresas que com a sua marca ou sabor, bem aceita pelo mercado, prosperaram, estabelecendo redes de atendimento mediante franquias.
Tanto nos EUA, o principal mercado, como em outros, inclusive o Brasil, quando a empresa media se torna grande ou próxima à essa condição é comprada por um dos mega grupos.
Como a Ben & Jerrys, comprada pela Unilever, em 2000, a Dreyer's comprada pela Nestlé, em 2002.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Ainda a Lei Kandir

A ampliação da produção e exportação de óleo de soja, em vez da exportação desse incorporado ao grão, depende das estratégias das empresas que dominam a comercialização internacional do complexo soja nos três maiores países produtores e exportadores. As grandes tradings. 

É um projeto de mercado, mas depende de projeto público para gerar melhores condições competitivas às exportações do óleo produzido no Brasil, em relação aos produzidos nos países concorrentes, ainda que pelas mesmas empresas. 

O principal fator de decisão deverá ser o custo do produto nos portos de saída, acrescido dos custos dos fretes internacionais, dependendo do destino.

Para reduzir as condições mais desfavoráveis serão necessários reduzir o custo logístico do escoamento dos produtos pelos portos do norte e eliminar as distorções tributárias. 

A lei Kandir afeta as decisões, mas não é o principal fator.






Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...