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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Bom ou mau para quem?

O modelo do distritão enfraquece os partidos. Mas não se pode desconsiderar que qualquer modelo regionalizado tende a fortalecer a escolha personalizada e não partidária. Incluindo nesse caso o sistema distrital puro. 

O modelo proporcional é o que melhor compõe a escolha da pessoa e do partido, a partir da decisão do eleitor. Mas continuará a situação em que o eleitor vota num candidato, mas o eleito pode ser outro. 

Por essa razão se propõe o sistema misto: o eleitor votaria duas vezes: uma vez num candidato e outra vez no partido. E as as vagas do partido seriam ocupados pelos escolhidos pela direção partidária ou eleitos pelos filiados.

Apenas para reflexão e discussão: por que não então o "Distritão Misto"?

A escolha do modelo ou as suas mudanças não decorrem das suas virtudes ou defeitos intrínsecos, mas de como eles se ajustam aos seus interesses. 

O que pode envolver equívocos de avaliação.

Os atuais deputados vão começar a fazer contas simuladas, mas baseadas nas suas visões da realidade brasileira, da sua base eleitoral e lideranças partidárias.

Darão idéia sobre em que modelo ele tem maior chance de reeleição: no sistema atual ou no distritão? 

O seu voto pela reforma política será determinado pelas perspectivas de reeleição. O resto serão meros discursos para explicar a posição. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sobrevida para Temer

A divulgação da gravação clandestina feita por Joesley Batista e entregue ao Ministério Público e ao Ministro Fachin, a troco de "mortadela" torna o mandato de Temer na Presidência insustentável.

Não pelo teor da conversa, que embora não tenha confirmado em detalhes o que foi divulgado pelo colunista do Globo, mostra claramente a enorme estupidez de Temer. Ele que sempre foi cuidadoso em esconder os seus malfeitos caiu "como um patinho" na esparela de um notório bandido que até agora se saiu bem. E Temer virou "pato manco".

A diferença da divulgação inicial com a gravação, indica, embora não vá ser confirmada, que o informante do colunista da Globo teria sido o próprio Joesley. Com uma intenção adicional. Gerar um pânico no mercado e faturar com isso. O que conseguiu. Segundo indícios, ele teria ganho só com a especulação cambial, muito mais do que terá que pagar como multa. No caso dele míseros 250 milhões de reais. 

Temer deixará a Presidência ainda em 2017. O melhor momento para ele será o dia 1 de junho. No artigo explico porque. 

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Ganhar ganhando, ganhar perdendo e perder perdendo

Três grandes perdedores na noite de ontem: Eduardo Cunha, Lula e, para consolo dos corintianos, o São Paulo FC.
 
Lula sempre defendeu que era melhor ter Temer ao seu lado do que contra. Desta vez, por circunstâncias, o enfrentou e perdeu. Vislumbrou um espaço vazio, supostamente, deixado por Temer e tentou ocupá-lo. Mas o contragolpe foi rápido e fulminante. Marcelo Castro com os votos do PT ficou em 70 votos e não chegou ao segundo turno. Vitória de Temer sobre Lula por nocaute.

Eduardo Cunha foi o grande derrotado. O que ajudou a derrotar Rogério Rosso foi ter sido carimbado como o candidato de Cunha. E o movimento "Fora Cunha" ajudou a eleger Rodrigo Maia. Até deputados petistas votaram em Maia, só para não dar votos a favor de Cunha.

Rogério Rosso perdeu a disputa, mas ganhou o que queria. O seu projeto não era ser candidato agora para uma Presidência por 6 meses. Ele é candidato às eleições da mesa em fevereiro de 2017. Até lá ele espera estar livre da sombra de Eduardo Cunha. Ganhou visibilidade e condições de articulação.


Rodrigo Maia e a "antiga oposição" ganharam, mas não garantiram o comando da mesa, nem agora, nem para 2017. Mas, sem dúvida, se fortaleceram. 

O grande vencedor: Michel Temer, sem ter candidato próprio. Como o PMDB tem feito nos últimos anos. 

Riscos de traição até existem, mas tem alto custo.

Temer confirmou que enfrentá-lo é uma temeridade.
 

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Estruturação partidária

Nas proposições e discussões sobre a Reforma Política sempre se deixa de lado o mais importante: o eleitor. Os mais de 100 milhões de eleitores que elegem o Presidente, os congressistas e demais autoridades políticas. Os eleitores que apoiam a formação dos partidos.

Temos hoje 35 partidos políticos registrados. Sendo necessário o apoiamento de apena 0,5% dos eleitores, poderíamos, no limite, termos até 200 partidos. Mesmo considerando concentração de filiação em alguns grandes partidos ainda haveria margem para 60 ou 70 partidos nanicos. Ou seja, representando cerca de 1/3 do eleitorado.

Vê-se a questão pelo que é visível na superestrutura, mas pouco se indaga, se analisa e se reflete sobre porque os eleitores assinam a filiação para registro de novos partidos? O que os leva ao preenchimento da ficha e assinatura. Seria apenas pela indução dos "buscadores de apoio"? É, certamente, a resposta simples e errada.


No artigo neste blog, com o mesmo título, apresentamos algumas reflexões, mas nenhuma resposta conclusiva. Ainda. Mas convido ao debate.

 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Um poder podre é responsabilidade do povo que o elegeu

Diz a Constituição que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição (parágrafo único, do artigo 1º).

Se o poder que temos não presta é porque o povo o elegeu. 

Então antes de discutir qualquer reforma política na superestrutura institucional é preciso responder a duas questões básicas:
  1.  porque o povo elege um poder ruim, um poder podre, um poder imprestável?
  2. no que as medidas propostas de reforma política vão alterar ou melhorar as escolhas do povo?
Toda e qualquer reforma política tem que ser avaliada em termos de efetividade, ou seja, tem que afetar os comportamentos e decisões do povo. Reforma política só será efetiva de promover alteração dentro do eleitorado. Do contrário, mude isso ou aquilo, o povo continuará elegendo as mesmas porcarias atuais.  


A reforma política é proposta pela elite, por acadêmicos, organizações da sociedade que tem uma visão idealizada da realidade e representam, do ponto de vista eleitoral, uma pequena fração do total. Enquanto essa elite não conseguir alcançar "corações e mentes" dos demais eleitores, pouco vai mudar. Ou vai mudar para ficar tudo na mesma.

A visão da elite é que a vontade do povo é sequestrada pelos políticos. Que o povo é enganado pelas mentiras dos políticos, iludidos pelos meios de comunicação. O que é falso.

A relação dos candidatos a deputados com seus eleitores é mais direta, "olho no olho". A menos do eleitorado das grandes cidades, onde esse contacto é limitado.

Pode se assumir que os 2/3 dos deputados federais, os que escandalizaram a elite brasileira, com as suas manifestações primárias na declaração de voto  a favor ou contra o impeachment, foram eleitos na relação pessoal com os eleitores. A culpa não é da mídia. É do povo que o elegeu.

Para que ocorra efetivamente uma reforma política, a elite precisa superar os seus preconceitos e reformar visões equivocadas. 





segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O fim das doações "compulsórias" das empresas para as campanhas eleitorais

 O primeiro teste da proibição do financiamento empresarial ocorrerá em 2016 com as eleições municipais em mais de 6.000 municípios brasileiros, a maioria de pequeno porte. Consequentemente o interesse empresarial junto às Prefeituras também é de pequenos valores.

Uma situação será das campanhas nas capitais e grandes cidades, onde há um orçamento substancial e também um elevado volume de atividades reguladas pelo Municipio. Mas o problema maior estará nos pequenos municipios.

Haverá uma diferença entre as campanhas majoritárias e as proporcionais.

Os candidatos a vereadores terão que buscar os seus pequenos colaboradores, no geral, pequenas e médias empresas de bairro, que tem interesses específicos, localizados, e precisam do apoio do vereador dentro da Câmara dos Vereadores, ou na relação do vereador com o Executivo Municipal.

Nessa captação prevalecerá o escambo, as reciprocidades e o caixa dois. Sem necessidade de grandes esquemas de lavagem de dinheiro. Serão como pequenas aeronaves voando abaixo da linha do radar.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

A base da base não está com Dilma

 
A base dos deputados e senadores são os seus eleitores, dos quais eles esperam ser reeleitos. Por isso eles procuram atender aos seus pleitos e também não os quer contrariar. 
Eles podem tentar até convencer os seus eleitores, das suas posições acordadas com as lideranças partidárias e com o Governo, mas não podem se afastar das visões e percepções dos seus eleitores. Sob o risco de perderam o seu voto.

A pesquisa do Datafolha, provavelmente confirma o que eles viram e ouviram das suas bases. A quase totalidade está insatisfeita com a Presidente e não quer o seu representante alinhado com ela.
Se o processo de impeachment chegar à votação em plenário, com voto aberto, ela perderá.
Toda a sua luta e resistência é impedir que o processo chegue a esse ponto. 
Evitar a abertura dificilmente conseguirá evitar, pois depende de Eduardo Cunha. Já o andamento ela tentará retardar ao máximo. 
O problema é que ela ainda tem tempo demais. 

O pior é a agonia da expectativa.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O petismo do PSDB

O PT quando assumiu o Governo em 2003 com Lula, reclamou muito das heranças malditas, mas muitas delas resultaram da oposição do PT ao Governo FHC não permitindo a aprovação das reformas necessárias, uma delas da previdência social. 


O Governo FHC, conseguiu um arremedo de contenção da sangria do sistema previdenciário, com o fator previdenciário. O Governo do PT percebeu que o FP era uma herança maldita em termos políticos, mas bendita em termos de contas públicas. Por isso resistiu até agora em modificá-lo, embora o combatesse no discurso.

Agora o PSDB repete a estratégia petista, desconsiderando a possibilidade de vir a reassumir o Governo em 2019, com um pesado déficit, com a reformulação do fator previdenciário. 


Não importa o conteúdo, nem as consequências. Se é do Governo  o PSDB  vota contra, como fazia o PT. Quer manter o Governo sangrando até 2018. Mas deixar o Governo exangue não é por mero sadismo. É para derrotá-lo e se conseguir vencer os outros adversários, irá herdar um déficit previdenciário que ele mesmo ajuda a estabelecer.


Comete um tremendo erro estratégico. 

A mudança do fator previdenciário tem pouco efeito a curto prazo. Terá efeito maior a partir de 2018, com maior encargo para o próximo Governo. Que o PSDB pretende que seja seu. 

(ver a íntegra do artigo, na coluna artigos (íntegras e em inglês) na coluna à direita.

quarta-feira, 18 de março de 2015

A sociedade foi às ruas. O povo continuou em casa

As imensas manifestações de 15 de março de 2015, levando às ruas quase 2 milhões de pessoas às ruas em diversas cidades do Brasil, não só das capitais, sendo que só em São Paulo, mais de 1 milhão (apesar de uma ultrapassada, explicável mas inaceitável metodologia do Data Folha, na era da informática) provocam  uma euforia e a enganos na interpretações das manifestações.

Quem foi às ruas foi a elite de cada uma das cidades, formada principalmente pela classe média e uma  parte da pequena classe alta. Essa tem renda, mas não tem gente. Por isso mesmo conduz à elevada má distribuição da renda. Volume de gente é formada pela classe média, seja a alta, a média e até a baixa, ou como querem alguns a emergente. O preconceito do PT procura caracterizá-la com formada por gente loira, de olho azul. Deve ser nos paises nórdicos. Aqui tem de tudo, inclusive negros, pardos, amarelos e outros. As elites  de cada um dos locais, qualquer que seja o gênero, cor ou raça estavam nas ruas. Mas o povo ficou em casa. A maioria da população brasileira formada pelas classes mais baixas não saiu de casa num domingo. Com chuva em algumas cidades. Com sol em outras. Os das classes mais altas sairam em peso para as ruas. "Deixaram o aconchego do lar" numa tarde de domingo. Os das classes mais baixas ficaram em casa, em frente à televisão. Muitos assustados com o mar de gente que se reuniu na Av. Paulista e arredores.
Isso não quer dizer que não concordam com os que foram para as ruas. Ao contrário, uma grande parte está insatisfeita com a situação e com o Governo. Podem não concordar com o "fora  Dilma". Mas não estão a favor dela. A pesquisa do mesmo Data Folha que subestimou o número de manifestantes da Avenida Paulista, informa que 62% dos entrevistados reprovam o Governo Dilma (O gráfico acima está defasado, porém mostra a tendência).
A medição mais importante é da audiência da cobertura das manifestações feitas pela TV, principalmente pela Rede Globo. Nem todo o mundo foi às ruas, mas certamente todo mundo no Brasil viu o mar de gente que estava nas suas telas. Mais de 90% das famílias tem televisão. E ficar vendo os programas é a atividade maior das tardes de domingo.

As próximas eleições gerais estão ainda muito longe: três anos e meio. Os políticos tem muito tempo para se ajustar, mas a sua imagem será afetada pela reação diante das manifestações.

Os políticos vão fazer de conta que não é nada com eles. Os manifestantes foram contra a Presidente e seu governo. Ledo engano. As manifestações contra a corrupção também os envolve. Mas vão ainda fazer de conta que não é com eles, porque não se consideram corruptos, apenas fazem o que todo mundo faz. Precisam entender que os manifestantes foram contra o que "todo mundo faz". Ou melhor o que acham que todo político faz: "roubar o erário público". 

Vão tentar escamotear, aprovar algumas medidas parciais e paliativa, sem chegar às origens mais profundas da corrupção. Essa decorre da concepção patrimonialista do Estado. 

A corrupção vai continuar e a sociedade vai continuar indo às ruas. A grande questão é quando vai ocorrer a batalha final. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

"Apagão", racionamento e contenção

O Brasil está passando por uma séria crise hídrica, que já dura anos, afetando principalmente o sudeste, e que se estende ao nordeste. A principal vítima é o "velho Chico". 
Os paulistanos focados sobre o Cantareira não percebem a gravidade do problema no interior do próprio Estado, indicado pela suspensão da navegação fluvial no rio Tietê.

Diante da prolongada estiagem o Brasil está sob o risco de um racionamento de energia e São Paulo sob risco de racionamento de água.

A questão dos racionamentos é tratada politica e emocionalmente, o que obscurece os fatos reais. Racionamento foi estigmatizado politicamente, como o maior símbolo da incompetência governamental, e todo governante resiste em assumir a sua adoção. Escamoteia, adota medidas paliativas ou parciais e insiste em dizer que não faz, tampouco fará racionamento.

Uma coisa é a interrupção eventual e de indeterminada duração, mas em geral curta seja da eletricidade nas casas, como da água na torneira. A mídia apelidou e a sociedade adotou o termo "apagão".  O "blackout" ou apagão seria uma interrupção ampla e relativamente longa, o que é raro ocorrer, mas qualquer interrupção é caracterizada como apagão e mutos o associam com racionamento. 

Para o consumidor, qualquer interrupção é associada à apagão e racionamento, o que é amplificado pela mídia.

A interrupção eventual do suprimento, tanto da eletricidade como da água, decorre de acidentes no sistema. Esse são mais frequentes quando existe um desequilíbrio entre oferta e demanda, ou seja, da capacidade de suprir pelas empresas de energia ou de saneamento e a procura do serviço pelo consumidor. Decorre também da obsolescência das instalações, que pela sua degradação  as torna mais vulnerável a acidentes. Na eletricidade uma eventual sobrecarga provoca a "queima" do equipamento. No sistema de água o vazamento.

Essas ocorrências podem ser mitigadas, minimizadas, mas não são inteiramente evitáveis. Em tese o seriam, mas a custos muito elevados. O que leva às empresas a trabalharem com a avaliação e a gestão de riscos. 

Em situações regulares, o "azarado" que sofre com o acidente e interrupção eventual, dentro das margens estatísticas da ocorrência do risco, sofre sozinho ou em pequeno grupo, como moradores de um mesmo condomínio. Em situações de crise o seu problema individual é amplificado,  como fosse apenas um exemplo do que ocorre com milhões de outros. O sensacionalismo da mídia se encarrega disso.

O racionamento é um corte ordenado, programado e previamente comunicado aos usuários. Esses são antecipadamente comunicados da ocorrência do corte no suprimento, com horários pré-definidos.  Pode ser generalizado, ou rodiziado. Neste último caso, os cortes são alternados por regiões ou bairros.

O racionamento é a medida extrema. Antes dela os Governos desenvolvem ações de conscientização, educação ou similares com o objetivo de modificar os hábitos e reduzir a demanda. Principalmente reduzir os desperdícios ou adotar o uso de fontes alternativas.  Se esses forem eficazes, com significativa redução do consumo evita-se o racionamento. Foi o que ocorreu em 2001, com o risco do racionamento de energia, o que acabou não sendo efetivado, diante da redução do consumo da ordem de 20%. Diante do risco iminente do racionamento os consumidores reduziram voluntariamente o uso.

O mesmo está ocorrendo agora em São Paulo. Diante da ameaça do racionamento os usuários estão adotando um conjunto de medidas individuais ou coletivas para a redução do consumo. Mudando hábitos, o que não fariam em situações sem crise. 

Por outro lado,  a concessionária usa o gerenciamento da pressão na rede, para reduzir o fornecimento fora das horas de pico, o que gera a falta d'água nas moradias que ficam em locais mais altos e nas pontas das redes. 

Para os afetados não interessa se é contenção ou racionamento. Não tem água na torneira e eles reclamam e reivindicam o imediato ressuprimento.

Sendo, tanto o suprimento da água potável como da eletricidade, serviços públicos, a população quer saber se o seu governo, por ela eleito, terá capacidade de enfrentar e vencer o desafio de garantir o suprimento continuado daqueles elementos vitais para a vida moderna. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quem vale mais? O candidato ou o partido?

Nas eleições para o legislativo os eleitores votam num candidato e num partido, dentro de um sistema caracterizado como proporcional, diferentemente do modelo majoritário, aplicado na eleição para o Executivo, em que vale apenas os votos recebidos pelo candidato. Ganha quem tem mais votos, em um ou dois turnos.

No sistema proporcional, em função dos votos válidos (excluidos os nulos e em branco) é calculado o quociente eleitoral. Esse quociente define o número de vagas a serem preenchidas pelo partido ou coligação.


O candidato que tem individualmente mais votos do que o quociente eleitoral, se elege, independentemente dos votos dados ao partido. Ao contrário contribui para eleger outros candidatos do mesmo partido ou coligação.


Os que não conseguem alcançar o quociente eleitoral, podem ser eleitos em função  dos votos do seu partido ou da coligação feita para as eleições.


Isso cria uma distorção.Os eleitos não são os mais votados. Fora os que conseguiram mais votos que o quociente eleitoral serão eleitos os mais votados dentro quota alcançada pelo partido ou pela coligação. 


Nas últimas eleições para a Câmara Federal, em São Paulo, candidatos com cerca de 100 votos foi eleito, enquanto candidatos com 100.000 ficaram fora.

Dessa forma, os partidos buscam dois tipos de candidatos:



  • os campeões de votos, que conseguem votos superiores ao quociente eleitoral e ajudam a eleger outros candidatos do partido ou coligação, mesmo que tenham menos votos que candidatos de outros partidos. Na última eleição em São Paulo, Tiririca, pelo PR e Celso Russomano, pelo PRB, ajudaram a eleger vários candidatos, com número insignificante de votos pessoais. 

  • candidatos locais que tem poucos votos, mas que somados, ajudam o partido ou coligação a aumentar a sua quota de eleitos. Interessa ao partido registrar o número máximo de candidatos. Esse número é de 1,5 vezes o número de vagas.

A par dos votos em candidatos, o eleitor pode votar na legenda, sem indicar o candidato, ajudando o partido a ampliar a quota de eleitos.

A proposta de Michel Temer para adotar o voto majoritário, dentro de cada Estado, para a eleição dos deputados, dentro do modelo chamado de "distritão", faria com que os deputados eleitos fossem os mais votados, sem depender dos votos do partido. Mas continuariam sendo apresentados por partidos e a bancada partidária seria base para as eleições internas do Congresso, participação no fundo partidário, horário eleitoral e outras condições.

A defesa do modelo, principalmente, pelo VicePresidente da República, Michel Temer, se baseia no principio da democracia. Os eleitos devem ser os que tem mais votos. No caso dentro de cada Estado. O modelo eliminaria outras distorções: reduziria a necessidade de coligações e do excesso de candidatos. As coligações poderiam continuar em função do tempo no horário eleitoral, mantendo um valor para os "partidos de aluguel".

Os oponentes se baseiam nos impactos que a mudança pode acarretar. A principal objeção seria o enfraquecimento dos partidos. O segundo seria a perda de solidariedade e o acirramento da concorrência individual. Seria um contra todos e todos contra um. 

O cientista político Jairo Nicolau, um estudioso dos sitemas eleitorais afirma que o sistema do "distritão" é pouco usado, limitando-se a poucos paises pouco desenvolvidos. E que o sistema distrital (não distritão) foi responsável pela crise institucional no Japão, no início dos anos 90, com crescimento do custo das campanhas e da corrupção eleitoral.

Temos que considerar 4 comportamentos básicos, sendo 3 dos candidatos e 1 dos partidos:


  1. o dos campeões de votos, que podem independer do partido e escolheriam o partido com o qual tem maior afinidade ideológica e partidária, ou aquele que lhe ofereça maior suporte para a campanha. Se for novo poderá ter liberdade de escolha. Se já for deputado tem que atender as condições de fidelidade partidária;
  2. o dos que não tem certeza de alcançar sozinho votos suficientes para se eleger e precisam de apoio partidário para reforçar a sua campanha. Diferentemente do que ocorre no sistema proporcional, não precisa se preocupar com o sistema atual em que estando num partido forte, os seus votos, mesmo sendo mais altos podem perder para outros candidatos com poucos votos, puxados por um campeão de votos. A tendência seria de maior vinculação partidária. Porém na busca de votos para si pode vir a prejudicar o colega. As disputas seriam mais acirradas, mesmo dentro do  partido, ficando acima da solidariedade partidária: ninguém ajudaria ninguém. Buscaria egoisticamente o seu voto. É preciso, ademais, considerar que candidato é sempre muito otimista, achando que terá votos suficientes para se eleger. E não faltarão os "puxa-sacos" para incentivar e concordar. Fora os cabos eleitorais que querem receber algum.
  3. os que tem alguns votos locais, regionais ou grupais, mas sem perspectiva de estar entre os mais votados. No sistema atual ajudam o partido a eleger mais deputados e ficam com créditos para outras eleições, principalmente as municipais. Com o sistema majoritário os seus votos, não ficando entre os mais votados, nada valeria e não lhe angararia crédito algum. Poderá preferir concentrar as campanhas em eleições menores para alavancar eleições maiores. A menos dos que já tem cargos eletivos, a tendência é só se filiar próximo às eleições. 
  4. os partidos terão que fazer uma seleção maior, considerando duas categorias de candidatos: os bons de votos e os filiados por afinidade ideológica. A tendência seria da prevalência dos candidatos fisiológicos, mais do que os ideológicos.
Tirando uma meia dúzia de campeões de votos, que não precisam do partido para se eleger, os demais precisariam do partido e isso poderia reforçá-lo  e não de enfraquecê-lo.

Porém haveria duas categorias de candidatos, em função da sua capacidade econômica:

  • os com baixa capacidade econômica pessoal e dos seus apoiadores e eleitores, dependendo da infraestrutura dos seus partidos;
  • os com elevada capacidade econômica, que irão investir na sua campanha pessoal.
O "distritão" tenderia a favorecer o poder econômico, em dois sentidos:
  • candidato com ambição de se eleger parlamentar, seja por aspiração pessoal, relacionado ao prestígio, ou pela expectativa de vir a usufruir dos supostos beneficios do cargo, além dos formais;
  • candidato apoiado por grupos econômicos, com interesse em aprovar leis que favoreçam os seus negócios ou, ao contrário, evitar leis que possam prejudicar os seus negócios. 

Haveria então o risco do predomínio do poder econômico: do capital em detrimento dos trabalhadores e dos movimentos populares.

Também partidos, mais à esquerda que cresceram com o sistema proporcional, como o PT que vinha angariando grande volumes de votos de legenda, poderão perder densidade.

Mas no caso do PT as suas perdas decorreram da "traição" da sua direção aos ideais partidários e o envolvimento de alguns dos seus candidatos com a corrupção. Muitos eleitores, mesmo mantendo a fidelidade partidária não queriam correr o risco de seu voto favorecer a um corrupto indesejável. Isso pode explicar a redução  dos votos de legenda para o PT, nas últimas eleições.

Os partidos com base na massa de eleitores precisariam reforçar a sua imagem programática para a conquista dos "corações e mentes"daquela. Essa conquista pode se dar também pela via do populismo, com promessas de benesses através do Estado.  

(cont)










quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Campanha Eleitoral Antecipada

Em meio a uma crise, recomendam os manuais, que se crie um fato novo para desviar a atenção da sociedade e da mídia dos problemas crônicos.

A crise política está caracterizada pela enorme perda de popularidade de um Governo recém eleito e empossado e das suas sucessivas derrotas nos embates  com o Legislativo.


Essa conjuntura leva ao risco de um impeachment da Presidente, enfraquecendo-a mais ainda. Ela começa o novo mandato como "pata manca (lame duck)". Expressão inglesa para caracterizar um govenante sem prestígio e sem autoridade real, apesar do cargo.


Lula que é o mais esperto de todos os políticos brasileiros, já criou o fato novo. Além de retornar à cena, acusando os adversários e adeptos destes de golpismo, antecipou a campanha eleitoral, emergindo como o candidato à sucessão de Dilma, mantendo a permanência do PT no poder.


Irá retomar as caravanas por todo o Brasil, defendendo o projeto social do PT e denunciando a tentativa de "golpe" para abreviar o mandato da companheira Dilma.

Mas o fato novo, que vai tomar conta do noticiário, será quando a mídia descobrir que a campanha eleitoral de Lula não é para 2018, mas para ainda 2015 ou até 2016.

Segundo a Constituição Federal de 1988, se a Presidente for destituida, assume o Vice-Presidente, para completar o mandato como ocorreu com Itamar, substituindo Collor.


Mas se também o Vice for invializado, destituido ou  impedido, junto com a Presidente, antes de completar dois anos de mandato, portanto até 31 de dezembro de 2016, far-se-á uma nova eleição, até 90 dias da ocorrência do último fato.

Para não discutirmos os prazos, se até 30 de setembro de 2016, Dilma e Temer estiverem fora do Governo, haverá nova eleição direta. Depois de dois anos, a eleição será indireta pelo Congresso Nacional.


Ao iniciar uma campanha eleitoral antecipada, Lula tenta acalmar os petistas: "mesmo se houver o golpe, o PT não perderá o poder e Lula voltará ao Planalto nos braços do povo." Como Getúlio voltou ao Catete, para só sair num caixão.
Por outro lado arrefecerá os ímpetos da oposição e dos defensores populares do impeachment da Presidente: "se ela cair, volta Lula".

Fantasioso, sim. 

Mas o que importa é a criação do "fato novo" para tirar a Presidenta das cordas. 


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Questões criticas dos cenários políticos

Terminada uma eleição, os políticos já pensam na seguinte. No cenário mais amplo, o PT e o PSDB, os tradicionais partidos com concorrentes à Presidência, bucam uma movimentação, ainda submersa, sem uma definição do nome do seu candidato. O PMDB tentará "emplacar" um nome próprio, mas segue na sua estratégia de domínio no Congresso, tornando o Presidente, qualquer que seja, refém ou dependente dele.

Neste momento em que se decidiu a eleição das duas mesas do Congresso, as preocupações se voltam para a eleição seguinte, em 2017. Tanto Renan, como Cunha podem ser reeleitos. Este, com uma vitória estrondosa, derrotando o Governo e o PT, está em condições melhores para se manter no cargo, apesar de incessante artilharia, promovida pelo Planalto, para tentar enfraquecê-lo. Mas ele é experiente e se fortalece com os ataques frustrados dos adversários. Tem capacidade de perceber e reagir rápido aos, em geral, desastrados movimentos do grupo palaciano e do PT. Está sempre preparado para as tentativas de desconstrução, marca registrada e agora muito conhecida do PT.
A única coisa que poderá derrotá-lo será a falta de cumprimento das promessas fisiológicas aos colegas. O que é pouco provável, às custas do dinheiro do contribuinte. 
Um eventual envolvimento dele com a Operação Lava-Jato será secundário, embora os adversários tentem magnificá-lo.

O cenário mais provável é que o Governo Dilma tenha que conviver ao longo dos seus quatro anos, com Eduardo Cunha na Presidência da Câmara, tirando o sono dela e dos seus áulicos, vez por outra. Com uma estratégia equivocada o PT não só perdeu a eleição de 2015, mas comprometeu a de 2017, inviabilizando um acordo de rodízio. Mas não pode ser desconsiderada a possibilidade de alguma reviravolta provocada por algum fato não visivel ou perceptível no momento.

Mas, o PMDB da Câmara, apesar do comando de Michel Temer, não terá muito espaço dentro do Executivo. O Governo poderá ceder algum espaço, com muita relutância e negociação, podendo usar esse instrumento para tentar enfraquecer a liderança de Cunha. Tentou na formação inicial do Ministério, não deu os resultados esperados, mas vai persistir. O PMDB da Câmara vai "ficar com os restos". Não vai ficar inteiramente fora porque esses espaços serão a moeda de troca de Cunha para  não agir contra o Governo. 

A espernça do Governo não é contar com a ajuda de Cunha, mas evitar que ele seja ou fique contra. Os riscos estão nas CPIs, cujos desdobramentos poderão ser terríveis para o Governo.

Já no Senado, apesar de alguns ressentimentos, Renan teve o apoio do Governo e do PT para assegurar a sua eleição, e fortalecerá a posição do PMDB do Senado dentro do Governo. 

Renan Calheiros poderá ter enfraquecida a sua posição pessoal em função de eventual envolvimento na Operação Lava-Jato, mas o seu grupo manterá a posição de controle do Senado. Desde que o Governo mantenha ou até amplie os espaços dentro da Adminsitração. As negociações não poderão ser muito miudas, porque o Governo precisará muito do Senado para barrar as iniciativas contrários a ele. Não conseguindo barrar na Câmara dos Deputados precisará muito dos diques do Senado.

Ainda que se livre de pressões mais fortes contra a sua permanência na direção da casa, diante dos seus comprometimentos no escândalo do Petrolão, Renan Calheiros chegará enfraquecido para a reeleição de 2017, levando o Governo, como primeira opção, tentar a Presidência para um petista e, como segunda, um novo nome do PMDB. Ou ainda um tercius, dentro da base aliada.

No quadro atual, o Governo continuará refém de uma política fisiológica, obrigado a um lotemento, agora envolvendo o segundo e terceiro escalão. 

Haverá pouco espaço para a tecno e gerenciocracias, o que significa que o Governo Federal vai continuar funcionando mal. A equipe econômica será mesmo uma ilha de competência num mar de mediocridade. 


Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...