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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

E dai?

  •   O discurso de Bolsonaro transmitido na abertura da Assembleia Geral da ONU, parcialmente virtual, foi destinada ao mundo, mas mirou mesmo o público bolsonarista nacional. O qual teria ficado exultante, eufórico com a apresentação, para que o mundo conheça a verdade. 

E dai! poderá responder o mundo, parafraseando a expressão habitual de Bolsonaro.

O mundo ajudará a combater a conspiração que alguns países e grupos  estão tramando contra o Brasil? Irá ajudar o Governo Brasileiro a reconstruir o país?

O Brasil que Bolsonaro apresentou ao mundo, é de um país que alimenta o mundo, sem estar desmatando. 

O que é fato, é verdadeiro. Com os sucessivos ganhos de produtividade, o agronegócio cresce absurdamente, enquanto a área ocupada por esse, para cultivo e criação, é praticamente estável.

Não obstante, outros segmentos ou grupos continuam promovendo o desmatamento. Embora não seja de responsabilidade direta do agronegócio, o fato é que o desmatamento que estava em queda, voltou a subir, sendo usado para comprometer o agronegócio brasileiro nos mercados externos. Com o apoio interno de grupos ambientalistas e outros que se opõe ao crescimento do agronegócio e à dependência cada vez maior do desenvolvimento brasileiro das exportações de commodities, que tem baixo valor por peso.

 O Brasil que Bolsonaro apresenta ao mundo é um país pleno de oportunidades de investimentos, apesar de uma conspiração internacional de grupos insatisfeitos com os rumos ideológicos do seu Governo e que usam a desinformação ambiental para comprometer a sua imagem.

Para Bolsonaro e seu governo o importante é o mundo dos investidores, não o mundo dos ambientalistas. Para ele esse mundo continua confiando no Brasil e investindo no Brasil. A pandemia teria prejudicado o fluxo, mas com as medidas adotadas pelo Governo e pelo Congresso Nacional, como as recentes aprovações dos marcos regulatórios do saneamento e do gás, com os processos de desestatização em andamento os luxos voltarão a crescer. 

Confirmando que o mundo dos investidores continuam confiando no Brasil. Pensamento positivo, pensamento mágico, "wishful thinking" ou perspectivas reais? 

O mundo quer conhecer a realidade. Ou vai se guiar por Bolsonaro ou por grupos ambientalistas, ambos distorcedores da realidade, difundindo "fake news".

domingo, 6 de setembro de 2020

Retorno ao velho normal

Com as praias brasileiras lotadas, com as pessoas aproveitando o sol e a pouca chuva neste final de inverno, congestionando as rodovias em direção ao litoral, bares cheios de jovens e não tão jovens, bebendo e conversando animadamente, sem máscara - afinal não dá para beber com máscara - indica que estamos voltando à normalidade. Não ao novo normal, como muitos desejaram e vaticinaram, mas  ao velho normal, com pequenos ajustes.
A sociedade brasileira vem optando pelo Brasil de Bolsonaro e não ao Brasil da Rede Globo, ou ao Brasil responsável.
Não às quarentenas, aos isolamentos em casa, não às restrições ao funcionamento das atividades econômicas, não às restrições ao direito de ir e vir, desfrutar da vida e sair para trabalhar.
O problema não seria a contaminação, mas a falta de medicamentos para tratar os contaminados, mas as limitações de atendimento pela rede hospitalar. 
Os Governos Estaduais e Municipais, assim como a rede privada, promoveram o aumento e melhoria das condições de atendimento, mesmo com os desvios dos recursos e algum apoio do Governo Federal. Atualmente, há até ociosidade em várias UTIs, que recomeçam a atender aos pacientes com outras doenças. 
Bolsonaro elegeu a coloroquina como o remédio salvador, que o salvou e também as seus familiares. Segundo ele, a cloroquina funciona para os mais fortes ou saudáveis. Os fracos e com outras doenças poderão não sobreviver. Ele está promovendo uma "limpeza genética", tradicional, darwinista: só os fortes sobreviverão. Não diz claramente, mas  quer livrar o Brasil dos "bundões".
É também uma reforma previdenciária mais ampla e profunda do que a aprovada pelo Congresso, com redução do déficit no médio prazo. Se a grande preocupação econômico e financeira era o envelhecimento da população, com o aumento maior de inativos do que ativos, que devem financiar aqueles, o coronavirus está matando mais os inativos e seus pensionistas do que os jovens que podem voltar a buscar trabalho.
As mortes diárias pela COVID 19 passam a ser aceitas como parte da vida cotidiana, somando-se às mortes por acidentes de trânsito, pelos homicídios, pelas doenças vasculares e outras. "Todos nós vamos morrer, e se morrermos agora é porque Deus quer assim". 
Para Bolsonaro e seus seguidores o problema não é o coronavirus, as contaminações e as mortes. É o alarde que a mídia tradicional faz, principalmente a Rede Globo. 
A sociedade brasileira está optando pelo retorno ao velho normal, aceitando ou recusando os riscos, considerando o aumento das mortes, como "fato da vida". 
Como será o Brasil 2021 com essa convivência?

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Cercadinho da verdade

Jair Bolsonaro sempre foi do contra.
Um politico esperto, com bom faro, percebendo e aproveitando as oportunidades. Ainda em 2017 percebeu que poderia liderar um movimento dos "contra" e poderia chegar ao poder, eleito por aqueles. 
Na Presidência continua sendo do contra. Não pode ser em tudo, então se concentra em algumas questões onde pode manifestar a sua posição contra a corrente, com ampla divulgação. 
Sabe melhor que ninguém, manipular a mídia, dentro do seu conceito básico: diferença entre informação e notícia.
Ser a favor da aplicação universal da vacina, contra o coronavirus, contanto o que o Governo vem fazendo é informação, que não dura mais de um dia. No dia seguinte é preciso atualizar a informação. Ser contra é notícia, tem maior repercussão e dura mais tempo. 
Bolsonaro é pessoalmente contra a obrigatoriedade da vacina. Faz parte do grupo minoritário, na sociedade, dos "contra a vacina", um movimento que cresce mundialmente. 
Contido pelos seus assessores, principalmente do grupo militar, controla-se, vestindo a roupa de Presidente do Brasil sério, e não manifesta o seu posicionamento pessoal, submetendo-se às comunicações formais.
Mas quando sai o seu carro, no cercadinho do Alvorada, para conversar com os seus seguidores, sente-se a vontade para expressar os seus "achamentos" pessoais. Diz o que realmente acha, sem peias, esquecendo ou - ao contrário - sabendo que a mídia está lá e irá repercutir a sua fala. 
O Bolsonaro real não é aquele que aparece nas cerimônias oficiais no Palácio do Planalto, lendo discursos preparados pelos seus assessores (ou controladores da sua comunicação), mas o Jair do "cercadinho da verdade".

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Mobilizar a sua turma


Os Bolsonaros estão buscando mobilizar a sua turma para ir às ruas dar apoio a medidas de exceção, manifestar-se pelo fechamento do Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Eles entendem que o Governo Bolsonaro está indo bem, com indicadores econômicos positivos, em termos de inflação, taxa de juros, dólar, índice da Bolsa de Valores, mas ainda com dados insatisfatórios em termos de taxa de crescimentos econômico e de redução dos níveis de desemprego. Só não está melhor porque – segundo eles – as “hienas” que não querem perder os seus privilégios não deixam o Leão Bolsonaro trabalhar.
Para eles existem os nossos e o resto, formado pelos inimigos. Eles só falam nas redes sociais para os seus. Dizem o que eles querem ouvir e são aplaudidos e apoiados. O apoio se manifesta na disseminação das suas mensagens.
Tudo o que postam é deles mesmo, deliberadas, voltadas para o seu público. Quando tem uma reação contrária muito forte, retiram a peça, pedem desculpas e vão em frente, seguidos pelos seus adeptos.
O alvo da hora é o Supremo, em função da provável decisão do colegiado contra a prisão após confirmação de sentença condenatória em segunda instância judicial. Essa é a caracterização técnica. A popular é “soltar todos os bandidos e corruptos” promovendo a impunidade. Essa visão indignada tem uma grande adesão dos “lava-jatista”, que tem em Sérgio Moro o seu grande ídolo.
Mas essa população contra os bandidos tem um segmento a favor da decisão do TSE quando essa pode promover a libertação de Lula, para os bolsonaristas o pior de todos os bandidos.
A ilusão de Eduardo Bolsonaro é promover a dia do séquito bolsonarista às ruas contra o TSE e a favor de Moro. Promover a provocação dos petistas, com a incitação dos black blocs, gerar vandalismo e radicalização para justificar uma intervenção do Exército para garantir o poder do pai, e editar um novo AI-5. O que poucas pessoas sabem o que é: para Eduardo Bolsonaro é o fechamento do Congresso.
Na alegoria bolsonarista é o leão “patriota conservador”, mas que junto com o Leão Bolsonaro enfrenta as hienas. Mas não apenas para espantá-la, mas para exterminá-las.
Existem algumas palavras malditas dentro da sociedade brasileira: uma é CPMF, outra AI-5. Poucos sabem o que é mal, mas são tomadas como símbolo do mal.
Eduardo Bolsonaro não se deu conta da maldição, justo no dia do “halloween”. Ele como chapeiro de hamburger nos EUA deveria bem lembrar. Esqueceu e agora vai ser queimado na fogueira das bruxas.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Ninguém dissemina notícias falsas (fake news)

Quem recebe uma notícia que acha que é verdadeira ou gostaria que fosse verdade, transmite a outros essa "sua" verdade.
Portanto ninguém transmite uma notícia falsa, sabendo que é falsa. 
O problema não está na falsidade da notícia, mas na aceitação pelas pessoas que as recebe e assume como verdadeira.

Esse processo se baseia no comportamento das pessoas que querem que a notícia recebida seja verdadeira. Elas estão predispostas a aceitar como verdadeiras. Porque desejam que  as sejam. É um processo psicológico individual que se transforma em psicologia das massas.

A proliferação de fake news não é um problema de  tecnologia, mas o desejo inconsciente das pessoas que determinadas notícias sejam verdadeiras, ainda que não sejam. 

A tecnologia facilita e acelera a disseminação das verdades assumidas. Mas é apenas o meio. O conteúdo continua sendo a velha "fofoca".

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Salvador da Pátria ou Nosso Salvador?

Com a aproximação do período eleitoral, de um lado, emergem candidatos messiânicos, tomados como "Salvadores da Pátria". De outro, contestados ou repudiados, pelo populismo e pelo risco de serem eleitos.

Pátria, assim como Brasil, nação são "coletivos majestáticos", em que cada pessoa, ou grupos de pessoas se assumem como sendo o coletivo. 

Assim, quando estamos nos referindo ao Salvador da Pátria, não é a pátria de todos os brasileiros, mas dos brasileiros que acreditam nele. E para os que não acreditam, a sua pátria é outra. 

Não estão falando da mesma pátria. Portanto, seria mais adequado falar em "Nosso Salvador". 

Quando alguém diz que quer um Brasil Melhor, ele está dizendo que quer viver melhor ou em condições melhores. Não é a visão do todo, mas a transposição da sua visão pessoal ao coletivo. 

É dentro dessa percepção que o "populista" trabalha para conquistar os votos. Ele promete aos seus interlocutores ou simples ouvintes ou assistentes uma vida melhor para eles, caracterizando-a como uma melhoria de todos. 

O salvador da Pátria diz que quer salvar o país, mas o país de cada um, de cada eleitor e ou grupo de eleitores. E essa Pátria é maior que a dos que o repudiam. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

O perfil dos novatos (2)

Os novatos estão fascinados com o suposto poder da rede social e se concentrarão no meio virtual. 
Poucos se dedicarão aos tradicionais métodos presenciais. Como visitar pessoalmente os seus potenciais eleitores, tomar um cafezinho excessivamente doce, com eles, comer pastel, ouvir as reivindicações, beijar as criancinhas, etc. 

Mas os veteranos conquistam votos de eleitores, com essas práticas. E como os novatos vão fazer com que esses deixem de votar nos veteranos presenciais para votar neles, que só existem virtualmente para os eleitores?

Um dado preocupante do amplo uso da rede social nas campanhas políticas está nas notícias falsas, nos "fakes" e nas pós verdades.

Os novatos e os renovadores estão contando muito em usar o poder das redes sociais, mas podem ser vítimas de poderosos contra-ataques, experimentando o próprio veneno. A partir de centros instalados no exterior. 

A reportagem publicada no Estadão de domingo, sob o título "Na web, 12 milhões difundem fake news políticas", (17/09/2017, pg A 12) é extremamente preocupante.

(cont)

domingo, 17 de setembro de 2017

A importância relativa da rede social nas eleições de 2018

A opinião publicada tradicional embala grande esperança na influência da rede social, através da internet, nas eleições de 2018, acreditando que a mesma contribuirá decisivamente para a renovação do Congresso e para a eleição presidencial.

Os números são promissores. O número de eleitores aptos a votar em 2018 deverá estar por volta de 150 milhões. Excluidas as abstenções, cerca de 130 milhões deverão ir às urnas. Os votos válidos deverão ser da ordem de 115 milhões. O número de aparelhos celulares no Brasil já é da ordem de 230 milhões, praticamente um aparelho por habitante. A quase totalidade dos eleitores terá um aparelho celular.

É um dado altamente significante, mas apenas necessário. Não suficiente. 

A condição fundamental é o eleitor se interessar em se informar ou se orientar pela rede. 

Tendo interesse ele terá acesso a um banco de dados, dentro do qual ele irá buscar a informação desejada. As plataformas atuais tem informações demais para cada eleitor.

Não basta que ele tenha um aparelho celular, ou mesmo os aplicativos. É preciso que a mensagem chegue a ele e tenha o poder de afetar a sua decisão. 

As mensagens nunca serão isentas. Elas sempre carregarão um proposito, a favor ou contra. E haverá  muita mensagem falsa.



terça-feira, 2 de maio de 2017

Eramos felizes e não sabiamos!

Ao longo de doze anos dos governos petistas, o povo brasileiro viveu em condições supostamente melhores. A economia, como um todo, cresceu pouco, com altos e baixos, mas cresceu. Alguns segmentos cresceram mais.  A inflação apesar de algumas elevações, ficou sob controle.
O mais importante é que não havia um desemprego intenso. E a cada anos eram criados mais empregos formais. 
As situações favoráveis foram promovidas  por ações governamentais, que ao perderem vigor foram sustentadas pelas "pedaladas".

Essa sustentação artificial foi suficiente para garantir a reeleição da petista Dilma, mas ela mesmo teve que mudar inteiramente a ação governamental, "abrindo as porteiras" para uma crise "nunca antes ocorrida no país". 

A percepção política da crise, alimentou o processo de derrubada da Presidente.

Para uma grande parte da população não importa quem seja o culpado pela crise. Está infeliz e acha que a solução está, de novo, na derrubada do presidente de plantão. Para o imaginário popular, o "Fora Temer" resolveria os problemas. 

E uma parte crescente da população começa a ver em Lula, a solução para o retorno dos "bons tempos, em que eramos felizes e não sabíamos". 

E não soube que debaixo de toda aquela ação governamental foi montado e operado o maior esquema mundial de corrupção pública.

Mas uma parte significativa da população, quer apenas a volta da parte boa do governo petista. E tem esperança de que os melhores dias voltarão com Lula na Presidência. 

Não é, pois, surpresa que Lula tenha a preferência nas pesquisas para a futura eleição presidencial. E continuará crescendo, com a persistência da crise. 

Como vem ocorrendo em outros países, as eleições de 2018 serão dominadas pelo populismo. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Crise de informação

A mídia não informa, noticia.
Incêndio de grandes proporções é notícia. O fim do incêndio é informação. 

Notícia vende, informação não.
Noticia não precisa ser falsa. É o fato, que pode informado friamente ou retorcido para chamar atenção.
"O Supremo Tribunal Federal por 6 votos a 3 rejeita representação apresentada pelo partido Rede de Sustentabilidade, aceita liminarmente pelo Ministro Marco Aurélio Mello, para afastar o Senador Renan Calheiros da Presidência do Senado, por ter se tornado réu em processo no próprio STF". Esse é o fato e a informação do fato.
"Desobediência premiada" é a manchete em letras garrafais do Jornal O Globo para noticiar o mesmo fato. Desconsiderando que o julgamento não foi sobre a desobediência. Fato que ainda será investigado e julgado, se for o caso. 
Marco Aurélio Mello pôs em risco a credibilidade e respeitabilidade do STF, com uma decisão precipitada, ainda que pudesse estar certo. O pleno não ratificou. Mas a mídia não quer saber dos bombeiros, a menos de atos heróicos. Apagar o fogo transforma a notícia em mera informação.
Então resolveu abrir fogo contra o STF: "no calor do fogo". 
Hoje já vem a cair na real. Reconhecem que o STF e a sua Presidente agiram bem. Mesmo não atendendo ao legítimo clamor popular. 
Quanto a Renan é só ter um pouco de paciência. Ele vai sair do primeiro plano, como já saíram Dilma, José Dirceu, Eduardo Cunha e outros. Quem será a próxima vítima para gerar notícias ao agrado da mídia? 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Uma narrativa de ficção, baseada em fatos e personagens reais

Lula conhece bem o povo e por isso o seu grande medo era que viesse a colar nele a pecha de ladrão. Não importa se de bilhões ou de galinha. O seu povo não sabe o que são bilhões. Apenas que são grande números. Nunca tiveram, nem mesmo viram. Mas sabe bem o que é roubo de galinha (cada vez mais rara) nas cidades. Sabe bem o que é "ladrão pé de chinelo" que rouba os pobres.

E sua defesa sempre foi a mesma: não há provas.

Não havendo é tudo perseguição das elites e ele consegue mobilizar a sua tropa, a sua militância, o seu povo em sua defesa.

Mas ele bem sabe que o seu povo não vai sair em defesa de um "ladrão". Só se tiver muita pena. Se ele roubou para garantir "o leite das crianças". Mesmo assim não adianta. Ele não vai ter amplo apoio popular se colar nele a pecha de ladrão.

O que ele não contava, com toda habilidade e experiência, que um bando de "moleques", usando os modernos meios de comunicação, conseguisse grudar nele a indesejada imagem. Bastou um ppt que viralizou.

E isso neutralizou a reação popular.

Para ele, Lula, que sempre contou com a sorte. Uma grande tragédia popular abafou a sua reação. O povo, o seu povo, que não acompanha a política, mas acompanha as novelas, foi fortemente impactado por uma tragédia em que a vida imitou a arte. O ator Domingos Montagner, que na ficção sobreviveu a todos os percalços, voltando aos braços da amada, morreu tragado pelo Velho Chico: uma enorme comoção nacional. Um trauma que perpassa pelo meio de comunicação mais acompanhado pelo povo. O de maior audiência nacional: a novela das 9.

Para o povo o dia não foi de Lula. Foi de Domingos Montagner. Todas as devidas homenagens a esse homem do povo, pouco conhecido pela elite, mas admirado pelo povo.

A vida tornou realidade a ficção e provocou um trauma nacional, superando as ficções criadas anteontem e ontem, tanto pelo MPF como por Lula.






segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Por que a mídia não elege ninguém?

Por uma razão matemática: a mídia alcança e é (ou era) o principal meio de comunicação da opinião publicada. Como a opinião publicada é parte menor da opinião pública, sendo amplamente superada pela opinião não publicada é essa que define as eleições.

A grande mídia, por razões econômicas interage com o seu público, predominantemente de classe média urbana, por ser a grande força consumidora e alvo da propaganda das empresas.


E por essa interação cai na ilusão de que o seu mundo é todo o mundo. Na realidade é apenas uma parte menor do mundo, principalmente quando considerado o universo de eleitores. A maioria dos eleitores faz pare da opinião não publicada. E a ilusão leva à miopia.

O fenômeno Russomano é um caso típico de miopia. Que é visto e percebido pelas lentes e vontades da opinião publicada e não pelos fatos reais.


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

O voto e a cabeça do eleitor

Coração e cabeça do eleitor são alcançados de forma diversa em função do patamar de necessidades humanas, em que se encontram.


Os que estão na base da pirâmide, em situação de sobrevivência, as prioridades são a comida, a moradia e a saúde. 

Satisfeita a necessidade principal emerge como prioridade a segunda não atendida. Enquanto a necessidade não está atendida, as demais não são percebidas ou são menos consideradas.


Alcança mais a cabeça e coração do eleitor que está nesse patamar o político que promete atender a essas necessidades básicas. 

O eleitor que está na base da pirâmide não busca informação sobre o que ocorre na politica e no mundo. Circunstância é o mundo que ele está imerso, vive e conhece pessoalmente. Acrescido dos mitos que são veiculados pelos meios de comunicação informais.


 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Dinâmica urbana (1): opinião publicada e não publicada

A opinião publicada, ou seja, aquela que frequenta cotidianamente a mídia, ocupa a cidade formal e tem o mercado imobiliário como o principal responsável pela construção ou reconstrução da cidade.

Só que essa parte da cidade não significa mais que 20% do total. 
A maior parte da cidade é construida diretamente pelas famílias, com as suas parcas poupanças, mas que, no conjunto, concorrem com a produção do mercado imobiliário.
E os seus moradores constituem a opinião não publicada, que não está presente na midia e, por isso, é invisível para a opinião publicada.
Mas nas eleições  ela vota e pode mudar os resultados esperados pela opinião publicada. Como acabou de acontecer na Grã Bretanha.

Significa que o responsável direto pelo crescimento desordenado da cidade, gerando problemas como os congestionamentos no trânisto, não é o mercado imobiliário. Embora tenha um papel indireto decisivo. É ele quem promove, impulsiona ou acelera a valorização imobiliária que cria a barreira para a ocupação das áreas melhor servidas por benefícios urbanos pelos sem ou com pouca renda.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Imaginário popular e o publicado

O imaginário popular percebe a carestia e cria as suas explicações. Para o consumidor popular é tudo uma questão de especulação e ganância dos comerciantes e produtores que remarcam constantemente os preços. O vilão é a famosa maquininha de remarcar os preços.
O imaginário publicado trata o mesmo fenômeno como inflação e influenciado pelos "especialistas" vê o "dragão da inflação". E está esperando que o São Jorge Meirelles vá conseguir derrotá-lo. 
Para os "especialistas" tudo se resume no controle dos gastos públicos. O que enfrentaria uma forte resistência dos políticos.
A questão básica é se a contenção da carestia vai conter a inflação ou se é a contenção da inflação que vai conter a carestia. É a tradicional "ovo ou a galinha?".
Carestia é um problema real. Não é imaginário. Está presente de fato no dia a dia das pessoas. Já a inflação é uma construção estatística. E gera o mega imaginário popular. É um Brasil - figura imaginária - gerando uma inflação. Que nessa condição não passa de um índice. Mas condiciona as decisões dos agentes econômicos e das autoridades. 
O mundo real é comandado pelo imaginário. 

 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Oratória não é suficiente

José Eduardo Cardoso, o atual Advogado Geral da União, tentou voltar ao tempo em que no Congresso se convencia os colegas pela palavra. O Congresso era a grande tribuna dos oradores  vibrantes que, além do conhecimento jurídico, detinham grande cultura geral, principalmente sobre princípios filosóficos, políticos e história.

Cardoso tentou desmontar e desqualificar com um brilhante e vibrante discurso o consistente relatório de Jovair Arantes, que ao contrário, se limitou a uma leitura burocrática de um texto, onde destaca a suposição de dolo, na edição dos decretos suplementares fora da devida autorização legislativa.

Isso Cardoso, conseguiu rebater, demonstrando que não existem provas de más intenções da Presidente, sendo meras ilações. Mas ao rebater o dolo, acabou por reconhecer a infração. E a Constituição não requer que o crime de responsabilidade da Presidente, seja doloso. Mesmo sendo culposo está sujeito ao processo de impeachment.


Em outras questões falseou, sofismou, mas com grande eloquência. Não foi o suficiente. Não conseguiu os votos de pelo menos 6 dos indecisos na Comissão Especial e, provavelmente, não trouxe argumentos técnicos convincentes para os oponentes do impeachment conseguirem a adesão de cerca de 45 deputados indecisos. 

Não se deu conta de que não estamos mais nos anos cinquenta ou anteriores, quando o notório golpista, mas brilhante orador, Carlos Lacerda conquistava os votos pela palavra. Queimou os seus cartuchos e está sem munição para a batalha do plenário da Câmara.
E Cardoso, acreditando no poder da oratória, ainda cometeu um grande erro estratégico, jogando a questão para a história. Como se fazia naquele tempo. Afirmou várias vezes que a história não perdoa golpes contra a democracia.

Os deputados estão mais interessados com o que o seu eleitorado não perdoa. A história .... Ora, é para os historiadores.

sábado, 12 de março de 2016

Ilusões com impactos reais

Empresários nacionais e internacionais montam projetos ilusórios para captar recursos de investidores e que acabam não se efetivando, por não serem viáveis. 
Eike Batista é (ou foi) um desses exímios montadores de empreendimentos ilusórios, que mesmo não sendo efetivados causaram grande impactos sociais, econômicos e ambientais.

O empreendimento denominado Porto-Sul, um terminal de minério de ferro na orla marítima de Ilhéus- Bahia, é o caso mais recente desse esquema de cadeia ilusória que movimenta governadores, políticos, comunicadores e investidores.
Não é viável, não vai ser concretizado, mas já promoveu várias invasões de migrantes com desmatamento e incêndios quando ocorre a remoção. O principal impacto social é o pré-emprego com a atração de migrantes na expectativa de obter um emprego ou trabalho dentro das sempre mirabolantes previsões de milhares de empregos a serem gerados pela implantação do empreendimento. Não tendo ainda renda, mas apenas a expectativa, invadem área e se instalam em barracas provisórias, formando favelas.

O empreendimento está suspenso mas a licença para supressão vegetal já está aprovada e poderá se efetivar abrindo clareiras inúteis. 


Os ambientalista se colocam contra o empreendimento, o que não é a melhor estratégia, uma vez que a maioria da população acredita - ainda que iludida - nos benefícios da concretização daquele. 
A luta é contra a ilusão e os desastres concretos que são praticados em nome dessa ilusão.

sábado, 23 de maio de 2015

As percepções dos cortes orçamentários

Para as pessoas em geral os cortes de 60 bilhões de reais foram pouco e o Governo não cortou tudo o que precisava cortar. Não cortou na própria carne, ao manter 39 Ministérios com o seu séquito de cargos.
Todos perderam, perante o público leigo, com um corte abaixo do esperado. Levy perdeu junto ao seu mercado. Mas ele ainda mantém a chave do cofre.
No ajuste fiscal a imagem é mais importante que o conteúdo.  Sob este aspecto todos perderam. As percepções e repercussão foram e seguirão negativas.
 
O mercado de fornecedores vai sofrer muito com os cortes e isso vai afetar a dinâmica geral da economia. Vai aprofundar a recessão.
Só não foi cortado, até porque legalmente não é possível, foi o funcionalismo. Este vai continuar recebendo e gastando. Vai manter funcionando a economia de Brasília e das capitais. Apesar de perdas pontuais.

domingo, 19 de abril de 2015

As diferenças geracionais das grandes massas nas ruas

No Brasil Moderno, três grandes movimentos levaram milhões de participantes às ruas, em diversos eventos, com grandes intervalos entre aqueles, caracterizando uma diferença de gerações, da maioria dos participantes:


  • Diretas Já, no início dos anos 80 do século passado;
  • Fora Collor, em 1992; e
  • "Basta de Corrupção", com as as suas variantes "Brasil sem corrupção", "Fora os corruptos" o principal lema que liga as manifestações de 2013 e 2015, ainda que o "Fora Dilma" apareça, agora, como o mais visível (porque ela sabia).
A participação em manifestações explícitas de massa decorre de ações ou reações individuais que se somam no coletivo. Decorrem da necessidade ou desejo de se expressar publicamente em conjunto com outras pessoas que tem as mesmas preocupações, posições ou reações. 

Simplificadamente (embora nada disso seja simples) três fatores básicos levam as pessoas às ruas: a sensibilização pessoal, as circunstâncias e a comunicação.

A sensibilização pessoal significa a importância das circunstâncias ou de fatos específicos - das quais toma conhecimento diretamente ou pelos meios de comunicação (a mídia) - para o indivíduo. Isto é: o que repercute no seu coração e mente?

Não são iguais para cada pessoa o que leva a uma distinção inicial entre os "conscientes" e os "alienados". 


O Vaccari foi preso? E dai? Quem é Vaccari? O que significa a prisão dele? 

Quando as circunstâncias estão boas, a vida individual tranquila, dentro do esperado, as pessoas não sentem, não percebem necessidade de se manifestar coletivamente, acompanhando outros. 

A manifestação em coletividade, tem origem em incomodidade, inconformidade individual. Ou se baseia na aspiração que a pessoa tem de se expressar publicamente. 

As grandes manifestações de rua tem fundamento em inconformidades acumuladas ou quebra de expectativas pessoais, com a percepção comum de que o ambiente desfavorável é de responsabilidade do Governo, das autoridades públicas. "Fora o Governante" é a expressão mais direta.

Nas "Diretas Já" a principal inconformidade era a restrição de escolha do Governante por eleição direta. Tudo o mais era acessório que reforçava a incomodidade pessoal, manipulada ou aproveitada pelas lideranças políticas com a intenção ou ambição de ocupar o Poder, no lugar dos militares.

Os principais meios de comunicação de conscientização política eram os jornais impressos, com a televisão como meio de difusão e irradiação, embora o rádio ainda fosse o meio de maior alcance. A voz era o que mais atingia corações e mentes. Osmar Santos foi o grande locutor das Diretas Já.

O principal meio de convocação era o rádio. 

No "Fora Collor" uma grande parte, provavelmente a maioria já não era leitora de jornais impressos. A televisão já havia se tornado o principal meio de comunicação para alcançar corações e mentes das pessoas. Foi dominada por uma geração de jovens de classe média, que cresceram em frente a um aparelho de televisão.

As lideranças políticas não foram para às ruas tampouco buscaram visibilidade para obter o apoio popular para ocupar o poder. 

Percebendo a força das manifestações dos "caras pintadas", da adesão popular, disseminada por todo o país, sensibilizando individualmente cada parlamentar - em função do posicionamento do seu eleitorado, as lideranças políticas preferiram ficar nos bastidores, organizando o "day after", o Governo que deveria ocupar o poder, com a saída de Collor. 

A partir de um dado momento do processo deram como certo a queda de Collor e que o importante não era engrossar as manifestações de rua, ou de assumir a liderança do processo, como nas Diretas Já. 

Ao ouvir a "voz das ruas" cuidaram de "organizar o novo Governo" para "evitar o Caos". 

Deu certo: Collor foi retirado do Governo, Itamar assumiu com um governo formado e cuidou com Fernando Henrique Cardoso o controle da economia, resultando na implantação do Plano Real. E passou a faixa para FHC.

O PMDB, junto com o PSDB e o PFL (então comandado por Antonio Carlos Magalhães e hoje transformado em DEM) agiram dessa forma, deixando de fora o PT, que seguiu na oposição.

Tanto como agora os partidos não assumiram o comando "das ruas".

No "Fora Collor" a internet já estava presente, mas as redes sociais não. O pioneiro orkut já é dos anos 2000, facebook, you tube, whatsapp e outros são mais recentes. Smartphones viabilizando a comunicação móvel são mais recentes ainda, tendo se tornado o principal meio de comunicação e difusão da convocação e difusão das manifestações.

Os jovens de classe média já não são leitores de jornais impressos. Cresceram em frente aos videogames, substituindo a televisão. Para se informar vão aos meios "on line". Esses são tem as chamadas, as manchetes. Quem se interessar vai no "saiba mais", no "veja mais". Poucos vão. Dão se por informados e satisfeitos com o "lead".

O principal meio de comunicação é o moderno "boca a boca": a curtição e compartilhamento da notícia pela rede social. Alcançando as pessoas, onde quer que estejam, pelo smartphone. 

Esse processo expandiu enormemente o alcance, mas prejudicou a profundidade. 

As novas gerações não tem mais "saco" para ficarem lendo longos noticiários ou colunas. Tudo tem que ser rápido, em pílulas, concentrado e legível num celular. 

Não querem saber do porque das coisas. Só querem saber da coisa. E reagir diante delas. Pouca reflexão e muita reação pronta. 

E, com os modernos recursos da tecnologia, constroem as utopias virtuais. As utopias são sempre sonhos que se sustentam pela desinformação. 


O pior dos efeitos perversos é o domínio da mediocridade soterrando a inteligência.

Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...