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Mostrando postagens de Março, 2019

A "velha política" só existe porque o eleitor vota nela

Uma pesquisa que fizemos sobre os dados das votações locais, em 2014, de deputados federais, em diversos Estados, mostrou que grande parte deles (talvez a maioria) foi eleita como despachantes de interesses locais. 
Essa é a origem da "velha política" e estamos nos dedicando, esta semana, a colocar aqui maiores reflexões para discussão de como superá-la.
O foco principal terá que ser sempre a base, o eleitor: como conseguir que o eleitor não continue votando no deputado federal como despachante de interesses coletivos, mas restritos ao seu pequeno mundo. 
O Governo quer uma reforma da previdência. O eleitor quer o conserto da ponte para ele poder ir à cidade. Ou ter atendimento num posto de saúde. 
O deputado federal promete ajudar o eleitor a conseguir o que necessita e ganha o seu voto. 
É a "política como ela é" (parafraseando Nelson Rodrigues) e não como a gente gostaria que fosse. 
O resumo da pesquisa está publicada num livro "Até onde a vista alcança". M…

Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega

Jair Bolsonaro foi eleito nacionalmente pela predominância da nova política. Mas o Congresso, eleito estadualmente, continuou sendo eleito pela velha política. 
Para aprovar a Reforma de Previdência precisa negociar com os despachantes de interesses comunitários ou corporativos, que dominam o Congresso. 
Se continuar recusando essa negociação em nome da nova política, a Reforma da Previdência não é aprovada e perde popularidade junto ao mercado e parte da população. Fica enfraquecido e mais sujeito às pressões para sua saída.
Se aceitar negociar com os despachantes, ainda que através do próprio Congresso, mas dependente de decisões do Executivo, pode aprovar a Reforma da Previdência, mas seus eleitores e adeptos sentir-se-ão traidos, retirarão o apoio e Bolsonaro, igualmente, ficará enfraquecido.
A sua saída será pedir para sair.

Cenários do embate "Lava Jato" x STF

Há um processo da radicalização entre forças em confronto, diante da opinião pública, cada qual buscando maior apoio para as suas posições e suas jogadas.
De um lado, claramente, está um grupo de jacobinos do Lava-Jato que busca o apoio popular para derrubar o time instalado no Supremo Tribunal Federal, para continuar a sua cruzada contra os políticos corruptos. 

A partir do embate aberto, agora em etapa de "mata-mata" podemos desenhar os seguintes cenários prospectivos em relação ao confronto jacobinos do lava-jato x ministros do STF.

Os jacobinos vencem, com a não concessão do habeas corpus a Michel Temer, e passam a agir mais amplamente denunciando e prendendo políticos. Os jacobinos perdem e se retraem. Não só suas decisões são revistas em instâncias superiores,  como são repreendidos. Os jacobinos perdem na primeira prisão de Temer, mas persistem e conseguem prender Temer em um dos outros processos, em que está sendo investigado ou denunciado. Outros políticos são presos.

Um governo melhor que o Presidente

A pesquisa do IBOPE de opinião da população sobre o Governo, indica que a população tem uma visão do governo melhor do que do Presidente. O saldo da avaliação do Governo, apesar da queda a partir dos dados iniciais de janeiro, é positivo em 10 pontos, ao subtrair das opiniões ótimo e bom, as opiniões ruim/pessimo. 
Apesar da crítica de analistas e de líderes políticos que querem que Jair Bolsonaro assuma efetivamente o governo, a população - ainda majoritariamente - "aprova a maneira como o Presidente Jair Bolsonaro está governando o país". 51% aprovam e 38% desaprovam. O saldo é positivo em 13 pontos. Acima do índice de avaliação do Governo.
Considerando apenas os números, esses dizem que a população acha que Jair Bolsonaro está governando bem, mas as entregas efetivas do Governo estão abaixo do nível de governança.
O elemento crítico da avaliação de Jair Bolsonaro, no entanto, está no grau de confiança da população em relação a ele. 
A partir de 62% da população que confiava n…

O novo papel dos militares

Em 1964 os militares deram um golpe de Estado para assumir o poder, permanecendo até 1985, sempre sob a presidência de um general e sob um regime autoritário que deixou marcas profundas. A principal é de um regime ditatorial, com supressão das liberdades individuais, com prisão, tortura e mortes do que consideravam inimigos do regime: militar no governo é associado à ditadura.
Segundo historiadores o golpe de 64 foi dado para interromper um processo de "esquerdização" do pais, iniciado por outro golpe militar: o de 1930. liderado pelo então tenente Getúlio Vargas. Com alternâncias, mas em 64, dominante com a presidência de João Goulart, afilhado político de Vargas.
O retorno dos militares ao Governo se dá agora em 2019, a partir da eleição democrática de um ex-capitão reformado há 30 anos, com características populistas que canalizou o descontentamento da população brasileira com os rumos da política brasileira e com os governos petistas.
Eleito, com um ideário de direita e int…

Componentes dos cenários: visão de mundo

Jair Bolsonaro irá governar segundo as suas convicções que decorrem da sua visão de mundo. Essa pode ser sintetizada nos seguintes elementos:

uma percepção  (ou versão) de degradação moral, da sociedade brasileira, com as tentativas de destruição dos valores tradicionais da família brasileira, pelo "progressismo";a solução da criminalidade pelo armamento dos brasileiros, para se defender contra os criminosos;uma contraposição absoluta, contra a esquerda, considerada socialista ou comunista que querem (na visão dele) implantar uma ditadura comunista, como as de Cuba e Venezuela;o entendimento de que a esquerda, seguindo os ensinamentos de Gramsci, capturou as escolas nas áreas das ciências humanas, para a cooptação ideológica dos jovens;a sensação de perseguição pela mídia tradicional, percebida como inimiga que quer destruí-lo;um alinhamento pleno a Donald Trump, nas suas disputas contra a China, muçulmanos e países sob domínio comunista.

Componentes dos cenários: personalidade do governante

Grande parte da classe média, da chamada "sociedade organizada", cansada e indignada com as práticas e políticas petistas, uniu-se ao "grosso", na esperança de que ele derrotasse o lulo-petismo e, uma vez na presidência, se tornasse mais civilizado.
A primeira parte se concretizou e Jair Bolsonaro foi eleito presidente com grande apoio da sociedade organizada, que concentrou os votos nele, compensando e superando a predominância do voto popular no lulo-petismo, no Nordeste brasileiro. 
A segunda parte, não. Jair Bolsonaro, um lídimo representante da baixa classe média ascendente, segue como tal, andando de sandálias dentro do Palácio da Alvorada, sem tirá-lo, para eventuais audiências, soltando os seus palavrões e manifestando as suas indignações e contrariedades. Ele não dá "a mínima" para a tal "liturgia do cargo". Ele continua sendo o mesmo Jair, até porque acha (ou tem certeza) que é isso que o povo que o elegeu quer.
O problema é que tornado P…

Projeção dos cenários apos 2 meses

Com dois meses de governo, considerando as mudanças de circunstâncias e as ações governamentais podemos redesenhar para o restante do ano, os cenários básicos.
O cenário "lua de mel prolongada" sofreu um grande abalo, com a crise deflagrada por Carlos Bolsonaro, que resultou na demissão de Gustavo Bebianno, mas é restabelecido, com a decisão de Jair Bolsonaro em reiterar que quem manda é ele  e afastar os filhos das decisões governamentais. Os filhos atendem à determinação e se reduz a percepção popular da influência dos filhos.
Refeito da cirurgia, agravada pelas sequelas, do baque político gerado pelo seu filho Carlos, da contenção da ala militar em relação à sua posição belicista em relação à Venezuela de Maduro, Jair Bolsonaro assume efetivamente a presidência do país, explicitando comando sobre Ministros, até então com total liberdade de ação.
Assume o comando da defesa da Reforma da Previdência, mas a sua, não a de Paulo Guedes. Passa a ser o principal comunicador da refo…

Avaliação dos cenários, após dois meses

O segundo mês do Governo Bolsonaro foi marcado por diversos diversos eventos definidores das trajetórias futuras.
Os mais marcantes foram o que envolveram a interferência do filho Carlos Bolsonaro, nas decisões do  pais, com uma repercussão negativa, interna e externamente.
Uma mensagem de Carlos Bolsonaro chamando Gustavo Bebianno de mentiroso, desencadeou uma crise, com vários resultados relevantes:

a demissão de Bebianno, quebrando um importante elo do Palácio do Planalto com o Congresso;a exteriorização de uma postura íntima belicosa de Jair Bolsonaro, com a grande mídia tradicional, caracterizando a Rede Globo, como inimiga;a repercussão pública negativa, inclusive dos bolsonaristas, da percepção da interferência dos filhos;o reforço da tutela do grupo militar instalado no Palácio do Planalto, sobre o comportamento do Presidente;A crise quebrou o natural ambiente de "lua de mel" da população com o Presidente, com repercussão no seu poder de negociação com o Congresso.  Depo…