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Um governo para os nossos


Jair Bolsonaro se dedicou na semana a presidir o país dos seus. Foi almoçar num restaurante a beira da estrada com os caminhoneiros, com a boa noticia de redução do preço do diesel, como se fosse obra dele e não da queda do preço do petróleo no mercado internacional. Contou a eles que podem andar armado, por considerar a profissão de alto risco. Reclamou a eles que está "comendo o pão que o diabo amassou". Traduzindo: "a equipe econômica e outros não querem deixar eu atender os seus pleitos, mas continuo lutando para isso". "Conto com o apoio de vocês". 
Foi à Convenção Nacional da Assembléia de Deus, onde quebrou o pacto de não agressão, que ele mesmo propôs, criticando o Supremo e lançou mais um factoide: a escolha de um Ministro evangélico para o STF.  Para satisfazer o seu eleitorado e ganhar palmas e manter o apoio, diz o que eles querem ouvir, embora se desfaça no minuto seguinte. Quando algum assessor lhe avisa: isso não pode. Não tem importância: já disse e vai ter repercussão. 
São duas corporações que lhe deram grande apoio eleitoral e foi fazer um agrado a elas. Não lhe importa se foram promessas vãs ou outros não gostaram. Se não puder fazer põe a culpa nas corporações e forças que são contra: os outros ou "eles".
Foi a uma posse na Marinha, outro na Embratur, mais uma vez para agradar os seus. Outros eventos importante estavam ocorrendo em Brasília, mas e esses ele não foi. Não eram da "sua turma".
Atravessou a Praça dos 3 Poderes para ir ao Congresso. Não para articular a aprovação de Medidas Provisórias travadas e que perdem a validade hoje. Ou para obter adesão à proposta do Governo de reforma da previdência. Mas para apoiar a homenagem a Carlos Alberto Nóbrega e se mostrar aos telespectadores da Praça, na maior parte, seus adeptos, que os prestigia. Se fosse alguma celebridade ligada à Rede Globo, não iria.
Ignorou inteiramente as novas manifestações dos estudantes, que tiveram maior apoio da esquerda e menos da sociedade. Para ele não aconteceu. Se não lhe interessa, desconhece.
Desconsiderou a queda do PIB, no primeiro trimestre, simplesmente alegando desconhecimento de questões econômicas. 
Governando só para os seus, atendendo aos pleitos deles e da sua mulher, desprezando os demais, corre o risco de ficar com apoio limitado, dentro da sociedade, e não conseguir promover as grandes mudanças do país, como prometeu.
Como não especificou que mudanças seriam essas, apenas enunciou a idéia geral, cada um poderá interpretar - a seu bel prazer - quais seriam ou serão.
A trajetória futura da semana indica um fortalecimento do apoio dos nossos que estão se estreitando e aumento "deles" ou dos "outros", desprezados ou contrariados em seu Governo. Grande parte do "mercado" já saiu do "nós" mas ainda não engrossou o "eles". Está tendendo a isso.

(cont)






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