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Mostrando postagens de 2019

Vitória e capitaulação

A declaração final da Cúpula dos BRICS, representou uma vitória diplomática do Brasil e uma capitulação de Jair Bolsonaro. A vitória foi ter reduzida a parte geopolítica, sem qualquer referência à situação na América do Sul. A perspectiva era de dois votos declaradamente afavor da Venezuela (China e Rússia) e um contra (Brasil). Dois votos incertos, mas pendendo a favor da Venezuela. A diplomacia evitou o impasse ou o vexame do Brasil ter que recusar a assinar. Por outro lado, Jair Bolsonaro teve que se render ao pragmatismo e estabelecer entendimentos maiores com Xi Jinping, contrariando a posição de beligerância de Trump.. Assumiu que a China é um parceiro comercial mais importante para o Brasil, do que os EUA. Paulo Guedes foi além, anunciando a possibilidade de um acordo comercial, assustando ainda mais os industriais brasileiros. Depois recuou. Bolsonaro contraria o seu guru Olavo de Carvalho, que do seu refúgio na Califórnia não sabe o que é a realidade, enfrentada por um President…

Um b minúsculo

No começo do século um economista apontou que o futuro da economia mundial estaria nas "baleias" emergentes (países com grande territórios e grandes populações) contrapondo-se à dominação dos países mais industrializados, então vigente. Apontou 4 países com aquelas condições, Brasil, China, Índia e Rússia, cunhando uma sigla, posteriormente reconhecida mundialmente: BRIC.
Lula, percebeu uma oportunidade de maior protagonismo brasileiro no mundo e propôs transformar uma categoria econômica numa aliança entre aqueles países, como alternativa ao G7. Para a Rússia, desligada do então G8, o BRIC era uma saída. Era então a integrante de maior protagonismo no cenário mundial, como o integrante com maior poder militar. Mas não se utilizou do bloco para se contrapor a G7.
De lá pra cá,  a China emergiu economicamente, assumindo o segundo lugar entre os maiores do mundo, atrás apenas dos EUA. A índia mantém elevados índices de crescimento demográfico, podendo ultrapassar a China, brevem…

Um partido para chamar de meu

Há quase 30 anos atrás, um metalúrgico da indústria automobilística e líder sindical, juntamente com alguns companheiros e adeptos criava um partido político para "chamar de seu".
Dentro do campo ideológico do centro-esquerda, e segundo a doutrina internacional da social-democracia e do trabalhismo, os campos partidários estavam tomados pelo PSDB e pelo PDT. Não quis se aliar a nenhum deles. A esquerda havia dominado o espectro político pela oposição ao regime militar, tomando todos os espaços, com disputas internas, acuando a direita, limitado a um pequeno espaço político e sem partido representativo.
Popularmente estava sufocada pelo patrulhamento do "politicamente correto", buscando emergir.
A oportunidade surgiu com as revelações da montagem pelo PT e seus aliados do maior esquema de corrupção "nunca antes visto no Brasil". A indignação  com a "roubalheira do PT", que foi associada à crise econômica, o cansaço com o patrulhamento do "polit…

Lula solto: bom ou ruim?

Lula solto restabelece a dinâmica política entre situação e oposição. 
Com a eleição de Jair Bolsonaro, a adesão de segmentos da população que não haviam votado nele, de empresários esperançosos com a retomada da economia e os petistas focados na libertação de Lula, a oposição deixou de atuar junto aos movimentos sociais e limitou-se a uma ineficaz ação de obstrução dos projeto no Congresso. 
Jair Bolsonaro não assumiu a paternidade e comando pela aprovação dos projetos encaminhados, exceto aqueles de sua pauta particular. Os projetos do Governo, principalmente as da área econômica, foram assumidas pelo Congresso, que as aprovou mediante negociações políticas, com pouca ou nenhuma participação do Presidente da República. Sem oposição popular e sem interesse na oposição legislativa, Bolsonaro, seus filhos e seus acólitos palacianos criaram oposições fantasiosas, para se manter presentes na mídia.
Com o retorno de Lula ao campo popular, Jair Bolsonaro passa a ser um contendor real e isso é…

Batalhas em campos diferentes

A soltura de Lula, muda substancialmente a dinâmica política, com batalhas entre as duas principais lideranças, em campos diferentes. Jair Bolsonaro insistirá em comandar o seu exército nas redes sociais, buscando manter o apoio de um importante segmento da população: a opinião publicada, formada pelas comunicações e informações das redes sociais. O mecanismo montado para a sua campanha presidencial foi reforçado com mais recursos tecnológicos e financeiros, com um comando centralizado, dentro do Palácio do Planalto. É imbatível, diante da fraqueza ou intimidação dos mecanismos opositores. Alimenta os seus seguidores, com notícias – falsas ou verdadeiras – amplamente disseminadas e gera uma impressão de absoluto domínio do “povo”. Não tem base para liderar os movimentos de rua e não parece disposto a ir a esses, mesmo organizadas pelos seus adeptos. A presença do público, nas manifestações da Avenida Paulista, no sábado, mostrou uma importante diferença. A convocação e mobilização feit…

Atacar o ponto fraco

Numa contenda direta a principal estratégia é identificar o ponto fraco do adversário e desestabilizá-lo, atacando-o. Atacar os seus pontos fortes do adversário só o fortalece. O ponto fraco das pessoas, em geral, é algo que ele é, ou já fez anteriormente e não quer revelado.  Jair Bolsonaro é autoritário e protege os seus filhos a todo custo. Acusá-lo disso é para ele um elogio. Acusar Lula de bandido, não o atinge. Ele não se sente como tal e sente-se fortalecido quando acusado pelos inimigos.  Lula, no seu discurso no ABC em São Paulo, refutou os seus companheiros que estariam querendo "derrubar" Bolsonaro por ser de direita, autoritário e defensor do regime militar iniciado em 64. Defende a legitimidade da eleição de Bolsonaro e ai aproveita para uma estocada certeira. Insinua o seu relacionamento com as milicias do Rio de Janeiro. A divulgação de uma notícia de que o porteiro do condominio onde tem casa no Rio de Janeiro  o citou, teve uma resposta imediata furiosa e desco…

E agora Jair e Luis?

Com Lula solto mudam as configurações dos cenários políticos e econômicos de 2020.
O jogo político se desenvolve em 4 grandes campos:
Congresso Nacional;
Opinião publicada - mídia tradicional;
opinião publicada - rede social;
opinião não publicada.
O primeiro é bem determinado, qualitativa e quantitativamente: são 513 deputados federais e 81 senadores. 
Os demais devem ser considerados em percentuais aproximados em relação ao total de eleitores: 147 milhões inscritos em setembro de 2019, segundo o TSE.
A opinião publicada informada pela mídia tradicional e pela rede social, não passaria de 20% dos eleitores, isto é cerca de 30 milhões de pessoas.
A opinião publicada passou a contar com os informados apenas pela rede social, que poderiam representar outros 20%. A dificuldade maior é dimensionar a superposição dessas populações.
De toda forma, a opinião não publicada representaria cerca de 60% do eleitorado. Essa é informada pelo "boca a boca", a rádio peão e outras rádios informais. 
O …

Lula solto ou Lula livre

Lula pode ser solto após a decisão do STF. Mas ele já poderia ser solto, antes mesmo, por ter cumprido parte da pena. Ele não quer ser solto. Ele quer ser livre. O que ele quer é a anulação do processo dele no caso do triplex do Guarujá e a condenação do ex-Juiz Sérgio Moro. O ambíguo voto de Toffoli, no entanto, o deixa “pendurado”. O atual Presidente do STF deixou aberta a possibilidade da prisão cautelar, entre ela a preventiva. Essa foi o principal instrumento usado ou abusado pela Operação Lava-Jato, pressionando os presos a fazerem acordos de delação premiada. Sem a restrições a essa modalidade, os Juizes “lavajatistas”, podem manter os acusados ou denunciados na prisão: indefinidamente. Os Juizes de primeira e segunda instância podem entender que os réus representam risco à sociedade, se em liberdade. Em tese, é contrária à “presunção da inocência”. O voto de Toffoli não enfraqueceu a Operação Lava-Jato, mas a fortaleceu e emitiu um voto com entendimento contrário ao de Gilmar Me…

Um leão acuado

A alegoria de um leão acuado por um bando de hienas colocada por bolsonaristas sectários, está se tornando realidade. 
O leão está cada vez mais acuado, mas em função de brigas que arruma sucessiva e desnecessariamente. 
Reage intempestivamente para satisfação dos seus adeptos, sem avaliar as implicações e consequências.
Mandou a Advocacia Geral de União abrir um inquérito para apurar eventual improbidade administrativa no suposto vazamento de informação do processo que investiga o assassinato de Marielle Franco que corre em segredo de Justiça.
A versão assumida pelos bolsonaristas é que a Rede Globo praticou improbidade e está sujeita às leis de segurança nacional.
Ocorre que improbidade administrativa é uma infração praticada por um agente público. A Rede Globo não é um agente público e, portanto, não tem como ser incriminada por improbidade. 
Mas Jair Bolsonaro quando determina a um agente do IBAMA que descumpra lei, inutilizando um equipamento utilizado para um crime ambiental, estaria …

Desmontar século de vinculações

Comecei a minha carreira profissional em janeiro de 1960, como analista orçamentário no Governo do Estado de São Paulo. O então Governador Carvalho Pinto, um especialista em finanças públicas, com apoio de uma equipe econômica de alto nível, estabeleceu o que seria um orçamento plurianual de investimentos. Uma total inovação, na época. O prof Carvalho Pinto não poderia cuidar da gestão técnica-operacional desse orçamento, apenas uma parte do seu governo. Não tinha um discípulo para exercer esse papel e nesse vácuo fui contratado pela Secretaria do Grupo de Planejamento. Por que – na época – como formado em Administração Pública, pela EBAP da FGV, era um dos poucos técnicos com formação em orçamentos públicos. Ao longo desses quase 60 anos assisti sucessivamente ao processo de engessamento dos orçamentos públicos em nome de garantir recursos, inicialmente para educação e saúde, depois para diversos outros setores e programas. Foram estabelecidas, sucessivamente, aos longo desse período…

Novas revelações e teorias

Muitas das dúvidas aqui levantadas sobre o incidente do ingresso de Élcio de Queiroz, no Condomínio Vivendas da Barra, em 14 de março de 2018, foram elucidadas em reportagem da Folha. A Policia Civil teria investigado, recolhido as provas e comunicado ao Ministério Público Estadual, desde novembro de 2018. Desde então já sabia da citação de Bolsonaro, mas só no início de outubro, após um suposto depoimento de um anônimo porteiro, encaminhou uma consulta ao Presidente do STF. 
Este poderá considerar que uma referência à casa 58, onde morava o deputado Jair Bolsonaro, que naquele momento se encontrava em Brasília, e uma suposta autorização para ingresso ao condominio por um suposto Sr. Jair não seria elemento suficiente para envolver Jair Bolsonaro no processo e, portanto, não caberia a transferência de jurisdição do processo. Seria um definição da Justiça de que não se caracteriza o envolvimento de Jair Bolsonaro, no objeto da investigação e do devido processo.
Porque se assim for, qualq…

Conspirações e teorias

Quando não há teorias razoáveis para explicar fatos, as da conspiração podem explicar.

Um fato real ocorreu no dia 14de março de 2018, comprovado por registros e testemunhas oculares: por volta das 17 horas, Élcio Queiroz esteve no Condomínio Vivendas da Barra, na Barra de Tijuca, Rio de Janeiro e dirigiu-se à casa nº 66, onde mora Ronaldo Lessa. O porteiro registrou a mão na planilha de entrada de visitantes a casa 58 como o destino de Élcio. A casa 58 é da residência, no Rio de Janeiro, de Jair Bolsonaro. Horas após Marielle Franco foi executada a tiros, outro fato real. Investigações indicaram que Élcio estaria dirigindo o carro que levou os assassinos e Ronaldo teria sido o autor dos disparos. A Polícia Civil esteve no condomínio, fez buscas na casa 66 e encontrou armas. Estranhamente não fez buscas na portaria, tampouco recolheu as gravações que comprovam o acesso de Élcio à casa 66, autorizado pelo morador, tampouco o registro manual da entrada de Élcio. Em março de 2019, um ano apó…

Fatos e versões

No dia 14 de março de 2018 à tarde, Élcio Queiroz esteve no Condomínio Vivenda da Barra e fez uma vista a Ronnie Lessa, morador da casa  65. Mais tarde, no mesmo dia, a vereadora Marielle Franco foi assassinada fuzilada em seu carro. Juntamente com o motorista do carro.
Nessa mesma tarde, o deputado federal Jair Bolsonaro estava em Brasília em sessão da Câmara dos Deputados.
Esses são os fatos comprovados. Já as versões são muitas.
Elcio Queiroz é  suspeito de dirigir o carro que levou o grupo para matar Marielle. Ronnie Lessa é suspeito de ser um dos atiradores. 
O porteiro do condomínio, em depoimento sigiloso, informou ao Delegado da Policia Civil do Estado, responsável pelo inquérito, que Élcio pretendia visitar o deputado federal Jair Bolsonaro que mora no mesmo condomínio, na casa 58. Consultado o Sr Jair, pelo porteiro, aquele teria autorizada a visita. O porteiro verificou, pelo monitoramento das câmaras, que o visitante se dirigiu à casa 65 , onde mora Ronnie Lessa. Ligando novam…

Mobilizar a sua turma

Os Bolsonaros estão buscando mobilizar a sua turma para ir às ruas dar apoio a medidas de exceção, manifestar-se pelo fechamento do Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Eles entendem que o Governo Bolsonaro está indo bem, com indicadores econômicos positivos, em termos de inflação, taxa de juros, dólar, índice da Bolsa de Valores, mas ainda com dados insatisfatórios em termos de taxa de crescimentos econômico e de redução dos níveis de desemprego. Só não está melhor porque – segundo eles – as “hienas” que não querem perder os seus privilégios não deixam o Leão Bolsonaro trabalhar. Para eles existem os nossos e o resto, formado pelos inimigos. Eles só falam nas redes sociais para os seus. Dizem o que eles querem ouvir e são aplaudidos e apoiados. O apoio se manifesta na disseminação das suas mensagens. Tudo o que postam é deles mesmo, deliberadas, voltadas para o seu público. Quando tem uma reação contrária muito forte, retiram a peça, pedem desculpas e vão em frente, seguidos…

Teorias da conspiração

No dia 14 de março de 2018 à tarde, Élcio Queiroz esteve no Condomínio Vivenda da Barra e fez uma vista a Ronnie Lessa, morador da casa  65. Mais tarde a vereadora Marielle Franco foi assassinada fuzilada em seu carro. Juntamente com o motorista do carro.
Nessa mesma tarde, o deputado federal Jair Bolsonaro estava em Brasília em sessão da Câmara dos Deputados.
Esses são os fatos comprovados. Elcio Queiroz é um dos suspeitos de matar Marielle. Ronnie Lessa é suspeito de ter armado os  matadores.
O porteiro do condomínio, em depoimento sigiloso, informou ao Delegado responsável pelo inquérito, que Élcio pretendia visitar o deputado federal Jair Bolsonaro que mora no mesmo condomínio, na casa 58. Consultado o Sr Jair, pelo porteiro, esse teria autorizada a visita. O porteiro verificou, pelo monitoramento das câmaras, que o visitante se dirigiu à casa 65 , onde mora Ronnie Lessa. Ligando novamente para a casa 58, segundo o porteiro, o Sr Jair afirmou saber do desvio do destino e que estava t…

Jogo de Forças

Jair Bolsonaro, por natureza pessoal, é belicoso. Foi esse natureza que o levou a buscar a carreira militar. Quando se tornou oficial, em 1977, o regime militar já estava em fase de transferência para o poder civil. Não participou diretamente das ações militares contra as ações extremistas e usou a sua natureza belicista para contestar os proventos dos subalternos do Exército, o que levou à sua saida das Forças Armadas. Seguiu uma carreira militar, sempre apoiada pela mesma base militar-policial, caracterizando-se como um despachante de interesses corporativos. Manteve sempre um discurso belicoso, mas com pouca audiência. 

Pela sua natureza pessoal, Jair Bolsonaro manterá na Presidência posições de confronto. Buscará sempre adversários reais ou imaginários para se manter ativo, vivo, presente. 
Diversamente de outros gestores políticos preocupados em mostrar serviço, em inaugurar obras, busca manter-se à tona do noticiário pelos seus confrontos. Fora dela articula e reforça os apoios do…

Disrutpura em 2020 (2)

A um ano das eleições, com as regras definidas, começam a aparecer os pré-candidatos, mas por enquanto nenhum candidato de Jair Bolsonaro. Há alguns pretendentes a tal, disputando a indicação pelo PSL. 
Em São Paulo, o "Carteiro reaça", mesmo não tendo a mesma densidade eleitoral, se acha o candidato da familia Bolsonaro e disputa a eleição com Joice Hasselmann, agora uma dissidente do bolsonarismo. Ser ligado à família não quer dizer ser o candidato do Jair. Ele pode apoiar a indicação dos filhos ou ter o seu preferido. 
Bastará ao candidato se apresentar como o preferido do Jair, para ser eleito? O eleitor vai dar um "cheque em branco" (se é que isso ainda existe) só porque tem o aval do Jair? Quanto isso vale em termos de votos, em cada cidade?
Ou o eleitor vai obedecer ao que Jair mandar? "Eu disse pra votar em fulano, porque ele é meu. Tá kei."Que eleitor é esse? Um eleitor cativo, adepto da seita bolsonarista e vai fazer "tudo o que o mestre manda…

Disruptura em 2020 (1)

As eleições municipais de 2016 já haviam indicado uma rejeição do eleitorado ao PT. O partido só conseguiu a eleição de Prefeito numa capital: em Rio Branco no Acre. Mas  atualmente não comanda nenhuma capital. O único eleito pelo partido, Marcus Alexandre,  renunciou para se candidatar a Governador do Estado, em 2018, sendo substituído pela sua vice-Prefeita, Socorro Neri, do PSB.  Não obteve êxito em nenhuma capital do Nordeste. Em pelo menos 4 o vitorioso foi um candidato de partido de esquerda, mas não do PT. 
A rejeição nacional ao PT em 2018 foi mais ampla, embora tenha reagido no Nordeste, onde o seu candidato, Fernando Haddad, obteve mais votos que o seu opositor Jair Bolsonaro e teve eleito 4 Governadores (Wellington Dias, no Piaui, Camilo Santana, no Ceará, Rui Costa, na Bahia e Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte). Em 3 outros os eleitos foram de partidos coligados. 

A eleição presidencial de Jair Bolsonaro não representou apenas uma alternância de poder dentro do campo da…
A América Latina viveu um fim de semana atípica com eleições presidenciais na Argentina e no Uruguai, eleições regionais na Colômbia e a continuidade dos movimentos de rua no Chile. Na Colômbia uma candidata lésbica, de centro-esquerda venceu a eleição para Prefeita de Bogotá, a capital. No interior da Colômbia foi eleito um ex-guerrilheiro das FARCs.  Com a vitória da oposição ao governo liberalMacri, na Argentina, a vantagem no primeiro turno do candidato situacionista de esquerda, no Uruguai e a mobilização popular contra o igualmente liberal Sebastian Piñera no Chile os bolsonaristas tem invadido a rede social, acusando os comunistas de pôr em marcha uma estratégia para viabilizar o retorno da esquerda no Brasil. Essa estratégia estaria sendo desenvolvida pelo Foro de São Paulo: um fantasma ambulante que assombra a cabeça dos radicais bolsonaristas. O símbolo do mal. Esse acham que o tal Foro Irá colocar a esquerda nas ruas. O problema no Brasil é que a esquerda não tem nenhum motiv…

Rosa com espinhos

O voto de Rosa Weber, preferindo o seu entendimento pessoal, em detrimento à colegialidade, que determinou o seu voto anterior, praticamente antecipou o resultado final do julgamento sobre a possibilidade de prisão após confirmação de condenação em segunda instância. A formação atual do STF contempla dois juízes, intrinsecamente garantistas – Celso de Melo e Rosa Weber – três juízes “lava-jatistas” e 4 circunstanciais. Estes têm fundamentos jurídicos e convicções pessoais, mas votam segundo as circunstâncias. Jair Bolsonaro aproveito a condição de ficha limpa nas denúncias e embarcou no barco do “lava-jatismo” o que ajudou em muito a sua eleição. Depois de eleito consolidou essa posição convidando o líder do “lava-jatismo” o Juiz Sérgio Moro, para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública e lhe prometer amplos poderes, como um Super-Ministro. O Juiz Sérgio Moro operou no limite da legalidade, às vezes ultrapassando um passo e depois retornando, mas deixou rastros, agora usados …

Um processo circular

A economia funciona em círculo e a cada volta de 360° retorna ao mesmo ponto, mas em nível acima, igual ou abaixo do anterior.
No primeiro trimestre de 2019, a volta foi para baixo. Ao completar o círculo ficou 0,2 abaixo do anterior. Se no segundo trimestre o nível de retorno ficasse ainda mais baixo, segundo os economistas, o Brasil entraria em recessão técnica. 
Esses "terroristas técnicos" alardearam um temor que não se confirmou. A nova volta, agora no segundo trimestre de 2019, chegou ao mesmo ponto num nível ligeiramente superior: 0,4 %. Alívio geral.
Não há muitas explicações sobre como isso aconteceu a menos de suposições genéricas a partir de grandes eventos conhecidos (greve dos caminhoneiros em maio, junho de 2018, ruptura da barragem de Brumadinho, no ínicio de 2019). De resto, só análise de elevador, repetida por todos os especialistas e leigos: isso subiu, aquele desceu. Esse subiu muito, aquele subiu pouco. E daí?
Numa economia relativamente fechada, como a brasi…

A reforma da previdência foi aprovada. E dai?

Com uma aprovação folgada de 60 votos, em segundo turno, no Senado Federal, foi completada a aprovação da Reforma Previdenciária. Não a dos sonhos de Paulo Guedes que queria uma economia, em 10 anos, de 1 trilhão de reais, mais 300 bilhões para uma transição para o sistema de capitalização. E dai? A economia vai reagir? Já reagiu porque a maioria dos empresários desde a aprovação da reforma em 1ª turno já dava como certa a aprovação da reforma ainda que desidratada. O emprego melhorou, houve um aumento nas compras no varejo, mas a indústria manufatureira continua patinando. O principal aumento de empregos foi sazonal, como apontamos no podcast anterior. A reação da economia vai continuar lenta e mantendo setores secos propícios a alastrar de forma intensa qualquer foco de incêndio que for iniciado por qualquer incidente ou razão. São os desalentados os desesperançados que vão reforçar a turma de baderneiros que saem à frente nas grandes cidades “quebrando tudo”. Eles começam porque reagem…

Obsessões governamentais

O Governo atual é cheio de obsessões. Um deles era o imposto único defendido obsessivamente por Marcos Cinta. A sociedade o alcunhou de CPMF e gerou a obsessão oposta. Assumida por Jair Bolsonaro, desde os seus tempos de deputado do "baixo clero". 
Paulo Guedes tem obsessão em desonerar a folha de pagamentos e Marcos Cintra tentou emplacar um imposto sobre transações financeiras em troca da desoneração. Não deu certo e prevaleceu a obsessão do Presidente, que tem outra: "quem manda aqui sou eu".

A obsessão dos evangélicos não é de natureza religiosa. O maior dos demônios que eles combatem é o imposto sobre os dízimos e suas propriedades. São a linha de frente, mas todas as religiões os acompanham nessa cruzada. 
Com o afastamento do "fantasma da CPMF" sobraram dois grandes problemas: o Governo Federal não terá recursos em 2020 para manter o funcionamento da sua máquina. Precisará fazer profundos ajustes, seja com cortes atualmente impedidos pela Constituição…

Disruptura em 2020

As eleições municipais de 2016 já haviam indicado uma rejeição do eleitorado ao PT. O partido só conseguiu a eleição de Prefeito numa capital: em Rio Branco no Acre. Mas o eleito, Marcus Alexandre,  renunciou para se candidatar a Governador do Estado, em 2018, sendo substituído pela sua vice-Prefeita, Socorro Neri, do PSB.  Não obteve êxito em nenhuma capital do Nordeste. Em pelo menos 4 o vitorioso foi um candidato de partido de esquerda, mas não do PT. 
A rejeição nacional ao PT em 2018 foi mais ampla, embora tenha reagido no Nordeste, onde o seu candidato, Fernando Haddad, obteve mais votos que o seu opositor Jair Bolsonaro e teve eleito 4 Governadores (Wellington Dias, no Piaui, Camilo Santana, no Ceará, Rui Costa, na Bahia e Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte). Em 3 outros os eleitos foram de partidos coligados. 

A eleição presidencial de Jair Bolsonaro não representou apenas uma alternância de poder dentro do campo da esquerda, com a disputa entre PT e PSDB nas últimas seis el…