terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Ultimo dia do ano

Dia para retrospectivas ou prospectivas. O dia, em si, não tem significado. Apenas uma transição, cheio de esperanças e de mudanças.
Há uma que não haverá em 2020: a natureza de Jair Bolsonaro.
Vá a economia bem ou vá mal, continuará sendo um torcedor - de camarote especial - mas sem interferências, a menos de proteção de algum protagonista particular. 
Jair Bolsonaro continuará sendo o mesmo de 27 anos de vida parlamentar, com funcionários fantasmas e rachadinhas no seu gabinete, que, para ele, como para muitos dos seus colegas (talvez a maioria) era o normal. E continuará com os mesmos discursos, enaltecendo o regime militar e seus protagonistas, exceto os que considera traidores, a discriminação contra as minorias, contra o politicamente correto e a favor do armamento da população.
A diferença é que os gastos abusivos das verbas de gabinete, foram criminalizado pela mídia e pelos seus inimigos. Já descobriram no gabinete do seu filho 01, então deputado estadual no Rio de Janeiro e vão encontrar em outros gabinetes da família. Porque é da natureza deles entender que tem direito ao uso irrestrito das verbas de gabinete. Mas também da natureza dele reagir emocional e violentamente contra os inimigos que querem criminalizar o seu uso para desestabilizá-lo politicamente. 
Tudo isso é passado remoto. Por que trazer a tona, agora que é o Presidente da República?
Só por obra dos inimigos. Pela sua natureza tudo que for contra ele é ação de inimigos.
Continuará com os mesmos discursos de 26 anos. Com a diferença de que agora são ouvidos. Durante todo o período na Câmara falou para as paredes acolchoadas da Câmara dos Deputados, sem audiência dos colegas, tampouco repercussão na mídia. Exceto nos dois últimos, quando passou a ser notado.
A sua vociferação será a mesma nos próximos anos. 
O fato do ano no calendário ser outro nada muda na natureza bolsonarista. 

domingo, 29 de dezembro de 2019

O Congresso reflete o Brasil

O Brasil é um país desigual social e regionalmente, com elevado grau de analfabetismo (completo e funcional).
O Congresso Nacional representa razoavelmente esse Brasil o que não é aceito pela opinião publicada, principalmente pela elite (em todas as dimensões) e pelos cientistas políticos.
Estes querem que o Congresso Nacional represente um modelo ideal, tirado dos livros acadêmicos ou supostamente vigente em países desenvolvidos, defendendo reformas políticas que, na prática, só irão consolidar o sistema atual. 
Aproveitei o recesso de final de ano para concluir a leitura do interessante livro  "Dinheiro, Eleições e Poder, do cientista politico e colunista do Jornal Valor Econômico, Bruno Carazza - que recomendo  - no qual ele mostra e analisa as relações espúrias de um importante segmento econômico com as decisões do Congresso Nacional, a partir dos depoimentos nas delações premiadas, assim como das sentenças judiciais. 
É uma visão parcial, mas altamente ilustrativa de como funcionou o Sistema Político Brasileiro, até o final de 2018. Esse Sistema foi amplamente rompido com a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência e da "expulsão", seja por prisões, como pelo eleitorado dos principais personagens políticos daquela engrenagem. 
Como não é um trabalho investigativo, analisando apenas o que já veio a público, não trata do lobby do sistema financeiro, assim como de outros setores da economia. 
Não percebeu (por ter sido escrito antes das eleições de 2018) que empresários privados que vinham se omitindo da vida política resolveram "entrar em campo", para sustentar a implantação de uma economia liberal.
O poder econômico resolveu se manifestar como poder político amplo, de natureza ideológica e não de alguns segmentos para ampliar os ganhos particulares.

Ao propor as medidas para a mudança, cai nos mesmos equívocos do pensamento acadêmico dominante. 
Como achei (no sentido de encontrar), com base nos dados das eleições de 2014, confirmadas em 2018, que os deputados federais são eleitos predominantemente como despachantes de interesses comunitários, o modelo distrital só irá reforçar esse tipo de representação: que nada tem de ideológico ou programático. 
A visão romântica de que com o voto distrital o candidato ficará mais próximo do seu eleitor, representando o seu pensamento é ilusório.
Ele vai, sim, representar o eleitor, mas não do seu pensamento. Vai representar o interesse local dos eleitores. 
Será uma disputa entre "despachantes". A escolha poderá ser pelo despachante mais efetivo no atendimento das necessidades mais imediatas dos eleitores. Com total marginalização das questões nacionais, programáticas ou ideológicas.

As manifestações dos eleitores ingleses a favor do Brexit, ou dos separatistas catalães são exemplos da visão local das questões nacionais: "A EU nunca fez nada por nós"; "Nos sustentamos a Espanha, que nada nos dá em troca".

Ou seja, o eleitor local ou distrital avalia as questões nacionais (ou até internacionais) em função do impacto suposto ou real sobre a sua vida local.

A sua vida local é algo de concreto. A vida nacional é uma abstração.

O achado está na segunda edição do livro "Até onde a vista alcança", pronta como "protótipo", devendo entrar em "linha de produção e comercialização" em 2020.
Tenho dúvidas também sobre a suposição de que com o voto distrital as campanhas vão ficar mais baratas. 
Num país desigual, poderiam ficar mais baratas em Minas Gerais, Bahia, Pará, Amazonas e outros Estados de grande dimensão e eleitorado disperso pelo Estado, mas seguramente ficarão mais caras no
Espirito Santo, Sergipe e outros Estados de pequena dimensão territorial, com disputas mais acirradas nos principais distritos.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

O próximo capítulo

No enredo da novela ou da teoria da conspiração uma vereadora esquerdista radical começa a investigar a ação de milícias na grilagem de terras urbanas e construções clandestinas. Um dos chefes das milicias manda matá-la, o que é executado. O assassinato por envolver disputas ideológicas ganha repercussão ampla, mas as investigações são obstadas, com sucessivos lances ou capítulos. Sempre alardeadas para manter a audiência.
Um deputado federal, eleito e reeleito por 7 vezes, sempre com o apoio das corporações policiais, militares e civis, promove a eleição de um filho, como deputado estadual, dentro do mesmo reduto eleitoral e coloca em seu gabinete seus amigos que não quiseram acompanhá-lo à Brasilia. 
As milicias no Rio de Janeiro são uma extensão informal da corporação, acomodando aqueles que expulsos das forças legais, ficaram sem renda. Como tal sempre foram uma base eleitoral para as sucessivas reeleições do então deputado federal. 
O filho, em gratidão, sempre agraciou os membros da corporação, incluindo os que posteriormente, foram expulsos.
Essa relação espúria da família com a milicia é um segredo que aquela quer manter oculta a todo custo. É aquele mistério que mantém a audiência da novela. Virá à tona? Quando? Como? Sempre nos próximos capítulos. 
Um fato que nada ou pouco tem a ver com esse segredo, dá margem ao início de uma investigação policial que poderá revelá-lo. 
Por isso a família quer evitar a continuidade da investigação. Conseguirá?
Para aumentar o mistério, como convém nas novelas, o principal protagonista daquela investigação some, criando um novo suspense: "onde ele está? será que foi morto, como queima de arquivo? Ou vai reaparecer como homem-bomba?
Esperem pelos novos capítulos?
A novela não acabou em 2019 e vai se prolongar por 2020. Com sucessivas tramas. 
Mas o mistério vai ser desvendado. Com que repercussões sobre o público?


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Os pilares do desenvolvimento brasileiro

O desenvolvimento econômico brasileiro está sustentado por dois grandes pilares, fortes num aspecto e fraco em outro: o agronegócio e o petróleo.
A força esta na competitividade mundial do produto, alcançando diversos mercados no mundo. Dá segurança às contas externas, deixando o Brasil à margem das crises financeiras internacionais e sem qualquer risco de "default".
Por outro lado é fraco, porque naturalmente, são poucos indutores do crescimento da macroeconomia, em função da baixa geração de empregos. 
Para que seja indutor do crescimento é preciso que sejam acompanhados pelos demais elos da cadeia produtiva, tanto para trás, como para frente.
No caso do agronegócio, os principais elos estão à frente, com a transformação das matérias primas agropecuárias em alimentos prontos ou semiprontos para consumo mundial. 
No caso do petróleo & gás os principais efeitos estão à trás com a constituição de uma cadeia produtiva mundial de equipamentos e serviços para a exploração e industrialização da matéria prima. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Um balanço alternativo

As mudanças no quadro político brasileiro, nos últimos anos tem sido dominado pela reação ao "saco cheio". 
A população brasileira está de "saco cheio" com o mais do mesmo e vem buscando mudanças, que a maioria dos políticos e analistas não percebem.
O General Geisel percebeu que o povo já havia "enchido o saco" com o regime militar e estava perdendo apoio sucessivamente. Planejou uma longa retirada e o povo ainda teve que aguentar seis anos daquele que pediu para ser esquecido. 
O PMDB, uma oposição "light" assumiu o poder, contestado pelos ex-colegas da resistência à ditadura, que conseguiram encurtar um ano o mandato de José Sarney, mas não conseguiram evitar a eleição de um suposto "outsider", que prometia acabar com a velha politica, embora fosse descendente direto dessa. Ao confrontar a velha política, foi derrubado e depois de uma curta transição, o centro esquerda assumiu o poder e se manteve por 21 anos, apesar de divergências e disputadas internas. 
Só veio a perder o poder, com o impeachment de Dilma, e assunção pelo centro "centrão", abrindo o caminho para a direita que venceu as eleições de 2018. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A politica ambiental de Bolsonaro

A politica ambiental do Governo Bolsonaro é destruir a política estabelecida pelos Governos anteriores, atendendo aos que são contra essa, sua base eleitoral.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Oportunidade de diversificação

O agronegócio brasileiro teve uma grande evolução, por conta das compras pelos chineses, através das grandes tradings internacionais, de grãos, tanto a soja, como o milho.
O agronegócio brasileiro não "vendeu" os seus produtos para a China, mas teve os mesmos "comprados" e atendeu a demanda, entregando os produtos. Ainda é um entregador e não um vendedor.
As perspectivas futuras são de que mesmo com a recuperação dos rebanhos de porcos, a China não aumente substancialmente as suas compras no Brasil, podendo até diminuir, dados os acordos da China com os EUA, para comprar mais produtos agropecuários desse país, como passo para superar a guerra comercial. 
O Brasil corre o risco de ter estoques de grãos. Diante dessa perspectiva terá que deixar a posição de entregador, para se tornar - efetivamente - vendedor.
As maiores oportunidades estão no Norte da África e no sudoeste asiático, principalmente na Índia, onde estão ocorrendo os maiores crescimentos demográficos, com reflexo na demanda de grãos e outros produtos agrícolas. 
A comercialização internacional de grãos não é feita diretamente entre os produtores e os consumidores, mas com ampla intermediação de um pequeno grupo de tradings internacionais. 
São duas de origem indiscutivelmente norte-americanas, uma anglo americana, com passagem pela Argentina e até pelo Brasil e uma francesa. As chinesas começam a entrar no mercado, mas ainda não se firmaram em grãos, embora tenham importante participação em outros produtos do agronegócio, como a Olam, em cacau. Entre as nacionais, no setor de grãos, apenas a Maggi, que tem o respaldo de ser a maior produtora de grãos, tem relevância. Algumas ficaram no meio do caminho.
Todas elas são predominante compradoras, atendendo aos comparadores e buscando no Brasil os fornecedores. 
Com o compromisso da China em comprar mais produtos agrícolas dos EUA, como a sua contrapartida na trégua da guerra comercial, as tradings tenderão a dar preferência aos fornecedores norte-americanos, em detrimento aos fornecedores brasileiros e argentinos.
Os produtores brasileiros, com a menor procura dos chineses pelos seus produtos, terão que buscar novos mercados e a questão crucial é se farão através das mesma tradings  através das quais entregam os seus produtos, ou se irão criar ou desenvolver canais de comercialização diferenciados para esses novos mercados?
A continuidade de crescimento do agronegócio brasileiro dependerá dessas decisões.





sábado, 21 de dezembro de 2019

A "marvada" da carne

A perda de popularidade de Bolsonaro tem uma explicação simples que o pensamento dominante resiste em aceitar: o aumento do preço da carne no varejo.
Para o Governo e os economistas, influenciando jornalistas e empresários, inflação é um fenômeno medido por índices estatísticos, como o IPC, INPC, IPCA e outras sopas de letrinhas. São aceitas como indicador do estado ou evolução da economia.
Segundo esses indicadores a inflação no Brasil está controlada, ficando o índice anualizado abaixo da meta. 
É uma surpresa para eles todos que a popularidade do Presidente tenha caído se a economia vai bem.
Para o povo, em geral, o estado da economia é percebido (sem medição agregada) pelo emprego, pela renda auferida e pela carestia.
Carestia é o preço das coisas que as pessoas compram no dia a dia, principalmente os alimentos.
O problema é que no período da pesquisa o custo da mistura subiu muito. Ficou muito caro.
A maioria dos economistas, grandes empresários e executivos não tem a menor noção do que sejam mistura e carestia. E não adiante perguntar a esposa, igualmente profissional em altos cargos. Precisa perguntar à empregada.
Ele lhe responderá: "Doutor a mistura está pelos olhos da cara. Onde vai parar este país? Ouvi dizer que a culpa é dos chineses". "Mistura" é a disponibilidade de carne para cozinhar: para preparar um prato com carne. Simboliza uma ascensão social, fugindo do trivial arroz com feijão. Se a carne sobe, a mistura fica mais cara. 
Para muitas pessoas deixar de ter mistura no almoço ou no jantar significa uma regressão à pobreza ou à miséria. 
Não por outro motivo, a impopularidade de Bolsonaro junto às mulheres é muito superior ao dos homens. Na maioria dos casos são elas que fazem as compras de abastecimento da casa. Elas tem que preparar a mistura. 
O pior que pode acontecer é que um Presidente, pouco conhecedor de economia, queira num arroubou populista, tabelar a carne. Isso já aconteceu e o resultado foi um desastre. 
Felizmente para o Brasil e para Bolsonaro, o Governo tem Paulo Guedes, com muitos defeitos, mas não esse. Ele não deixará Bolsonaro embarcar nessa "canoa furada".
O preço da carne vai continuar alto, mas não vai subir muito mais. 
Os chineses são culpados sim. Mas os africanos mais, mandando para a China uma peste que matou mais do que a metade dos porcos chineses. 




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Black friday x natal


O resultado do CAGED de novembro é auspicioso, porque tradicionalmente em novembro começa uma trajetória de queda no estoque de empregos formais, alcançando o auge negativo em dezembro, por um movimento simples: as empresas demitem, pela queda da demanda e só voltam a contratar no início do ano.
Como a apuração é mensal, mesmo que haja maior contratação no comércio até a terceira semana, por conta das compras de Natal, assim que esse termina, há um grande volume de dispensas, refletindo-se no resultado negativo do mês. Há outros fatores, como a saída de imigrantes que voltam no período para o seu domicílio de origem. O setor agrícola está, na sua maior parte, na entressafra.
O resultado de novembro foi puxado pelo comércio varejista, com a antecipação das compras de final de ano, aproveitando as promoções do “black Friday”. Como já comentamos aqui, há uma mudança no comportamento do consumidor popular, guardando o dinheiro para aproveitar os descontos nas compras à vista no black Friday, o sentido inicial do modelo. Levou algum tempo no Brasil, mas afinal “emplacou”.
Antecipou as vendas no comércio, com uma grande diferença no valor médio (ticket médio). O do black Friday teria sido superior a R$ 1.000,00. O do Natal deverá ser muito menos, apesar da liberação do FGTS e da segunda parcela do 13º salário. Continuará sendo o Natal das Lembrancinhas.
O bom resultado do CAGED é sazonal e preciso entendê-lo como tal, para não gerar frustrações com os resultados dos meses subsequentes, principalmente de dezembro.
Dezembro deverá ter uma queda, mas igualmente sazonal. Em janeiro o agro deverá contribuir para um novo aumento, em função da colheita da safra da soja e outros.
Ajustados os efeitos sazonais, a tendência é de melhoria no mercado de trabalho formal em 2020, devendo ultrapassar a marca de um milhão de novos empregos, nas apurações do CAGED. Nada de excepcional, mas positivo.
A análise setorial mostra que o comércio deu um bom salto, criando 106.834 novos postos de trabalho, associado aos serviços, com 44.287 alcançando mais de 150.000 novos postos. Mas a indústria de transformação continuou perdendo, com uma redução de 25 mil postos.
A construção civil ainda perdeu postos, em novembro, mas menos do que do mesmo mês em 2018. Deverá ter uma queda maior em dezembro em função da chamada "férias do baiano". 
O ritmo só será fortalecido se a economia brasileira se voltar mais para o mercado externo com produtos de maior valor agregado, não ficando dependente dos surtos do final do ano.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A conquista do eleitorado

O eleitorado de um candidato político fica mais claro no final da campanha, em função das pequisas de intenções de voto, por segmentos, mas não explica como se formou essa base eleitoral.
Os resultados de 2018 são emblemáticos nesse sentido. A grande onda que trouxe ou promoveu a eleição de Jair Bolsonaro foi o antipetismo. Mas essa foi a última faixa, da propagação de uma onda cujo ponto inicial, teria sido identificado.
Essa teria sido a reação de um grupo remanescente do frotismo (do General Silvio Frota) com a criação da Comissão da Verdade. Essa foi vista pelo grupo como uma quebra do acordo da anista ampla e irrestrita. Em nome dos direitos humanos a esquerda buscou a criminalização dos torturadores do Regime Militar, simbolizada pelo Cel Ulstra. Ai se começou a organização para uma reconquista do poder. A primeira faixa adicional foi a dos descontentes com o uso dos direitos humanos para defender os bandidos e criminalizar os policiais. Como essa era baseada no politicamente correto, incorporou ou insatisfeitos com o progressismo. O principal foco estava nos evangélicos, em função da liberalização nos costumes. Quanto mais os progressistas emergiam na sociedade, ganhando visibilidade na mídia, os conservadores, na maioria resignados, mas incomodados, esperaram - em silêncio - o momento de dar o troco. Esse chegou em 2018, quando a onda se propagou no meio dos antipetistas. Estes formavam três grandes grupos: o dos empresários descontentes com a crise econômica que debilitou os seus negócios, o da classe média, que perdeu renda e emprego, com a crise e os opositores ideológicos, que conseguiram difundir a visão de responsabilidade do PT por erros e, principalmente, pelos desvios éticos: o PT teria promovido uma "roubalheira" descomunal. 
Ao se aproximarem as eleições de 2020 e 2022, com algumas facções política tentando formar novas ondas, a estratégia requer identificar ou formar novos epicentros e promover sucessivas ampliações. 
Onde estão as possibilidades desses epicentros?

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


A definição do Fundo Público Eleitoral para as eleições de 2020 em dois bilhões de reais, não elimina a influência do poder econômico, tampouco evita o Caixa Dois, ainda que os tornem mais restritos. Mas praticamente acaba com as caras produções para a propaganda na TV.
João Dória foi eleito Prefeito de São Paulo, em 2016, com amplo uso de recursos pessoais, ajudando ainda vereadores para a formação de uma base aliada na Câmara Municipal. Alguns outros milionários foram eleitos com uso das respectivas fortunas. Buscarão a reeleição e novos se candidatarão a vereadores, como ensaio para a eleição para deputado federal, em 2022.
Os grandes volumes de caixa dois usando intrincados esquemas bancários no país e no exterior tornaram-se inviáveis de serem escondidos. A tentativa de conter a atuação da UIF (Unidade de Inteligência Financeira, ex COAF) não prosperou. Mas a movimentação em dinheiro vivo, não contabilizado, vai continuar, principalmente no interior.
Essa movimentação traz um risco, aumentando a tendência de participação das organizações criminosas que, com esses recursos não contabilizados, irão sustentar a eleição de representantes das facções. Deverá também favorecer a eleição de candidatos evangélicos.
As campanhas para Prefeito, em grandes cidades, como São Paulo, ainda dependerão do suporte dos programas de televisão. Já nas médias e pequenas cidades, onde o candidato pode percorrer todo território do Município e ter contacto direto com todos os eleitores, o que vai valer é a sola do tênis. A dos sapatos tradicionais não vai aguentar.
Já as campanhas dos vereadores serão cada vez mais focados nos seus redutos eleitorais, reforçando o seu papel de despachantes, representando os interesses comunitários e as reivindicações de curto prazo. O vereador, com poucas exceções, será eleito pelo corpo a corpo. As redes sociais serão importantes, mas não serão suficientes para alcançar os votos necessários para as eleições, nas grandes cidades.
Os candidatos a vereador serão os principais cabos eleitorais dos candidatos a Prefeito. Se aqueles não aceitarem o candidato do partido, escolhido por negociações da cúpula partidária, não trabalharão por ele e, dificilmente, serão eleitos.
O candidato a Prefeito deverá buscar uma articulação partidária própria, em função das especificidades regionais ou locais.
Os temas nacionais ainda terão alguma importância na eleição de Prefeito, mas pouca na eleição dos vereadores, exceto entre os evangélicos.

(cont) 

Os novatos, ligados aos movimentos de renovação, que, como diferencial, não querem receber os recursos dos fundos públicos, buscarão o apoio de pessoas físicas.
As experiências anteriores, principalmente de 2018 mostraram a baixa participação do financiamento coletivo (crowdfunding) e a concentração dos doadores em empresários bem sucedidos, na maior parte, jovens que enriqueceram no mercado de capitais. Na prática prevaleceu o poder econômico, ainda que não o tradicional, de base corporativa. 
Esse movimento do poder econômico buscando a renovação, levou à reação da velha política, para garantir recursos para as eleições por verbas públicas. 
Os novatos ligados aos movimentos, excluindo os familiares e da onda bolsonarista, tem se destacada por uma limitada pauta de conteúdo e uma ampla pauta adjetiva, como os gabinetes compartilhados, 


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Globalização das start-ups

O mundo está em rápida transformação. As tecnologias digitais surgiram há pouco tempo, mas já dominam a vida das pessoas em todo mundo. Quem e quantos ainda não tem um aparelho de telefone celular?
Os novos produtos não são naturais, mas criados por homens que se organizam em empresas, dominando o mercado mundial. São bens e serviços que se fundem. 
Como o Brasil se insere dentro desse contexto? Apenas como consumidor ou também como produtor? 
A dominância no trato dessa questão ocorre no contexto de demanda: como o Brasil e os brasileiros devem se comportar diante das rápidas inovações tecnológicas. Como absorver, cultural e economicamente, os avanços da inteligência artificial.
Não há discussão, por exemplo, sobre como o Brasil poderá ter empresas de software com presença significativa no mercado mundial?
As empresas nacionais de software vem sendo desenvolvidas, segundo três frentes:

  • voltadas para uso pessoal: consumo interno (b&c);
  • voltadas para determinados setores específicos, tendo empresas como compradoras ou contratantes (b&b);
  • desenvolvidas para uso interno e transformadas em produtos para o mercado.

Não temos conhecimento de empresas brasileiras, com aplicativos para os consumidores, com ampla participação no mercado internacional. Em contrapartida há algumas empresas latinoamericanas com importante participação nos seus mercados, como a colombiana Rappi, para entrega a domicilio de comida pronta.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Bolsonarismo, doutrina e prática

O bolsonarismo é um movimento popular que se propõe a um resgate da trajetória histórica do Brasil, segundo a visão deles, caminhando por um desvio que gerou a crise ética e econômica que o país ainda vive.
Esse desvio teria ocorrido em 1977, quando o então ditador, General Geisel decidiu acabar com o regime militar e entregar o poder aos civis. 
O General Sílvio Frota, contrário a isso, tentou liderar um golpe de Estado, assumindo a Presidência, mas foi derrotado e demitido. Segundo ele, o regime militar estava fraquejando e não estava completando a missão para o qual assumira o poder em 1964: exterminar por completo a ameaça comunista. Para ele, com a devolução do poder aos civis, os comunistas remanescentes voltariam e tomariam o poder, com más consequências para o país.
Derrotado, o "frotismo" se retraiu, mas não sumiu. O vírus ficou incubado, com uma única manifestação pública desprezada pela opinião publicada, até que em 2016, quase 40 anos depois, a fala do porta-voz do movimento se fez ouvir, na sessão da Câmara dos Deputados que aprovou o impeachment de Dilma Rousseff. A opinião publicada passou a conhecer um obscuro deputado federal, que já estava na casa, desapercebido, por mais de 20 anos: Jair Bolsonaro. Ele, com desassombro em sua declaração de voto, defendeu o regime militar e o Cel Ulstra, o símbolo da tortura adotada no período. 
A emergência pública do movimento, aliada a uma série de circunstâncias, levou à eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República, um ano e maior depois.
Com a missão de salvar o país, de livrar o país da ameaça comunista, revestida de petismo e, principalmente, restabelecer os valores sociais da época. Já sob ameaça do "progressismo" iniciado na França, em 1968, mas que evoluiu lentamente. 
O bolsonarismo não é um movimento conservador - seu sentido estrito. É um movimento de retrocesso histórico, que pretende resgatar um bom viver no passado com o regime militar: "eramos felizes e não sabíamos", "mas vamos voltar".
O objetivo do bolsonarismo não é um Brasil do Futuro, mas o Brasil do Passado. Não pretende caminhar para trás, mas voltar a um ponto passado e seguir em frente a partir dai: reescrever a trajetória brasileira a partir de 1997. 

(cont)

sábado, 14 de dezembro de 2019

O apetite pelo conhecimento

Tão ou mais grave que a fome por comida, é a fome pelo conhecimento.
Quando atendido na terna infância, a pessoa não se sentirá saciada, buscando sempre mais conhecimento. A fome pelo conhecimento persistirá ao longo de toda a sua vida.
Ao contrário, se não for atendida, a pessoa se acostumará a viver sem a busca de conhecimento. 
Sem maior conhecimento terá sempre uma visão de mundo curta, com a sua percepção limitada ao que conhece presencialmente e informado por crenças transmitidas por terceiros e que absorve pessoalmente. 
A visão de mundo curta, por limitação de conhecimento é a principal causa do quadro político de temos.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Uma disputa midiática

Greta Thunberg é uma adolescente com excepcional senso de marketing. 
Ela entrou na pauta da mídia mundial, dominada por questões ambientais, com um ato de rebeldia pessoal que ganhou sucessivas adesões em muitos países desenvolvidos. 
Representa um público jovem, indignado com a omissão e leniência de governantes diante do que entende ser o mais grave problema presente e futuro da humanidade. 
Os governantes dos países desenvolvidos, assim como de emergentes que já superaram o estágio da fome das respectivas populações, estão sendo - de fato - lenientes com o problema climático. Uma parte por efetivamente não acreditar na ocorrência do problema, mesmo com a sucessão de demonstrações científicas. Acusam essas demonstrações de manipuladas. Outra por aceitar a ocorrência do problema, mas por não conseguir vencer os interesses econômicos dentro do respectivo país. Ai fazem discursos a favor, apoiam os acordos internacionais, mas pouco fazem de efetivo para reduzir o suposto aquecimento do clima produzido por ações antrópicas.
Greta iniciou uma greve escolar, a favor do clima, numa sexta-feira e o seu ato isolado teve apoio de outros jovens, criando a greve das sextas-feiras a favor do clima. 
A proposta entrou na pauta da mídia sueca, mas ganhou repercussão mundial. 
Greta não se limitou a ser uma "rebelde com causa" mas assumiu a liderança de um movimento a favor do clima, dando um passo a mais, aproveitando a sua visibilidade para criticar os governantes.
O seu principal alvo é o Presidente dos EUA, declaradamente antiambientalista, para favorecer o seu eleitorado industrial.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O balanço do ano



Para os políticos que querem ou precisam mostrar resultados, perante os seus eleitores, para a opinião publicada e à sociedade em geral, é importante apresentar os seus feitos do ano. Os momentos são fugazes, mas o que é relevante passa a ser registrado como um fato notório do ano, não importando o mês em que ocorreu.
O pacote “anticrime” aprovado pelo Congresso, dependendo apenas da sanção do Presidente, será uma das grandes marcas de 2019: como um grande resultado do primeiro ano do mandato do Presidente Bolsonaro e também do Congresso, eleito em 2018.  Ainda, uma grande vitória de Sérgio Moro, embora a sua proposta inicial tenha sido “desidratada”.
No futuro essa desidratação será pouco lembrada. O que importará será a lei como sancionada e depois homologada, com a votação dos eventuais vetos do Presidente.
Aprovado ainda em dezembro, Sérgio Moro, ganhará um ano de imagem positiva. Se passar para 2020, ainda que no começo do ano, terá que esperar um ano a mais. Com reflexo sobre a popularidade de Jair Bolsonaro.
Apesar de Moro alavancar a popularidade de Bolsonaro e não o contrário, este terá dúvidas na sanção do projeto de lei, mas não tem alternativa. Se pudesse adiaria. O que ele não quer é deixar Rodrigo Maia assumir a paternidade da lei, como tentou, mas não teve sucesso.
As decisões políticas atuais não são orientadas apenas pelo interesse público, mas pelos interesses pessoais e corporativos, já influenciadas pelas eleições futuras. As suas decisões de hoje tem em vista o amanhã das eleições.
Cada um dos atores discursa e age para satisfazer os seus eleitores. A dos deputados é um contingente menor, formado pelos moradores das comunidades do seu reduto eleitoral ou pelos integrantes de corporações. Cada um dos 512 deputados representa uma facção da população brasileira. Na soma representam a totalidade dos eleitores votantes. Mas o conjunto não representa, necessariamente, o interesse nacional.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

O terço de apoio de Bolsonaro



Jair Bolsonaro mantém o apoio firme de 30% do eleitorado, segundo pesquisa do Datafolha.
Mantido esse patamar chegaria ao segundo turno em 2022 e, dependendo do concorrente, seria reeleito: a sua maior obsessão atual. Percebeu ou foi induzido a entender que um só mandato era insuficiente para mudar o Brasil, como prometeu. Para cumprir a missão divina que lhe foi atribuída precisa de um segundo mandato.
Para isso precisa desconstruir todos os eventuais candidatos que emergem à sua frente, sejam de campos adversários, como do seu próprio campo.
Dos 30% de apoio popular, a parte maior é sustentada por Sérgio Moro, com o seu implacável combate à criminalidade e uma parte menor decorrente da presença de Paulo Guedes. Esse não tem cacife eleitoral, mas assegura a Bolsonaro um apoio maciço dos empresários.
Com a forte aceitação popular de Sérgio Moro e uma suposta candidatura dele à Presidência da República, em 2022, Bolsonaro tentou abafar o protagonismo do seu Ministro. Esse, fez circular nos meios palacianos, que seria um bom nome para a Vice-Presidência, no lugar do General Mourão. Ao obter o apoio do General Ramos para essa versão, Jair Bolsonaro deixou de ver o seu prestigiado Ministro, como potencial concorrente, mas como o seu companheiro de chapa.
Sem a velada resistência do Presidente, assumiu o comando da missão de aprovação do pacote anticrime, junto ao Congresso Nacional, envolvendo-se no “corpo a corpo”, com os parlamentares. Obteve relativo sucesso.
Com as reiteradas omissões do Presidente Bolsonaro, na defesa dos “projetos de interesse do Governo”, fora da sua pauta pessoal, há uma transferência do eixo de poder.  O poder de legislar está efetivamente com o Legislativo, como eventual formação de situação e oposição em relação às Presidências das Casas, mas com força maior do Presidente da Câmara.
O pacote “anticrime” aprovado pela Câmara não é o de Moro, mas o costurado por Rodrigo Maia. Com a oposição radical do PT. Mas o projeto Maia, decorrente dos acordos, com supressão de algumas questões, foi aprovado pela liderança do PSOL. Da mesma forma que os dissidentes do PDT e do PSB aprovaram a reforma previdenciária formatado por Maia e Samuel Moreira, esse do PSDB.
Em 2020 só serão aprovados os projetos “costurados” por Rodrigo Maia, com a adesão de Davi Alcolumbre. A Presidência da República será um protagonista coadjuvante.
Oposição ou situação. Base aliada do Governo serão figuras menores no jogo que será disputado no campo do Congresso Nacional.
Apesar da visão obsoleta de analistas, influenciando a mídia, de que o jogo político dos próximos anos será dentro das mesmas circunstâncias passadas.
Os obsoletos mal sobreviverão a 2020 e serão enterrados em 2022.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Ressureição

A convenção nacional do PSDB trouxe uma ressurreição. Não do partido que ainda não morreu, mas continua em estado vegetativo.
Quem estava ou parecia estar morto é o deputado federal Aécio Neves. Alguém sabia? 
Deixando de disputar a reeleição para o Senado Federal, em 2018, candidatando-se a deputado federal foi eleito engrossando a estatística da renovação. Em 2018, segundo os indicadores do DIAP, amplamente usado e tomado como demonstração de ampla renovação no Congresso Nacional Aécio Neves foi duplamente renovador.
Não sendo reeleito para o Senado, abriu um espaço para um novo. Eleito para a Câmara dos Deputados, sem ser uma reeleição direta, fez parte da estatística dos novos.
Eleito, sumiu das manchetes e mesmo do noticiário interno. Não está na Presidência ou relatoria de qualquer comissão ou projeto importante. Ficou escondido no meio do baixo clero, articulando a formação de uma bancada "sua". Com ela conseguiu eleger o líder da bancada para 2019 e quer repetir a dose. Opondo-se a João Dória, que o quer expulsar do partido, a todo custo.
O  jogo está empatado, mas a novidade é a ressurreição política de Aécio Neves. Deve estar se preparando para disputar um cargo maior em 2022. Provavelmente o Governo do Estado de Minas Gerais.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Tá caro, mas não dá pra deixar de consumir

Pior do que estar caro é não ter. 
Todos reclamam que a carne está cara, mas a churrascaria onde fui ontem à noite para mais um dos eventos de confraternização de final de ano estava cheia. E mesmo as pessoas de menor renda dizem que não dá para deixar de ter mistura. 
A principal diferença na reação popular é que desta vez, não atribuem culpa ao Governo. A culpa toda do aumento de preços da carne é da China.  Quando muito a reação é "esse Governo não faz nada!" Devia proibir ou taxar as exportações para a China. 
Não pode deixar os pecuaristas e frigoríficos preferirem vender para os chineses do que abastecer o seu povo: "Brasil, acima de tudo".
"Esse Bolsonaro se vendeu aos chineses e largou o seu padrinho Trump. Mudou de time e nós é que estamos pagando." (kkkkk). 
É para rir, para não ter que chorar. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019


Um pequeno aumento do preço da carne é devido ao pique das compras de carne pela China, a partir de outubro. O aumento adicional, decorre de uma reposição de preços contidos ao longo de três anos, por conta das guerras comerciais. Os EUA cortaram a importação de carne brasileira e ainda continuam com restrições. A União Européia e a China aproveitaram a carne para se proteger contra uma eventual invasão da carne brasileira. O terceiro salto que levou o preço da carne de primeira de origem argentina às alturas é pura especulação. São eles que estão difundindo o “fake news” de que o boicote não funciona e só vai prejudicar os açougues.
Bobagem: os açougues de frente para a rua remanescentes que ainda existem nos bairros paulistanos já estão com movimento menor por conta dos preços mais altos.
Podem boicotar as carnes nas churrascarias e restaurantes mais refinados que os açougues populares não fazem parte dessa cadeia de fornecimento.
A vitimização do açougue em caso de uma necessária reação da população, as importações da China nada mais são do que falsas notícias para manter a especulação que só enriquece poucos. Os especuladores aproveitam as opinião de desinformados “especialistas” que aproveitam para aparecer, apoiados por jornalistas ainda mais despreparados.
O aumento das importações da China foi realmente o desencadeador dos aumentos, mas não o responsável pelo nível de aumento dos preços. O mercado da bovinocultura estava deprimido, exatamente porque o mundo cortou a importação da carne brasileira, nos últimos anos. A China reabriu o mercado, os produtores buscaram recuperar os preços e os especuladores aproveitaram, para o segundo e terceiros saltos. A reposição dos preços vai permanecer
Além disso, o Brasil não vende a sua carne. Entrega os que os importadores, principalmente a China compra. A necessidade maior da China não é de carne bovina, mas suína. A bovina para eles é alternativa. Ao contrário do Brasil.
A compra excepcional da China não vai continuar e há o risco de novas contenções. A China não restabeleceu as suas importações normais. Comprou a mais para formar estoques perante os riscos da continuidade da peste suína.
A bolha vai estourar. Mas com grande efeitos deletérios.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

"A terra é plana"! Quem já viu pessoalmente a terra redonda?

O bolsonarismo é uma expressão específica da direita, baseada no apoio de pessoas com crenças míticas.
Aparentemente essa população seria da ordem de 30% do conjunto da população adulta. Eleitoralmente asseguraria a participação do candidato de sua preferência ou que a representa num segundo turno de eleições presidenciais. Dependendo do concorrente e da imagem que esse carrega, nos 70% não míticos, elegeria o seu Presidente. Foi o que teria ocorrido em 2018 e pode se repetir em 2022.
Repetir-se-á, se a elite persistir em não reconhecer essa realidade e continuar considerando os bolsonaristas apenas  como idiotas, loucos ou “sem noção”.
Absorver idéias simples é mais fácil do que as complexas. As teses da teoria da conspiração são mais facilmente aceitas do que as explicações científicas.
A “terra é plana”. Entre os 7 bilhões de pessoas no mundo, poucas subiram ao espaço para ver a terra redonda. Aqui, entre os 230 milhões de brasileiros, apenas um subiu aos céus. Mas será que ele viu que a terra é redonda. Mas se viu não conta para o seu chefe que não está convencido que a terra é redonda.
Porque “até onde a vista alcança” a terra é plana: alguém já chegou ao fim do plano e caiu no abismo? Segundo a teoria terraplanista uma força intraterrena o levaria para a outra onde está o começo. A teoria é simples e fácil de acreditar na existência de uma força intraterrena.
Não por outros motivos o Presidente Bolsonaro é tido como um mito, pelos seus seguidores que formam uma seita.
O mais recente membro emergente é um maestro de música clássica, indignado com a preferência dos jovens pelo rock. Para ele o rock é mais um diabólico instrumento de Satanás, que domina a Rússia para destruir a sociedade ocidental.
Se ele tem razão, deveria perceber que a última invenção diabólica dos infernais russos é Donald Trump criado e promovido para destruir os EUA. E levar o imenso território e população brasileira a seguí-lo, pela eleição do seu súdito Bolsonaro. Com a missão de destruir o Brasil e recuperá-lo para os seus domínios, perdido pela incompetência e ambição de Lula e seus asseclas.
Teoria da conspiração por teoria da conspiração vale tudo desde que você acredite. A crença é mais importante do que qualquer comprovação.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Aos amigos tudo

"Aos amigos tudo, aos inimigos o rigor da lei".
Esse lema  anti-republicano do patrimonialismo fez com que os parlamentares adotassem uma salvaguarda aprovando a impositividade do pagamento das suas emendas distributivas de verbas do orçamento, conhecidas simplesmente como "emendas parlamentares".
Em tese, terão que ser pagas até o final do ano, mas poderão ser inscritas em "restos a pagar". A pagar quando "Deus quiser" e mandar Bolsonaro pagar.
Bolsonaro tem privilegiado a liberação dos que tem votado a favor das propostas do Governo, embora nem sempre sejam do seu agrado pessoal. 
Como não tem no Congresso, "amigos" suficientes não conseguirá aprovar novas propostas, como verá seu vetos derrubados.
A emenda parlamentar é o principal alimento da maioria dos congressistas. Eles podem se tornar "amigos" do Presidente, para ter liberações mais rápidas, principalmente em 2020, diante das eleições municipais, mas podem também se rebelar e gerar uma crise institucional.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

E a ressaca?

As venda do black friday superaram as expectativas dos comerciantes.
Só na última hora, através de entrevistas dos potenciais compradores ficou evidente uma mudança de comportamento dos brasileiros compradores de eletronico-domésticos e outros bens duráveis.
As invasões nas lojas para comprar à vista os produtos em promoção, mostrou que o consumidor brasileiro captou o espirito do black-friday, economizando o dinheiro para comprar no dia das promoções. Abandonou o tradicional "carnê das Casas Bahia", onde só interessava o valor do boleto.
O sucesso do black friday já acendeu a luz amarela dos comerciantes. E a ressaca? Qual vai ser o tamanho e por quanto tempo? Vão encomendar à indústria novos pedidos para repor os estoques? Ou vão deixar essa reposição para o segundo semestre de 2020, para o black friday em novembro desse próximo ano?
As previsões de curto prazo é que a venda dos bens duráveis vai cair substancialmente, ainda em 2019. As compras de Natal desses produtos foram antecipadas.
O que se manterá para o Natal será a compra de  bens de consumo menores, com uso do 13º salário.
A ressaca deverá se prolongar ao longo do primeiro semestre de 2020, com reflexo no nível de empregos. 
A recuperação econômica será adiada para o segundo semestre, a menos de algum fato ainda não visível. 

domingo, 1 de dezembro de 2019

O candidato da esquerda

Com mais uma condenação em segunda instância do ex-Presidente Lula, ele fica mais distante da candidatura à Presidência da República, em 2022. Segue como "ficha suja". Tentará anular os processos para mudar o status de solto para livre. O que parece cada vez mais difícil.
Ele tentará "emplacar" o seu preferido Fernando Haddad, apesar de não ter densidade eleitoral, em todo o Brasil e estar "queimado" em São Paulo.
A esquerda, para ser competitivo em 2022 precisa sair da sombra de Lula e ter um novo candidato. Essa condição não é preenchida por Ciro Gomes, o mais evidente, mas um "velho candidato".
Dificilmente esse candidato sairá no sul-sudeste onde a esquerda foi fragorosamente derrota por Bolsonaro, e em função de Lula, não deu margem ao surgimento de novas lideranças, a menos do já citado Haddad, sem luz própria. É e continuará sendo o substituto de Lula.
O candidato terá que sair do Nordeste, onde a esquerda ainda mantém a predominância política, com baixa penetração do bolsonarismo. A esquerda domina a quase totalidade dos Governos estaduais da região e tem, pelo menos 4 candidatos com potencial. São governadores reeleitos em 2018, em primeiro turno, com grande aceitação popular no Estado. Mas, sem conseguir aceitação em São Paulo, o principal eleitorado brasileiro, não chegarão ao segundo turno. Todos eles são bem articulados, mas desconhecidos da opinião publicada. Mas basta um incidente para se tornarem conhecidos. 
Flávio Dino o Governador do Maranhão, ganhou grande visibilidade por ter aproveitado a oportunidade de ser apontado por Jair Bolsonaro, como pior dos Governadores do Nordeste. Emergiu como notícia nos principais meios de comunicação escrita do sudeste, foi entrevistado por canais de televisão e com bom desempenho no Roda Viva, passou a ser considerado como opção antibolsonarista. Integrante do PCdoB, que se tornou satélite do PT, ao longo dos últimos anos, não conta com ampla estrutura política em todo o Brasil. E não conta com uma grande marca como Governante. 
Paulo Câmara, reeleito em primeiro turno, em 2018, Governador de Pernambuco, herdou o partido de Eduardo Campos, o PSB. Pouco conhecido no sul-sudeste, a sua única marca nacional é o seu patrono. Podendo contar com o apoio dos familiares do falecido candidato presidencial. É pouco, para enfrentar Bolsonaro, em 2022.

Rui Costa, o governador da Bahia, também reeleito em 2018, filiado ao PT, tem uma boa imagem regional, como gestor, mas carrega uma imagem negativa perante o eleitorado do sul-sudeste. É afilhado de Jaques Wagner, tido por essa população como membro da "quadrilha" do PT. Por outro lado, com a sua obsessão em viabilizar a conclusão da Ferrovia Oeste-Leste (FIOL) até Ilheus, fica preso aos Governo Federal, que é o titular da ferrovia. Teve um embate com o Governo Bolsonaro, no episódio da inauguração do expansão do aeroporto de Vitória da Conquista, saindo com uma imagem negativa perante a opinião publicada. Não se caracteriza, claramente, como um antibolsonarista.
Camilo Santana, o outro governador do PT, reeleito no Ceará, traz a vantagem de uma marca nacional, que não é sua, é do Estado, mas que ele capitaliza como continuador das políticas públicas. O Ceará é tomado como o "benchmarck" nacional em termos de educação. Sendo do PT pode ser o candidato do partido, se esse se livrar da total dependência de Lula. Porque se depender de Lula, não será o seu candidato e do partido. Ele tem dois grandes concorrentes estaduais. Tasso Jereissati, mas que estaria no campo do centro e Ciro Gomes. Este, se sair de novo como candidato, impede a candidatura de Camilo Santana. Mas ele poderá se compor e o Governador é o único candidato do PT, pelo qual ele poderia abrir mão da sua candidatura e apoiar. Camilo teve o apoio declarado de Ciro e dos seus para a eleição e reeleição ao Governo do Ceará.
Wellington Dias, reeleito em 2018, Governador do Piaui, pelo PT, está no seu quarto mandato, vencendo todas as disputas eleitorais no Estado desde 2002, ano da primeira eleição presidencial de Lula. É um "ilustre desconhecido" pela opinião publicada. Não conta com nenhuma marca nacional, embora tenha alguns indicadores educacionais equiparados ao Ceará. 

Todos os 5 governadores reeleitos no Nordeste, pelos partidos de esquerda são potenciais candidatos à Presidência em 2022. Mas apenas um deles será. 



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Fritura em fogo brando



A suspensão de Eduardo Bolsonaro e de outros deputados federais do PSL que pretendem migrar para o Aliança para o Brasil, o novo partido criado por Jair Bolsonaro, faz parte de uma fritura em fogo brando, posta em prática pelo Presidente do PSL e sua turma, para desgastar os bolsonaristas que querem sair do partido, pelo qual foram eleitos.
Segundo a legislação partidária e eleitoral, confirmada pelo Judiciário, os mandatos dos eleitos pelo sistema proporcional são do partido e não do eleito. Portanto, se aquele se desfiliar do partido perde o mandato, sendo substituído por um suplente, a menos que tenha uma justa causa, arbitrada pela Justiça Eleitoral, a menos do caso de expulsão.
Apenas duas situações são consideradas como justa causa: a) mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; b) grave discriminação política pessoal. Além dessas duas situações que podem ocorrer a qualquer momento, o eleito pode mudar de partido, sem perda de mandato, na abertura da janela de transferência, durante 30 dias, antes do encerramento das filiações para a eleição. Os atuais vereadores podem se transferir, sem perda do mandato, em março de 2020. Os deputados estaduais e federais, só em março de 2022.
Até 2015, no vácuo legislativo, a Justiça Eleitoral considerou mais duas situações: criação de novo partido e fusão ou incorporação de partidos. Essas foram excluídas da mini-reforma de 2015.
A simples migração para o novo partido não se caracteriza como justa causa e, portanto, o deputado federal ou estadual, bolsonarista que se transferir para o novo partido, perderá o mandato. Ficará no limbo até 2022, quando poderá se candidatar novamente ao cargo.
Não tendo conseguido demonstrar desvio reiterado do programa partidário do PSL, aos bolsonaristas só resta a alternativa de “grave discriminação política pessoal”. A expulsão seria o caminho mais rápido e simples. Como não podem ficar sem partido, se forem expulsos já, teriam que fazer uma transição em algum partido de aluguel, do qual precisariam ser novamente expulsos para se filiar ao Aliança para o Brasil, depois de criado.
Os bolsonaristas querem criar condições para pleitear justa causa, para poderem sair mais à frente, quando o novo partido estiver registrado e levarem os mandatos. Bivar quer manter uma fritura para testar o grau de resistência dos bolsonaristas, deixando-os no limbo. Pressiona para que eles saiam deixando do mandato. Quem “piscará” primeiro?

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Perda de mandato

Jair Bolsonaro criou um novo partido e quer levar para este cerca de metade dos deputados federais eleitos em 2018, pelo PSL, sem perda dos mandatos.

Os casos de perda de mandato de deputados federais quando de desfiliação partidária tem sido objeto de interpretações equivocadas, em função de mudanças regulatórias.
O princípio fundamental é que nas eleições proporcionais o mandato é do partido e não do eleito. 
A regra  básica decorrente é que perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito.
O marco legal dos partidos políticos foi estabelecido pela Lei nº 6.096 de 1995, sem regular a desfiliação partidária.
No vácuo legislativo o Tribunal Superior Eleitoral, estabeleceu pela Resolução 22.610 de 2007, os casos de justa causa:
I) incorporação ou fusão do partido;
II) criação de novo partido;
III) mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;
IV) grave discriminação pessoal.

A minireforma eleitoral (Lei nº 13.165 de 2015) regulou a matéria incluindo na Lei 6.096/95, o artigo 22-A, nos seguintes termos:


Art. 22-A.  Perderá o mandato o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito.               
Parágrafo único.  Consideram-se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes hipóteses:                 
I - mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário;                   
II - grave discriminação política pessoal; e                       
    III - mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término do mandato vigente.  

Eliminou os casos de incorporação e fusão de partidos, assim como a criação de novo partido.

Este dispositivo (a criação do artigo 22-A na Lei 6.096/95) foi objeto de ADIN, pelo REDE, tendo obtido liminar parcial. Só alcançou a filiação aos novos partidos criados até a promulgação da Lei 13.165/95, o que interessava especificamente ao REDE.
Alguns entendem que o artigo 22-A da Lei 6.096/95 está suspenso até a decisão final do plenário do STF, por força da liminar, prevalecendo, enquanto isso, a Resolução do TSE.
Não é o entendimento dominante. 
A transferência dos bolsonaristas do PSL para o novo partido, não se caracteriza mais como justa causa e determinará a perda de mandato.
Diante disso eles vão forçar a sua expulsão do partido. O partido, por sua vez, promove a fritura. Vai abrir processos para expulsão, mas não vai concretizar, permanecendo em advertências e suspensões. Vai ser um jogo de desgaste. Alguns vão recorrer ao TSE para caracterizar uma situação de discriminação política pessoal, para poderem sair sem perder o mandato e as verbas.
Tanto um quanto outro irão sair politicamente desgastados, com grandes perdas junto ao eleitorado, seja em 2020  como em 2022. 

   





quarta-feira, 27 de novembro de 2019

O Brasil vai bem, mas...


Paulo Guedes tem ido aos EUA para tentar trazer investimentos para o Brasil, mas o que ele consegue, na prática, é afastar e repelir os investidores. Mostra a eles um Brasil inseguro e que se houver mobilização, como no Chile, a resposta será o restabelecimento da ditadura. Não foi o que ele disse, mas como ele foi entendido.
Em política, como em economia, a versão inicial vale mais que os fatos, para a reação das pessoas.
Diz ele que o aumento do dólar, a fuga de capitais nada tem a ver com a soltura de Lula, mas passa a impressão contrária.
Paulo Guedes é um péssimo ator e o que ele diz fora do script econômico é interpretado com o sentido oposto.
A macroeconomia brasileira vai bem nos seus principais sinais vitais, mas com dois sintomas associados preocupantes: uma hemorragia, ainda que controlada, com perda de capitais estrangeiros e causando uma febre, medida pela cotação do dólar.
O problema maior está numa doença incubada, cuja manifestação pode eclodir por alguma incidente: a concentração de renda, com a manutenção de enormes contingentes de pobres e de alguns miseráveis.
Enquanto toda economia vai mal, essa população fica conformada com as más condições de vida, mas quando a economia melhorar e eles se sentem excluídos da festa, podem se revoltar.
Paulo Guedes, com a sua estrita visão “pinochetista (liberalismo econômico com autoritarismo politico)” não quer perceber a bomba que está armando.  
Quanto mais ele disser que o Brasil amanhã não será o Chile de hoje, mais ele infla essa possibilidade.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Invasões rurais

Por pressão de alguns proprietários rurais, invadidos pelo MST e outros ditos movimentos sociais, Jair Bolsonaro quer colocar o Exército para retirar os invasores, após decisão judicial de reintegração de posse. Porque, segundo esse grupo de apoio de Bolsonaro, os Governos Estaduais são lenientes e não usam adequadamente as suas polícias para a desocupação das propriedades.
Os fatos são reais, mas não são apresentados dados para mostrar a extensão atual do problema.
Existem dois problemas correlatos que podem produzir danos colaterais.
O Exército pode intervir e ser bem sucedido na missão. Mas podem ocorrer situações de violência, com a reação e resistência dos invasores, gerando mortes. 
Ai não interessa o fato. O que prevalecerá será a versão transmitida e analisada pela mídia. Será contra a "truculência" dos militares, prejudicando a imagem perante a sociedade urbana.
Os bolsonaristas acham que GLO é solução para qualquer reação popular. Os comandos das Forças Armadas estarão a favor?
Por outro lado há um grande volume de invasão de terras indígenas, assim como de áreas da União, pelo garimpo irregular. Constatada a invasão, o Governo solicitará judicialmente a reintegração de posse, para retirá-los legalmente dessas propriedades? Se eles não sairem, pacificamente, mandará o Exército para retirá-los?
"O pau que bate em Chico, bate em Francisco". 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Prenúncio de chilenização


O caminhão com a equipe campeã do Flamengo deu um drible nos  fãs desviando-se à esquerda quando a sua direção era a direita onde estavam os ônibus do clube, esperando para a transferência dos jogadores sem a multidão dos seus torcedores.
Alguns torcedores perceberam a manobra e tentaram chegar próximo aos jogadores, no que foram impedidos pelas barreiras físicas e de tropas da Polícia Militar. Ao tentarem rompê-las foram reprimidos por bombas de gás lacrimogênio. Alguns torcedores reagiam jogando sandálias e depois pedras, criando um tumulto durante quase uma hora.
Não houve grande difusão da manifestação de violência, limitada a alguns revoltados quebrando e jogando tudo o que tinham pela frente contra os policiais. Foi uma ruptura de comportamento dentro uma grande festa, com uma multidão comemorando uma conquista e não uma mobilização de contestação.
Mas a revolta de algumas dezenas, talvez de uma centena de pessoas revoltadas contra uma proibição de locomoção para chegar junto aos seus craques e subsequente repressão, indica um ambiente propenso à explosão, como tem ocorrido em outras cidades na América do Sul e outras partes do mundo. Mesmo quando o movimento popular é movido pela felicidade.
Passar da comemoração para a contestação, da manifestação de alegria para a fúria, basta acender o estopim, que pode ser o ato de um policial despreparado, contra algum manifestante, gerando a revolta de outros.
O povo está reprimido, com muitos sem emprego, “virando-se como pode”.
O Flamengo deu uma oportunidade desse povo se liberar, começando por uma esperança: a conquista da Taça Libertadores da América, em nome do Brasil. Uniu as diversas torcidas, mesmo as tradicionais adversárias. Passou com um grande sofrimento vendo o River Plate com a “mão na taça” decorridos mais de 90 minutos do jogo, quando em poucos minutos virou e o povo explodiu de alegria. Reunindo uma imensa multidão para recepcionar os seus craques.
Como o Carnaval foi um momento fugaz. Terminou com a realidade de uma polícia reprimindo manifestantes. O caminho do amanhã foi mostrado no último momento do jogo.

sábado, 23 de novembro de 2019

Néo bolsonarismo

O bolsonarismo que emergiu como um tsunami em 2018, trazendo Jair Bolsonaro à Presidência da República está sendo parcialmente repaginado, na criação do seu partido: o Aliança para o Brasil, que já está sendo cunhado pela mídia como APB e não como ALIANÇA. Alguns lerão a sigla como "Acordão pró Bolsonaros".
A principal diferença está na perda de importância, quase sumiço do combate à corrupção.
Uma grande massa de eleitores que formou o conjunto de 57 milhões de votos para o Jair foi dos eleitores de menor renda, decepcionados com a "roubalheira" do PT. 
Bolsonaro se apresentou ao povo como um político que apesar de tradicional não havia se envolvido com a corrupção e prometeu acabar com ela. Mas não tem conseguido manter a imagem de "inteiramente limpo". 
Os "lava-jatistas" que tem saído às Avenidas, contra Ministros do STF e em defesa de Sérgio Moro, não tem mantido o apoio irrestrito a Jair Bolsonaro.
Sérgio Moro não cabe no APB e isso tem um impacto eleitoral significativo.
Em 2018, Jair Bolsonaro associou-se aos grupos antiambientalistas, principalmente desmatadores, madeireiros ilegais e grileiros, além dos empresários perseguidos pela indústria da multa ambiental. Os movimentos ambientalistas não deram atenção, não acreditando na possibilidade de Bolsonaro ser eleito. Muito menos que, eleito, iria por em prática as suas proposições antiambientalistas. Cumpriu as promessas e os efeitos reais foram desastrosos para a imagem do Brasil no exterior, afetando as questões comerciais. Se em 2018, não teve a oposição ambientalista passou a ter, com reflexo nas próximas eleições. 
A pauta do APB não trata diretamente da questão que está mascarada nas posições soberanistas e antiglobalismo, dois apelidos para a mesma coisa: ser contra as supostas tentativas de tirar a soberania do Brasil sobre a Amazônia, com inimigos objetivos e imaginários: Macron, o Presidente francês, as ONGs internacionais que seriam disfarce de grandes empresas internacionais interessadas em explorar as riquezas mineiras da região. 
Em função das suas posições corporativistas vem interditando a discussão das reformas tributárias e administrativas. Essas só irão adiante se o Congresso resolver confrontar diretamente o Presidente e a sua caneta. Os atrasos poderão afetar a continuidade do apoio empresarial, animado com a pequena melhoria da macroeconomia.
Esse espera pela continuidade das reformas que, se dependerem de Bolsonaro e do APB não vão prosperar. Como irão se posicionar em 2022?
O liberalismo na economia é princípio do APB, mas as reformas estruturais não estão nas prioridades.
Outra grande diferença entre o bolsonarismo de 2018 e o atual está no apoio dos grupos militares. 
O apoio militar foi interpretado pela população como o restabelecimento da ordem e do patriotismo. "Brasil, acima de tudo", seria garantido pelo Exército, onde estão os seus velhos companheiros. Ao longo do seu primeiro ano de mandato foi se libertando da tutela militar, formando um governo com a "sua turma" de oficiais militares, assim como de egressos da polícia civil e militar. Em 2022 poderá não ter o respaldo do segmento militar. 
Para compensar as perdas, está reforçando o apoio da comunidade evangélica, que vem ampliando os espaços dentro da sociedade brasileira.
Essa comunidade asseguraria a Jair Bolsonaro e ao APB a base eleitoral da população de baixa renda, com fundamento nos valores tradicionais da família, contra o progressismo, considerado desagregador e instrumento do comunismo.
As denominações evangélicas promovem o acolhimento dos desamparados e a sustentação da esperança por uma vida melhor, pela crença.
Em 2022, a macroeconomia deverá estar melhor que 2018, com Jair Bolsonaro se creditando dessas melhoria e aceitação por parte de empresários e de rentistas. A sua principal mensagem deverá ser o de evitar o retorno do PT, que promoveria o retrocesso da macroeconomia e a tributação dos mais ricos. Mas ele poderá ter que promover essa tributação ainda dentro do seu Governo, enfraquecendo o argumento.
Já em relação à baixa renda, a desigualdade de renda deverá continuar, mas essa vem se reorganizando, desenvolvendo o chamado trabalho informal, mas que garante a sobrevivência. E as denominações evangélicas e seus pastores, mantém as esperanças e uma visão de mundo de que a prosperidade virá pelo esforço pessoal. Deus ajudará a quem se esforçar, sem deixar de pagar a comissão a ele, entregue às igrejas na forma de dízimo. Dificilmente essas massas se revoltarão contra as suas igrejas. E essas segurarão os movimentos contra o Estado.
O problema e risco maior está na classe média, principalmente da emergente, que teve a sua ascensão cortada pela crise econômica.
Uma parte dessa classe média ainda aspira por empregos formais, com carteira assinada e expectativa de receber os benefícios, como férias remuneradas, 13º salário, aviso prévio, aposentadoria, plano de saúde e outros, além dos salários.
Com a dificuldade de conseguir empregos, em 2022, ou antes, estarão desalentados e conformados, ou revoltados, esperando uma oportunidade para manifestar a sua revolta. 
O mercado de trabalho, nos próximos anos estará desdobrado entre:

  • o mercado de trabalho dos talentosos, com carência de oferta e melhoria sucessiva de rendimentos;
  • o mercado de carteira assinada, com participação relativa em queda;
  • o mercado de trabalho formal por conta própria, substituindo o de carteira assinada;
  • o mercado de trabalho informal por conta própria, sem proteção social. 
O resultado eleitoral de 2022 dependerá de como cada um desses segmentos irá votar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Brasil, na direção errada


O Brasil está na direção errada.
Não adianta fazer reformas estruturais que a economia vai continuar “patinando”.
Vai melhorar um pouco aqui, um pouco ali. A economia vai ganhar ou perder 0,1% a mais, continuando no “reme-reme”, sem sair do lugar.
A economia dos ricos vai melhorar cada vez mais, mas o resto continuará piorando. A média vem e vai melhorar. Com desigualdade cada vez maior.
Para que uma economia cresça com base no seu mercado interno, precisa ampliar sucessivamente o seu mercado de consumo, pela incorporação das camadas de menor renda.
O Brasil, tentou esse modelo, mas de forma desastrada e recuou em vez de avançar.
Agora quer crescer, só com os andares superiores. Quando o pessoal do térreo sai as ruas, quebrando tudo, acompanhado pelo pessoal do porão, como agora no Chile, a reação é de pura perplexidade.
Para ter um crescimento sustentado o Brasil precisa mudar de direção, de rumo.
Não é um rumo utópico, mostrado pelos avanços tecnológicos ou pelos novos profetas. É um rumo realista, baseado nos recursos naturais.
Quem está mostrando o caminho é o agronegócio, mas com muitas distorções.
A China está comprando o Brasil, o mundo está comprando o Brasil para alimentar as suas populações.
Pagando a poucos. Sem a participação da maioria da sua população.
O rumo é esse: o mundo, mas o Brasil precisa deixar de ser comprado, para se tornar vendedor. Ter o comando dos seus rumos e não os que forem definidos pelos outros.

As tecologias digitais no Novo Normal da Política

A política irá tentar conter as tendências, incentivar ou regular os novos hábitos? Uma posição - já em andamento - é coibir o uso indevido ...