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Mostrando postagens de Abril, 2019

Cenário Rainha da Inglaterra

Com perdão de Elizabeth, a expressão é usada por uma autoridade que ganhou o poder, mas não governa.
A ala militar palaciana, cansada com a inapetência de Jair Bolsonaro em assumir efetivamente o Governo, só tomando decisões esporádicas e erradas e deixando os seus auxiliares "quebrarem a cabeça", resolve assumir plenamente o governo, mantendo o Presidente inteiramente tutelado, sem acesso ao twitter e com os filhos sob controle. Continua assinando os atos com um x marcado no local e não interfere nas articulações com o Congresso. 
Sem a sua interferência a Reforma da Previdência é aprovada, em condição mais próximas à proposta original, sem as concessões de Bolsonaro.
É um cenário desejado por muitos empresários, seria o melhor para a economia, mas inviável.

Cenário Bolsonaro, presidente

O cenário Bolsonaro presidente é percebido, nas apresentações que tenho feito, como mais do mesmo. 
Uma inflexão na conduta do Presidente, assumindo efetivamente o comando do Governo de forma segura e persistente, tem sido vista como impossível, dada a personalidade dele.
Inapetente para a função, como ele mesmo já declarou ("não nasci para ser Presidente") a tendência principal é a omissão. Ou fuga às decisões complexas. 

A sua intervenção como Presidente, continuará sendo intermitente, pontual e mais negativa do que positiva. Em função de pressão de grupo de apoiadores, usa mais o poder de veto, exigindo renovação de medidas adotadas pela máquina, do que orientá-la num determinado sentido. 
Ontem a ordem para retirar uma peça publicitária do Banco do Brasil e demitir o responsável é tipica dessa postura presidencial.
A consequência é a paralisia da Administração: os funcionários e chefias intermediarias ficam receosos de tomar qualquer decisão. 
Bolsonaro, quando resolve presidi…

Vencedores e vencidos, vencedores e vencedores

O Governo Bolsonaro tem uma visão beligerante da política, com uma visão de submissão dos perdedores ao vencedor, como vem fazendo na área ambiental.
Mas, em muitos casos, a disputa é entre grupos de vencedores, cada qual cobrando de Jair Bolsonaro as promessas de campanha assumidas com aqueles. Os evangélicos cobram a mudança da embaixada brasileira para Jerusalém, mas o também vitorioso agronegócio é contra. Os caminhoneiros cobram as medidas de apoio do Governo à categoria, mas o  também ganhador mercado é contra o congelamento dos preços dos combustíveis. 
A incapacidade de Jair Bolsonaro em resolver com a necessária agilidade as disputas, deixa o Brasil numa situação de incertezas.
O principal impasse está com o Congresso, onde a maioria também se considera - com razão - vencedora. 
Em muitos casos, o mesmo eleitor que votou em Bolsonaro para Presidente votou em um deputado é contra as propostas do Governo e ambos tem que prestar contas ao seu eleitor: o mesmo dos dois.

História mal contada

Segundo a versão corrente, o Presidente Jair Bolsonaro ligou para o Presidente da Petrobras, mandando sustar o aumento do diesel pelo risco de uma nova greve de caminhoneiros. O fez, enquanto Paulo Gudes explicava aos americanos, nos EUA, o que pretende fazer.
Isso causou um abalo na confiança do mercado, anulando o esforço de Guedes em convencer os investidores externos a aplicar o dinheiro no Brasil.
Se fosse no Governo Dilma, a versão seria plausível. Num governo dominado pelos militares, com o pleno funcionamento do sistema presidencial de informações, não.
A ala militar sabia que a tentativa de nova greve, prevista para 30 de março tinha sido abortada, por falta de adesão. Se houvesse mesmo ameça, a ala militar sabia como contingenciar e evitá-la. Não houve nenhuma negociação prévia, com a alta administração do Governo.
Uma nova greve geral dos caminhoneiros, só ocorrerá se o Governo quiser. 
Ou se, o Presidente tiver um surto de lider sindical para exigir do Governo o atendimento das…

A gestão do Estado Nacional, nos primeiros 100 dias do Governo Bolsoanro

Por uma distorção desenvolvida pela mídia, toda atenção é dada ao Poder Executivo, sem a devida consideração sobre os demais poderes.

Tanto o Governo, como o Congresso tem os seus titulares eleitos, na mesma época, com o mesmo período de  mandato (exceto os Senadores), dentro da mesma eleição, mas com regras distintas. Estas distinções levam à formação diferenciada das forças políticas.
Além do mais, nas circunstâncias atuais, os primeiros 100 dias do novo Governo, houve uma nítida distinção entre o exercício da Presidência e do Governo.
A Presidência cuidou de organizar e formar a equipe ministerial, delegou a essa as atribuições de exercer amplamente as atividades executivas, com poucas interferências, apenas pontuais, recolhendo-se aos seus "brinquedos" preferidos. Mas, em dois momentos, teve que trocar membros da sua equipe ministerial.
O Governo desenvolveu as suas atividades executivas, com os Ministérios agindo de forma independente, dentro dos recursos disponíveis, com a…

O agoverno Bolsonaro

Ao  chegarmos aos quase 100 dias, a grande constatação é que estamos diante de um agoverno, ou um não governo. Não se trata de um desgoverno, que não sabe para onde vai, mas uma falta de governo. E o país, sem governo, segue a inércia. 
Na realidade, o que ainda acontece de ação governamental é a continuidade do Governo Temer, em que pese a merecida imagem negativa do ex-presidente. Temer foi mal, mas o seu governo nem tanto. Só não teve tempo para implantar uma série de medidas que agora foram efetivadas.
Um dos poucos pontos positivos dos 100 dias será a privatização ou  concessão dos aeroportos, de terminais portuários, dos dutos da Petrobras, da Ferrovia Norte-Sul, gerando um enorme caixa para o Tesouro Nacional. Nada disso começou com o Governo Bolsonaro, mas esse tem o mérito de dar continuidade e efetivar. Ao contrário e outras medidas, de menor importância, suspensas. 
O problema é que os projetos incluídos no "pipeline" estão praticamente esgotados.

Partidos sem poder

A centralização de recursos nas mãos do Governo Federal, associada à maior facilidade na formação e manutenção de partidos politicos, promoveu a expansão do "despachantismo", isto é, a eleição de deputados federais como despachantes de interesses comunitários, somados aos despachantes de interesses corporativos.
O deputado despachante é, em geral, um populista com carreira anterior de atendimento direto às necessidades ou problemas da população. É popular, por ser conhecido e admirado na comunidade e populista por transformar a sua aceitação em alavanca para obter e ampliar os votos. 
O seu eleitorado é um ativo pessoal. Dessa forma ele não precisa do partido político, a menos para registro da sua candidatura. É o partido político que precisa dele e dos seus votos, para eleger a sua bancada, em função das regras eleitorais.
O deputado-despachante tem independência e se entrar em choque com a direção partidária, simplesmente, na primeira oportunidade ou janela, muda de partido. 

Um velho político contra a velha política

Jair Bolsonaro fez toda vida política, dentro da "velha política", como despachante de interesses corporativos e comunitários. 
Percebendo o cansaço de grande parte da população com essa velha politica, amplamente contaminada pela corrupção, voltou-se contra ela, assumindo o papel de paladino da extinção desse velha política. Ele foi eleito com quase 58 milhões de votos dos desejosos ou esperançosos por uma nova política. Ele se assume como vencedor e pretende submeter os derrotados aos seus propósitos, em nome do Brasil e de Deus. Mas a velha política, no conjunto, teve tantos ou mais votos diretos que ele, e se considera tão vencedora quanto Bolsonaro. Não se aceita como perdedora, por que também ganharam.
Tem que prestar contas aos seus eleitores, tanto quanto Bolsonaro. Vão votar segundo o que os seus eleitores querem ou gostariam. Podem ser os mesmos, mas não necessariamente, que votaram em Bolsonaro. 
A estratégia de usar a pressão dos seus eleitores para pressionar os de…