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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Confronto entre as alas palacianas

  Após um longo período de trégua, com o desvio das batalhas para outros territórios, a disputa entre a ala militar e a ala ideológica pelo poder de influência sobre o Presidente Bolsonaro, foi retomada com a bomba lançada por Ricardo Salles contra o General Ramos.

A ala ideológica tem a liderança do filho Eduardo Bolsonaro, com o apoio dos irmãos. Controlam o Ministério das Relações Exteriores e o da Educação. Tem a adesão do Ministério da Mulher e a do Meio Ambiente. Não tem nenhum cargos ministerial dentro do Palácio do Planalto, mas como filhos tem acesso direto ao pai e mantém sectários do bolsonarismo em gabinetes de segundo e terceiro escalão. Tem como "ponta de lança" o Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, que está em saída para o TCU.

Aparentemente sem força suficiente, o petardo de Salles contra Ramos teria sido uma reação impulsiva ou a ala ideológica teria percebido um enfraquecimento da ala militar, junto ao Presidente. 

Diante do confronto instalado, Bolsonaro terá que arbitrá-lo, buscando o armistício, ou optar por uma das alas, o que seria caracterizado por demissão ministerial: Salles ou Ramos.

O cenário mais provável é do armistício o que já está em andamento com Ramos não respondendo e um recuo de Salles. Bolsonaro deu manifestações de afago e apoio a ambos. Mais este embate poderá ser superado, mas o confronto potencial continua latente.

Com a eventual reeleição de Trump, o que depende de uma virada, na reta final, a ala ideológica se sentirá fortalecida, podendo avançar no atendimento a Israel para mudar a embaixada brasileira para Jerusalém e apoio de Trump contra a China, afetando o agronegócio. Poderá conseguir a mudança, dentro do Planalto, de alguns Ministros de origem militar, assumindo a hegemonia na influência sobre o Presidente, dentro daquele palácio.

Além da reação do agronegócio, que ainda está predominantemente a favor de Bolsonaro, poderá ter a reação contrária da equipe econômica que vem negociando e tem expectativa de grandes investimentos do mundo árabe e dos chineses no Brasil.

A hegemonia da ala ideológica poderia levar a uma crise nas contas externas, um dos pontos positivos da macroeconomia.

O enfraquecimento da ala militar poderá afetar o apoio das Forças Armadas a Bolsonaro, reduzindo ainda mais a força de pressão da qual se valia para pressionar o Judiciário e o Congresso. No STF dependerá da atuação da sua base de apoio, formado por Toffolli, Gilmar Mendes, agora reforçado por Kássio Marques, em conseguir a adesão segura de mais 3 Ministros, formando a maioria. Não parece viável, a curto prazo. No Congresso dependerá cada vez mais da cooptação, a preços altos, do Centrão.


A vitória da ala militar manteria viva a pressão sobre os outros poderes, embora a perspectiva antidemocrática esteja mais distante de ocorrer. O receio da tentativa, no entanto, remanesce, requerendo que os pro-democracia mantenham se alertas. 

Associada a uma não reeleição de Trump, a ala ideológica se retrairia, mantendo as posições dentro do Governo, mas sem a mesma força. O Brasil não mudaria a Embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, tampouco assumiria uma posição forte contra a China.

Mas a política externa brasileira passaria a dar mais importância às questões geopolíticas e geomilitares do que às ideológicas. 

A principal preocupação seria com as mudanças de poderio militar no mundo e de seu impacto na guerra fria.

A ala militar defende a retomada do desenvolvimento através do aumento de investimentos públicos, em infraestrutura, contrapondo-se à politica fiscalista do Ministério da Economia.

Não tem se oposto à privatização e à abertura do mercado para investimentos externos, mas mantém o receio de que os chineses aproveitem a oportunidade da crise, para "comprar o Brasil" a preços depreciados.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

De desconhecido a notório

 Kássio Nunes Marques sempre fez articulações políticas para ingressar e avançar na carreira jurídica.

Entrou para a magistratura dentro de um lista triplice da Ordem dos Advogados do Brasil para a vaga reservada aos advogados nos tribunais eleitorais e no Tribunal Federal de Recursos.

Para ser incluido na lista tríplice precisa fazer articulações políticas junto à corporação e outras ainda no meio político para ser escolhido. Não basta a idoneidade e o saber jurídico. Não é só por isso que os colegas o escolhem. Precisa de um bom relacionamento e muita conversa: muitos almoços e jantares.

Estar na lista triplice é com os colegas. Ser indicado para o Tribunal é com os políticos. 

Duas das indicações foram feitas durante os governos petistas, com o apoio dos politicos piauienses.  

Com a indicação para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, transfere-se para Brasília, onde estabelece a sua rede de relacionamento político, com vistas a um cargo do Superior Tribunal de Justiça, o degrau acima e, para muitos, o topo da carreira jurídica.  Esse tem uma composição predominante de desembargadores oriundos do TRF 1 do que dos TRF2, com sede em São Paulo. A explicação plausível é que os desembargadores do TRF1, em Brasília, estão mais próximos dos políticos.

Dentro desses relacionamentos,  Kassio Maques teria tomadas muitas tubainas com o seu amigo, deputado federal Jair Bolsonaro. O quanto depois da eleição e posse desse para a Presidência é pouco conhecido. Sendo um desconhecidos, apenas um na multidão, a mídia não se preocupou com a sua eventual presença no Alvorada, provavelmente dentro de um grupo de amigos do Jair, adeptos das tubainas.

Em campanha para um lugar do STJ nunca esteve na lista da mídia, como candidato ao STF, mas sempre foi uma "carta na manga" do Presidente.

Com a resistência aos amigos mais notórios, Jair montou um palco para trazer o novo ator e apresentá-lo ao distinto público. 

Uma parte aplaudiu, outra vaiou. Não era um "terrivelmente evangélico"; trazia um sinal da estrela vermelha e, supostamente, outros defeitos para os bolsonaristas radicais.

A sua emergência é recente, mas o processo da sua indicação é antigo. Com 28 anos na Câmara Federal, embora sempre no baixo clero, Jair Bolsonaro formou uma ampla rede de relacionamentos pessoais. 

Para o público externo o nome é uma surpresa e a mídia busca as origens segundo paradigmas comuns, que nem sempre se aplicam ao surpreendente Jair Bolsonaro. Para ele é apenas um das suas "cartas na manga".

A indicação de Kássio Nunes não é do centrão, que tem como principal líder real, o Senador Cyro Nogueira, do Piaui. Bolsonaro usou para agradar o centrão e conseguir o seu apoio no Senado, onde a sua bancada própria é fraca. 

É uma indicação pessoal, um "amigo de tubaina". 

A mídia mal informada nos leva ou induz a erros. Dessa vez não vimos o que não foi mostrado.

Kássio Nunes não foi indicado para ser "boi pra piranha", como comentamos anteriormente. É a primeira preferência pessoal da Jair Bolsonaro que já esta se empenhando pessoalmente pela sua aceitação e aprovação pelo Senado.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Precisa se viabilizar

 

Jair Bolsonaro ao lançar a indicação de Kássio Nunes ao STF para ocupar a vaga do decano Celso de Mello dá partida visível a uma manobra politica que pode dar certo ou errado.

O seu objetivo não é a designação de Kássio Nunes, mas abrir o espaço para a indicação efetiva de um dos seus preferidos, todos amigos pessoais. 

É a conhecida operação "boi para piranha". 

Bolsonaro deixa o combate "frente à frente" e segue pelos flancos, dando ao indicado a responsabilidade de "se viabilizar". Se a oposição for muito forte, com risco da não aprovação do nome pelo Senado, Bolsonaro "aborta a operação", volta ao começo, argumentando que o indicado não conseguiu se viabilizar e pode lhe dar um prêmio de consolação, na realidade, o que Kassio quer: uma vaga no STJ. 

Com uma primeira vítima, Bolsonaro acha que terá menos resistência para uma indicação de sua preferência pessoal. 


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Cercadinho da verdade

Jair Bolsonaro sempre foi do contra.
Um politico esperto, com bom faro, percebendo e aproveitando as oportunidades. Ainda em 2017 percebeu que poderia liderar um movimento dos "contra" e poderia chegar ao poder, eleito por aqueles. 
Na Presidência continua sendo do contra. Não pode ser em tudo, então se concentra em algumas questões onde pode manifestar a sua posição contra a corrente, com ampla divulgação. 
Sabe melhor que ninguém, manipular a mídia, dentro do seu conceito básico: diferença entre informação e notícia.
Ser a favor da aplicação universal da vacina, contra o coronavirus, contanto o que o Governo vem fazendo é informação, que não dura mais de um dia. No dia seguinte é preciso atualizar a informação. Ser contra é notícia, tem maior repercussão e dura mais tempo. 
Bolsonaro é pessoalmente contra a obrigatoriedade da vacina. Faz parte do grupo minoritário, na sociedade, dos "contra a vacina", um movimento que cresce mundialmente. 
Contido pelos seus assessores, principalmente do grupo militar, controla-se, vestindo a roupa de Presidente do Brasil sério, e não manifesta o seu posicionamento pessoal, submetendo-se às comunicações formais.
Mas quando sai o seu carro, no cercadinho do Alvorada, para conversar com os seus seguidores, sente-se a vontade para expressar os seus "achamentos" pessoais. Diz o que realmente acha, sem peias, esquecendo ou - ao contrário - sabendo que a mídia está lá e irá repercutir a sua fala. 
O Bolsonaro real não é aquele que aparece nas cerimônias oficiais no Palácio do Planalto, lendo discursos preparados pelos seus assessores (ou controladores da sua comunicação), mas o Jair do "cercadinho da verdade".

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Os candidatos bolsonaristas

Os bolsonaristas emergiram em 2018 como um fato novo, mas já não serão novos em 2020. Com base na onda gerada pela candidatura de Jair Bolsonaro, vários "out siders" sairam como candidatos a cargos eletivos, assumindo as bandeiras da anti-política, da defesa da família e da segurança publica e pessoal, essa traduzida no direito às armas e a favor da militarização do Governo, em nome da ordem. Cerca de 60 foram eleitos como deputados federais, tanto pelo PSL, partido alugado por Jair Bolsonaro para poder registrar a sua candidatura,  como por outros partidos. Alguns deles são candidatos a Prefeitos, mesmo tendo abandonado o Presidente, como Joyce Hasselman, mas sem abandonar as suas bandeiras originais. 
Varios bolonaristas vão sair candidatos, defendendo as mesmas bandeiras do seu chefe-mor, atualizadas: armamento da população, como solução para a segurança, defesa de valores familiares tradicionais, a militarização, oposição ao isolamento, como forma de combate à pandemia, defesa do uso da cloroquina para o tratamento da doença. O combate ferrenho à corrupção deixou de ser uma bandeira, depois da saída de Sérgio Moro, do  Governo e tachado pelos bolsonaristas como "traidor".
Em raros casos um candidato bolsonarista alcançará o segundo turno. Em média os bolsonaristas fiéis são de 20 a 25% do eleitorado, com queda em relação aos que levaram Jair Boslonaro à Presidência que foram em torno de um terço do eleitorado. Em 2018, além desses, a total adesão dos antipetistas a Jair Bolsonaro o elegeu à Presidência da República. O  terço que continua apoiando-o foi acrescido pela gratidão dos sem renda agraciados pelo auxilio emergencial. Poucos estão nas grandes cidades e esses, na maioria dos casos acham insuficiente e uma obrigação natural do Governo e poderão ou não votar num candidato que se apresente como bolsonarista. O quarto de eleitores - em média - não será suficiente para serem eleitos, mas poderão infernizar um candidato que defina como inimigo e poderá colaborar para a sua derrota. Os bolsonaristas tendem a fazer uma campanha destrutiva e não propositiva. Serão agressivos e pouco escrupulosos fazendo amplo uso de dados falsos ("fake-news") para desconstruir os inimigos. 
O objetivo deles não é vencer a eleição, mas evitar que um suposto inimigo vença.
Os principais candidatos a inimigo dos bolsonaristas são os Prefeitos atuais que adotaram quarentenas mais rígidas e se opõe ao uso  obrigatório da cloroquina, no tratamento da COVID-19.
Os supostos inimigos dos bolsonaristas precisarão estabelecer estratégias defensivas adequadas aos ataques dos bolsonaristas para mitigar os desgastes. As principais serão de natureza juridica eleitoral, para conter os ataques e ter direito de resposta. O principal foco das batalhas serão as redes sociais. 

Esse fenômeno torna mais evidente a necessidade não só de estratégias propositivas para conquista de eleitores, mas também de estratégias defensivas para não perder votos. 

Há dois outros dados que precisam ser considerados: os candidatos do PSL poderão contar com muitos recursos dos fundos públicos e um dado mais recente que é a repercussão popular do auxílio emergencial.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Estratégias para os candidatos a Prefeito

As estratégias devem ser diferenciadas em função do tamanho do eleitorado e do posicionamento do candidato em relação ao eleitorado.

Este capitulo é dedicado aos Municípios com mais de 200 mil eleitores e grandes cidades com menos de 3 milhões de eleitores. As mega cidades serão objeto de capítulo especial.

Em relação ao posicionamento, a primeira distinção é se o candidato é postulante à reeleição ou é o indicado ou apoiado do Prefeito atual, já reeleito uma vez, e que não pode ser novamente reeleito.

O candidato à reeleição

O candidato à reeleição é personagem conhecida pelos eleitores, o que pode ser uma desvantagem ou vantagem.

A desvantagem está na avaliação da sua gestão, no seu relacionamento político e na sua imagem ética.

A gestão é avaliada em relação ao eleitorado total do Município, pela sua atuação e resultados efetivos no enfrentamento do novocoronavirus.
Em segundo lugar, a sua gestão nas demais atividades da Prefeitura, podendo haver reações distintas por regiões. A população de cada comunidade, de cada bairro, de cada região irá avaliar pelos benefícios que o Prefeito trouxe para as mesmas. 
Os eleitores sabem, por vivência, o que melhorou ou piorou no ambiente em que vivem ou frequentam. Tem informações - falsas ou verdadeiras - do que ele fez para outros ambientes. 

O relacionamento político se refere às relações com os demais partidos ou lideranças políticas locais e regionais, com o Governo do Estado e com o Governo Federal.

A sua imagem ética estará relacionada com a responsabilidade fiscal, a honestidade nas aquisições da Prefeitura e no nepotismo ou aparelhamento da Administração Municipal.

Ação e reação

O Prefeito atual, candidato à reeleição, entrará na campanha em uma das duas posições básicas, perante o eleitorado: tem uma avaliação altamente positiva do eleitorado, indicado por pesquisas quantitativas e qualitativas e se conseguir desmontar ou desfazer as denúncias ou contestações dos adversários, terá a sua reeleição assegurada. 

A estratégia deverá ser proativa no sentido da divulgação dos resultados positivos e da aceitação popular. Deverá ser predominantemente defensiva, para evitar a disseminação e aceitação das notícias, veiculadas pelos seus adversários, para tentar desconstruir a sua imagem.

Deverá evitar a euforia dos seus seguidores do "já ganhou" e prestar atenção aos "outsiders" (novatos) que vem correndo por fora, com "fôlego para a reta final". 

Esses aproveitam o desgaste das brigas dos principais candidatos, para surgir como um elemento novo, renovador, quebrando as disputas tradicionais, sejam as de grupos políticos, como da ainda disputa entre PT e PSDB, nessas grandes cidades.

Formação da base legislativa

O candidato deve cuidar da formação da base legislativa, isto é, na Câmara de Vereadores, para, se reeleito ter boas condições de governança. 

Com a proibição das coligações para as eleições proporcionais, vale dize, para a eleição dos vereadores, uma tendência dos partidos seria lançar candidatos a Prefeito para  ajudar a formação da bancada.

É uma estratégia difícil  e complexa, porque o partido não pode "queimar" um candidato com força eleitoral para ser eleito vereador, colocado-o como candidato, com poucas chances de vitória, para Prefeito.

A alternativa do partido - quando tiver - é lançar o deputado federal, com base na região ou cidade, eventual candidato à Prefeito em 2024. A dificuldade é se esse candidato foi reeleito Prefeito, em 2016, renunciou em 2018 para concorrer para a Assembléia Legislativa do Estado ou para a Câmara Federal e não pode ser candidato a Prefeito em 2020, porque pode ser caracterizado como uma segunda reeleição, o que não é permitido, ainda que não esteja no cargo. 

Para o candidato e partido seria uma estratégia para as eleições municipais de 2024, para avaliar o efetivo potencial do candidato, com uma prévia em 2020.

Já o candidato à reeleição, com boa aceitação, deverá evitar a dispersão dos votos, para vencer ainda no primeiro turno. Para isso teria que articulações com os partidos aliados e apoiar eventuais candidatos a vereadores "bons de votos" desses partidos.

Em todas as articulações contar os números é fundamental, contrapondo-se à tendência tradicional de acreditar somente na intuição. 

terça-feira, 23 de junho de 2020

Impoluto ou corrupto?

Jair Bolsonaro foi eleito com a imagem de um politico honesto sem qualquer vinculo com atos de corrupção, apesar de estar na Câmara dos Deputados por 27 anos. Polêmico e contestado nas questões ideológicas, mas eticamente impoluto
As investigação sobre a prática de "rachadinha"  na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro - ALERJ - envolvendo o então deputado estadual, Flávio Bolsonaro, vieram indicando ligações perigosas de Jair Bolsonaro com figuras relacionados com atos de corrupção manchando a imagem de impoluto.
A demissão de Sérgio Moro, um bastião do combate à corrupção, enfraqueceu a imagem de anti-corrupto.
Nada ainda foi provado, mas as relações ilações tem sido suficientes para enfraquecer o apoio dos militares.
Terá Jair Bolsonaro força pessoal para um contra-ataque e recuperar apoios fundamentais para o seu Governo?

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Dias piores virão

Diz o velho ditado popular que "quem semeia vento, colhe tempestade".
Jair Bolsonaro não se cansou em semear vento, desde que assumiu, mas intensificou no começo de 2020 e agora tem que enfrentar sucessivas tempestades, cada vez mais intensas.
A semana que passou foi de "chuvas e trovoadas", com a prisão de Fabricio Queiroz, saída e fuga de Weintraub, continuidade dos processos no STF, com buscas e apreensões de políticos bolsonaristas, prisão dos líderes dos 300 do Brasil e outros eventos desfavoráveis a Jair Bolsonaro.
Esta semana deverá ser ruim, mas ainda não será a pior. 
A possibilidade da intervenção militar ficou mais complicada, porque só restou a alternativa do uso da força, com as tropas na rua. O que não é consenso dentro das Forças Armadas.
Uma das principais estratégias militares é a reunião de forças tão poderosas que intimida o inimigo, em tentar qualquer reação. É a estratégia da persuasão. 
Os supostos "inimigos" não se intimidaram e seguiram o seu curso. Bolsonaro iniciou uma trégua, mas não se sabe até quando durará diante da sua natureza beligerante. 
As ações do Congresso contra Bolsonaro dependem de novas decisões. Bolsonaro está negociando um troca troca para evitá-las, o que provavelmente conseguirá, mas o dano colateral, junto aos militares, pode ser desastroso. Mobilizar e colocar as tropas nas ruas para defender um Presidente que se associa com o de mais corrupto sobrou na politica brasileira, precisaria de razões patrióticas mais fortes.
Já a sequência de processos no Ministério Público e no Judiciário, acabará alcançando os seus filhos, seja pelo financiamento às ações antidemocráticas, como pelo "gabinete do ódio", principal fonte das fakenews, e o envolvimento com o esquema das rachadinhas, um mecanismo tradicional de corrupção pública. 
Mas a desestabilização emocional de Jair Bolsonaro vai pioriar, com a tempestade das revelações das relações da família, principalmente, do patriarca com as milicias.
A tormenta já está prevista e vai ocorrer. A incerteza é quando?

domingo, 21 de junho de 2020

Chega!!!

"Não teremos outro dia como ontem, chega! Estou com as armas da democracia nas minhas mãos", afirmou o presidente em frente ao Palácio do Alvorada, no dia 28 de maio. "Chegamos no limite", declarou. 
Foi uma reação à decisão do STF autorizando buscas e apreensões em aliados do Presidente, no inquérito sobre "fake news".
O Supremo já estava em franca batalha contra Bolsonaro, usando as armas do direito. Autorizou a divulgação ampla do vídeo da reunião ministerial de abril. Deu sequência ao processo das fake news, barrou a designação de Ramagem e outras decisões que irritaram o Presidente e sua ala militar, que se sentiu ofendida em ter que depor "sob vara".
O STF não se intimidou, seguiu em frente, pisando no acelerador. Autorizou a PF a fazer buscas e apreensões nos domicilios de politicos apoiadores de Bolsonaro. 
Diante de ataques de fogos ... de artificio, mandou prender o autor dos disparos. Autorizou a prisão, pedida pela PGR da liderança do tal 300 do Brasil, que já estava reduzido a 30 ou 50, desarticulando de vez o grupo.
A sociedade civil passou a se manifestar contra Bolsonaro, com dois manifestos: Estamos Juntos pela Democracia, de artistas, intelectuais e algumas lideranças politicas e Basta! firmado por um conjunto de juristas. As torcidas organizadas lideraram manifestações nas ruas disputando os espaços públicos com os movimentos pro-bolsonaro e anti STF, com alguns pedindo a intervenção militar.
Esta semana foi a pior até agora, culminando com 
a prisão de Fabricio Queiroz, que estava hospedado na casa do advogado e amigo de Jair Bolsonaro. 
Com a proximidade do inverno os dias ficam mais frio e ocorrem o dia mais frio, até agora. Logo depois chegam dias ainda mais frios.r.
Assim parece que serão os piores dias de Bolsonaro, que se tornaram cada vez mais frequentes. 
O pior dia do ano de Bolsonaro ainda está por vir.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Quem esticou a corda?


Durante a semana, a ala militar próxima ao Presidente Bolsonaro, avisou e reiterou que levantar a hipótese de golpe era ultrajante às Forças Armadas, mas deixaram uma suposta ameaça: “não estica a corda!”. Não explicaram o que seria “esticar a corda”, tampouco quais seriam as consequências e quem se destinava. Seria um aviso ao STF, eventualmente ao Congresso e aos movimentos de rua pró-democracia. Um aviso contra os supostos ou eventuais vândalos e terroristas. Ou um aviso ao próprio Presidente Bolsonaro?
Os movimentos de rua, menores que as do domingo retrasado, não aceitaram a provocação ou não caíram na armadilha. Fizeram poucos movimentos, com redução do número de participantes e em menor número de cidades. Foram pacíficos, do começo ao fim e sem confrontos com a Polícia Militar. Não houve radicalização, nenhum grupo esticou a corda. Não houve vandalismos ou ações terroristas, com ameaças a prédios públicos ou privados.
Já Jair Bolsonaro incentivou a invasão nos hospitais de campanha, o que é ilegal. São atos terroristas. Médicos, enfermeiros e pacientes ficaram aterrorizados com as invasões. Em alguns casos houve vandalismo, com quebra de equipamentos. Incentivo ao crime, também é transgressão. Provocou a reação de diversos setores da sociedade e de outras autoridades, inclusive do Procurador Geral da República.
Os chamados 300 do Brasil, invadiram a cúpula do Congresso Nacional - área de acesso proibido -  o que é uma contravenção, mas tolerada pelas forças de segurança. Se fosse pela turba do MST seria logo caracterizado como terrorismo.
Passaram a atacar o prédio do STF com fogos ... de artificio. Embora um ataque simbólico é ilegal e grave. Outro ato terrorista. Sob os olhares da PM que nada fez para evitar.
Diante da complacência da PM com o vandalismo e terrorismo, o Governador de Brasília, primeiro desalojou o acampamento dos 300, depois interditou a Praça dos 3 Poderes para a permanência do público. Hoje demitiu um subcomandante da PM que estava no comando dos contingentes da PM, que permitiram o ataque ao STF.

A reação do Presidente do STF desmontou uma suposta conspiração em curso, com a participação do MP do DF que não deu curso às solicitações de prisão de integrantes dos 300, além do apoio, igualmente velado da PM. A ativista Sara Winter, uma das líderes dos 300 estava muito segura de que não seria presa e ficou ameaçando verbalmente o Ministro Alexandre de Moraes. A reação de Toffoli, obrigou o Ministério Público Federal a adotar uma posição mais pronta, resultando na prisão do suspeito de lançar os fogos contra o STF, de Sara Winter e de outros integrantes dos 300, passando por cima do  procurador distrital "engavetador". Se conspiração estava sendo montada, foi desmontada.
E as Forças Armadas? Como vão reagir a esses atos terroristas? Esticaram ou não a corda?

segunda-feira, 8 de junho de 2020

E agora, Governo?

Segundo a Teoria da Conspiração, Jair Bolsonaro montou uma armadilha para criar um ambiente favorável à mobilização e intervenção das Forças Armadas, para garantia da lei e da ordem. 
Mas não deu certo. 

Quando a armadilha começou a ser evidenciada, criou mais um "factoide" para desviar a atenção. Mudou a apresentação dos dados da COVID 19, com declaração expressa de que a fazia para tirá-la do Jornal Nacional.
Não deu certo. Pior, gerou resistências e oposição de onde não esperava. Os Secretários Estaduais de Saúde que são os geradores dos dados básicos. Forneceram os dados para o G1 e o  Jornal Nacional continuou divulgando os números totais e acumulados. Outras entidades, incluindo o Tribunal de Contas da União estão se propondo a dar continuidade à divulgação consolidada e cumulativa dos dados.

No domingo, os seus adeptos atenderam - em parte - o seu pedido: evitaram ir às ruas para confronto com os grupos pró- anti-bolsonaro, foram em número menor, sem faixas anti-democráticas, deixando os eventuais confrontos com as respectivas Polícias Militares. 

Em Brasília e no Rio de Janeiro, as segundas maiores aglomerações das manifestações, não houve confronto. O aparato militar organizado pelos respectivos Governadores ou pelos comandos militares foi poderoso, gerando o "efeito persuasão". As manifestações foram pacíficas do começo ao fim, sem a ação de pequenos grupos ou pessoas radicais, infiltrados ou não, para gerar conturbação.
Em São Paulo as manifestações foram pacíficas, com apenas um incidente, prontamente, contido pelos próprios manifestantes, expulsando um jovem que quebrou a porta de vidro de um banco. Mas depois de terminada a manifestação principal, com a dispersão dos manifestantes um pequeno grupo, supostamente de torcida organizada de time de futebol tentou chegar à Avenida Paulista, onde havia ocorrida a manifestação, com poucas pessoas, a favor de Bolsonaro. 
A Policia Militar montou uma poderosa barreira, com negociados na comissão de frente, o batalhão de choque em seguida e os blindados com equipamentos para jatos d'água como "primeiro carro alegórico". Não foi suficiente para persuadir o grupelho e depois de duas horas de infrutíferas negociações, a PM o dispersou com bombas de gás. 
Como é usual desses grupos recuou, jogando pedras nos soldados, queimando lixeiras, virando caçambas e outros vandalismos. Nada de grande monta que caracterizasse uma quebra da lei e da ordem, que justifique a convocação da Força Nacional e do Exército. A elevada eficácia da Polícia Militar mostrou sem absolutamente desnecessária a intervenção das Forças Armadas, para restabelecer a lei e a ordem.
O Governo queimou - desnecessariamente - duas bombas do seu arsenal, embora o confronto entre os grupos oponentes ou com a Polícia Militar possa vir a ocorrer em domingos próximos. Mas essa probabilidade ficou mais remota.
Com as derrotas, o Governo vai recuar e acordar com os Governadores, ações coordenadas de isolamento e de suas flexibilizações, aceitando que a COVID 19 não é apenas uma "gripezinha", mas uma pandemia?
É também uma probabilidade remota, mas possível. O que não se pode esperar é que o Presidente reconheça o erro e peça desculpas às famílias dos mortos e à sociedade.
Aceitaria uma trégua real com os demais poderes, e se conformaria com o risco de revelação pública do envolvimento de filhos em "mal feitos"? Essa uma probabilidade ainda mais remota. 
E daí?

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Disputa de poder, no Novo Normal

O âmbito da política é o Poder do Estado e a sua disputa. 
Vamos aqui focar o Estado Democrático, como paradigma, isto é, um Estado em que o Poder é exercido por pessoas escolhidas pelo povo, com diferentes metodologias, processos e amplitudes, definidas pelos próprios escolhidos, ou seja, pelos políticos. 
O que caracteriza o político é que ele está ou faz parte do Poder do Estado, ou ambiciona conquistar esse espaço. Pode ser no Poder Executivo, no Poder Legistativo e mesmo no Poder Judiciário, em países em que os Juizes são eleitos popularmente. No Brasil não o são, portanto, em tese, o Judiciário Brasileiro não é uma instituição política.
As instituições políticas são o Poder Executivo e o Poder Legislativo. Políticos são os detentores desses poderes. 
A eles cabem a definição de políticas públicas que são instrumentalizadas, incluindo a alocação de recursos, pela legislação. Envolvem a conjugação de ações e decisões do Executivo e do Legislativo.
As decisões políticas nem sempre decorrem da definição prévia de politicas públicas, mas de respostas a desafios circunstanciais ou de interesses específicos.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Caldo de Cultura

Bolsonaro que vive do confronto, deveria esperar uma reação do outro lado, a reação dos inimigos à sua mobilização popular contra o STF, Congresso, Governadores e outros.
A reação veio de um segmento inteiramente inesperado, tão ou mais violento e truculento que as hostes bolsonaristas: as torcidas organizadas.
Se alguém dissesse que os Gaviões da Fiel estavam se mobilizando contra Bolsonaro, para mim fazia sentido a contestação ao palmeirense  Jair, que anda cotidianamente com a camisa do Palmeiras. Entrariam em choque com os seus tradicionais adversários ou inimigos: a Mancha Verde.
Mas quando essa se junta aos Gaviões, contra Bolsonaro, dizendo ser em nome da defesa da democracia, confesso a dificuldade de entender o que está acontecendo. Mesmo considerando as teorias da conspiração, de estarem sendo financiados por terceiros, essa junção é esquisita, estranha. 
Custa-me aceitar que estão sendo unindo em defesa da democracia e "acenderam o fosforo da reação", já que os tradicionais sampaulinos continuavam em casa, redigindo e difundindo maravilhosos manifestos. Mas quando a Torcida Independente, a torcida organizada do São Paulo se une às duas mais tradicionais torcidas organizadas, "tem caroço nesse angú". 
Fanáticas e violentas torcidas organizadas de times de futebol, se juntando para enfrentar os bolsonaristas, nas ruas vai levar a uma escalada de violência.
Será o que Bolsonaro quer, para justificar a intervenção militar? Seria, então, ele que está promovendo ou estimulando esse movimento e o seu pessoal financiando? Pode ser, mas é pouco provável. 
O mais provável é o caldo de cultura que foi se desenvolvendo dentro dos 70% que não expressam apoio a Bolsonaro. Com pequenas variações Bolsonaro mantém o apoio de cerca de 30% do eleitorado. Esse, em 2018, era de quase 150 milhões de eleitores aptos a votar, segundo o TSE, mais precisamente 146.743.774. Considerando o número arredondado, os 30% corresponderiam a 50 milhões, um pouco menos dos votos que Bolsonaro teve no segundo turno, em 2018. 
Esse nível de 30% de aprovação tem sido mantido ao longo de todo este ano, em que pesem as diversas crises, pelo qual tem passado o Governo: a emergência do coronavirus, ainda em fevereiro, os conflitos externos, com os Governadores e Prefeitos e internos, com o Ministro da Saúde em relação à condução das ações governamentais, resultando na saída sucessiva de dois Ministros, a saída do Ministro Sérgio Moro - o principal símbolo do combate da corrupção - entre as mais importantes. Os seus apoiadores não arredam do seu apoio irrestrito, manifestando-se publicamente, nas redes sociais ou nas ruas e praças públicas. 
Com esse apoio recorrente do "seu povo" Bolsonaro assumiu a hegemonia política. Isto é: ele, com o apoio do seu terço de seguidores domina o resto, que se submete ao poder hegemônico. Fica na defensiva, tentando resistir aos seus avanços. 
Essa submissão da maioria foi ampliando um "caldo de cultura" de reação passando da resistência para a contestação ativa. 
Uma grande parte estava "em cima do muro" avaliando o Governo, como regular, ficando entre ótimo/bom e o ruim/péssimo até dezembro de 2020, segundo o DataFolha.
Em abril, muitas pessoas passaram a assumir uma posição, saindo "de cima do muro", ampliando a avaliação negativa, sem detrimento do ótimo/bom que se manteve em torno de 33%.
No final de maio, houve um descolamento do ruim/péssimo que saltou de 38% para 43% , enquanto a aprovação se manteve nos 33%. A queda ocorreu no regular, caindo para 22%. 
Os tais 70% começaram a reagir, mas formal e educadamente com Manifestos.
Mas o "caldo de cultura" entornou. Grupos radicais percebendo as circunstâncias, a partir dos resultados das pesquisas e achando que a reação estava muito frouxa, tomaram a iniciativa e saíram às ruas, dispostas à briga, como é o seu usual, elevando a temperatura e nível do confronto. 


sexta-feira, 29 de maio de 2020

Ataque contido e certeiro

Ensinam os livros de estratégia de guerra que uma das formas - talvez a melhor - de enfraquecer o inimigo é destruir o seu arsenal de armamentos e munições. Ou os seus equipamentos de guerra (aviões, tanques e outros). 
O Ministro Alexandre de Moraes, diante dos ataques aos Ministros do STF, desferiu um ataque aos arsenais secundários dos seus adversários. Ataque parcial, quase tímido, mas com recado de limitou a investida. Mas se não cessarem os ataques contra o Supremo, irá investir contra o arsenal principal. Esses sentiram o golpe e reagiram furiosamente, mas apenas verbalmente.
Estamos diante de novas guerras, com formato inteiramente diferente das anteriores. As guerras tradicionais eram de destruição física do inimigo, com o desenvolvimento de armamentos cada vez mais sofisticados. 
O coronavirus ataca as pessoas, sem destruição física. Não adiantam os mísseis para combatê-lo. Enquanto não se tiver uma vacina que é a principal arma de defesa, a alternativa é o isolamento social, para reduzir a sua difusão. 
Já na guerra política digital o principal objetivo é destruir reputações. A arma as "fake-news", notícias falsas com o objetivo de desconstruir a imagem do alvo. Parte de uma Central de criação das fake-news, amplos mecanismos de difusão, usando os aplicativos existentes, através de robôs.
Ao apreender os computadores dos suspeitos da produção e disseminação das fake news e dos supostos financiadores recolhe os armamentos. Ao bloquear as contas, contém as munições. Sem essas, os atacantes do STF ficam enfraquecidos e terão que buscar novas alternativas. Já o Supremo ainda guardou muita munição. 
Com muito mais "poder de fogo", desenvolverá uma estratégia de persuasão. Se o inimigo não recuar irá para o confronto. 



terça-feira, 26 de maio de 2020

Bolsonaro e a economia

Jair Bolsonaro não entende, nem quer entender de economia, políticas econômicas, impactos das decisões e ações governamentais na economia, etc. delegando essas decisões e ações quase que inteiramente ao seu Ministro da Economia e parceiro indissolúvel - em função dos seus propósitos - Paulo Guedes. Tem grande afinidade de visão, estruturado em torno da economia liberal. Embora por razões distintas. 
Delega com poucas restrições: interferir na nomeação ou demissão de auxiliares condenados pela "sua turma", sendo o de Marcos Cintra, o mais evidente e atender aos pleitos também da "sua turma", principalmente dos servidores públicos, cujos interesses sempre representou ao longo de toda a sua carreira profissional. Para Guedes esses são os anéis que entrega para salvar os dedos e tudo o mais. 
As suas posições radicais em relação ao combate ao coronavirus, privilegiando o funcionamento da economia, mesmo gerando milhares de mortos, que ele considera danos coleterais, inevitáveis em qualquer guerra, não decorre de fundamentos teóricos da economia, nem das proposições de Paulo Guedes, mas da inspiração do seu mentor explícito, Donald Trump. Mesmo esse tendo abrandado as suas posições, Bolsonaro mantém o radicalismo, por razões pessoais: a necessidade de combater os seus inimigos internos, os Governadores, principalmente os que vê como seus concorrentes em 2022.
A manutenção desse conflito prolonga o tempo de guerra, da paralisia da economia e dos impactos negativos da imagem internacional do Brasil, seja junto aos Governantes dos países mais desenvolvidos - os quais para Bolsonaro são todos inimigos do Brasil - como dos consumidores que querem boicotar produtos oriundos da Amazônia e, principalmente, dos investidores que relutam em aplicar os seus recursos no Brasil.
Sem esses recursos, será difícil concretizar o programa de privatização, desejado por Paulo Guedes, o seu principal pilar para a retomada do funcionamento da economia e do seu crescimento.
Mas Paulo Guedes mantém uma perspectiva otimista, "panglossiana" acreditando que a epidemia será contida antes do final do ano - por razões naturais - que poderá ocorrer a retomada ainda em 2020. 
Está absolutamente convencido, em função das suas idiossincrasias e obsessões, de que em 2021, o Congresso aprovará as reformas estruturais essenciais, como a reforma tributária e a administrativa e que isso fará restabelecer a confiança dos investidores externos. Com isso será possível concretizar as principais privatizações, cujos estudos e trâmites prévios, continuam em andamento. Ainda em 2020 começará a lançar os editais, sendo que alguns poderão se concretizar em 2021, outros ainda no primeiro semestre de 2022. 
Com um ambiente generalizado da economia, retomada da confiança dos agentes econômico e alguns indicadores macroeconômico positivos, tem fé de que o eleitorado brasileiro reelegerá  Jair Bolsonaro e ele, Guedes, terá mais 4 anos para completar a sua pauta liberal e consolidar até 2026, o Brasil, como uma economia liberal.
Com essa visão otimista, não alerta, tampouco pressiona o Presidente, para abrandar o seu radicalismo, dentro da perspectiva de abreviar a reabertura da economia.
Está convicto de que não é necessário, deixando Bolsonaro "livre e solto", na sua guerra contra o isolamento social, imposto pelos seus inimigos Governadores.


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Psicoterapia de grupo

A reunião ministerial de 22 de abril foi uma psicoterapia de grupo, onde foi proposta coisa do tipo, diga o que você realmente pensa ou acha, sem restrições, inclusive de palavreado. Seja verdadeiro.
Jair Bolsonaro abriu com o seu palavreado usual, sem censura e disse entre outras coisas, entremeado de palavrões, que quer armar o povo, para a tê-lo consigo. Qualquer semelhança com Hugo Chávez, aqui já relatada, desde 2018, deve ser mera coincidência. Para os mais antigos, do tempo da II Guerra Mundial, com Mussolini.
A turma olavista tem obsessão com a prisão de autoridades e se manifestaram abertamente. Damares quer prender Governadores e Prefeitos. Weinstraub, os Ministros do Supremo. As prisões desejadas por Ernesto Araujo foram censuradas, por se referir a outros países. 
Ricardo Salles explicitou que quer aproveitar a oportunidade que todos estão voltados para o coronavirus, para passar a sua boiada. O que está fazendo: desmontando a fiscalização, deixando os grileiros e desmatadores agirem soltos. Só que a passagem da boiada é detetada pelos satélites e tem repercussão comercial internacional. Muitos países não querem comprar os bois do Brasil, reais ou imaginários.
Paulo Guedes deixou bem claro que quer privatizar o Banco do Brasil, ou melhor, a "porra" do Banco do Brasil. Quer exterminar as fracas pequenas e médias empresas, desenvolvendo um modelo de grandes e fortes empresas. 
Foi uma ampla sessão verdade, sem meias palavras: com muitos palavrões. 
Foi um "strip-tease" memorável para os bolsonaristas. Vibraram, se excitaram, entraram em orgasmo total. 
Para os demais foi um "show de horror".

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Um verdadeiro líder?

Jair Bolsonaro é um líder, audacioso, com iniciativa levando os seus apoiadores a seguirem-no cegamente e outros por negociação ou intimidação. Ontem um grupo de empresários foi ao Planalto para cobrar o apoio concreto dele a Paulo Guedes não apenas no discurso. Bolsonaro fez mais um "passa moleque": mandou o seu líder na Câmara, Major Vitor Hugo, dizer aos deputados que apoiava a retirada do congelamento dos salários dos funcionários públicos, diversas categorias que compõe a sua base de apoio popular e político, contrariando a posição e a negociação de Paulo Guedes, com o Congresso. Tomou uma "bola nas costas" e convocou o "mercado" para se contrapor à corporação dos servidores. 
O "mercado" foi buscar lã e saiu tosquiado. Bolsonaro aproveitou a presença dos empresários para puxá-los para uma caravana, a pé, ao Supremo Tribunal Federal, para pressionar pela flexibilização do isolamento, embora o seu desejo mesmo seja acabar inteiramente com esse. 
Não tiveram coragem de recusar, até porque conseguiram o que queriam, mas a um preço excessivamente elevado.
Bolsonaro empunha a bandeira da salvação de milhões de empregos e da economia, como um todo, ainda que isso significa mandar para o sacrifício, milhares de pessoas, contaminadas pelo SAR-COV 2. Por que na conta dele, seria a salvação de 10 milhões de trabalhadores que, desempregados, iriam morrer do fome, contra 10.000 mortos pela COVID 19. 
Esses seriam danos colaterais inevitáveis de uma guerra.
São números discutíveis, mas que Bolsonaro usa para manter uma liderança sobre parte da população. 

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O único crime consumado

Sérgio Moro, ao deixar o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, fez um relato público, de ocorrências para justificar a sua saída do Governo. Não denunciou nada, não acusou ninguém. Deixou que os outros encontrassem crimes dentro da sua narrativa. A mídia foi na onda.
O Procurador Geral da República entendeu que havia indícios de crime e solicitou ao STF autorização para investigar os supostos crimes cometido pelo Presidente da República, o que logo foi aprovado O primeiro passo foi um longo depoimento do Ex Minstro à Polícia Federal.
A divulgação pública do resumo do depoimento, mostra que ele tem provas da intenção do Presidente, na prática de um suposto crime, que ele teria evitado, juntamente com a Ala Militar. Quando tomou conhecimento da efetivação da primeira parte da intenção, sem a sua concordância foi a público anunciar a sua saída. Com isso teria evitado incorrer no crime de prevaricação.
A segunda parte da intenção só foi concretizada depois da sua saída e anulada pelo Ministro do Supremo, Alexandre de Moraes.
A intenção de um suposto crime está comprovada, mas não foi consumada, enquanto Moro era Ministro.
O único ato efetivado e comprovado de crime é a publicação de uma copia falsa de um decreto: crime de falsidade ideológica.
Quem praticou o ato? Quem foi o mandante? Se foi o Presidente de República incorreu em crime comum ou crime de responsabilidade?
Em ambos os casos precisa ser denunciado e ter a aprovação de no mínimo 2/3 da Câmara dos Deputados. Dificilmente irá ocorrer.

Não será só Bolsonaro que continuará vivo, mas sangrando. O Brasil todo continuará sangrando, contabilizando sucessivas mortes pelo COVID-19.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Foi pra rua e chamou pra briga

A vida de Jair Bolsonaro, não está fácil. Durante a semana enfrenta disputas políticas em meio a um crescente número de contaminados e mortos pela "gripezinha". No sábado, uma aparente acomodação às circunstâncias prenuncia uma turbulência no domingo, que - em mais um dia radioso - foi pior que o esperado.
Bolsonaro saiu às ruas e chamou os seus inimigos para briga, com apoio da sua torcida organizada, cada vez mais intolerante, fanática e violenta. O público fardado assistiu, dividido. Mais distante, o Ministro da Saúde foi a Manaus conferir, com os seus próprios olhos, se realmente estão mesmo morrendo, aqueles que a Rede Globo e outros estão noticiando.
A semana "vai ser quente" apesar da temperatura climática estar baixando. O número de infectados e de mortos por conta do coronavirus vai continuar subindo. Governadores e Prefeitos que pretendiam abrandar as restrições já estão anunciando a continuidade dessas. Alguns já vão ampliar. O "lockdown" vai chegar a algumas cidades: distantes de Brasília e de São Paulo.
A revolta entre os de maior renda vai aumentar. Os de menor renda já estão acostumados e o auxílio emergencial não só vai conter uma revolta maior, como já está aumentando a aprovação do Governo Federal. O risco não está em fome, falta de abastecimento, mas em eventual ações violentas contra agências da Caixa Econômica.
Bolsonaro vai continuar desafiando o Judiciário e vai perder mais que ganhar, isto é, se conseguir marcar, pelo menos , o "gol de honra", na goleada.
Os "famintos" não são aqueles que os bolsonaristas dizem que vão morrer de fome, por conta do isolamento social. São aqueles do centrão, que estão a "pão e água", desde o início de 2019, e ávidos por uma desforra, avançando sobre cargos federais. Mas uma grande parte está ocupada por oficiais militares que formam a base de apoio de Bolsonaro dentro das Forças Armadas. Desalojá-los pode causar perda de apoio. 
A semana, diversamente do que Jair espera não lhe será favorável, mas conturbado. O menor dos problemas será a pressão para que a Polícia do seu aliado Ibaneis, investigue, identifique e prenda os agressores, das enfermeiras durante a semana e dos jornalistas no domingo. 
Vai ter que inovocar muito Deus, para a que a semana passe rápido e ele possa ir ao ar livre de Brasília, para se encontrar e se confraternizar com o "seu povo", no "findi".  O único que lhe dá alguma alegria.

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Quem vai indicar o sucessor de Celso de Mello?

Jair Bolsonaro faz e desfaz, com total desfaçatez, seguindo unicamente a sua natureza pessoal, o que lhe assegura o apoio de uma fidelíssima parcela da população: em torno de 30% da população adulta, dentro das margens de erro das pesquisas. Representaria algo em torno de 50 milhões de pessoas, pouco acima dos que votaram nele no segundo turno de 2018. Perdeu adeptos, ganhou outros e mantém-se firme dentro desse patamar, enfrentando sucessivos temporais. 
Ele só se importa com esse "seu povo".
A saída de Sérgio Moro, do seu governo, em um divórcio litigioso, pouco afetou a posição dos seguidores da sua seita. Ele continua o Deus todo poderoso dessa. O que ele faz e disser é o certo. A essa não interessa a opinião dos outros. 
Só que, dessa vez, as revelações de Moro, na cena da sua saida, teve repercussões jurídicas.
O Procurador Geral, Augusto Aras, pressionado pela Casa e outras forças, apesar da fidelidade a Bolsonaro que o indicou, foi obrigado a apresentar um pedido de investigação perante o STF. Este, pelo Ministro sorteado, Celso de Mello, já aceitou, autorizando as investigações. 
O passo seguinte é, mediante os resultados das investigações, é de arquivamento do processo por falta de provas, ou a apresentação de denúncia perante o STF. Este a recepcionado, remete
à Câmara dos Deputados.
Se essa admitir a acusação, por dois terços de votos da Casa, será o Presidente da República submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade. 
Em ambos os casos, o Presidente da República ficará suspenso das suas funções, pelo no máximo 120 dias.
Na prática o processo de impeachment do Presidente já foi iniciado, independentemente de Rodrigo Maia ter ou não que aceitar um ou mais dos pedidos, já apresentados. Nesse jogo de sucessivas casas, já foi dada a partida e avançadas as duas primeiras casas.
Enquanto a sociedade fica esperando por eventual decisão de Rodrigo Maia, em relação aos mais de 30 pedidos de impeachment, o jogo já começou, com avanço rápido.
Uma das consequências da eventual suspensão do Presidente, pelo máximo de 120 dias é que se a Câmara dos Deputados, admitir a acusação, a partir de junho, a indicação do novo Ministro do STF, em substituição ao decano Celso de Mello, por aposentadoria compulsória, por completar 75 anos, poderá ser feita pelo Presidente em exercício,  no caso, o Vice-Presidente da República, General Hamilton Mourão.

(atualizado às 16:30 hs)


Lula, meio livre

Lula está jurídica e politicamente livre, mas não como ele e o PT desejam. Ele não está condenado, mas tampouco inocentado. Ele não está jul...