quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cidade sustentável

O que vem a ser uma cidade sustentável?
Os ambientalistas se "apropriaram" da questão e respondem com a redução da emissão de gases estufa, com os índices de cobertura verde, enfim cidade verde seria o equivalente à cidade sustentável.
Descobri ontem uma característica bem mais ampla do que seja um cidade sustentável, conhecendo e percebendo Garanhuns, na entrada do sertão pernambucano.
Garanhuns, caracterizada como a "Suiça do Nordeste", condição que pedeu à muito tempo, agora adotu o lema "a cidade das flores", embora as poucas flores que encontrei form as de alguns jardins públicos.
Uma cidade a ordem de 130 mil habitantes, iniciando um processo de verticalização residencial, predominando as casas, de todos os padrões, incluindo modernas mansões, seria, no meu entender, um exemplo concreto do que seja uma cidade sustentável ou sustentada: é uma cidade que mantém uma dinâmica de crescimento, mesmo tendo perdida a sua principal fonte de renda, no caso o turismo.
Apesar dessa perda, mantém a sua evolução, pela movimentação da renda acumulada, sem entrar em decadência.
O Hotel Tavares & Correa um "hotel-fazenda" dentro da área urbana, onde me hospedei, com boas acomodações no seus chalês, ainda que incompletas para um "velho", porém vazio e com uma série de equipamentos desativados, é o retrato da perda de substância de Garanhuns como o principal polo turístico serrano de Pernambuco.
Ela perdeu essa condição para Gravatá  situada ao largo da mesma BR-232, mas a cerca de 80 kms do Recife e 150 kms mais próximo da capital do que Garanhuns. Considerando as condições reais da rodovia, são cerca de 2 horas a mais, o que faz com que a condição de Garanhuns como polo do turismo de final de semana, irrecuperável. Dezenas de condomínios horizontais, com amplos terrenos, destinados às classes mais altas, estão implantados ou em implantação em Gravatá, além de hoteis e centros comerciais.
Apesar da perda dessa importante fonte de renda externa, a cidade vem sustentando o seu crescimento, provavelmente com o giro do capital e renda acumulada, o proporciona a existência de uma população de média alta renda, que frequenta os bons restaurantes da cidade, ainda que poucos, e consome em lojas de bom padrão, ainda que não as das "griffes" mais conhecidas. Isso leva a indícios de uma evasão da renda local para outras localidades, principalmente para a capital. Um indicador dessa evasão é que os grandes investidores locais, sejam comerciantes, agricultores ou políticos, dividem os seus investimentos, parte na cidade, parte na capital ou em outras localidades. Isso pode levar a uma percepção negativa, mas o lado positivo é que eles ainda investem na cidade, apesar da perda de dinamismo.
Outro sintoma da permanência ou existencia de uma classe rica em Garanhuns é o parque público, onde fui andar logo pela manhã. Esse parque onde foi implantada uma pista de cooper, e seria o "Parque Ibirapuera" da cidade, às 7 hs da manhã tinha sua área de estacionamento tomada por carros importados ou de nacionais "de luxo" (assim considerados os de valor superior a R$ 60 mi). Os empresários locais fazem os seus exercicios a essa hora acompanhando os "da melhor idade" que são a maioria dos caminhantes.
Essa é outra característica significativa da cidade: é uma cidade boa para os "velhos" e pode ser uma das principais alternativas para aqueles que se aposentam e querem sair da cidade grande e "respirar ares mais saudáveis". Pode não parecer, porém pela quantidade pode ser um importante fonte de renda para a cidade que já tem um ampla rede de farmácias,  indicando que esse processo já está em andamento, ainda não de forma significativa.

Garanhuns seria o exemplo da cidade sustentável: a cidade que sustenta o seu crescimento, mediante a multiplicação da sua renda interna, a partir de um capital acumulado gerado por uma fonte de renda externa, perdida: segue o seu crescimento por inércia.

Esse processo, porém, tem o seu lado negativo: contém a ascensão social dos mais pobres que tem menores possibilidade de ascensão econômica-social.
A percepção visual da cidade, sem base estatística que irei verificar posteriormente, mostra um grande volume de moradias pobres, convivendo com vários novos conjuntos habitacionais do "Minha Casa, Minha Vida".

O principal potencial de Garanhuns, o que alguns caracterizam, ainda que inadequadamente como vocação é a recepção da "terceira idade". Diante do envelhecimento da população torna-se, também, uma grande oportunidade econômica.

A cidade ainda tem tempo para se preparar.

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