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Versão fantasiosa da Teoria da Conspiração

Comentários e análises sobre o "surpreendente" movimento estratégico de Marina Silva, ao "calor dos acontecimentos", me levam a uma versão fantasiosa, inspirada na Teoria da Conspiração. Tudo o que é mostrado não corresponde à realidade, quando se trata de movimentos estratégicos.
Está dentro do lema deste blog: "ver o que não foi mostrado, ler o que não foi escrito, ouvir o que não foi dito".
Nenhum grande movimento seria casual, acidental, mas pensado, preparado e adotado num momento crucial, quando nem o inimigo, tampouco os aliados esperam.
A grande dúvida sore o que realmente aconteceu é sempre em relação às supostas incompetências.
Marina e seus seguidores teriam sido mesmo incompetentes em não conseguir angariar o número suficiente de assinaturas de apoiamento para registrar o partido.
Com cerca de 20 milhões de votos, em 2010, por que Marina não conseguiu pelo menos um milhão de assinaturas?
Segundo alguns dos seus seguidores não era preciso. Considerando que a movimentação foi voluntária, sem grandes custos, como ocorreu com os dois outros que conseguiram o registro, ela mesmo parou a campanha quando alcançou pouco mais de 500 mil. Quando começaram os primeiros obstáculos, com a demora ou negativa dos cartórios, porque ela não entrou com contestações judiciais, exigência de transparência, ou a remobilização para angariar mais assinaturas.
De novo, a mesma argumentação: por soberba,autossuficiente e teimosia. Ou o excesso de autovalorização que levaria à certeza de que não teriam coragem de barrar a criação da Rede de Sustentabilidade.

Para os seus seguidores o importante era ela concorrer à Presidência, com alguma chance de vitória.
Para ela, do ponto de vista pessoal, seria impedir a continuidade do PT no Poder.
Quaisquer que sejam ou fossem as suas razões, o que estaria no centro do seu cérebro e do seu coração seria o seu papel histórico de contribuir para uma permanência - nefasta, no ponto de vista dela - do PT. 
Então objetivo principal não seria conquistar a Presidência, mas derrotar Dilma. Evitar a sua reeleição.
Como? Plano A ou (M): conseguir o registro da Rede, sair candidata e levar a eleição para o segundo turno, quando então apoiaria um dos concorrentes à Dilma, que no quadro atual teria assegurada a participação nessa fase?
O Plano Marina tinha um ponto fraco: uma parte dos seus eleitores são oriundos do PT e num segundo turno votariam em Dilma e não em quem ela indicasse. A sua tendência seria como em 2010 ficar neutra e Dilma e o PT continuariam no Poder. O que contraria os seus objetivos.
Ao perceber as manobras de Lula para inviabilizar o registro da Rede, começou a montar o plano C de Campos.
Não cuidar de mais assinaturas, não contestar os cartórios, mas manter se numa luta baseada em sonhos, transmitindo à sociedade e aos políticos de que ela acreditava numa solução acima da lei.
Segundo uma interpretação dita "maquiavélica", passar por injustiçada, por vítima, dá mais repercussão do que seguir o curso normal.
E ela preferiu a alternativa de ser a grande vítima das articulações petistas. Foi o que aconteceu.
Aparecendo como grande vitima das perseguições do PT podia evitar que parte dos seus eleitores retornassem ao PT, dada profunda idiossincrasias petistas em relação aos tucanos. Promoveu, entre os seus seguidores uma idiossincrasia contra o PT.
Esperava-se o Plano "B" que ela sempre desmentiu a existência ou cogitação. Não estava faltando à verdade. Nunca existiu um Plano B, mas sim um plano "C".
E quando todos esperavam que ela se filiasse a um outro partido, para continuar como candidata ou "sair do jogo", ela lançou o Plano C, como a melhor forma de alcançar o seu objetivo de impedir a continuidade do PT.
Não teria sido circunstancial, mas pensado isoladamente, como é usual das figuras notáveis da história.
Provavelmente, nem ela esperava tamanha repercussão, que, mesmo esperada, teria superada amplamente a expectativa. 
Isto aqui é uma versão fantasiosa apenas por achar que incompetência não se encaixa no enredo.
Mas como comentou meu amigo Marco Antonio Rocha "soberba e excesso de auto valorização se encaixam".
Se foi um "genial lance casual, dificilmente outro ocorrerá. 
Mas se foi um lance estratégico bem preparado, Marina Silva terá que seguir caminhos profissionais e se preparar bem, como uma grande e perigosa estratega.  Os "inimigos" não lhe darão trégua.
Esses ainda acham que foi um "grande lance de sorte". E se fiarão numa lenda que não corresponde à verdade: "um raio não cai duas vezes no mesmo lugar".

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