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Mais x menos automóveis


Os movimentos urbanos, anticarro se movimentam contra o o aumento da frota em circulação nas cidades, criticando as políticas do Governo Federal, de estímulo à produção e à compra financiada de automóveis.
Apontam esse aumento como o principal responsável pelo aumento dos congestionamento e fazem previsões catastrofistas como "a cidade vai parar". Alguns são mais radicais e, presos nos congestionamentos,  dizem: não vai, já parou.
De outro lado a indústria automobilística, acreditando na política federal e na dinâmica do mercado brasileiro já estão investindo fortemente no aumento da capacidade de produção.
Matéria publicada no Jornal "O Valor Econômico" no dia 8 de agosto de 2013, refletindo um estudo da Roland Berger Strategy Consultants indica para 2017 um aumento da capacidade produtiva da Indústria Brasileira de carros e comerciais leves de 6,8 milhões de unidades ano, 2,3 milhões acima da capacidade atual. As vendas internas passariam, dentro do cenário otimista, de 3,8 milhões atuais para 5,8 milhões em 2017. No cenário pessimista, partindo de 3,6 milhões chegaria, em 2017, a 4,4 milhões no ano.
As exportações seriam pequenas (0,7 milhões), mas as importações também já seriam menores, com a substituição de importações das novas marcas bem sucedidas no país, como a Hyundai, Cherry e JAC. Também as marcas de luxo, como a BMW, Mercedes-Benz e Audi, ainda que em pequena escala, passariam a produzir no Brasil, em função da diferenciação fiscal.
Essa produção irá movimentar uma grande cadeia produtiva nacional e internacional, com geração de milhares de empregos, cuja remuneração irá multiplicar o consumo.
O mercado brasileiro será o 4º maior mercado mundial, abaixo apenas da China, dos EUA, e do Japão, ficando na frente da Alemanha, Índia e todos os demais.
Um enfraquecimento do mercado brasileiro, não terá apenas impacto sobre o mercado de trabalho nacional, mas poderá abalar outros mercados mundiais supridores de autopeças e insumos para a cadeia automobilística.
Cidades que tem fábricas na sua região metropolitana, como Curitiba, São Paulo e mesmo Porto Alegre terão que enfrentar um conflito entre: mais carros e mais congestionamentos ou menos carros e mais desempregados.
As cidades e a economia brasileira terão alternativas para oferecer emprego aos metalúrgicos que perderem emprego pela contenção da produção da indústria automobilística?
Não desconsiderando o fato de que os metalúrgicos são as principais bases das duas maiores centrais sindicais: a CUT e a Força Sindical, agora com um braço político institucionalizado com o registro do Solidariedade, com partido. Esses dois estão ainda em disputa com sindicatos menores ligados a partidos de esquerda mais radicais, como o PSTU, PCO e outros que estão arrebanhando os sindicalistas descontentes com as supostas  politicas de acomodação e "chapa branca" das centrais maiores.
Os principais defensores da sustentação da produção da indústria automobilística são os sindicatos dos trabalhadores, com a sua força politico-eleitoral dando apoio às solicitações da indústria por benefícios fiscais e facilidades de financiamento para a compra de carros.
As questões estratégicas nunca são lineares, mas envolvem sempre embates entre forças contrárias ou, no mínimo, divergentes.




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