quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pensar o Brasil

Pensar o Brasil. Ter um projeto nacional é necessário.
Há um razoável consenso em torno dessa necessidade, mas falta quem se disponha a se dedicar, persistentemente, a essa tarefa de "Pensar o Brasil". 
O Governo Federal que teria recursos para reunir "grandes cabeças" tentou, através da Secretaria de Assuntos Estratégicos, mas não levou à frente, limitando o seu trabalho a temas pontuais.
As Universidades não conseguem reunir as "suas cabeças pensantes" porque essas estariam sempre em disputa por aparecerem e brilharem.
Instituições privadas não conseguem essa reunião, seja por falta de recursos, como por falta de motivação - por não conseguir a repercussão desejada. 
Enfim todos concordam mas ninguém faz. 

Duas questões estão entre os principais impeditivos: o primeiro é o viés ideológico: será um projeto de direita ou de esquerda? Quais seriam as diferenças fundamentais entre um e outro. Mas o problema é quem propõe. Se um lado propõe o outro é contra. Por princípio e sem discussões. 
Outra é a perspectiva, onde há duas colocações básicas: uma é a perspectiva utópica, sintetizada na frase "O Brasil que Queremos".
Ao pensar o Brasil do futuro temos que sonhar, temos que ser mais ousados, o que uma visão pragmática tolhe, e definir objetivos e metas audaciosas, de tal forma que a sociedade toda se mobilize para alcançá-la. 
A outra é a perspectiva estratégica, de caráter mais pragmática, deixando de lado as utopias e focando as oportunidades e como gerir as condições para aproveitar essas oportunidades.
O que seria um "Projeto Nacional Estratégico" em contraposição a um "Projeto Nacional Utópico"?
O projeto utópico parte da definição de onde queremos chegar, qual é a visão desejada para o país, num momento futuro. Parte da assertiva de Alice no país das maravilhas  "se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve". 
O projeto estratégico parte do seus potenciais dentro do cenário mundial, avaliando as oportunidades e riscos, dentro de uma perspectiva difusa de busca do desenvolvimento e que queremos melhorar sempre e a frase síntese é outra: "el camino se hace, al andar", tirado de um poema de Antonio Machado, um poeta espanhol pouco conhecido mas que teve a sua frase difundida mundialmente pela literatura gerencial.
O maior potencial brasileiro atual é o seu agronegócio. O aproveitamento do seu extenso território fértil ou fertilizável, juntamente com a introdução de tecnologia em todas as dimensões, colocando os seus produtos em todo o mundo, principalmente a soja e as carnes.
Um caminho para o desenvolvimento seria alavancar o crescimento econômico a partir dessa base, ainda competitiva mundialmente.
Apesar dessa condição, ainda é um caminho muito contestado por dois segmentos significativos da sociedade. Os "industrialistas" que no passado conseguiram vencer o projeto nacional baseado na exportação de produtos primários, que prevaleceu por sucessivos anos, para estabelecer a industrialização do Brasil. Esse modelo de grande sucesso se esgotou, não se renovou diante das transformações mundiais e hoje não é mais a principal sustentação do crescimento econômico brasileiro.
Os "industrialistas" defendem que o foco de um projeto nacional deve ser a atualização tecnológica industrial, baseada na inovação e que o agro-negocio, um setor "mais atrasado" não tem capacidade de sustentação para um desenvolvimento continuado.
Um projeto nacional baseado no agro-negócio seria um "retorno ao passado", sem perspectivas de longo prazo, mantendo o país como um pais menos desenvolvido e dependente dos países mais desenvolvidos, ou atualmente da China, que ainda é um pais emergente como o Brasil, mas que teria um crescimento sustentável, baseada na industrialização moderna, de baixo custo, com apoio tecnológico, porém ainda dependente de imensa mão-de-obra de baixa remuneração.
De outra parte, o projeto baseado no agronegócio é contestado pelos ambientalista porque a sua expansão se faz pelo avanço sobre um ambiente natural que deveria ser preservado. O agro-negócio, mais a carne do que a soja, seria o principal responsável pelos elevados índices de desmatamento na Amazônia, assim como no cerrado.
O Brasil não só estaria produzindo mais produtos exportáveis, mas também grande desertos. Segundo os mais catastrofistas o Brasil do futuro seria um enorme deserto, com graves implicações ambientais e sociais: voltaria a fome, pela improdutividade das terras gastas e exploradas intensa e inadequadamente.
O agronegócio, adicionado ao setor florestal, ainda é combatido pelos "movimentos sociais rurais" que o acusam de tirar a terra disponível para a produção de alimentos humanos básicos, para focar na produção de bens para animais. Os mais pobres estariam passando fome, à margem das grandes propriedades, supridoras das fábricas de celulose.
Esses movimentos tiveram o auge durante o Governo Lula, que lhes deu um grande apoio, mas arrefeceram por conta dos fracassos na produção dos alimentos básicos a que se propuseram, nos seus assentamentos, levando à perda de apoio governamental. 

(Vamos tentar nos dedicar, nos próximos dias, a desenvolver as alternativas de Projeto Nacional, segundo a perspectiva estratégica, começando com o alavancado pelo agronegócio).







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