Pular para o conteúdo principal

Novayorkina e novayorkistas

Tenho uma filha novayorkina e outra novayorkista. A primeira mora em Nova York, mas por ser casada com um professor da NYU vive em Greenwich Village em condições diferenciadas para o seu padrão de vida. Por exemplo cozinha em casa, embora nem sempre. 
Durante vários anos viveram sem carro até que conseguiram comprar uma casa em Woodstock para os fins de semana. Uma bela e confortável casa bem mais espaçosa que o apartamento de quarto e sala (ainda que grandes) onde moram. 
Ai tiveram que comprar um carro que só usam para as viagens. Durante a semana fica parado na garagem do prédio. Não contribuem para o congestionamento, exceto na sexta-feira.
Esse é um padrão que está se repetindo em São Paulo, porém com a inversão de ordem. As pessoas foram para mais distante, buscando melhores condições de moradia, em Cotia / Granja Viana, Embu, Itapecerica da Serra onde foram oferecidos loteamentos de alto padrão e diante das dificuldades de trânsito nas rodovias, optam por ficar na cidade durante a semana.
Uma das características é que só dormem no apartamento, sem cozinhar, sem lavar roupa e outros afazeres domésticos. Comem fora, usam serviços externos e tem empregada doméstica para as arrumações da casa.
A minha outra filha mora em Moema, com um relacionamento sério, num padrão novayorkino e poderia dispensar o carro. mas precisa dele para os fins de semana, quando vai a Santos, onde o parceiro tem família.
Mas já que tem o carro o usa em São Paulo, até porque para o local de trabalho, na Berrini,  não tem transporte coletivo, ou se tem, nem sabe qual é a linha do ônibus.
A opção do ônibus nem é cogitada pelos "novayorkistas".
Poderá tê-lo com as novas linhas metroviárias em construção.
Para viver bem numa cidade compacta teria que mudar de residência, ou do local de trabalho, ou ambos.
Sem isso continua sendo uma usuária de carro, enfrentando os congestionamentos e requerendo, pelo menos duas vagas: uma na origem e outro no destino.



Comentários

  1. É exatamente assim que acontece. A maioria dos prédios em New York, construídos até 1973, quando lá vivi, não tem garagem para carro. O sistema de transporte público centrado em linhas de metro sob as avenidas e de ônibus nas ruas é bastante farto, o que torna o carro dispensável.
    Sem um número de ruas e avenidas suficientes, sem um sistema adequado de transporte público, o paulistano se vê sem alternativa, a não ser a de utilizar seu próprio veículo.
    Certamente, é o alto valor do imposto cobrado sobre os produtos ligados à utilização dos automóveis, e a necessidade de manter os postos de trabalho, que impedem aos vários níveis de governo estimular a utilização de motos, o que aliviaria, e muito, o número de pontos de estrangulamento do transito na cidade de São Paulo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Alberto, obrigado pelos seus comentários e confirmação das minhas percepções.
      Querer "novayorkizar" São Paulo, eliminando as garagens, sem um adequado sistema de transporte coletivo vai manter a degradação do centro histórico e os outros centros não vão prosperar.
      Abs

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representand…