Pular para o conteúdo principal

Redução dos juros básicos e os empregos

O Banco Central fez uma redução da taxa de juros básica, desejada pelo mercado, mas não esperada. As Centrais Sindicais querem mais, mas é uma sinalização importante, dentro da expectativa de melhoria da economia e dos empregos.

A persistência da inflação decorre da estratégia dos agentes produtores de 'recomposição de margens'. 

Essa estratégia empresarial - o que corresponde a movimentos microeconomicos - desfoca os produtos que estão perdendo vendas para se concentrar em produtos voltados para um patamar de renda superior. Em termos simplistas busca migrar de um mercado popular para um mercado de elite. 

Enquanto o Governo, os macroeconomistas influenciando a sociedade através do noticiário da midia se preocupam com os 12 milhões de desempregados, o empresário se volta para os 98 milhões ainda ocupados, com renda e ainda importantes consumidores.

As tentativas de recomposição das margens empresariais, contiveram a redução da inflação, alimentando a continuidade e aprofundamento da recessão. Um volume maior de insucessos do que de sucessos fez com que prevalecesse a tradicional teoria econômica, de redução dos preços diante do enfraquecimento da demanda. Com isso a inflação recuou ficando dentro da meta. O que teria justificada a redução de 0,75 pts na taxa SELIC.

A ameaça permanece. Com a melhoria da demanda não faltarão empresários e executivos dispostos a recompor as margens, no mais curto prazo possível. E os trabalhadores começarão campanhas para recuperação das perdas. 

Os sindicatos dos trabalhadores tem compromisso com a sua base; não com a macroeconomia. Vão lutar pela recuperação das perdas salariais dos empregados que remanescerem. 

Já as Centrais Sindicais tem maior compromisso com a macroeconomia, tendo que avaliar os impactos mais gerais das ações individuais dos seus associados.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cisma no clube da luluzinha

Em todas as grandes (e mesmo médias) empresas dominadas pelos executivos homens, as mulheres que alcançam os postos gerenciais tendem a se relacionar entre si, formar grupos entre elas seja para trocar conversas sobre as famílias, como sobre os demais gerentes e sobre o que ocorre ou acham que ocorre na empresa. Formam uma espécie de clube da luluzinha, em contraposição aos diversos clubes dos bolinhas, que se formam em muito maior número. 

Dentro da Petrobras, uma grande empresa com as características acima citadas, com o corpo gerencial e diretivo com predominância de homens, é natural que as poucas gerentes mulheres formassem o "clube da luluzinha". Duas se destacaram e subiram aos altos postos gerenciais: Maria das Graças Foster e Venina Velosa da Fonseca. Esta última preocupada com o rumos de operações "heterodoxas" buscou apoio na colega, contando-lhe das suas preocupações e suspeitas. Ela era a confidente a quem tratou das questões de forma cifradas. Colocou …

Políticas econômicas horizontais e verticais

As políticas públicas verticais focam partes ou setores específicos da economia, tendo como objetivo desenvolvê-los, mediantes estímulos e benefícios fiscais. São caracterizados como políticas industriais. Na realidade são políticas setoriais. A denominação industrial vem da tradução de "industry" que equivale a setor e não à indústria. É a política preferida dos estruturalistas ou agora heterodoxos, porque se tornaram minoria, contra  o domínio dos monetaristas. 

Esses defendem as chamadas políticas horizontais, com mecanismo de aplicação genérica, deixando ao mercado utilizar melhor tais condições.

Um caso típico é a política tributária. Os ortodoxos pregam formas de tributação genérica, aplicável igualmente a todos os setores da economia, com as mesmas alíquotas e regras. Pode haver diferenciação por faixas de valor, mas não por setores.

Já os estruturalistas querem a aplicação de condições diferenciadas para os setores que o Estado deseja promover e desenvolver. Essa difere…

Transformar a produção agrícola em alimentos para o mundo

A agropecuária brasileira é - sem dúvida - uma pujança, ainda pouco reconhecida pela "cultura urbana". Com um grande potencial de desenvolvimento, diante do crescimento da demanda por alimentos pelo mundo, tem feito um grande esforço de marketing para ser reconhecido. Conta com o apoio da Rede Globo que tem feito uma persistente campanha na televisão sobre "Agro é tech, agro é pop, agro é tudo". Contestada nas redes sociais onde os "ambientalistas" dominam.

A idéia ou lema do "Brasil celeiro do mundo", sintetiza a posição da agropecuária, que acaba tendo uma resistência inconsciente por parte da sociedade urbana que não quer ser dominada pelo campo. 

Do ponto de vista macro econômico a contribuição da agropecuária para o PIB é pequena, por que está no início da cadeia produtiva. Somando o restante dessa cadeia a participação é estimada em cerca de 20%. Mas ai, a agropecuária representa apenas 25% do PIB do agronegócio, com a indústria representand…