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A conciliação possível e a impossível

O Brasil saiu das eleições do segundo turno para a Presidência, com uma grande divisão estatística. Cpm uma inegável vantagem para Dilma Rousseff e para o PT, contra Aécio Neves e o PSDB.

Pretende-se e deseja-se uma conciliação desses supostos dois Brasis, em benefício de todos. Esses dois não conversam entre si, por diversas distâncias: ideológicas, visão de mundo, problemas reais que enfrentam, diferenças sociais e econômicas, distâncias, etc. E teriam como representantes apenas os candidatos, ainda que circunstanciais e temporários. 

Dilma tem uma representação mais consistente, do projeto que atende à maioria dos seus eleitores e que mudou a configuração social do Brasil. E acusou o adversário de querer abandonar o seu projeto, de um Brasil socialmente mais justo.

Os eleitores de Aécio e ele próprio, não representam um projeto alternativo. Ao longo da campanha até aceitou mantê-lo, aperfeiçoa-lo e até melhora-lo.

A sua oposição está no projeto de poder, que se utiliza do projeto social, para se manter no poder. E associada à corrupção, principal instrumento para financiar esse projeto de poder.

Dilma já ao longo da campanha, buscou se dissociar do projeto da corrupção, e vem prometendo reiteradamente fazer a faxina que não conseguiu completar no primeiro mandato, "doa a quem doer". Vai doer muito mais nos companheiros e aliados do que nos adversários.

Provavelmente, acredita que sem se desvincular do projeto de poder, suportado pela corrupção, corre o risco de não poder sustentar o seu projeto nacional.

Dai a sua proposta de conciliação e união ter dificuldades que não são entre os 50 e poucos milhões de um lado e de outro. Grande parte dos 51 milhões de eleitores de Aécio acabarão aceitando o projeto de Dilma, enquanto boas intenções, e livres da sua parte podre.

Mas a torcida organizada dos tucanos não aceitará jamais. E estará sempre em confronto com a torcida organizada dos petistas. Torcidas organizadas adversárias são irreconciliáveis. Mas são uma minoria. É preciso evitar os confrontos diretos, porque faz vítimas pessoais, alguma fatais, mas  são sempre brigas localizadas, apesar da repercussão na mídia e na opinião publicada.

Não adianta perder tempo com elas, mas as lideranças dos clubes, vão influir no acirramento ou não dos ânimos. 

Conseguirá Dilma, com os acenos de pacificação, esfriar os ânimos dos tucanos, agora dispostos a uma oposição ativa? Segundo alguns líderes, aguerrida, semelhante ao que seria do PT se tivesse perdido às eleições.

Mas a oposição precisará ter cuidado com os seus posicionamentos. Se for contra o projeto social de Dilma, como quer a sua torcida organizada e os mais radicais, baseados em preconceitos e incompreensão da realidade, tenderá a perder mais apoio do que ganhar. 

Para ganhar parte dos eleitores que, em 2014, votaram em Dilma, os tucanos não podem ser contra o projeto social, mas sair na frente, propondo o passo seguinte para os beneficiados, de forma mais consistente e viável do que o PT irá oferecer. Tem uma vantagem, porque a visão petista é dominada por uma ideologia e visão que não atende às aspirações desse eleitorado.

Visto dessa forma, a conciliação em torno do projeto social será mais fácil, com diferenças de "detalhes" e de tempo. Mas a oposição não poderá nem terá como abrandar a critica e as ações contra a corrupção que grassou e ainda grassa o Governo petista e o Congresso dominado pela base aliada. 

E Dilma e o PT acusarão a oposição de querer destruir o projeto social. Tentarão distorcer veiculando que a oposição ao projeto de Poder é ao projeto social.  Por que só o PT tem um projeto social consistente e é capaz de implantar e sustentar.

Se o PT insistir em se adonar do projeto social, não aceitando a participação dos demais, não há diálogo possível.

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