Alternativas para o centro radical (2)

Uma condição prévia para a formulação e discussão de diretrizes ou programa partidário, é que essas sejam aprovadas pela população.
Não pode se limitar a formulações teóricas, mas precisam ser submetidas à validação popular e isso deverá ocorrer, proximamente, em dois momentos: nas eleições municipais de 2020 e eleição geral de 2022. O mais importante é o segundo, mas 2020 deverá ser uma prévia, para correção de eventuais erros. 
De um lado, como meio entre duas pontas, as suas posições serão reativas, intermediárias ente as posições radicais. De outro lado deverá ser proativo, em relação a questões em que as pontas não tenham posições bem definidas.
Em duas questões básicas as pontas teriam posições opostas bem definidas: em relação à participação do Estado como produtor econômico, o PT defende uma ampla participação do Estado, mantendo o quadro atual de estatais, enquanto a "turma de Bolsonaro" defende o máximo de desestatização. 
A posição intermediária é de uma desestatização, mas com a permanência do Estado em algumas atividades, consideradas estratégicas. 
Esse termo é abrangente e utilizado para a defesa de teses, mas sem uma justificação clara das razões estratégicas. 
Para a defesa da desestatização, os argumentos são mais objetivos: gestão ineficiente, com interferências políticas, algumas altamente deficitárias; perda de relevância ou do papel de "braço do Governo".
Uma das justificativas "estratégicas" é que a empresa estatal específica é rentável, não recebe subsídios diretos e ainda contribui com recursos a favor do Tesouro. Ainda que um argumento relevante não é de natureza estratégica.
Uma das primeiras razões estratégicas está o papel da Estatal na defesa da soberania nacional. Seria o caso da Petrobras para assegurar o suprimento nacional  e continuado de combustíveis o que poderia ser comprometido por decisões de gestão de empresas privadas de capital externo, sem vinculações com os interesses nacionais e voltados apenas para os seus interesses econômicos.
A garantia de suprimento é uma das razões usualmente adotadas para defender o ingresso ou manutenção do Estado, na atividade produtiva.
Ademais, esse argumento nem sempre é racional, mas predominantemente emocional e com manifestações para encobrir interesses corporativos. 
Esses fundamentam, em grande parte, as posições da esquerda, para a qual todas as estatais exercem papel estratégico, com argumentações diversas, mas ao final segundo a "apelação" final: é estratégico por que é. Ou melhor "é estratégico porque queremos que seja pt."
Do outro lado, nada é estratégico, e tudo poderia ser privatizado. Só não seria porque depende de aprovação do Congresso e os interesses políticos impedem. 
A posição do meio seria de uma ampla privatização das estatais e mesmo de serviços públicos adminstrados diretamente, mantendo o que seria efetivamente estratégico.
A razão principal seria a essencialidade dos produtos, cuja exploração não interessa ao setor privado, por não ser rentável. E a falta do produto (bem ou serviço) acarretaria um colapso no funcionamento da sociedade. Significa que a sociedade não teria outra opção por ser um monopolio natural. Seria, por exemplo, o caso do suprimento de água potável nas cidades. 
Embora a água seja um elemento natural e possa ser captada diretamente pelo usuário, seja em cursos d'água ou pela coleta da água da chuva, essas poderiam estar contaminadas, requerendo um tratamento para se tornarem potáveis. 
A posição política do centro seria, neste tema, a de minimização da participação direta do Estado em atividades produtivas, mantendo apenas aquelas para as quais não haveria alternativas (monopolio natural) e não haveria interesse privado, por não serem lucrativas. 
Uma segunda grande dimensão está na amplitude dos meios de combate à corrupção.

(cont)

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