Culpa da engenharia ? (4)

A barragem do córrego do feijão, em Brumadinho - MG, pode ter apresentado sintomas, que não foram percebidos ou percebidos e desprezados.
Se o monitoramento fosse feito à distância, pelos engenheiros presos, sediados em Belo Horizonte e São Paulo, seria possível. Mas os responsáveis estavam logo à montante da barragem e sob o maior risco pessoal. Que, infelizmente, ocorreu e foram soterrados, no primeiro momento. Percebendo algum sintoma não só teriam comunicado, como estaria em estado de alerta. Isso porque 3 anos atrás ocorreu o colapso de uma barragem semelhante, muitas vezes maior, em Mariana. 
Estavam muito confiantes, tanto que almoçavam no refeitório logo à montante da barragem,  ou não haviam percebido qualquer sintoma, até um dia atrás do ocorrido. No dia teriam mandado uma equipe fazer a inspeção.
Se não havia sintomas a engenharia precisa dar duas respostas:

  1. como é possível ocorrer um colapso, sem apresentar qualquer sintoma?
  2. como é possível detectar o processo de liquefação e outras capazes causadores de colapso em barragens? Quais são as tecnologias disponíveis e quais são a "ideia de valores"?
Se há registros mundiais, embora raros, de colapsos de barragens, sem apresentação prévia de sintomas e a engenharia for capaz de explicar como isso pode ocorrer, a ruptura da barragem foi um acidente. Mas se houve sintomas e a gestão da empresa desconsiderou ou menosprezou, por razões econômicas, então foi mais um crime do capitalismo predatório e os responsáveis - principais e secundários - devem ser rigorosamente punidos. A empresa precisa ser punida para alcançar os acionistas que são os principais protagonistas, por pressionarem os gestores por incessantes lucros e dividendos.

Um completo conhecimento sobre os processos de liquefação e correlatos deve ser demonstrado para orientar os monitoramentos e fiscalizações.  Não adianta cobrar mais fiscalização, se não se souber o que fiscalizar. 

(cont)

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