Os políticos (3)

A condição fundamental para ser um político, dentro de uma democracia, é ter votos. 
Os votos decorrem da representação da visão de mundo dos seus eleitores: de como as pessoas percebem o mundo e o papel do Estado na sua vida. 
Para alguns o valor principal é a liberdade. Para outros a igualdade. Muitos querem o Estado para atender às suas necessidades. Os dois primeiros representam ideais, o último representa interesses.
Na composição do Congresso Nacional, uma pequena parte dos deputados e senadores eleitos, representa ideais. A maioria representa interesses coletivos: comunitários ou corporativos. 
O parlamentar que só tem interesse pessoal, não consegue permanecer, pois sozinho não tem votos suficientes. Supostamente ele pode comprar os votos. Ou, transformar o interesse coletivo em vantagem pessoal. Mesmo nesse caso, ele precisa representar interesses coletivos.

Na dinâmica político-eleitoral brasileira o Governante, isto é o Executivo, não é eleito junto com uma maioria parlamentar ideológica comum. Para poder governar, o Executivo é obrigado a compor com a maior parte dos parlamentares.
Pode tentar a trazer para a sua base aliada, deputados e senadores, com base em afinidades ideológicas. Isso é, com base em ideais similares, a partir da dicotomia básica de prioridades: liberdade x igualdade.
A par dessa disjunção principal emergiram ideários sobre temas específicos, mas de âmbito mundial: os dois mais importantes são o meio ambiente e a educação. Eles não formam "bancadas", uma vez que essas são organizadas mais em função de interesses corporativos, do que por afinidades ideológicas. Essas ainda são de dominio dos partidos.
Mas como o principal valor da maioria dos parlamentares é a representação de interesses "fisiológicos", sejam comunitários como corporativos, o Governo é obrigado a negociar o atendimento desses interesses, ainda que os considere como menores. Visão essa compartilhada pela opinião publicada, contrária a essa negociação.
Essa é vista como prática da "velha politica", contra a qual, supostamente, a maior parte dos eleitores brasileiros ativos, elegeu Jair Bolsonaro, acreditando nas promessas de não seguir ou repetir essas velhas práticas. Porém, esse mesmo eleitorado elegeu predominantemente os velhos políticos, usuários das mesmas práticas e visões: incluindo muitos que estavam em outras posições. A renovação nominal foi relativamente alta, mas a real, ainda foi baixa. 
Os efetivos renovadores não tem ainda volume suficiente para compor uma base de apoio às propostas governamentais, com fundamentos ideológicos, negociando conteúdos e não "interesses menores".
Sem negociar os "interesses menores" o Governo não terá condições de alcançar os votos favoráveis para a aprovação da Reforma da Previdência, assim como de outras propostas:por melhor que sejam. 

(cont)





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