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Cenários ambientais

Jair Bolsonaro, durante a sua campanha eleitoral, se posicionou fortemente contra a política ambiental vigente no Brasil e contra os ativistas ambientalistas, os considerados "ecochatos".
Fortemente influenciado por alguns segmentos radicais, com posições ideológicas e falsas informações, adotou discurso agressivo contra o ambientalismo. 
A principal influência foi de Donald Trump, de quem Jair Bolsonaro é um grande admirador e modelo. Trump, com o poder dos EUA, não aderiu ao Acordo de Paris do Clima e tem instado outros países a se retirarem do acordo, defendendo a tese de que o aquecimento da terra é uma balela.
Os oponentes do Acordo de Paris usaram o "fake news" do corredor AAA, que é um ampla faixa da América do Sul, abrangendo todo bioma amazônico, passando por diversos países que ficariam sob controle internacional, sobrepondo-se à soberania nacional. Embora exista uma proposta nesse sentido de um ambientalista colombiano, ele não consta do Acordo de Paris, como foi "vendido" a Jair Bolsonaro que, em acreditando na mentira, propôs a retirada do Brasil do Acordo de Paris, gerando forte contestação internacional. 
Outra grande influência foi exercida pela bancada ruralista, contra o excesso de restrições e a indústria de multas que foi instaurada no sistema de fiscalização do Poder Executivo, pressionada pelo Judiciário e Ministério Público. Houve tentativa de extinguir o Ministério do Meio Ambiente e incorporar as atividades ao Ministério da Agricultura, o que foi obstado não só pelos ambientalistas, como por outros setores afetados pela gestão ambiental.
Entre esses o setor de infraestrutura, por estar politicamente fragilizado, em função da Operação Lava-Jato e o de mineração - supostamente - por ter conseguido manter no Poder Legislativo o afrouxamento da fiscalização e a manutenção de multas irrisórias.

Os cenários

As circunstâncias, personalidade e estratégias o período anterior à posse, indicavam a perspectiva de 3 cenários alternativos:

  1. manutenção das políticas ambientais;
  2. oscilação e instabilidade;
  3. abandono das políticas ambientais.
No primeiro cenário, embora contrário à sua visão de mundo particular e à sua personalidade, Jair Bolsonaro cederia às pressões ambientalistas, ao perceber que a maioria da população brasileira é a favor delas. Manteria o Ministério do Meio Ambiente, com força e rigor na fiscalização e aceitaria a permanência do Brasil, no Acordo de Paris. Buscaria conter os excessos, para atender ao agronegócio. 
No segundo cenário, Bolsonaro oscilaria entre atender às pressões ambientalista nacionais e internacionais e às de seus filhos, defensores da ruptura com os ambientalistas, retirando o Brasil do Acordo de Paris. Eles e seu adeptos, incluindo o Ministro de Relações Exteriores, tem querem impor posições ideológicas, no que contam com a visão pessoal do pai e Presidente. Jair Bolsonaro nunca foi ambientalista e não incorpora valores ambientalistas.
Mas o agronegócio é contra uma posição anti-ambientalista radical, pela reação negativa do mercado internacional importador dos seus produtos. As ações serão contraditórias, como avanços e recuos.
No terceiro cenário, prevalecem as posições ideológicas de abandono dos linacionais e internacionais, com presunção de que esses são decorrentes de uma conspiração internacional contra a soberania brasileira.
Nenhum dos cenários se coaduna com a "lua de mel prolongada". Nessa a questão ambiental não ficaria em primeiro plano. 

O primeiro mês

No primeiro mês alguns eventos, marcaram as tendências:

  1. as declarações do Ministro do Meio ambiente a favor da flexibilização no licenciamento;
  2. a indagação de Klaus Schwab, no Forum Econômico Mundial;
  3. a tragédia de Brumadinho.
Em Davos, pressionado por Klaus Schwab, na sequência da sua curta apresentação, teve que declarar ao público mundial que o Brasil se manterá no Acordo de Paris, ainda que com uma ressalva: "por enquanto".
A tragédia de Brumadinho, repetindo a da Mariana, à três anos atrás, vista por alguns como falha da fiscalização ambiental, reverteu para a sequência do governo Bolsonaro, de flexibilização da regulamentação e fiscalização ambiental.
O que passará a ser considerado e discutido é a maior eficiência e eficácia da fiscalização ambiental. 

Essas ocorrências minam o cenário "lua de mel prolongada". Nesse, em função dos confrontos entre as diversas visões, a estratégia governamental seria de reduzir a sua importância, deixando-a em segundo plano.

O cenário "abandono das políticas ambientais" tornou-se improvável. Mais que isso, tornou-se inviável. Poderia ser substituído por um cenário "abrandamento das políticas ambientais".
O cenário "manutenção das políticas ambientais" ganhou força com o desastre de Brumadinho, mas como ocorreu com o de Mariana, a tendência seria de "afrouxamento" em função da visão pessoal de Jair Bolsonaro e da leniência da sociedade que só reage diante de fatos consumados. O Brasil se manterá dentro do Acordo do Clima, mas "por enquanto". Mas poderá  ganhar força, em contrapartida ao enfraquecimento do clã Bolsonaro, com a eventual saída do Ministro das Relações Exterior.
O cenário mais provável é o de "oscilação e instabilidade" que se insere no cenário geral "relacionamento instável". O confronto entre ambientalistas e anti-ambientalistas permaneceria ao longo de todo 2019, com idas e vindas do Governo Bolsonaro. Algumas medidas tomadas por influência dos filhos seriam revertidas, em função das reações de outros segmentos. Ocorreria também o oposto, sem uma definição clara da posição do Governo e do Brasil, em relação às questões ambientais.







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